.
.
Disclaimer: Harry Potter e todo seu universo e personagens não me pertencem; produto feito apenas de fã para fã.
História originalmente escrita com Sheila Farias.
Porque existem histórias que quando não são contadas ou finalizadas, ficam na sua mente lhe perturbando até que as deixem sair.
Capítulo um – Primeiros acontecimentos
"Almofadinhas ainda é um fugitivo procurado, o Ministro não se importaria de pegá-lo e colocar toda a culpa sobre ele, você sabe disso, não acho uma boa idéia.
H.G. "
"Mas ele me disse que está bem, que está em uma casa segura agora. E eu não suporto mais estar com os Dursley, Hermione, é a chance que tenho para não enlouquecer.
H.P. "
"Eu te entendo, Harry, mas é perigoso para os dois. Dumbledore te disse porque você não pode ir para A Toca?
H.G. "
"Nada. Ele me disse que logo eu teria as respostas corretas, e disse que eu estava onde era seguro. Eu não entendo. Sei que não posso estar com Almofadinhas, e não quero colocá-lo em risco, mas se eu estivesse n'A Toca, não estaria mais bem protegido? E poderia vê-lo. Os Dursley's são trouxas, e está cada dia mais insuportável ficar aqui. Ameacei enfeitiçar Tio Valter quando tentou tirar meu material escolar. Mas isso não muda nada, só que eu posso fazer os deveres do Sebento esse ano. Almofadinhas sabe de algo, por isso vamos nos encontrar...e é meu padrinho! É o mais próximo que tenho de família, preciso falar com ele pessoalmente, suas cartas têm sido um pouco...loucas.
Só me diz se você vai também, Rony já confirmou.
H.P. "
"Dumbledore sabe o que faz, e Almofadinhas...passou por coisas demais. Eu vou, mas só para estar com vocês caso algo aconteça. Ainda não gosto da idéia, mas nos vemos lá.
Travessa do Tranco, em frente á Trapos Medíocres ás seis?
H.G. "
Harry sorriu, a luz da sua varinha iluminando a correspondência que trocava com a amiga desde as dez naquela noite. Hermione era teimosa, ele sabia, e era mais fácil para Rony aceitar o que ele dizia, em parte porque o amigo era tão próximo que sabia o quanto estava incomodado. Em parte porque já vira os Dursley's. Mas com Rony não houvera dificuldade.
Quando Sirius enviara a ultima carta, marcando um encontro no Beco Diagonal, Harry quase pulara de felicidade. Sabia o perigo que estavam correndo, principalmente sabia que Sirius estava agindo assim contra as ordens de Dumbledore, e isso já dizia muito do que estava acontecendo.
Todos estavam preocupados com ele, é claro. Mas além de Rony, ele não contara a ninguém realmente o quanto estava ficando maluco, nem mesmo a Hermione. E ainda assim, Sirius dissera de uma forma pouco linear que sentia algo nele.
E como ele não poderia ficar angustiado, quando no ano seguinte vira o começo do caos no mundo bruxo? Não só Voldemort retornara, mas também praticara seu primeiro ato de crueldade real matando Cedrico Diggory em sua frente. E aquilo, muito mais do que a preocupação que o Lord das Trevas lhe causava, tinha afetado sua sanidade. Ele não pudera fazer nada, e fora doloroso ler o enterro do garoto no Profeta diário.
"Deixa para trás pais inconsoláveis, e uma família que chora sua perda." Aquela frase escrita por um repórter sem emoção, havia de alguma forma ganhado um significado doloroso para ele, assim como a frase seguinte, que uma prima de Cedrico dissera: "O mundo é injusto, Harry Potter sobreviveu duas vezes, Cedrico se foi de primeira, e só porque estava no fogo cruzado."
Era aquilo que aconteceria dali para frente?
A cada dia ele também ficava mais paranóico, Voldemort estava a solta, e por mais que eles tivessem as evidencias, o Ministro da Magia decidira simplesmente negar os fatos. Para ele, o acontecido fora culpa de um grupo desgarrado de Comensais, quem poderia dizer o contrário? Nem mesmo ele, que estava recluso em casa por todas as férias.
Ordens de Dumbledore: não saia da casa dos Dursley's.
Era um círculo vicioso.
Fora isso que Sirius sentira em suas amargas cartas, ele tinha certeza. E a despeito do padrinho ter dito coisas misteriosas o tempo inteiro, ou não dito – uma vez recebeu uma carta desconexa falando sobre pufosos e doxys – dissera também pequenas pistas para que ele juntasse as coisas. E no fim, fora a melhor fonte de notícias do que estava sendo feito contra Voldemort, muito mais do que o Profeta que negava o fato e se aproveitava para dizer coisas desagradáveis contra qualquer um que ousasse abrir a boca.
Arthur Weasley quase perdera o emprego na primeira semana de férias. Não fora oficial, mas quando abrira os lábios para negar o que o Ministro dizia em uma coletiva sobre Quadribol, recebera um chamado na sala do chefe. As coisas tinham se estabilizado, graças a Merlim, mas só porque Arthur aprendera rápido, e tinha até mesmo sido promovido como conclusão.
Ótimo pros Weasley's, mas ainda não resolvia seu problema. Tinha vontade de ir até o Ministério e montar um palanque para abrir os olhos das pessoas iludidas por lá.
Quanto mais eles se negavam a aceitar, mais fácil ficava para Voldemort se reestruturar, e mais ataques – como mostravam os jornais, ainda que fossem noticias encobertas – ocorriam.
Ele retirou o óculos e esfregou os olhos, cansado. Amanhã iria questionar Sirius, dessa vez olhando em seus olhos.
E esperava que o padrinho não se esquivasse dessa vez.
Primeiro de Setembro, estação Kings Cross.
– Ótimo, nós já estamos na estação. Mas cadê a plataforma nove e um terço?
– Vem comigo - disse vovó Penny puxando Sabrina pela mão - Você está vendo essa parede? Bem, ande rápido em direção a ela sem olhar para os lados e sem parar.
– Como assim, vovó? Eu vou me estrebuchar nela...Ah, já sei, ela é uma espécie de portal... Como eu não pensei nisso antes? Os trouxas iriam ficar embasbacados...Na minha antiga escola a gente tinha que ir até umas ruinas e... -vovó Penny olhava para a neta com uma cara de: "esse não é o momento para histórias" - Já falei demais né? Eu vou indo.
Logo a ruiva estava em frente ao trem para Hogwarts com sua avó e Angel, sua espécie de maritaca mágica...e ele falava, como falava. E não parava de dizer bobagens. Até que Fillipe Jackmen, que ela havia conhecido em Hogsmeade, veio em sua direção seguido de perto por um grupo de garotos bonitos. Fillipe era alto, branco, com olhos cor de terra, cabelos castanhos meticulosamente bagunçados, e um sorriso deslumbrante.
Sabrina se desconcertou, e a despeito dos muitos convites educados de Fillipe, ela negou se sentar com o garoto e seus amigos – todos no mínimo interessantes, ainda que babacas como os garotos de sua idade costumavam ser perto das recém descobertas garotas – esquivando-se educadamente com o fato de que esperava que sua amiga estivesse esperando para se juntar a ela na viagem.
Não demorou para que o bilheteiro gritasse o aviso para se prepararem e chorosa ela começasse a se despedir da avó, prometendo que iria para casa na primeira oportunidade, abraçando a avó com força e ternura.
Foi então, enquanto lutava com sua bagagem, que avistou a primeira confusão que não sabia no momento, mas que era de pessoas que dali para a frente estariam muito presentes em sua vida...
Não muito distante, Harry acabara de ser praticamente despachado como uma bagagem por Tio Valter. Estranhamente, aquela manhã não haviam tido muitos gritos, ou bufos dos parentes na casa, o que resultara em uma viagem quase tranqüila para o Menino que sobreviveu. Provavelmente os Dursley's ainda estavam em choque ao saberem que ele passara uma tarde inteira na companhia do padrinho louco e assassino.
Melhor assim. Harry pensou acabrunhado, empurrando seu malão ao lado de Rony e Hermione que discutiam baixinho. Ele tinha muito o que pensar, sem precisar travar uma batalha eterna com os tios e o primo balofo para ir a escola.
Não deixou de sorrir, porém ao ficar de frente ao trem. A cinco anos exatos ele experimentava essa sensação de calor espalhando pelo pé da barriga, como se a vista do mundo bruxo – até mesmo os fedores dele, ele notou ao passar por um bruxo maltrapilho – mandasse para seu cérebro a sensação imediata de acolhimento. Casa. Estava agora sim, indo para casa.
– O que vocês estão cochichando? – O moreno ergueu o canto dos lábios, insinuante para as duas figuras que imediatamente desviaram as cabeças e se afastaram, como se ele tivesse lhes lançado um feitiço ou algo do gênero.
Harry sorriu, mas não fez nenhum comentário. Que eles se enganassem. Rony afastou a tira do malão, acabrunhado e lhe lançou um olhar rápido e mortífero, que Harry ignorou enquanto passava de brincalhão para preocupado com as palavras seguintes do ruivo.
– Fred e Jorge foram procurar e guardar nossa cabine. – Os três fizeram um silêncio fúnebre de entendimento. O que os esperaria na entrada do trem? Vindo dos gêmeos Harry esperava bombas de bosta, no mínimo. – Ah ali estão eles, estão...acenando. – Rony hesitou e em seguida com um dar de ombros simplesmente partiram para encarar o que viria.
Á esquerda dos três Arthur Weasley segurou o braço do filho.
– Ah não tão rápido, mocinho. Se sua mãe receber mais uma coruja de Dumbledore, eu vou assumir! Sabe o que significa, não? Tenham um bom ano meninos. – O sr Weasley, sempre tão efusivo, se despediu de Harry e Hermione e em seguida deu outro olhar severo á Rony.
O ruivo estremeceu e engoliu em seco, se afastando com os amigos. Já na cabine, ele olhou Harry com gravidade.
– É muito difícil papai ficar nervoso, mas quando fica, não quero pensar... – Sussurrou ao amigo, enquanto despachavam a bagagem na cabine vazia.
– E o que ele faz, Weasel, te deixa sem sobremesa? Vocês têm pelo menos sobremesa naquele buraco onde vocês vivem, não é? Quer dizer quando não estão passando fome...– Harry revirou os olhos e girou nos calcanhares fitando ameaçadoramente o garoto que se recostava no batente da cabine, com a habitual cara de puro nojo decorando o rosto fino.
– Nós nem entramos no ano e você já quer uma advertência, Malfoy? – Hermione rapidamente deu dois passos para ficar entre os dois, empurrando o braço que Rony começava a erguer para azarar o loiro. Estufou o peito, decidida, dando um olhar de ameaça velada a Malfoy.
Naquele ano ela recebera o distintivo brilhante de Monitora, e bem, se precisasse usar do seu poder para evitar que eles se matassem na primeira oportunidade, o faria.
Um brilho de deboche cruzou os olhos de Draco Malfoy enquanto seus lábios se abriam em um sorriso maldoso e perigoso. O que disse a seguir foi capaz de fazer Hermione gemer de vergonha, enquanto se encolhia para dar passagem a Harry e Rony que maniacamente avançaram para Draco, enquanto os dois gorilas de estimação dele – Crabbe e Goyle - se adiantavam para seus flancos.
– O que eu deveria ver aí na sua camisa Granger, além da sua óbvia falta de peitos? Um pedacinho de metal não me assusta tanto quanto essa visão triste, pode apostar.
– Seu filho da p***, retire! – gritou Rony, e com um gesto rápido lançou a varinha ao banco, deixando claro como seria a briga deles naquele instante. Draco só ergueu a sobrancelha fitando os dois a sua frente e os dois ao seu lado, que valiam, obviamente, cada um deles por dois.
– Vai querer brigar do modo vulgar, Weasley? Estou em óbvia vantagem, aqui, sei que você é burro, mas até um trasgo tem senso de preservação...
– Meu amigo Malfoy, que desprazer em revê-lo. Diga, seu pai ainda anda em falta na cama de sua mãe? – disse Fred que se aproximou rapidamente pela entrada da cabine, prendendo Goyle por um ombro e dando um falso abraço fraternal, enquanto Jorge se adiantava do outro lado, cutucando Crabbe nas costelas:
– Ou ela tem aquela cara de bosta indefinidamente? Fiquei sabendo que andaram fazendo batidas de novo em sua casa...
– Com sorte ele vai para Azkaban antes das férias de Natal, huh?
– Você pode ser um bom filho covarde e ir levar pudim Yorkshire pelas grades. – Draco arregalou os olhos, agora tomado pela fúria absoluta, ele mesmo se preparando para desistir da varinha e sair no punho.
Não precisava nem mesmo que Harry sorrisse com o mesmo escárnio e calma que antes ele demonstrara para constatar. Fred e Jorge, batedores a anos, tinham físicos equivalentes aos dos seus capangas.
– Agora não há mais vantagem, que pena, doninha. E se descontarmos você, que não vale nem como meio, nós saímos ganhando facilmente, retire o que disse ou... – explicou Harry.
Sabrina, que já tinha rodado o trem inteiro em busca dos Summers, finalmente desistira e se apressara para uma cabine vazia, o único problema no momento era que ela se sentia furiosa demais para sequer pensar em usar um feitiço de levitação, e talvez um pouquinho humilhada por ser completamente incapaz de erguer seu malão muito pesado e enorme para a cabine exatamente ao lado da dos briguentos. Ela realmente tentou esperar por uma trégua, um pouco curiosa com as trocas de farpas e com o que se desenrolaria daquilo. Sua primeira confusão! As coisas na Inglaterra eram bem quentes a despeito do clima chuvoso e cinzento de Londres. Enquanto observava, instintivamente os cabelos de sua nuca se ouriçavam, e ela percebeu que já escolhia lados. Qualquer garota que ouvisse um insulto tão terrível ficaria solicita pela menina de cabelos lanzudos e rosto ainda muito vermelho que deixava os ombros caírem pra frente para se cobrir, toda encolhidinha atrás do garoto de cabelos escuros e espetados para todos os lados. Mas então as coisas ficaram muito quentes, e ela decidira que bastara. Cheia de presença de espírito, deu uma batida estrondosa na porta da cabine, desesperada, afinal o trem ia zarpar, e assustou todos os presentes, os fazendo girar e a olhar fixamente.
– É...Com licença! Eu não queria interromper, sabe!? Mas será que tem algum homem aqui para ajudar uma dama a levar o seu malão pesado até a cabine? – Era como uma platéia e holofotes se erguendo diretamente em cima dela e foi sua vez de se encolher toda, com um sorriso amarelo.
Todos pararam e olharam para a ruiva de cabelos escorridos e olhos verdes, que estava vestida com uma frente única preta e uma calça jeans clara coladas ao corpo. Automaticamente os meninos deixaram seus queixos caírem, por aquela garota tão diferente das que eles costumavam ver em Hogwarts, afinal de contas as garotas no colégio usavam roupas menos chamativas ou o uniforme.
– E então? Será que alguém pode me ajudar a carregar o meu malão? – Começou a se impacientar puxando a barra da blusa. Obviamente o loiro não ia poder falar nada sobre a presença ou falta de peitos nela. E foi com essa constatação óbvia, que lhe conferia poder, que ela fitou com frieza quando ele se adiantou.
– Claro! – E já começava a descer do trem para a seguir quando ela o deu um olhar de cima a baixo e soltou o:
– Eu disse homem!
Foi como uma revoada. Todos começaram a rir, no mesmo instante. Até mesmo os dois gorilas, disfarçadamente é claro, e se calando com uma carranca e um afastar para trás meio temeroso no instante que Malfoy girou os olhos cinzentos para eles.
– É claro. Vamos embora, a dama - ele acrescentou muito sarcasmo na palavra. - prefere ser ajudada por esses pobretões - e dizendo isso ele saiu da cabine seguido por seus dois capangas, que ainda deram uma olhadinha para trás para ver Sabrina. Ela tinha que dar um ponto para o loiro aguado pela presença de espírito. Ele a ignorou taxativamente, como se ela fosse feita da mesma matéria viscosa que se prendera num sapato caro dele num dia de má sorte.
Hermione se ergueu novamente, com confiança e tomou ar para os pulmões em meio a gargalhada para soltar um:
– E da próxima vez, vou fazer você ter muito mais medo desse pedacinho de metal. Olha, eu não sei quem é você, ainda, mas só pela resposta que você deu no Malfoy, já se tornou minha amiga – Ela ergueu a mão e sorridente se apresentou. - Eu sou Hermione Granger e esses são meus amigos Fred, Jorge e Rony Weasley e..Harry Potter.- Hesitou um pouco no ultimo nome, esperando a reação que sempre vinha com isso. A ruiva sorriu de volta.
Harry também pareceu desconcertado, se preparando para o inevitável, o que era ainda mais constrangedor pelo fato dele mesmo estar impressionado com a garota a sua frente, a fitando em curiosidade e atração veladas. Mas para sua surpresa, Sabrina disse, indiferente:
– Prazer, Sabrina Lair. Não, eu não estou impressionada pelo fato de você ser o menino que sobreviveu. Então não vou ficar que nem boba olhando pra você ou pedir um autógrafo, não se preocupe, você é de carne e osso!- Ela piscou para o moreno no mesmo instante que Hermione dava tapas exasperados nos ruivos que pareciam paralisados.
– Que bom! – Ele deu uma risadinha sem graça enquanto a ruiva acenava e começava a seguir atrás dos gêmeos.
– Ei, o malão...– ela pôs a mão no peito observando eles já irem tomando a dianteira. – São prestativos eles não? Péra, essa não, essa tem gente queria ficar sozinha, esperem! – e saiu atrás dos dois, sem deixar tempo para que nada mais fosse comentado.
Bem a tempo, segundos depois o trem deu o ultimo apito, as portas externas fecharam e eles começaram a partir rumo ao norte.
– Aqui! Muito obrigada por fazerem essa gentileza de me ajudar...Fred e Jorge, não é?
– Isso mesmo – disse Fred beijando a mão de Sabrina e fazendo uma reverência.
– Ah, então muito obrigada de novo. Nós vemos em Hogwarts? - disse a ruiva meio corada. Que garotos esquisitos.
– É claro. Não quer ficar conosco na nossa cabine? - disse Jorge tirando um chapéu imaginário.
– Sempre cabe mais um. – E Fred piscou descontraído dessa vez, muito menos palhaço e mais...uau.
Sabrina corou. – Não, desculpem. Quero pensar um pouquinho...
– Tudo bem! – disseram em uníssono e já iam se afastando antes dela fechar a porta da cabine com um sorriso disfarçado nos lábios que apertava com os dentes. Que garotos esquisitos. Mas que garotos! Ela fingiu se abanar, meio corada de vergonha de si mesma, quando se lembrou que não perguntara sobre se eles não eram assim um pouco próximos de Cedrico. Eram jogadores de quadribol afinal, como ele, e bom, ela encontrara Harry Potter na primeira oportunidade. E lufanos. A escola começava a lhe dar a falsa impressão de que era bem pequena. De qualquer forma, gostaria de ter perguntado também se eles não conheciam os Summers.
É verdade que ainda estava lidando com toda a emoção da mudança, e de suas próprias tristezas e que queria ficar um tempinho consigo mesma, por isso sequer cogitara se juntar a novas pessoas. Era tímida também, ainda que fosse melhor bem escrita como uma grande amiga de toda a galera, mas não era isso que a fizera preferir a reclusão. Mas preferia uma reclusão com seus amigos, se isso fosse possível. Se sentou ao lado da maritaca e a olhou por instantes, torcendo os lábios, tirando o pano que a cobria. De outra forma Angel provavelmente sairia matraqueando impossivelmente com todo mundo. A maritaca era bem menos tímida.
Ela pôs a gaiola de Angel no banco a sua frente:
– De qualquer forma acho que me agarro no fato de conhecerem o Cedrico ou Morgana para me adaptar melhor. Talvez saia por ai perguntando se não o conhecem, só pra saber histórias sobre como ele era na escola. – Era algo que a confortaria, de alguma forma. Saber como era o namorado em Hogwarts talvez a fizesse mais pertinho dele, sempre bombardeava a família dele e ele com perguntas banais sobre convivência. Era um namoro a distancia antes de tudo, e agora...agora ela não tinha nada mais. Piscou para afastar as lágrimas. Como se pressentindo seu desanimo Angel começou a falar.
– Eu posso fazer isso! Se você tivesse deixado comigo, eu teria perguntado para o Harry Potter, ele deve saber mais que muitos, e afinal de contas eu sou mais articulado que você.- A garota revirou os olhos para a maritaca - É só deixar comigo que...
– Não! Eu não quero perguntar para mais ninguém. - Nesse instante alguém bateu na porta e uma garota de cabelos negros e olhos puxados apareceu por entre a brecha da mesma.
– Ah me desculpe, mas essa cabine sempre está vazia. - disse a garota virando as costas para sair, mas pareceu que ela havia mudado de idéia no meio do caminho - Eu posso ficar aqui nesta cabine com você? É que as outras já estão todas cheias e...
– Claro, pode entrar.- Sabrina não queria companhia, mas a garota parecia um tanto quanto triste, então a ruiva não conseguiu falar não a ela - Qual o seu nome? O meu é Sabrina Lair.
– Cho Chang, muito prazer. - disse Cho apertando a mão de Sabrina - Eu nunca tinha visto você em Hogwarts. De que casa você é?
– Eu ainda não sei, é o meu primeiro ano em Hogwarts - Cho a olhou com os olhos arregalados, Sabrina deu um riso sem graça.
– Mas quantos anos você tem?
– Quinze. - diante da cara espantada de Cho, Sabrina completou, para não se sentir uma anormal que morava no nada e de repente se via sendo bruxa. Era assim que se sentiu, e imaginou que iria passar muito por aquilo. - É que eu fui transferida da escola que estudava na Espanha, porque meu pai morreu e eu vim morar com minha avó.
– E sua mãe?
– Ela morreu quando eu era bebê.
– Inconveniente - disse Angel. – Olha, não fica falando muito ou atrai coisa ruim e...
– Pára de falar bobagens! - ralhou Sabrina, escondendo o pavor do que ele dizia. Aquele era um de seus segredos! E gostaria de manter esse, em específico, meio guardado. Estremeceu e forçou um sorriso. - Não ligue Cho, eu não acho triste falar de minha mãe.
– Tô falando, vai atrair e ai eu quero só ver. – A maritaca esticou a garra e pegou um punhado de maçã, voltando a parecer só um bichinho fofo enquanto devorava a fruta. Ao que a oriental exclamou:
– Ah, que gracinha, qual o nome dele? - disse Cho, depois de passado o susto.
– Pode perguntar pra mim...Eu sei falar. Meu nome é Angel, a seu dispor bela dama.
– Oh! Fofo! – Cho se sentou, a vontade ao lado do bicho e se pós a acariciar suas plumas, deliciada.
– É...às vezes, quando ele não fala demais, ele é uma graça mesmo. - Sabrina lançou um olhar carrancudo á maritaca que estava agora de um belo tom rosado.
– Eu também perdi uma pessoa muito querida recentemente. - disse Cho, mudando o foco da conversa - Ele era meu namorado, e morreu...foi tão triste e pior, quando eu penso nisso. Sabe ele era muito conhecido no nosso ano, todas as meninas praticamente eram apaixonadas por ele, me lembro do nosso ultimo baile, minhas amigas ficaram enlouquecidas quando o...
– Bom dia, vocês querem comer alguma coisa? - Era a bruxa que vendia doces no trem passando com seu carrinho - Os bolos de caldeirão estão fresquinhos.
E de forma impressionante, as duas se deram tão bem que Sabrina quase se esqueceu da tristeza durante a viagem. Era bom ficar ali, com uma garota fragilizada como ela, falando de outras coisas e de coisas de menina, mudando o foco para não lembrar da tragédia de suas vidas. Era bom, como fora bom com Morgana, e ela ia aos poucos sentindo que fazia uma grande amiga na adversidade. Se Cho quisesse desabafar, ela adoraria escutar, e apoiaria com uma delicadeza que só as pessoas sentidas podiam ter. E ainda eram unidas pelo fato das duas terem perdido grandes amores recentes, falaram um pouco sobre isso, sobre a perda e estar apaixonada. Cho confidenciou que vinha chorando sem parar e por isso decidira ficar sozinha. E na hora que falou chorou, e Sabrina também, e elas se abraçaram mudas diante de sua dor. Mas nenhuma se aprofundou muito naquelas questões, sempre mudavam o assunto, comentando até mesmo das fofocas da sociedade bruxa ou dos exames que teriam pela frente. Tudo era melhor que aquele vazio no peito e angustia que Sabrina sentia quando começava ou ouvia sobre o assunto. O único momento em que remotamente se desviou da conversa foi para ir pelo trem a procura dos amigos, arrastando Cho sem nenhuma explicação, mas mesmo antes de os encontrar desistiram, distraídas por um campeonato de Snap explosivo que parecia se desenrolar numa cabine de amigos corvinos de Cho.
Foi uma viagem agradável, apesar de Sabrina se sentir meio desleal por toda ela, mas era o jeito, logo desembarcariam em Hogwarts e ficaria feliz em apresentar Cho a Morgana, que ela tinha certeza, seriam suas melhores confidentes dali em diante.
Dessa vez não teve dificuldades para lidar com seu malão, mas eram o que diziam, para baixo todo santo ajudava. Estava tão atrapalhada e ansiosa que hiperventilava e ao seu lado Cho ria da situação, negando com a cabeça. Ela já havia confidenciado que não se dava bem com exposição e queria muito saber como seria selecionada para as casas, se faria algum teste, mas Cho, assim como Cedrico, Morgana, Arthur e Richard, e qualquer dos adultos e até mesmo seu pai, aliás, havia mantido o bico fechado sobre como seria. Era impressionante aquilo deveria ser um segredo de Fiel, ou algo igual, e não só isso...Raios, ela sequer conseguira vislumbrar os amigos. Estava começando a se preocupar se haveria outra Hogwarts pela Grã Bretanha.
– Eu não vou agüentar de nervoso, pelo menos queria ver Morgana! Ela é uma amiga terrível, esperava que ela tivesse me esperando de braços abertos assim que pisasse em Kings Cross. – Colocou a gaiola de Angel sobre a bagagem olhando acabrunhada o fluxo de alunos que descia do trem. Cho a olhou curiosa.
– Morgana...eu conheço uma Morgana! – Intimamente a oriental se perguntou se seria possível que fosse a mesma garota.
– Conhece a Morg? Morgana Summers? É minha melhor amiga, sério. No mundo! É da Grifinória...
O apelido deu uma pontada atrás dos olhos de Cho. Cedrico a chamava assim, e com o mesmo carinho, ela sorriu e tentou ser animada. - Sim, irmã de Arthur e Richard Summers, eles são... – as palavras primos de Cedrico não saíram de seus lábios e ela piscou com mais força. Sabrina interpretou errado seu pestanejar e sorriu com malicia.
– É ela disse que os garotos fazem muito sucesso com as meninas em Hogwarts, não é de se estranhar. Altos, bonitos, educados, tia Viv criou bem. – Estava tão ansiosa que virou em volta de si mesma, sem prestar atenção nas lagrimas que desafiaram cair dos olhos pequenos e amendoados. Cho pigarreou e disse tentando ser espirituosa.
– Bom, eles estavam bem na primeira cabine, se tivesse dito antes teria te levado lá. De qualquer jeito não é difícil achar a Morgana. – Sabrina notou certa hostilidade e se perguntou se era um comentário obvio ao tamanho da amiga. Cho teria uma surpresa.
– VACA! – Veio o suave e doce esbravejar atrás de si e Sabrina deu um pulo de felicidade, se virando bem a tempo de ver uma massa de cascatas de cabelos castanho escuros esbarrando pela multidão em sua direção. A ruiva negou com a cabeça quando a amiga afastou Harry com um safanão, tirando-o do caminho enquanto lutava com as crianças que corriam e apinhavam a plataforma. O moreno abriu os lábios para xingar e depois os fechou, com o mesmo assombro que ela vira, bem, quando ele olhara para si mesma. Mas seu aceno de desculpas foi breve, porque no instante seguinte a amiga lançava os braços ao redor dela a apertando num abraço que cheirava a almíscar e jasmim. Harry, Rony e Hermione também haviam desaparecido, engolfados pelos outros alunos que se encontravam e cumprimentavam. – Por todo o trem, todo o caminho, eu não vi nem a ponta do seu nariz cheio de sardas! Você disse que me acharia e eu fiquei achando que você simplesmente desistira de vir pra cá! Arthur teve que me calar com feitiços para que eu parasse de desesperar pelo que tinha acontecido! Você nem mesmo avisou quando chegou semana passada! Não faça mais isso. – ela se afastou e deu tapas com força nos dois braços de Sabrina, a cara bonita transformada em uma carranca que dava medo.
Só por isso ela não a estapeou de volta. Sabia que com as palavras todas saindo em jorros, Morgana estava possessa como um demônio das águas. E a afundaria se ela não tivesse tato, se bem conhecia o gênio da outra.
– Er...eu também senti saudades? – Ela se afastou e olhou bem para a amiga, a abraçando depois de novo e sendo recompensada por um desfazer de careta. Melhor assim, sem os vincos tenebrosos. Depois, horrorizada, notou que os dedos de Morgana estavam colados, como se tivessem nascido assim e arregalou os olhos muito grandes. – O que é isso?
– Grr. – A outra bufou e tentou tirar a varinha do bolso, sussurrando a contra maldição; de novo emburrada. – Quando ele me calou eu tentei escrever e amaldiçoar, e Richard fez isso, o filha da mãe, é de se esperar que ele tenha mais respeito com a irmã mais velha. Passa com o tempo, que não vou esperar, claro. Mas descobri que fica perfeito pra estrangular alguém com essa maldição.
Ela olhou calidamente para a ruiva e Sabrina soube que ela não estava brincando. Podia muito bem imaginar ela estrangulando os irmãos se não de raiva, de frustração por tendê-la amaldiçoado. Gargalhou alto e foi aí que Cho pigarreou fazendo Morgana só então notar sua presença. E ficar branca. Como papel.
– Vocês já devem se conhecer. E isso é bom, porque tenho minhas duas amigas aqui para enfrentar o mistério da seleção de Hogwarts.
– Perdão, mas eu não a conheço. – A oriental fitou Morgana cautelosa e a outra só deu um risinho irônico e desagradável.
– Ah conhece sim, com mais carne, mas conhece bem...er...então...vocês, é...! Se falaram muito? – Sabrina olhou a morena sem entender. Morgana balbuciava, e parecia tão perdida e tímida de repente que era como se fosse outra pessoa. Ela não lembrava dessa face da amiga. Claro, sabia que Morgana era esquiva, que não gostava muito de se comunicar por causa de sua timidez medonhamente grande, mas isso na maioria das vezes era quando ela não conhecia a garota e se sentia intimidada por ela o bastante para não ser explosiva. Ou quando era um cara. Ela não conseguia imaginar Cho intimidando ninguém, nem que ela fosse um cara.
– Eu ainda não acredito! – Cho parecia em choque, e Morgana ainda ali, tímida e esquiva, olhando para elas como se fossem explodir.
– É ela sim Cho, aconteceram algumas mudanças com a saída do aparelho e toda a depressão por causa da perca do meu namorado...
– Ah, ele também era próximo dela, né?
Sabrina gargalhou. Se dera conta que não dissera nada sobre Cedrico a outra, e Morgana, fazendo uma expressão entendimento, também constatou isso, ela podia perceber. Esperou que a outra risse com ela e esclarecesse as coisas, mas em vez disso ela simplesmente lhe lançou um olhar soturno e agarrou seu braço, indicando um homem tão alto que a ruiva teve que olhar para cima para ver os olhinhos brilhantes pelo meio da barba - mesmo ele estando sentado em um barquinho que indicava aos primeiro anistas.
– SABRINA! O Hagrid! É nosso Guarda caças e Professor de Trato das Criaturas Mágicas, lembra que falei? Enfim, você vai ali. Nos vemos mais tarde. – E simplesmente lhe deu um meio abraço e saiu, arrastando Cho e a deixando sozinha.
O que provava que ela não se sentia intimidada por nenhuma das duas. Mas isso não era novidade.
"Ufa, como eu vou explicar isso para ela sem a magoar? Ah, Cedrico eu disse para você não fazer isso, agora quem se ferra sou eu!" Morgana vinha rondando acabrunhada consigo mesma no instante que se despediu da amiga. Cho fazia perguntas rápidas a ela. Sobre Sabrina, sobre como elas se conheceram, sobre sua transformação, sobre como estava sua família, como estavam lidando com toda a perca. "Não senhora, pode parar ai mesmo." Ela interrompeu esse rumo da conversa, aliviada quando as carruagens chegaram ao portal e ela pôde descer sem muitas explicações, com um tchau vago. Nunca se dera muito bem com Cho. Não que desgostasse da garota, só não eram próximas, ou se gostavam, para dizer a verdade. Metade por conta do fato de Morgana ser a melhor amiga de Sabrina, que via o primo começar um affair com a oriental, muito doce, muito legal e muito bonita – opinião forte da população masculina de Hogwarts. No fundo ela tinha um pouco de culpa quando olhava para Cho, a garota não era uma vagabunda, era realmente legal, seria mais fácil se Ced tivesse escolhido uma das sonserinas lambisgóias ou uma das lufanas cheias de amor pra dar.
A coisa fora que nem Cedrico estava muito consciente do que acontecia. Ele ajudara Cho com suas lições de Aritimancia como tutor por um tempo, por pedido da Prof. Vector. E de repente a chamara para o baile, sem compromisso, apesar de como um macho que fazia jus a raça ignóbil, também não negar os risos bobos dela. E de repente do nada ela estava presa no fundo do lago como a pessoa que ele mais sentiria falta em Hogwarts, coisa que fez seu instinto ciumento de prima berrar, por motivos mais mesquinhos é verdade, ainda sim...e ele dissera que tinha começado a criar um carinho e não sabia o que fazer. Ele diria a Sabrina no verão. Se ele ia terminar com Sabrina? Nunca! E com Cho? Ia. Um dia. Não sabia quando. Ela o fazia bem. Arthur dera um soco que quebrara o nariz dele, e Richard ameaçara transformar sua cabeça numa melancia e lançar um taco de baseball nela. Mas no fim...ele era seu primo querido, confuso, e tão triste quanto sabia que faria as duas ficar. Como odiar Cedrico?
– Bom, agora eu o odeio! Mesmo! Espero que você saiba! – Olhou para cima falando com o vento enquanto se jogava no banco da mesa da Grifinória. Ao seu lado Lilá Brown se agitou e sorriu condescendente.
– Acho que você errou de mesa, aqui é a Grifinória...
– É mesmo? Então eu acho que estou na mesa certa.- disse Morgana dando um sorriso forçado. Ela estava muito preocupada com o que dizer para Cho e Sabrina para ficar se importando em dar explicações para Lilá Brown.
– Quem é você? Nós nunca a vimos na sala comunal e em nenhum outro lugar da Grifinória.- Parvati parecia empolgada, já ficara sabendo da menina nova, a observara de longe e cochichava com Lilá, discutindo se ela tinha alguma doença congênita que a fazia ser uma menina de onze anos super desenvolvida. Morgana se sentiu analisada enquanto elas se perguntavam o mesmo sobre ela, e ainda se ela tivesse debilidade mental a ponto de só ir sentando. Parvati relanceou um olhar a Dumbledore, se perguntando sem duvidas, se ele não agiria e Morgana sentiu ganas de a esganar.
– Então eu acho que vocês deveriam bisbilhotar mais um pouquinho a vida dos outros. Eu sou Morgana Summers, que por acaso senta do seu lado em Runas, e divide a mesa com você Lilá, em Herbologia.
– Morgana? - disseram as duas juntas.
Ela apenas bufou, e girou os olhos para os irmãos. Richard brincava com uma pena, a fazendo dançar e incendiar pelas velas voadoras, para depois a fazer voltar ao normal, e lhe demonstrou um afeto surpreendente. A fez um gesto de cortar o pescoço, obviamente emburrado por ela tentar mata-lo. E Arthur. Bom Arthur tinha uma menina pendurada em seus calcanhares ouvindo embasbacada ele lhe contar algo, e só acenou caloroso, antes de voltar a conversar, os olhos se desviando toda hora para Sabrina na ponta do salão, como grande parte dos meninos dali, ela notou. Será que seria mais mal recebida, se só se sentasse com eles na mesa da Lufa-lufa?
– Ah, não mesmo! Sério? Morgana Summers? Mas você está muito diferente! O que você fez, não foi cirurgia foi? – Morgana olhou Parvati apática. Não conseguiu se decidir se ficava lisonjeada ou possessa com a invejinha que surgiu nos olhos das duas, portanto decidiu pelo óbvio.
– Morram! E parem de me atrapalhar, quero ver a seleção.
Tão doce, quanto um trasgo montanhês com uma clava enfiada no nariz.
"Como eu vou contar para ela sem a magoar?"
Sabrina havia acabado de entrar no salão do castelo. Ela tinha vindo conversando com Hagrid e ficara sabendo que primeiro Dumbledore iria dar alguns avisos e que ela seria a última a ser selecionada para sua casa. O que para ela seria terrível, afinal ela estava ansiosa para saber onde cairia: na Lufa-lufa de seu Cedrico e dos seus imãozinhos Summers? Na Corvinal onde sua avó tinha caído e onde já conhecia Cho? Na Grifinória que fora a casa de seu pai e onde Morg estava? Ou na Sonserina, a casa que sua mãe aprovaria?
Sua mãe que havia morrido a muito tempo, quando ela era apenas um bebê, mas por algum motivo continuava vagando por esse mundo ligada a ruiva, vinha aparecendo para ela sem parar a dois dias antes dela vir para Hogwarts e tinha deixado claras as suas intenções de que Sabrina fosse para a Sonserina, sua antiga casa. Aonde quer que a ruiva fosse, Penélope Vandon Lair estaria junto com ela, adulando e dizendo coisas como que o salão da Sonserina era o melhor e as pessoas mais inteligentes estavam ali rondando. Isso era assustador, não pela mãe ser um fantasma, mas porque a muito tinha o principio de não aparecer para mais ninguém da família, e por duas vezes durante a cantilena a avó quase as pegara. Esse fato a fez desejar amargamente que não fosse para tal casa.
Logo depois que ela e as crianças haviam chegado ao salão do castelo, um velho de enormes barbas prateadas, óculos em forma de meia-lua e vestes azuis, cheia de estrelas e luas levantou. "Só pode ser Dumbledore"- pensou ela. Dumbledore se dirigiu a eles com um enorme sorriso e disse:
– Bem vindos a escola de magia e bruxaria de Hogwarts, eu sou o diretor Alvo Dumbledore e espero que os anos passados aqui sejam bons e prazerosos e que aprendam tudo o que possam aprender para se encher o espaço oco em suas cabeças com competência e juízo. Mesmo que metade nunca o faça. – Ele relanceou os gêmeos Weasley com os olhos, que pareceram profundamente ofendidos enquanto azaravam Lino Jordan e Louis Vouiton, um outro amigo, por baixo da mesa. - Este ano - ele se virou para o restante dos alunos no salão - teremos várias novidades. A primeira é que teremos uma nova professora de Defesa Contra as Artes das Trevas, já que o último professor teve que nos deixar por motivos próprios. Apresento a todos vocês a professora Lilandra Blacklight - Uma mulher de cabelos bem negros rentes à cabeça e olhos azuis claríssimos, com uma expressão maliciosa, levantou de sua cadeira e se deixou aplaudir. Ela usava vestes de bruxo de um tom de azul super escuro e suas longas unhas eram pintadas de vermelho. Tinha uma aparência exata de vampiros trouxas.
Harry olhou para Rony e Mione que estavam sentados do seu lado direito, sussurrando:
– Mais um. Ela me dá arrepios.
– Achei ela simpaticamente tenebrosa. – O ruivo cerrou os dentes, desviando os olhos da mulher que o observou diretamente. Corava até a raiz dos cabelos. – Será que ela escutou?
– Shiii. – Hermione se fez presente indicando o diretor que voltara a falar.
– A segunda novidade é que a primeira visita a Hogsmeade foi adiantada para daqui a um mês e será, como sempre, só para os alunos do terceiro ano para cima. E a terceira, mas não menos importante novidade é que o incomum pode acontecer, portanto teremos este ano uma aluna transferida da escola de bruxaria Corcions, na Espanha, a aluna Sabrina Lair. - sem saber o que fazia direito Sabrina deu um passo a frente e todos os alunos - principalmente os garotos - olharam para ela curiosos e embasbacados ao mesmo tempo, até mesmo Draco Malfoy, ela notou satisfeita. - Ela está no quinto ano e será a última a ser selecionada para as casas.
Os murmúrios rolaram pelo salão inteiro e Sabrina ficou ligeiramente vermelha. Ninguém percebeu, mas a Profª Blacklight a olhava de uma maneira muito estranha. Penetrante e familiar. Sabrina sentiu como se aranhas subissem por seus braços e os esfregou, se encolhendo para trás do grupo de aluninhos. Dumbledore ergueu os braços, pedindo novamente a atenção.
– Silêncio, por favor! Agora vai começar a cerimônia do chapéu seletor. Profª McGonagall, por favor, assuma daqui.
Assim a Profª Minerva McGonagall trouxe um chapéu com um aspecto bem surrado e depois de ele cantar uma música, ela tirou um pergaminho das vestes e começou a chamar os nomes.
Então era isso?! Um chapéu velho, mofado e encardido que falava e anunciava seus próximos anos escolares? Sabrina fez cara de descrença. Caramba um chapéu? E se ele errasse? Ela teria que passar três anos junto com gente que odiava? Não que ela fosse propensa a odiar, e para a falar a verdade, nem mesmo a Sonserina podia ser tão ruim...tirando o fato de Draco Malfoy, ser desprezível, estar ali, o que ajudava a não lhe dar boa impressão da casa. Uma a uma as crianças que estavam ao lado de Sabrina foram sendo chamadas e selecionadas para suas casas, sendo recebidas por uma onda de palmas:
– Anistton, Matt...Lufa-Lufa. Blat, Britney...Sonserina. Journey, Broke...Corvinal. Martinez, Bianca...Corvinal. O'Conell, Robin...Sonserina.-Sabrina estava nervosa, agora só faltavam duas crianças para ser a vez dela. Será que um dia ela poderia dar a mão para Malfoy e fazer os deveres alegremente enquanto via e ouvia ele intimidar mais crianças e mocinhas indefesas? Talvez a mãe dela pudesse se juntar a eles, seria um brunch agradável. Não! Ela não queria ficar na Sonserina. Sentiu um nó no estomago. Era pura teimosia, mas não queria porque não. – Spolatore, Ludmilla...Grifinória. Vighty, Natalie...Lufa-Lufa.
A professora McGonagall a chamou e ela fez um beicinho. Merlin, era só uma casa e um chapéu, ela não era uma menininha que nem aquelas crianças. Sabrina caminhou até o banquinho e o salão ficou em silêncio. Engraçado, até o banquinho era pequeno para ela, aquilo era realmente incomum. Suas mãos tremiam e ela estava absolutamente ansiosa e nervosa. Antes de sua cabeça ser coberta, registrou que Morgana fazia uma cara que a preocupava. Doeria?
– HUM, EU VEJO MUITA CORAGEM E OUSADIA, O QUE SEM DÚVIDA SÃO CARACTERÍSTICAS GRIFINÓRIAS, MAS TAMBÉM VEJO MUITA AMBIÇÃO E VONTADE DE CONSEGUIR O QUE QUER, O QUE SÃO CARACTERÍSTICAS SONSERINAS...NÃO SEI, VOCÊ PODE DECIDIR, PARA QUAL DAS DUAS VOCÊ QUER IR? CERTAMENTE QUE VOCÊ PODE ESCOLHER DESDE QUE EU ESTEJA DE ACORDO. POR FAVOR, NÃO NA SONSERINA? CREIO JÁ TER OUVIDO ISSO, MAS TUDO BEM! SUA CASA SERÁ ENTÃO...
– ...Grifinória - E um mutirão de aplausos prorrompeu da mesa da Grifinória, juntamente com as vaias e lamúrias das outras casas. Sabrina levantou do banquinho e andou em direção a Morgana, apertando a mão de centenas de pessoas antes.
– Morg, o que foi?
– Nada, eu estou feliz por você ficar na mesma casa que eu, só isso. "Ganho um tempo se você ficar longe da Cho!" Morgana foi calorosa no aperto de mão, Sabrina não ia se deixar enganar tão fácil.
– Aquilo não era cara de felicidade. E agora você parece que vai vomitar, você fica feliz e vomita?
– É que tinham umas garotas chatas, falando no meu ouvido. – A morena olhou feio para Parvati que dividia fofocas com Romilda Vance. Gina Weasley ergueu a mão e acenou, coisa que Morgana retribuiu. Ela não tinha nada contra Gina, na verdade gostava muito da garota, elas chegaram até a se falar poucas vezes, diferente de todos os outros participantes de sua casa. Morgana não era muito afeita a amizades. – Senta logo, quero comer.
– Sua dieta. – Sabrina olhou com severidade para o monte de purê que Morgana enchia o prato, a morena o empurrou a contra gosto e pegou um pouco de aipo, cenoura e duas batatinhas assadas. – Ei, quero falar com Cho quando terminarmos.
Morgana agarrou uma cenoura, triturando-a enquanto rezava intimamente para Cho ir dormir cedo.
Graças a Merlin ela foi. E também elas conseguiram chegar a tempo de pegar a senha com Hermione para passar pela Mulher Gorda.
