De quem será esse bebê?

Capítulo 2 – Violando regras

A lua estava particularmente linda naquela noite. A família Weasley havia se reunido para comemorar o aniversário de Rony, que estava radiante. Um imenso bolo surgiu na mesa improvisada no quintal da Toca. Cantaram os parabéns, cada um em seu próprio tom, garantindo muitas risadas e a bagunça de sempre.

- Assopre as velinhas, Roniquito! – gritou Gina, fazendo as orelhas do irmão ficarem vermelhas.

O aniversariante assoprou-as e no mesmo momento uma das velas explodiu, fazendo voar bolo por todos os lados. A sra Weasley teve um ataque de fúria, jurando a todos que trancaria os gêmeos dentro do armário de vassouras por um mês. Mas a alegria de Rony era tanta que ele apenas sorriu, entusiasmado.

- Vamos cortar o bolo! – Rony gritou com a cara cheia de chantily. – Ou o que restou dele. – completou, fazendo todos os presentes rirem, até a matriarca.

A festa se seguiu animada, todos conversando alto, Hermione fazendo aviãozinho para um Rony muito vermelho por detrás do chantily. E Gina deitada no colo de Harry, sobre o gramado do quintal, observando a lua.

- Gina... – chamou-a, enquanto acariciava seus sedosos cabelos vermelhos.

- Sim? – Gina fechou os olhos, sentindo as mãos de Harry em seu cabelo. Sentia-se imensamente feliz em estar ali ao lado dele, por quanto tempo esperara até que ele estivesse pronto para se envolver com ela?

- Estive pensando... quem sabe não esteja na hora de marcarmos a data do nosso casamento? – Gina continuou calada, sem se mover, evitando o olhar de Harry. – Já estamos juntos à tanto tempo. Eu sinto que... bem, talvez estejamos adiando demais, não acha?

Gina se levantou, procurando encontrar os olhos de Harry, isso já estava se tornando cansativo. Quantas vezes teria de dizer que não havia nada de errado com eles, ela apenas esperava que se casassem no momento certo.

- Harry... eu sei que anda impaciente com isso, mas casamento não é algo que deve ser levado assim, com tanta pressa. – Harry levou a mão à testa, passando os dedos pela cicatriz, num movimento involuntário. – O sonho da minha vida é me casar com você, mas eu não quero apressar as coisas, certo?

- Eu entendo, Gina. – disse depois de um certo tempo, baixando os olhos para as mãos. – O que eu queria saber é se... bem... você não vai mudar de idéia, vai? – Gina riu. – Não ria!

- Ora, o que você queria que eu fizesse? – disse incrédula, acariciando as mãos de Harry. Abriu um belo sorriso e continuou. – Eu esperei por isso desde que te vi pela primeira vez naquela estação, embarcando para Hogwarts. Porque diabos eu mudaria de idéia agora?

- Eu gosto de ouvir isso, sabia? – Harry sorriu de volta, em seguida envolvendo-a em um beijo.

- Então eu faço questão de que escute para sempre... – disse junto ao ouvido de Harry, num sussurro, voltando a beijá-lo.

Beijaram-se com paixão, deitados sobre o gramado mal-cortado, sendo banhados pela lua cheia que brilhava especialmente para os apaixonados.

- Mãe! Harry está engolindo a Gina! – gritou a voz nervosa de Rony, fazendo os dois se alarmarem.

- Cale a boca, Ron! Vá procurar o que fazer e vê se não enche! – retrucou Gina exasperada. Ela se virou novamente para Harry, que estava encabulado. – Rony é mesmo um idiota. Oh, Harry! Não acredito que ainda fica constrangido com as crises de ciúmes do Rony!

Harry deu de ombros, pegou as mãos de Gina e envolveu-as em torno de seu pescoço, beijando-a nos lábios delicadamente.

- Então é melhor eu me acostumar com isso. O que acha de darmos ao Rony mais motivos para as crises? – disse, quase sem desgrudar os lábios dos dela.

- Ótima idé... – Harry selou novamente seus lábios, não deixando-a terminar a frase.

O final de semana passou voando e como se não bastasse, Gina encontrou o escritório atolado em serviço na segunda-feira. Repassou mentalmente as dúzias de afazeres para a parte da manhã e lentantou-se de sua cadeira, já animada.

Quase ao final do dia, Gina sentou-se na velha poltrona que havia ao lado dos arquivos em seu escritório e pediu um chá à secretária, que atendeu-a prontamente com um aceno de varinha.

- Srta Weasley! – entrou apressado pela porta um menino de pouco mais de 17 anos, derrubando os papéis empilhados em cima da mesa. Ajeitou-se atrapalhadamente e arrumou os óculos quadrados sobre o nariz. – Desculpe. Srta Weasley, temos uma pequena emergência, parece que uma bruxa foi vista aterrorizando trouxas em Londres. Nossos informantes garantem que nenhuma magia foi realizada, mas a mulher insiste em apontar a varinha na direção dos trouxas, ameaçando azará-los e diz, em alto e bom tom, que veio exterminar a população de sangue-ruins em honra ao Lord das Trevas.

- Certo, Josh. – Gina pegou a pauta das mãos do menino e examinou-a. – Muito bem, parece que teremos algum trabalho pela frente. Mande dois obliviadores para o local e um oficial para deter a louca. Identifique-a e eu cuidarei do restante.

Aparatou em frente aos portões da mansão Malfoy, o sol desaparecia por detrás das montanhas e as estrelas iam aparecendo timidamente, uma a uma. Um arrepio percorreu seu corpo quando encostou nas grades de ferro. Tentou imaginar como seria recebida por Malfoy e tudo o que vinha em sua mente eram luzes e sons de feitiços hostis.

Jamais em sua vida poderia supor encontrar Draco Malfoy em uma situação delicada como essa. Quando Josh trouxe o relatório sobre o incidente com os trouxas, Gina não conseguia acreditar que envolvia o nome de Narcisa. Se ela mesma não tivesse presenciado uma cena de insanidade vinda de uma das mais belas e misteriosas figuras da sociedade bruxa, teria mandado o jovem assistente checar novamente os dados.

Pigarreou e incerta do que deveria fazer para que Malfoy tivesse conhecimento de sua presença em frente aos portões, encheu os pulmões de ar para que sua voz alcançasse a mansão. Mas antes que pudesse gritar, um estalido forte avisou-a da presença de mais alguém ali, fazendo-a se engasgar com o susto.

- Por favor, o sr Malfoy irá aguardá-la em sua sala de visitas, senhorita. Tenha a bondade... – o elfo doméstico fez um gesto com as mãos, indicando o caminho para o interior da mansão depois de abrir o portão com um feitiço. A ruiva ficou impressionada com a destreza do pequeno servo em articular as frases. Nem de longe ele lembrava Dobby, com suas falas erradas e mal postas.

Gina caminhou lentamente, admirando o belo jardim e formulando algumas frases para que a conversa sobre Narcisa não começasse de maneira errada. O que ela duvidava que aconteceria, mesmo que não abrisse a boca para falar nada.

Adentrou a mansão e ficou impressionada com o tamanho e a beleza de tudo ali, poderia dizer que parecia ainda maior sendo vista do lado de dentro. Seguiu o elfo por um corredor cheio de salas, parando em frente à última, que estava com a porta entreaberta. O elfo bateu de leve e uma voz arrastada e calma soou lá de dentro.

- Entre...

Receosa, deu alguns poucos passos esperando por um ataque ou algo do tipo e estranhou quando se deparou com um Malfoy de expressão tranquila, sentado em uma confortável poltrona de veludo negro. Gina se esforçou para reprimir o riso quando notou que Draco Malfoy estava usando óculos, obviamente para se fazer parecer mais sério do que costumava ser.

- A que devo o prazer da visita, Weasley? – a voz veio carregada de sarcasmo, ao mesmo tempo em que Draco exibia um sorriso de desdém.

- Já deve saber o motivo, Malfoy. – cortou-o com rispidez. – Então, vamos direto ao ponto. Narcisa Malfoy foi vista aterrorizando trouxas em uma pequena vila num canto afastado de Londres. Embora não tenha usado nenhum tipo de magia, os trouxas ficaram assustados com a abordagem. Gostaria de resolver o assunto sem mais problemas... entenda, preciso que mantenha sua mãe afastada de encrencas, ou terei que utilizar meus próprios meios.

Malfoy se levantou com ferocidade, jogando o livro que tinha nas mãos em cima da poltrona. Encarou Gina com olhos faiscantes, fechando os punhos. A ruiva já esperava por esse descontrole emocional de Draco, mesmo que este tivesse se preparado fisicamente para passar uma melhor impressão.

- Está me ameaçando, Weasel? – Draco sibilou, sem tirar os olhos de Gina.

- Não é uma ameaça, Malfoy, é apenas um aviso. Se eu estivesse o ameaçando, você teria motivos suficientes para não dormir de olhos fechados, pode acreditar. – e antes que Draco pudesse revidar, acrescentou. – Eu estarei atenta à qualquer descuido seu, portanto, é melhor que Narcisa fique longe de confusões. Será que fui clara?

- Clara como a água, Weasel... – respondeu com raiva, engolindo qualquer ofensa que gostaria de proferir contra a ruiva. Era visível o seu desgosto por ter que acatar uma ordem de Gina, porém Draco não tinha outra escolha no momento. – Agora, poderia me agraciar com o prazer da sua ausência?

Quantos anos teria que cumprir em Azkaban se lançasse em Malfoy uma maldição imperdoável? Preferiu ignorar a grosseria do loiro e caminhou em direção à porta, sem dizer nada.

Já estava perto do hall de entrada quando escutou gritos vindos do andar de cima. Imediatamente Malfoy alcançou-a, olhando-a ameaçadoramente e indicou-lhe a saída. Gina seguiu até a porta e abriu-a, não contendo um olhar de curiosidade que lançou à pomposa escadaria de mármore que Malfoy havia subido às pressas.

Tinha plena noção de que isso iria contra todas as regras do ministério, mas seu espírito grifinório lembrou-a de que Gina nunca fora um exemplo de disciplina em se tratando de respeitar regras. Subiu as escadas sorrateiramente, com o coração aos pulos, olhando ao redor como se esperasse um flagrante.

Aos poucos a gritaria se intensificou e Gina pôde entender algumas frases. Narcisa Malfoy parecia revoltada, ameaçando Draco ao mesmo tempo em que jogava objetos nas paredes, abafando seus gritos histéricos. Colou um dos ouvidos na parede, perto da porta.

- Você não entende! Eu não necessito de cuidados, o que pensa que sou? – berrava Narcisa a plenos pulmões. – Eu não sou louca!

- Mãe... – disse Draco em uma voz serena, que Gina nunca tinha ouvido antes. – Abaixe o tom, por favor.

- Seu pai o castigaria se soubesse o que está fazendo comigo! – mais um objeto fora arremessado contra a parede, assustando Gina. – Nunca em minha vida... como ousa me trancar dentro de um quarto para falar com agentes do ministério?

O som de objetos se espatifando nas paredes aumentara e a voz de Draco não pôde ser ouvida. De repente os barulhos cessaram e tudo ficou assustadoramente quieto. Alguns passos arrastados soaram e Gina não conteve a ansiedade de espiar pela fresta da porta.

Observou Draco sentado no chão com uma das mãos na face e a outra apoiando o peso do corpo para o lado. Narcisa ajoelhou-se do seu lado e abraçou-o, derramando lágrimas grossas de seus belos olhos azuis.

- Desculpe, meu filho... eu... eu não pretendia me descontrolar dessa maneira... – soluçou exasperada, segurando o rosto de Draco banhado em sangue entre suas mãos delicadas. – Eu posso consertar isso, apenas não se mexa, eu...

- Está tudo bem, mãe. Não se preocupe, eu vou ficar bem. – disse Draco com a voz embargada. Gina sentiu-se extremamente suja por estar presenciando algo tão pessoal, que de maneira nenhuma lhe dizia respeito. Mas ao contrário do que seu pensamento lhe ordenava, continuou com os olhos fixos na cena à sua frente. – Deite-se um pouco, você precisa descansar. – acompanhou Narcisa até a cama e ajeitou o lençol sobre ela. Gina pensou que essa seria a única vez em sua vida que veria Malfoy fazer algo tão humano. Draco fez um movimento com a varinha e todos os objetos quebrados voltaram aos seus devidos lugares.

Talvez por ter visto algo tão incomum, Gina tivesse entrado em uma espécie de choque, pois não conseguiu se mover quando Draco escancarou a porta. Viu um lampejo de fúria nascer em seus olhos acinzentados, mas se apagou em instantes. Sentiu-se sendo puxada pelo braço, que fora apertado com mais força do que o necessário.

O primeiro pensamento que teve foi que Draco a mataria. Mas nem ele poderia ser assim tão burro, já que o ministério tinha total conhecimento da visita de Gina à mansão Malfoy. Seu segundo pensamento deixou-a exasperada, imaginando que todo o seu esforço para conseguir chegar à posição em que estava no ministério teria ido por água abaixo, já que Malfoy informaria aos seus superiores dessa sua pequena... violação às regras.

- Satisfeita com o que viu, Weasley? – perguntou Draco forçando-a a se sentar em uma poltrona, na mesma sala onde estiveram "conversando" instantes antes. O loiro se entou na poltrona oposta, apontando a varinha para o próprio rosto e murmurando um feitiço, que abriu ainda mais o ferimento, fazendo-o praguejar.

- Deixe-me ajudá-lo. – Gina levantou-se e agarrou sua varinha, mas Draco segurou seu pulso com força.

- Eu não preciso de sua ajuda! – voltou a murmurar o encantamento e o sangue esguichou novamente, arrancando um gemido de dor de Draco.

Gina rolou os olhos e com um aceno de varinha limpou o ferimento do loiro, fechando-o logo em seguida.

- Não vou te delatar ao ministério, Weasley... – Draco disse por fim, como se tivesse lido os pensamentos de Gina. – E é óbvio que não estou fazendo isso em agradecimento ao seu feitiço idiota.

- Eu não esperava qualquer forma de agradecimento, Malfoy. – Gina se sentou novamente, analisando Draco com os olhos. – Mas posso saber o porquê da sua repentina generosidade?

- Apenas não quero atrair a atenção do ministério ao estado em que minha mãe se encontra. – fez uma pausa antes de continuar, determinado. – Vou ser direto. Eu não menciono a sua invasão à minha privacidade e você mantém o seu bico fechado à respeito do que viu aqui. Não quero um escândalo envolvendo o nome de minha mãe.

Procurou por algo que pudesse argumentar, mas nada veio à sua cabeça. Malfoy não conseguiria lidar sozinho com Narcisa, ele precisava da ajuda de profissionais, pois cedo ou tarde ela acabaria se metendo em encrenca.

- E como pretende mantê-la afastada de problemas? Sei que a idéia de mais alguém ajudando não lhe parece muito agradável, mas pretende trancá-la dentro daquele quarto até o fim de seus dias?

- Isso não lhe diz respeito, Weasel! – sibilou Malfoy, nervoso com a intromissão da ruiva em seus assuntos pessoais.

- É cruel mantê-la aprisionada dentro de um quarto quando se pode...

- Não é você quem deve decidir o que fazer com minha mãe. – Draco rugiu, se levantando da poltrona e agarrando Gina pelo braço, para que se levantasse também. – E vá embora antes que eu mude de idéia e mande uma coruja para os seus superiores, acredito que não queira perder seu lugarzinho naquele cubículo que você chama de escritório...

O sangue ferveu em suas veias, fazendo-a corar de fúria. Sacudiu o braço para se soltar do aperto de Draco e deu-lhe as costas, rumando para fora da mansão sem olhar para trás.


N/A:
É... não resisti, tive que colocar um pequeno fightentre eles, ficou bem leve e quase civilizado, não acham?

Quanto às cenas românticas entre Harry e Gina, bem, essa é uma fic centrada em um triângulo amoroso, então tudo tem que ser bem dividido entre Harry e Draco.

Quem estiver agradando mais, leva a Gina no final! E eu vou me basear nas reviews, portanto deixem suas opiniões, elas serão decisivas na trama!

Com carinho,

Mila Fawkes.