Capítulo 2 – Tentativas.

No segundo seguinte que Sasuke recuperou a consciência, ele desejou não o ter feito.

A dor que sentia, dor que corria por cada veia do seu corpo, dor que fisgava cada músculo seu, era impossível de ser agüentada. Se ele tivesse voz, gritaria. Pediria por socorro, por ajuda. Mas a voz não saia de sua boca. O único movimento que pode fazer foi abrir os olhos.

Demorou alguns segundos para se acostumar com a claridade.

Estava deitado em uma cama com lençóis negros, pelo que lhe parecia, se encontrava completamente nu. As paredes ao seu redor eram feitas de pedra bruta, e ele parecia estar dentro de um castelo.

- Sasuke-kun querido, finalmente acordou!

Vinda não se sabe da onde, Haruno Sakura surgiu deitada ao lado dele na cama. Ele não sabia como aquilo era possível; afinal, tinha certeza que a um segundo atrás ela não estava lá. Abriu a boca para ofendê-la, mas tudo que conseguiu fazer foi soltar um gemido de dor. A dor continuava lá, o queimando, cortando, mutilando.

- Tadinho do Sasuke-kun! – Ela sorriu, cinicamente. Seus olhos vermelhos brilhando com a luz do quarto – Dói não é? Poucos humanos suportaram meu veneno tão bem quanto você. Mas eu sinto algo em você... Algo diferente.

A vampira sentou-se na cama, e lentamente tirou sua camisola negra. A visão de seu corpo nu era linda, e se Sasuke não estivesse com vontade de faze-la em pedaçinhos, provavelmente teria ficado boquiaberto.

- Não se preocupe Sasuke-kun, a dor já vai acabar.

Sasuke sufocou um urro de dor. Estava ficando pior a cada segundo, era como se estivessem quebrando seus ossos um por um naquele momento.

- Você precisa entender que isso é necessário. Orochimaru queria fazer coisas muito piores com você. Mas eu roubei você pra mim, afinal eu te achei primeiro. – Ela riu, os olhos vermelhos brilhando – Você já tomou meu sangue Sasuke-kun. Agora você só precisa usar meu corpo. E depois, nós vamos ficar juntos para sempre.

Oh não. Foi tudo que conseguiu pensar quando percebeu que Haruno Sakura o estava transformando em um vampiro.


Hyuuga Hinata respirou fundo três vezes, antes de tentar se tele transportar. Sua pele branca, e os lábios coloridos pelo batom vermelho, a deixavam ainda mais bonita. Os olhos não mais perolados – e sim vermelho-sangue – olhavam aflitos para o espelho, onde nenhuma imagem era vista. Podia não dar certo, e se não desse, ela não sabia quais eram as conseqüências. Mas precisava tentar.

Sentiu que perdia o ar. Tudo girou, sua visão ficou escura, e ouviu um estalo; de repente, estava no meio daquela maldita mansão onde todos os seus sonhos haviam sido mortos e esquartejados. Suspirou aliviada ao ver que havia conseguido.

- O que você está fazendo aqui Hinata? – A voz alarmada de Tenten, a fez dar um pulo. - Porque você voltou?

- Tenten-chan... Eu p-preciso da sua ajuda.

Tenten suspirou apreensiva.

- Você não deveria ter voltado Hina-chan! Se ele te encontrar, se ele sequer sentir seu cheiro... Você sabe que ele não vai te deixar escapar duas vezes.

- E-eu sei... – ela não podia negar o medo. – Mas eu preciso fazer uma coisa, e preciso da su-sua ajuda para isso.

- E o que é?

- Eu preciso roubar Uchiha Sasuke.

Não, ela não tinha nem idéia de como iria conseguir acha-lo antes que Sakura o tivesse transformado por completo, e muito menos sabia como tira-lo dali. Mas estava disposta a tentar – nem que fosse morrer tentando. Afinal, até a morte era melhor do que aquela vida condenada.


Faziam dois dias que Sasuke havia sumido.

Ino cortava a noite com passos rápidos, voltando do hospital com mais pressa do que o habitual. Itachi estava passando muito mal, seus ferimentos após o sumiço de Sasuke haviam só piorado. A loira achava que era devido à preocupação, mas tentar acalmar Itachi quando ela mesma estava completamente desesperada, era hipocrisia de sua parte.

Os garotos e Kakashi estavam o procurando por todos os lados, e de todas as formar possíveis, mas não havia nem sinal do Uchiha. Ino não se dava tempo de sofrer o desaparecimento de seu irmão de coração; ela precisava cuidar dos outros, precisava segurar as pontas para que tudo não desmoronasse.

Continuava indo para o hospital trabalhar, simplesmente para conseguir com seus amigos médicos mais informações sobre o que fazer com Itachi. Eles insistiam para que ela o levasse para o hospital alegando que pelo que o ela os contava, ele poderia morrer. Mas era impossível fazer Uchiha Itachi se aproximar de um hospital. Era algo que simplesmente não aconteceria.

Eram nove horas da noite. Como precisava chegar mais cedo em casa, ela havia pegado outro caminho. O caminho que Ino sempre usava passava pela rua geral, uma rua movimentada, onde ela não via perigo nenhum. No entanto, ela demorava 10 minutos para chegar em casa por aquele caminho. Itachi estava precisando dela, e ela rezou para que nada desse errado quando pegou o caminho mais curto, que passava por becos e ruazinhas escuras e mal iluminadas.

Se espremeu mais dentro da jaqueta rosa, o spray de água-benta no bolso direito, ao alcance da mão. Atravessava o último beco antes da rua de sua casa, quando resolveu olhar para trás, e teve a infelicidade de o ver.

Encostado no poste, as mãos no bolso, ele olhava firmemente para ela.

Apressou o passo.

Olhou ao redor.

Estava completamente sozinha.

Pegou o spray na mão, mesmo sabendo que aquilo só o iria distrair por alguns segundos.

Olhou para trás novamente e ele não estava mais lá. Será que ele tinha desistido? Será que ela estava tendo alucinações? Respirou aliviada e então virou para frente. O vampiro estava ali, a um metro dela, o terno branco impecavelmente limpo.

Sorrindo com presas brancas e afiadas a mostra.

Ino conhecia aquele vampiro. O chamavam de Gaara.

"Vou morrer." Pensou. O medo a havia congelado. Não conseguia se mover, nem falar.

A mão fria do vampiro tocou seu rosto, de forma bruta porém delicada.

- Não vai doer. – sussurrou ele.

A mão livre de Gaara tirou com movimentos suaves os cabelos da Yamanaka de seu pescoço. Ele sorriu, enquanto se aproximava lentamente da trêmula loira, que de tão assustada não tinha coragem nem para respirar. Ele parou a centímetros de seu rosto, e apenas a fitou. Os olhos fechados com força, a maquiagem borrada escorrendo pelo rosto. Suas mãos pequenas, com unhas pintadas de vermelho o empurravam para longe dela. Mas era inútil para ela tentar ganhar dele na força.

Por um momento, ele hesitou sobre matá-la; tinha recebido ordens, mas ele era Sabaku no Gaara! Não precisava seguir ordens, se não quisesse. No fundo não sabia por que diabos ainda não havia feito aquele tal Orochimaru em pedaçinhos. Na verdade sabia sim; Conveniência. Estava junto com Orochimaru, porque era mais fácil sobreviver em bando, do que em três. Mas não queria seguir suas ordens. Não queria matar a loira.

Estava muito distraído para perceber que outra pessoa havia chegado ali. O primeiro tiro atingiu seu pulmão esquerdo, e o segundo seu coração. Aquelas balas não poderiam jamais matá-lo, mas aquilo era suficiente para feri-lo, e deixá-lo impossibilitado de contra-atacar. E Diabos, aquele era seu terno preferido.

Sabaku no Gaara riu.

Como ele poderia ter ficado tão distraído a ponto de não escutar o intruso chegando?

Sangue escorria dele, e a dor era levemente incomoda. Não poderia matá-la, muito menos levá-la com ele agora. Mas Gaara odiava simplesmente desaparecer e deixar suas vítimas completamente livres; se alguma vítima sua sobrevivia, ele garantia que ela jamais se esqueceria dele. Mas não havia muito o que fazer com aquela garota, afinal a última coisa que ele queria era estragar aquele rosto tão bonito, e sua marca mais comum, a cicatriz na bochecha, foi descartada. Então, Gaara a beijou. Certamente não faria o mesmo efeito de uma cicatriz, mas em uma garota deveria significar algo. Ele sorriu, e no segundo seguinte, Ino ouviu um estalo, e quando abriu os olhos verdes, ele havia sumido.

- Ino!

Shikamaru surgiu correndo, carregando uma pesada arma que ela não sabia identificar qual era.

- Sua idiota! Você tem algum problema? – ele gritou, jogando a arma no chão e pegando Ino pelo braço. – Não te falei para nunca vir por aqui?

Ela abriu a boca para falar, mas não emitiu nenhum som. Quem diabos aquele Nara achava que era pra falar com ela daquele jeito? Por que aquele vampiro maldito não havia a matado? E que diabos, porque Sasuke havia sumido? Por Deus, onde ele estava? Suas pernas amoleceram. Ela foi escorregando, mas agilmente Shikamaru a segurou antes que atingisse o chão. Mas Ino não queria levantar; ignorou o fato dele tentar levantá-la do chão frio, e se manteve ali, de joelhos, , manchando o jeans caro que vestia. Estava com medo. Medo daquele vampiro que quase a havia feito em pedaçinhos, medo de Sasuke estar morto.

Medo de que aquilo, toda aquela insegurança jamais acabasse.

-Ino... – Shikamaru se postou também de joelhos a sua frente, puxando-a para si e a deixando-a enterrar sua cabeça em seu peito.

Ino estava decidida a não mostrar para ninguém o quanto estava abalada com tudo que estava acontecendo. Desde que os pais de Sasuke e Itachi haviam sido assassinados, ela não se permitia chorar, ou demonstrar desespero. Eles eram a única família que a restava no mundo, mesmo que não fossem sua família biológica, e ela sempre havia se obrigado a se manter forte, invicta, fria.

Mas ali, nos braços do Nara, ela não precisava manter a pose.

E então, Ino chorou.

Desesperadamente, soluçando, balbuciando palavras sem sentido, apertando e socando de leve o Nara, descontando tudo, toda a dor, a angústia, o medo. Shikamaru apenas a apertou contra si, a beijou na testa, falou coisas que pudessem acalmá-la (não que ele realmente soubesse como acalmar aquela loira problemática).

Até quando que ele iria continuar amando-a, sem que ela percebesse nada? Ele não sabia. Mas mesmo fazendo de tudo para evitar problemas, Shikamaru corria sem medo pra cima de qualquer problema ou confusão existente, se Ino estivesse lá.


Itachi se remexeu na cama, impossibilitado de se mover. O efeito do remédio que Ino havia o dado antes de ir trabalhar, parecia estar passando, e a dor havia voltado com força total. Sentia seu corpo arder, devia estar com mais de 40° de febre.

Ele não consegui nem ao menos dormir, depois que Sasuke havia desaparecido. Estava tão preocupado, e ao contrário do que pensava, todos sabiam disso.

Estava prestes a tentar dormir novamente quando a campainha tocou.

- Só pode ser brincadeira. – resmungou pras paredes, mal humorado.

A empregada já havia ido embora, então ele mesmo precisaria atender a porta. Itachi simplesmente odiava visitas.

Se levantou da cama com muito esforço. Suas pernas doíam, o ferimento latejava, e chegar à porta do triplex foi um trabalho realmente sofrido. A campainha tocou outra vez, e mais outra, e mais outra.

- Quem é? – perguntou, o mais alto que pode, quando finalmente chegou aquela maldita porta.

- Tenten.

A voz suave que veio do outro lado da porta o fez gelar. Nenhuma voz, não uma voz humana, soaria tão doce e afrodisíaca como aquela. Ele não precisava de mais nada para saber que era um vampiro do outro lado. O que deveria fazer? Não tinha condições de lutar. Na verdade, não tinha condições de fazer praticamente nada naquele estado.

- Se eu fosse você abriria a porta, e me convidaria para entrar. – por acaso ela achava que ele era um idiota? Que simplesmente deixaria uma vampira entrar em sua casa? – Eu tenho noticias de seu irmão.

Então Itachi abriu a porta.

A garota a sua frente estava completamente descabelada e machucada. Tinha escoriações por todo o rosto, e braços, e sua boca sangrava. Os olhos dela correram do rosto de Itachi, até seu abdômen enfaixado.

- Fale. – ele sibilou.

-Não aqui fora. – ela devolveu, no mesmo tom de voz baixo e sério.

-Eu não sou louco o suficiente para convidar você para entrar.

- Eu posso te ajudar com isso. – indicou o abdômen ferido do Uchiha com os dedos pálidos. – Posso sentir o cheiro do seu sangue a quilômetros. Você deveria ter mais cuidado, se não quer ser encontrado.

Ele riu. Por acaso aquela garota achava que realmente ele iria acreditar que um vampiro iria ajudá-lo?

-Eu não vou falar nada sobre seu irmão até lá. Você vai ter que confiar em mim, Uchiha.

Confiar em um vampiro? Ela realmente só podia estar brincando.

Mas Tenten foi mais rápida. Os dedos pálidos aproveitaram e tocaram o peito nu de Itachi. Instantaneamente, ele sentiu como se dos dedos dela escorresse algo para dentro dele. Seus olhos se arregalaram quando sentiu que não havia mais dor. Nem febre.

Arrancou o curativo, e observou o abdômen intacto. Sem corte, ferimento, pontos ou pus. Simplesmente, não conseguiu acreditar. Ela havia o curado. Simples assim, com um toque. A garota cambaleou, e se apoiou no batente da porta. Curar humanos, seres com toda aquela fragilidade, era complicado.

-Vai me convidar para entrar, ou não, Uchiha? – um filete de sangue escorria por entre os lábios carnudos.

Itachi ainda estava em choque.

Deveria confiar naquela intrusa?

Ela não poderia entrar ao menos que não fosse convidada; mas se ela havia o achado, isso implicava que outros vampiros também poderiam o fazer.

- Você gostaria de entrar? – sussurrou, com visível raiva.

Ela sorriu, e com alguns passos cambaleantes entrou no triplex.

- Nós vamos precisar nos ajudar para que as coisas dêem certo Uchiha. E não faça essa cara de nojo, eu gosto disso tanto quanto você.

E bufando, ela se jogou no lindo sofá branco da sala de estar.

- Onde está Sasuke? – ele perguntou sem se mover.

- Você não deveria ser preocupar com onde. – A morena cruzou os braços – Deveria mesmo era se preocupar em como está seu irmão.

Itachi tremeu.

- O que aconteceu?

- Haruno Sakura o transformou em um vampiro.


- Sasuke-kun!

Ele podia ouvir ao longe, uma voz o chamando. Estava ficando louco? A dor havia passado, e ele agradeceu a Deus por isso.

- Sasuke-kun!

Abriu os olhos.

As coisas estavam diferentes, ele não sabia porque, mas estavam.

A sua frente, estava a criatura mais linda que ele já havia visto em toda a sua vida. Parecia uma boneca.

Talvez até fosse uma boneca.

Com lábios vermelhos e carnudos, pele branca e sedosa, cabelos negros, um rosto de boneca, um corpo cheio de curvas muito bem delineadas. Tão linda.

- Quem é você?

Ele perguntou se sentando na cama. Não conseguia lembrar o que havia acontecido, as coisas passavam pela sua cabeça muito rápido. Se sentia forte. Feliz.

- Hy-Hyuuga Hinata. – ela respondeu, calmamente.

Tinha algo errado.

Ele sabia que tinha.

- O que aconteceu comigo?

As memórias o atingiram mais rápido do que as palavras da Hyuuga.

-Pode pa-parecer estranho Sasuke-kun, mas... você é um vam-vampiro agora.- ela tentou sorrir, mas o sorriso se desfez mais rápido do que ele esperava.

A Haruno havia conseguido. Oh não, ela havia conseguido.

E isso explicava perfeitamente porque naquele momento, ele só conseguia pensar em sangue.


Continua...

Muito obrigado por lerem, e MUITO obrigado pelas rewies. Mandem sugestões de casais, da história, do que quiserem (eu gosto das sugestões). Beijos.