Capítulo 2
— Sinto lhe incomodar, meu rei, mas há um terrível distúrbio na câmara de banho.
Sesshoumaru notou a expressão preocupada de Yura, o que estaria errado?
A magra mulher retorceu as mãos e franziu seu sobrecenho, e umas campainhas diminutas tilintaram ao redor de seus pulsos.
— A nova escrava se nega a ser banhada.
— Ali há dois guardas, Yura, por que você está me trazendo estas notícias ?
— Ela... ela me mordeu e... hum... feriu a virilidade de alguém.
— Pelos deuses do Céu, juro-o. Como é que dois enormes guerreiros não podem dominar a uma mulher que parece menor que um duende? — Ele puxou os documentos sobre seu escritório e ficou em pé. Yura se voltou e fugiu do quarto.
Logo amanheceria, não tinha dormido muito durante a noite e já tinha problemas que resolver.
Sesshoumaru caminhou para a câmara de banho para encontrar-se com ao menos meia dúzia de suas concubinas que se agachavam em uma esquina. Um guarda sangrando tentava agarrar ao molhado gato montês, que lhe cuspia. O outro guarda parecia um novelo no chão, enquanto embalava suas partes íntimas e gemia lastimosamente.
Aquilo era um desastre. Não era possível que uma mulher criasse tal estrago em menos de uma hora. Ela ainda estava totalmente vestida e seu olhar era pior do que o que tinha quando ele havia a trazido para Raynar.
— Toque meus seios de novo, filho da puta, e estará unindo-se a seu amigo ali no chão — gritou Rin, sua face distorcida pela raiva enquanto cuspia ao guarda e elevava seu joelho entre as pernas dele.
Antes que Sesshoumaru pudesse gritar uma advertência, o guarda se agachou, uivando. Uma das concubinas correu em sua ajuda quando ele se enroscou no chão. Rin iniciou uma carreira para a porta, mas patinou quando se viu cara a cara com Sesshoumaru.
Ele a agarrou pela cintura e a elevou facilmente do chão. Seu cabelo era uma massa selvagem, molhado, enquanto o golpeava no peito. Arranhou seus braços, e quando tentou mordê-lo, ele agarrou com uma mão os pulsos dela, juntando-os, e segurou seu queixo com a outra mão.
Apertando-a com força, caminhou para a banheira, totalmente vestido.
— Tirem sua roupa e a banhem! Agora! — As concubinas correram de seus esconderijos e quase saltaram para a banheira.
— Se alguma se aproximar de mim, morrerá, mulheres estúpidas — grunhiu Rin.
As concubinas se congelaram no lugar, como que procurando ajuda de Sesshomaru.
— Posso controlar a esta pequena coisinha — assegurou ele. — Simplesmente a banhem rapidamente antes que eu perca minha pouca paciência e a afogue.
Ela se retorceu contra ele, mas sem nenhum resultado. Quando as mulheres se aproximaram, Sesshoumaru a encaixou entre suas pernas e a sustentou no lugar para que não lhe pudesse dar chutes. Fixou-lhe os braços aos lados, deixando-a presa.
Com uma curta ordem, elas a despojaram de sua esfarrapada roupa, enquanto lavavam seu cabelo e o corpo. Sesshoumaru mal podia resistir ao fedor que ela desprendia, e olhava como a alvorada se elevava através da clarabóia do banheiro, desejando desfrutar de um caloroso dia de sol em vez de estar ali com uma criatura que cheirava como um animal podre.
Em nenhum momento ela deixou de lutar. Para uma mulher tão pequena, era certamente forte. De qualquer forma, os guardas deveriam ter podido dominá-la. Fez uma nota mental para substituir a estes guardas das concubinas imediatamente.
Os dois guardas que se arrastavam para fora, cuidando amorosamente de suas partes machucadas, passariam os próximos dias limpando a fundo as sarjetas de drenagem ao redor da ponte.
Finalmente, as mulheres terminaram. Sesshoumaru arrastou Rin fora da banheira e a segurou enquanto as concubinas envolviam uma toalha grande ao redor de seu corpo. Quando ela esteve seca, pentearam seu cabelo.
— Temos que arrancar-lhe esses pêlos do corpo, meu rei — disse Yura, dirigindo Sesshoumaru a uma mesa plana. Ele a elevou e a colocou em cima.
— Você não vão arrancar nenhuma maldita coisa de meu corpo! — gritou ela, com uns gritos que quase arrebentaram seu ouvido.
Cansado de sua luta, Sesshoumaru agarrou duas correias e atou suas pernas a cada lateral da mesa, então estirou seus braços sobre cabeça e os atou também. Ele se sentou atrás de sua cabeça e a sustentou no lugar. As mulheres trabalharam rapidamente, enquanto punham toalhas fumegantes em cima do corpo dela, depilando-a com cera quente. Ela gritou como se lhe vertessem lava fundida sobre seu corpo.
Sesshoumaru bocejou, cansando daquele processo de limpeza, sabendo que tinha muito trabalho a fazer. Ele mesmo deveria estar limpando as sarjetas do deságüe, antes de estar sofrendo as risadas dissimuladas e parvas das concubinas. Misturado com os insultos que chiava seu prisioneira, estava lhe dando uma raivosa dor de cabeça.
Felizmente, as mulheres terminaram sua tarefa, apesar dos entristecedores uivos, rapidamente. Sesshoumaru orou para que acabasse logo o processo. Tinha muitas coisas mais importantes que fazer.
— Nós terminamos, meu rei — anunciou Yura, então lhe ofereceu uma saia multicolorida e uma dourada correia para que Rin usasse.
— Você não vai me colocar essa coisa — grunhiu ela.
Yura duvidou até que Sesshoumaru cabeceou.
— Procedam e ignorem os comentários da cativa.
Com rápidos movimentos, tiraram-lhe a toalha, e seu corpo deu amostras da fêmea aromática e limpa que se retorcia diante dele. Ela empurrou as nádegas contra seu pênis em seus esforços de escapar do vestido que Yura sustentava ante ela. Sesshoumaru se endureceu imediatamente, enquanto recordava que fazia muito tempo, muito, desde que ele havia sentido o calor do sexo de uma mulher.
Ele deveria estar desesperado por um bom sexo, porque a bruxa escandalosa que estava em seus braços seria sua última opção como companheira sexual. Não obstante, seu membro persistiu em sua demanda de aproximar-se, cada vez mais perto, às nádegas quentes de Rin.
Ela deve tê-lo sentido também, porque se acalmou. Por primeira vez, desde que ele tinha entrado no quarto, seu corpo se congelou como uma estátua. Ele sorriu, perguntando-se o que ela estaria pensando. Ela desejava ou não um homem? Apesar de seu ódio para ele e sua gente, de bom grado daria boas-vindas a sua ereção dentro de suas profundidades acaloradas?
Ridículo. Ela o odiava, e ele não tinha o mais leve interesse nela. Apesar de sua pele ser lisa, suave, seus seios cheios e amadurecidos com mamilos escuros que rogavam pela boca de um homem que lambesse seus brotos de vida.
Ele conteve a respiração quando Rin se moveu para escapar, mas suas nádegas outra vez entraram em contato com sua dolorosa e dura dianteira.
Incapaz de resistir, ele a alcançou pelos quadris e seus dedos se cravaram em sua tenra carne. Roçou seu acordado pênis contra seu traseiro redondo, então envolveu um braço ao redor de seu peito e a prendeu contra ele.
Ela ofegou, e seus mamilos se endureceram. Sesshoumaru respirou seu fresco aroma, que sutilmente se mesclava com sua excitação. Ela poderia fingir desinteresse e poderia tentar lhe rechaçar, mas ela tinha sido feita para o sexo.
— Deixem-nos — ordenou Sesshoumaru.
A roupa selecionada para Rin caiu ao chão. As concubinas se dobraram e saíram correndo do quarto, deixando-o à sós com sua prisioneira ainda nua.
Ele a voltou em seus braços, surpreso quando ela foi de boa vontade. Os olhos luminosos faiscaram, como as gemas verdes encontradas nas covas fora das paredes do reino. Seus lábios eram cheios e tentadores, e seu cabelo, que ao princípio acreditou que fosse um castanho-barro, agora se derramava em macias ondas castanho douradas sobre seus braços, frisando-se nas pontas. Ele enredou os dedos nas cordas de seda e, tocando seu pescoço, atraiu-a para pousar sua boca na dela.
Rin parecia estar em estado de catalepsia, o anterior gato montês agora era um gatinho quase domado. Ele pressionou seus lábios com os dela, enquanto recolhia seu ofego sobressaltado, quando ele a tocou com a ponta da língua quando alcançou a sua. Ela jogou para trás sua cabeça, mas ele a sustentou com cuidado, sondando cada oco acalorado de sua boca brandamente com a língua, antes de encaixar os lábios totalmente sobre os seus.
Seu corpo lhe doía. Ele queria a esta mulher em sua cama, com suas pernas estendidas para revelar seu tesouro meloso.
Que segredos possuía para tê-lo encantado desta maneira? Ela seria tão selvagem em seu quarto como no campo de batalha?
Ela suspirou em sua boca, com o corpo excitado. Os mamilos escuros se esfregaram contra seu peito, e ele tomou um seio cheio com a mão aberta, permitindo-se descansar, antes de dar um golpezinho ao broto comprimido com seu dedo polegar. Seu gemido de rendição era tudo o que ele necessitava. Levantou-a e caminhou rapidamente para seu quarto.
A Rainha de Dognelle seria sua dentro de muito pouco tempo.
Rin estava sob o feitiço. Um feitiço nos braços de Sesshoumaru de Raynar, já que seu corpo estava esgotado por ter lutado com toda sua força pela liberdade.
Apesar das objeções que tinha expressado, deleitou-se em segredo por esse banho, que limpou de seu cabelo e corpo os rastros da imundície produzida na batalha.
Quanto tempo tinha passado desde que tinha tomado um banho quente, e desde que havia se sentido tão limpa? Muito para recordá-lo, e tinha desfrutado completamente desse prazer culpado. Não que fosse revelar isso a Sesshoumaru.
Sesshoumaru de Raynar, o homem que a sustentava em seus braços. Quando ela havia sentido o roçar de seu pênis, que se endurecia contra suas nádegas, pensou que se inundaria em um fundo delicioso de sensações... desconhecidas, mas deliciosas. Nunca antes tinha tido a um homem tão perto dela. Era contraditório, os sentimentos que lhe provocava eram novos e em nada desagradáveis, como lhe tinham feito acreditar.
Seu corpo tinha despertado à vida sob seu toque. Sua boca teceu uma magia, enfeitiçando-a com seus lábios, queimando-os, e ela choramingou com deleite quando sua língua se retorceu contra a dela. Um úmido desejo penetrou entre suas pernas, tentando-a a aceitar o que ele oferecia.
Gostaria de pensar que estava sob um choque que a mantinha quieta, porque normalmente o rechaçaria com todas suas forças, sobre tudo a um guerreiro de Raynar. A última coisa que ela quereria fazer, seria deitar-se com este bárbaro. E ainda mais, que era sua curiosidade a que fazia seu corpo responder, enquanto ele anulava sua sensibilidade normal. Era, antes de tudo, virgem.
Ela queria morrer como a rainha virgem de Dognelle? Não. As oportunidades de ter um homem eram uma entre muito poucas e como rainha que era, era exigido que tomasse um companheiro para procriar um herdeiro. Nenhum dos homens em Dognelle tinha o fogo, a força e inteligência que necessitava de um companheiro. Ela não se conformaria com nada menos que um homem que fosse seu igual.
Deitar-se com o governante de um reino inimigo nunca tinha sido uma opção.
Até agora.
Se soubesse o que queria de um companheiro, poderia ter tentado antes. Mas agora sabia. Podia-se permitir sexo, e inclusive esperar ter a sorte de terminar grávida com um herdeiro real. Um herdeiro que seria fêmea, se tivesse essa sorte, claro.
Depois de conseguir escapar desta prisão de seda e luxos, ela poderia dar à luz em Dognelle, e Sesshoumaru nunca conheceria a existência do filho que tinha gerado.
Mas o que aconteceria fosse um varão? Um homem que controlasse o reino de Dognelle? Não sem derramamento de sangue, provavelmente. Ela suspirou; sua mente era incapaz de riscar planos sobre como conseguir esse herdeiro feminino de Sesshoumaru de Raynar.
Certamente, este viril bastardo só geraria varões.
Em poucos segundos, já estavam na outra câmara. A alvorada brilhava através das venezianas entreabertas, enquanto banhava o quarto com sua suave luz. Em vez das cores do arco íris presentes nos quartos das concubinas, este quarto mostrava as escuras cores da terra, muito agradáveis, mas muito masculinas.
Ele a pousou na suave colcha de sua cama e ficou de pé ante ela, e uma de suas sobrancelhas se arqueou.
Sua nudez se fez até mais evidente sob o escrutínio de Sesshoumaru. O impulso de pegar uma manta e cobrir seu corpo era quase irresistível. Exceto em alguma pequena parte de sua mente onde jamais admitiria que se negava a rechaçar o que estava ocorrendo.
Em troca, ela examinou o corpo dele da cabeça aos dedos dos pés, observando as calças molhadas que se agarravam às fortes e musculosas pernas, desenhando perfeitamente sua ereção. Ela engoliu com força ante seu tamanho. Comprido e grosso, mais do que seu corpo virgem poderia aguentar, disso estava segura.
Mas o que sabia ela sobre sexo? Sua mãe morrera quando era apenas uma menina, e tinha crescera entre as mulheres guerreiras de Dognelle. Elas eram soldados, não peritas na arte da sedução ou técnicas amorosas. Ela sabia sobre os acasalamentos e como aconteciam, mas de algum jeito o sexo oposto seguia sendo um mistério para ela.
Com mãos firmes ele fez saltar os botões das calças. Sob elas, seu pelo claro fazia sombras ali onde o tecido se separava até revelar a pele. O corpo de Rin se esquentou, sua curiosidade natural foi provocada. Apesar de seu aborrecimento a respeito do homem e o que ele representava, não pôde evitar dar uma resposta completamente feminina ante este macho tão atraente.
Eram demônios; os homens tinham usado às mulheres para seus próprios prazeres durante séculos. Não era hora de que uma mulher lhes devolvesse o favor?
— Parece muito pensativa —disse Sesshoumaru afastando-a de seus pensamentos.
— Isso é estranho por aqui, não é? — respondeu ela sem pensar.
Ele franziu o sobrecenho.
— O que é o estranho?
— Uma mulher que realmente pense.
Seus lábios se curvaram em um sorriso malicioso que converteu suas tripas em líquido.
— Posso ver que não se considera como a maioria das mulheres que conheço.
— A maioria das mulheres que conhece não tem nenhum cérebro. Vai perceber que sou bastante diferente.
— Diferente como? Explique-se isso — Ela não queria falar. Queria que ele se jogasse sobre ela e a fodesse até que essa dolorosa necessidade entre suas pernas desaparecesse.
— Fui educada. Posso pensar por mim mesma, cuidar de mim mesma e ser livre.
— E por que isso te faz ser diferente de nossas mulheres?
— Porque você as mantém como escravas para próprio prazer sexual.
Seus olhos chocolate se obscureceram como o céu antes de uma tormenta.
— Não é assim. Nossas fêmeas são protegidas, veneradas, e muito bem cuidadas.
— Você as educa?
— Elas aprendem.
— Não estou falando sobre educação sexual, estou falando sobre aprender o mesmo aprendem os homens.
— Então, não.
— Permite-lhes as mesmas liberdades que aos homens?
— Não.
— Então elas são escravas.
— Elas estão contentes.
— Porque não conhecem outra coisa melhor.
A paixão que ela havia sentido antes começou a desaparecer, sendo substituída por uma fria cólera. Ela lutou contra a desilusão, compreendendo que devia simplesmente ter mantido sua boca fechada.
Ele agitou a mão e se sentou na beirada da cama.
— Isso não importa. Vai se acostumar a isso.
Rin saltou, afastando-se. O resquício de calor que ainda restava tornou-se gelo.
— Nunca serei uma escrava. Nem sua ou nem de qualquer outro homem. Sou uma mulher livre e uma governante de meu reino. Por que não me permite simplesmente ir?
Ele negou com a cabeça. Sorrindo.
— Não vou te libertar. Está sob o amparo do Reino de Raynar, e permanecerá aqui.
— Para que me quer aqui?
— Foi capturada durante uma batalha. Só não te matei porque é uma fêmea. Não tenho outra opção, a não ser treiná-la como concubina.
Os olhos dela se arregalaram quando suas palavras penetraram em sua mente.
— Não pode estar falando sério.
— Falo muito sério. Mas não te farei disponível para outros. Se preferir, te deixarei somente para mim.
Que audácia! Como se alguma opção fosse aceitável!
— Não serei uma escrava, Sesshoumaru de Raynar. Me mato antes de perder minha liberdade; essa é a única opção.
— Então terei que te vigiar de perto para que não se machuque.
Ela estremeceu ante o pensamento de quão perto tinha estado de deitar-se com este selvagem. Em que estava pensando? Ela desceu da cama, recusando novamente a roupa.
— Não importa o que diga ou o que me faça, nunca me submeterei de boa vontade a ser uma concubina.
Como ele estava de pé, aproximou-se e ela se esforçou para permanecer no lugar, sem ceder terreno. Ele poderia rompê-la em dois facilmente se quisesse, e ainda assim, soube instintivamente que não a machucaria. Pelo menos não fisicamente. Tivera a oportunidade de fazê-lo no campo de batalha enquanto estava inconsciente.
— Não cometa nenhum engano, Rin de Dognelle. Sou o Rei de Raynar, e minha palavra é a lei. Me desobedeça e te castigarei igual à qualquer outra fêmea. Pode ter sido Rainha de Dognelle, mas já não sustenta esse título. Viverá como uma concubina, e será minha.
O desafio tinha sido emitido. Ela pôs as mãos nos quadris e disse:
— Nós veremos quem sai vencedor nesta batalha, Sesshoumaru. Mas enquanto eu viver, nunca serei sua.
