Capítulo I – Para começar bem…
- "A estação estava a abarrotar de gente. Pior, estava a abarrotar de Muggles! Mas porque é que todos os anos é a mesma coisa!?" – Enquanto seguia junto com o irmão, Mellody Black ia gesticulando e vociferando as reclamações de sempre. Tinham acabado de entrar na plataforma 9 e ¾ onde já se encontrava o Expresso de Hogwarts.
- "Mell, Mell… E será que todos os anos tens de dizer a mesmíssima coisa?" – Sirius Black abanava lentamente a cabeça em sinal de reprovação à sua caçula, mas de sorriso maroto a brincar-lhe nos lábios. Ela era o seu pequeno orgulho. Era bonita ("Não que houvesse outra hipótese, sendo sua irmã" – pensou, convencido) com o seu cabelo loirinho pontuado com algumas madeixas mais escuras aqui e ali, que lhe caia levemente ondulado pelos ombros, todo escadeado, os olhos de um azul claro penetrante como os seus, nariz um pouco arrebitado, de estatura mediana amorosamente baixa, com as suas curvas salientadas no q.b.; e era esperta, muito esperta. Não daquelas inteligências de tirar nota mais alta a tudo. Naah, nada disso. Ela era mais do estilo baldas, muito extrovertida, incrivelmente engraçada por vezes, mas uma bruxinha com muito talento… As boas notas não lhe interessavam, mas não deixava de saber tudo quanto era necessário para se desenrascar e isso chegava-lhe. Sabia ser bastante arrogante e mazinha, mas isso também ele mesmo e o seu grande amigos James Potter o eram, logo não deveria ser algo mau, certo? Quanto à sua própria pessoa, apresentações não são precisas: é Sirius Black, Padfoot entre os Marauders (ver nota 1), e a partir daqui já todos sabem o resto – "talvez mais todas que todos" – pensou maliciosamente).
Mellody riu alto – "Ohh… Não é que me incomode muito… Mas depois temos sempre aquele stress todo a atravessar a barreira sem ninguém ver… Acaba sempre por haver uns dois ou três muggles a ir mexer naquela parede para se assegurarem que…" – a rapariga interrompeu-se subitamente, quando os seus olhos captaram uma imagem que, apesar de não completamente "anormal", não era também de todo agradável – "Ou não… Não acredito… Ainda nem entrámos no expresso!"
– "Que foi?" – questionou Sirius, seguindo-lhe o olhar – "Aaah…" – sorriu divertido – "Parece que o Prongs resolveu dificultar a coisa este ano e começar já com pontuação negativa junto da Evans…"
Alguns metros à frente dos Black, uma rapariga ruiva, de altura mediana, gesticulava furiosamente, de face corada da raiva, enquanto gritava com um rapaz alto à sua frente, muito bem parecido, de cabelo preto curto completamente desalinhado, olhos castanhos protegidos por um par de óculos arredondados e um sorriso maroto que desarmava qualquer bruxinha de Hogwarts… Bem, quase todas.
Os Black aproximaram-se da cena. Junto do "casal espectáculo" já se encontravam os outros Marauders, Remus Lupin (Moony) e Peter Pettigrew (Wormtail), e Joanna Potter, irmã caçula de James. Da mesma idade de Mellody, Joanna era mais alta que esta, de cabelo negro como o do irmão, comprido até quase à cintura, liso e de corte a direito, com franja. Os seus olhos também eram castanhos como os do irmão. Em termos de personalidade… Pouco a ver com a Mellody, apesar de ambas serem grandes amigas desde 1º ano de escola dos irmãos.
Era agora possível ouvir claramente a discussão dos dois amigos: Lily Evans e James Potter (se se pode considerar uma discussão algo como um a gritar feito histérico completamente furioso, e o outro calmíssimo todo sorridente como se não fosse nada com ele).
- "EVANS!! É EVANS!! ACABEI DE TE DIZER ISSO, SEU IDIOTA! E, SEGUNDO, NÃO ME VENHAS COM ESSAS DESCULPAS SEM NEXO! CONTINUAS O MESMO ARROGANTE, O MESMO ANORMAL, O MESMO ESTÚPIDO CONVENCIDO DE SEMPRE!" – Lily esmerara-se desta vez: vociferou tão alto que todos os alunos e pais que se encontravam na estação ficaram a olhar para eles.
- "Oh, que seja! Evans, Lily, independentemente do nome, estás a fazer grande tempestade num copo de água, Evans" – James acentuou o seu tom quando pronunciou o apelido da ruivinha – "E para quem diz tanto em alto e bom som que eu sou um pateta convencido que só gosta de chamar atenções, tu agora também te deste muito bem nessa de pôr toda a gente a olhar para ti" – James sorriu bastante divertido.
Lily olhou furiosa para as pessoas todas, o que foi suficiente para obrigá-los a desviar a atenção do "casal espectáculo". Respirou então fundo, recompondo-se, e conseguiu finalmente responder-lhe calmamente – "Estou a exagerar, hein? Tu és MESMO um pateta convencido, estúpido e idiota, com um ego do tamanho do mundo, que só é ultrapassado pela tua irresponsabilidade. Tens 17 anos e continuas a mesma criança de quando entraste em Hogwarts. Queres saber? Desisto. És um caso perdido. Evita passar muitas vezes por mim no castelo durante este ano, sim? A tua mera imagem é o suficiente para arruinar o meu dia." – E, terminado o discurso, saiu sem olhar mais para trás, entrando numa das carruagens do expresso.
Mellody e Joanna olharam uma para a outra e apressaram-se a seguir a amiga: embora frequentassem anos diferentes (Lily era do sétimo ano, enquanto que as outras duas iam para o sexto) as três tornaram-se muito amigas quando, há dois anos, Mellody intervira numa discussão entre a sua prima Bellatrix Black e Lily, em defesa da ruiva – Mellody, tal como o irmão, detestava a sua família quase toda. Desde aí, apesar dos parentescos e amizade das duas sextistas com os marauders – muito criticados e 100 incompreendidos por Lily – Evans mantinha uma amizade muito grande com as duas, sendo costume andarem sempre as três juntas.
Os marauders fitaram-se uns aos outros. Black tinha estampada na cara a pergunta "então, o que foi desta vez?". James levantou os olhos para o amigo, uns olhos cujo antigo brilho habitual estava agora um pouco apagado pelas constantes negações e discussões por parte daquela ruivinha de olhos verdes de quem ele gostava há já tanto tempo, apesar de ela achar que ele a queria apenas juntar à sua lista de "conquistas fáceis". Remus poupou o amigo das explicações:
- "O costume: James, Slytherin, maldição, Lily e flagrante."
- "Nada a acrescentar" – concordou Peter.
Sirius riu-se da "desgraça" de Prongs – "Oh homem! Tantos anos e ainda deixas que ela te apanhe nestas situações? Já sabes o quanto a miúda é certinha. Por este andar acaba-se Hogwarts e tu a zeros…"
James olhou para Padfoot de sobrancelhas arqueadas – "Obrigadinha pelo incentivo."
Sirius riu-se ainda mais.
- "Prongs, Prongs… Sinceramente! Já a conheces tão bem, dizes tanto que és apaixonado por ela, que é a mulher da tua vida, que queres mesmo ficar com ela, e, contudo, continuas a fazer tudo mal! Ao fim de 7 anos já podias começar a pontuar um bocadinho, não?" – Mellody surgira novamente entre eles. Acrescentou então, em tom divertido – "Ela ficou mesmo irritada. Mas aquilo já lhe passa, ela e a Joanna foram lá para a carruagem dos prefeitos." – Dirigiu-se depois a Remus, a quem deu um daqueles mega beijos apaixonados estilo cinematográfico de tirar o folgo a qualquer pessoa só de assistir, seguido de algo como "desculpa, até me esqueci de te cumprimentar há pouco".
Remus sorriu, um pouco corado. Era sempre assim com a namorada. Agarrava-o e beijava-o em público com quase tão à vontade como quando estavam sozinhos. Às vezes até as conversas não eram as mais próprias mesmo com "público a assistir". Ao princípio era bastante embaraçoso, principalmente tendo em conta que ele sempre fora uma pessoa tímida, mas agora já estava mais habituado. Além disso, ela era mesmo assim: desinibida, solta, espontânea. E ele adorava-a assim mesmo. Lembrar-se ele da reacção dela quando lhe contou o que era, três anos atrás…
FLASHBACK
Ela continuava a olhar para ele, com a mesma expressão de minutos antes, quando ele lhe dissera que precisava de falar com ela. Olhava-o como se esperasse que algo fosse dito.
- Mellody? – Remus chamou-a cautelosamente. Esperara que ela olhasse para ele em choque, com medo ou repulsa, ou ambos… Ou com piedade, um olhar piedoso acompanhado de um "oh não, não posso crer. Acho... Desculpa, não dá para continuarmos juntos" ou qualquer coisa do género. Mas não. Até ao momento, ela continuava ali, serena, a olhar para ele, os olhos curioso como quem ainda aguarda uma novidade.
- "Sim, eu estou a ouvir" – Mellody assentiu afirmativamente com a cabeça.
Remus observou-a intensamente um segundo, dois segundos, três segundos… De repente:
- "Oooohhh… Era só isso que me querias dizer?" – Mellody fitou-o com aquele ar do estilo "explica-me como se eu fosse muito burra".
- "Achas pouco!?" – Remus estava perplexo.
- "É só isso?" – Mellody devolveu-lhe o olhar de perplexidade. Suspirou profundamente e abanou a cabeça em sinal de desaprovação – "Querias dizer-me que és um lobisomem? Achas MESMO que eu ainda não sabia? Sinceramente! Mal me interessei por ti quis saber tudinho. Isso foi uma das muitas coisas que consegui arrancar do meu irmão." – Mellody sorria tranquila, como sempre.
Moony não cabia em si de tanta incredulidade – "Mas… Mas… Tu dizes isso assim? Com essa calma? Começaste a sair comigo sabendo isso!?"
Mellody olhou para ele muito séria, provavelmente a única vez naqueles cinco anos que ele a viu séria, e falou em tom grave – "Tu achas-te assim tão diferente dos outros todos por isso? Consideras-te menos rapaz ou menos feiticeiro que outro tipo qualquer, por isso? És igual a qualquer outro de Hogwarts. Só tens… err… Digamos que só tens um problemazinho peludo três noites por mês." – E dito isto recuperou o seu tom e feições usuais e perguntou divertida – "Estavas à espera que eu já não quisesse mais nada contigo ou assim?
Remus observou atentamente a rapariga que tinha à sua frente. Sim, ele esperara isso. Mas agora, depois de a ouvir, apercebeu-se que fora um idiota. Afinal, ele apaixonara-se por ela por inúmeros motivos e um deles era aquela sua simplicidade de ver e viver a vida. Ela seguia a ideia de que "a vida é simples, nós é que a complicamos". Se alguma vez tivera dúvidas do que sentia por ela, ou ela por ele, naquele momento eclipsaram-se todas.
O lobisomem sorriu então à agora oficial namorada. Ela riu com gosto e, sem qualquer "acanhamento", abraçou-o e beijou-o cinematograficamente, a primeira vez de milhões.
FIM FLASHBACK
James esperara pelo final da cena cinematográfica do casal amigo para responder à rapariga:
- "Mas desta vez eu estava a defendê-la! Ele estava a tratá-la mal, chamou-a de sangue-de-lama!!" – o rapaz estava claramente indignado.
- "Sim, mas tu já sabes que a Lily não resolve as coisas atirando com maldições a torto e a direito por aí" – Remus tentou também chamar a atenção do amigo. Ele era definitivamente o mais ajuizado dos marauders.
- "Eu não atirei maldições a torto e a direito por aí! Eu só amaldiçoei aquele anormal burro ao cubo com a mania e, ainda para mais, Slytherin, do Nott."
- "Apoiado!" – Peter tinha de meter a sua colherada de lambe-botas James&Sirius.
- "E não é que eu concordo aqui com o Peter?" – O tom gozão do irmão fez Mellody fitá-lo com um olhar recriminatório. – "Contra o Nott qualquer maldição é pouco! Então e que é que lhe fizeste mesmo Prongs!?" – Sirius estava agora mais interessado nas patifarias do amigo do que no problema amoroso entre ele e a ruivinha que isso desencadeara.
Antes que James pudesse responder, todo orgulhoso, Remus interrompeu: "Já chega! Vocês nem parecem ter 17 anos. O Expresso está quase a partir, o melhor é entrarmos. E Prongs, se fosse a ti começava antes a pensar em formas de acalmar a Lily, ao invés de te pores já a planear, com o Sirius, qual é a primeira confusão que vão arranjar quando chegarem a Hogwarts."
Prongs e Padfoot fitaram Moony como se ele fosse um monstro que lhes arrancou um chupa-chupa da boca e, amuados, lá se calaram e entraram para o expresso seguidos de Peter, Remus e Mellody. Enquanto procuravam uma carruagem vazia para ficarem todos juntos, a rapariga recordava a si própria que aquele seria o seu último ano na escola com os amigos e o seu lobinho (maneira carinhosa que usava para chamar o namorado) … No ano seguinte seriam só ela e Joanna, Hogwarts ficaria, definitivamente, muito vazia. – "Só espero que este ano seja longo, muito longo…E inesquecível."
Notas de final do capítulo:
1 - Nome original (inglês) dos "Salteadores" (tradução portuguesa de Portugal) ou "Marotos" (tradução portuguesa do Brasil)
da Autora: Espero que tenham gostado deste capítulo e se tenham interessado pela história. Prometo tentar não demorar muito nas actualizações de novos capítulos. Por favor, comentem. Digam o que acharam, se gostaram se não gostaram, se adoraram, se detestaram... Se acharam muito fraca em termos de português. Digam o que mais gostaram, e o que menos gostaram. Vou ficar muito agradecida a todos que dispensarem um bocadinho do seu tempo para ler esta fanfiction, mas mais ainda a cada um daqueles que se dignar a deixar a sua opinião.
