A ausência do tenente no esquadrão da Sexta Divisão foi motivo de conversa durante os exames do dia seguinte. Byakuya tratou a ocasião com uma casualidade como outra qualquer. Não seria a falta de Renji que impediria que os treinos avaliativos deixassem de ter sequência. Era bastante rígido com seus planejamentos e responsabilidades. Mas a disciplina não o impedia de desejar que o trabalho terminasse logo, para que pudesse se permitir a preocupar com seu tenente no conforto de seu travesseiro. Talvez não houvesse a necessidade de atos explícitos ontem à noite.

No entanto, estava longe de encerrar o expediente, mesmo após a seção de treinos ter sido concluída. Seu terceiro oficial havia feito um bom trabalho e Byakuya reconheceu seu esforço. Certo que, o rapaz não se comparava à experiência e força de Renji, mas tinha sido bastante competente. Fez o que estava ao seu alcance para cumprir as demandas de um Kuchiki exigente. O resultado foi que deixara seu capitão satisfeito por ter possibilitado que a divisão cumprisse seus planos dentro daquilo que havia sido traçado. Byakuya não gostava de acumular e atrasar serviço. O corte abrupto no dia anterior já tinha lhe causado inconvenientes demais.

Permanecera no gabinete finalizando a documentação e revisando as fichas dos soldados, organizando-as por proficiência e ordem alfabética. Sentia-se feliz e orgulhoso do crescimento de seu esquadrão. E parte disso se deve a Renji. Mas o ruivo não estava ali para que agradecesse a ele. E o culpado disso sou eu. Provavelmente isso era verdade.

Quando terminou tudo, cogitou se deveria dormir no esquadrão ou se voltaria para a mansão. De todo jeito, antes precisaria levar a documentação até o gabinete do capitão-comandante. E isso só poderia ser feito por ele, pessoalmente.

Fazia uma noite de céu claro, sem nuvens. O quarto-crescente era rodeado por uma miríade de estrelas que cintilavam sob a sua luz. Havia pouco barulho, pois os esquadrões já se preparavam para encerrar o dia. E em breve os soldados se recolheriam em seus alojamentos. Byakuya apreciava aquela tranquilidade, mas seu coração estava muito agitado para que tirasse proveito dela. Não era sempre que expressava seus sentimentos de maneira tão direta e... física. A reação de Renji na noite anterior martelava na sua memória, sinalizando que a atitude de beijá-lo fora um erro. Não foi somente um beijo. Era verdade.

Procurou pensar na reunião que teria amanhã com os outros capitães, como estratégia para evitar que a expressão de Renji surgisse a todo o momento em sua mente. Decidiu que passaria aquela noite em seus aposentos privados do esquadrão. Ali não havia quem estivesse a sua disposição, de prontidão para servi-lo. Manter-se ocupado antes de dormir parecia sensato naquele momento.

Byakuya ligou a água quente para que enchesse seu ofurô no compartimento do banheiro, e pôs-se a ajeitar a troca — idêntica — de roupas que vestiria no dia seguinte. Seu quarto, naturalmente, era o maior e mais confortável de todos do alojamento. Repartia-se em três espaços: um escritório pessoal, o lugar onde dormia e o banheiro. Apesar disso, não havia nenhum luxo incomum no ambiente. Salvo seus objetos pessoais e alguma peça de decoração que tornava o cômodo mais íntimo. A parede maior, oposta ao fusuma, era um painel pintado com galhos de cerejeiras florescidas.

Começou a se despir, começando pelas sandálias e tabis, em seguida desamarrou o obi e retirou seus hakama e kimono pretos. Também tirou seus kenseikan e os guardou com cuidado numa caixinha própria para eles. Não se ouvia muita movimentação vinda do lado de fora, salvo os passos dos soldados que faziam a patrulha noturna. Mas então, Byakuya atentou-se para aquele estremecimento que se aproximava. A reiatsu que se destacava das outras, mais forte, impetuosa, e que ele conhecia tão bem.

— Kuchiki-taichou. — Renji anunciou-se do lado de fora. — Pode abrir?

Byakuya trajava apenas o juban e talvez não fosse apropriado receber o tenente vestido daquela maneira. Mas então lembrou de que não havia nada fora dos padrões naquilo. Afinal, os soldados estavam acostumados a vestirem-se juntos todas as manhãs. Mas isso não pareceu confortar o Abarai, que corou a face inteira quando o capitão puxou a porta de correr e o mandou entrar.

Byakuya admirou-se de que ele vestia o uniforme.

— Eu posso voltar amanhã, não tem problema!

— Não. Quero que fique. — Byakuya fechou a porta e pousou uma mão sobre o ombro de Renji, puxando-o de leve, num convite. — Venha.

O Kuchiki levou-o para onde era o banheiro e desligou a torneira que jorrava água quente. Seu ofurô já estava cheio o bastante para que entrasse dentro dele. A fumaça subia lá dentro e preenchia o cômodo de um calor agradável. Byakuya provou a temperatura da água com a ponta dos dedos e depois virou-se para Renji.

— Há duas possíveis razões que o trouxeram até aqui. E se eu estiver certo, a primeira justifica a segunda. — Byakuya se referia, é claro, ao incidente da noite anterior e da ausência injustificada de seu tenente no dia de hoje.

— Bem... sim. E também tem outra coisa. Taichou... — Incomodava ao Kuchiki que Renji não estivesse o olhando nos olhos, desde que entrara ali dentro. Não era uma mera divagação no olhar. Ele estava encarando o chão, com uma expressão triste. E isso deixava Byakuya com a sensação horrível de que o magoara. E muito.

— Sim?

— ...eu queria pedir desculpas pela maneira que me despedi ontem. Talvez eu tenha sido grosseiro. Mas é que a minha cabeça tava estourando, eu não conseguia pensar em nada...

— Sei disso, Renji. Como se sente agora?

— Confuso. — O Abarai recostou-se na parede, os ombros caídos, o punho fechado, esmagando os próprios dedos. Os olhos nos próprios pés. — Mas que droga! O que o senhor quer de mim, Kuchiki-taichou?

— O que eu quero... — Byakuya piscou demoradamente, e algo como a sombra de um sorriso manifestou em seu rosto. — Não seja ingênuo, Renji. Não combina com você. O que importa, é: você quer?

O Kuchiki viu que o ruivo cerrava os dentes e respirava mais pesadamente que o normal. Havia claramente um conflito acontecendo ali. E se havia conflito, era porque havia também indecisão, o que denunciava que ao menos uma porção daquele homem que tanto desejava queria dizer: sim, eu quero. Mas algo o impedia, fosse medo, orgulho, vergonha... Ou até mesmo tudo isso de uma vez.

Byakuya foi se aproximando devagar do tenente, até estar perto o bastante para alcançá-lo com as mãos. Ele tocou o seu rosto e fez com que ele olhasse diretamente em seus olhos.

— Não faça essa expressão, não irei machucá-lo. — A mão do Kuchiki escorregou para o pescoço tatuado, e depois para a fenda do shihakusho sobre o peito.

Então ele diminuiu um pouco mais a distância. Renji respirou entrecortado, tentando sugar o máximo de ar que conseguia. Mas não estava sendo suficiente. Quando a mão de Byakuya puxou a ponta do seu obi, ele o deteve, agarrando-o pelo punho.

— O que o senhor está fazendo, Kuchiki-taichou?

— Tentando deixá-lo mais confortável. Se me permitir.

A mão do Abarai afrouxou, e ele entendeu aquilo como um sim. O obi escorreu para o chão e o shihakusho se abriu, revelando a pele bronzeada, coberta de tatuagens. Byakuya deslizou os dedos ali, sentindo a rigidez e definição dos músculos de ponto a ponto, como se o desenhasse numa tela em branco. Enfim, alcançou a borda do hakama, que forçou para afrouxar, deixando que a peça escorregasse para os pés do Abarai.

Naquele momento Byakuya o pressionou com seu próprio peso e o beijou. Era maravilhoso poder senti-lo retribuir, mesmo que arredio, ora recuando a língua ora deixando-se envolver pela do Kuchiki. Estava provando-o, como se quisesse ter certeza daquilo. Byakuya desejou que seu tenente se decidisse de uma vez. Queria sentir suas mãos grandes o apertando, com vontade e determinação.

O capitão partiu o beijo para olhá-lo diretamente. Renji tinha uma expressão dissolvida entre a confusão e a excitação. Byakuya perdeu-se fisgando seus olhos castanhos, apreciando o quanto aquele homem era bonito e o quanto queria possui-lo de todas as formas. Também ficou aliviado que Renji respirava com muito mais tranquilidade e abandonara o semblante triste de apreensão. Ele estrava retribuindo. As mãos do Kuchiki o seguravam pelos quadris, com os dedos por dentro das tiras laterais do fundoshi. Bastava um gesto para que Byakuya se livrasse da peça. Mas ele não faria isso agora.

— Venha, Renji. Antes que a água esfrie. — o moreno caminhou até o ofurô e despiu-se por completo. Ele parou um minuto, antes de entrar na água, atentando-se para o fato de que o ruivo o analisava da cabeça aos pés. — Quero vê-lo Renji. Depressa.

Byakuya mergulhou na água quente molhando os cabelos escuros. Passou as mãos ajeitando os fios para trás e sentou-se no desnível de dentro da banheira. O Abarai se aproximou e largou seu kimono preto e o juban no chão. Também soltou os cabelos e livrou-se de suas sandálias e tabis. Restava apenas mais uma peça de roupa, e Byakuya o fuzilava com os olhos cinza, enquanto agitava a superfície da água com as mãos, criando ondas em torno de si. Estava impaciente.

Mas Renji não sanou a súplica do Kuchiki. Sem despir-se do fundoshi, ele sentou-se na beirada do ofurô, com as mãos de cada lado servindo como apoio e mantendo apenas os pés dentro d'água. Byakuya sentia algo selvagem gritar dentro si com a visão daquilo tudo diante dele. Quis enrolar as mãos naqueles fios vermelhos e afogar-se dentro deles.

— Eu tinha acabado de tomar banho quando cheguei aqui, taichou.

Byakuya não pensou que ele estava dando alguma desculpa ou coisa parecida. Quando o beijara, seu cheiro era o de roupa limpa, o que solucionava, enfim, o mistério de o porquê ele aparecera uniformizado a sua porta. Simplesmente para ir vê-lo.

— Hmm. — Fez o Kuchiki, que veio para o lado de Renji, pondo-se entre suas pernas. Ele erguia a cabeça para encará-lo de baixo, enquanto suas mãos pousaram sobre as coxas do Abarai para que se equilibrasse. Byakuya sentiu os músculos contraírem sob sua palma. Ele queria beijá-lo, queria beijar aquele corpo inteiro. Mas também esperava que Renji tomasse a iniciativa de fazer o mesmo em retribuição. Estar sempre no controle com um homem daqueles a disposição, não tinha assim tanta graça.

Seus joelhos tocaram o desnível, e, então, pôde ficar numa altura confortável para que suas bocas se encontrassem. Byakuya pegou uma das mãos de Renji e colocou-a em sua própria cintura. Sentiu-se puxado para mais perto, o toque se esparramando pelas suas costas e descendo, tocando-o por debaixo d'água. Fechou os olhos, respirando com a boca entreaberta, deleitando-se com a sensação das carícias que percorriam seu corpo. Ainda havia alguma insegurança, alguma coisa receosa no modo como Renji o tocava. Mas também via que estava permitindo que sua curiosidade o conduzisse, despertando os próprios desejos.

Byakuya fez que avançaria para um beijo, mas recuou. Renji o capturou, no entanto, segurando-o pela nuca, os dedos afundando naquela cintura, escorregando sobre a pele molhada. O Kuchiki moveu a mão direita, massageando a parte interna da coxa de Renji, alcançando a virilha e até tocar seu membro por cima do tecido. O ruivo soltou um ruído alto e rouco na garganta, deitou a cabeça para trás, de olhos fechados. Vendo toda aquela carne exposta, Byakuya sugou-o todo pelo pescoço, esparramando-se naquele tórax largo de tatuagens.

Seus beijos desciam, ao passo que aumentava a pressão dos dedos sobre o fundoshi de Renji. Podia sentir sua rigidez ganhando volume e tamanho. Era gostoso ver que seu toque desencadeava aqueles efeitos no Abarai. Então ele desceu do desnível e mergulhou outra vez na água. Estava com as maçãs do rosto vermelhas. Ele torceu a pontinha do cabelo e saiu dentro do ofurô. Sua excitação era evidente e não tentou disfarçá-la.

— Renji, minha toalha, por favor. — Ele apontou o armário abaixo da pia onde havia algumas dobradas. O tenente obedeceu.

O capitão usou a toalha apenas para tirar o excesso de água da pele e dos cabelos. Deixou-a sobre uma cadeira. Seu próximo movimento foi puxar Renji para junto de si, e beijou-o, enquanto o conduzia até o espaço que era o quarto. O tenente esbarrou em algumas coisas pelo caminho, mas aquilo não fez com que se separassem.

A cama do Kuchiki era um espaçoso futon sobre um estrado baixinho de raku. Os tornozelos de Renji bateram na madeira e ele espontaneamente se deixou tombar. Byakuya veio por cima, engatinhando sobre seu corpo, com os cabelos molhados e a pele ainda úmida, gotejando sobre o tatuado. Ele começou a beijá-lo em seu baixo ventre, enquanto puxava devagarinho o fundoshi, até revelar a ereção do ruivo por completo. Terminou de tirar a peça puxando-a pelas pernas de Renji e atirou-a aos pés da cama.

Byakuya baixou a cabeça, e, a princípio, apenas lambeu a extensão da base até a ponta. Depois disso, ergueu os olhos cinza para observar a reação do Abarai. Ele se agarrava aos lençóis e seu peito subia e descia com ansiedade, puxando o ar entredentes. Byakuya ficou um instante absorto naquela imagem, vendo-o completamente rendido e tremendo de prazer. Ele poderia simplesmente passar a noite toda perpetuando aquele seu estado de agonia, fazendo aquele momento durar o bastante para que se satisfizesse de vê-lo gemer por sua causa. Paciência era uma das virtudes que aprendera a dominar com o tempo. Mas eles tinham que trabalhar logo cedo no dia seguinte. Talvez poderiam praticar aquilo num outro dia.

— O que foi, taichou? — Renji apoiou-se sobre os cotovelos e ergueu o tronco, curioso com o modo que seu capitão o olhava, fixamente, sem dizer nada.

— Só estou gostando do que vejo. Você não?

— Bom... não é novidade, o senhor deve saber que é um homem muito... bonito.

Byakuya esboçou algo como um sorriso, com os cantinhos da boca erguidos de leve. Então, voltou-se para o que fazia, tomando-o em sua boca, mas dessa vez, acomodando-o inteiro, numa abocanhada só. Renji enfiou a mão nos cabelos úmidos do capitão e mexeu seus quadris combinando o seu ritmo com o dele. Estava prestes a irromper a bomba de prazer acumulado na sua pélvis. Byakuya sentia-o pulsar sobre sua língua, e até provou as primeiras gotas que anunciavam o orgasmo. Mas ainda não era a hora.

— Renji, preciso que me responda algo.

Renji precisou se situar. Sua mente não tinha voltado pro lugar direito.

— Sim, sim, taichou.

— Já fez isso antes? — Byakuya queria dizer, com outro homem.

— Não desse lado, se é que o senhor me entende. — Renji respondeu, soltando uma risadinha nada inocente.

— Entendo. Então sabe que irá sentir um desconforto. Precisa relaxar seus músculos.

Byakuya sentou-se sobre as coxas e puxou o corpo de Renji colocando-se entre as pernas dele. Ergueu os quadris do ruivo um tanto para penetrá-lo, mas lembrou-se de que estava se esquecendo de algo importante. Então montou sobre a pélvis de Renji e deitou por cima dele, fazendo força para alcançar o pequeno móvel com gavetas ao lado da cama. Ele precisou vasculhar a procura do queria, e, enquanto fazia isso, o Abarai achou conveniente tocar a ereção dele que roçava torturantemente contra a sua, massageando ambas. Ele sabia que faltava um sopro para que gozasse, portanto, seus movimentos eram suaves, e mais focados na pressão do que na rapidez.

Quando finalmente encontrou o frasco, voltou-se para Renji e beijou-o novamente, concentrando-se em sentir o contato de seus corpos em atrito, pressionando um contra o outro. Byakuya quem cortou o beijo, voltando para a sua posição anterior.

O moreno abriu um frasquinho redondo e lambuzou os dedos e seu membro com algo transparente. Depois tirou mais um tanto e fechou-o, deixando num canto do futon. Então ele levou os dedos na entrada de Renji e massageou-o ali com as pontinhas dos dedos durante um tempo. O ruivo arqueou a coluna, impulsionando seus quadris para frente. Ele gemia alto, quase escandaloso. Ah, aquela visão era... indescritível.

— Shhh. — fez o Kuchiki, com o indicador sobre os lábios. — Respire fundo.

Byakuya encostou sua ereção na entrada de Renji, e começou a pressionar devagarinho, empurrando até o limite da glande. O outro repuxou o corpo para trás e suas pernas se fecharam em volta do capitão, num movimento espontâneo de reflexo. Era visível que o tatuado se incomodara com a invasão. Ele não parecia sentir nenhum sofrimento absurdo, mas certamente estava doendo alguma coisa. O Kuchiki procurou fazê-lo focar-se no próprio prazer, e, por isso, começou a masturbá-lo, ao passo que se afundava mais ainda dentro dele. Nisso, Renji emitia gemidos roucos que confundiam Byakuya. Provavelmente o Abarai estava experimentando o choque entre seu estágio elevado de excitação e o desconforto inicial da penetração.

— Renji. Olhe para mim. — O outro tentou, mas não obedeceu com tanta eficiência. Nesse momento o capitão projetou-se para frente, preenchendo-o por completo. Começou movimentando-se devagar para que o tenente se acostumasse com a invasão e a sensação, que era inteiramente nova para ele. Então deu um impulso com mais força, debruçando-se sobre o Abarai.

Renji arfou violentamente, as mãos agarradas aos lençóis, os olhos apertados, ou hora inquietos, piscando demais. Byakuya continuou a mover-se, agora não mais tão calmo. Mas o peso do seu próprio corpo dividido e equilibrado nos braços, fazia com que se cansasse facilmente, obrigando-o a diminuir o ritmo. E ele queria mais. Queria investir com tudo.

A pressão que a musculatura de Renji fazia em torno de sua ereção era pulsante, como se obedecesse à velocidade de sua circulação. Se parasse com as estocadas para beijá-lo, ainda sentia-o sugando pra dentro, latejando em toda a extensão de seu membro. Era involuntário, Byakuya sabia, mas provava o quão excitado Renji estava, para permitir que seu corpo reagisse daquela maneira aos seus estímulos. Fora que, às vezes, sentia uma contração mais forte, que o puxava mais a fundo e tornava o canal mais estreito para movimentar-se dentro dele. E essas ele sabia que eram intencionais, porque Renji desejava senti-lo em seu âmago.

— Taichou... — o ruivo ergueu o braço, envolvendo o moreno em volta do pescoço, atraindo-o para si. Byakuya tentou atendê-lo, mas ofegava demais, precisava de ar.

Foi aí que sentiu uma fisgada de cãibra na costela que o obrigou a erguer o tronco. Byakuya puxou a pélvis para trás, saindo com cuidado de dentro dele. Sentiu o suor escorrendo pelas suas costas e tomou uns segundos para se recuperar. Depois disso, o Kuchiki deitou sobre Renji, enfiando o rosto nos cabelos vermelhos, beijando e sugando aquela carne, aquele cheiro... E tudo isso foi retribuído. Renji enroscou-se todo no corpo do capitão, com pernas e braços. Suas línguas se beijavam ansiosas, sem harmonia certa, apenas deixando que as bocas perdessem uma na outra.

Byakuya levantou de cima dele, puxando-o pelo braço, de modo que Renji se sentasse. Então foi beijando seus ombros, omoplatas, e a pontinha da orelha. Ele poderia passar a noite toda agarrado àquele homem, apenas beijando e provando cada pedacinho do seu corpo. Então abraçou suas costas, e ficou com ele assim por um tempo, com as mãos deslizando devagar pelo tórax do ruivo.

Mas o roçar da sua ereção na entrada de Renji, foi atiçando nele o desejo derradeiro de penetrá-lo logo outra vez. Para isso, ajudou que o Abarai se sentasse de costas sobre sua ereção. Os dois gemeram como se urrassem com a penetração, que, dessa vez, aconteceu numa estocada única. Byakuya o abraçou carinhosamente, beijando suas costas. E foi descendo a mão até o membro do ruivo para masturbá-lo na medida em que retomava os movimentos de vaivém.

Desta vez afundou seu rosto na curva do pescoço de Renji, mordendo seu ombro, suspirando alto ao pé do ouvido dele. E agora investia com muito mais vigor, pois aquela posição lhe permitia melhor flexibilidade e o cansava bem menos. Sentiu que o tenente também estava mais confortável, pois sua musculatura já havia se adaptado por completo com a invasão.

Num dado momento, o tronco do tatuado pendeu um tanto para frente, seus gemidos eram mais altos e ele segurava a mão do Kuchiki que o masturbava, como se pedisse mais. O pedido foi atendido, e a intensidade fez com que o ruivo se esvaísse, convulsionando num orgasmo extraordinário nas mãos do seu capitão. Ele oscilou, e estremeceu, amolecendo o corpo inteiro, deixando-se arrebatar pela onda de prazer que alastrava pelos seus membros.

Byakuya aumentou sua velocidade e puxou Renji com força, colando-o contra o seu peito. Ele o segurou de um lado, com as mãos em forma de garra em volta do seu pescoço. O tatuado, lânguido e esgotado pelo clímax, deitou a cabeça para trás no ombro do Kuchiki, e eles beijaram-se desajeitados e arfantes. Colaram os rostos lado a lado, fazendo com que suas respirações se misturassem e os gemidos soassem em uníssono.

Byakuya prendeu a respiração trespassou-o com o restante de forças que suas reservas lhe permitiam, ofegando pesado dentro da boca de Renji. Sua pélvis começou a contrair, e, imediatamente depois, seu gozo esguichou dentro do tatuado. O som que sua garganta emitiu foi um soluço rouco, entrecortado e trêmulo. O Kuchiki apertou-o forte, tão forte, como se dependesse dele pra respirar. Ainda permaneceu unido a Renji um pouco mais, deleitando-se da sensibilidade que era ter o seu sexo mergulhado naquele calor incrível e pulsante, mesmo depois do orgasmo. Mas, aos poucos seu corpo foi cedendo, forçando-o recobrar a respiração e seus batimentos cardíacos. O amortecimento, por fim, o aplacou.

Saiu devagarinho de dentro do Abarai, provocando-o com a sensação excitante de ter todo aquele volume escorregando para fora de si, ainda que a entrada dele palpitasse, puxando o Kuchiki de volta. Assim que apartaram-se, Byakuya buscou a boca do ruivo e prendeu-o num beijo lento e demorado. Depois disso, Renji desabou de bruços sobre o futon, seguido do Kuchiki, que fez o mesmo ao seu lado.

Byakuya passou o braço em volta do seu tenente, que não encontrou dificuldades em acomodar-se no enlace. Os dois agora respiravam calmos e suas pestanas pesavam de sono. Amanhã seria um dia longo. Os dedos longos corriam suaves pelas costas tatuadas de Renji, que agora, ressonava serenamente no seu peito do seu capitão. Byakuya estava feliz.