Música recomendada: Dont cry out by Shiny Toy Guns.

O sol já estava batendo no meu rosto, de longe eu conseguia escutar minha mãe me chamando. Aos poucos fui abrindo meus olhos, me remexi um pouco mais na cama. Um vento bateu no meu rosto, será que eu deixei a janela aberta? Que sono... Acho que posso dormir mais, olhei no despertador, afinal só são... QUINZE PRAS SETE!

De um pulo só me levantei da cama, peguei minha toalha, corri para o corredor, quando cheguei no banheiro já estava ocupado. Droga! Por que nas horas em que a gente mais precisa isso acontece? Escorreguei pelo corrimão da escada, afinal consegui entrar no banheiro de baixo. Tomei um banho rápido, e saí às pressas para o meu quarto pra colocar a farda.

-MÃE, CADE MINHA SAIA?

-No local de sempre. - Minha mãe que passava pela minha porta de pijamas e pantufas respondeu calma, calma até demais.

-ONDE É O LUGAR DE SEMPRE? - Perguntei em quanto jogava as coisas pro alto a procura da saia.

-Oh não Lily, estão aqui em baixo, venha pegar. – Escutei a voz abafada de mamãe, já no andar de baixo.

-ARRRRR. - Desci as pressas com uma toalha em volta de mim. Finalmente eu estava com os trajes completos... Ah não! As meias! Esqueci de colocar as meias! Tirei o sapato rapidamente, pra colocar as meias. Pronto agora sim. Uma ultima olhada no espelho. Oh céus! Meu cabelo está horrível! O que é isso Lily? A bruxa do 72 ?

15 minutos depois.

Estava dando a ultima mordida no sanduíche, tinha que ser rápida ou ia me atrasar, a primeira aula da sexta feira era... Ai, ai não lembro... Já tinha passado quase duas semanas de aulas e eu ainda não tinha decorado todos os horários, oh que ser energúmeno eu sou!

-Lil, eu vou te levar hoje, não se apresse, termine de comer tudo.

-Nap, bas eo ja teminpei. - Eu tentei falar esquecendo que minha boca estava cheia de pão.

-Termine logo.

-Podemos ir. –Engoli tudo o que faltava.

Mamãe já estava abrindo a porta do carro, quando me lembrei que tinha esquecido o livro de inglês. Droga.

-Mãe! Espera um minuto.

Voltei correndo e subi as escadas. Por que meu quarto tinha que ser o último? Cadê você livrinho lindo... Cadê... Ah! Achei! Já ia voltando correndo quando vi uma pequena flor rosa no chão do meu quarto. Estranho. Como ela tinha entrado? Ah... A janela. Fechei a janela do meu quarto e olhei pra árvore do lado de fora. Mas... Como? Era outono! Peguei a flor do chão. Era uma flor de cerejeira, era mesmo da árvore do jardim. Que esquisito. Escutei minha mãe me chamando do lado de fora. Peguei um diário antigo que eu tinha e coloquei a flor dentro. Eu nunca tinha recebido flores de ninguém... Talvez o meu dia chegue. Será? Eu não tenho com o que me preocupar, qualquer coisa, no mínimo no meu enterro eu recebo flores. Mamãe já estava gritando.

Corri o mais rápido que pude e entrei no carro. Mamãe deu a partida do carro.

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O sinal já tinha tocado, os corredores estavam vazios. Droga! Qual era a primeira aula? Eu não posso perder, não posso! Corri até minha sala e abri a porta bruscamente. Com as mãos nos joelhos e a respiração ofegante, pude notar que a primeira aula era de... Artes? Praguejei internamente, toda aquela afobação pra... Artes? O professor me mandou sentar, mas só tinha restado um lugar atrás da Mckinnon, fofoqueira de carteirinha.

Que raiva eu estou de mim! Se fosse uma aula legal, mas as aulas desse professor são... sem nexo. Ele fala, fala, e eu durmo, durmo... Será que eu tenho sono em todas as aulas? Eu até que gostava de desenhar, mas essa aula ninguém merecia. Estava pouco atenta e só conseguia escutar algumas frases.

-O período da Idade Antiga foi importante pra arte até ... – Estava admirando a janela, quando vi um beija-flor tentando bicar um adesivo em forma de flor que estava pregado nela. Comecei a rir. Coitado do bichinho! Devia estar pensando que aquilo era uma flor de verdade... – Com licença Srta. Evans, mas qual é o motivo da graça?

-Ahn? –Olhei para os lados, como se não fosse comigo, algumas pessoas riram de mim, inclusive Sirius e James, arr, eu mato eles. – Ah, nada professor, nada. – Olhei de novo pra janela, ele não estava mais lá.

-Bem, talvez seja pelo motivo que sua farda está do avesso? – Ele comentou risonho.

Não acredito... Eu sou uma anta, louca, idiota! Como eu pude vestir a farda ao contrário? Agora todos estão rindo da minha cara... Até o novato! Que mico! Levantei-me e o professor consentiu com um aceno. Sai correndo para o banheiro. Entrei em uma das cabines. Já estava tirando a camisa quando escutei duas meninas conversando. Não consegui identificar as vozes.

-Parece que o novato, não está mais interessado pela Murdoch, pelo que soube ele...

-Que novato? – Uma voz mais estridente.

-O que voltou do intercambio na França.

-Ah... Murdoch? Alice Murdoch?

-Sim, parece que ele desistiu dela, ela não estava dando bola pra ele, ele tentava se aproximar, mas...

-Ah... - A outra parecia que tinha estacado, não era a única.

-Vamos logo antes que o professor note nossa ausência. - A outra falou aborrecida.

A porta do banheiro se fechou.

Por que eu estava sentindo uma pitada de ciúmes? Talvez até raiva. Aquela Murdoch sempre fisgava os garotos, o Sirius, por exemplo, tudo bem que ele é meu amigo e é o maior galinha, mas teve também o Diggory e agora o Longbotton? Mal o menino chegou aqui e ela já o fisgou! Que vigarista...

Saí da cabine e olhei meu reflexo no espelho. O que faltava em mim? Eu não me achava feia, mas acho que falta alguma coisa... Prendi o cabelo decentemente como todas às vezes, ajeitei a farda, respirei fundo e saí do banheiro.

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Intervalo.

Horário em que os alunos saem para o pátio da escola. Mil trezentos e cinqüenta e dois alunos. Aproximadamente cinco mil metros quadrados.

Harbor, é uma escola bem grande. Dezenas de salas, um pátio enorme, várias árvores e jardins, quatro quadras, banheiros femininos e masculinos em cada andar. Bem tudo isso seria muito bom se não houvesse um problema. Só existe uma cantina. Mil trezentos e cinqüenta e dois alunos. Uma cantina.

-Meu pé! - Eu berrei, um menino da sétima série pisara no meu pé. O coitado saiu correndo com a comida. Ele não devia ver todos os dias ruivas em fúria. Meu dia não estava muito bom e ainda me vinha um projeto de gente pisar no meu pé?

Eu não conseguia nem entrar na fila pra pegar um lanche. Pelo menos James e Remus já tinham conseguido arranjar uma mesa, empurrando alguns alunos da sexta série. Um amontoado de gente se fazia e eu ainda não tinha conseguido comprar coisa alguma. Já estava ficando nervosa e amassando meu dinheiro, quando senti alguém puxando ele da minha mão. Já ia gritar ladrão, quando vi o sorriso de Sirius.

-Aprenda com o mestre, ruivinha.

-Estou atenta.

Empurrando vários alunos menores, Sirius conseguiu chegar perto da balconista.

-Oi Polly. - Desgraçado! Já sabia até o nome da balconista!

-Tudo bem Black? - A balconista se derretia, enquanto vários alunos reclamavam. Sirius deu um sorriso colgate. Apareceu do meu lado Lizzie, resmungando algo parecido com "Black, você não presta" eu ri e ela me lançou um olhar mortífero, com uma só sobrancelha, e meu ânimo foi pro ralo, ela sabia que eu tinha um trauma com isso. Sirius já estava voltando com meu lanche, com uma aparência deliciosa. Cachorro quente.

Tomei meu precioso das mãos de Black e falei obrigada, nós três fomos em direção a mesa.

-Como você consegue Black? - Lizzie perguntou de braços cruzados.

-Uma pitada de charme, um sorriso e um piscar de olhos, pronto, qualquer uma cai aos meus pés.

-Ah é? - Ela falou incrédula.

-É. Mas você sabe que eu só tenho olhos pra você não é Lizzie? - Ele passou o braço pelo ombro dela, já era costume dele fazer isso pra irritá-la.

-Há há, até parece que um cachorro que nem você...

Sentamos-nos à mesa, os dois continuavam a discutir. James e Remus falavam sobre a próxima partida de beisebol que era daqui a algumas semanas. James dava uma mordida enorme no seu hambúrguer. Ri de leve e lembrei de Remus e James crianças competindo pra ver quem comia mais. Remus sempre ganhava, o menino parecia ter uma acompanhada na barriga, por que aquilo já não era mais uma solitária!

-Moony, não vai comer? –Perguntei displicente.

-Sem fome...-Ele fez uma careta enjoada pra comida.

-Hum. Sabe, eu nunca entendi esse jogo.

-Qual?

-Esse ai, beisebol.

-Lil! Você nos vê jogando a mais de dois anos! - Falou passando as duas mãos pelos cabelos, isso desde pequeno era sinal que estava se irritando. Quando ele esta se exibindo ele só passa uma das mãos. É, convivendo muito a gente conhece até o tipo dos tiques dos nosso amigos.

-Eu não tenho culpa! É muito complicado!

-Claro que não é! - Sirius parou de discutir com Lizzie e se intrometeu na conversa.

-É sim! – Eu falei emburrada, depois dando uma mordida no cachorro quente.

-É muito simples Lil, no jogo todos jogam em posições diferentes, uma partida tem nove innings...- James começou a explicar pausadamente como se eu fosse uma anormal. De repente Remus, James, Sirius e até Lizzie, (traidora!) começaram a rir de mim. Motivo simples, eu nunca consegui, nunca irei conseguir e nunca vi ninguém que conseguisse comer cachorro quente sem se melar ou derrubar qualquer coisa.

-Parem de rir! - Eu fui tentar amenizar a situação e acabei derrubando molho de tomate na minha farda. Por que eu fui nascer tão desastrada. – Arrrrrr... – Fui ficando vermelha de raiva.

-Lil, quando é que você vai conseguir comer cachorro quente sem se melar? - James ainda ria da minha cara.

-Nunca! - Sirius completou.

-Não falem assim... Coitada da Lil... – Lizzie começou, até que enfim uma alma me defendendo, finalmente! - Só por que ela não tem capacidade mental pra comer um cachorro quente não é motivo para caçoarmos dela. – Traidora duas vezes, ah! Eu vou me vingar dessa Elisabeth de uma figa! A se vou! Remus já estava ficando vermelho de tanto rir e os marotos tiveram que ajudá-lo a se recuperar.

-Que belos amigos eu tenho! Riem as minhas custas ao invés de ajudar. Obrigada! Obrigada, um dia vocês vão ver... - Mas parece que eu não consegui comover ninguém, por que os quatro começaram a rir de novo. Eu fechei a cara e cruzei os braços olhando para o lado contrário a eles.

-Own Lil querida, você sabe que a gente te ama. - Lizzie me abraçou. Sirius também. James e Remus só ficaram rindo.

-Se eu não gostasse tanto de vocês, já teriam presenciado a fúria de uma ruiva.

-Caham. Todos nós aqui sabemos como é ter uma ruiva irritada e não queremos ver isso, em amor a nossas vidas, querida Lil. - Remus tentou falar num tom sério.

-Concordo com o Moony.- Sirius fez a mesma cara séria.

-Vocês não viram nem metade! - Falei com o peito estufado de orgulho. – Quando eu der meu golpe da voadora...

-Lil, menos querida... - James segurou minha mão e com a outra dando palminhas.

-Hunfp.- Puxei minha mão e já ia retrucar quando o toque pra voltar para nossas salas soou.

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Lizzie tinha ido almoçar lá em casa, combinamos de última hora que ela ia me ajudar em biologia e eu a ajudaria em história, minha matéria predileta. Mamãe não sabia disso e foi visitar minha avó e papai estava trabalhando, ele passava o dia fora, só voltava à noite. Conclusão, nós tivemos que preparar o nosso almoço. Conclusão da conclusão, o almoço foi pizza com refrigerante.

-Desculpe Lizzie, o almoço não foi muito bom e...

-Ta brincando? Faz muito tempo que não como uma pizza tão boa!

-É claro, fui eu quem fez querida.

-Eu estava falando somente pra te agradar Lil. – Lizzie mudou a face pra seriedade.

Meu queixo caiu e a desgraçada começou a rir. Joguei meu guardanapo amassado naquele ser que se dizia minha amiga e ria da minha cara. Hoje eu tinha tirado o dia pra virar palhaça.

-Lizzie, você sabe de alguma coisa sobre o novato?- Mudei o tom da conversa repentinamente.

-Sei...

-O que? - Eu perguntei ansiosa.

-Que ele é um gato.

-Isso é obvio querida, quero dizer, alguma informação da vida dele.

-Não muito, o mesmo que você sabe, ele voltou de intercambio e...

-Está interessando pela Alice Murdoch... - Eu continuei, pra ver se ela já sabia.

-Não! –Ela falou incrédula. É pelo visto ela também não sabia, nós devíamos ser as garotas mais mal informadas da escola. - Sério?

-Você não sabia? Em que mundo você vive Lizzie?- Falei como se fosse óbvio. – Parece que ele estava interessado pela Murdoch, e estava tentando se aproximar dela, mas ela não dava bola pra ele, e ele ta quase desistindo dela.

-Céus, que vigarista! Ela quer todos os garotos da escola pra ela?

-Foi o que eu pensei quando escutei isso.

-O que será que ela tem de mais Lil? – Já deu pra perceber que eu e Lizzie temos pensamentos bem parecidos, não é mesmo?

-Não sei... Hey, eu sei!

-O que? – Lizzie falou de olhos arregalados.

-Sobre mim eu não sei, mas de você o que falta é... Altura. Tampinha!

Lizzie saiu correndo atrás de mim enfurecida pra me bater, como eu adorava tirar onda dessa tampinha.

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-Parabéééns pra você! Nesta daaata querida! Muitas feeelicidades, muitos anos de viiida.- Cantávamos num ritmo péssimo. – É pique! É pique! É hora! É hora! REMUS! –Soltamos vivas. Remus fez um pedido demorado e assoprou as dezesseis velas, deixando toda a sala numa escuridão completa. Escutei algo perto de mim.

-Boo.

-Aiiiiin. –Dei um gritinho fino, alguém acendeu a luz e eu pude ver James rindo de mim. Imediatamente fechei a cara. –Eu fiz de propósito okay?

-Sei!-Ele riu da minha cara e depois passou o braço pelo meu ombro e fez um cafuné.

-Sai Prongs! – Odiava quando ele fazia aquilo. Desde que éramos pequenos ele tinha aquela mania.

Remus fazia dezesseis, eu e os outros ainda íamos fazer dezesseis no ano que vem. Ficamos na mesma sala, por que o aniversário de Remus era no final do ano. Cada um de nós abraçou Remus e entregou seu presente. Depois ele deu um abraço apertado na mãe e ela lhe entregou o seu presente. Fiquei olhando para os dois, como seria se o pai de Remus estivesse aqui?

Ele abriu logo o envelope que a mãe havia entregado. Sua face se iluminou instantaneamente, juntamente com a de Sirius e James.

-ACABARAM-SE OS DIAS DE TRISTEZA!-Sirius gritou.

-DE SOL QUENTE NA CABEÇA! –James assoviou bem alto.

-DE CALOS NOS PÉS! –Eu gritei.

-DE ACABAR COM MEUS SAPATOS NOVOS! –Lizzie gritou e todos olhamos pra ela sem entender. –Que foi gente? Sapatos são caros sabia?

-Finalmente Remus! Finalmente um de nós tirou a carteira de motorista!-Sirius abraçou Remus.

-Agora não vou ter que ficar pedindo pra mamãe me levar pros lugares! –Comentei feliz.

-Espera ai pessoal. –Remus falou sério. –Quem disse que eu vou levar vocês? Se quiser vão ter que pagar. Gasolina é cara sabia?

Olhamos pra Remus de queixos caídos.

-Remus como você é mesquinho. –Sirius murchou totalmente.

-Egoísta. –James comentou ressentido.

-Calma, dependendo da situação eu posso até abrir uma exceção pra vocês...

James e Sirius vibraram.

-Meninas. –Ele completou. –Eu lá vou ficar levando um bando de macho no meu carro!-Eu e Lizzie desatamos a rir, James e Sirius ficaram com raiva.

-Remus!-A Sra. Lupin pediu atenção. –Tenho uma surpresa pra você! –Ela falou apertando as bochechas do filho. –Chegamos a uma data muito importante e eu resolvi te dar um presente melhor agora.

-Não precisa mãe. –Remus falou envergonhado. Duvido que não precisasse, que atire a primeira pedra quem nunca disse isso pensando "Mostra logo!".

-Vamos todos lá fora. –Lucy falou ignorando o filho.

Seguimos a Sra. Lupin até a garagem da casa. Remus vivia numa casa modesta, geralmente aqui em Newport ou se é rico ou se é pobre. Remus não é pobre, só não é rico. Ela abriu as portas da garagem deixando a mostra um carro preto.

-Mãe!-Os olhos de Remus, e de todo o resto se esbugalharam. Chegamos mais perto. Remus foi passando a mão por todo o carro como uma criança a contemplar seu brinquedo novo. Era um carro novo e muito bonito. Tinha cara de ter custando um booom dinheiro. –Mãe, não precisava, isso deve ter lhe custado todas as economias. –Dessa vez ele estava realmente falando sério.

-Remus! Seja um adolescente de dezesseis anos normal pelo menos uma vez na vida! –A mãe dele falou rindo e dando um puxão de orelha nele. Ele abraçou a mãe de novo.

-Apoiado tia!- Sirius disse. Ele tinha mania de chamar os mais velhos de tios, mesmo depois de grande. Eu achava engraçado!

-Obrigado mãe. –Remus falou.

-Er Remus...-Sirius falou. Ele e James estavam com sorrisos de um canto ao outro do rosto.

-Mãe...? –Remus pediu.

-Vão logo! –Ela deu a chave na mão dele.

Entramos os cinco no carro o mais rápido que pudemos. James e Sirius tiveram uma briga dos diabos pra ver quem ficava no banco da frente, terminaram tirando no par ou ímpar e James ganhou. Remus ficou passando a mão no volante como se não acreditasse, deu uma ajeitada no retrovisor e depois deu um sorrisinho pra nós, pisando o pé no acelerador. Ainda escutei a voz distante da Sra. Lupin.

-Cuidado!

Foi muito hilário. O som estava no máximo. Sirius, Lizzie e James pediam pra acelerar, eu era a única que pedia pra ir mais devagar. O melhor de tudo foi o sentimento de independência que sentimos. Liberdade! Não tínhamos nossos pais dizendo o que devíamos ou não fazer.

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Quem nunca disse uma mentirinha pros pais um dia? Existem vários tipos dela. A minha e a de Lizzie seriam de tamanho GG. Eu não conseguia nem pensar no que minha mãe faria comigo se descobrisse que ao invés de sua filhinha estar na casa dos Knightley, sexta feira à noite, comendo pipoca e assistindo filmes de terror, estivesse num carro junto com mais quatro adolescentes. Todos nós tínhamos dito que íamos dormir um na casa do outro.

Remus parou o carro um pouco mais distante da boate.

-Vamos logo meninas!-James falava apressado.

-Calma!-Eu e Lizzie estávamos carregando mais a maquiagem. –Vocês acham que eles vão perceber que não temos dezoito?

-Não. Primeiro por que a cara de vocês está tão carregada que nem eu mesmo as reconheço. Segundo, não vamos entrar pela frente.- Sirius falou maroto, ajeitando o gorro preto que usava na cabeça fazendo com que os cabelos caíssem nos olhos. Eu e Lizzie também passamos um pouco de maquiagem pra envelhecer os meninos, no começo eles relutaram, mas depois deixaram.

-Agora vamos?-Remus estava impaciente. Caminhamos os três até a boate, mas desviamos e fomos andando até a parte detrás.

-Como vocês acham que nós vamos entrar?-Perguntei.

-O cara que está trabalhando aí é amigo do meu pai. Ele ta me devendo um favor e conseguiu um jeito de nós entrarmos. –James sorriu. –Esperem uns segundos. –Ficamos de tocaia, até que saíram uns seguranças correndo atrás de um cachorro. Acidentalmente eles deixaram a porta aberta. Sorri, James acenou, era nossa chance. Corremos e conseguimos entrar, logo nos dispersamos pela multidão.

Don't Cry Out

Cease Fire

-UAU. –Gritei pra James, pois a música estava muito alta.

-Aproveitem. –Sirius já estava com um copo na mão.

-Hey Sirius, manere okay? Ou você vai acabar nos dedurando. –Lizzie comentou. Sirius emburrado deixou o copo com um garçom.

I was pretending

Your secret kiss of confidence

Was my escape

The perfect game to play...

A música começou a envolver todos nós. Em poucos segundos os cinco já estavam dançando. Em menos segundos ainda já tínhamos nos separado. Só tinha sobrado Lizzie ao meu lado. Nós duas ficamos dançando no ritmo e rindo a toa.

O local estava muito lotado, e constantemente pessoas esbarravam em você. Aquela era uma das melhores baladas da cidade. E nós estávamos lá. Nós estávamos lá!!! Até meu sangue parecia correr mais rápido. O jogo de luzes dos djs era de arrasar. O melhor é que só tinha gente bonita. Fechei os olhos, deixei a música me levar, agora não importava se eu dançava bem ou não.

Ten nine eight and I'm breaking away

I'm all dressed up and I'm ready to play

Seven six five four and I'm all over you

Counting three two one and I'm having fun...

Um tempinho se passou e fomos procurar os meninos. Outra música já tinha começado. No meio do caminho eu e Lizzie paramos pra dançar de novo. Alguém tinha colocado Michael Jackson! Ficamos fazendo uma dancinha estranha. Mas não estávamos diferente de todo o resto da boate. Afinal quem nunca escutou ao menos um pedaço de Thriller?

'Cause this is thriller

Thriller night

And no one's gonna save you

From the beast about to strike

Encontramos Remus e James sentados no balcão. E ficamos dançando lá também. Os dois ficaram nos olhando estranho, mas depois começaram a nos imitar com uma dancinha do monstrinho.

You know it's thriller

Thriller night

You're fighting for your life

Inside a killer

Thriller tonight, yeah

-Caham. –Parei de dançar e tirei o copo da mão de Remus, que tinha acabado de pegá-lo.

-O que foi Lil? –Ele perguntou espantado.

-Esqueceu que você vai dirigir? –Falei, ou melhor, gritei.(n/a: Se for beber não dirija! Se dirigir não beba!).

-Caretice. –James falou dando um gole no copo que era pra ser de Remus.

-Caretice agora, depois... –Lizzie assoviou. –Cadê o Sirius?

-Er... O Sirius? Não sei. Sumiu. É! Sumiu. –James começou. Logo vi por que ele estava assim. Olhei pro lado e reconheci um gorro preto agarrado com uma garota que devia ter dezoito anos. De longe só consegui ver que era loira e alta. Não estranhei muito, pois Sirius, aparentava ser mais velho do que realmente era.

Lizzie sumiu do meu lado.

-Vou procurá-la. Já que não posso nem me divertir...–Remus se levantou.

-O Sirius é rápido no gatilho hein?-Sentei-me no antigo lugar de Remus.

-Ele não presta. –James riu e deu um gole no drinque.

-E quem disse que você presta Prongs?

-Eu sou um santo!

-Haha, quem te conhece que te compre! Já perdi a conta de quantas vezes vi você com garotas.

-Ora, eu sou homem!

-Quê! E só por causa disso você tem que ficar com meio mundo? –Perguntei.

-Claro. Manter a fama, sabe. –Ele riu e piscou pra mim.

-A convivência com Sirius te fez mal sabia? Você não era tão galinha!

-Nem vem Lily! Eu também já te vi com outros garotos. –Ele falou com um tom um pouco diferente.

-Ciúmes?-Eu assanhei mais ainda os cabelos dele.

-Claro que não! Você é que sempre fica mordida quando eu fico com uma garota.- Ele comentou sarcástico.

-Haha, até parece que fui eu quem quase esmurrou o Wood.

-Ah, mas aquele foi um caso a parte. E eu nunca te contei o motivo, mas depois que vocês ficaram, o Wood veio se vangloriar pra cima de mim, ele abusou! -James ficou vermelho. Que fofo! Não resisti e abracei ele.

-Você é muito fofo Prongs! Obrigada por me defender! –Deu um beijo na bochecha dele. -É normal amigos terem ciúmes sabia! –Sentei-me de novo no banquinho.

-Eu? Ciúmes? Haha. Olha vou ao banheiro rapinho, fica ai. –Ele saiu ainda vermelhinho. Eu conheço aquele Prongs, ele ficou com vergonha! Lindo!

Fiquei esperando sentada, meu pé já batia no chão no ritmo da música. Fiquei olhando pra Sirius e a menina, distraída e balançando meu pé no ritmo. Peguei um drinque leve que eles tinham lá e fiquei bebendo. Do nada, sinto alguém segurando meu braço.

-A garota está acompanhada?- Perguntou um homem que parecia ter vinte anos com um bafo de cerveja. Ignorei, puxei meu braço e não respondi.

-Não fala é?-Ele riu. O bafo dele estava me dando nos nervos. Já ia me levantando pra sair quando ele puxou meu braço de novo, me impedindo de ir.

-Dá pra soltar meu braço?-Fiquei nervosa.

-Só com um beijo.-Ele pediu sorrindo. O homem até que era bonito, mas o bafo era horrível! Bêbada chato e grudento é uma desgraça!

-Hey, ela ta acompanhada.- James chegou perto de mim.

-Ainda bem que você chegou. –Comentei aliviada.

-Acompanhada disso?-O homem riu.-Que pirralho! Você merece mais queridinha. –Ele ia passar a mão no meu rosto, mas James segurou o braço dele. –O que é pirralho, quer comprar briga?

Em segundos, as pessoas perto olharam pra nós. Pareciam ter faro quando se tratava de brigas. Remus e Lizzie, chegaram bem nesse momento. Um segurança também se aproximou.

-Com licença, mas posso ver a identidade de vocês? –O homem de preto pediu.

-Ops. –Falei sem querer.

Em pouco tempo já estávamos sendo chutados pra fora. Por azar Sirius também foi pego. Depois ficamos perambulando pelas ruas. Não podíamos voltar pra casa. Não dava pra eu chegar pra minha mãe e simplesmente falar que tinha voltado. A gente não tinha pensado nessa parte do plano. Era o que dava entrar numa idéia maluca dos Marauders.

Acabamos achando um vendedor de cachorro quente ambulante, compramos um, menos Remus que não quis, pra cada e sentamos na calçada. Que delícia! Não comia um tão bom quanto esse há muito tempo. Milho, ervilha, ketchup, salsicha, maionese...

De repente um porshe parou no sinal vermelho. E escutamos a música vinda de dentro dele.

"Mas foram barrados no baile

Tratados como maus-elementos..."

Nos entreolhamos e começamos a rir de nossas desgraças. Só faltava falar do nosso cachorro quente!

"Ainda foi vista pela madrugada

Comendo um hotdog vulgar..."

Depois de muito rir com aquela coincidência do destino, decidimos voltar, por que Remus começou a reclamar que estava com muito sono incontrolável. Resolvemos ir todos pra casa dele, porque ele tinha uma cópia da chave de casa. Então dormiríamos lá, pela manhã sairíamos sem sermos notados. Bem esse era o plano, não foi bem o que aconteceu.

Logo que entramos na casa, já nas pontas dos dedos a luz da sala se ascendeu. Levantas-se a Sra. Lupin de robe, batendo o pé no chão.

- Oi mãe. –Remus falou dando um sorrisinho amarelo.

- Oi John Lupin. –Remus fez uma careta. Quando a mãe dele o chamava daquele jeito... Do nada a mulher sorriu pra nós cinco, que ficamos sem entender nada. –Eu deveria ligar pros pais de cada um de vocês agora mesmo... - Senti meu estômago revirar, dar cambalhotas no ar e depois cair. –Mas, não vou fazer isso. – Vibramos.- Se prometerem não mentir mais... Pelo menos pra mim.

-Prometemos. –Falamos os cinco num coral. Ganhamos uma aliada.

-Já vi que vocês duas estão encrencadas se voltarem agora, então podem dormir aqui. Mas para todos os efeitos, se algum dos pais de vocês perceber, eu estava dormindo e não sabia de nada. –Ela piscou. A mãe de Remus, sempre nos acobertava nas traquinagens. Queria ter uma mãe dessas. – Meninos no quarto de Remus, meninas pro meu quarto, já! – A mãe dele mandou e fomos sem pestanejar, mas disse pra o filho ficar na sala.

Eu ainda escutei a mãe de Remus segurando ele pela orelha e dando broncas nele. Coitado de Moony.

"-Quando eu disse pra você ser menos certinho não era pra levar tão a sério Remus!"

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Encontro-me deitada na minha cama super aconchegante, num lindo dia de domingo, está chovendo de leve lá fora, e faz um friozinho gostoso. Sorri pra mim mesma. Ninguém tinha descoberto nossas peripécias, confesso que fiquei com muito medo de fazer, mas aí os outros ficaram me chamando de medrosa e eu acabei topando.

Não tenho nada pra fazer, ou melhor, tenho, estudar, mas o por que não deixar pra amanhã o que você devia fazer hoje? Certo, o ditado é totalmente diferente, mas este se aplica melhor a minha humilde pessoa.

Ficar pensando na vida é tão melhor, nos amigos... O que dizer sobre eles? Bem, a gente é daqueles grupos que nunca se separam, já nos conhecemos desde os sete ou seis anos, digo isso por que James, Remus e eu nos conhecemos há mais tempo. Lizzie e Sirius, que por sinal já se conheciam de Londres, embora um detestasse o outro, só quando chegaram aqui é que viraram nossos amigos e amigos deles mesmos, isso faz mais ou menos três anos.

É, Sirius desde os treze já dava problemas, a idade que os pais dele mandaram ele pra cá. Os pais de Lizzie e Sirius eram amigos, então eles mandaram o filho com eles pra Califórnia, onde ele não arranjasse mais problemas. Sempre achei os pais dele muito esquisitos, afinal por mais que Sirius fosse um peste, era o filho deles. Mas isso é assunto pra outro dia. Os pais de Lizzie ficaram fiscalizando Sirius no começo mesmo ele estando na Casa do Estudante, depois é que ele acabou indo pra casa de James, onde a Sra. Potter virou sua responsável, e os pais dele concordaram sem pestanejar. To falando que eles são esquisitos. Foi um tipo de intercambio só de ida.

O nosso grupo parece que já se conheceu desde a maternidade, é incrível como um sabe o que o outro está pensando. Cada um tem sua função, a gente se completa, não pode faltar nenhum. Lizzie, a mascote e a alto estima, a nossa tampinha, Remus, o juízo e a inteligência, Sirius, a praticidade com a beleza, James, o orgulho, a coragem e o heroísmo, e eu, Lily, o zero a esquerda. Adoro essa função!

Sabe, eu não sei o que seria de mim sem eles. O dia em que tivermos que nos separar vai ser o mais triste da minha vida, por que eu sei que um dia a gente cresce e cada um vai para o seu lado... Não Lily, calma, não comece a chorar, respire fundo, isso... Às vezes eu queria ficar nessa época pra sempre, são tempos tão bons... Agora é sério! Eu tenho que estudar! Levantei e peguei um livro de biologia. Olhei de novo pro livro. Nhaaa... Joguei o livro e peguei um de inglês.

N/a: Chegamos ao final de mais um capítulo! Deu pra perceber que a Lily é meio doidinha nessa fic e que as coisas acontecem rápido aqui não?! O ritmo da fic é bem acelerado. Espero que estejam gostando. É a minha primeira UA, então me ajudem pra não sair uma coisa muito louca!

Ah! E logo no primeiro capítulo vou lançar a pontinha do mistério. Alguma coisa está pra acontecer. Alguns indícios têm sido mostrados sutilmente, alguma coisa não está certa, quem é esperto vai perceber... XD Fiquem aí tentando especular o que é, que quem acertar ou chegar mt perto eu posso até dar um prêmio! Só digo que o mistério é algo muito importante, que vai mudar os dest... To falando mt!

Advertências:

Fãs da Marlene com o Sirius, deu pra perceber que esse não é o nosso caso aqui não é? Se ela vai aparecer na fic? Talvez sim, talvez não(não muito).

Apesar da fic ser uma UA, eu mantive os apelidos e o nome do grupo.

Palinha:

"Empurrei a porta e quando ia entrando trombei com alguém, que me segurou pra que eu não caísse. Já ia gritar uns desaforos quando olhei pra cara do desgraçado (ou não). Fiquei em estado de inércia, propriedade do corpo em querer manter seu estado inicial. Quem estava me segurando pela cintura, era ninguém mais ninguém menos que..."

Ah!!!! E por ultimo, e não menos importante. Minha beta um dia me deu uma idéia, que eu resolvi colocar em prática nessa fic!

Se vc for lá no meu perfil, e achar uma parte com Extras: vai ter um link com o nome NRF- cap 2(tirinha).

É que eu resolvi desenhar uma tirinha pra cada capítulo. Mas não é uma tirinha realmente do capitulo, é mais os acontecimentos dos bastidores e tal. Espero que vcs gostem e não me joguem tomates!

Os reviews pra quem ta logado foram respondidos por email. Aqui é pra Mrs. Delacour, que não tava logada: Adorei seu review! Achei engraçado! não me pergunte pq! Então aqui está o capitulo pra vc. Espero que tenha gostado!

OS: Esse é pra Jhu Radcliffe, olha eu sei que tinha prometido esse capitulo pra domingo, e tal. Mas qd eu fui postar o ff deu problema, daí minha beta (ela é má!) disse que agora eu só podia postar sexta. Ela me obrigou... -

Kisses
Lilys Riddle