Dia 2 – Itachi Uchiha

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Num dos poucos momentos livres de sua vida, Itachi estudava um jutsu experimental cujos pergaminhos havia roubado do então intitulado Tobi. Tratava-se de uma técnica que permitiria viajar no tempo, mas mesmo com toda a genialidade Uchiha, o jutsu consumia muito chakra, permitindo ficar apenas alguns minutos no passado ou no futuro.

Ele estava a algum tempo com esses pergaminhos e apesar da técnica consumir muito tempo e energia, queria concluí-la antes de ter o último encontro com seu irmão.

Mesmo cansado devido a sua doença, faria uma tentativa. Queria ver o futuro pelo qual tanto lutou, mas acima de tudo queria saber como seu irmão se sairia sem ele, se Naruto conseguiria cumprir sua promessa. Realizou a sequência de selos torcendo para que desse certo dessa vez, desejou com todo seu coração de que essa tentativa lhe desse um pouco de paz.

Quando abriu os olhos após realizar o jutsu, ofegou pelo cansaço. Sabia que tinha pouco tempo para descobrir o que queria, mas não fazia ideia de onde estava. Considerou que não poderia sair andando pela vila, mas lhe restava pouco chakra para tentar qualquer disfarce.

Olhou ao seu redor e viu que estava num quarto de criança, contudo, mesmo tendo vivido a vida que viveu, nada o preparou para isso. Em cima de uma cômoda havia um porta-retrato onde Sasuke estava ao lado de sua nova família. A emoção que o atingiu quase o fez perder os sentidos. Seu irmãozinho era feliz apesar de toda a dor e ódio que ele causou. Um coração puro e bom, manchando pela tragédia e pelo ódio, havia enfim encontrado uma razão para sorrir.

Seu pequeno Sasuke tinha se casado com a menina de cabelo rosa, que agora era uma linda mulher. Entre eles, uma menina que tinha herdado todos os traços marcantes dos Uchihas.

Não sabia seu nome, mas era como se amasse a menina por toda uma vida, sua preciosa sobrinha.

Itachi tentou colocar os pensamentos no lugar no meio do mar de emoções a que estava imerso. Porém seu único desejo era saber o nome da menina, filha de seu irmão e a maior prova de que todos os esforços foram recompensados e todo o ódio no coração de Sasuke havia sido exorcizado.

Como que atendendo suas preces, uma voz sonolenta o trouxe para aquela realidade inacreditável que estava vivendo.

"Papa?"

Ela estava ali o tempo todo, a razão de sua maior felicidade, bem ao seu alcance. Parecia que Kami havia lhe concedido uma moratória antes de mandá-lo para seu lugar reservado no inferno.

Se sentou na cama na menina sem saber se seu coração aguentaria sentimentos tão poderosos.

"Meu nome é Itachi, eu sou irmão do seu pai. Qual o seu nome?"

"Sarada" ela respondeu grogue de sono, e ele estava grato que ela se lembrasse desse momento apenas como um sonho. Não influenciaria mais o futuro de ninguém.

"Me conta uma história de quando o papai era pequeno?"

Itachi daria tudo a seu alcance para ter mais alguns momentos com a sobrinha e poder contar todas as histórias que ela quisesse. Mas sabia que seu momento de partir havia chegado, seus limites de chakra estavam quase no fim e seu corpo debilitado dava sinais de seu eminente colapso. Olhou mais uma vez para o rosto angelical certo de que seria uma das lembranças mais doces de sua existência sofrida.

Tocou dois dedos na testa da garota, o gesto maior de amor entre os Uchihas. Mesmo entorpecida, Sarada sentia que aquela era uma despedida.

"Você vai voltar titio?"

"Desculpe Sarada, não vai ter uma próxima vez".

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Beta Carol Moura