Capítulo 2
Explosão
A dor que o punho dela causou reverberou por todo o corpo de James. Ele gemeu de dor, mas agiu rápido o bastante para impedir que ela lhe desferisse outro soco. Forçou seu corpo contra o dela e trocou de lugar, assumindo a posição dominante. Ana-Lucia se debateu debaixo dele, esperneando e grunhindo. Estava enraivecida.
- Para!- ele gritou. – Policial! Por que está fazendo isso?
James fitou os olhos negros zangados dela e viu que estavam rasos de lágrimas. Os lábios dela tremiam. As respirações de ambos estavam entrecortadas. Ele levantou a franja do cabelo dela e tocou com cuidado sua testa. Viu que tinha um arranhão do lado esquerdo. Franziu o cenho. Não se lembrava dela estar machucada quando a prendera e também tinha certeza de que não a machucara quando se defendeu do segundo soco que ela estava preparada para desferir contra ele.
- Está tudo bem.- disse James com a voz suave. – Você precisa se acalmar.
Ela piscou os olhos tentando afastar as lágrimas.
- O que os prisioneiros significam pra você? Por que os deixou escapar?
Ana não respondeu. Apenas virou o rosto para o lado. A arma dele ainda estava presa no coldre e a dela também.
- Só me leva pra delegacia.- ela pediu depois de alguns segundos que eles ficaram em silêncio.
- Mas eu nem sei o seu nome...policial?- James murmurou.
- Cortez.- ela respondeu.
"Cortez.O sobrenome dela era Cortez."
A voz de um homem invadiu a mente dele por milisegundos logo após ela lhe dizer seu sobrenome.
- Cortez?- ele repetiu.
- Ana-Lucia Cortez.- ela disse, baixinho.
James sentiu seu corpo ser invadido por um inexplicável torpor.
"Ana-Lucia...Ana-Lucia...Ana-Lucia..."- sua mente repetia.
As mãos dela seguraram-lhe o rosto. Imagens distorcidas dela realizando aquele mesmo gesto passaram diante dos olhos de James e então ele soube o que estava por vir e antes que Ana o fizesse, ele o fez. Tomou seus lábios com uma paixão que ele nunca sentira antes. E ela correspondeu sem pestanejar. Eles se beijaram e se abraçaram por um longo momento até que o telefone celular de James tocou estridente. Quando Ana-Lucia o emboscara por trás, o aparelho fora desligado abruptamente cortando a ligação dele com Miles.
Ele encostou sua testa na dela.
- Não, eu não quero atender...não...eu não acredito que isso está acontecendo...
- Detetive...- Ana murmurou.
- Ana-Lucia, como é que pode...você mo...
- Detetive, você acharia estranho se eu dissesse que preciso transar com o senhor agora?
James respirou pesado e beijou-lhe a boca mais uma vez. O telefone não parava de tocar. Ele se levantou de cima dela e agarrou o aparelho. Ana sentou-se no tapete tentando entender aquela loucura que tinha lhe acometido.
- Eu não sei o que está acontecendo comigo.- ela disse tentando se desculpar.
- Eu sei.- ele disse antes de atender o telefone e dizer rapidamente: - Falo contigo depois.
Ele desligou o celular e o jogou de lado. Os olhos dela a miravam famintos.
- Você sabe?- ela retrucou.
James assentiu e a tomou nos braços, carregando-a para o seu quarto. O envelope com os vinte e cinco mil dólares ficou jogado no chão.
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Miles colocou o telefone de lado. James tinha acabado de desligar na cara dele.
- Porra, James!- exclamou.
Uma mulher loira, alta, usando um vestido preto longo muito elegante tocou o ombro dele de repente.
- Está tudo bem?- ela perguntou.
- Oh sim, tudo bem.- Miles respondeu. – Ele vai se atrasar um pouco e pediu pra gente ir na frente.
- Ok.- disse ela. Vamos então?
- Vamos sim, Juliet.- disse Miles oferecendo o braço a ela.
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Trilha Sonora: Drunk in love by Beyoncé.
Ana-Lucia sabia que não havia uma explicação plausível para o que estava acontecendo, mas não conseguia parar a si mesma. Ele a levara para o seu quarto e ela não dissera não. Naquele momento James ainda a tinha em seu colo, segurando-a pelo bumbum enquanto Ana-Lucia enganchava suas pernas ao redor do quadril dele e o beijava freneticamente.
Ela já tinha ouvido falar muitas vezes do detetive James Ford, mas nunca o tinha encontrado pessoalmente. Sim, era verdade que ela tinha falsificado a sua assinatura para libertar os prisioneiros, mas ela não esperava que eles fossem se encontrar dessa maneira e muito menos esperava sentir tanta raiva dele. Raiva essa que de um minuto para o outro se tornou paixão, desejo incontrolável que ele correspondia na mesma intensidade. Quando tudo aquilo acabasse ele provavelmente a levaria para a cadeia, mas naquele minuto ela não se importava com absolutamente nada.
- Eu te quis tanto...- murmurou ele. – Te quis de volta!
- Do que o senhor está falando?- ela indagou, ainda sem entender as palavras dele.
- Não importa.- ele disse.
James a colocou no chão quando eles chegaram na cama. Eles ficaram frente a frente. Ele retirou sua arma do coldre e a colocou no chão. Ana-Lucia fez o mesmo com a arma dela. Ele então soltou os grampos que prendiam o cabelo dela em um coque. Uma cascata negra e macia deslizou-lhe pelas costas. A franja cobriu-lhe o rosto. Ele não se lembrava dela usando franja antes e também não se lembrava que o cabelo dela fosse tão comprido.
- Você é tão linda!- ele disse com um suspiro, cheirando os cabelos dela.
- Detetive, o senhor fala demais!- disse Ana, começando a abrir os botões da camisa dele depressa. James fez o mesmo nos botões do uniforme dela. Ela usava uma camisa branca por baixo da jaqueta de policial. Ele a retirou depressa revelando o sutiã preto de renda que ela usava. James a beijou novamente. Ela aninhou-se no peito forte dele e ele a deitou devagar na cama antes de começar a beijar-lhe o pescoço, entre os seios e descer para a barriga até desabotoar as calças dela. Puxou o zíper pra baixo e desceu as calças pelas pernas dela deixando-a somente de lingerie.
- James, não posso esperar mais.- ela disse sem conseguir conter a excitação que a tomava.
Ele gostou de ouvir o nome dele nos lábios dela. Ela nunca soube que seu nome era James. Não tinham tido tempo para isso. James tirou as próprias calças e Ana abaixou-lhe a cueca boxer de imediato enquanto acariciava o pênis dele a medida em que sua nudez se revelava para ela. Ele a empurrou de volta na cama. Ana retirou o sutiã e deixou que ele se regozijasse com seus seios, tocando-os e beijando-os. Ele a virou de costas para ele e beijou-lhe ao longo da coluna, descendo para o bumbum e beijando-o. O dedo dele roçou na renda da calcinha dela e com cuidado ele afastou o tecido, sentindo o cheiro da excitação dela antes de penetrar um dedo em seu recanto macio e úmido. Ana gemeu. James abaixou-se e tocou-lhe o sexo com a ponta de sua língua. Ela gemeu mais alto.
Ele puxou a calcinha dela para baixo livrando-a da peça. Virou-a de frente e a degustou com vontade. Ana ergueu os braços na cama, tocando a ponta dos travesseiros com seus dedos. Tinha os olhos fechados desfrutando do doce prazer que o detetive lhe proporcionava.
- Ay!- ela sussurrou algumas vezes sentindo seu interior pulsar.
James a lambeu vagarosamente, sugando em pontos delicados da pele dela, do sexo dela. Ela gritou quando o orgasmo a atingiu em cheio, espalhando-se por todo o seu corpo.
- Eu devo estar sonhando... – ele sussurrou. – Por favor, morena, não me deixa acordar...
Por fim, ele deitou-se sobre o corpo dela, erguendo-se sobre ela e penetrando-a devagar. Ana ergueu as pernas para cima enlaçando-o pelo quadril.
- Eu esperei muito por isso...- disse ele.
- Eu também.- respondeu ela. – Só não sabia que estava esperando por você.
Ele se empurrou com mais força para dentro dela enquanto Ana o puxava cada vez mais para perto envolvendo seus braços ao redor do pescoço dele. Imagens dela caminhando pela beira da praia, o olhar triste, os cabelos ao vento passavam pela mente dele, assim como frases que eles tinham dito um ao outro num tempo distante, numa outra vida.
"Não quer o meu telefone?"... "Se você contar isso pra alguém eu te mato!..." "Se eu te disser pra pular o que você me diz?..." "Você primeiro!"
- Ahhhhhh.- ela gemeu longamente quando sentiu uma nova onda de prazer invadir seu corpo provocada pelos movimentos incessantes de James dentro dela.
- Ana-Lucia!- ele gemeu o nome dela quando alcançou o clímax, derramando-se dentro do corpo feminino quente e acolhedor.
Quando tudo acabou eles permaneceram na mesma posição ainda saboreando a sensação de serem um só naquele momento, ambos com a respiração entrecortada.
- Ainda estou presa?- ela indagou.
- Pode apostar.- ele respondeu e em seguida sorriu para ela. Ana sorriu também.
James rolou para o lado, deixando o interior do corpo dela. Puxou os lençóis sobre eles e a envolveu num abraço.
- O que tem no envelope?- perguntou a ela.
- Dinheiro.- ela respondeu com sinceridade.
Ele deu um beijinho nos lábios dela e sussurrou: - Acho que estou apaixonado.
- Eu te soquei no rosto, detetive.- Ana disse tocando o rosto dele que não tinha ficado inchado com o soco dela.
Ele olhou profundamente nos olhos dela.
- Eu ainda preciso ir àquele compromisso, mas você vai ficar aqui até eu voltar.
- Sem algemas?
- Sim, sem algemas.- ele prometeu. – Vou te dar um voto de confiança, Analulu.
Ela riu baixinho.
- Nunca ninguém me chamou assim.
Não demorou muito e ela caiu num sono profundo. James aproveitou para levantar-se. Embora não quisesse deixá-la, ele precisava falar com Miles e perguntar ao amigo se ele também se lembrava. Se ele se lembrava da ilha.
Ele tomou um banho rápido e vestiu seu smoking. Porém quando estava saindo do quarto, ele a ouvir dizer em seu sono: - Sawyer...
Continua...
