N/a: Well, aqui está o primeiro capítulo. Já descobriram com quem Lils é casada? rs Espero reviews e desculpa pela demora pra postar. O próximo provavelmente será demorado também. rs
E obrigada a Thaty pelo review. :D
/ Harry Potter é uma obra genial da tia Jô, não minha /
~ Amor Eterno ~
Capítulo Um
- Tenha um bom dia, querido. - disse a ruiva com um sorriso amável ao deixar o próprio filho na porta da escola. Este lhe dera um beijo estalado nas bochechas e saíra correndo para encontrar os amiguinhos que o esperavam.
Sorriu tristemente ao perceber quão parecido com ele o filho era. Tinha os mesmos cabelos desgrenhados, o mesmo sorriso maroto e o mesmo problema de visão que o obrigava a usar óculos desde pequeno. Já se faziam aproximadamente seis anos desde aquele dia que dissera sim ao homem que ainda era seu marido.
Enquanto dirigia pensava na vida, assim como fazia todos os dias. O trânsito da cidade era um tanto quanto cheio naquele horário, o que a permitia refletir ainda mais. Tinha uma boa vida. O filho era seu bem mais precioso e ela vivia para ele. Tinha um bom marido, que a tratava com respeito e a amava acima de tudo, além de ele ter a amparado no momento em que mais precisou. Sem ele, provavelmente Lilian não saberia o que teria feito. Apesar de não ter uma vida repleta de luxo, não tinha muito o que reclamar: nunca lhe faltara nada para sobreviver. Sua mãe a visitava sempre e ambas ficavam conversando durante horas. Possuía grandes amigos que a faziam sentir-se bem com suas conversas irreverentes e divertidas. E bem, ela até tinha um cachorro que era um pouco engraçadinho.
Era aniversário de seu filho. A condição financeira não era das melhores, mas ela e seu marido faziam questão de comemorar com os familiares e amigos íntimos com apenas uma confraternização em sua própria casa. E exatamente por isso que agora encaminhava-se para a vendinha onde sempre comprava condimentos com ótimos preços. Faria algo simples, apenas para que a data não passasse em branco. Harry, o filho, sentiria-se feliz com a presença dos amiguinhos e parentes mais próximos. Aliás, ele não ligava muito se não tinha todas as parafernálias eletrônicas que os demais coleguinhas possuíam. Nunca reclamara de não viver em uma situação financeira tão favorável quanto os demais. Era uma boa criança.
Lilian estacionou com cuidado o velho carro próximo ao meio-fio. Vivia dizendo ao marido que a qualquer hora aquele carro pararia de funcionar e a deixaria na mão, parada no meio da estrada, numa noite escura. Ele sabia que ela tinha razão, mas nada podia fazer. Seu emprego como professor não lhe rendia um grande salário. Se fosse promovido ao cargo dentro da escola que sempre almejara, seu salário provavelmente seria maior, mas para isso era preciso que o atual ocupante do cargo o abandonasse. E era meio difícil acreditar que a vaga ficaria desocupada tão cedo.
Desceu do carro, ouvindo o ranger da porta quando foi aberta e fechada. Em outra época até sentiria vergonha daquela porta barulhenta que fazia com que todos parassem para olhar. Mas não ligava mais para o que as pessoas achavam de suas coisas e seus atos. Cada um que ficasse no seu canto com suas próprias opiniões sobre o mundo e os outros.
Lilian Evans era, definitivamente, alguém que chamava atenção na multidão. E o principal motivo era o cabelo acaju gritante que sempre fizera com que a mulher fosse facilmente destacada entre os demais e que, obviamente, lhe rendera inúmeros apelidos antigamente. Quando mais nova eram ondulados, mas no atual presente escorriam lisos até a metade das costas, aproximadamente. Usava um jeans desbotado e justo, assim como um par de all-star branco e uma camiseta preta dizendo que amava os Beatles. Em geral, sempre andava assim, fazendo com que parecesse mais uma adolescente do que uma mulher já formada com um filho e um marido. Seu estilo de se vestir não mudara muito desde a adolescência, aliás, fisicamente não mudara muita coisa. Apenas os olhos verdes não mais possuíam a mesma vivacidade que outrora deixava os rapazes encantados.
Entrou na vendinha, fazendo com que o sininho na porta tocasse. Era um local relativamente pequeno, contendo apenas algumas prateleiras com frutas, legumes, alguns produtos industrializados e alguns produtos feitos pela própria família dona do local. Apesar da simplicidade, era tudo muito bem limpo e até era possível enchergar o chão brilhando. Um balcão grande de madeira estava postado na parede oposta a da porta onde Lilian acabara de entrar. Atrás do balcão existia uma outra porta, de onde agora surgia um mulher baixa e gordinha ruiva. Suas feições eram calorosas, como as de uma mãe pronta a abraçar o filho a qualquer momento. A senhora sorriu ao perceber quem estava ali parada encarando-a.
-Olá Lily querida! - disse enquanto contornava o balcão para dar um abraço caloroso na outra ruiva, que também sorria com a mesma intensidade.
-Molly! Como está? Como estão as crianças?
-Estou bem. Estão todos bem. Rony não para de falar há uma semana sobre o aniversário de Harry.
Ela era Molly Weasley, mulher de Arthur e grande amiga de Lilian, desde quando esta última ainda era pequenina. Possuíam sete filhos, todos ruivos, sendo que o garoto mais novo, Ronald, tinha a mesma idade de Harry e os dois eram inseparáveis. Eram todos umas graças e Lily adorava visitá-lo, apesar de seu marido ter uma singela aversão pelos Weasley. A família era tão ou mais pobre quanto a de Lilian, porém não passavam necessidades. Molly tinha mãos-de-fada, principalmente quando o assunto em questão eram os doces. Receitas de família que deixavam qualquer um com vontade de comer mais e levar mais um pedacinho para casa. Quase tudo vendido ali era produzido pela família em casa, uma propriedade que ficava afastada da cidade.
-Harry também está ansioso para a confraternização. Fala o tempo todo sobre o padrinho que vem visitá-lo.
-Antes que eu me esqueça - sorindo, Molly caminhou para trás do balcão, de onde tirou uma caixa branca de tamanho mediano. - Eu sei que você disse que faria o bolo em casa, mas não pude resistir e acabei fazendo um de presente para Harry.
-Molly! Não havia necessidade! Assim sinto-me envergonhada... não sei o que dizer!
-Apenas aceite, querida.
Molly adorava paparicar Harry e a própria Lilian com doces e bolos. Não que esta não gostasse, mas sentia-se envergonhada, por isso sempre fazia questão de devolver os pratos ou vasilhas com algo feito por ela própria. Obviamente que seu dom culinário não podia ser comparado com o da outra, pois jamais chegaria aos pés de Molly. Mas eram gostosinhas as comidas que costumava fazer.
-Você é um amor. Harry ficará contente com o presente. Mas e o que eu pedi para você separar, está arrumado?
-Sim, sim. Chamarei Arthur para ajudá-la a levar tudo para o carro. - virou-se então para trás, em direção a porta - ARTHUR! - Logo um homem apareceu na porta, sorrindo ao deparar-se com Lily, cumprimentando-a com tanto calor humano quanto sua mulher. - Preciso que ajude Lily a levar tudo para dentro do carro, por favor. As coisas estão ali trás dentro daquelas duas caixas.
-Claro, será um prazer. - deu uma piscadela para a mais jovem e entrou pela porta, voltando tempos depois carregando uma caixa abarrotada de coisas.
Lily o acompanhou até o carro, abrindo o porta-malas para que ele lá colocasse a caixa. Esperou ao lado do veículo que o homem entrasse e voltasse com a outra caixa, esta não tão abarrotada de coisas quanto a outra. A ruiva trancou o carro e voltou lá para dentro com Arthur, que ao chegar no recinto, postou-se ao lado de sua mulher, que acabara de colocar uma bandeja em cima do balcão.
-Tome um pouco de chá, Lily. Fiz algumas bolachinhas hoje mais cedo. Modéstia a parte, ficaram deliciosas.
Sorrindo, Lilian aceitou a xícara de chá que a outra lhe oferecera e ficou durante um tempo conversando com o casal, enquanto comia as bolachinhas que, como já era esperado, estavam divinas.
Lily adorava os Weasley. Arthur e Molly moravam perto de sua casa quando ela era pequena. Cresceu praticamente na casa daquela, que era um pouco mais velha, pois preferia muito mais ficar lá do que em sua própria casa, onde sua irmã a atormentava infinitamente. Eram grandes amigos e a mais nova teria para o resto de sua vida um sentimento de gratidão para com eles. Pois no momento em que mais precisara do apoio dos amigos, eles estavam lá para ampará-la e dar todo o apoio possível.
Após verificar que estava um pouco atrasada para fazer o que tinha de fazer, saiu apressada para sua casa, levando preso no banco ao lado a caixa onde estava o bolo de aniversário do pequeno filho, contentando-se ao pensar que seria menos uma coisa para fazer. Sua casa localizava-se na estrada de terra que dava acesso a cidade e por isso era afastada do centro da mesma. A poeira levantava atrás de si e a obrigava a fechar os vidros, ou morreria intoxicada.
Passou o dia inteiro arrumando a casa e ajudando a mãe, que chegara no começo da tarde, a fazer os salgados e os docinhos para a festa. Naquele dia não precisaria buscar Harry, pois seu marido faria isso por ela e para que não precisasse se preocupar em vigiá-lo enquanto preparava as coisas, aquele levaria o pequenino para almoçar fora e depois o levaria para comprar o simples presente de aniversário.
Começava a entardecer quando os dois chegaram em casa. Lily pode perceber que haviam chego apenas pelo barulho de pezinhos correndo pelo corredor que separava o Hall da cozinha. Logo, uma criança com o maior sorriso que se poderia esperar entrou correndo gritando 'MAMÃE' e se jogou em cima da ruiva, que o esperava de braços abertos. Esta o pegou no colo e deu-lhe um beijo estalado em uma das bochechas.
-Você não vai acreditar no que papai comprou para mim! - o entusiasmo dele era de dar inveja em qualquer um. Estava extremamente feliz e seus olhos sorriam junto com seus lábios. - ele... comprou... a luva de baseball MAIS perfeita do mundo!
-Que lindo, filho!
-Vovó, vovó! Venha comigo! A senhora [b]tem[/b] que me ver agarrando com aquela luva!
O pequeno desceu do colo da mãe e foi arrastando a avó para o lugar de onde viera. E deste mesmo local ele surgiu, vindo em sua direção e depositando-lhe um suave beijo em seus lábios. Lilian sorriu e o abraçou pela cintura, encostando seu rosto na curva do pescoço de seu marido. Ele a reconfortava, sentia-se bem ao seu lado. E, depois de tanto tempo, sabia que seria protegida de tudo e todos por ele. Um sentimento de segurança a invadiu.
-Não gastou muito dinheiro com o Harry, não é? Sei que adora paparicá-lo, mas não podemos nos dar ao luxo de gastar muito com um presente. Já estamos gastando o suficiente com essa confraternização.
-Não se preocupe, o.k? - ele a envolveu com seus braços em um ato protetor. - aliás, o padrinho idiota dele vai pagar metade.
-Hey! - ele deu um leve tapa em seu braço e o encarou - não fale assim do Sirius. Ele é meu amigo!
-Sim. E amigo do...
-Por favor! Não vamos começar com isso de novo, o.k? - Lily se desvencilhou dos braços do marido, cruzando os seus próprios na altura do busto. O sorriso desaparecera em seu rosto. Odiava quando tocavam nesse assunto.
-O.k. Não falarei mais nisso. Está tudo pronto?
-Sim. Molly nos deu o bolo. - ela estava de costas para o marido, mas a felicidade que possuía momentos atrás se evaporara quando o outro tocara no assunto. - vou tomar um banho, está quase na hora das pessoas começarem a chegar.
O que era para ser um dia feliz, provavelmente não mais seria. Enquanto subia as escadas apressada a ruiva tentava impedir que lágrimas saíssem de seus olhos. Não queria chorar. Pelo menos não ali. Momentos depois, enquanto a água morna do chuveiro caía por sua cabeça, sentiu as pernas ficando fracas e escorregou até sentar-se no chão, abraçou as próprias pernas e deixou que as lágrimas salgadas cheias de dor brotassem.
Estava uma noite agradável. Uma brisa suave refrescava, o que era muito melhor do que estar abafado. A pequena casa no meio do nada se enchia de alegria naquele momento. Crianças corriam para todos os lados brincando, os adultos conversavam sobre diversas coisas e risadas podiam ser ouvidas de todos os cantos da casa. Andando pela casa, servindo os convidados com diversos aperitivos deliciosos estava ela. Seu sorriso escondia a tristeza que a abalara mais cedo e provavelmente a maioria nem notaria que não estava bem. Lily estava linda, como sempre. Usava um vestido preto tomara-que-caia que se moldava perfeitamente em suas curvas. Um casaquinho jeans por cima e belos sapatos de salto alto. Sem maquiagem, como sempre. De qualquer forma, deixaria qualquer um de queixo caído.
Lá estavam eles. Pelo menos a maioria estava lá. Seus amigos. De onde estava podia ver o sofá da sala de estar, onde Remus estava sentado, de mãos dadas com sua mulher, Melissa. Ambos sorriam e conversavam animadamente com outro casal, Marlene e Sirius. Estes últimos extremamente felizes, pois o primeiro filho estava para chegar. Lily sorriu, não de um jeito feliz, mas um tanto quanto triste. Era estranho vê-los assim, como casais, conversando animadamente. Aquilo assemelhava-se com os tempos da faculdade, no qual sempre saíam para algum pub, onde ficavam até tarde rindo e conversando, fazendo planos para o futuro, imaginando o que seriam, no que trabalhariam, para onde viajariam. A única diferença era que ela não mais fazia parte de tudo aquilo, não mais podia sair com eles com seu par e se divertir. Sentia-se avulsa. Forçou a própria unha na palma de sua mão, esforçando-se para não chorar novamente. Não queria estragar a festa de Harry.
-Haaarry! - chamou-o quando o viu passando correndo com uma cabeleira ruiva, que provavelmente era o filho de Molly. O garoto parou imediatamente e pediu ao amigo que esperasse um pouco, indo em direção a sua mãe.
-Sim, mamãe?
-Já foi lá falar com seu padrinho e com a tia Lene? Dê um pouquinho de atenção para eles, assim como depois vá falar um pouco com a sua avó e suas tias. Depois você volta a brincar.
-Mãaae... quero mostrar a Ron minha nova luva!
-Harry, vá lá. Rony entenderá. Aliás, leve-o com você. Remus e Sirius o adoram. - Revirando os olhos, o garoto deu as costas a sua mãe e puxou o amiguinho até onde os quatro estavam e começou a falar animadamente com eles.
Já estava tarde. A maioria dos convidados já havia ido para suas casas. Restavam apenas alguns familiares, alguns amigos de seu marido e seus quatro melhores amigos. Lily estava sentada no braço do sofá, com Harry no colo. Marlene estava contando como descobrira que estava grávida e como Sirius reagira. Ambos estavam realmente animados com isso. Não era para menos, afinal, desde que se casaram que ela tentava engravidar e não conseguia. Apesar disso, a ruiva não estava prestando muita atenção no que falavam, seus pensamentos encontravam-se presentes em um passado bem distante. Não estava nem notando que não tirava o copo de refrigerante da boca já tinha um bom tempo.
-Lily, você está bem? - Remus, que estava ao seu lado, perguntou em voz baixa após algum tempo, fazendo com que despertasse de seu devaneio.
-Sim, estou. - ela sorriu. A campainha tocou, fazendo com que franzisse o cenho. Olhou para trás a procura de seu marido e o encontrou parado próximo a escada conversando com um homem de cabelos tão loiros que chegavam num tom quase branco. - Harry, abra a porta, por favor.
O garoto ficou em pé, meio sonolento, e atravessou o hall em direção a porta, abrindo-a pouco e colocando a cabeça para fora. Ficou nessa posição por um tempo, sob os olhos atentos da mãe que se inclinara no sofá para vigiá-lo de onde estava. Fechou a porta e caminhou em direção a ela.
-Mamãe, tem um moço lá fora dizendo que o carro dele ficou sem gasolina aqui por perto e ele não tem como continuar. Perguntou se não tem como você ou papai ajudar.
Lilian balançou a cabeça positivamente e procurou o marido com os olhos, novamente. Decidiu resolver isso sozinha, não queria realmente atrapalhá-lo. Pediu ao filho que ficasse ali e ficou em pé, ajeitando o vestido e caminhando em direção a porta. Tomou o último gole de refrigerante que estava no copo e abriu a porta.
-Meu Deus, você! - foi a única coisa que conseguiu dizer antes de deixar o copo cair de seus dedos e bater contra o chão, transformando-se em vários cacos que se espalharam por todos os lados.
