Fobia Social
Advertências:
As mesmas que o capítulo anterior.
Capítulo 2. Medo de fazer amizades.
Uma semana se passou desde o ocorrido na lavanderia e mais uma vez foi necessário que Kiku saísse de casa. Dessa vez seu humor estava diferente, sentia-se inseguro e sabia que não encontraria o rapaz, pois não iria lavar suas roupas e sim fazer as compras da semana, mas antes de sair sentiu-se um pouco mais vaidoso que o de costume. Parou na frente do pequeno espelho do banheiro e o único que possuía na casa, verificando se a gola de sua blusa estava arrumada e se seus fios de cabelo encontravam-se em perfeita simetria.
- Certo! Vamos lá! - Disse com um ar de determinação, saindo do banheiro e pegando a sua mochila no chão, colocando a mão na maçaneta pronto para girá-la e se retirar de seu apartamento.
Entretanto, antes que pudesse abrir totalmente a porta, ouviu som de passos vindo da escadaria, fechando rápido a porta e encostando o ouvido nela. Seu coração acelerava, deveriam ser umas onze da noite, por que havia alguém chegando da rua a essa hora? Prendeu a respiração, havia tanto tempo para alguém chegar em casa e tinha justamente de fazê-lo quando Kiku estava decidido em sair?
Passo por passo era ouvido contra o chão, algumas gotas de suor começaram a se formar na testa do pequeno asiático, fazendo sua franja grudar contra a mesma. Passo por passo, seguindo lentamente em sua direção. Seu nervosismo aumentou, girando a chave da porta para trancá-la e desligando rápido a luz do teto. Talvez fosse melhor fingir não haver ninguém em casa, dessa forma fosse quem fosse do lado de fora, não iria tentar chamá-lo.
Afastou-se da porta, notando uma sombra ser feita no chão, impedindo que a luz do corredor passasse pela fresta do chão de sua porta. Os passos pararam, mas a sombra manteve-se no mesmo ponto. Estava diante de sua porta, Kiku sabia disso e o medo o dominava cada vez mais. Por que não continuava andando? O que queria com ele?
- Vá embora.. - Sussurrou, fechando com força suas mãos na alça de sua mochila, retendo a respiração por alguns segundos, com os olhos atentos a sombra insistente. Por que não sumia? Por que justo com ele? Mordeu os próprios lábios com força, tentando assim calar-se e evitar qualquer chance de começar a gritar.
Um passo e a sombra se moveu, outro passo e ela desapareceu. Os sons dos passos prosseguiram e o som de uma porta sendo aberta se fez, em seguida uma batida e todos os sons desapareceram, havia ido embora. Kiku parou de morder os lábios e puxou o máximo de ar para os seus pulmões, respirando um pouco mais tranqüilo.
- Isso.. - Levou a ponta dos dedos aos próprios lábios, sentindo-os dormentes, havia mordidos com tanta força? Estava sendo um idiota, não vivia uma ficção de terror para pensar que estava sendo perseguido. Mas.. Pousou a mão sobre o próprio peito, sentindo o seu coração acelerado. Irracional ou não, ainda assim sentia medo.
Demorou alguns minutos para se recompor. chegando diante do pequeno mercado vinte e quatro horas apenas a meia noite. Olhou para dentro, notando haver algumas poucas pessoas comprando alguns itens, nada fora do normal, visto que apesar de tudo, estavam em plena quarta-feira e o número de pessoas presentes era bem reduzido comparado a qualquer outro dia ou horário.
Antes de entrar no local, Kiku colocou a mão sobre o bolso da calça, verificando se estava com a carteira e retirou a mochila, abrindo-a e retirando um pedaço de papel com a lista de compras. Não eram muitos itens e para outras pessoas não seria necessário fazer uma lista, mas considerando a importância de não esquecer um único item, fazia questão de sempre deixá-la preparada.
Caminhou para dentro do mercado, pegando uma cesta logo na entrada e caminhando rumo ao corredor de bebidas, onde pegaria o concentrado para chá gelado e os saches de chá quente. Ao colocar os itens dentro da cesta, ouviu um som de algo caindo, virando-se para trás para verificar se tinha derrubado algo e vendo um rapaz derrubar três garrafas de refrigerante.
- Merda! - Xingou, Kiku piscou os olhos algumas vezes, aquele tom de voz não lhe era desconhecido. Olhou com atenção o homem diante de si, um rapaz de uns vinte e dois anos e de cabelos em um tom platinado, desviou o olhar constrangido, estava encarando-o sem notar e sabia que causava problemas encarar pessoas com um visual tão punk.
Na verdade, não é que soubesse, mas ao menos era o que diziam na internet. Kiku nunca olhava nos olhos das outras pessoas, evitava-a ao máximo de fazê-lo, pois isso faria com que as pessoas o encarassem e não saberia como reagir diante disso. Caminhou lentamente rumo ao corredor dos enlatados, optando por deixar o rapaz recolher sozinho os refrigerantes que derrubou.
- Cadê? Cadê? - Falou o rapaz, indo então para o mesmo corredor que o Kiku, olhando de relance as estantes como se procurasse algo. - Ei, você sabe onde colocam geléia nesse lugar? - Perguntou o rapaz, voltando o olhar para Kiku, como se ele conhecesse bem a arrumação do mercado e de fato, sabia, mas sentiu-se nervoso ao ter de estabelecer um diálogo com alguém aparentemente agressivo.
- A.. A.. - Apenas uma vogal era formada pelos lábios de Kiku, o restante prendia-se em sua garganta, não fazendo mais nenhum som. Kiku apertou a cesta que carregava, deixando o seu olhar ir para os dois itens que já tinha pego. Se não tivesse colocado nada na cesta, talvez saísse correndo, mas nesse momento deveria respondê-lo.
- Corredor A? - Perguntou o rapaz, arqueando uma das sobrancelhas, tentando entender o que o outro falava. Será que ele tinha algum problema de dicção? Ou fosse estrangeiro.. Mas quanto mais olhava para ele, mas sentia que o conhecia de algum lugar. De onde será que se conheciam? Do trabalho? Não parecia muito, ao menos aquele garoto com problema de dicção não agia como o do tipo que freqüentava corridas de MotoCross. - Valeu! - Agradeceu, dirigindo-se ao primeiro corredor, deixando Kiku sozinho.
Não era o que queria ter dito, não havia geléia alguma no corredor A. Até porque, instantes antes estavam no corredor A. Queria ter dito "aqui", entretanto não conseguiu. O que o outro faria ou diria quando percebesse que não acharia o que procurava? Que Kiku agiu de má fé apenas para atrapalhá-lo? E se brigasse com ele? Respirou fundo, pegando um vidro de geléia de morango na estante próxima de si e indo até o primeiro corredor, disposto a entregá-la ao outro e fazê-lo parar de procurá-la.
- É.. Desculpe-me.. - Kiku disse, tentando chamar a atenção dele e esticando o vidro na direção do rapaz, que olhava entre as várias garrafas de bebidas em busca de sua geléia. O homem olhou para Kiku, vendo-o com a geléia em mãos e abrindo um sorriso, pegando o vidro.
- É essa mesma que eu estava procurando! Ela fica ótima com pão preto, já experimentou? - Perguntou, confirmando que era a marca que sempre comprava e olhando o asiáticozinho. Quantos anos ele deveria ter? Uns quinze? E já fazia compras sozinho a essa hora da noite? Nessa idade o máximo que conseguia fazer era comprar briga com algumas gangues!
- Não.. - Respondeu Kiku, erguendo um pouco o olhar para o outro, seria indelicado de sua parte ficar olhando a cesta o tempo todo? Voltou os olhos para os lábios do outro, vendo-o sorrir e sentindo-se um pouco mais confiante para olhá-lo nos olhos, prendendo a respiração ao se dar conta da coloração deles.
- Então devia experimentar! - Falou, sem notar a surpresa que Kiku apresentava ao notar o forte vermelho que dominava em toda sua iris. O som da porta do mercado se fez, fazendo o rapaz virar-se para observá-la e notar a presença de dois jovens entrando no mesmo. - Psii! Se esconde! - Agiu por impulso, puxando o garoto oriental para trás de uma estante com salgadinhos e abaixando-se, observando as figuras caminharem por dentro do mercado.
- Que? - Exclamou Kiku, sem ter idéia do que ocorria. Seus olhos voltaram-se para os dois jovens, estavam escondendo-se deles? Eles pareciam um casal comum, exceto por serem dois rapazes, se bem que Kiku não era a melhor pessoa para questionar isso, pois sentia-se atraído por homens.
- Quieto! - Ordenou o rapaz, usando um tom baixo com a voz e olhando fixamente os dois, como se estivesse seguindo-os. Apesar de ser uma situação de quase seqüestro, Kiku optou por não reagir, ficando em silêncio e esperando que os dois saíssem do mercado e quem sabe assim fosse liberado.
Os dois compraram apenas algumas latas de molho de tomate e logo retiraram-se do local, conversando de forma animada. Um deles, o mais alto, parecia ser o mais sério, combinando com o padrão do "seme" na ficção, enquanto o mais baixo era mais extrovertido e bobo, sendo aceitável como "uke", apesar de fugir dos padrões que Kiku estava habituado. Ao saírem, Kiku voltou-se para o rapaz que o obrigou a se esconder, vendo-o roer algumas das próprias unhas, aparentemente irritado.
- Eu.. Vou indo.. - Disse Kiku, erguendo-se e recuando um passo, já havia colaborado, não havia mais motivo para ficar ali, não é? Sentiu-se um pouco bobo, teve tantos problemas de relatar onde estava a geléia e agora, após uma pequena confusão, conseguia falar com maior naturalidade. O que pensariam dele por agir assim?
- Ah.. - O rapaz voltou-se para Kiku, ouvindo que ele iria embora e levantou-se, respirando fundo e voltando a olhar para a porta do mercado, vendo que aqueles dois jovens não voltariam. - Você deve estar me achando estranho por me esconder dessa forma! Eu não sou um criminoso nem nada, é que o altão e bonitão, loiro de olhos azuis é o meu irmãozinho mais novo! Por que você não termina suas compras e eu te conto a minha história? Na esquina tem uma padaria muito boa, eu te pago um lanche! Aproveitando, de retribuição você paga a minha geléia, certinho? - Falou, colocando o vidro dentro da cesta do Kiku e sorrindo, como se esperasse que ele terminasse de pegar os restos dos itens que precisava.
- Isso.. - Kiku não soube como responder, por que ele falava tanto e sugeria que saíssem juntos? Não era certo, mal se conheciam e não queria sair com aquele tipo de pessoa! O que as outras pessoas pensariam caso andasse por aí com alguém de cabelo branco e aparência de delinqüente? Não que não tivesse notado os olhos vermelhos, era albino, certo? Mas ainda assim..
- Essa é a sua lista? - Perguntou, puxando um papel das mãos de Kiku e olhando em volta, pensando que seria mais rápido ir pegando os itens por ele, visto que ele parecia ser uma pessoa bem lenta. Não que fosse criticar os lentos, o cara com quem seu irmão andava era o rei da lentidão!
E sem conseguir pensar em contrariar, lá estava Kiku, sentado em um banco em frente ao balcão de lanches da padaria, ouvindo com atenção todas as palavras do rapaz diante de si. Não esperava que houvesse pessoas assim na vida real, que conhecessem as outras com facilidade e falassem dos próprios sentimentos e dúvidas sem hesitação. Mesmo ficando assustado quando ele se aproximava demais, tinha admitir que ele era admirável.
- Quero dizer.. Não dá para se escolher de quem se gosta nesse mundo, não é? O Lui não gosta de perder tempo e escolheu aquele lá! Você viu, não viu? Ele não pode ser chamado de senhor praticidade! Eu até gosto do Ciano, ele é um bom rapaz e tudo mais, mas pro Lui? É errado querer algo melhor para o irmão? E nem é pelo outro ser um homem, eu aceito isso numa boa! O problema é que o Lui é inteligente, merecia alguém tão esperto e bonito quanto ele! - Contava o rapaz, que havia se apresentado como Gilbert. Às vezes a forma que ele falava deixava a história confusa, apresentando vários personagens de uma hora para outra, mas Kiku tentava ouvi-lo com o máximo de atenção.
- Eu entendo, você quer protegê-lo..? - Perguntou, tentando confirmar se a sua opinião era a correta, olhando para baixo durante toda a conversa. Será que estava sendo rude falando sua interpretação dos fatos? Ou provavelmente o Gilbert nem se interessaria, mas poderia ser rude não dizer nada.
- Exato! - Falou, sentindo que pela primeira vez alguém o ouvia e compreendia sem julgá-lo no meio da história! Esse rapaz era realmente sensato, fazia tempos que Gilbert procurava um amigo assim! O mais próximo que tinha disso era o seu irmão, mas agora ele já não podia lhe dar tanta atenção quanto antes. - Mas e você? Já gostou de alguém que não servia para você? - Perguntou, pegando o copo de suco que tinha pedido e bebendo-o pelo canudinho, achando que era a hora certa de começar a tentar conhecer mais sobre o outro.
- Ahm? Eu? - Ficou surpreso, o outro havia falado tanto e agora queria saber sobre si? Deveria falar a verdade em retribuição a sinceridade dele? Mas talvez ele só perguntasse por educação e não quisesse realmente saber. Sentiu-se nervoso, olhando discretamente para o rapaz e vendo-o aguardar que dissesse algo com um ar de paciência. - Eu gosto de alguém e acho que combinamos.. Quero dizer, temos hábitos parecidos e já comemos juntos uma vez.. - Contou, sentindo-se um pouco estúpido com essa história. Não havia metade da emoção que a história de Gilbert possuía e na verdade sequer sabia o nome da pessoa que gostava.
- Ah, então tiveram um encontro? - Gilbert sorriu, mordiscando o canudinho e começando a ficar entusiasmado, vendo que teria de perguntar mais caso quisesse saber detalhes. - E já dormiram juntos? - Perguntou, indo direto ao ponto.
- Não, não! - Respondeu, ficando nervoso, como ele conseguia falar sobre essas coisas como se não fosse nada? O nervosismo de Kiku passou a dominá-lo, não queria ter esse tipo de conversa, sua falta de experiência deveria fazê-lo parecer um idiota! - Não fizemos nada e nem sei se o que tivemos pode ser chamado de encontro..
- Oh, desculpe-me! Na sua idade não é normal fazer essas coisas ainda, não é? Quantos anos você tem mesmo? - Perguntou, para assim não dar mais nenhum deslize e constrangê-lo durante a conversa.
- Vinte. - Respondeu Kiku, sentindo-se um idiota por ter feito o outro se desculpar por um assunto que deveria ser normal. Na verdade já falavam desse assunto quando estava no ensino médio, porém sempre foi muito estranho e tímido para ser capaz de conversar sobre essas coisas.
- Uohh! - Gilbert ficou impressionado, vinte anos? Uau, aquele garoto deveria estar desnutrido, só assim para ser tão pequeno, empurrou o prato com os sanduíches que tinha pedido para perto do asiático. - Coma mais! Mas e então, como assim não sabe se foi um encontro? Vocês se encontraram acidentalmente na rua? Quem pagou a conta? - Decidiu retornar ao assunto, caso contrário iria querer aplicar uma dieta e exercícios para ajudar o rapaz a crescer!
- Nós sempre vamos lá no mesmo dia e horário, então não sei se posso dizer que foi acidental.. E acho que ele pagou, quero dizer, ele me ofereceu. - Ficou confuso, estava certo falar dessa maneira? Não estava mentindo, mas também não se sentiria bem dando muitos detalhes. Será que o outro recordava-se de conhecê-lo da lavanderia? E se recordasse do outro rapaz? Talvez dissesse algo a ele e isso seria muito constrangedor para Kiku.
- Ah, então ele tá apaixonado por você e você que ainda não se decidiu! - Concluiu, ligando um ponto ao outro! Não era difícil descobrir essas coisas de relacionamento e Gilbert sempre se julgou especialista nisso! O fato de não conseguir entender direito os próprios sentimentos e os sentimentos do irmão era mero acaso do destino, pois era excelente em avaliar os sentimentos dos outros!
- Acho que não é bem assim.. - Falou, mordendo os próprios lábios e respirando fundo. Estava fazendo uma confusão falando dessa forma. E se o outro descobrisse que as coisas não eram bem assim? Iria chamá-lo de mentiroso? Queria voltar para casa, lá não precisava ficar enfrentando essas coisas.
- Droga, já vai amanhecer! - Falou Gilbert, olhando para o próprio relógio e prosseguindo a tomar o seu suco, notando que o máximo que o outro havia feito nesse meio tempo era ter mordido um pequeno pedaço de sanduíche e revirar o canudo do próprio suco. - Você não vai comer nada?
- Amanhecendo? - Perguntou Kiku, olhando um relógio na parede da padaria, erguendo-se e ouvindo a pergunta do outro se comeria ou não. Como falar que tinha vergonha de comer em público? Poderiam pensar que ele não tem bons modos caso não comesse direito e se sujasse e não queria isso. - Perdoe-me, não tenho tempo, preciso voltar para casa! - Disse, pegando sua mochila, agora pesada pelas compras e fazendo uma curta reverência, afastando-se rápido.
Gilbert riu daquela cena, não entendia o que tinha acontecido, mas era como uma Cinderela correndo antes do sol raiar! Se bem que a Cinderela o fazia a meia noite e tinha encontrado o rapaz nesse horário. Ficou encarando-o se afastar, refletindo. Se não era a Cinderela, o que ele era? Algum ser da noite? E.. CARAMBA! Esqueceu de perguntar se ele tinha telefone, e-mail ou endereço para continuarem a se comunicar! Exceto se.. Continuou a refletir, havia uma chance, mesmo que pequena, de talvez ele ser um.. ser místico que vem dar conselho aos que estão com problemas! Ou algo assim! Precisava ter cuidado, muito cuidado..
Kiku notou o sol começar a nascer quando subia a escadaria de seu prédio. Devido ao corredor ser substituído por uma longa varanda, pode observar o sol aos poucos ir para o alto do céu. Sua respiração ficou forte enquanto acelerava os passos, colocou as pressas a chave na fechadura, girando-a para abri-la, mas não foi rápido o suficiente. Junto com a alvorada veio a presença dos seus vizinhos que tinham acabado de despertar, ouviu uma das portas se abrir e deu de cara com um deles, parando imóvel.
Será que se ficasse quietinho não seria percebido? Abaixou o olhar para a fechadura, deslizando a chave com cuidado até ouvir um somzinho que indicava que a porta estava aberta. Mas agora um enorme rapaz de mais de um metro e oitenta centímetros de altura se aproximava dele. O rapaz parou próximo ao Kiku, vendo-o congelado diante da porta e por trás de Kiku, passou a mão rumo a madeira da porta, como se desejasse pressioná-lo contra ela.
- Está aberta. - Falou com sua voz forte, porém calma, empurrando a porta e fazendo-a abrir. Ele não sorria, mantinha a expressão séria e isso fez a pressão sanguínea de Kiku oscilar e um frio repentino o dominar. - Bom dia. - Disse, recuando um passo e esperando receber o mesmo cumprimento do menor.
- Bom dia..! - Falou Kiku as pressas, dando um passo para dentro de seu pequeno apartamento e fechando a porta, olhando de relance os olhos azuis do maior, que o seguiam diante de cada movimento.
Ao fechar a porta, esperou pacientemente o som dos passos se distanciando para respirar calmo. Queria ter vizinhos um pouco mais normais, entretanto não queria passar pela confusão de ter de visitar outras casas até encontrar uma com localização razoável e preço tão bom quanto o atual. Era pequeno e utilizado apenas por trabalhadores e estudantes com horários pouco flexíveis que necessitavam estar perto do centro onde tudo funcionava todo o tempo. Mas também era um dos poucos locais que Kiku sentia-se seguro.
Sentou-se no chão, abrindo a mochila e preparando-se para guardar as compras. Sentia-se tonto e estava pálido, mas nada do que ingerir um pouco de sal não pudesse resolver. Tinha que suportar isso sem reclamar, sabia que era a sua punição por ter ficado tanto tempo na rua. Não que fosse se culpar por ter conversado um pouco, mas agora até mesmo a sua garganta doia por ter falado demais. Entretanto, era a primeira vez que fazia um amigo dessa forma e ele disse que o que tinha ocorrido na lavanderia era mesmo um encontro. Parecia até ficção pensando desse modo, será que se escrevesse isso no fórum de jogos onde participava os outros usuários acreditariam? Talvez até ficassem com inveja por Kiku estar tendo uma vida tão ativa. Era mesmo uma pessoa muito sortuda.
Fim.
N/A: O personagem secreto foi revelado, é o Gilbert! Será o amigo de Kiku nessa história, próximo capítulo será o reencontro com o Arthur! Eu não planejava publicar esses capítulos tão rápido, mas estava ansiosa em escrever o capítulo três por ele ter grandes acontecimentos e decidi acelerar! Ah, quem não notou, o vizinho do Kiku é a Holanda, ele também terá o seu espaço nessa fanfic! Espero não ter tornado o Kiku muito extrovertido nesse capítulo, mas com o Gilbert é impossível não ser, não é?
Até o próximo capítulo e lembrem: Deixem um review ou fico tristinha! (Fico mesmo, sem review, sem vontade de continuar escrevendo!)
