Nada é Tão Ruim que Não Possa Piorar

Empty spaces, what are we living for?

(Espaços vazios, pelo que estamos vivendo?)

Abandoned places, I guess we know the score

(Espaços abandonados, creio que saibamos a pontuação)

On and on, does anybody know what we are looking for?

(Continue e continue, alquém sabe o que estamos procurando?)

Another hero, another mindless crime

(Mais um heroi, mais um crime estúpido)

Behind the curtain, in the pantomime

(Atrás da cortina, na pantomime)

Hold the line, does anybody want to take it anymore?

(Segure a barra, alguém quer continuar com isso?)

- Hiei, quantas vezes vou ter que te explicar? – Perguntou Emma, após chamar um de seus melhores funcionários à sua sala. – Não é porque você é meu melhor funcionário que pode tratar os clientes com estupidez. – O rapaz concordou, embora quisesse revirar os olhos. – Onde já se viu isso? Se uma cliente pergunta onde é o caixa, você não precisa responder que, aparentemente é aquele lugar que está na cara dela, onde todos estão com suas mercadorias e com o dinheiro nas mãos. Essa é a décima vez que você vem à minha sala em um mês.

- Não tenho culpa se...

- Eu sei. Já ouvi isso. – Confirmou Emma. – Sei que você não tem culpa se as pessoas fazem perguntas idiotas, mas preciso que você tenha um pouco mais de paciência. Sei que dar informações não é sua função. Você é o supervisor de todas as franquias. Mas se passar no corredor usando um crachá, é óbvio que as pessoas vão lhe fazer perguntas. Se não quiser responder, é melhor dizer apenas que não sabe. Ok?

- Ok. Vou tentar. – Hiei respondeu suspirando. – Mas o senhor podia parar de me mandar a todas essas lojas. Temos pessoas gerenciando as lojas por um motivo. – Emma respirou fundo mais uma vez. Sempre tinha que fazer isso muitas vezes ao conversar com Hiei.

- Eu sei disso, Hiei. Mas estamos tendo uma queda nas vendas, como já expliquei. Preciso de uma pessoa de confiança para verificar isso e...

- Hm. Já sei de tudo isso. – O rapaz se levantou da cadeira, dando a entender que considerava aquele assunto encerrado. – De qualquer forma, já fui à loja que deveria ir hoje. Pode me dar meu cheque? Preciso descontá-lo. – Emma sacudiu a cabeça. Hiei não tinha jeito. Ele preencheu o cheque e o entregou ao rapaz. – Era só isso ou tem mais alguma reclamação?

The show must go on

(O show deve continuar)

The show must go on, yeah

(O show deve continuar, yeah)

Inside my heart is breaking

(Dentro do meu coração está dilacerado)

My make up may be flaking, but my smile still stays on

(Minha maquiagem pode estar derretendo, mas meu sorriso continua)

- Tenho mais uma sim. – Emma respondeu com um sorriso irônico. – Acho que você poderia sorrir mais. Isso já seria um avanço para acabar com seus problemas. – Hiei deu um sorriso forçado e sarcástico.

- Talvez eu devesse me vestir de palhaço também. Isso atrairia crianças. – Ele falou se dirigindo para a saída com cara de poucos amigos.

- Não me dê idéias, Hiei. – O rapaz saiu da sala e fechou a porta antes que desse mais uma resposta atravessada a seu chefe. Em seguida foi em direção à saída para ir ao banco.

Seu trabalho não era tão ruim. Tinha que ficar num escritório fazendo a contabilidade de uma grande empresa, que tinha várias filiais. Isso até o filho do dono surtar e resolver que não queria mais saber dos negócios da família. O filho do dono sempre ia a todas as filiais uma vez por semana para ficar de olho em tudo, mas com sua partida repentina, esse cargo caíra sobre as costas de Hiei. Ele sabia que isso era um sinal de que o dono da empresa confiava nele, mas odiava esse trabalho. Odiava ter que lidar com inúmeros gerentes e funcionários toda vez que ia a uma das filiais. Recebia a mais por isso, mas para ele não compensava. Lidar com tantas pessoas era cansativo. Ele sempre preferira trabalhar trancado no escritório, justamente para evitar aquilo, mas, aparentemente, o destino tinha outros planos. E a filial a que ele fora naquele dia era uma das piores.

Yusuke, o gerente dessa filial, era extremamente brincalhão e sempre tentava fazê-lo participar de suas brincadeiras. Apesar de Hiei já ter deixado sua opinião bem clara, ele insistia. Por que não podia deixá-lo em paz? E agora seu chefe ainda queria que ele sorrisse, sendo que não havia motivo algum para isso? Era só o que faltava. Queria voltar o mais rápido possível para sua função no escritório.


Whatever happens, I'll leave it all to chance

(O que quer que aconteça, eu deixarei tudo ao encargo do destino)

Another heartache, another failed romance

(Outra dor no peito, outro romance fracassado)

On and on, does anybody know what we are living for?

(Continue e continue, alguém sabe pelo que estamos vivendo?)

I guess I'm learning, I must be warmer now

(Acho que estou aprendendo, devo estar mais quente agora)

I'll soon be turning round the corner now

(Em breve estarei virando ao redor da esquina agora)

Outside the dawn is breaking, but inside in the dark I'm aching to be free

(Lá for a o amanhecer está rompendo, mas no escuro, estou sofrendo para ser livre)

Hiei estava na fila do banco aguardando sua vez; e era uma fila enorme. Se arrependera amargamente de ir até ali logo no dia em que todas as contas estavam vencendo. Odiava ficar muito tempo parado sem fazer nada. Esse tipo de situação só lhe dava a oportunidade de refletir sobre sua vida; e isso não era muito bom.

Ele não gostava do trabalho que estava fazendo agora, mas também não gostava muito de trabalhar fazendo a contabilidade da empresa. Pensara inúmeras vezes em pedir demissão, mas o que faria se saísse dali? Não queria trabalhar com isso, mas tampouco tinha ideia do que gostaria de fazer. Parecia que tudo na sua vida estava errado.

Sua irmã sempre lhe dizia que, talvez, quando encontrasse alguém com quem dividir aqueles problemas, não se sentiria tão mal, mas Hiei achava absurda a ideia de depender de outro ser humano para ficar bem. Ele tinha que aprender a conviver consigo mesmo, sem a ajuda de ninguém, afinal não era sempre que podíamos contar com outra pessoa para nos ajudar.

My soul is painted like the wings of butterflies

(Minha alma está pintada com as asas das borboletas)

Fairytales of yesterday will grow, but never die

(Os contos de fadas de ontem crescerão, mas nunca morrerão)

I can fly, my friends

(Eu posso voar, meus amigos)

Hiei suspirou novamente e notou que vinha fazendo isso com cada vez mais frequência. Talvez estivesse particularmente mais mal humorado naquele dia por ter lidado com Yusuke. Yusuke era alegre demais, espontâneo demais, vivo demais. E um comportamento assim ao lado do seu, era destoante. Era quase obsceno. Seu chefe tinha que arrumar logo alguém para ocupar a função de seu filho. Tudo ficaria melhor quando ele não tivesse que lidar mais com pessoas como Yusuke.

Finalmente sua vez chegara. Ele entregou o cheque à caixa junto com sua identidade. A jovem analisou os dois e após alguns segundos disse:

- Desculpe, senhor Hiei, mas parece que a pessoa que preencheu esse cheque, escreveu seu nome errado. – O rapaz olhou para ela incrédulo.

- O quê? – Ele pegou o cheque e de fato Emma havia escrito seu nome como "Jaganchi" e não "Jaganshi". – Não posso sacar mesmo assim? Está claro que se trata de mim.

- Sinto muito. Não posso fazer isso. São as normas do banco. – Hiei assentiu e saiu do banco furioso. Ficara naquela fila por mais de uma hora e por culpa de um erro de Emma teria que sacar seu cheque no dia seguinte. Aquele dia estava cada vez pior.

The show must go on, yeah

(O show deve continuar, yeah)

The show must go on, I'll face it with a grin

(O show deve continuar, encararei com um sorriso amarelo)

I'm never giving in, on with the show

(Eu nunca vou me entregar, continue com o show)

Ooh, I'll top the bill, I'll overkill

(Oh, serei o protagonista, eu dizimarei)

I have to find the will to carry on the show

(Preciso encontrar a vontade para seguir adiante com o show)

[The Show Must Go On – Queen]

Início e Término: 21/02/2017.