Capítulo 2 - Uma sessão de terapia em grupo muito romântica
"Lembrem-se que este é um espaço aberto." Libby se dirigia ao círculo em volta da pequena fogueira na frente dela. Sentados em troncos, em um semi-círculo em volta deste espaço, 3 pares de ilhéus escutavam sua fala. Ela estava conduzindo sua primeira sessão de terapia em grupo para casais após ter iniciado, com sucesso, algumas sessões particulares com Charlie e Claire.
Eles procuraram por ela um dia pedindo conselho, a confundindo sem querer com uma psicóloga. Na verdade ela era psiquiatra clínica e não podia fazer muito mais do que prescrever anti-depressivos comuns. Mas, como ela não tinha nenhum à mão, decidiu fingir ser uma terapeuta por um tempinho. Ela gostou de dar conselhos as pessoas e ser levada tão a sério. Os terapeutas davam conselhos? Ela não tinha muita certeza, mas sabia que os tons terrosos que estava vestindo lhe emprestavam um ar de guru e ela foi, então, dando conselhos.
Tendo se divertido tanto ajudando Claire e Charlie, decidiu então expandir o projeto de ajuda a casais e aqui estavam eles: Claire e Charlie, Sawyer e Kate e Jack e Ana Lucia.
"Neste espaço," prosseguiu Libby, "você é livre para discutir o que estiver sentindo. Você não será julgado. Charlie você pode falar sobre o Driveshaft, você não será julgado."
Mas, ela estava enganada. Sawyer já tinha julgado todo mundo ali. Bom, ele deu um desconto pra Charlie porque sabia que tinha sido Claire que o arrastara até ali contra a sua vontade. Exatamente como Kate tinha feito com ele. O pequeno encontro algumas horas atrás não tinha saído como planejado e Kate achou que seria uma "boa idéia" discutir as coisas com a dra. Libby. E não adiantava protestar, ele estava num 'relacionamento' agora. O que significava que ele ia ser guinchado indefinidamente onde quer que Kate quisesse ir, forçado a ficar com os "amigos dela".
Mas, Jack? Não ia ganhar nenhum desconto dele. Ele sabia que não tinha sido idéia de Ana Lucia. Sendo Jack quem usava as saias na relação, tinha arrastado a nova namoradinha até lá. Sawyer imaginou que ele fez isso pra espionar tudo o que acontecia na sua relação com Kate.
Sawyer estava absolutamente certo em tudo isso. Fora idéia de Jack trazer Ana Lucia à terapia de casais. Ele queria saber tudo que pudesse sobre a relação de Sawyer e Kate. E era ele quem vestia as saias na relação.
De qualquer forma, Jack estava certo de que essa estória de terapia de casais ia lhe trazer vantagens. Se ele ficasse inteirado de todos os problemas no relacionamento de Sawyer e Kate, e dessa forma descobrir todos os defeitos de Sawyer como namorado, então ele poderia facilmente se apresentar como o melhor partido.
Não que ele estivesse com ciúmes ou coisa assim. Não, ele estava na boa com a relação de Kate e Sawyer. Absolutamente ok. Na verdade ele estava tão na boa com isso que para provar pra todo mundo, ele começou a ver Ana Lucia.
"Bem, como já tive algumas sessões com Charlie e Claire, vamos começar com outro casal." disse Libby.
Jack indicou Kate com a cabeça e Libby aceitou a dica. Virou-se para Kate e Sawyer.
"E o que os traz aqui?"
Kate se esticou, surpresa com a pergunta. Ela não tinha imaginado que precisava de uma desculpa para vir e não conseguiu pensar rápido o bastante numa mentira. Certamente não iria discutir a árvore do sexo na frente de todo mundo.
Kate olhou para Sawyer em busca de algum apoio, mas ele apenas encolheu os ombros e evitou qualquer responsabilidade que temia ter. Ela lhe deu um daqueles olhares de casal que ele sabia que significava "Estamos juntos nessa." Ele revirou os olhos e se preparou pro que ela tinha a dizer.
"Bem, Sawyer e eu estamos bem" ela começou "Só pensamos que seria interessante vir e... ver como era."
Libby
concordou com a cabeça e se virou para Sawyer:
"E,
como você se sente com as mentiras constantes de Kate?"
"Ei,
o quê?" Kate estalou.
"Você está mentindo" disse Libby. Bem, ela não sabia com certeza que Kate estava mentindo, mas a garota tinha a reputação de mentirosa e ela foi em frente com isso. "Você está obviamente escondendo algo do grupo. Estou envergonhada de você. Todos nós estamos."
Ignorando a expressão de consternação de Kate, Libby se dirigiu a Sawyer:
"Sawyer, por que você não nos conta o que os trouce aqui?"
Agora foi a vez de Sawyer olhar para Kate. Ele lhe deu um de seus olhares de casal que Kate sabia que significava "Você nos meteu nisso. É sua culpa."
"Estou aqui por que Kate me arrastou pra cá."
Kate balançou a cabeça e sorriu tristemente.
"E por que você acha que Kate te arrastou para cá?"
Ele hesitou. Todos os olhos estavam cravados nele e ele não estava a fim de desembuchar na frente de todo mundo, mas olhando para Kate, ele percebeu que ela, assim, como todos os outros, esperavam que ele dissesse alguma coisa. Ela estava com um sorriso sarcástico e com aquele olhar de casal de novo. Ser capaz de se comunicar com Kate sem palavras estava começando a ficar chato. Kate arqueou as sobrancelhas e o encarou mais forte, o que ele sabia que significava "bom, vamos lá, o que você tem a dizer?"
Ele pigarreou "ela acha que não sou bastante romântico."
Ele pôde escutar Jack tentando abafar uma risada, o que o deixou ainda mais aborrecido. "Ah, e você é um tremendo Casanova, né?"
"Sou José, agora, cara. E pode apostar que sou, hermano"
Jack percebendo que não podia cortejar Ana Lucia confiando apenas em seu charme viril, resolveu adotar um personagem tipo gangster hispânico e batizou seu novo eu de José. Ele vestia camisa quadriculada abotoada apenas no colarinho sobre uma camiseta branca. O conjunto se completava com uma bandana na testa.
"Jack, por favor, guarde a arma."
E uma arma.
"Talvez a definição de Kate para romance seja um pouco diferente da minha." Sawyer repontou. "Mas, minhas intenções eram boas. Me processem se eu achei que um tronco caído no meio da floresta seria um bom lugar para nós..."
"Não vamos entrar nisso agora." Interrompeu Kate rapidamente.
"Orale, o romance deles tá mal na fita, tá ligado!" disse Jack, se confundindo com o pouco de gíria que sabia. "Eu sou um verdadeiro romântico."
"Se por romântico você quer dizer fresco, " Ana Lucia caiu em cima, "então, concordo."
"Também te amo, baby." disse Jack, distraído olhando para Kate. Ele começou a dar uns amassos em Ana Lucia, na esperança de Kate ficar enciumada mas ao ficar encarando ela, acabou errando completamente a boca de Ana e enfiando sua língua na orelha dela.
Ana Lucia o empurrou, sua expressão demoníaca sempre no rosto. Ela exigiu a atenção de Libby, com quem parecia determinada a falar.
"Podemos falar de algo mais importante do que romance?" Ana Lucia pediu "como sexo?"
Todo mundo prestou atenção.
"Isso que é sugestão." disse Sawyer.
Aa Lucia continuou "Sexo com Jack me dá medo."
"Oh?" disse Libby.
Jack tentou cortá-la, mas Ana Lucia simplesmente o ignorou e continuou falando.
"É" replicou "ele vira para o outro lado, abraça os joelhos e chora."
"Uh, talvez a gente não deva discutir isso." sussurra Jack, perdendo o personagem gangster.
E como Ana Lucia já estava fazendo durante toda a noite, e na verdade, desde o início do relacionamento deles, o ignorou.
"Chora" repetiu "toda vez!"
Kate subitamente percebeu que não tinha o menor motivo parar reclamar da falta de romance de Sawyer. Pelo menos o sexo era incrível. E ele nunca chorava depois. A coitada da Ana Lucia não podia dizer o mesmo. Kate olhou para Sawyer com uma apreciação renovada. Romance vai e vem, mas sexo incrível? Isso é pra sempre.
Sawyer reparou como ela pareceu feliz de repente e achou que era por que devia estar pensando no próximo encontro. Que ele tinha quase esquecido. Ele ia ter que aparecer com alguma coisa bem romântica. E rápido.
