Notas da autora: Essa história se passa quando L e Raito estão algemados, e há spoilers dessa parte. Nesse capítulo, haverá lemon (relação sexual) entre dois homens. Se a idéia te desagrada, não leia.

Desculpem a demora pra atualizar. Esse capítulo foi longo, e escrevi com muito cuidado e esforço! Por isso, espero que gostem.

E por favor, reviews! Estou aberta a sugestões de todos

Abraços

Pri

Capítulo II

Já não há mais desculpa para levar isso em frente. Que utilidade isso está trazendo às investigações?

Descobertas: Yagami Raito gosta de ter o controle até na cama.

Estou mesmo surpreso?

E não apenas o controle físico. Ele quer que eu lhe implore. Para isso, deixa-me em tal estado que chegam a vir lágrimas.

Meus pulsos presos acima da cabeça. Uma língua que me tortura. Depois, dedos. Língua de novo. Sem pressa. Acendendo zonas em meu corpo das quais eu mal tinha consciência. Sem dó nem piedade, Raito as excita, levando-me a um estado deplorável. Contorço-me. Imploro. Meus gemidos assumindo tom de súplica. O escuro nos envolve e não tenho como saber como ele me olha. Um sorriso sádico diante de minhas fraquezas? Isso se ele estiver olhando. Talvez eu encontrasse indiferença se acendesse as luzes. Ou ainda...

Mas ele não permite que haja luz alguma.

Indiferente à minha agonia, a língua aproxima-se de onde mais quero, e afasta-se, nunca trazendo o alívio. Sua única concessão é a respiração quente, que vez ou outra, demora-se um pouco mais ali. A frustração só faz aumentar o desejo, e durante todo o processo, reduzo-me a um conjunto de nervos vibrantes, manipulados cruelmente por Yagami Raito. A única opção que me resta é esperar por ele. Torna-se querido e temido.

Como Deus. Como Kira.

Mas o que se pode fazer com isso? "Tenho provas de que Yagami Raito é Kira. Ele é sádico e implacável na cama."

Está claro que eu não esperava que Yagami-kun se precipitasse. O que eu esperava? Que pedisse meu nome depois de três ou quatro beijos? Não. A intimidade que ele deseja construir comigo é bem mais perigosa. E eu sabia...

Claro que sabia. Ao menos uma parte minha. Minha mente brilhante conseguiu enganar até a mim mesmo para obter o que deseja. Tanto quanto capturar Kira, o que mais eu queria?

Exatamente o que estou tendo agora.

Essa consciência será fundamental. Tenho que mantê-la em vigília constante.

Porque em algum momento, talvez eu tenha que acabar com isso...

- Ai... Isso nem parece um encontro.

- Não se incomode comigo.

Misa me olha como se quisesse me matar. Não entendo. Era com Yagami-kun que ela deveria reclamar. Afinal, ele não parece se incomodar nem um pouco com as algemas, ou com o fato de que, assim, não pode ficar a sós com Misa. Se não lhe corresponde, não compreendo por que motivo não se afasta definitivamente dela. De qualquer modo, tenho que mantê-la por perto e vigiá-la.

Pergunto-me se Raito já contou a ela sobre nós...

Se for mesmo o segundo Kira, ela já sabe de tudo, e apóia Raito no plano. No entanto, ainda se opõe às algemas e me vê como um obstáculo ao seu 'namoro' com Yagami-kun. Mas seria estranho se Misa, do jeito que é, se afastasse de repente do amor de sua vida, deixando-o disponível a mim. Eles sabem que seria suspeito. Possivelmente armaram tudo.

- E se eu te der o doce, vai me deixar sozinha com o Raito?

Misa... Ela sabe que há câmeras de vigilância. Além disso, seu comportamento mudou bruscamente, não há dúvidas de que sofreu perda de memória. Ela quer mesmo ficar a sós com Yagami-kun só para namorar.

Será que não sabe de nada então?É um plano de Yagami sozinho? Mas ele também passou pela mesma alteração de comportamento. Ambos perderam as memórias na mesma época. Ela sem dúvidas é sua cúmplice... Porque ele agiria sozinho?

Afinal, nenhum dos dois tem agido como Kira. E Raito...

- Você parece não ter a mínima motivação, Ryuuzaki.

- Sim... Porque continuo achando que você é Kira. É deprimente que essa teoria possa estar errada.

Por outro lado...

Então, explico pela milésima vez minhas teorias, e Raito ouve com absoluto interesse e preocupação.

Um ator soberbo? Ou...

- Motive-se.

- Motivar-me?

- ...

- Só de pensar quantas vezes eu achei que ia morrer...

Inclusive todas em que você me abraça.

- Ryuuzaki...

No momento seguinte, um punho atinge minha cara com força absurda, e sou atirado longe. A dor me deixa tonto por um minuto. Quando abro os olhos, estou caído na parede, no outro canto do quarto.

- Isso dói.

Está discutindo comigo. Este jogo me cansa.

- Talvez eu tenha me expressado mal... Não criemos caso, isso só pioraria as coisas.

Quando me dou conta, Raito está me segurando pela gola da camisa. Para uma atuação, já foi longe demais.

- Uma vez é uma vez!

Agora é ele caído no chão. As pessoas subestimam minha força.

Ele diz que não ficarei satisfeito se ele não for Kira.

Minha mente certamente não ficará.

Mais tarde nesse mesmo dia, Yagami-kun faz algumas descobertas que certamente nos ajudarão muito. Agora, parece satisfeito por eu ter me motivado novamente.

Não há limites para a autoconfiança de Kira.

Tarde da noite. Encerramos as atividades do dia. Eu e Yagami-kun entramos no quarto, mas estou sem sono. O que aconteceu hoje ainda não me saiu da cabeça. Raito sabe disso. Está só esperando eu começar o questionário. É óbvio, pois sentou-se na cama e cruzou os braços, muito quieto. Acho que me conhece muito bem.

- Yagami-kun, muito obrigado pela preocupação. Perdoe-me se não a reconheci na hora. Agradeço seu interesse em me manter motivado.

Ele me olha sem expressão. Dou um gole no meu café.

- Além disso, seus esforços de hoje valeram muito. Se eu continuasse com desânimo, só ia atrapalhar.

- Sem você, não chegaremos a lugar algum, Ryuuzaki.

Eu olho para cima, pensativo.

- Não sei... Suas habilidades talvez fossem o suficiente...

Ele se levanta da cama, a confusão estampada em seu rosto.

- O que está sugerindo?

- Yagami-kun, se eu desistisse, prosseguiria com a busca?

Seu olhar agora tenta me perfurar. Aos poucos, acompanhando suas deduções, surge um sorriso frio em seu rosto.

- Pode parar por aí, L.

Mordendo a ponta do dedo, faço-me de desentendido. Raito se aproxima de mim calmamente.

- Sei aonde você quer chegar.

- Se sabe, então responda minha pergunta.

- Que diferença isso faz?

Foi minha vez de ficar confuso. Com olhos arregalados, eu o interrogo. Yagami-kun olha em meus olhos o tempo todo enquanto se explica.

- Se eu estiver atuando, segundo sua teoria, então vou mentir. Por outro lado, se eu era Kira e perdi a memória, você nada conseguirá de mim, do mesmo jeito.

- Brilhante, Yagami-kun. Ainda assim, não pode me impedir de tentar.

Ele dá o último passo que havia entre nós.

- Não posso. Mas isso não foi muito inteligente. Acha que vou acreditar que você desistiria?

Ele disse isso quase gentilmente. A proximidade me deixa um pouco ansioso. Antes que eu me afaste, a mão dele toca meu rosto, e ele quase sussurra.

- E só pra sua informação, é claro que eu perseguiria Kira, mesmo sozinho. Eu disse que iria pegá-lo pra você.

- De fato, a teimosia de Yagami-kun é tão grande quanto a minha. Ele vai até onde for preciso pra conseguir o que quer.

A mão que tocava meu rosto de leve agora ergue meu queixo, um pouco mais bruscamente.

- Chega, Ryuuzaki.

Sim... Essa eu perdi...

Ele traz meu rosto para perto dele.

Se ele tentar algo agora, soará suspeito...

- Eu te machuquei.

Fico olhando sem entender nada, enquanto longos dedos deslizam sobre o hematoma em meu rosto. Está levemente dolorido, e sinto um arrepio pelo corpo.

- Vem cá – ele sai andando, fazendo um gesto para eu acompanhá-lo. Ao perceber que não estou indo, ele pára.

Meu silêncio lhe encurta a paciência.

- Venha logo – ordena, me puxando pela corrente.

- Onde?

- Cuidar disso aí.

- Yagami-kun, fugiu muito do assunto. Minhas suspeitas aumentaram.

- Eu não fugi. O assunto acabou porque você ficou sem saída.

- Só porque me calei, não quer dizer que fiquei sem saída.

Ele rolou os olhos com impaciência.

- E o que espera que eu faça? Fique parado e calado enquanto você me analisa? Já lhe dei minha disponibilidade máxima, Ryuuzaki. Você pode me observar vinte e quatro horas por dia. Não posso fazer mais nada.

- Sim, está certo, Yagami-kun. Desculpe-me. Mesmo você sendo Kira, essas minhas perguntas não levariam a nada.

- Ótimo – ele disse, ignorando minha insinuação – então venha logo tratar disso. Parece que vai inchar.

- Não acho que seja necessário, Yagami-kun – decidi, virando-me para voltar ao quarto.

Ele me puxou pela corrente, de modo que quase perdi o equilíbrio, e tive que me apoiar nos ombros dele. Instintivamente tentei me defender e cheguei a fechar o punho para atacar, mas Raito agarrou meu pulso.

- Qual é o seu problema? Está com medo? Não se preocupe, Ryuuzaki. Se eu for Kira, não posso lhe fazer mal agora. Seria pior para mim.

Ele é tão bom que pode fazer até piadinhas?

Mas não vejo deboche nos olhos dele. Estão muito sérios e fixos nos meus.

- Yagami-kun, esse tipo de brincadeira é inconveniente, a menos que deseje levantar minhas suspeitas.

Ele soltou uma risada.

- Desculpe, foi inevitável – ele se explicou, diante de meu olhar incrédulo. Só então me dei conta de que ele ainda segurava meu pulso. E não pretendia soltar, nem quando fiz força.

- Você agora vem botar um gelo nisso.

- Eu queria buscar um doce – murmurei, começando a morder o dedo. De fato, a glicose me faltava.

Duas mãos agora retinham meus pulsos.

- Ryuuzaki. Guarde sua teimosia para o caso Kira.

- De fato... – respondi vagamente, percebendo seu olhar fixo em minhas mãos. Seus dedos deslizaram suavemente sobre os meus. Devagar, como se segurasse algo muito frágil, ele trouxe minhas mãos até sua boca, e pousou os lábios sobre uma de cada vez.

Eu observava tudo, assustado. Quando ele percebeu, largou minhas mãos e virou-se para a porta.

- Vamos – chamou, e dessa vez eu segui, ainda sob o encanto das carícias.

Chegamos à cozinha e Yagami-kun pegou gelo. Envolveu-o numa bolsa e voltamos. Paramos no banheiro e ele ficou procurando nas gavetas até achar uma pomada. Voltamos ao quarto, e ele me fez sentar na cama. Tudo isso em absoluto silêncio. Ele agia com muita calma. De mim não se pode dizer o mesmo.

Minhas mãos ainda tremem um pouco.

O súbito contato do gelo em minha pele quente e dolorida me fez recuar instintivamente. Sem me olhar nem por um segundo, ele segurou minha cabeça no lugar, com uma mão atrás de meu pescoço. Ficou pressionando o gelo contra o hematoma. Procurei seus olhos, mas ele me ignorou, aparentemente concentrado só no trabalho.

Situação um tanto desconfortável...

Abraçando minhas pernas, fico ali, distraído. Minha bochecha já está dormente, a dor parou. Meu olhar vaga pelo quarto e vai parar sobre uma caixa de bombons sobre o cômodo perto da cama. Quase instantaneamente tento me levantar, e Raito não permite. Ele me olha, transmitindo em silêncio um aviso para eu ficar quieto. Só então reparo que também lhe deixei uma marca. Minha mão se ergue e toca a região avermelhada em seu rosto.

- Yagami-kun... Acho que também o machuquei.

- Não é nada – ele diz curtamente, afastando minha mão.

Sempre inabalável. Fraquezas não existem para ele?

- Assim me ofende, Raito-kun. Está desdenhando de meu golpe?

Está agora espalhando a pomada pelo machucado, e nem sequer pára quando responde.

- Não é minha culpa se não está nem doendo.

- Verdade... Terei que fazer melhor da próxima vez – comento pensativo.

Raito interrompe o que estava fazendo e me encara como se eu fosse louco. Eu sustento o olhar sem piscar.

- Quem disse que haverá uma próxima vez?

- ...

- Responda – ele exige, retendo a mão que eu inconscientemente levava à boca.

Bem, ele levou isso a sério...

- Não se esqueça de que foi Yagami-kun que começou.

Ele me olha por um momento de um modo estranho. Analítico.

- Você quer que eu faça de novo?

A pergunta não me assusta. Apenas um leve arrepio me sobe pela espinha. Não demonstro. Continuo olhando firmemente para cima, nos olhos dele.

- Conte-me uma coisa, Ryuuzaki – ele diz em tom casual – acha que Kira é alguém violento?

Antes que eu abrisse a boca, ele próprio prosseguiu.

- Não. Você sabe que não. Kira dificilmente perde o autocontrole. Ele pode ter idéias violentas, mas ele próprio é frio e calculista.

Já não sei mais onde ele quer chegar. Só sei que está adorando isso. Conduzir a situação. Até seu porte mudou. A cabeça erguida. E o modo de olhar pra mim, de cima para baixo.

Como se eu fosse uma presa.

- Então, Ryuuzaki – Raito cruza os braços e indaga – acha que eu sou como Kira?

A resposta é imediata.

- Nesse aspecto, Yagami-kun e Kira são similares.

Ele estreita os olhos.

- Que bom que você já sabe disso, Ryuuzaki – diz em tom gélido. Chego a me assustar um pouco, e recuo inconscientemente. Há um brilho vicioso nos olhos dele.

Será que fiz bem em começar com isso?

- Se já sabia, por que insiste em me provocar? Você não está mais me testando, Ryuuzaki – ele avança um passo, e eu sei que está prestes a concluir seu triunfo – Você quer me tirar do sério.

Parabéns, Yagami Raito. Acaba de me vencer em meu próprio jogo.

- Você gosta.

Fico na cama, petrificado. Um tremor de antecipação me percorre o corpo. Raito percebe e agarra meus pulsos, levantando-me da cama. Estamos frente a frente.

- Viu como acertei? – afirma, me estudando de cima a baixo. Nossos olhos se encontram, e acho que ele vê algo que o desagrada.

Qual o problema, Raito? Não consegue me intimidar? Que pena.

Mesmo quando ele segura meus braços e força-me a deitar sobre a cama, minha única reação é encará-lo. Talvez, para ele, minha falta de resistência seja algum tipo de desafio mudo. Quando monta em cima de mim, seus olhos brilham num misto de raiva e desejo.

81 por cento... As chances sobem muito. Tem noção do que está fazendo, Yagami Raito?

Raito desce o olhar e percebe que despertou em mim uma certa reação. Então, sorri com crueldade.

- Você é tão cínico, Ryuuzaki – ele fala com a boca colada em meu ouvido. Agora, tem meus pulsos seguros em uma só mão. Não consigo evitar um pequeno gemido quando ele lambe meu pescoço. Raito ouve e decide tirar vantagem. Sinto sua língua contornar minha orelha, sua respiração em meu pescoço. É enlouquecedor e tento me desviar da tortura. Raito segura meu queixo no lugar e me beija bruscamente.

Ele está tentando ganhar. Pensa que é um jogo, e quer vencer.

Mas eu não estou vendendo briga, agora. Minha língua recua diante da dele, permito que devore minha boca. Está me machucando, e quando partimos o beijo, um filete de sangue me escorre dos lábios. Pouco me importa. Estou tonto e mal tenho consciência quando Raito arranca minhas calças e me vira de bruços. Tento olhar para trás, e o peso dele já me cobre. Percebo que está me forçando contra a cama, impedindo-me qualquer movimento. Não que eu fosse tentar. Ele cola a boca à minha nuca. Os dentes mordiscam minha orelha e eu fecho os olhos, sabendo o que vem pela frente. Mordo o travesseiro com força para não gritar quando seus dentes cravam em meu pescoço. Depois, fica lambendo a região, causando-me um prazer estranho. Sinto uma das mãos dele descendo pelas minhas costas, causando arrepios, e chegando à minha região mais íntima.

Será que ele pretende... Mas nós nunca...

Meu pensamento é interrompido quando sinto um incômodo dentro de mim. Começo a me contorcer e Raito me pressiona mais para baixo com seu peso.

- Não se preocupe, não vai doer tanto.

Seu tom é cheio de sarcasmo. Mais uma vez a tentativa de me assustar falha. A tortura dentro de mim continua, é isso que chamam de preparo? Não preciso disso. Tento levantar os quadris, para mostrar-lhe que estou esperando, estou pronto. Raito percebe e sua mão alcança mais fundo em mim, arrancando-me um gemido alto, enquanto a outra mão me empurra para baixo. Ele sai momentaneamente de cima de mim, dando-me liberdade de movimento, e imediatamente começo a mover os quadris para cima, buscando mais contato, embora seus movimentos dentro de mim sejam bruscos e machuquem. Para minha surpresa, ele pretende me atender logo. Os dedos finalmente me deixam. Seus braços contornam minha cintura e puxam meus quadris mais ainda para cima, deixando-me em posição bem conveniente ao ato. Sinto seu desejo encostado às minhas coxas.

No instante seguinte, uma dor inominável.

A invasão foi bruta e direta. Devo ter gritado, não sei. Nessa hora não vi nem ouvi nada. O travesseiro está úmido, acho que escorreram algumas lágrimas. Raito parou dentro de mim e espera que eu me ajuste. Sei que seu controle vai durar pouco. Seus braços o sustentam para que não jogue todo o peso sobre mim agora. Então, eu abro mais as pernas, dando-lhe mais acesso. Ele logo entende o recado e vai saindo aos poucos, até estar fora novamente. Eu aperto os olhos e mordo o travesseiro. Raito deposita pequenos beijos em meus ombros, e só então me dou conta de como estava tenso. Faço um esforço para descontrair o corpo e relaxar. Então, ele volta com força e eu grito novamente. Dessa vez o ouço gemer e isso me faz esquecer a dor.

Quero que ele se solte. Que mande sua imagem de perfeito pro inferno. Mostre-me como você é, Raito. Apenas se for Kira, não vai perder o controle numa hora dessas.

Não sei como, consigo subir mais ainda os quadris. Praticamente só a minha cara encosta na cama. Isso parece trazer mais convicção a Raito, ele segura meus quadris com força e inicia um movimento firme e contínuo, sem se importar com os fracos gemidos de dor que tento inutilmente abafar. De repente, ele toca algo em mim que me faz gritar, não de dor. Quero que continue, e ele parou. Meus quadris movem-se e encontram apenas ar. Tento lhe pedir, e só consigo emitir um som indistinguível.

- Implore, Ryuuzaki.

Eu ouço e ignoro. Continuo buscando algum contato, mas Raito me segura com força e não consigo. Ao mesmo tempo, sua outra mão alcança meu sexo, que já está dolorido, e aperta levemente. Engulo em seco e encontro forças para suplicar.

- Por favor, Yagami-kun. Vai, vai logo...

Ele vem. Acho que o prédio todo ouve meu gemido.

- 82 por cento !

Uma das mãos agarra meus cabelos e puxa. A outra continua onde estava antes, movendo-se sem gentileza alguma. Quando isso acabar, estarei todo roxo. Raito acelera os movimentos sem mais se importar com nada, agora que conseguiu me reduzir a esse estado. Quando tento morder o travesseiro, ele puxa meu cabelo com mais força ainda.

-83...

Sua mão vem tapar minha boca e ele me invade de tal modo que quase me parte ao meio. Arqueio as costas e acabo mordendo a mão dele. Ele aperta mais ainda.

- Foi você quem pediu.

A voz rouca no meu ouvido me causa tremores da cabeça aos pés. Chego ao alívio chamando o nome dele. Fico desorientado uns minutos, e quando volto a mim, Raito me abraça com força descomunal.

- Ryuuzaki!

Finalmente ele me preenche. Seu peso me cobre novamente e ele fica assim, ofegante, com o rosto descansando no meu ombro, até que sinto vontade de me mexer. Ele se vira e permite que eu me estique. Meus músculos doem de ficar tanto naquela posição. Raito me puxa para perto. Isso me surpreende.

- Yagami-kun... Não precisa grudar em mim agora, se não quiser.

Os olhos dele se arregalam mais do que os meus. Tento me explicar.

- Não quis dizer que não quero. Eu disse se você não quiser.

Ele rola os olhos com impaciência e volta a me puxar. Ficamos um tempo em silêncio, minha cabeça no peito dele, ouvindo o coração se acalmar aos poucos. O único som audível são nossas respirações se normalizando.

- Ryuuzaki... Estava falando sério?

A voz dele soa irreal e muito suave, mal parece quebrar o sagrado silêncio.

Faço um esforço para levantar a cabeça e encará-lo. Estou exausto.

-Yagami-kun agiu de modo estranho.

- Estranho como?

- Dominador.

Ele estreita os olhos, como se quisesse me enxergar mais fundo.

- E isso é motivo para aumentar as suspeitas? Estamos falando de sexo, Ryuuzaki!

- Mas é no sexo que as pessoas mostram quem são – argumento, chupando o dedo que levei à boca sem perceber.

- De qualquer jeito – ele desvia o assunto, e noto o tom de frustração em sua voz – preciso pedir desculpas.

- Por?

- Eu agi com descontrole – a mão dele alisa meus cabelos – e com certeza te machuquei.

- Que desculpas que nada. Eu gostei.

A expressão no rosto dele é impagável.

- Pra começo de conversa, fui eu que provoquei tudo isso.

- Então... – ele começa, só agora encontrando voz pra falar – eu realmente estava certo.

Ele me observa como se quisesse confirmar alguma coisa.

- Você é doente, Ryuuzaki.

Continuo só observando. Uma súbita consciência parece assaltá-lo, e ele segura meus ombros.

- Então, esse papo de porcentagem foi falso!

- Não vejo por que – respondo, ignorando o fato de que ele ainda me segura.

- Foi você quem me provocou!

- Provoquei, e um lado Kira seu emergiu.

Yagami-kun me fuzila com o olhar, antes de puxar o cobertor sobre nós dois.

- E você gostou.