Nome Original: Unconventional Commitments

Autor: Cashew

Tradução: Amanda Saitou

Betagem: Anna-Malfoy



Capítulo 02

A solidão é melhor a dois

E sou patética... patética com P maiúsculo. Estou em um bar, no meu aniversário, sentada sozinha numa mesa de canto. Tive até que pagar pela minha própria bebida... é aqui que eu percebo que minha vida é um inferno e que o destino realmente tem um senso de humor cruel.

Alguém tentou me amarrar no meu aniversário - isso não é horrível? Como um auto proclamado senhor de todas as coisas, meu aniversário sempre foi um evento muito importante pra mim. Quase melhor que o Natal. E agora está arruinado. Não haveria nenhuma salvação para este aniversário. Bem, talvez houvesse... tal como um homem maravilhoso se ajoelhando diante de mim e implorando para me pagar uma bebida, e então ele iria - não, eu digo pra mim mesma rapidamente, nada de pensar em homens. Os homens me colocaram nesta situação, para começar... os homens e sua possessividade e dependência.

Quando foi que tiveram a idéia de que casamento é uma coisa "de mulher"? Por favor, quem é que faz o pedido? Certo, com a modernidade algumas mulheres fazem o pedido, mas na maioria das vezes é o homem. Se eles não quisessem se casar então eles não deveriam fazer o pedido. Os homens iniciam a busca por uma esposa no segundo em que saem de casa. Eles precisam de alguém que tome o lugar da mãe deles, alguém para olhar por eles e para cuidar deles. Quer saber, eu quero uma esposa. Não de um modo lésbico, só estou dizendo que quero alguém para cozinhar, limpar e cuidar de mim. Eu não posso culpar os homens por procurarem por esposas, eu também o faria. Mas eu não quero ser a escrava deles. Se algum dia eu me casar, meu marido assumirá o papel de esposa. E como isso nunca, jamais, acontecerá parece que eu nunca irei me casar nesta vida.

Eu penso na minha mãe. Ela fez absolutamente tudo enquanto eu crescia. E assim que cheguei aos 11 anos de idade - a idade para ir para Hogwarts - parece que passei a ser vista como velha o suficiente para "ajudar". Aparentemente, se alguém é responsável o bastante para ir para a escola, então esse alguém é responsável o bastante para ser um maldito escravo. Meus irmãos foram coagidos a fazer tarefas externas simples nas quais punham pouco esforço para realizá-las, e então iam jogar quadribol em algum lugar em que mamãe não pudesse vê-los. Como eu era uma garota, entretanto (e a única garota), era meu dever ficar dentro de casa e ajudar minha mãe com as tarefas dela. Todo verão era gasto cuidando dos porcos que tinham a audácia de se proclamarem meus irmãos. Eu exerci o papel de esposa e mãe por uma eternidade; finalmente escapei há alguns anos atrás, portanto não cometerei o erro de deixar me aprisionarem novamente.

Meus olhos dirigem-se para o meio do salão. Parece estar acontecendo alguma coisa ali, algo feliz. Bem, é legal que alguém possa se divertir no meu aniversário... infelizmente não sou eu. Auto martírio é um dos meus passatempos preferidos, se você ainda não percebeu.

Ouço passos na minha direção, mas não me dou ao trabalho de me virar. Provavelmente alguém feio - hã, não que importe se alguém é feio ou não. Sim, a beleza está no interior, e toda aquele papo.

"Como você está esta noite?" diz uma voz profunda.

"Tudo direito" resmungo enquanto tomo outro gole da minha bebida. E não irei me virar; não estou disponível. Aqueles com problema com compromisso não saem procurando por relacionamentos. Assim como as pessoas que vivem em casa de vidro não deveriam jogar pedras... a mesma coisa.

"Certo" ele diz num tom divertido, "bem, então isso deve dificultar o seu funcionamento. Se você estivesse com 'tudo direito', então você teria dois pés direitos e duas mãos direitas."

Nisso eu finalmente me viro, minha boca aberta em espanto e incredulidade. Essa foi à piada mais estúpida que eu já ouvi. "Muito fino" eu digo antes de perceber a quem a voz pertencia. Eu sabia que a voz era familiar. "Mas você sempre foi um cavalheiro, Harry."

Ele dá um grande sorriso e puxa a cadeira ao meu lado. "Eu gostei dessa piada. Edith me contou essa no trabalho."

"Edith", eu digo, me sentindo bestificada, "Edith, a sua secretária de 48 anos? Legal Harry, você está copiando as falas de uma senhora. É difícil acreditar que as garotas não estejam vindo aos montes atrás de você."

Ele dá de ombros. "Eu faço o que posso." Ele chama uma garçonete e faz seu pedido, assim como pede mais uma bebida para mim. Bem, poderia haver algumas vantagens em encontrar Harry aqui. "Então, o que lhe traz ao recanto dos alcoólatras , Gina?"

"Recanto dos alcoólatras?" pergunto, confusa. Mas, com certeza, várias doses de uísque farão com que fique facilmente confusa.

"Sim, se você observasse as pessoas que vêm aqui, todos os alcoólatras vêm para este canto escuro onde nós estamos agora, para poderem beber muito e sozinhos, sem serem incomodados. Então, o que está levando você ao alcoolismo?"

"Por que se importa?"

"Por que sua mãe me mataria se eu a deixasse ficar bêbada sozinha. Você poderia ser violentada." Eu viro os olhos e sinto um rubor no rosto; ele evidentemente ouviu os infinitos sermões e avisos da minha mãe sobre os perigos de uma jovem mulher como eu ser violentada. Esses sermões são normalmente dados toda vez que ela me vê numa roupa que ela julga ser pecaminosa.

"Que gentil da sua parte", digo em um tom que espero soar sarcástico. Você sabe, enquanto a embriaguez tem suas várias vantagens, também tem um declive à medida que a embriaguez avança.

Primeiro ponto: ressacas. Até mesmo uma palavra faz você se retesar. Segundo ponto: qualquer tipo de inteligência que você possa ter antes de tomar a decisão de beber sai direto pela janela. Se você tentar ter uma conversa de verdade com alguém - ao invés de bater em alguém, conforme a situação - você irá se soltar parecendo um idiota muito mal educado. É por isso que depois de beber eu sempre juro não beber mais... até a próxima vez que algo fundamentalmente ruim me aconteça e então todos os aspectos em parecer um 'lixo' pareçam mínimos e sem importância alguma.

"Eu sei", ele responde galantemente, "eu simplesmente sou esse tipo de cara. Não posso deixar você ser violentada num beco escuro."

"Não", interrompo secamente, "eu pelo menos mereço um quarto de hotel mais ou menos decente."

Harry sorri, "Esse é o espírito!"

Eu olho para a bebida intocada de Harry. "Sabe, é muito rude deixar que uma dama beba sozinha." Concordando instantaneamente, ele toma sua bebida de um gole só enquanto eu sorrio animadamente; beber socialmente é perfeitamente aceitável.

Começou com Harry pensando que poderia me embriagar sem que eu percebesse. Se há uma coisa da qual os Weasleys se orgulham é nossa capacidade de tolerar a bebida. Sério, o segredo está no fato que todos nós agimos tão insanamente quando estamos sóbrios que é difícil distinguir se estamos bêbados ou não. Infelizmente pra mim - ou infelizmente pra Harry, como quiser ver o fato - minha tolerância é relativamente baixa. Eu aprendi a fingir que estou mais sóbria do que realmente estou, mas depois de quatro bebidas eu já estou fora do ar.

E com Harry eu perco a conta depois da quinta.

Não é preciso dizer que ambos estávamos um pouco... afetados, sabe. Mas se há uma grande regalia para inclinações alcoólatras – e acredite, há uma – é a de que no dia seguinte você não pode ser culpado de qualquer estupidez que faça. Se você queimar a casa de alguém, apenas balance a cabeça rindo e diga "Desculpe por aquilo, eu estava tão bêbado." Essa é uma desculpa universal que as pessoas aceitarão. Se estiver bêbado você está fora do seu estado normal, você não é - supostamente – nem consciente nem responsável por nenhuma de suas ações.

Nós não queimamos a casa de ninguém, mas fizemos...hã, algo que necessita da frase "Eu estava tão bêbado." E a pior parte a respeito disso é que eu não estou completamente certa sobre o que fizemos. Certo, eis o que eu me lembro: Nós estávamos nos divertindo no canto dos alcoólatras, rindo adoidado... engraçado como tudo parece histérico após algumas doses. Eu contei a Harry sobre Colin e ele achou muitíssimo engraçado que eu tivesse fugido do restaurante e do pobre Colin. Então eu cometi o erro de lhe contar as minhas teorias sobre casamento e ele achou todas elas a coisa mais engraçada que já tinha ouvido. Eu me lembro de rir com ele, mas eu não acho engraçado, é um grande problema. Não é para rir.

Então nós estávamos rindo, ele contou algumas linhas da piada "você sabe que está sob a influência de Voldemort quando...", e tudo estava ótimo. E depois nós saímos. Aqui é que o problema começa, nós saímos juntos e fomos para casa... juntos.

Voltamos para a casa de Harry e numa certa hora nossos lábios se encontraram. Eu posso jogar a culpa disso no fato que ambos somos abobados o bastante sem estarmos bêbados. Então nós nos beijamos, muito inocente isso. Então eu me lembro que continuamos a nos beijar no sofá dele, o que num certo ponto nos levou a nos beijar na cama. E é isso. É tudo o que lembro.

Então aqui estou eu, nua na cama de Harry Potter sem qualquer memória de como vim parar aqui. Para reduzir ainda mais a minha inocência sobre ontem à noite, tenho que dizer que Harry está dormindo ao meu lado, igualmente nu. Falando nele...

Eu observo Harry, que dorme tranqüilamente. O lençol que o cobre escorregou e parou nos quadris. Eu posso ver seu corpo longilíneo e o peito musculoso, e se me abaixar do jeito certo e levantar o lençol só um pouquinho – bem, vamos dizer que se o que eu penso que aconteceu ontem a noite realmente aconteceu então eu me diverti mesmo.

Enquanto penso sobre isso, Harry decide acordar. E ele não acorda do jeito normal, como quando você acorda gradualmente e se sente muito grogue por alguns minutos. Não, Harry acorda de sopetão. Ele se senta depressa e olha pra mim em pânico.

"Gina", ele diz depressa, "o que está fazendo aqui?"

Eu me sinto injustificadamente ofendida. Talvez eu não me lembre do que aconteceu ontem à noite, mas claro que ele deveria. Uma forma de fazer com que eu me sinta não só como uma prostituta, mas como uma prostituta ruim. Minha cabeça está rachada em dois, esta não é nem de longe uma manhã muito boa.

Eu dou um tempo a ele para que perceba que está nu e eu também, antes de falar. "Eu não tenho muita certeza do que estou fazendo aqui, acabei de acordar."

Ele passa a mão pelo rosto e se joga de novo no travesseiro. "Merda", eu ouço ele resmungar, "maldição, drog-"

"Você quer fazer uma demonstração de todas as imprecações conhecidas pela humanidade antes de ter uma conversa de verdade?"

Ele me fita de soslaio, "nós não... quer dizer, hã, você sabe... fizemos?"

Eu dou de ombros e me sinto irritada pelo desconforto dele ser maior do que o meu. Ele deveria estar feliz; eu é quem deveria estar preocupada!

Harry parece não perceber meu crescente desagrado, pois continua a gemer e resmungar. "Ai, o Rony vai me matar!"

"Rony!" eu finalmente estouro, "você está preocupado com o Rony num momento como este? Dane-se o Rony!"

Ele finalmente parece perceber que deveria dizer algo para mim. "Eu sinto muito, Gina; eu nunca deveria ter deixado isso acontecer. Você estava bêbada, e eu estava bêbado... e eu devo ter me aproveitado de você, e –"

"Esqueça", eu o corto enquanto levanto da cama e visto minhas roupas. "Sem problema, nós estávamos bêbados, como você disse, então apenas guarde isso como uma noitada e siga em frente."

"Mas-"

Eu me abaixo e ignoro o mau hálito matinal e beijo ele de leve nos lábios. "Não se preocupe sobre isso, Harry."

Obviamente, foi a primeira noitada de Harry, visto que seu desconforto parece estar aumentando. "Me deixe pelo menos fazer o café da manhã pra você, ou alguma coisa."

Eu dou de ombros; não é assim que funciona. É esperado que eu saia assim que acordar, mas a idéia de café é muito atraente para a minha dor de cabeça. "Tudo bem , parece bom."

Ele sorri e faz uma careta enquanto sai da cama e vai se vestir – é renovador saber que eu não sou a única a sofrer dos efeitos colaterais da bebida. Nós vamos para a parte inferior da casa e eu evito pensar em como toda esta situação é estranha. Ontem à noite eu estava com meu namorado legal e estável no meu aniversário comendo num bom restaurante... agora eu estou com Harry, o melhor amigo do meu irmão. Não, eu não vou mesmo lidar com isso agora.


Nota do Grupo:

Desculpem a demora por esse segundo capítulo. A primeira tradutora teve um problema e não pode continuar, então outra tradutora teve que pegar o capítulo.

Esperamos realmente que vocês gostem.

Nossos agradecimentos à: miaka, Angelina Michelle, Pat, Pekena Malfoy, Nathoca Malfoy, cecília e Blackberry (a fic que você indicou já está na lista de espera para tradução).

Os Tradutores.