2º Dia

Abriu os olhos, sentindo a cabeça girar. Piscou várias vezes, olhando ao redor. Não tinha certeza de onde estava, mas tinha certeza de que Pansy Parkinson estava junto. Sentou-se na cama, seus olhos acostumando-se com a luz clara. Estava sem óculos, a visão embaçada. Ouviu uma risada fraca vindo da direita, e virou a cabeça naquela direção. Viu vultos a dançarem perto de si, e reconheceu os dois. Pansy e Malfoy. Sua cabeça girou e fechou os olhos, ouvindo uma porta abrir e fechar.

-Aposto que está com dor de cabeça.

Pansy pegou o frasco na cômoda, jogando para Potter, que tinha achado os óculos e agora olhava para os lados, tentando entender onde estava. Viu quando ele pegou o frasco, lendo o que estava na etiqueta. O viu abrir o frasco, pegar uma pílula vermelha e engolir, sem perguntar nada. Sentou-se na cadeira do canto, cruzando as pernas para cima, apoiando o queixo nos joelhos, a caneca de café na mão.

-Você estava péssimo ontem. – disse em deboche, olhando-o nos olhos, bebendo um pouco do café, manchando a borda da caneca preta de vermelho.

-Obrigado por ontem.

Pansy juntou dois dedos na testa, como se fizesse uma continência, ainda debochando de Potter, e piscou um olho. Ela não estava fazendo favor algum a ele. O favor era a ela mesma.

-Porque ficou dois dias sem nada?

-Estava n'A Toca. – explicou saindo da cama, segurando o frasco. Parou perto do sofá, sentindo a cabeça latejando, e as mãos ainda tremiam levemente. Fechou a abriu a mão, olhando como os dedos tremiam. Não entendia isso. Pansy já tinha lhe dado o que precisava, por que não fazia efeito?

-Você toma coisas fracas. – viu que ele a olhava sério, e então o viu desviar os olhos novamente para o frasco e as mãos. Percebeu a vermelhidão no rosto dele, e o viu morder o lábio inferior. – Potter, eu realmente duvido que eu seja a primeira mulher na sua vida a estar de calcinha na sua frente.

Pansy levantou-se da cadeira, a caneca ainda na mão. Seu sorriso era maldoso. Porém, não seria por causa de Potter que mudaria de roupa. Estava em sua casa, não ficaria diferente de como ficava todos os dias. Vestia uma camisa de Blaise, descalça, de calcinha. Os cabelos estavam presos em um rabo-de-cavalo frouxo.

-Não ficaria assim se começasse a tomar coisas de verdade. – puxou da gaveta da cômoda outro frasco, sabendo que aquilo faria Potter um viciado como ela, mas que ele nunca mais tremeria ou teria sintomas como os de ontem. Era só tomar todos os dias. – Afinal, o que houve com você para tomar essas coisas, Potter?

Harry não respondeu. Não queria responder. Porque começara quando a Guerra terminou, e então, não parou. Eram fracos no começo, apenas algo para lhe tirar daquela tristeza. Mas então, tornaram-se fortes, e tornaram excessivos. E estava no estágio que estava. Um caminho sem volta.

-Potter? – Pansy parou atrás do sofá, sorrindo. Ele não lhe responderia, sabia disso.

-Por que você toma essas coisas?

-Porque quero. – terminou seu café, colocando a caneca na mesa perto da janela.

Observou os braços dela, não haviam marcas. Se ela tomava coisas mais fortes, onde estavam as marcas?

-Eu sei ser discreta. – levantou a perna direita, colocando o pé no encosto do sofá, deixando que toda sua perna e sua calcinha ficassem à mostra. Viu Harry olhar seu pé, vendo as marcas de picadas ali. Algumas recentes, outras cicatrizadas. Voltou seus olhos para o rosto dela. – Isso é de verdade. Esses remédios que você toma não lhe fazem o efeito que procura.

Não disse nada. Estava apenas prestando atenção ao que ela dizia. Via que Pansy não tinha vergonha alguma de lhe mostrar o corpo, era como se não se importasse que ele lhe visse daquele jeito. Esticou o braço, entregando o frasco para ela, mas a morena balançou a cabeça, negando.

-Esses são para o começo. - disse sorrindo, descendo a perna do sofá.

-Começo?

Ela apenas assentiu, dando a volta no sofá e sentando-se. Harry pouco entendeu, porém, sentou-se também, somente agora percebendo que sua cabeça estava em silêncio, e que seus braços haviam parado de tremer. Olhou o frasco novamente, abrindo-o e pegando outro, engolindo a seco. Ouviu a risada de Pansy, e olhou-a, ela tinha os dedos entre os fios dos cabelos, o rosto sorridente.

-Esse tem um efeito interessante.

Sabia que em alguns minutos o moreno começaria a relaxar de verdade, como se estivesse dopado. Mostraria que o mundo daqueles remédios ridículos que ele tomava não era nada comparado aos que daria a ele.

Não pediu que ele ficasse, ele não disse que iria embora. Os minutos arrastaram-se, e o efeito do que Harry tinha tomado começou a aparecer. O moreno começara a ficar com calor, tirara o casaco que vestia. Os cabelos começaram a grudar na testa, e os olhos estavam terrivelmente dilatados. Quando ele a olhou, teve que sorrir, sabendo que deveria tomar um daqueles para ter efeito em si também.

Poucos minutos depois de ter engolido duas daquelas pílulas, seu corpo estava quente, e tudo parecia extremamente mais devagar do que realmente estava. Sorriu, olhando Potter em seu sofá. O rapaz estava com os olhos no teto, as mãos espalmadas no tecido do sofá, a boca semi-aberta.

Levantou-se. Todos seus movimentos devagar, mas sorriu disso. Adorava essa sensação, era ótimo quando tudo ficava devagar, as sensações correndo devagar em suas veias, entrando devagar em seu cérebro. Alcançou a gaveta que mais abria em sua cômoda e puxou um pacote com uma seringa nova, sua seringa e outro pequeno pacote. Voltou ao sofá, começando a preparar a mistura, para poder colocar na seringa.

Harry tinha virado o rosto para a morena, observando o que ela fazia. Os movimentos dela eram lentos, e o cheiro do perfume dela forte. Observou como os três primeiros botões da camisa dela estavam abertos, e como o relevo dos seios dela aparecia conforme ela inclinava-se para mexer nas seringas. E como a cor da calcinha dela era estranha. Não parecia roxa, mas também não era rosa. E era de renda, e a posição que ela estava sentada lhe deixava bem pouco para a imaginação.

-Potter, tenha certeza de que está preparado pra isso.

-O que é isso? – até mesmo sua voz parecia arrastada, devagar.

-Um modo de ficar realmente fora da realidade.

Pansy ajoelhou-se no sofá, ficando com a barriga encostada no braço direito dele, os seios na altura do rosto dele, e Harry virou o rosto pra cima, encarando o dela. Os olhos escuros e brilhantes dela pareciam sorrir junto com os lábios. A viu segurar seu punho esquerdo, esticando o braço. Sabia que doeria um pouco, mas talvez com o que tinha correndo em suas veias não fosse sentir.

Fechou os olhos, esperou que ela terminasse logo.