uhuaua II Capítulo
15 de janeiro de 1900, Mansão Palmerston em Pequim.
Sakura alisava o vestido de seda que havia ganho de Eriol, era realmente bonito... Lindo, e certamente feito de pura seda chinesa. Mas não sabia o porque odiava tanto aquele maldito vestido. E o por que de se sentir tão suja ao colocá-lo... Além de tudo o espelho não mentia, ela estava parecendo mais uma concubina de Eriol, do que realmente sua noiva.
-Como esta senhorita?-a jovem criada falou entrando no aposento.-Lorde Eriol já esta a sua espera.
-Estou indo Mai!-falou simpática.
-Precisar de ajuda...?-perguntou subimissa, indo ajudar Sakura a amarrar o vestido.
-Não precisa se incomodar...
-Que nada senhorita, não faço mais do que minha obrigação.-disse acertando o vestido dela.-Além do mais e um prazer arrumar tão bela jovem...
Em silencio, Sakura aceitou a ajuda da jovem, que tinha clara descendência chinesa, embora havia traços ocidentais também... Era uma garota simplesmente encantadora. Aliás, no estado que estava qualquer atitude de companheirismo estava sendo bem vinda. Já que os últimos dias de vida não estavam sendo muito fáceis...Havia passando por grandes humilhações, tanto por parte do poderoso Eriol, como para os subordinados de tal pessoal. Nunca havia escutado qualquer grosseira, mas sabia que era chamada de "A concubina japonesa de Lorde Eriol". E no fundo tinha que admitir que era assim que se sentia... Ai, como odiava seu pai por isso. Assustada, com o pensamento anticristão, pediu perdão para Deus.
-Está pronta senhora...-disse Mai, virando para a futura patroa.-Como você esta linda, senhorita Kinomoto!-exclamou fascinada.
Olhando no espelho, Sakura não concordou com a criada. Sentiu-se suja e vil... Era revoltante. Se perguntar ate quando agüentaria aquela situação tão constrangedora, em que fora lhe imposta.
-Obrigada Mai.-falou polidamente.-Pode se retirar, pois lorde Eriol não ira aturar seu atraso.
-A senhorita também, O embaixador americano já chegou...- Mai disse nervosa.
-Eu já estou descendo... Só vou fechar a janela.
Mai saiu às pressas do quarto. Deixando Sakura novamente sozinha e se olhando no espelho... Segurando para não chorar, cerrou os punhos com forças e foi fechar as janelas.
Distraída ficou longos minutos parada na frente, observando a vista do porto de Pequim. Uma cidade bonita, e que agora seria seu lar... Até Deus julgar a hora de partir. De repente sentiu incomodada... Como se alguém estivesse vigiando todos os seus movimentos, todas a sua respiração... Tentando procurar a pessoa que a vigiava, mas foi em vão... A pessoa já havia sumido.
-Tente descansar mais Sakura Kinomoto.-ralhou consigo mesma.
(**************)
Shoran não conseguia tira os olhos da jovem beldade que prostrava na janela da mansão. Não podia negar que aquela era a visão mais linda que observava durante anos. Mas era a noiva de Eriol, portando sua futura hospede... Seria uma tentação ter uma jóia rara sobre seu teto, e não podê-la nem tocá- la.
Tinha os olhos verdes que era uma tonalidade que ele nunca havia visto, a pele era clara, mas ela lhe pareceu um pouco pálida... Talvez fosse uma vitima daquele impuro. Ele iria libertá-la... Pois tão rara beleza, não merecia ficar presa a sujo. Mas ela era uma impura também, porém merecia ser pelo menos uma concubina... Quem saber não ficaria com ela. Seria uma bela aquisição, já que as mulheres nas quais se deitava, não tinha um corpo expressional ou uns olhos tão bonitos como aqueles.
Mas não havia tempo para sentimentalismo. Estava ali para cumprir uma missão, e de forma alguma deixaria seu libido de homem atrapalhar seu planos, além do mais seria suicídio se meter com uma mulher como aquela. Era contra a lei dos Yijetuan*... Era contra seus princípios... Era contra a lei de Buda. Se deitar com uma mulher japonesa era um crime para ele.
-Shoran...!-uma voz o chamou.-Aonde você esta?
Era Mai, uma criada simpática que vinha claramente demonstrando uma grande afeição por ele. "Pobre menina...", pensou triste."Se soubesse quem ele era de verdade, com certeza fugiria de medo".Sorriu maliciosamente.
-Estou aqui senhorita Mai...-gritou de volta, sem tirra os olhos da mulher, que já havia percebido, que alguém a observava.
-Não suma assim... Os tenentes de lorde Eriol não gostam disso. Além do mais você é novo aqui... E lorde David não foi muito com sua cara.
"Ahahaha, Eriol e seus segurança" pensou gargalhando para si mesmo. "Ele era mesmo um covarde... que só prestava para matar crianças e mulheres". Agora o caso de "lorde Davis" iria se resolver logo, pois não via a hora de se vingar da surra que o desgraçado havia dado nele. Logo, logo, mas bem logo... O canalha teria a lamina de sua espada cravada em seu coração.
-Não se preocupe Mai... Lorde Eriol é muito bondoso, e viu minha honestidade.-falou cínico.-O que deseja senhorita?
-Lorde Eriol realmente é um ótimo julgador de caráter.-disse tímida, pegando lhe a mão.-Mao e eu preciso de um favor seu.
Pela ultima vez olhou para figura feminina na janela. "Tão bonita que encantava, tão bela que causava dor" pensou sorrindo ao notar os olhos verdes delas procura por ele.
-Precisamos de chá, Lorde Eriol que oferecer uma cerimônia a modo de nossa cultura para embaixador Americano.-informou ela andando.-Você faz o favor de ir compra...
-Claro.-concordou de imediato.
Precisava mandar uma mensagem para Chao Futien avisando de como estava indo a coisa. Bem, essa seria uma ótima oportunidade para escapar da fortaleza sem levantar suspeitas. Além do mais daria um tempo para ele pensar no primeiro passo para o seqüestro.
(***********************)
Sakura estava sentindo-se verdadeiramente um peixe fora da água. Aquele não era definitivamente seu mundo... Era tudo tão polido e frios, que tinha medo de perder seu coração.
Estava sentada ao lado esquerdo de Eriol a seu lado Tomoyo falante conversava com a filha de um diplomata britânico, só ela estava só naquele jantar. Os amigos de Eriol estavam a tratando com um ar de superioridade... Apenas Sir Claude Mc Donald* e sua esposa Elisa estavam tratando ela com cordialidade, e sempre que possível puxando conversa com ela.
O difícil era ter que manter um sorriso nos lábios, quando na verdade queria chorar de desespero e raiva... Queria que todos fossem embora... Queria sumir da face da terra.
-Mais um missionário inglês foi morto hoje.-informou Eriol, chamando definitivamente a atenção de Sakura.-Uma perda lastimável.
-Realmente...-sir Claude falou com pesar.-O mais estranho que é a terceira morte em menos de uma semana... Isso esta me deixando preocupado.
-Não deve ser nada de grave.-Eriol falou pensativo.-Certamente devem ser crimes isolados... E sem importância.
-Discordo Lorde Eriol.- general Edwin Grey falou.-Uma fonte minha implantada na inteligência chinesa... Informou-me ontem, que a imperatriz Xi Ci* esta formando um exército, a fim de destruir todo o cristão que estiver na China.
De repente todo o falatório parou. Todos sem exceção ficaram preocupados... Aquilo era uma informação seria. E mesmo que todos tentassem não ligar muito... Todos sabiam que uma coisa de muito grave iria acontecer. Havia um cheiro de revolução no ar... E isso amedrontava a todos. Inclusive Sakura que de forma alguma tirava o direito dos chineses se revoltarem contra as atrocidades que lhe eram cometidas todos os dias... Eles eram injustiçados como ela...
-Como assim...?-uma voz tremula quebrou o silencio.
-Não sei muito... Mas em pouco tempo posso afirmar... Que teremos que sair da China se quisermos fica vivos.-Edwin disse nervoso.
Eriol não acreditava naquilo, era tudo tão improvável... Que mesmo que esse grupo se firmasse não teria muita chance contra a artilharia deles. Certamente pisariam neles novamente... Como na guerra do ópio.
-Deve ser apenas boatos.-falou tentando acalmar os nervos de seus visitantes.-A imperatriz não seria capaz de meter com nos.
-Concordo com Eriol...-sir Claude falou sem muita convicção.-Vamos esperar... Se ocorrer alguma morte estranha nos próximos dias...Vamos ter que apurar.
O clima do almoço foi bastante afetado após as revelações de Edwin. Ninguém conseguiu mais relaxar. Sakura principalmente, pois ficava pensando no que o pai fora lhe meter, enviando-a para se casar com um estranho num país a beira de um colapso internacional... Pálida, Eriol educadamente falou.
-Querida é melhor você ir tomar um pouco de ar... Esta um pouco pálida.
De bom grado obedeceu ao noivo, já que não estava muito bem para ficar naquele clima pesado... Se ficasse ali não agüentaria por muito tempo sabia disso. Pedindo licença saiu da sala, sem mais palavras.
(******************)
Nunca havia ido para o jardim... Não sabia bem o motivo, mas agora sabia que havia perdido muito com aquilo. Ali era o pedaço do céu, havia arvores exóticas... Além de belas e raras orquídeas. Os pássaros pareciam mágicos.
Sentando no banco começou a chorar... De desespero por estar ali. Sozinha, sem seu irmão... Sem sua mãe. Ali apenas com sua prima, que nos momentos estava deslumbrada com o poderoso Eriol.Nada tinha o efeito para acalmá-la.
Tirando um lenço, percebeu que fora com aquele pano que havia socorrido o jovem chinês há quinze dias atrás... Ainda sentia o cheiro dele... E ainda havia a mancha do sangue dele... Nunca mais havia visto o garoto, mas ele ainda tinha o poder de aparecer em sua mente nas horas mais pouco prováveis como agora.
Sentiu uma presença conhecida atrás de suas costas... Uma presença muito...Muito triste. Virando rapidamente deu de cara com os mesmo olhos chocolates que viam atormentando desde de sua chegada à China.
-O que você está fazendo aqui...?-perguntou ela assustada.
(****************************)
"Odiamos profundamente os tratados que prejudicam o país e trazem calamidades ao povo. Os altos funcionários traem a nação; os baixos os seguem no jogo. O povo é injuriado, mas faltarão desagravos".
Shoran leu com atenção... Concordando com cada virgula. Pois cada pecado teria seu próprio desagravo. Todos iriam ser mortos ou expulso, e isso incluía os traidores da nação.
-Como vai companheiro?- falou a voz aguda de seu amigo Wou Wang.
Wou era um dos chefes do movimento e junto com ele e Chao, planejavam cada passo de seus homens. Era proibido matar sem autorização deles. Wou era um homem muito importante naquela região, já que sua taverna era conhecida como o ponto de encontro de vários comissários estrangeiros. Além do mais era ali que Yijetuan fazia suas reuniões... Como ele costumava dizer.
"Estavam sobre as garras afiadas dos impuros, mas mesmo assim usava a desafiá-los".
-Estou bem. Embora pouco contente como minha situacao...
-Imagino... Mas logo você estará saindo de lá com a vitória nas mãos.
-Disso não tenho duvidas.
-Como esta indo o plano?-perguntou oferecendo rum para ele.-Esse é o melhor rum americano.-cinicamente completou.
Wou era um típico chinês, que aos quarenta e cinco anos ainda não havia se esquecido de como sua mulher e suas filhas foram mortas, e talvez nunca esqueceria. Nem parecia que fazia cinco anos que aqueles "cachorros do ocidente" haviam invadido sua casa... Além de saquearem sua residência, violaram e mataram sua única família. E a partir dali começara a sua historia com o movimento Yijetuan.
-Estagnada... A mulher pouco saia do quarto.-falou serio tomando a bebida.- E quando sai esta acompanhada pelo almirante ou por sua prima... E seria estranho se eu tentasse uma aproximação desta forma...
-Tem razão... Mas o que se deve a sua presença aqui...?-perguntou curioso.
-Vim comprar chá a pedido de uma pessoa.-informou ele.-Então aproveitei para passar aqui... Para entregar isso.-estendeu as mãos com a carta.-Como Chao me pediu.
Wou abriu a carta, e deu de cara com uma descrição detalhada de cada cômodo da mansão... Tinha ate os prováveis pontos de fuga do almirante... "Perfeito, Shoran é um gênio", pensou extasiado.
-Perfeito... Como você conseguiu essa preciosidade?
-Com algumas camareiras...-falou malicioso.
-Não toma jeito mesmo... Seu pai era assim também.-ele gargalhou.
Shoran o acompanhou na risada... Não que achasse graça, mas por força de costume. Já que era quase impossível tirar um sorriso sincero de seus lábios... Já passara da época, que sorrir era bom e fazia bem a alma. Agora seu coração era tão frio como gelo... Ou ate pior. Perdera a capacidade de sorrir desde momento que vira seus pais serem mortos na sua frente... Mas isso era coisa do passado, e pouco importava...
-agora tenho que ir... Não posso demorar muito.-ele falou se levantando da cadeira.
-Tome cuidado, e não estrague nosso plano.-falou apertando o ombro do amigo. Do qual considerava um filho.-Mantenha nos informados...
-Manterei...
Shoran virou e saiu do bar...Mas parou de novo na frente do cartaz.
"Era isso mesmo... odiava cada estrangeiro que estava em seu país... saqueando as propriedades, seus templos, em fim destruindo a paz de seu povo. E isso teria que acabar... e eles, os Yijetuans iriam fazer a justiça com as próprias mãos...".
(**********************)
Uma hora mais tarde...
Estava tenso precisava de ar puro, pensou Shoran. Fazia uma hora que chegara... Uma hora tensa. Estava cansado e com uma dor enorme de cabeça...
Acabou decidindo ir para o jardim dos fundos da mansão, aonde tivera a imagem mais linda de uma mulher em toda sua vida.Era uma tarde linda de final de inverno... O calor era um pouco elevado para àquela hora. Bem, aproveitaria isso para treinar um pouco com sua espada... E ali não correria o risco de ser pego por algum subordinado de Eriol, pois poucas pessoas daquela casa ligavam para aquele paraíso.
Pegando a espada saiu de seu aposento que ficava nos fundos da fortaleza.
Distraído, Shoran começou a treinar. Mas de repente sentiu que já não estava mais só... Nervoso decidiu checar quem era o incomodo. E deu de cara com uma flor... Uma flor mais bela no meio daquele jardim. Só que era uma flor triste, pois estava aos prantos... Não gostava de ver uma mulher chorar, precisava acamá-la rapidamente.
Rapidamente, Shoran escondeu a espada e foi na direção de Sakura... Mas o que não podia contar era com os olhos assustado dela ao vê-lo...
-O que você está fazendo aqui...?
Aquilo o deixou intrigado... Pelos seus cálculos ela nunca o havia visto. Nem naquele dia no cais nem agora na mansão...
Isso era muito ruim... Agora sim que teria que seqüestrá-la. Para o bem de todos teria que calá-la de alguma forma... E teria que ser logo...
(*******************************)
Oie!!!!
Bem, hoje tenho que esclarecer algumas coisas...
Esse período da história é a que mais amo (para dizer a verdade, é a mais fascinante)^.^. E de uma riqueza de detalhes imenso... E que assim que estudei pode compreender mais os problemas que ocorrem hoje, em nosso mundo capitalista. Alguns personagens dessa fic realmente existiriam. Como Chao Fu-tein (um dos lideres dos Boxers), Ci Xi (que poder ser chamada também de imperatriz Dragão ou Deusa da Misericórdia) que foi conhecida como uma mulher fria e racionara, além de intolerante... A sem nenhum sentimento (já que alguns historiadores acreditam que ela foi capaz de matar o próprio filho para ficar com trono chinês).
Já do lado ocidental havia Sir Claude Mac Donald (teve um papel fundamental no cerco das embaixadas em Pequim. Foi ele que manteve as 15 potenciam unidas, já que de uma certa forma... algumas potências não se bicavam, e que mais tarde entrariam em guerra. Um exemplo seria o Japão e a União soviética, que em 1905 entraram em guerra , motivada por choque de interesses na Manchudchúria. A derrota ante ao japoneses mostrou a deficiência do estado russo. Tomando com urgência o estado para uma reforma)). Há também o senhor Edwin (que infelizmente não sei o sobrenome, se alguém súber me avise que concertarei.).
Movimento Yeijetuan é mais conhecido como movimento Boxers. Mas esse é o nome original, então resolvi colocar Yeijetuan.
Em fim o próximo capítulo terá mais ação, mais romance... Estarei esperando por reviews.
Além do mais muito obrigada a Saki, a Renata, a Isa e a Hime muito obrigada pelas reviews.
Um beijo!
Ate a próxima semana!
15 de janeiro de 1900, Mansão Palmerston em Pequim.
Sakura alisava o vestido de seda que havia ganho de Eriol, era realmente bonito... Lindo, e certamente feito de pura seda chinesa. Mas não sabia o porque odiava tanto aquele maldito vestido. E o por que de se sentir tão suja ao colocá-lo... Além de tudo o espelho não mentia, ela estava parecendo mais uma concubina de Eriol, do que realmente sua noiva.
-Como esta senhorita?-a jovem criada falou entrando no aposento.-Lorde Eriol já esta a sua espera.
-Estou indo Mai!-falou simpática.
-Precisar de ajuda...?-perguntou subimissa, indo ajudar Sakura a amarrar o vestido.
-Não precisa se incomodar...
-Que nada senhorita, não faço mais do que minha obrigação.-disse acertando o vestido dela.-Além do mais e um prazer arrumar tão bela jovem...
Em silencio, Sakura aceitou a ajuda da jovem, que tinha clara descendência chinesa, embora havia traços ocidentais também... Era uma garota simplesmente encantadora. Aliás, no estado que estava qualquer atitude de companheirismo estava sendo bem vinda. Já que os últimos dias de vida não estavam sendo muito fáceis...Havia passando por grandes humilhações, tanto por parte do poderoso Eriol, como para os subordinados de tal pessoal. Nunca havia escutado qualquer grosseira, mas sabia que era chamada de "A concubina japonesa de Lorde Eriol". E no fundo tinha que admitir que era assim que se sentia... Ai, como odiava seu pai por isso. Assustada, com o pensamento anticristão, pediu perdão para Deus.
-Está pronta senhora...-disse Mai, virando para a futura patroa.-Como você esta linda, senhorita Kinomoto!-exclamou fascinada.
Olhando no espelho, Sakura não concordou com a criada. Sentiu-se suja e vil... Era revoltante. Se perguntar ate quando agüentaria aquela situação tão constrangedora, em que fora lhe imposta.
-Obrigada Mai.-falou polidamente.-Pode se retirar, pois lorde Eriol não ira aturar seu atraso.
-A senhorita também, O embaixador americano já chegou...- Mai disse nervosa.
-Eu já estou descendo... Só vou fechar a janela.
Mai saiu às pressas do quarto. Deixando Sakura novamente sozinha e se olhando no espelho... Segurando para não chorar, cerrou os punhos com forças e foi fechar as janelas.
Distraída ficou longos minutos parada na frente, observando a vista do porto de Pequim. Uma cidade bonita, e que agora seria seu lar... Até Deus julgar a hora de partir. De repente sentiu incomodada... Como se alguém estivesse vigiando todos os seus movimentos, todas a sua respiração... Tentando procurar a pessoa que a vigiava, mas foi em vão... A pessoa já havia sumido.
-Tente descansar mais Sakura Kinomoto.-ralhou consigo mesma.
(**************)
Shoran não conseguia tira os olhos da jovem beldade que prostrava na janela da mansão. Não podia negar que aquela era a visão mais linda que observava durante anos. Mas era a noiva de Eriol, portando sua futura hospede... Seria uma tentação ter uma jóia rara sobre seu teto, e não podê-la nem tocá- la.
Tinha os olhos verdes que era uma tonalidade que ele nunca havia visto, a pele era clara, mas ela lhe pareceu um pouco pálida... Talvez fosse uma vitima daquele impuro. Ele iria libertá-la... Pois tão rara beleza, não merecia ficar presa a sujo. Mas ela era uma impura também, porém merecia ser pelo menos uma concubina... Quem saber não ficaria com ela. Seria uma bela aquisição, já que as mulheres nas quais se deitava, não tinha um corpo expressional ou uns olhos tão bonitos como aqueles.
Mas não havia tempo para sentimentalismo. Estava ali para cumprir uma missão, e de forma alguma deixaria seu libido de homem atrapalhar seu planos, além do mais seria suicídio se meter com uma mulher como aquela. Era contra a lei dos Yijetuan*... Era contra seus princípios... Era contra a lei de Buda. Se deitar com uma mulher japonesa era um crime para ele.
-Shoran...!-uma voz o chamou.-Aonde você esta?
Era Mai, uma criada simpática que vinha claramente demonstrando uma grande afeição por ele. "Pobre menina...", pensou triste."Se soubesse quem ele era de verdade, com certeza fugiria de medo".Sorriu maliciosamente.
-Estou aqui senhorita Mai...-gritou de volta, sem tirra os olhos da mulher, que já havia percebido, que alguém a observava.
-Não suma assim... Os tenentes de lorde Eriol não gostam disso. Além do mais você é novo aqui... E lorde David não foi muito com sua cara.
"Ahahaha, Eriol e seus segurança" pensou gargalhando para si mesmo. "Ele era mesmo um covarde... que só prestava para matar crianças e mulheres". Agora o caso de "lorde Davis" iria se resolver logo, pois não via a hora de se vingar da surra que o desgraçado havia dado nele. Logo, logo, mas bem logo... O canalha teria a lamina de sua espada cravada em seu coração.
-Não se preocupe Mai... Lorde Eriol é muito bondoso, e viu minha honestidade.-falou cínico.-O que deseja senhorita?
-Lorde Eriol realmente é um ótimo julgador de caráter.-disse tímida, pegando lhe a mão.-Mao e eu preciso de um favor seu.
Pela ultima vez olhou para figura feminina na janela. "Tão bonita que encantava, tão bela que causava dor" pensou sorrindo ao notar os olhos verdes delas procura por ele.
-Precisamos de chá, Lorde Eriol que oferecer uma cerimônia a modo de nossa cultura para embaixador Americano.-informou ela andando.-Você faz o favor de ir compra...
-Claro.-concordou de imediato.
Precisava mandar uma mensagem para Chao Futien avisando de como estava indo a coisa. Bem, essa seria uma ótima oportunidade para escapar da fortaleza sem levantar suspeitas. Além do mais daria um tempo para ele pensar no primeiro passo para o seqüestro.
(***********************)
Sakura estava sentindo-se verdadeiramente um peixe fora da água. Aquele não era definitivamente seu mundo... Era tudo tão polido e frios, que tinha medo de perder seu coração.
Estava sentada ao lado esquerdo de Eriol a seu lado Tomoyo falante conversava com a filha de um diplomata britânico, só ela estava só naquele jantar. Os amigos de Eriol estavam a tratando com um ar de superioridade... Apenas Sir Claude Mc Donald* e sua esposa Elisa estavam tratando ela com cordialidade, e sempre que possível puxando conversa com ela.
O difícil era ter que manter um sorriso nos lábios, quando na verdade queria chorar de desespero e raiva... Queria que todos fossem embora... Queria sumir da face da terra.
-Mais um missionário inglês foi morto hoje.-informou Eriol, chamando definitivamente a atenção de Sakura.-Uma perda lastimável.
-Realmente...-sir Claude falou com pesar.-O mais estranho que é a terceira morte em menos de uma semana... Isso esta me deixando preocupado.
-Não deve ser nada de grave.-Eriol falou pensativo.-Certamente devem ser crimes isolados... E sem importância.
-Discordo Lorde Eriol.- general Edwin Grey falou.-Uma fonte minha implantada na inteligência chinesa... Informou-me ontem, que a imperatriz Xi Ci* esta formando um exército, a fim de destruir todo o cristão que estiver na China.
De repente todo o falatório parou. Todos sem exceção ficaram preocupados... Aquilo era uma informação seria. E mesmo que todos tentassem não ligar muito... Todos sabiam que uma coisa de muito grave iria acontecer. Havia um cheiro de revolução no ar... E isso amedrontava a todos. Inclusive Sakura que de forma alguma tirava o direito dos chineses se revoltarem contra as atrocidades que lhe eram cometidas todos os dias... Eles eram injustiçados como ela...
-Como assim...?-uma voz tremula quebrou o silencio.
-Não sei muito... Mas em pouco tempo posso afirmar... Que teremos que sair da China se quisermos fica vivos.-Edwin disse nervoso.
Eriol não acreditava naquilo, era tudo tão improvável... Que mesmo que esse grupo se firmasse não teria muita chance contra a artilharia deles. Certamente pisariam neles novamente... Como na guerra do ópio.
-Deve ser apenas boatos.-falou tentando acalmar os nervos de seus visitantes.-A imperatriz não seria capaz de meter com nos.
-Concordo com Eriol...-sir Claude falou sem muita convicção.-Vamos esperar... Se ocorrer alguma morte estranha nos próximos dias...Vamos ter que apurar.
O clima do almoço foi bastante afetado após as revelações de Edwin. Ninguém conseguiu mais relaxar. Sakura principalmente, pois ficava pensando no que o pai fora lhe meter, enviando-a para se casar com um estranho num país a beira de um colapso internacional... Pálida, Eriol educadamente falou.
-Querida é melhor você ir tomar um pouco de ar... Esta um pouco pálida.
De bom grado obedeceu ao noivo, já que não estava muito bem para ficar naquele clima pesado... Se ficasse ali não agüentaria por muito tempo sabia disso. Pedindo licença saiu da sala, sem mais palavras.
(******************)
Nunca havia ido para o jardim... Não sabia bem o motivo, mas agora sabia que havia perdido muito com aquilo. Ali era o pedaço do céu, havia arvores exóticas... Além de belas e raras orquídeas. Os pássaros pareciam mágicos.
Sentando no banco começou a chorar... De desespero por estar ali. Sozinha, sem seu irmão... Sem sua mãe. Ali apenas com sua prima, que nos momentos estava deslumbrada com o poderoso Eriol.Nada tinha o efeito para acalmá-la.
Tirando um lenço, percebeu que fora com aquele pano que havia socorrido o jovem chinês há quinze dias atrás... Ainda sentia o cheiro dele... E ainda havia a mancha do sangue dele... Nunca mais havia visto o garoto, mas ele ainda tinha o poder de aparecer em sua mente nas horas mais pouco prováveis como agora.
Sentiu uma presença conhecida atrás de suas costas... Uma presença muito...Muito triste. Virando rapidamente deu de cara com os mesmo olhos chocolates que viam atormentando desde de sua chegada à China.
-O que você está fazendo aqui...?-perguntou ela assustada.
(****************************)
"Odiamos profundamente os tratados que prejudicam o país e trazem calamidades ao povo. Os altos funcionários traem a nação; os baixos os seguem no jogo. O povo é injuriado, mas faltarão desagravos".
Shoran leu com atenção... Concordando com cada virgula. Pois cada pecado teria seu próprio desagravo. Todos iriam ser mortos ou expulso, e isso incluía os traidores da nação.
-Como vai companheiro?- falou a voz aguda de seu amigo Wou Wang.
Wou era um dos chefes do movimento e junto com ele e Chao, planejavam cada passo de seus homens. Era proibido matar sem autorização deles. Wou era um homem muito importante naquela região, já que sua taverna era conhecida como o ponto de encontro de vários comissários estrangeiros. Além do mais era ali que Yijetuan fazia suas reuniões... Como ele costumava dizer.
"Estavam sobre as garras afiadas dos impuros, mas mesmo assim usava a desafiá-los".
-Estou bem. Embora pouco contente como minha situacao...
-Imagino... Mas logo você estará saindo de lá com a vitória nas mãos.
-Disso não tenho duvidas.
-Como esta indo o plano?-perguntou oferecendo rum para ele.-Esse é o melhor rum americano.-cinicamente completou.
Wou era um típico chinês, que aos quarenta e cinco anos ainda não havia se esquecido de como sua mulher e suas filhas foram mortas, e talvez nunca esqueceria. Nem parecia que fazia cinco anos que aqueles "cachorros do ocidente" haviam invadido sua casa... Além de saquearem sua residência, violaram e mataram sua única família. E a partir dali começara a sua historia com o movimento Yijetuan.
-Estagnada... A mulher pouco saia do quarto.-falou serio tomando a bebida.- E quando sai esta acompanhada pelo almirante ou por sua prima... E seria estranho se eu tentasse uma aproximação desta forma...
-Tem razão... Mas o que se deve a sua presença aqui...?-perguntou curioso.
-Vim comprar chá a pedido de uma pessoa.-informou ele.-Então aproveitei para passar aqui... Para entregar isso.-estendeu as mãos com a carta.-Como Chao me pediu.
Wou abriu a carta, e deu de cara com uma descrição detalhada de cada cômodo da mansão... Tinha ate os prováveis pontos de fuga do almirante... "Perfeito, Shoran é um gênio", pensou extasiado.
-Perfeito... Como você conseguiu essa preciosidade?
-Com algumas camareiras...-falou malicioso.
-Não toma jeito mesmo... Seu pai era assim também.-ele gargalhou.
Shoran o acompanhou na risada... Não que achasse graça, mas por força de costume. Já que era quase impossível tirar um sorriso sincero de seus lábios... Já passara da época, que sorrir era bom e fazia bem a alma. Agora seu coração era tão frio como gelo... Ou ate pior. Perdera a capacidade de sorrir desde momento que vira seus pais serem mortos na sua frente... Mas isso era coisa do passado, e pouco importava...
-agora tenho que ir... Não posso demorar muito.-ele falou se levantando da cadeira.
-Tome cuidado, e não estrague nosso plano.-falou apertando o ombro do amigo. Do qual considerava um filho.-Mantenha nos informados...
-Manterei...
Shoran virou e saiu do bar...Mas parou de novo na frente do cartaz.
"Era isso mesmo... odiava cada estrangeiro que estava em seu país... saqueando as propriedades, seus templos, em fim destruindo a paz de seu povo. E isso teria que acabar... e eles, os Yijetuans iriam fazer a justiça com as próprias mãos...".
(**********************)
Uma hora mais tarde...
Estava tenso precisava de ar puro, pensou Shoran. Fazia uma hora que chegara... Uma hora tensa. Estava cansado e com uma dor enorme de cabeça...
Acabou decidindo ir para o jardim dos fundos da mansão, aonde tivera a imagem mais linda de uma mulher em toda sua vida.Era uma tarde linda de final de inverno... O calor era um pouco elevado para àquela hora. Bem, aproveitaria isso para treinar um pouco com sua espada... E ali não correria o risco de ser pego por algum subordinado de Eriol, pois poucas pessoas daquela casa ligavam para aquele paraíso.
Pegando a espada saiu de seu aposento que ficava nos fundos da fortaleza.
Distraído, Shoran começou a treinar. Mas de repente sentiu que já não estava mais só... Nervoso decidiu checar quem era o incomodo. E deu de cara com uma flor... Uma flor mais bela no meio daquele jardim. Só que era uma flor triste, pois estava aos prantos... Não gostava de ver uma mulher chorar, precisava acamá-la rapidamente.
Rapidamente, Shoran escondeu a espada e foi na direção de Sakura... Mas o que não podia contar era com os olhos assustado dela ao vê-lo...
-O que você está fazendo aqui...?
Aquilo o deixou intrigado... Pelos seus cálculos ela nunca o havia visto. Nem naquele dia no cais nem agora na mansão...
Isso era muito ruim... Agora sim que teria que seqüestrá-la. Para o bem de todos teria que calá-la de alguma forma... E teria que ser logo...
(*******************************)
Oie!!!!
Bem, hoje tenho que esclarecer algumas coisas...
Esse período da história é a que mais amo (para dizer a verdade, é a mais fascinante)^.^. E de uma riqueza de detalhes imenso... E que assim que estudei pode compreender mais os problemas que ocorrem hoje, em nosso mundo capitalista. Alguns personagens dessa fic realmente existiriam. Como Chao Fu-tein (um dos lideres dos Boxers), Ci Xi (que poder ser chamada também de imperatriz Dragão ou Deusa da Misericórdia) que foi conhecida como uma mulher fria e racionara, além de intolerante... A sem nenhum sentimento (já que alguns historiadores acreditam que ela foi capaz de matar o próprio filho para ficar com trono chinês).
Já do lado ocidental havia Sir Claude Mac Donald (teve um papel fundamental no cerco das embaixadas em Pequim. Foi ele que manteve as 15 potenciam unidas, já que de uma certa forma... algumas potências não se bicavam, e que mais tarde entrariam em guerra. Um exemplo seria o Japão e a União soviética, que em 1905 entraram em guerra , motivada por choque de interesses na Manchudchúria. A derrota ante ao japoneses mostrou a deficiência do estado russo. Tomando com urgência o estado para uma reforma)). Há também o senhor Edwin (que infelizmente não sei o sobrenome, se alguém súber me avise que concertarei.).
Movimento Yeijetuan é mais conhecido como movimento Boxers. Mas esse é o nome original, então resolvi colocar Yeijetuan.
Em fim o próximo capítulo terá mais ação, mais romance... Estarei esperando por reviews.
Além do mais muito obrigada a Saki, a Renata, a Isa e a Hime muito obrigada pelas reviews.
Um beijo!
Ate a próxima semana!
