Escolhas

Autora: Iza Amai

Beta Reader: Aluada Potter

Pares (trio?): Harry Potter/Hermione Granger/Draco Malfoy

Censura: 13 anos

Gênero: Aventura/Romance/Comédia.

Spoilers: Dos seis livros e provavelmente com alguma influência do livro sete.

Disclaimer: Essa história foi escrita apenas para demonstrar minha admiração pelo trabalho da autora J.K.R. (apesar de tudo) e meu encanto por seus apaixonantes personagens, mas principalmente oferecer divertimento aos que amam o mundo de Harry Potter, assim como eu.

Resumo da Fic: Ele havia partido para um lugar onde ela não poderia acompanhá-lo... Mas Hermione não conseguia prosseguir sem seu amigo, era como se Harry a estivesse chamando... Sabia que aquilo era uma completa loucura, mas tinha que se arriscar, tinha de ir atrás dele. O que ela não sabia era que Draco estava disposto a se arriscar junto com ela, indo ao encontro da morte...

Capítulo 02: Vou te Encontrar

- Eu não sei o que aconteceu para te trazer de volta, mas agradeço, seja ao que for, Hermione... – disse Lupin olhando para sua ex-aluna com um sorriso suave enfeitando seu rosto cansado. Eles estavam na biblioteca gigantesca da casa Black, para onde Hermione havia chamado o professor a fim de dizer a ele sobre sua decisão – Harry ficaria feliz se...

- Eu preciso de sua ajuda para ir me encontrar com Harry, professor – disse Hermione, com voz suave, interrompendo.

- O o-quê!? O que disse? – aquela frase pegara Lupin de surpresa. Por alguns segundos ele ficou confuso, mas logo percebeu que a moça deveria estar enlouquecendo – Hermione, o Harry está morto!

- Não, não está! Eu sei que posso achá-lo e trazê-lo de volta, professor – a voz de Hermione perdeu subitamente a suavidade – E eu não vim até aqui para pedir sua permissão. Vim aqui para comunicar ao senhor e pedir sua ajuda para entrar no museu onde o Arco está guardado.

- Do que está falando, Hermione? – o professor segurou os ombros da moça, acreditando que ela estava realmente tendo um surto – O Arco é o Portal da Morte. Não há nada dentro dele além do esquecimento.

- MENTIRA!!!! – gritou – O SENHOR ESTÁ MENTINDO!!!!! – Hermione afastou com violência as mãos do preocupado professor e caminhou em direção a janela. Seus olhos marejando novamente. Ficou olhando a chuva que não parava. Já estava anoitecendo.

Após alguns minutos, em que Lupin respeitara seu silêncio, Hermione voltou a falar sem se virar. Sua voz estava calma novamente.

- Pensei que me apoiaria, professor. De todos os membros da Ordem, só o senhor poderia me entender, afinal perdeu um amigo tão querido quanto Harry é para mim. Me enganei. Então peço apenas que após minha partida, e só após, informe aos outros. E não tente me impedir – Hermione voltou-se para o professor. Seus olhos eram um poço fundo de tristeza e desesperança.

- Hermione... – tentou Lupin.

- Não faça isso comigo – sua voz estava trêmula, mas ela continuou – viver como eu venho vivendo nesses últimos dias é pior que morrer... Será que o senhor não entende que eu também estou dentro daquele Véu, presa com Harry?...

- Hermione, eu... – Lupin não sabia o que dizer.

- Eu preciso tentar! Por favor, não me impeça... por favor...

Era uma súplica. E Lupin compreendeu. Naquele instante admirou Hermione como a ninguém no mundo. Ela não era mais uma criança, se tornara dona de seus caminhos.

- Muito bem, não tentarei te impedir. E farei mais que deixá-la ir. Te darei a esperança de reencontrá-lo...

- Como?! – Hermione pareceu confusa com a última frase do ex-professor e amigo.

- Você, mesmo sendo tão jovem, está disposta a fazer o que eu não tive coragem de fazer por Sirius, mesmo sabendo que havia uma possibilidade – o professor pareceu mais cansado do que nunca e se sentou no sofá próximo de uma tapeçaria – Vai te parecer covardia eu não ter tentado, mas seria egoísmo se o tivesse feito. A luta havia apenas começado e nós não poderíamos nos dar ao luxo de mais uma baixa em nosso grupo ainda tão pequeno. Sirius ia preferir que eu ficasse ao lado de Harry, ao invés de arriscar minha vida por uma lenda.

Hermione apenas se sentou ao lado de Lupin. Seu coração estava aos saltos. Enfim um fragmento de luz pairava sobre sua alma cinzenta.

- Uma lenda?... – balbuciou trêmula, em um sussurro.

- Sim – concordou Lupin, passando as mãos sobre os olhos cansados – A respeito do Véu, li muitos livros. E todos diziam basicamente a mesma coisa, que ele é um túmulo eterno de onde ninguém pode sair. Uma condenação mágica, criada a centenas de anos, para sacrificar os criminosos, quando ainda não havia Azkaban nem os dementadores. Porém... – o professor fez uma pausa, percebendo que os olhos de Hermione transmitiam um turbilhão de emoções confusas – Eu encontrei um livro esquecido numa biblioteca qualquer em uma de minhas muitas andanças. Um livro sem autor, escrito à mão, que dizia algo diferente dos outros.

- E o que ele dizia? – Hermione perguntou, com a ansiedade saltando de seus poros.

Lupin sorriu suave, compreendendo a urgência na voz da moça.

- Dizia que o Véu não é um túmulo, mas um portal maldito que se abre para uma dimensão paralela. Um mundo sem luz, onde os condenados vagariam sem rumo até enlouquecerem, mas viveriam.

O coração de Hermione se apertou ao imaginar seu amigo andando às cegas em um lugar assim, tendo Voldemort em seu encalço. Depois se imaginou vagando na escuridão, chamando por Harry até suas últimas forças. Respirou fundo. Não teria medo agora. Harry merecia qualquer sacrifício, por pior que fosse.

- Mas – a voz de Lupin, um pouco distante, voltou a ecoar em seus ouvidos, arrancando-a do devaneio – sendo um portal trancado apenas para a saída, já que é muito fácil entrar, haveria de ter uma forma de abri-lo para o mundo exterior. Algo que o autor secreto chamou simplesmente de uma luz. Era o que dizia o livro...

Os olhos de Hermione se iluminaram. Mal podia acreditar nas palavras do professor. Sentia como se a Primavera chegasse mais cedo, povoando seu peito de flores e borboletas coloridas.

- Então há uma chance!? Deus! Há uma chance de Harry estar vivo e de voltar para nós!?

- Hermione, – começou o professor com cautela – como eu disse, o livro não tem identificações, não há registro de nada disso nos arquivos do Ministério da Magia. É apenas uma lenda. Talvez escrita por alguém que perdeu um ente querido e condenado ao Arco, que no desespero de acreditar que esta pessoa voltaria, criou esse devaneio no qual se apegar.

Por um tempo, Hermione permaneceu em silêncio, enquanto sua mente e seu coração trabalhavam sem parar.

- Isso não importa! – disse por fim – Eu iria mesmo acreditando que não haveria retorno, disposta a vagar em busca de Harry enquanto houvesse vida em meu corpo – ela abaixou a cabeça e sua voz se tornou muito triste – Ele faria o mesmo por um de seus amigos... faria o mesmo por mim...

Lupin se levantou e tocou o ombro de Hermione. Jamais vira determinação como aquela. A moça fazia jus à escolha do Chapéu Seletor. Ela era uma Grifinória de corpo e alma.

- Eu apóio sua decisão, e também... me ofereço para ir com você nesta busca.

- Professor!... – exclamou aturdida, com um misto de incredulidade, alegria e gratidão.

Lupin sorriu.

- Eu devo isso a Harry... e a Sirius.

Envolvidos naquela conversa os dois bruxos nem imaginavam que desde o início havia uma terceira pessoa dentro da biblioteca. O que fazia ali? Estava à procura de um livro com algum tipo de feitiço clareador que livrasse sua pele, tão alva, de algumas cicatrizes insistentes que marcavam uma região ou outra de seu corpo. Remanescentes da Guerra. Entretido com sua vaidosa procura, só tinha notado a presença de Lupin e Hermione no momento em que a moça havia gritado, chamando o professor de mentiroso. Dali por diante voltou sua atenção completa para aquela conversa de loucos, sem conseguir se mostrar e nem sair discretamente, como faria uma pessoa bem educada.

Agora ele estava sentado no chão, recostado numa prateleira, com alguns livros esparramados à sua volta. Sua mente girava, sem acreditar no que ouvira.

- Aquela idiota não pode fazer isso! – murmurou baixinho, entre dentes, apertando o punho contra o chão – Ela não pode se matar dessa forma tão estúpida... não pode!

Os olhos cinzentos, semi cobertos pelos cabelos platinados, ardiam com uma chama intensa. E se alguém os tivesse fitando naquele momento veria... desespero.

Naquela noite Hermione participou do jantar com muitos membros da Ordem. Desde o último momento com Harry, ela se isolara dos amigos. Respondendo apenas o que lhes perguntavam e só conseguindo ficar mais tempo na companhia de Rony e Ginny. Olhar para os dois irmãos era ver as maiores fontes de alegria de Harry. Ron, o melhor amigo, com quem Harry dividira as diversões e armações. Ginny, a menina com quem trilhara os primeiros passos da paixão. Mas agora queria ficar na presença dos demais amigos, companheiros de infortúnio. Em breve os deixaria e por isso queria gravar o rosto e o jeito de cada um deles.

Sentada em seu lugar à mesa, Hermione agradecia aos cuidados dos amigos. A senhora Weasley havia preparado uma ceia farta, com tudo que Hermione mais gostava. Rony tentava contar piadas estúpidas que eram duramente criticadas por Ginny. Hermione admirava muito aqueles dois irmãos. A família Weasley, antes tão numerosa e feliz, agora se resumira a quatro pessoas. Os pais e eles. Mas ainda assim eles continuavam tentando sorrir. Recomeçando a cada amanhecer. Hermione sorriu observando os irmãos.

Outros membros da Ordem também comemoravam aquela noite, a senhora Figg, Aberforth, irmão de Dumbledore que muito se parecia com ele, exceto pelo semblante severo, Hagrid, que mal cabia na mesa, a professora McGonagall, com seus planos de reabrir Hogwarts, Lupin, Tonks... Mas ao olhar para a moça de cabelos castanhos, que ainda guardava luto por todos que se foram, Hermione lembrou-se que em breve ela poderia perder mais um, seu amado Lupin. Não pôde deixar de se sentir culpada, afinal, fora ela a começar a história da viagem pelo Véu, envolvendo o professor. Era uma egoísta. Mas alguma coisa em seu coração lhe dizia que tudo ficaria bem.

- Tá querendo fazer uma escultura com a comida, Malfoy? – perguntou Rony, observando Draco com o canto do olho. O que interrompeu os pensamentos de Hermione.

- É impressionante a paixão que você tem por mim, Roniquinho! Observa até meu modo de comer – respondeu o outro, provocando. – Quer colocar a comida na minha boquinha?

- Ora, seu...! – respondeu azedo – Só acho um desperdício com esse banquete que minha mãe fez para a Hermione.

- Isso te incomoda, Senhorita Perfeita? – os olhos de Draco se estreitaram ao voltar-se para Hermione.

- Não, nem um pouco. Não me importo com o modo de você comer e nem com essas bobagens entre você e Ron – respondeu ela, sem demonstrar muito interesse na implicância dos dois. Aquela rivalidade seria eterna. Mas até isso ela queria guardar dentro de si, como uma doce memória, caso não pudesse voltar – Não importo com o fato de vocês dois serem eternas e tolas crianças.

- E com o que você se importa, Granger?... – a voz do rapaz louro se tornou, de repente, muito fria.

A esta frase Hermione deu mais atenção, pois sentiu que ela vinha carregada de uma cobrança muda. Que tolice pensar dessa forma! Afinal, ninguém além de Lupin, sabia de sua decisão.

- Me importo com muitas coisas, Malfoy. Mas acho que não te dizem respeito.

- Sabe, ouvir você pronunciar meu nome, faz cócegas em meu estômago – Draco falou suavemente, ignorando a resposta mal criada da moça – E já que você sabe tudo, poderia me dizer o que essa sensação significa?

- Que você é um pervertido! – retrucou Rony, antes que Hermione pudesse dar uma resposta. – Cócegas no estômago... sei!

- Ron! – Hermione jogou uma azeitona no amigo – Não dá corda pra ele. E, Malfoy, vê se para de me provocar!

Draco sorriu, aquele sorriso felino e lascivo.

- O-ho, então quer dizer que eu te provoco, Granger?! – o sorriso do charmoso rapaz se espalhou.

Com o rosto completamente corado, a moça tentou consertar a situação.

- Não foi isso que eu quis dizer...

- Mas foi o que disse, Mione. – Dessa vez era Ginny que entrava no jogo de Draco. Também se divertindo.

- Ah, Ginny, até você?!

Logo todos que estavam à mesa tinham um sorriso discreto nos lábios. Menos Hermione e Rony, claro! Os dois muito vermelhos, de vergonha e raiva, respectivamente.

Quando Hermione foi para seu quarto, naquela noite, se sentia mais leve. Tinha feito uma discreta despedida. E fora o transtorno com o "mala" do Malfoy, tudo transcorrera de maneira agradável. Naquela noite iria dormir, pois o dia seguinte seria um recomeço ou então o fim.

Já havia vestido sua confortável camisola de algodão, quando ouviu leves batidas na porta. Hermione pensou ser Ginny, já que a amiga quase sempre dormia na sede para lhe fazer companhia.

- Entre Ginny, ainda estou acordada.

- Talvez se eu pintasse meus cabelos de vermelho e colocasse uma blusa decotada poderia me parecer com ela... – disse uma voz manhosa, vinda da porta semi aberta – ... pensando bem, acho que não!

- Malfoy?! – disse Hermione se cobrindo com os braços, se sentindo desconfortável mesmo com a camisola bem comportada –O que quer aqui?

- Preciso falar com você. – e Hermione sentiu, como durante o jantar, que o rapaz tinha um tom frio – Posso entrar?

- Entra! – disse a contra gosto – Mas fala logo o que veio fazer aqui, porque eu preciso dormir.

- Pelo que sei, você pretende ter um sono eterno, não é? – Draco fechava a porta atrás de si e seus olhos estavam cravados em Hermione.

- Não sei do que está falando – mas o coração da moça deu um salto.

- Não precisa mentir, Granger – Draco se recostou contra a porta – Eu ouvi sua conversa com Lupin na biblioteca.

Hermione sentiu seu estômago revirar. Draco estragaria tudo. Ia contar aos outros sua intenção e ninguém a deixaria mais sair de casa sozinha. Ou pior, a internariam no St. Mungus, na ala reservada aos doentes mentais. Ela e o professor Lupin.

- Malfoy, não se atreva a contar isso pra ninguém! Eu o proíbo, ouviu? – disse num sussurro desesperado, com medo que alguém os escutasse.

- Eu pensei que você fosse a mais inteligente, a Sabe-Tudo de Hogwarts. Mas vejo que você é muito burra, Granger! Sem contar que é uma tremenda egoísta!

- Como se atreve a falar assim de mim? Você não sabe de nada, Malfoy. De nada!

- Sei que você está louca, querendo se enterrar dentro daquele Túmulo. Onde está a sua sensatez, que tanto ajudou seus amigos. ME DIGA, ONDE ESTÁ? – o rapaz já gritava.

- Cala a boca, Malfoy! Pretende acordar todo mundo? – Hermione havia atravessado o quarto e sussurrava a centímetros do rapaz exaltado.

- É isso que eu deveria fazer e acabar com essa palhaçada agora mesmo! – falava entre dentes, encarando Hermione como um tigre enjaulado. Os dois ofegavam.

Hermione não entendia aquela fúria de Draco. Se era para estragar seus planos, bastava ter contado tudo ao Moody ou à McGonagall, os líderes da Ordem. Mas não, ele preferia atormentá-la. E seus nervos já estavam tão abalados que ela não suportou aquela situação. Não queria brigar com mais ninguém, só queria rever seu amigo perdido.

- Porque você sente tanto prazer em me fazer sofrer, Malfoy? – Hermione tinha a voz fraca, lágrimas já inundavam seus olhos. Como ela havia controlado aquelas lágrimas por tanto tempo? E, feito criança, sentou-se no chão, abraçando seus próprios joelhos – Por que continua a me odiar tanto, tentando apagar a única luz que existe dentro de mim?

Draco passou a mão pelos cabelos, tentando controlar sua fúria. Não era aquela reação que esperava de Hermione. Queria que ela o desafiasse, o ofendesse, ou simplesmente o ignorasse para que então tivesse coragem de delatar aquela missão suicida, com a qual o professor Lupin compactuava. Não esperava por uma Hermione tão frágil, tão menina. Ele ainda não a tinha visto chorar...

Ela soluçava em silêncio, com a cabeça debruçada sobre os joelhos. Suas lágrimas molhavam discretamente o tecido branco da roupa de dormir. Enfim, ela estava chorando. Draco sentiu uma imensa vontade de tocar nela, pedir que se levantasse, impedir aquelas lágrimas que ele tanto temera ver. Mas não conseguia mover a mão até ela. Revoltado consigo por não ter conseguido seu objetivo, o rapaz abriu a porta outra vez e antes de sair disse com voz falha:

- Se quer morrer por aquele Potter, então que se dane! – e bateu a porta com violência, deixando no chão uma Hermione alheia aos seus sentimentos tempestuosos. Sentimentos que, naquele momento, Draco queria apagar de sua alma a todo custo.

(continua...)


N/A: Oi, eu sou a Amai! Sabe, eu queria agradecer a você que teve a boa vontade e a incrível coragem de começar a ler esta fic de casais oficialmente impossíveis, apesar dos casais inacreditavelmente óbvios do final da série de Harry Potter. De qualquer forma, é preciso ter muita coragem para continuar sonhando mesmo depois do coração ser destruído em muitos pedacinhos brilhantes... Parabéns por sua coragem! (independente de qual seja a sua Casa, você seria um ótimo Grifinório ..) E mais uma vez, muitíssimo obrigada!

PS: Recadinhos são sempre bem vindos...