No dia seguinte, na escola:

– Sua mãe fez isso mesmo? – Karin indagou surpresa.

– Sim, me disse tudo isso.

– E aí?

– E aí nada. Não falei com ela, porém ao menos não ouvi nenhum grito depois que me tranquei no quarto.

– Nossa Sakura, a sua mãe pode ser uma gata... Com todo o respeito é claro, mas é uma folgada hein! –Suigetsu se manifestou.

– Olha Saky, mas não ligue para o que ela diz. Você tem talento e ainda vai longe com ele. –a ruiva consolou.

Karin tinha um sonho também: se tornar uma escritora de romances policiais conhecida, mas Sakura sabia que para ela e até mesmo para Suigetsu as coisas eram mais fáceis, visto que tinham uma boa condição, não eram bolsistas como ela.

Mais uma vez, Sakura seguiu com o olhar o rapaz de seus sonhos na hora do intervalo. Notou que Sasuke nunca sorria abertamente, porém o meio sorriso que dava o tornava ainda mais belo. Ele era o mais quieto de sua turminha também, já levara algumas advertências por rebeldia com os professores, mas nunca dava em nada, levando em conta que seu pai era dono de uma das emissoras mais populares do país, a UTC TV.

Por uma fração de segundos, viu os olhos do Uchiha voltados para si. Sentiu o rosto queimar e o coração acelerar na mesma hora, entretanto durou pouco tempo, pois Ino a líder de torcida que supostamente roubara o coração de Sasuke e estava sempre pendurada em seu pescoço apareceu para agarrá-lo.

Depois da aula, Sakura estava em seu trabalho quando viu um grupo de rapazes adentrar o local. "Normal" –pensou, já que muitos garotos frequentavam o Shake's por estar localizado perto do colégio. Porém suas pernas ficaram bambas quando reparou bem em quem estava entre eles: se tratava de Sasuke e seus amigos.

Eles sentaram-se em uma mesa e ela pensou se deveria ir até lá ou não, quando deu de cara com o rabugento de seu gerente. Para evitar o sermão, respirou fundo e caminhou até eles com os cardápios em mãos. Todos permaneceram indiferentes, apenas um loiro, Naruto o primo de Karin ficou olhando como se ela fosse um ET:

– O cabelo dela parece sorvete de morango. –disse inocente e todos ali riram. – Ei! Isso não foi uma piada. –advertiu o loiro.

– Não precisa ser cavaleiro Naruto, todos aqui percebemos que esse cabelo parece um chiclete mascado. –outro deles comentou.

Sakura já estava vermelha de tanta vergonha quando uma grave voz veio á tona:

– Parem de falar do cabelo da moça. –soou como uma ordem e todos pararam com as risadas na mesma hora.

Sakura lançou um olhar de agradecimento para o Uchiha e voltou para levar os pedidos á cozinha.

– Até por que... –Sasuke continuou após ela ter se afastado. – Existem outras partes dela que merecem mais atenção do que o cabelo. –disse malicioso olhando para as pernas da Haruno que apareciam pela saia do uniforme.

– Sasuke seu pervertido! –Naruto disse cruzando os braços e fazendo beicinho.

Sakura mal acreditou que o Uchiha havia a defendido dos amigos. Seu coração estava á mil, já tinha sido vítima de piadas antes, afinal, a cor de seus cabelos não era nada comum. Ainda assim, sentia como se tivesse ganhado o dia.

Trabalhou o resto do dia com um sorriso enorme nos lábios, só o disfarçou quando voltou a atender os rapazes para que não pensassem que ela fosse uma idiota.

No balé não foi diferente, até Shizune destacou seu desempenho:

– Parece estar inspirada hoje Sakura.

– Que nada... –negava toda tímida.

Só quando chegou em casa lembrou-se do clima ruim que estava com sua mãe:

– Como foi o dia, ingrata? –Mei perguntou assim que a filha cruzou a porta.

– Mãe... Já pedi perdão. Mas é que assim como se sente feliz quando compra um par de sapatos novos, eu me sinto completa quando danço. É o que faço de melhor e sei que sou boa nisso. –manifestou-se gentilmente se aproximando da mulher, nem um sermão a deixaria triste naquele dia.

– Não vou dizer que entendo... Só não faça isso novamente sem me avisar. –foi firme.

Acostumada com o jeito da mãe, apenas beijou-lhe o rosto e foi para seu quarto, onde sonhou com o motivo de sua felicidade.

Na manhã seguinte, Karin estava contente pela amiga:

– Sério?

– Não sejam trouxas, ele fez isso por falsidade. Já falei que aquele seu uniforme pode influenciar os garotos á agir de forma estanha... –Suigetsu dizia contrariado.

– Não é grande coisa ainda Saky, mas já é um bom começo. E pode ser que talvez ele não seja o mesmo tolo que traiu o coraçãozinho do sorriso de tubarão ali. –a ruiva comentou.

– Não vou me dar nem o trabalho de responder tomate. Mas para quem negou de pés juntos que não gostava do Sasuke, ficou muito entusiasmada com esse ato cavalheiresco.

– Não gosto dele já disse! Eu só... Me surpreendi com o ato, porque pelo que você falava, nunca imaginei que ele fosse capaz disso. –a rosada se defendeu.

– Agora, mudemos de assunto, por favor. –a ruiva começou.

– E qual é o assunto da vez tomatinho?

– A festa.

– Que festa? –Sakura e Suigetsu perguntaram juntos.

– A festa mais badalada de todo o colégio. –Karin respondeu impaciente. – Acordem seus lerdos! A festa do meu primo Naruto. Todos os populares daqui e de toda a cidade estarão lá e ele me garantiu três convites.

– Você quer dizer todos os lixos. –corrigiu Suigetsu.

– Se não quiser ir não precisa! Aliás, é um favor que vai nos fazer. Já a Saky vem com certeza né?

– Não sei Karin...

– Só não se esqueça de que o Naruto é o melhor amigo do Sasuke e com certeza ele vai estar lá.

– Isso não tem nada á ver com Sasuke, mas como Sui já não está muito animado, eu vou só para te fazer companhia. –justificou na mesma hora.

Sasuke chegou em casa cansado, provavelmente pelo horário que havia ido se deitar na noite passada. Porém, quando estava prestes a jogar a mochila em qualquer canto e se deitar no sofá, deparou-se com alguém que não estava com a mínima cabeça para encontrar:

– Pensei que só voltaria semana que vem.

– Para sua tristeza não. –o homem a sua frente sorriu falsamente. – Me parece cansado, até quando vai ficar nessas farras Sasuke? Na sua idade –

– Na minha idade você já trabalhava, pois é já me contou essa história um milhão de vezes, mas tem que entender que os seus tempos não são os meus tempos. –cortou-o.

– Tem razão Sasuke. Você tem tudo o que quer. E em troca? Não faz nada. É um inútil. Um corpo forte, mas sem conteúdo algum. Isso tudo deve ser culpa da sua mãe. –falou desapontado.

– Não fale sobre ela! –exaltou-se. – Já pensou que eu te trato assim porque nunca teve o mínimo de interesse por mim? Se quiser alguém para seguir e agir como quer, encomende um robô e o chame de filho.

– Bem que eu queria, mas preciso de alguém de carne e osso para isso. Um dia ainda terá de assumir sei papel dentro da UTC, até lá faça a única coisa que está sendo útil e continue com a filha de Inoichi. –o mais velho virou as costas.

– Como quiser papai. –sussurrou debochado.

Novamente sozinho, pôs-se á pensar: se fechar dentro de um escritório e discutir sobre a melhor programação que a TV devia ter não era para ele, pois se dependesse dele os programas seriam bem diferentes...

Também não era nada agradável namorar com Ino. Ela era gostosa, mas insuportável. Porque seu pai fazia tanta questão do relacionamento? Simplesmente pelo fato do pai dela ser dono de uma antiga emissora na qual Fugaku seu pai, se tornara sócio. Inoichi fazia todas as vontades da filha e se os dois brigassem, era bem possível de ele acabar com qualquer parceria entre os Yanamaka e os Uchiha.

Sentiu uma enxaqueca se aproximar e mudou totalmente os rumos de seu pensamento, se preocuparia agora com a festa que Naruto daria no fim de semana.