Disclaimer: Este é um fan work, feito totalmente sem fins lucrativos. Os direitos do conjunto da obra Saint Seiya e de todos os seus personagens pertencem à Toei Animation e Masami Kurumada. A exploração comercial do presente texto por qualquer pessoa não autorizada pelos detentores dos direitos é considerada violação legal
Este texto é integrante do Projeto Revisional Moira Coil
TAURUS—SOBRE O TEMPO, A VIDA E AS ESTAÇÕES
de Seiko Yoroi
II.
Yerevan e a Memória da Estrada
-ooo-
—Comando D, comando D, aqui é o Comandante Kersakian! Usem seus rádios, repito, USEM SEUS RÁDIOS! Não podemos desperdiçar cosmos para a comunicação! Protejam os civis a todo custo, se encontrarem o inimigo não hesitem em atacar!!!
—Entendido, Comandante, não se preocupe. Estamos quase fora do quadrante 9, os civis estão agrupados e não há sinal do inimigo...
Um estrondo corta a voz de mulher, e o pouco que se ouve antes da comunicação se desligar são os gritos de horror de pessoas em desespero. Na praça devastada, uma garota de longas tranças negras desliga seu rádio. Os punhos cerrados, trêmulos dando a mostra de todo o nervosismo guardado, que o rosto coberto de metal não podia expressar.
—O comando da Suni! Desgraçados!
A moça tenta avançar, saltando ágil os pedaços de concreto caídos no chão, tentando uma rota possível rumo à uma nova coluna de fumaça escura, que se erguia distante atrás dos prédios, sinal claro de que algo ia muito mal.
—Chefe, não achamos ainda o tal núcleo, e as leituras do aparelho dizem que estava por aqui!—protesta um rapaz baixinho, tentando seguir o passo da moça, que já avançava lépida em meio aos destroços.
—Esquece o núcleo, Constelar! Se largarmos a tropa da Suni sem apoio, morrem todos e os resgatados do conjunto habitacional, você viu o que aconteceu aqui!
—Mas e o núcleo? Nossas ordens eram...
—Já disse, esquece essa coisa! Não vim para uma guerra para ficar revirando o lixo, tem gente morrendo ali!!!
No meio da rua, um pedaço do que era uma estação de trem próxima, concreto e ferro retorcidos como um imenso novelo de corda, queimam no diesel de caminhões arrebentados, bloqueando a passagem. A garota e o rapazinho tentam passar, o fogo e a fumaça grossa servindo de inimigos à mais de quem já tinha pressa, gastam as mãos e a paciência.
—Isso não está bom! Temos que achar um desvio!
—E quem garante que tem um desvio?? Chefe, ainda acho que o núcleo...
—Sai daí!—uma voz de trovão ribombou por detrás dos escombros, aviso suficiente para a mocinha agarrar o rapaz nanico pelo cangote e saltar para o lado, buscando abrigo. A parede de entulho em brasa voou pelos ares, como se houvesse sido atingida por um tiro de canhão.
No vácuo que quebra a fumaça, a imagem ameaçadora de um gigante moreno de cabelos longos aparece. Seu traje de metal vermelho refulge no meio da poeira. De seu punho enorme, ainda se pode ver uns últimos restos de alvenaria caindo ao chão. O rapaz miúdo, escondido sob os restos de uma banca de jornais se encolhe todo, sem ousar uma espiadela. A moça, com um grito, deixa de um salto o esconderijo provisório e avança decidida rumo ao colosso.
—Iupii! É você!!!
O gigante estende a mão e ajuda a moça a escalar a pilha de destroços, que não mais bloqueia a passagem. O rapazinho sob a folha torta de aço abre os olhos, encorajado pela comandante:
—Sai daí debaixo, Constelar! Temos reforços!
O pequenino deixa o refúgio improvisado, limpando a poeira dos olhos. O gigante de cabelos longos, acompanhado de um grupo de homens de armadura e mulheres usando máscaras de metal parece ter pressa. A moça de tranças lhe faz perguntas:
—Você ouviu o que aconteceu com a Suni? Tem idéia de uma rota para chegarmos no quadrante 9?
—Tem a avenida, mas está bloqueada: engavetamento e caminhão tanque pegando fogo, vai tomar tempo. Se tentarmos juntos, pode ser que dê para passar pelo complexo da rádio e TV, não vai demorar tanto. E precisamos ir logo! Onde está o resto da sua tropa?
—Sobrou só eu e o Constelar Kimball, o resto...bom, tomara que estejam só perdidos. Os rádios estão fora do ar e os cosmos não respondem.
O homenzarrão baixa os olhos, enquanto as tropas se reagrupam.
—Eu notei...por isso que vim correndo para cá. Lá pelas tantas não conseguia mais achar você. Que bom que está viva, Jacira.
A moça sorri por debaixo da máscara. Segura a mão do amigo enorme, como se quisesse mostrar que não era uma ilusão.
—Eu que o diga. Essa foi por muito pouco. Mas vamos em frente, não dá tempo de conversar. A tal estação de TV é para que lado?
—Noroeste daqui, seguindo em linha reta. Sigam-me!
Correndo à frente da tropa reunida, o gigante em armadura vermelha dá o comando para que sigam pelas ruas em chamas. Jacira segue com ele, lado à lado, chamando os soldados com energia e pedindo força na marcha.
Estranho como mesmo em meio ao caos, tudo não parecia mudar. Aqui como antes, herança irônica de uma vida. O sabor da poeira era outro. Mas continuava sendo poeira.
-o00o-
Por mais que se fizesse estrada, se comprasse caminhão, ainda nada podia com os rebanhos do norte do Pantanal melhor do que uma boa comitiva, pondo as reses na marcha, indo de légua a légua nessa imensidade do quintal de Deus até um destino no meio do mundo, mais das vezes fazenda de senhor rico, desses que vão e vem só de avião. Serviço de responsabilidade: tudo acertado, os peões tinham que levar a boiada no prazo, com todas as cabeças e sem problema se quisessem ver a paga, normalmente mirrada, mas que era o que tinha para se comprar feijão, farinha e sal, consertar os baixeiros e manter os ferros bons no casco das mulas. Nada podia sair torto.
—Então: alguém aí na culatra viu rastro?
—Mestre Januário, está difícil. Não se vê nada nesse chão, dizer que passou aqui, nem parece. De piorar as rês do meio estão desgarrando tudo, parando antes de passar o vau seco. Daqui já estou enxergando um branco. Melhor nós parar também, antes que alguma se perca.
O caboclo Januário, comissário da marcha, olhou lá longe e franziu a testa. Não podia parar naquela hora, já ia com dia de retardo por causa da chuva. Mas continuar daquele jeito também era impossível: conduzisse quantas vacas fosse, levasse todas as cabeças que pudesse, do Campo Grande às bordas do Xingu, nada, nada mesmo ia valer perdão para aquela falta.
—...Logo essa.
Desgraça das desgraças: encarregado que foi uma vez naquela estação de um serviço de bom dinheiro, agora sim, via tudo se perdendo, carregado pelo diabo no lombo de uma vaca holandesa preciosa, compra milionária do dono de uma fazenda de Jandaia. Deixada sob seus cuidados, a mimosinha, pintada de marrom-tijolo sobre os olhos, corpanzil de leiteira das boas e dispendiosa feito o bezerro de ouro que partiu Moisés, tinha que chegar sã e salva, custasse isso o que custasse. Já havia dado um suor para fazer convencimento aos moços que trataram o serviço, gente da cidade, de roupa de brim novo e fala apaulistada:
"Manda a vaca no caminhão que é bem mais seguro."
"O moço me adescurpe, mas praquelas bandas não há estrada boa pra caminhão. Carreta pequena, das de levar verdura passa, mas passa no sofrimento, que é muita pedra e atoleiro. Vaca não cabe nessas. Maior, passa só na seca, vai levar quase um ano."
"E a gente leva ela como? Andando?"
"Andando sim, não o caminho inteiro, só um quarto: vai de caminhão sim, mas até Cascalheira, dali eu e a comitiva levamos ela com o rebanho até o destino. È o melhor e mais em conta: mais ainda que é vaca de cruza, se for penando o caminho, trancada no caminhão, jogando nas paredes, quando chegar não pega bezerro. Pode assosegá, que sou de conhecimento antigo dessas terras, vou pelo caminho mais manso pra levar as rês. Chegamos sem falta em cinco dias."
Tudo jogado pro ar: no pouso da chuva, logo essa holandesa apavorou com trovão, e mostrou que gorda e enorme que era, tinha perna boa demais pra pular farpado. Sumiu no meio do mato, como se fosse um baguá qualquer, a peãozada ainda tentou seguir: tudo o que se viu foi o traseiro malhado da bicha sumindo no meio da água grossa, indo pra não se sabe onde. Funestação vinda na pior hora, e agora complicava mais:
—Alguém, põe ordem aqui! Tão esquecidos das outras? Onde estão os fiador de esquerda?
Picou a mula ligeiro e seguiu para trás, onde a boiada se espalhava. Acenou para os homens, sem resposta, os da direita se embolando na rédea, tentando manter o gado na linha, ao mesmo tempo que vasculhavam nos matos e nas pedras qualquer sinal raso da vaca sumida. Na esquerda, confusão da peste, ninguém pra cuidar: rês já ia fazendo distância, encantada com as folhas tenras dos galhos rasteiros de barbatimão. Agarrou uma pelo rabo, aboiou as outras no retorno, irritado.
—Quer perder o resto também? Aqui, na esquerda!!!
De um atrás de angicos, veio um peão sem montaria, correndo em terra, esbaforido, sujo de lama como se tivesse tentado descer barranco.
—Mestre, o senhor me adesculpe ter largado o rebanho, mas é que achamos rastro que pode ser da holandesa sim. Sinal de casco grande, tava mole ali, no terrão depois dos angico, acho que era ela. Só que...
Nem esperou o homem terminar: largou o rabo de vaca na mão do outro e partiu feito raio pra trás dos angicos, ver com os próprios olhos a pista encontrada. Estacou de chofre, a mula empinando igual cavalo de filme de mocinho, comissário quase se esborrachando no chão. Providencial, que dali só seguia barranqueira, funda, escarpada, coberta de mato, barulho de rio vivo saindo do fundo. Ia cair com mula e tudo.
—Mas que que é isso??
Na beira do barranco, passando uma corda para baixo, os fiadores de esquerda iam pacientes, um deles atado à ponta, tentando descer:
—Já deu, Agenor?
—Mais nada, carece mais corda.
—Foi buscar, espera.
Januário apeou, o rosto pardo meio roxo da irritação.
—Que com os cornos do capeta estão fazendo vocês tudo? Isso lá é hora de entrar em buraco??
O peão que segurava a corda, mocinho novo, tentou explicar, meio tropeçado nas palavras:
—Mestre, ah, é, nóis achamos a vaca sim, ao menos tem quase certeza que está achada. Olha aí, que na beira do terrão tem marca de casco, maior que a das novilhas, então deve ser dela. E não tem mais, só essas, bem fundonas, então quer dizer que...
—Quer dizer o que, hôme?—e o comissário olhava as marcas, casco bem grande mesmo, quase atoladas, embicadas para o fundo da barranqueira. O rapaz coçou a cabeça, meio que largando a tarefa, a corda foi se estirar num susto. Na ponta, dentro do barranco o outro protestou:
—Tá querendo que eu caia, Terenço? Assim não dá pra buscar ela! Cadê o resto da corda???
Januário olhou o fundo do barranco, desanimado; tirou o chapéu, foi espremendo ele na mão, descontando no couro curtido a raiva que sentia pela estupidez dos companheiros. Aquilo era a jumentice das jumentices, algo que não fazia sentido nem em mil anos. Um barranco enorme, fundo, empinado, onde gente mesmo tinha dificuldade de passar...e acreditar que uma vaca havia descido ali, feliz e ligeira feito os anjos de Nossa Senhora? Levou a mão aos olhos, segurando a testa onde a dor de cabeça começava a pinicar.
—Tão dizendo que a vaca caiu lá em baixo?
O peão moço encolheu os ombros, já com acanhação viva diante do comissário, tentando não encarar de frente o olhar feito o de touro bravo vindo debaixo do pelame da sobrancelha grossa do homem, uma só em cima dos duas vistas, coisa de meter medo. Engoliu pra soltar as palavras.
—Cair...acho que caiu não, que quando que uma vacona grande daquelas ia cair dum barranco desses, sem deixar sangue, sem quebrar os ramo dos angico? No começo até pensei que fosse, mas daí procurei atinar o juízo e...
—E seu juízo atinou no que? De que a vaca desceu voando???
—Bom...isso não acho...se bem que...sêo Davino contou certa vez que viu boi voando quando trabalhava no norte, em terra que foi dos holandês, então...mas era do tempo que ele enxergava bem, hoje em dia não sei se ainda...
Tudo o que não precisava ouvir: e lá era hora de se dar crédito para as prosas de Davino, peão muito velho, quase cego, de só dois dentes na boca cheia demais de histórias. Perderam o senso de vez, era o que era! Bufou, ia pronto a tomar-lhe a corda das mãos, puxar o outro companheiro pendurado sem cerimônia, o fiador de esquerda já desfeito de qualquer coragem de discutir razão naquele instante. Um acento mais fino, de garoto novo parou-lhe antes que fizesse algo.
—Voando não sei se foi, mas que desceu, desceu. Tá lá embaixo.
Peão que vinha com mais corda, tocando a mula de encontro ao comissário. Era nada além que um bugrinho pardo que não devia ter completado onze, moleque ainda sem tempo virado para engrossar a voz. Se chamava a atenção era mais pelo tamanho precoce do que por outra coisa: ainda meio pequeno para homem feito mas grande demais para a idade que tinha. O menino não apeou nem tirou o chapéu, ficou olhando Januário com um sorriso tranqüilo, sem marca da amofinação que reinava por ali.
—Então, pai: não lhe deixa contente que achamos a holandesa?
O comissário ficou pálido, o aperreio lhe fazendo pular a sobrancelha grossa. Fez mira no garoto com a voz sumidiça, assovio de boca-de-sapo, enquanto a peãozada se ia ajuntando ali, seguindo o curumim: entreolhavam a cena, sinalizando um para os outros cheios de receio, de chapéu na mão.
—Me faz um favor: por tudo que há de sagrado...me diz que isso levar a fiança esquerda pra ver corda e vaca voadora no barranco não foi idéia sua. Que você não mandou ninguém descer...
—Pai...o senhor mesmo falou que é vergonha mentir.
Aquilo era demais: a mão trêmula de raiva jogou o chapéu na terra, se enroscou na rédea até quase sangrar. Virou-se para o menino, de pronto na cara a expressão de quem quer matar um.
—VERGONHA ESTOU PASSANDO É EU, SEU PESTE LAZARENTO!
O moleque olhou de esguelha, tocando a mula um pouco para adiante, fora do alcance imediato do pai. Só ergueu a sobrancelha grossa, herdada igual, não se aprontou em responder: o que quer que dissesse não ia diminuir o agastamento. Mais outros peões se aproximavam, sem entender ainda as razões dos gritos do comissário.
—Mestre, que foi que houve? Aconteceu alguma coisa?
Januário, enfurecido, só tentava alcançar o filho, dar-lhe uma coça de tirar o couro ali mesmo, desviando da peãozada e de uma ou outra rês que ia chegando perdida no borde barranco.
—Seu moleque vadio, traste á toa! Larga a fiança esquerda sem peão, quase perde tudo, seu desgraçado!! E pra que? Ir catar vaca no fundo da ribanceira, como se tivesse vaca lá!! Tirou essa idéia de jerico de onde? Cozinhou a cabeça nos livro de moça da Deraci, só pode!! Num foge não que eu vou te carnear feito rês!!!
O moleque, por sua vez nem se preocupava em apertar o passo da montaria. Conhecia bem o pai que tinha, que Januário podia ser muito bom em fazer trilha para a marcha da boiada, tudo pensado e calmo, mas parecia deixar no esquecimento toda a sabença quando estava muito irritado: perdia a atenção, ficava um perfeito chapéu na sela, tropeçando a mula em pedregulho e raiz, enfiando a coitada em atoleiro, quase tombando. Os outros vaqueiros apressaram-se a segurar o chefe, para o bem do menino e dele mesmo.
—Mestre, tome tento, não compensa se amofiná desse modo. Veja que o menino agiu de boa intenção, que se foi descer barranco com os fiador, não fez por mal—e o vaqueiro segurava Januário pelos braços, tentando fazê-lo parar, em meio ao grupo que já se acotovelava em torno do chefe.
—Verdade, sempre foi de juízo tão bom, é menino ainda mas igual padre pra dar conselho. E herdou seu olho bom pra achar rastro, foi ele que achou esse. As vaca espalhou, mas carecia mesmo de achar a holandesa, que é cara, aí nem sei como fica se não achar.
—E tem o que o sêo Davino contou, a vaca é holandesa, nunca se sabe o que as coisa vinda do estrangeiro pode fazer, e...
O vaqueiro não terminou: levou um empurrão do comissário, que quase lhe fez cair da montaria de cara na lama. Januário abriu caminho aos trancos, fazendo os subordinados arredarem de sua vista.
—Sai da minha frente! Isso é entre o peste e eu! Cadê o sem-vergonha?
Olhou em volta, a vacaria espalhada aqui e ali, rês chegando perto da barranqueira. No longe ia o garoto aboiando umas tantas desgarradas, fazendo unidade àquela mixórdia. Diabo ladino, quis fugir, era truque aquilo para escapar do rabo-de-tatu. Não desta vez: disparou com a mula aos tropeços, conseguiu alcançar o tinhoso. Agarrou-o pelo braço, já pronto a lhe dar uma sova. O menino não fez de se incomodar: antes sorriu, parecia contente.
—Veio me ajudar? Que bom, pai. Eu sozinho não dava conta de ajuntá, lhe devo perdão pelo descuido.
—Eu vim foi lhe bater, safado!
—Está certo, mas bate depois que a gente ajuntá as rês. Senão, se perder mais, o senhor mesmo disse que piora...olha umas ali indo pra trás das guariroba...
Conversa mole aquela. Não ia cair na arapuca, conhecia o filho que tinha e todas as manhas que armava pra não levar castigo. Não ia ceder.
—Tão indo mais duas.
...Não desta vez...
—A peãozada tá longe de nós, reajuntando a frente. Nessas, ou vou eu ou vai o senhor.
Januário parou, cerrou o punho. De verdade, as reses da culatra iam ganhando fuga no cerrado, pra trás deles. Tudo culpa da peste. Naquela hora, sem tempo pra discutir.
—Vou eu ou o senhor? Tem mais duas ali adiante...
O comissário largou o braço do filho:
—Depois a gente acerta. Vai aprender a não largar rês sem fiança, praga do inferno. Cuida das daquela ponta. E não nos atrasa mais até o pouso no sítio de Tião da Luz, anda logo!
Entendido. Ao menos ganhava tempo até o pouso seguinte, não longe que estava. Depois achava outro jeito de livrar a pele: a sua e a da comitiva inteira. Que iam se explicar, quando chegassem pros tais paulistas de roupa bonita sem a vaca holandesa, das pintas nos olhos? Sorriu:
—Sossega, que ainda tem jeito. Pra tudo.
Confiança, certeza, eram das suas melhores forças. Seguiu picando a mula.
(continua)
