Olá… aqui está mais um capitulo… alguns avisos… eu decidi levar esta fic para um caminho um bocado macabro… vão haver muitas cenas sangrentas de tortura… então se são muito sensíveis a esse tipo de coisas não digam que não avisei... O facto é que eu depois que acabei Inquisição fiquei com a impressão que ela era muito levezinha nestas temáticas então… esta fic vai ser algo que pode ser considerada de terror… Enfim é um extravasamento da minha mente distorcida… De qualquer das formas continua a ser um romance… é apenas um mais misterioso e sombrio. Mesmo assim espero que gostem…
Boa leitura…
Estou de volta aquele mesmo cenário. Em frente aquela mesma porta, naquele mesmo corredor, com o meu rosto voltado para aquele mesmo vitral. Mas algo esta diferente… Desta vez estou sozinho. Não existe um Iruka atarefado à procura da chave correcta no meio de tantas outras, nem um ser demasiado real, mas com uma aura de puro imaginário. Apenas eu e aquele vitral que me chama… Reparo em cada detalhe que ficou gravado na minha mente desde a vez anterior, mas que não foi relatado por ser interposto pela visão daquele a que apelidei inconscientemente de anjo. Mas outra espécie de anjo encontrasse gravado nestes vidros. Um anjo da morte. Não um sombrio e tenebroso, mas um tão iluminado que queima tudo a sua volta com raios flamejantes. Que aponta com o seu dedo acusador aqueles que jazem desesperados aos seus pés procurando fugir tanto das suas chamas como da espada degoladora que enverga… Algumas cabeças rebolam já fora do corpo e ele pisa-as enquanto caminha em direcção aqueles que considera pecadores.
Em apenas um instante, as cores brilhantes, que emolduram este quadro de justiça divina aterrorizadora, começam a desvanecer, como tinta que escorre por uma parede, e tudo o que resta são as ossadas daquele anjo de assas despejadas de penas e que se volta apontando na minha direcção. O medo apodera-se de mim quando vejo as suas assas abertas e a figura, até então apenas entalhada em vidro, ganhar forma e relevo e parecer querer saltar para me devorar. As minhas pernas movem-se numa tentativa instintiva de fuga e percorro aquele corredor interminavelmente igual, sendo perseguido pela sombra da morte que destrói tudo á minha volta, num estrondo ensurdecedor. Portas e mais portas parecem passar por mim a correr quando sou eu que me movo tentando atingir a escadaria que deveria se encontrar no final daquele corredor, a porta no final da escadaria… o exterior… mas portas e mais portas passam e as paredes parecem cada vez mais próximas tentando me engolir. O anjo lança-se sobre mim e eu desvio-me. A minha mão atinge um puxador. Este gira. A porta abre-se impelida pela força do meu movimento e eu entro fechando-a atrás de mim. O silêncio abate-se sobre o local, mas não a escuridão… Uma luz amarelada entra pela janela engradada… tochas nas paredes emanam a sua luz mas parecem ausentes de calor. O local é gelado como uma premonição de mau agouro. Uma camada de água cobre as paredes deixando-as brilhantes como o gelo. O corpo de alguém familiar encontra-se à minha frente como que me impedindo de ver mais além do que alguns centímetros. O rapaz de cabelos loiros volta-se então para mim girando o seu tronco lentamente. Um anjo tão diferente do outro. Os seus olhos azuis contemplam-me como se me esperasse e eu tivesse finalmente chegado, mas a sua mão é erguida e um dedo é colocado sobre os seus lábios finos e rosados pedindo silêncio. Ele então afasta-se voltado novamente o seu pescoço para o que estava até então a observar mas deixando que agora também o meu olhar alcança-se tal cena.
Mais três pessoas encontram-se naquela sala. Dois deles livres, um acorrentado nos pulsos e calcanhares. Não consigo ver o rosto de nenhum. Mas percebo o que fazem. Um homem corpulento e de alma manchada encontra-se atrás do prisioneiro segurando-o pelo seu queixo e os seus cabelos, puxando a sua cabeça para trás para que aquele que se encontrava a sua frente pode-se mais facilmente enfiar uma espécie de funil na boca do cativo vertendo dentro dele um liquido incandescente. A agonia presente pelos músculos tencionados e os grunhidos de horror não impediam a tortura de continuar. Um fio de líquido transforma-se em pequenas gotas. O homem que o vertia afasta-se. O que prendia o outro solta-o. Este de joelhos sentado sobre os seus tornozelos, com os braços presos junto ao peito numa posição tão semelhante à de um crente que reza a Nosso Senhor, deixa pender a sua cabeça. A minha respiração paralisada de horror há muito tempo parece encravar ainda mais na minha garganta. Os meus olhos bem abertos abrem-se ainda mais. O meu coração parece saltar batidas. Tudo isto quando aquele rosto pendente se reergue apenas para se revelar igual ao meu. Um espelho distorcido é me mostrado. Sangue escorre pela minha boca que não é minha. E quando um sorriso doente se forma naquela boca dilacerada, abro os meus olhos para a realidade. Acordo exaltado na minha nova cama, na minha nova casa, naquele mesmo mosteiro do meu sonho.
…
O choque que aquele sonho provocou em mim foi tal que quando dou por mim havia saltado da cama e aberto da porta do quarto, encontrando-me agora a correr naquele corredor. Apesar de não ter nenhum anjo demoníaco a perseguir-me as sensações do meu sonho são demasiado reais para o conseguir distinguir devidamente da veracidade do momento. O pavor que sinto, quando a minha inconsciência me faz parar, em frente a uma porta que eu sei que é a mesma do meu sonho, e à abrir, não tem igual. Mas não saberia definir o que sentir quando ao entrar naquela sala a encontro vazia. Alivio? Talvez. Ou um sentimento de agonia ainda maior?...
_Sasuke? O que é que estas a fazer aqui?_ Aquela voz chama-me à realidade e eu volto-me para ela ofegante mas ainda incapaz de dizer uma única palavra._Como é que abris-te a porta do teu quarto?
_Ela estava aberta!_Acabo por falar mais alto do que o meu habitual mas acalmar-me estava a ser um trabalho de grande envergadura naquele momento.
_Isso não pode ser. Eu lembro-me claramente de a fechar._Sim eu também me lembro de ter ouvido o trinque quando Iruka fez girar a chave…
_Mas ela estava aberta…_Digo num fio de voz… Os meus pensamentos estão confusos…tento-me acalmar e pensar que era tudo um sonho mas algo me parece gritar o contrário.
_Sasuke_O monge parece agora muito sério mais do que alguma vez o vi, enquanto me conduz para fora daquele quarto e tranca a porta de seguida. Já no corredor coloca as suas mãos sobre os meus ombros e inclina-se olhando-me nos olhos._ Talvez eu me tenha enganado e a porta não tenha ficado devidamente fechada mas.. nunca… estás-me a ouvir Sasuke? Nunca. Estando ela aberta ou não, sais do teu quarto à noite. _ Apenas aceno que sim com a cabeça ainda abalado por aquilo tudo e deixo-me ser levado de volta ao meu quarto, enquanto penso que aquele aviso tinha muito mais por trás do que apenas a desobediência as regras do colégio.
Continua…
Então que tal?
Espero que tenham gostado… foi um capitulo para deixar um bocadinho de mistério no ar…
Eu agradeço muito todas as sugestões que me foram dadas sobre o título e não queria parecer ingrata ao escolher um diferente mas enfim… desculpem…
Gostaria de saber a vossa opinião então review ok?
Bjs…
