Disclaimer:os personagens de Saint Seiya são propriedade de Kurumada, Toei, etc. Elementos de algumas mitologias também poderão ser meio distorcidos mais para a frente.
Capítulo 2 - O anjo do sonho
Mu teve um sonho estranho naquela noite. Sonhou que havia um anjo ali, perto dele, o observando. Aquela presença lhe transmitia uma sensação maravilhosa, indescritível. Naquele momento nasceu no jovem elfo um desejo intenso de ter aquele anjo sempre perto de si. Foi então que percebeu que não estava sonhando e que, portanto, realmente havia alguém ali, em seu quarto, muito perto dele.
Um tanto alarmado, o príncipe elfo abriu os olhos e sentou-se em seu leito. Não estava conseguindo enxergar muito bem, mas pode sentir que havia mesmo alguém ali, uma pessoa viva, mas que, estranhamente, estava desencarnada.Se concentrou e percebeu que se tratava de um garoto, ou melhor, da alma de um garoto. Mu tentava descobrir mais sobre o outro menino lendo o que se passava na consciência dele, mas não conseguiu ver muita coisa. Sorriu e, gentilmente, perguntou ao intruso quem ele era mas, quando o visitante parecia tentar lhe dizer algo, o sol nasceu. No instante seguinte Mu viu-se sozinho em seu quarto.
O príncipe elfo ficou atordoado com aquela visita tão inesperada. Pelo que conseguiu sondar da alma do outro menino, pode perceber que se tratava de uma pessoa de índole boa e também que havia ficado muito curioso a respeito do local onde veio parar...por acaso? Mu não entendia como era possível a alma de uma pessoa sair por aí e ir parar em um lugar estranho por obra do acaso.Era esquisito, não era algo que os elfos pudessem fazer. Isso lhe deixou extremamente curioso. Queria descobrir mais sobre o desconhecido que lhe visitara, sentiu vontade de conhecer o outro garoto e ver como era seu rosto.
Mu levantou-se e saiu correndo à procura de seu irmão. Estava decidido: ia procurar pelo seu anjo.
- Shion, eu preciso perguntar, você não imagina, mas é que eu preciso de ajuda porque eu nem sei como...
- Acalme-se, sente-se, respire e tente falar devagar porque desse jeito que você está eu não vou conseguir entender.
Mu entrara correndo na biblioteca do palácio, estava ainda com trajes de dormir, descalço, enfim, totalmente descomposto. Ele estava muito agitado, a face avermelhada. Naquele momento Shion, rei dos elfos, estava lendo alguns tratados referentes ao seu reino e as terras vizinhas.O rei adorava o seu irmão mais novo, que havia ficado sob sua responsabilidade após a morte do pai anos antes, e preocupava-se muito com a constante tristeza e os longos períodos de silêncio em que o príncipe vivia mergulhado. No entanto, o estado do príncipe era algo a que todos no castelo já estavam acostumados e, por essa razão, não foi sem ficar um pouco espantado que Shion viu o irmão invadir sua biblioteca naquela manhã.
- Certo, me desculpe, Shion. Eu vou tentar explicar do começo. - disse Mu, e se sentou em uma das poltronas. Levou a mão à testa e correu os dedos pelos longos cabelos, como se tentasse organizar as idéias. Então olhou para o irmão mais velho e, com um meio-sorriso, recomeçou:
- Bom, acho que alguém veio até o meu quarto essa noite enquanto eu dormia. Não era elfo e não era daqui. Na verdade ele não estava exatamente aqui...
Capítulo 3 – Após o despertar
Shaka despertou de seu sonho, mas, naquele momento, aquela era a última coisa que ele poderia querer. Havia se encantado com a pessoa que vira dormindo na cidade dos elfos mas nem ao menos teve tempo de falar com o outro menino. Talvez nunca mais conseguisse vê-lo. Ou talvez o elfo que encontrara nem mesmo existisse naquele momento. Aquilo tudo poderia ter sido apenas um vislumbre de algo pertencente ao futuro ou ao passado.
O druida sentiu o coração apertar com esse pensamento. E se o elfo de cabelos cor de lavanda não existisse? Shaka não sabia porque essa possibilidade lhe incomodava tanto, nem ao menos conhecia o outro menino.
- Mas se ele existir talvez dê para encontrar...
Então de repente lembrou-se. É claro, foi tolice não pensar nisso antes. Iria falar com o mestre Dohko,um dos sacerdotes da aldeia e líder dos druidas. Se houvesse algum jeito de descobrir se o elfo era real, Dohko saberia e não se negaria ajudar.
Após a morte do pai de Shaka e dos outros dois sábios, Dohko ficou com a responsabilidade de liderar o povo druida e de conduzir os ritos religiosos. Era um homem de extrema paciência e que transmitia uma aura de sabedoria muito grande, mas ao mesmo tempo não era de falar muito. Ainda assim, todos na aldeia gostavam muito dele e lhe tinham um imenso respeito.
Shaka saiu correndo de dentro do templo e atravessou a aldeia como uma flecha. As pessoas todas se espantaram em ver o rapaz, que geralmente era tão tranqüilo, daquele jeito e se perguntaram o que ele teria visto em seu sonho, porque com certeza era algo relacionado ao sonho contemplativo da noite anterior. Rapidamente o garoto chegou até a casa de Dohko, que também estranhou o fato de o menino ter aparecido para falar com ele tão cedo, afinal, a celebração do aniversário continuaria somente durante a tarde e era de se esperar, portanto, que Shaka estivesse em casa ou meditando no templo.
- Seja bem vindo Shaka, pelo seu olhar vejo que tem algo o afligindo. É relacionado ao "sonho" de ontem não? – disse o druida mais velho. O garoto assentiu com a cabeça e falou:
- Desculpe-me por vir perturba-lo tão cedo, é que eu vi algumas coisas e tem algo me incomodando, por isso eu vim te procurar. O senhor sabe se tem algum jeito de descobrir se... – Shaka ficou com as bochechas um tanto vermelhas nessa parte, o que não passou despercebido por Dohko – assim, descobrir se alguém que eu vi existe mesmo sabe, no agora.
Dohko não conseguiu deixar de sorrir ao ver o leve constrangimento do rapaz. Acabara por se lembrar de quando tinha a idade de Shaka e passara por uma situação semelhante após seu próprio sonho contemplativo. Decidiu que iria ajudar o garoto a descobrir se a tal pessoa existia ou não.
- Eu posso tentar descobrir sim, é possível consultar os deuses do vento e eles podem saber algo.
- Dá para ser agora? – perguntou o loiro um pouco ansioso.
- Não tem problema, mas eu preciso que você me conte tudo o que conseguir se lembrar a respeito dessa pessoa e também do local onde você a viu.
Shaka então falou sobre o menino que vira dormindo no castelo que, ele imaginava, localizava-se na cidade dos elfos. O jovem druida também contou que não houve tempo para descobrir nada sobre o outro garoto, pois o encanto que lhe permitia ficar longe de seu próprio corpo acabara naquela hora. Acrescentou também, enfático, que queria, ou melhor precisava ver de novo o elfo, embora não soubesse bem o por que.
Dohko ficou com ainda mais vontade de rir ao final do relato, principalmente por causa da expressão séria que Shaka tinha no rosto enquanto fazia seu relato. Mas o sacerdote conseguiu se controlar e comprometeu-se a ajudar o garoto. Então disse a Shaka que fosse para casa, pois Ausriné, sua mãe, deveria estar preocupada. O menino concordou e foi para casa, enquanto Dohko se dirigiu ao templo da aldeia.
Shaka chegou em casa e fiou inquieto, esperando por uma resposta do sacerdote. Ausriné, ao ver o estado do filho, perguntou se ele estava com algum problema. O garoto narrou a história para a mãe, que, pacientemente, tentou anima-lo dizendo que se aquela visão tinha lhe causado uma impressão tão forte era bem provável que a pessoa que ele viu estivesse, de alguma maneira, em seu destino e que tudo que ele precisaria fazer seria esperar que as coisas acontecessem a seu devido tempo. Essas palavras apaziguaram o rapaz um pouco. Passados alguns momentos, Dohko chegou, com uma expressão séria no rosto, e disse:
- Bem Shaka, parece que seu novo amigo é mesmo um elfo, e que ele vive no agora como nós. Mas acredito que nós teremos alguns problemas em breve, porque o elfo também quer te encontrar e, segundo os deuses do vento, fugiu sozinho de casa para procurar por você. Ele está a caminho daqui vindo do sul.
Por um momento Shaka se alegrou com essa notícia. O elfo também queria encontra-lo. E estava vindo para sua certeza isso não era uma coisa ruim, a menos que... – então Shaka se lembrou da Floresta das Trevas, a floresta amaldiçoada e cheia de criaturas perversas que ficava ao sul da aldeia e que o elfo teria que atravessar de qualquer maneira se prosseguisse em sua viagem.
- Mestre Dohko, mãe, e agora, ele pode até morrer! – disse o rapaz extremamente aflito.
- Eu peço que você fique calmo. Eu vou falar com alguns aldeões e nós vamos tentar encontrar esse menino. Ausriné, preciso que fale com a donzela e peça que ela invoque alguma divindade para proteger o elfo. E você, Shaka, fique aqui e peça aos deuses que protejam seu amigo.
Shaka fingiu que concordava com o acerto. O sacerdote e sua mãe saíram da casa, deixando-o sozinho. Nesta mesma hora o jovem druida correu para o seu quarto e colocou o medalhão e guardou consigo o claddagh que o pai lhe deixara. Depois pegou uma antiga espada pertencente a família que estava guardada e saiu pelos fundos da casa. Cuidadosamente, para que ninguém o visse, atravessou a aldeia e foi em direção à Floresta das Trevas.
Mu havia ficado muito chateado com seu irmão. Tinha pedido ajuda a ele para encontrar o anjo, mas Shion o proibira de cruzar a floresta para procurar a aldeia druida, pois era perigoso e não fazia sentido se arriscar tanto por causa de um fantasma. Claro que o irmão mais velho não acreditara muito na história da alma desencarnada mas que estava viva.
Apesar de ter um pouco de medo de entrar na velha floresta, que diziam ser lar de um espírito mau e de várias criaturas sinistras, o fato era que Mu sentia que precisava encontrar o garoto que aparecera no seu quarto de qualquer, embora não soubesse explicar o motivo. E, por essa razão, apesar de lamentar muito o que fazia, lançou um feitiço para que os criados que o vigiavam a mando de Shion adormecessem, correu até a sala das armas e pegou o arco que pertencera ao pai e uma aljava com flechas de prata. Em seguida fugiu correndo pela ala dos criados e foi em direção à Floresta das Trevas. Pela primeira vez na vida o príncipe elfo fazia algo que nunca se imaginara capaz de fazer: desobedecera ao irmão mais velho.
Nota: As coisas demoram mesmo um pouco para começar a acontecer, mas a partir do próximo capítulo acredito que a história comece a andar mais rápido.E que problema sério é esse que eu tenho com descrições viu, eu nunca sei se foi demais ou de menos. Ah, e eu vou pedir que tenham um pouquinho de paciência comigo (por favorzinho...), porque é a primeira fic que eu escrevo e eu ainda to tentando pegar o jeito da coisa.
