Notas da autora: Desculpem pela demora, é que eu estava sem net...mas agora finalmente o cap. 2 da minha mais nova fic/o/ obrigada mais uma vez pelos reviews, e luhiei...é aqui que o Hiei aparece XD agora chega de papo, vamos à fic.
II
Perdidos em nós mesmos
Sarayashiki, duas semanas depois.
Um jovem de cabelos ruivos descia uma rua, aparentemente despreocupado com o mundo à sua volta. Voltava da firma do padrasto, onde estava trabalhando agora. No meio do caminho, um barulho chamou sua atenção.
Kurama virou-se imediatamente para a direção em que ouvira as folhas de uma árvore se mexerem. Não fora só o barulho, ele havia sentido... uma sensação que não tinha havia mais ou menos três anos. Um youki... mas não um youki qualquer... um youki conhecido...
"Hiei..."
Mas a sensação durara apenas um décimo de segundo. Logo depois, um pássaro levantou vôo da árvore. Suspirou. Mais um alarme falso. Continuou seu caminho, agora não tão despreocupado. Nós últimos anos, ele tentara, em vão, afastar seus pensamentos daquele demônio de fogo que derretera seu coração desde a primeira vez que se encontraram...
Desde o começo, Kurama escondera isso dos outros. Já tinha a amizade do koorime, e, se tratando de Hiei, ele podia se considerar privilegiado. Era verdade que às vezes ele dava algumas indiretas, esperando que ele compreendesse... mas ele sempre se mostrava indiferente. Ele não tinha mesmo muitas esperanças de ser correspondido; se falasse em amor, provavelmente ele o perderia para sempre. Tinha sido até fácil no começo, quando ele sabia que, não importa o que acontecesse, Hiei estaria ali. Afinal, eles eram parceiros de luta. Mas as lutas acabaram. O ruivo sentia-se totalmente vazio por dentro. Quando pensava que poderia não ver mais Hiei dali por diante, sentia um súbito e infantil desejo de se trancar no quarto e chorar. Felizmente, o desejo era passageiro...
"I can tell you one thing
We're not better on our own
I'm tired of running from my feelings
Are you listening?
(…)
Won't go saying that you're OK
When you're lonely
(…)
And I won't go saying that we're OK when we're
Lost without each other
'Cause we're lost without each other"
(Lost Without Each Other – Hanson)
Não muito longe dali, um koorime se escondia entre as árvores. Tinha a respiração desigual. K'so! Estava ficando cada vez mais difícil observar aquela raposa de longe sem que fosse notado... e mais difícil ainda era só observar... mas era só isso que ele podia fazer. Ele nunca ia admitir o que sentia por Kurama. Nunca. Não era só o seu orgulho que estava em jogo, mas ele simplesmente não conseguia conceber que ele, Hiei, o Jaganshi, que qualquer um poderia jurar que não tinha coração, que não dava a mínima para ninguém que não fosse ele mesmo, que não conhecia o significado da palavra "amor"... Pudesse sentir algo semelhante por alguém!
Logo que conhecera Kurama já sentira que ele possuía algo de diferente dos outros. Ele era diferente. Ele era especial. Percebeu assim que os seus olhos se cruzaram com aqueles olhos verde-esmeralda pela primeira vez. A princípio, ele não entendera ao certo o que era, então apenas ignorou. Mas sem perceber, foi se tornando cada vez mais próximo do kitsune, confiando-lhe segredos que nunca antes mencionara a ninguém. Confiava mais nele do que em si próprio. Lentamente, ele foi percebendo que isso era mais do que uma confiança. Era... amizade? Sim, eles eram amigos, mas não era só isso... ele sentia por Kurama um tipo de... fascínio? Kurama era realmente fascinante... possuía uma aura capaz de enfeitiçar qualquer coração desprevenido. Mas nos últimos dias, esse fascínio estava se tornando quase insuportável. Não conseguia olhar Kurama passando, sem reparar nos cabelos ruivos dele esvoaçando, tão displicentes, imaginando se teriam o cheiro de rosas que ele sempre pensou terem... nas raras ocasiões em que o vira sorrindo de longe, o simples movimento dos lábios do ruivo o hipnotizava, e ele ficava imaginando qual seria o gosto daqueles lábios... aquilo já estava deixando de ser fascínio... estava virando obsessão... estava virando...
"NÃO!", uma voz gritou-lhe nos pensamentos. Raposa maldita! Por que fora fazer aquilo com ele? Por que ele ficara tão confuso de repente, invadido por todos esses pensamentos estranhos? Logo ele... que era apenas... a criança impura... que nascera num lugar a que não pertencia, cercado por pessoas que não o compreendiam.
"Já chega", repetiu a voz. "Eu vou voltar para casa".
A menção da palavra "casa" era estranha para ele. Referia-se, é claro, ao Makai, mas mesmo assim algo continuava estranho. Esquecendo-se disso por um momento, ou pelo menos tentando, ele se virou, dando um salto da árvore onde estava e indo na direção de onde sabia existir um portal.
"Mas o que é isso?"
Ao aproximar-se do portal, três silhuetas escuras se recortavam contra a luz do poente. Ele já tinha visto aquelas silhuetas antes. Mas não podia ser... podia?
Você é Hiei? – disse o do meio, o mais alto.
O que é que vocês querem? – resmungou, no tom habitual. Os mensageiros de Mukuro, pensou ele. O que será que querem dessa vez?
A mesma coisa de antes. Trazer uma mensagem.
Hn. Não diga. Falem logo. – Eu não devo mais nada pra aquela mulher, pensou ele novamente, com desprezo. Por que ela insiste tanto em me procurar?
Mukuro-sama exige sua presençapara uma audiência urgente. Deve ir o mais rápido que puder para o Makai, acompanhado de Yusuke e Kurama.
Hn. Audiência, é? E para quê?
- Vai acontecer um novo torneio no Makai.
