PATRICIA
O AVIÃO ATRASOU meia hora, alguma coisa relacionada a congestionamento aéreo. Thomas fora comigo para se despedir e poder levar meu carro de volta para o apartamento.
Antes de embarcar abracei Thomas mais uma vez, e percebi que ele se segurava para não chorar, agora tudo era incerto, não tinha certeza se o veria novamente e muito menos ele, ou pelo menos, se me veria viva novamente.
Embarquei, procurei meu lugar e me sentei. Olhei pela janela quando o avião decolou, vendo Nova York pelo o que poderia ser a última vez, uma única lágrima escorreu do meu olho esquerdo, solitária, como eu provavelmente ficaria em Paris.
Quando desembarquei em Paris o aeroporto estava lotado, muito lotado, quase não tinha como andar normalmente, enquanto procurava pela placa com meu nome, o motorista devia esperar ali para me levar para o hotel, olhei para todos os lados e então me deparei com uma placa escrito "Sra. Shepperfield". Fui ao encontro e mostrei o documento, então ele se virou e disse que o acompanhasse, foi o que fiz.
Ele me levou até o hotel e descarregou as malas, deixando-as no lobby para que o carregador levasse. Caminhei para o balcão da recepção, me apresentei e a recepcionista, uma mulher de cabelos ruivos até os ombros, pele muito branca, óculos e olhos surpreendentemente azuis. Ela olhou para mim e, sorrindo, entregou-me o cartão do quarto e disse em francês:
"Boa estadia, senhora."
Agradeci-lhe e fui para o elevador, acompanhada pelo carregador com minhas bagagens. Quando chegamos ao quarto, ele descarregou sobre a cama e dei-lhe uma boa gorjeta, ele agradeceu com uma reverência e saiu. Tirei as malas da cama e deitei-me, queria descansar um pouco antes de começar meus tours pela cidade. Dormi como uma pedra, e quando acordei meu celular apitava indicando que eu tinha ligações perdidas, fui olhar.
Eram treze ligações de Thomas e duas de minha secretária, Kristin. Primeiro liguei para Thomas; ele perguntou se eu chegara bem, como tinha sido a viagem e quanto tempo pretendia ficar ali, disse-lhe que não tinha previsão de quando voltaria a Nova York. Logo em seguida liguei para Kristin, ela também fez as mesmas perguntas, como tinha chegado, se estava bem, blá-blá-blá, respondi as mesmas coisas que tinha dito para Thomas, então despedi-me e desliguei.
No dia seguinte, ao amanhecer, o céu estava muito claro, apenas algumas nuvens, deixando o sol totalmente exposto, uma beleza quase inimaginável. Levantei-me ainda mais animada com aquela paisagem. Tinha planejado sair para comprar algumas coisa que tinha deixado para comprar aqui. Então fui para o restaurante do hotel, tomei um café reforçado, pois devia voltar só mais tarde, e provavelmente o horário de almoço já teria acabado, e saí.
Andei por várias lojas no shopping, lojas de roupas, jóias e perfumes, não podia deixar de comprar perfumes, os parisienses eram os melhores perfumistas do mundo, tinham fragrâncias espetaculares, as jóias também eram lindas, e podia-se encontrar desde rubis e esmeraldas até os mais belos e brilhantes diamantes.
Como havia previsto, retornei ao hotel era pouco mais de três da tarde, estava morta de cansaço, aquela tarde me fizera até mesmo esquecer da doença que tinha, fizera-me sentir como se não tivesse coisa alguma, e aquela não fosse a última viagem que faria.
A recepcionista ruiva informou-me que o horário de jantar começaria às sete e meia e iria até nove horas, teria um bom tempo para descansar os pés e assistir um pouco de televisão.
Subi para meu quarto e aproveitei o tempo que tinha antes do jantar, outra coisa que me encantava na cultura francesa, sua culinária, só não era melhor que a culinária italiana.
Às sete e quinze desci para o bar do restaurante, onde pedi um martini seco e depois de beber o drink, me dirigi para o restaurante, pela segunda vez naquele dia.
O jantar foi maravilhoso; de entrada uma salada de rúcula e rabanete, regada com azeite e limão, o prato principal, um filé de salmão ao molho de alcaparras, também delicioso, a sobremesa foi um sorvete de hortelã com nozes e depois um café.
Novamente subi para meu quarto, onde escovei os dentes e me troquei, colocando uma camisola que tinha comprado no dia, rosa clarinho, com uma pequena borda rendada na barra e no decote, e então fui dormir. Outra vez, pareceu que não tinha doença, e dormi como não dormia desde que recebera a notícia.
