Capítulo 1- Forks
A estrada estava escura, sendo iluminada apenas pelos faróis do meu carro. A chuva torrencial dificultava ainda mais a minha visão. Eu realmente deveria estar louca por estar passando as minhas "férias forçadas" dentro do meu carro, rumo a Seattle. Mais uma prova de que a razão havia abandonado o meu ser. Quem em sã consciência, estando de férias, iria atrás de uma
matéria como aquela? Eu não acreditava que eu havia deixado as emoções tomarem conta do meu corpo. Pior. Eu havia deixado que o comportamento daquele fazendeiro idiota me influenciasse drasticamente. Suspirei. Eu não queria vê-lo. Aquele mês que passei em Star City não havia sido suficiente para que eu me recuperasse. O corte havia sido profundo. Mais uma vez Lois Joanne Lane havia baixado a sua guarda para constatar o que sempre soube: Não havia nascido para amar. Uma lágrima teimosa desceu pelo meu rosto. Mas eu a ignorei, e era forte e não deixaria me abalar por aquele par de olhos azuis.
A chuva não parava de cair, e o meu carro já estava dando os primeiros sinais de que me deixaria na mão. Olhei para a placa na estrada, que apontava a saída para a cidade.
Finalmente civilização! Comemorei em meus pensamentos.
Segui a direção apontada pela placa. Não demorou muito até eu chegar à cidadezinha, mas com certeza teria sido mais rápido caso meu carro estivesse colaborando. Seriam só mais alguns metros até que ele resolvesse me deixar na mão de vez. Pelo menos ele parou a uma distância mínima da delegacia. Saí correndo do meu carro. A chuva não havia diminuído nem um pouco, o que me fez ficar completamente encharcada. Entrei na delegacia e avistei um homem em pé. Não era nem alto, nem baixo. Tinha a pele branca e os cabelos e olhos castanho-escuros.
-Boa noite, sou o Chefe Swan, em que posso ajudá-la?- ele sorriu profissionalmente.
-Boa noite, eu estava na estrada e meu carro começou a demonstrar problemas, daí decidi pegar a saída para a cidade e aqui estou.- falei sorrindo da mesma maneira.
-Pelo menos a senhorita conseguiu chegar até aqui.
-O senhor poderia me dizer onde fica o hotel da cidade?- Aquela cidade deveria ter um hotel, né? Se até Smallville tem um.
-Fica perto da Forks High School, mas temo que ele esteja fechado para reformas. Sinto muito, mas é que não estamos acostumados a receber visitantes. - Ótimo, era só o que me faltava, meu carro morrer justamente em uma cidade sem um hotel.
-Há outro lugar onde eu possa ficar?- perguntei totalmente sem esperanças.
-A cidade mais próxima fica há umas três horas de carro. - Definitivamente a maré de azar estava ao meu lado. Acho que acabei de comprovar que aquela maldita Lei de Murphy é verídica.
-Ótimo!- exclamei irritada, o que fez o tal chefe Swan me olhar espantado.
-Não me leve a mal, senhorita... - ele começou receoso.
-Lane, Lois Lane.
-Senhorita Lane, eu não costumo fazer esse tipo de coisa, mas a senhorita parece ser uma boa pessoa e está bastante desesperada. Eu moro com a minha filha, e se a senhorita aceitar seria um prazer tê-la conosco. - Eu me surpreendi com aquele convite. Mas acho que já se podia esperar isso de uma cidade que tem menos de cinco mil habitantes. Isso deveria ser o que eu via diariamente em Metropolis.
-Eu acho que eu não estou em condições de rejeitar nada. Obrigada, Chefe Swan- Sorri realmente agradecida diante à tamanha hospitalidade.
Esperei até que o chefe Swan, que logo depois descobri que se chamava Charlie, terminar o seu trabalho e o acompanhei até a sua viatura. Diferente da última vez que andei em uma viatura, dessa vez eu estava no banco do carona
-Então, de onde a senhorita é?- Charlie me perguntou. Ele não devia ser muito de conversar, pois dava para ver que ele se esforçava para manter alguma conversa.
-Metropolis, Kansas. - respondi enquanto olhava a paisagem. Mesmo no escuro, tudo o que eu conseguia enxergar era verde, verde e verde.
-E o que te traz a Forks?- Ótimo, por que será que eu estava me sentindo em um interrogatório?
-Na verdade eu estava à caminho de Seattle, mas o meu carro decidiu frustrar os meus planos. - Respondi o mais objetivo possível. Eu esperava que ele se contentasse com aquilo. Eu não podia dar as reais razões para a minha ida até a Seattle.
-Isso pode ser uma coisa boa, afinal Seattle está muito perigosa nessas últimas semanas. - Forcei um sorriso, fingindo concordar com ele.
Charlie parou sua viatura em frente a sua casa. Eu imediatamente desci do carro para ajudá-lo com as minhas malas. Ele abriu a porta da casa e eu o acompanhei.
-Bella- Charlie gritou quando entrava na casa.
-Oi pai. - respondeu uma menina no topo da escada. Cabelos e lhos castanhos, e uma pele branca, quase pálida. Aparentava ter dezessete, no máximo dezoito anos.
-Bella, essa é a senhorita Lane, ela vai ficar conosco essa semana. - A garota sorriu timidamente, e desceu as escadas, vindo em minha direção.
-Oi, eu sou Bella Swan- ela falou me estendendo a mão.
-Lois Lane. - respondi, apertando a mão que ela estendera.
-Lois Lane? Do Planeta Diário?- Ela perguntou surpresa e... um pouco animada? Alguém me conhecia nesse fim de mundo?
-Culpada- respondi levantando as mãos em sinal de rendição.
-Nossa sou sua fã. Mas então, o que faz em Forks? Tem alguma grande matéria acontecendo por aqui?- Ela perguntava animada.
Ela era um pouco mais sociável que o pai, o que definitivamente tornaria a convivência mais fácil.
-Na verdade eu estava a caminho de Seattle, mas meu carro quebrou, então terei que ficar aqui por um tempo. - Dei para ela a mesma resposta que tinha dado ao seu pai minutos atrás.
-Eu não quero parecer intrometida, mas o que você iria fazer em Seattle?- Pelo visto, ela era mais curiosa que Charlie. Aparentemente eu não teria escolha a não ser revelar a minha razão de ir para lá.
-Bem, meu chefe me colocou para investigar a onde de assassinatos que está ocorrendo lá. - Tomei cuidado ao omitir a parte que eu estava ali de férias tentando investigar uma das maiores ondas de assassinato que esse país já teve.
Ela me olhava assustada, e o clima rapidamente ficou tenso. Eu não sei explicar, mas era como se ela soubesse de alguma coisa. O clima só foi quebrado pelo telefone que tocou, fazendo com que Bella fosse correndo atender.
-Alô... Oi Edward....Sim, está tudo bem! Não precisa se preocupar. Ok, divirta-se. Aviso sim. Mande um beijo para a Alice... Também te amo, tchau.- ela falava com o namorado, eu supunha.
-Ele não vem?- Charlie perguntou com um sorriso satisfeito no rosto.
-Não pai, o Edward vai acampar com a família nesse fim de semana. - ela respondeu, demonstrando claramente sua irritação pela reação do seu pai. Acho que chefes policiais e generais tinham bastante coisa em comum.
-Nessa chuva?- ele perguntou desacreditado.
-Segundo ele a previsão do tempo disse que vai fazer sol, quem sou eu para discutir?- ela respondeu com um sorriso que eu não entendi. Era como se eu tivesse perdido uma piada.
-Já que você vai estar longe do seu namorado, você pode aproveitar o fim-de-semana e amostrar a cidade para a Lois. -Charlie dava uma bronca nela. Eu estava prestes a falar que não precisava se incomodar, mas Bella logo começou a falar.
-Pai, conhecer Forks não dura nem metade de um dia. Mas com certeza eu e a Lois acharemos coisas bem interessantes para fazer. - ela sorriu amigavelmente e foi em direção à cozinha.
Após uma pequena discussão com os membros da casa sobre onde eu iria dormir, fui para o sofá que ficava na sala. Eu não achava justo que eles deixassem o conforto de suas camas por causa de uma desconhecida como eu.
O som da chuva foi a última coisa que eu ouvi a ao dormir, e a primeira que escutei ao acordar. Eu podia ouvir passos pela casa, parecia que os hábitos de cidade pequena eram sempre os mesmos. Fui em direção ao banheiro que ficava no segundo andar.
Escovei os meus dentes e entrei no box para tomar meu banho. Quando a água morna entrou em contato com a minha pele, eu relaxei. De alguma forma, eu me sentia bem ali, me sentia segura. Em meio àquele momento de paz, minha mente me traíra mais uma vez. E eu não pude deter as memórias, que agora ocupavam a minha mente
[Flashback]
Ele olhava profundamente nos meus olhos. De alguma forma, aquilo havia me dado coragem. Ignorei os alertas que minha mente me dava. Eu não tinha o que temer. Aquele parecia ser o momento certo para que eu tirasse a máscara da amiga sarcástica, e colocar a da mulher apaixonada. Fui me aproximando devagar, dando tempo suficiente para ele se afastar, coisa que ele não o fez. Ao contrário, ele completou o caminho, até que seus lábios estavam à milímetros dos meus.
-Eu não acredito!- Chloe exclamou, e acabou nos despertando do nosso momento. Olhamos na mesma direção para onde ela olhava, e eu não acreditei no que eu vi. Lana Lang. Aquele fantasma não podia ressurgir numa hora mais inoportuna. Ela abraçou Chloe, mas os seus olhos não desgrudavam dos de Clark, nem os dele dos dela. Aquela era a minha deixa. Eu não iria competir com aquilo.
Não que eu não pudesse vencer, mas a questão não era essa. Eu não queria ter que correr atrás do amor dele, ou ter as sobras dele, enquanto as feridas deixadas pela Lana ainda cicatrizavam. Eu o queria, por completo, mas ainda não era a hora. Essa hora nunca chegaria para mim. O amor deles era o tipo de amor que terminaria com um final feliz. Pobre de quem ficasse à espreita, esperando um milagre.
Segui meu caminho para a varanda da casa, mas sem antes deixar de pegar uma garrafa de champangne da bandeja de um dos garçons que passava. Me sentei no banco, esperando ficar sozinha, mas Oliver apareceu.
-Não quer um copo?- ele perguntou enquanto eu bebia o chanpangne direto da garrafa
-Oliver, a pessoa que eu mais queria ver. - comentei sarcástica. Sinceramente, ver o meu ex-namorado naquela hora era o que eu menos precisava naquele momento.
-Quer me contar quando começou esse fim de semana perdido?- ele perguntou, num meio sorriso, enquanto se sentava perto de mim.
-Vá desfrutar a festa. Confie em mim, não se divertirá com o meu comportamento idiota
-Provavelmente está certa. Você sabe... Posso não estar no topo da sua lista, mas se quiser conversar estou aqui.-ele pareceu sincero em sua oferta, mas eu não estava muito disposta a aceitá-la.
-Estou sentindo umas coisas que eu não sei o que significam- Achei que aquilo seria o suficiente para ele me deixar em paz, mas pareceram surtir o efeito contrário.
-Quem é o sortudo?
-Ter essa conversa com o ex já é ruim o bastante sem falar que é constrangedor. - Ainda mais quando o ex é amigo do cara por quem você está sentindo tais coisas, completei mentalmente.
-Você sabe que há o momento de superação teórico, e que há o momento no qual acontece de verdade. Se quiser a gente pode começar agora e podemos ser amigos.- E sabia que não haveria escapatória, principalmente quando ele usava aquele sorriso comigo.
-Certo. -Me dei por vencida, e as palavras começaram a sair da minha boca.- É como se os sentimentos tivessem aparecido de repente. E eu tentei ignorar, mas tem esses momentos nos quais você não pode. Talvez estivesse errada. Para piorar, tudo aconteceu numa noite româ que parece idiota, mas pensei que por um minuto, que alguém precisava de mim.- Falei com lágrimas nos olhos, me esforçando ao máximo para que elas não caíssem. Oliver ainda tinha o poder de me desarmar, mas agora de um jeito diferente.
-Tenho certeza que ele precisa- ele falou reconfortante.
-É gentileza sua dizer, mas como você sabe?- perguntei duvidando dele.
-Por que eu conheço o Clark. - Ele sorriu, e eu esbocei um tímido sorriso. Aquilo era tão óbvio assim? Será que eu expunha tão amplamente o quê eu mais me esforçava em esconder? Ser era tão claro assim, por que ele nunca notou? Obviamente, ele não me queria. Mas então, por que ele quase me beijou? De repente ele era mais lerdo do que eu imaginava.
[Fim do Flashback]
Meu coração se apertava com as lembranças. Fazia um mês que eu não via os seus olhos azuis ou o seu sorriso que me deixavam tonta. Mas eu precisava me afastar e me recompor. Precisava ser a Lois Lane destemida, forte o suficiente para não desmoronar na frente dele. Por que eu vivia pensando nele?
-Caipira idiota- esbravejei enquanto saía do chuveiro.
