CAPÍTULO II

_ Olhe só. Como podem cair os poderosos... — disse Edward , sarcástico.

A voz dele continuava a mesma, pensou Bella, profunda e forte. Ela deixou o pano cair no balde e a água molhou sua camiseta.

— Sabe — ele continuou no mesmo tom —, eu gosto de vê-la nessa posição subalterna, é um tipo de fetiche. E eu nunca me interessei por concursos de "garotas de camiseta molhada", mas agora terei que mudar de opinião.

O olhar gélido de Edward passeou pelos seios que agora molhados ficavam em evidência. Bella sentiu seus mamilos intumescerem em pequenos espasmos de dor e seu estômago contraiu-se.

A fim de provocá-la, Edward passou a língua no lábio inferior e fitou-a mais profundamente.

— O que pensa que está fazendo aqui? — perguntou ela, enquanto se levantava.

— Eu é que deveria estar fazendo essa pergunta. Os tempos estão difíceis para bancos de investimentos? Precisa complementar a renda familiar fazendo faxina?

— Minha mãe é quem faz a faxina nesta casa. Só Deus sabe porque ela o faz, mas não desiste de seu trabalho, e eu não deixarei que a insulte.

— Eu nunca insultaria sua mãe, de quem eu gosto e respeito. O que não acontece com a sua filha... Diga-me, quis são suas intenções dessa vez? Arruinar a vida de Seth novamente?

— Você é perverso! Do que está falando? — Bella agora o encarava com coragem.

— Estou falando de seus motivos para estar aqui.

— Meus motivos? Você não está sendo muito claro, Edward.

— Permita-me elucidar. Meu irmão está voltando dos Estados Unidos, para onde ele foi depois de ser abandonado por você. E vem trazendo a noiva. Mas você encontra-se aqui, de novo. Estou interessado somente no que pretende fazer. Deseja-o de volta? Ou apenas quer mostrar o que ele perdeu nesses anos? Planeja desfilar esse corpinho lindo, quente e provocativo para ele?

— A sua perversidade não tem limites. E se sua memória funciona tão bem quanto a minha, irá lembrar que foi você quem determinou o fim do noivado.

— Acha mesmo? — ele sorriu. — Se você o amasse de verdade teria me mandado para o inferno! Na verdade, era o que eu esperava que acontecesse.

— Esperava? Quer dizer que aplicou um pequeno teste em mim, para ver se eu poderia ou não ser esposa do seu irmão? — perguntou ela, incrédula.

— Pode ser. Quando um jovem inconsequente, herdeiro de uma futura fortuna, anuncia que vai se casar, é preciso testar os dois parceiros.

— Sua mãe sabia o que estava fazendo? Você vive em outra época, Edward! Esse tipo de coisa só os bárbaros faziam!

Ignorando a pergunta de Bella, ele continuou.

— Como disse, eu esperava partir com a pulga atrás da orelha, ao invés disso, foi você quem partiu e com um cheque gordo nessas mãos gananciosas. Mas isso não é nada, perto do que quase me deu, não é?

Isabella corou. Somente alguém frio, como Edward Cullen, teria prazer em lembrá-la do seu comportamento naquele fim de tarde.

— E então, como gastou o dinheiro? O dinheiro mais fácil que ganhou na vida... certo, Isabella? — Ele riu alto. — Meu Deus! Você fica aí parada, tão fria e tão linda, como se gelo corresse em suas veias ao invés de sangue. E eu só preciso tocá-la para o gelo transformar-se em chamas, não é? Diga-me, querida... todos os homens provocam esse efeito em você ou apenas eu?

O coração dela batia descompassado, fazendo um barulho ensurdecedor em seus ouvidos.

— Acho que superestima seu poder de atração, Edward .

— É mesmo? Pode até ser, mas no seu caso, confio mais em mim. Talvez devêssemos testar...

— Não ouse tentar.

Edward deu um passo à frente, ignorando totalmente o que ela disse.

— Mas você quer que eu ouse, não quer, Isabella? Ambos sabemos. Você me odeia, e ao mesmo tempo me deseja...

Ele tomou-a nos braços, sem ser rude, mas também não foi gentil.

— Se tentar continuar, gritarei tão alto que... Não houve grito, nem tentativa de resistência, o que salvaria ao menos uma parcela de sua dignidade. O que restou, foi apenas uma força maior que tirou-a dos seus sentidos, deixando no lugar uma mistura de desejo e frustração ao ser beijada.

E novamente, Bella abriu os lábios. Abriu-os totalmente, pois desejava engoli-lo e sugá-lo inteiro. Suas mãos acariciavam as costas dele e seu corpo agarrou-se a Edward como se estivesse agarrando a própria vida.

— Oh, querida, mostre-me. Mostre o quanto me deseja. Ela não sabia o que ele queria que fizesse. Estava tomada pelo instinto, beijando com fervor e sendo beijada como nunca o fora na vida — Ou devo eu mostrar-lhe? — perguntou, Edward num sussurro.

Ele a segurou com mais força, colocando-a o mais próxima possível de seu corpo. Bella sentiu o desejo dele crescendo. Nenhum tecido era capaz de mascarar o tamanho e calor de sua excitação.

Ela ajeitou os quadris para acompanhá-lo e ele disse novamente que era desejado, enquanto deslizava a mão por dentro da blusa, sentindo a pele macia e quente de Bella.

Percebendo o quão excitado Edward estava, Bella parou de beijá-lo e fitou-o. Ela temia o que poderia acontecer se não parasse.

— Foi esperta em parar. Pois receio que se continuássemos nos beijando daquela maneira, eu não seria responsável por meus atos. E não seria capaz de me impedir de retirar cada peça de roupa de seu lindo corpo e tomá-la aqui mesmo. Porque a razão parece ter me abandonado. — Ele respirou e balançou a cabeça em descontentamento. — Meu Deus, o que estou dizendo! O que estou fazendo! Minha mãe poderia ter entrado na cozinha, o jardineiro está lá fora...

Bella não queria mais ouvir aquelas lamúrias.

— Chega, me solte.

— Não.

— Edward , por favor.

— Isabella, isso entre nós...

— É sexo, nada além de sexo! Um acidente da natureza. Uma química entre duas pessoas que se detestam. E eu odeio isso!

— Não pode odiar mais do que eu.

Bella tentou se soltar, mas Edward ainda a mantinha presa em seus braços. O desejo dela era de se entregar a aquele homem e à paixão que a devorava.

— Me solte, por favor...

— Se você prometer que não vai fugir — disse ele, sarcástico.

— Não prometo nada, você não tem o direito de pedir qualquer coisa para mim.

— Nem para deixar Seth em paz?

Ele quase fizera amor com ela e agora suspeitava que roubaria o irmão da noiva...

— Ah, pelo amor de Deus! Está tudo acabado. Isso foi há dois anos atrás, Edward .

— Quer dizer que não gosta mais dele?

— É, é o que quero dizer! — Ela estava quase gritando para que Edward pudesse compreendê-la.

— Mas talvez nunca tenha gostado.

Bella respirou fundo. Desejava que Edward a odiasse, que a desprezasse tanto que nunca mais tocaria nela. E estaria salva do poder que ele tinha sobre seu corpo.

— Claro que eu gostava de Seth — disse, imitando a voz daquelas mulheres da rua. — Mas talvez tenha gostado mais do dinheiro. Você me fez um grande favor, Edward , assim se sente melhor?

— Deus, você é uma vagabundazinha. E se em algum momento eu duvidei se fiz a coisa certa, comprando-a, você acabou de tirar o peso de minha consciência.

Era exatamente o que ela queria. Ódio. Apesar dos olhos dele dizerem outra coisa.

— Valeu a pena, Isabella? O dinheiro que lhe dei foi suficiente para não se arrepender?

— Acho que já esgotamos o assunto — disse ela, pegando a bolsa. — Vou embora, Edward . Não posso dizer que foi bom lhe ver novamente, pois estarei mentindo. Deixarei você explicar para sua mãe, porque não posso continuar a limpeza. Estou certa que pensará em algo.

A voz dele era macia e ecoou na cozinha, enquanto ela saia.

— Só há uma coisa que consigo pensar agora, Isabella. E o quanto a desejo. Como você me deseja. Apesar de ser contra, ainda temos um assunto pendente.

Ela virou-se na porta.

— Esse assunto só existe em seus sonhos, Edward. Adeus.