N/A: Bom, eu não queria ter de apelar para isso mas, como não recebi nenhuma review em quase QUATRO meses em que esta fic foi postada, aí vai:
SEM REVIEWS NÃO HAVERÁ MAIS UPDATES!!! Esta fic já está totalmente escrita E revisada! A demora na postagem se deu ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE a falta de comentários.
Na boa gente, só um "Oi! Gostei!" ou um "Tá uma droga! Reescreva!" já serve. Todo mundo gosta de ter seu trabalho comentado, mesmo que seja só para receber críticas construtivas.
Bom, esse foi o meu recado. O próximo movimento é de vocês.
Mistakes
- Capítulo 1 -
E os anos se passaram...
Foi-se o primeiro e tudo que recebeu foi silêncio. Deu-lhe tempo. A ferida era muito recente ainda. Os rostos, muito iguais. Deveria ser penoso, não? Olhar para o amante e ver o amigo morto?
Foi-se o segundo e passou a ver desprezo. Como ele se atrevia a fazer aquilo consigo? Porque insistia em rejeitar seus toques? Rejeitar seu amor? Revidou. Usou de palavras e gestos. Baniu conforto e calor. Quando tudo isso falhou, usou de correntes e solidão.
Nada. Nenhuma reação.
Foi-se o terceiro e nada sobrou além de desespero e medo. Era temido? Depois de tanto sacrifício, namorando em segredo em meio a uma não declarada guerra, seu amor agora lhe temia? No fundo, ele era igual aos humanos desprezíveis que lhe condenaram séculos antes? Por quê? Porque logo ele?
Quanta dor mais teria que infringir para ser novamente aceito?
E porque parecia ser ele mesmo a sofrer cada vez mais, se perdendo numa escuridão ainda mais profunda que a da úmida e esquecida cela? Porque se sentia apunhalando o próprio peito de novo e de novo, sem conseguir chegar a uma solução?
Suspirou, deixando de invejar o sol a morrer no horizonte. Com passos lentos, desceu a conhecida escada de pedra, tão gasta que poderia entoar a melodia de cada degrau, quer estes fossem mesmo capazes de produzir notas musicais. Quando chegou no fim encontrou uma única porta, sua madeira grossa e pálida desafiando qualquer um a vencê-la.
Tirou do pescoço uma corrente de prata com uma velha chave negra. Abriu a porta e, depois do que lhe pareceu uma eternidade, entrou. A escuridão lhe recebeu, silenciosa e vazia como sempre, acompanhada de dois pontos de luz dourada. Com um gesto de descaso, Hao criou uma chama do tamanho da palma de sua mão, ordenando que ela ficasse flutuando próxima ao teto, iluminando assim todo o malfadado ambiente.
Não que houvesse muito o que ver, de qualquer forma. Tudo que interessava ao shaman de cabelos castanhos eram os dois pontos de luz dourada – agora revelados como dois olhos opacos – e seu há muito debilitado dono acorrentado pelos pulsos na fria parede de pedra.
A pele antes clara e macia agora estava marcada por hematomas e cortes, as cicatrizes se acumulando umas sobre as outras, de modo que já não se podia mais saber quais foram ganhas em sua infância e quais recebera depois da luta dos shamans. O cabelo desgrenhado caía, maculado por suor e sangue, grudando na face pálida. Dos belos e poderosos músculos pouco sobrara, deixando que os ossos já fossem vistos aqui e ali, aumentando ainda mais a impressão de frágil. A pouca roupa que usava fora reduzida a trapos, mal sendo capaz de lhe envolver a cintura e esconder-lhe o sexo.
Entretanto, por mais que tudo isso já formasse um terrível e hediondo quadro, o pior dos danos ainda estava nos olhos. Os orbes dourados, antes imponentes e poderosos como sol, agora apagados, derrotados.
Mortos.
Hao cerrou os punhos. O rosto antes estático, quase pesaroso, se transformando numa careta de ódio. Aqueles malditos olhos continuavam iguais aos do primeiro dia, três anos antes. Não importava o que fizesse, nada era capaz de trazer uma reação.
Furioso e abandonado, o rei shaman desistiu das últimas migalhas de sanidade que lhe restavam. Foi até seu prisioneiro, lutando contra o coração que parecia se comprimir mais a cada passo, e o virou de costas como um boneco qualquer.
Era a última tortura que poderia infringir.
Mas, e se não funcionasse?
Poderia se forçar a esquecer?
