Nota do autor: Como vocês perceberam, a fic é narrada pela Quinn. Talvez no decorrer da história eu mude a narração pra Rachel. Seria lega explorar um pouco dos dois mundos; No capitulo anterior eu escrevi que a Beth tem 6 anos, sorry! Ela tem 9 na verdade; Comentem e digam o que vocês querem ver. A opinião de vocês é muito importante!

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Cidade de Nova York. Domingo, 24 de dezembro de 2019. 20:55 PM

"Desculpe, mãe. Mas eu realmente não posso ir pra Lima. A cafeteria está enchendo de gente agora no final do ano, não posso perder clientes. Desculpe me, por favor." Eu suspiro.

Na verdade eu estou mentindo. Não é por isso que não quero ir pra Lima. Minha mãe vai ficar bem, minha irmã sempre vai para Lima no natal, ela tem filhos e eles podem ficar bem sem mim.

"Ok, eu prometo não ficar sozinha. Tchau, mãe. Feliz natal." Eu digo e logo em seguida desligo meu telefone.

A verdade é que eu realmente não quero voltar pra lá. Não me sinto confortável, são muitas lembranças, coisas que eu não quero reviver. Pessoas que eu não quero reencontrar.

Agora eu estou na minha casa, sozinha, como sempre. Hoje a cafeteria fecha mais cedo, por minha sorte. Talvez daqui a pouco eu saia pela cidade sem rumo, fique bêbada e dê uns amaços com qualquer pessoa que eu encontrar. Ou eu apenas fique aqui assistindo Tv até dormir.

Levanto-me e ligo a TV, volto para o sofá, estou assistindo alguma coisa sobre árvores de natal, Deus, eu realmente estou acabada. Bom, por que eu não posso dar uma animada?

Então vou até a cozinha, pego uma garrafa de vinho e começo a toma-la. Olho para o relógio na parede, 21:36 pm. Droga, eu acho que nunca em minha vida eu me senti tão sozinha. Nem mesmo quando Jennifer me deixou. Quer saber? Eu não vou ficar contemplando minha solidão, hora de sair!

Então, eu tomo um banho, me arrumo, coloco um jeans, botas, e algumas blusas de frio porque está muito gelado. Uma touca de lã, e faço meu caminho até meu carro.

Nova York não poderia estar mais bela. As luzes, a neve suave, as pessoas que se abraçam dividindo suas alegrias. Então, eu viro na times square.

Continuo olhando para as luzes, as pessoas, os cartazes de shows da Broadway, até eu ver ela. Não ela pessoalmente, mas num outdoor. Tudo bem que ela está verde, mas ainda assim é ela. Nos últimos dias ela foi a única pessoa com quem eu falei, alguém que me fez rir. Eu gostaria de ter seu telefone, ou qualquer coisa. Queria lhe desejar feliz natal. Não, eu sei, isso jamais aconteceria. Provavelmente ela está com o noivo dela, seus pais, seus colegas da Broadway em seu grande apartamento comemorando o natal, como ela merece.

Então eu vou pra onde eu imaginei que iria desde o principio, antes, passo no super mercado, compro vinho, cerveja, cigarros e comida. E vou direto para o lugar onde eu possa ver os fogos de artifícios. A cafeteria.

Eu admito: eu estou triste. Quem não estaria? É natal, e eu não tenho sequer um amigo pra me desejar feliz natal. Deus, a única pessoa que me desejou feliz natal foi minha mãe, e por telefone! Isso conta? Eu sei, eu sei. Eu poderia ter ido a Lima e ter me juntado a família e fingir que somos todos felizes, mas, por que, se na verdade eu não sou?

Agora estou com as sacolas do super mercado na mão, abrindo a porta da frente da cafeteria, deixo apenas a luz de trás acesa, abro minha garrafa de vinho e começo a beber. Caminho até o pequeno rádio e ligo pra me distrair, claro, musicas de natal.

Sento-me a mesa, e olho pra todos os tipos de bebida na minha frente. Eu acho que já estou um pouco bêbada. Olho pro meu relógio, 23:00, uma hora pra meia noite. Daqui a pouco eu vou me deitar no sofá e dormir. Eu suspiro, e tomo mais um gole de vinho, dessa vez de uma vez só. Quando volto o copo na mesa ouço batidas na porta da frente, levanto-me e vou ver o que é. Provavelmente algum sem teto procurando comida.

Eu me aproximo da porta, mas não vejo ninguém lá fora, então eu abro e saio pra ver.

"Oi" Ela me diz tímida, toda coberta em seu casaco preto, um touca preta também, está muito frio, e eu consigo ver a respiração quente saindo da sua boca.

"Rachel? O que você esta fazendo aqui? Quer dizer, faz tempo que você esta aqui? Porque está muito frio e-"

"Não, não estou há muito tempo". Ela respira. "Eu estava na casa do Jesse com alguns amigos, fazendo um jantar."

"E por que você saiu de lá pra vir até aqui? Não deve ser tão perto assim. E poderia ser perigoso, Rachel."

Ela sorri e abaixa a cabeça "Bom, você poderia me deixar entrar, então?"

Eu bato minha mão na testa, claro. Eu me preocupando com o frio e tudo mais, mas não a chamo pra entrar? Que insensível.

Ela entra, logo depois tira seu casaco e sua toca, colocando-os no cabide ao lado da porta. Ela vira-se para me encarar. "Eu sei que você não esperava que eu viesse agora."

"Não, não mesmo." Digo sorrindo, poderia não esperar, mas eu queria. Queria ver alguém, nem que fosse por alguns momentos, Rachel não tem noção do quanto me deixou feliz nesse momento.

"Como eu disse, estava no Jesse, mas eu me senti muito mal ao redor de toda aquela gente que eu não conhecia". Ela tomou ar. "E eles começaram a falar de todo aquele assunto extremante chato..."

"Eles não são todos da Broadway?" Eu a pergunto um pouco confusa.

"Bem, são... mas..." Agora ela olhava para as próprias mãos, parecia um pouco nervosa.

"Ok, Quinn, eu menti." Eu abro meus olhos e continuo olhando para ela. "Naquele dia que eu entrei aqui, eu não estava me escondendo de nenhum paparazzo, eu vim porque eu quis." Agora ela me encarava e eu estava com as sobrancelhas franzidas, tentando entender o que estava acontecendo.

"Eu sei que você está solitária, Quinn. Eu posso ver isso nos seus olhos." Eu continuava na mesma posição, encarando-a. Como ela poderia saber? Será que isso está tão visível nos meus olhos?

"Então, eu te trouxe isso." Ela me disse pegando sua bolsa e tirando de dentro um pacote embrulhado. Eu quase não pude acreditar, eu nem posso me lembrar de quando foi a ultima vez que alguém me deu um presente. Provavelmente meus olhos estão brilhando agora.

Ela me entregou o presente. "Espero que você goste." Ela disse com os grandes olhos castanhos olhando pra mim, esperando que eu abrisse. Eu ainda estava meio sem reação, não sei se era o álcool, ou emoção. Provavelmente os dois. Então eu comecei a desembrulhar.

Era um pacote não muito grande, mas um pouco pesado. Se Rachel Berry me desse um presente no colegial provavelmente seria uma bomba. Mas acho que agora ela não faria mais isso.

Então eu abro, e quase não posso conter as lágrimas. Não era nada muito especial, mas ainda assim era um presente. Ah que diabos, claro que era algo especial. Era muito especial. Ela me deu uma câmera fotográfica, provavelmente uma bem cara, contando pelo que ela deve ganhar agora.

Eu olhei pra ela, ela estava sorrindo, esperando pra que eu falasse alguma coisa, eu não conseguiria dizer nada, eu não tinha palavras. A sensação provavelmente foi de pegar uma pessoa que não come há meses leva-lo para Mcdonalds. Eu não tinha palavras pra agradecer, então eu agradeci de outro jeito.

Coloquei o presente em cima do balcão, fui até a morena a minha frente e abracei-a de repente, ela provavelmente até se assustou, pelo grito que saiu da sua garganta. Não importa, eu não poderia agradecer de outra forma.

Eu a abracei forte, minhas mãos presa nas costas dela, suas mãos estavam dobradas em volta do meu pescoço, ela provavelmente podia sentir minha respiração em seu ombro, que estava nu, pois ela usava um vestido tomara-que-caia. Eu pude ouvi-la sorrir, Deus, eu nunca me senti tão feliz assim... Não em meses, anos.

"Eu não pensei que você poderia ficar tão feliz, Quinn." Ela disse no meu ouvido.

"Nem eu." Respondi, sinceramente. "Feliz natal, Rachel." Agarrando-me em suas costas. E posso ouvi-la sorri baixinho.

"Feliz natal, Quinn."

Pela primeira vez, talvez em toda minha vida, eu me senti segura. Senti-me querida, senti que alguém realmente se importava comigo. E eu não queria perder essa sensação nunca mais.

23:35 PM

Rachel tinha se juntado a mim, na minha própria ceia de natal. Ela não precisava, e eu também não pedi. Na verdade eu até insisti pra que ela voltasse para o apartamento do Jesse, eu a levaria pra casa ou pra qualquer lugar que ela quisesse. Mas não, ela preferiu ficar comigo comendo salgadinhos e tomando vinho. Eu não pude ficar mais feliz, apesar de ter insistido pra que ela voltasse, no fundo mesmo eu queria que ela ficasse. Eu sei, isso é estranho pra mim. Eu nunca tive intimidade com Rachel, nunca fomos amigas de verdade. Por minha culpa, eu sei. Sempre agi feito uma idiota com ela. E, Deus, ela sempre foi tão doce comigo. Quer dizer, às vezes ela poderia ser bem irritante, mas isso, isso nem sequer é notado quando você passa a admira-la. Ah, sim, admira-la. Isso, eu sempre fiz. Sempre admirei como ela tinha sonhos e se agarrava a eles, por isso naquela vez no auditório eu fui tão cruel com ela, porque ela já não estava mais agarrada a seus sonhos, e estava se agarrando a uma fantasia. Eu fico muito feliz que hoje ela se tornou tudo que queria ter se tornado, uma estrela.

Nesse momento ela está a minha frente, uma música de natal tocando baixinho, ela está segurando uma taça de vinho, pelo seu olhar, acho que deve estar ficando um pouco bêbada. Não reparei quantas taças ela tomou, porque eu também tomei várias.

"Rachel, Jesse deve estar preocupado. Você deveria voltar." Eu digo enquanto mastigo um salgadinho.

"Certo, você quer que eu vá? Eu vou, mas você tem que de ir comigo." Ela tem um tom superior, como se tivesse me obrigando.

Eu ri. "Rachel, de jeito nenhum! Pode ir, você já fez demais por mim hoje!" Eu digo sorrindo, fazendo-a sorrir também.

"Ok, mas você quer que eu vá sozinha?" Ela me pergunta tentando levantar a sobrancelha, eu acho graça, porque ela parece estar tentando me imitar.

"Não, eu já disse que te levo de carro!" Eu digo, mas ela começar negar com a cabeça. "O que?" Eu pergunto.

"Você bebeu!" Ela grita. "E eu também, nenhuma de nós duas pode dirigir, e você não quer que eu volte sozinha... Então"

"Então, eu te acompanho até lá." Eu digo me levantando do meu assento.

"O que?" Ela grita de novo. Nossa, quando ela bebe ela grita demais.

"Quinn, se você não quer ficar na festa, também não pode andar sozinha por ai!" Ela diz colocando a mão na cintura. Eu acho adorável que alguém se preocupe comigo.

"Rachel, eu sempre ando sozinha pelas ruas!" Eu digo enquanto ela faz bico. "Eu não sou você, ninguém se importa comigo, ninguém nota a minha existência." Eu falo enquanto coloco meu casaco.

Ela se levantou, se aproximando um pouco. "Eu me importo com você". Ela diz baixinho.

Eu a olho nos olhos, Deus, por que ela se importa? Eu fui horrível com ela durante muito tempo, por que ela não me xinga, me bate, me chama de nomes?

"Você não deveria, eu não mereço." Minha voz saiu falha. Eu não queria ter dito isso, mas, não consegui. Eu quero entender porque ela esta sendo tão doce comigo. Ela tenta dizer algo em protesto, mas eu a impeço a tempo. "Rachel, eu não mereço sua piedade." Eu respiro fundo. "Não mereço seu presente, não mereço você aqui comigo, você sabe disso!" Ela me olha profundamente. "Por que você está sendo tão boa pra mim?" Eu pergunto logo depois soltando um longo suspiro. Ela se aproxima e pega minha mão.

"Porque você precisa parar de se punir, precisa se amar, porque se você não ama a si mesmo, ninguém será capaz de ama-la também." Ela diz enquanto faz círculos com o polegar na minha mãe direita.

Mais uma vez ela me deixa sem palavras. Ela de alguma maneira sabe como me confortar, como me deixar feliz. Tudo isso com apenas algumas palavras. Queria eu ter percebido isso antes, no colegial, talvez se eu tivesse tido Rachel como minha amiga, as coisas poderiam ter sido bem diferentes.

"Obrigada." Eu digo num sussurro. Ela concorda com a cabeça.

Nós já estamos numa das ruas de nova York, caminhando até o apartamento de Jesse, e Deus, como está frio hoje! Rachel provavelmente não está com frio, ela deve estar usando no mínimo uns 6 casacos. Eu acho engraçado, porque ela é tão pequena. E quase impossível ver alguma parte dela. Ou, droga! Acho que ela percebeu que eu estou olhando pra ela e sorrindo, melhor olhar para o chão.

"Chegamos." Ela diz depois de algum tempo. Eu olho pra cima, um prédio realmente muito grande. "Você tem certeza que não quer entrar?" Ela me pergunta.

"Não, Rachel, eu vou voltar pra cafeteria, ficar bêbada e dormir no sofá". Digo sem querer tremendo um pouco, e ela percebe.

"Você esta com frio!" Ela grita. "Eu sabia que era uma péssima ideia." Ela grita de novo. Enquanto eu rio. "E pare de rir, isso não é engraçado!" Ela diz dando um pequeno tapa em meu braço esquerdo.

"Ouch!"

"Quinn, aqui, pegue meu casaco." Ela diz já tirando o casaco que ela estava usando.

"Não, Rach, eu estou bem!"

Agora ela está me olhando de novo, só que dessa vez com um sorriso leve nos lábios. "Você acabou de me chamar de 'Rach'." Ela diz enquanto joga o casaco sobre meus ombros.

Na verdade eu nem percebi que havia a chamado assim, mas acho que agi certo porque ela não para de sorrir a minha frente, então eu sorrio também.

"O que? Você prefere manhands?" Eu digo provocando, enquanto a morena na minha frente me olha fulminante.

"Repita isso que eu pego meu casaco de volta e deixo você aqui, no frio, até você congelar!" Ela me diz com um tom autoritário.

"Você não teria coragem!" Digo entrando na brincadeira também.

"Ah, é?" Ela diz se aproximando de mim tentando pegar seu casaco de volta, eu fico tentando não a deixar tira-lo de mim. Na verdade nós estamos muito próximas agora, eu quase posso sentir sua respiração de sua risada no meu pescoço. Nós estávamos assim, uma brincando com a outra quando de repente no céu, uma legião de fogos começou a estourar.

00:00 AM

Nós ainda estávamos muito próximas, ambas olhando pra cima, assistindo o show de cores no céu. Eu virei-me pra frente e vi que uma de suas mãos segurava uma parte de casaco, mantendo-nos mais perto ainda. Voltei-me a olhar para o rosto da morena menor a minha frente e ela também se virou pra mim. Talvez nós ficamos assim por três ou quatro segundos.

"Você deve subir, eles estão esperando por você." Eu digo me afastando um pouco, ou poderia fazer alguma coisa que iriar arruinar o momento se nós continuássemos tão próximo assim. Devido ao álcool, não que eu tenha algum interesse em Rachel.

Ela me olha e concorda com a cabeça, fazendo seu caminho até a porta do prédio.

Eu lhe dou um ultimo olhar, e viro-me pra ir embora. "Quinn!" Ela me chama e eu me viro. "Feliz natal." Ela me diz com um sorriso nos lábios.

"Pode ter certeza que eu tive um feliz natal, Rach." Eu respondo também sorrindo, fazendo meia volta pra voltar pro meu caminho. E eu posso sentir que ela ainda está me olhando.

Enquanto eu caminho com seu casaco, posso sentir o cheiro do seu perfume doce que ainda está nele. Eu tento e tento entender. Por que a pessoa única pessoa que deveria estar me deixando triste está me fazendo tão feliz?

Eu me lembro das palavras dela 'você precisa se amar primeiro para que alguém possa ama-la também'. O que será que ela quis dizer com isso? Será que... Não, ela nunca sentira qualquer interesse por mim, ela ama o idiota do Jesse. Mas... Aquilo agora pouco? Ah! Que diabos! Isso não deveria estar acontecendo!

"Ok, calma Quinn, é apenas o vinho, relaxa." Eu digo pra mim mesma enquanto abro a porta da frente da cafeteria com um sorriso no rosto.