Capítulo 2: Reset

Ela faltou a escola no dia posterior à audição. Tudo está cinza.


O dia de folga foi mais sobre aceitação e se acostumar com o destino dela do que auto-comiseração. Rachel teve mais do que auto-comiseração suficiente na noite da sua audição fracassada. Finn a abraçou e disse que tudo ficaria bem.

Não estava.

Ela sabia disso. Mas ela tinha chegado até aqui sem quebrar, e ela não deixaria seus pares em McKinley vê-la reagir ao fracasso dela. Ela andaria de cabeça erguida e ela voltaria pra casa. Se ela chorar quando chegar em casa, na segurança do seu quarto, então tudo bem.

Ela não os deixaria vê-la se quebrar.

De qualquer forma, ela não se sente real. Ela é uma sombra, uma tonalidade. Insignificante. Indistinta. Ela é uma deles, e talvez seja isso que machuque mais.

Ela falta ao coral porque ela sequer tem a força pra isso.

É no caminho dela pra casa que ela pensa que ela nunca viu Quinn naquele dia. Por um segundo, ela contemplou ir a casa Fabray. Ver Quinn colocaria tudo de volta em perspectiva. Afinal de contas, ela não decidira que ela desistiria de tudo para que Quinn vivesse? E Quinn, agora, luta até mesmo para mover os dedos dos pés.

O sonho de Rachel sempre foi frágil de qualquer forma.

Quantos alcançavam-no na realidade? Quantos realmente tem seu sonho tornado realidade? Quinn está viva com todas as suas faculdades mentais e trabalhando para retomar suas habilidades físicas. Ela podia ter – deveria ter – morrido naquele acidente de carro. Rachel sabe que ela desistiria de tudo novamente só por isso. Ela também sabe que ela não vai conseguir se segurar na frente de Quinn e agora não é pra ser sobre ela e seu sonho fracassado.

Apesar de Quinn sempre dissera a ela que ela era destinada a mais.

Rachel tinha que estacionar. O carro dela era muito pequeno e a dor no seu peito era grande demais. Ela se esforça pra sair do carro, mãos trêmulas de alguma forma conseguindo soltá-la do cinto de segurança e abrir a porta. Ela engasga, lutando pra respirar através das lágrimas. Ela faz esforço pra vomitar. Sua dignidade, seu sentido de auto estima. Tudo sobre ela é uma mentira. Ela nunca foi destinada a mais.

Quando ela finalmente consegue recobrar o controle, ela está certa de que ela chorou o suficiente nos últimos dois meses para durar até o final da vida dela. Ela continua a dirigir pra casa através do cinza.


Cada dia era um pouco melhor do que o dia anterior. Ela está surpresa do quão rápido a formatura vem, mas talvez ela não devesse ficar. O Ensino médio é tudo que lhe resta. E então o que? É meio que fácil se jogar no coral, nas classes e em Finn.

O mínimo que ela pode fazer é aproveitar tudo que resta pra ela. Ela conversa com Quinn (quando ela está lá; ela perde muito devido à fisioterapia) Ela não pode não conversar. Ao mesmo tempo, ela não pode se fazer entrar em tópicos difíceis e, nem mesmo, ao que parece, pode Quinn. Rachel não pergunta sobre a fisioterapia apesar de há esse aperto no peito dela toda vez que ela escuta sobre o Joe. Quinn não pergunta sobre NYADA ou sobre Finn. Há momentos nas conversas delas sobre nada que importe, e cada vez Rachel sabe que uma delas está prestes a quebrar o aparente código de silêncio delas. Elas nunca chegam lá. Ainda assim, escutar que Finn e Quinn iriam concorrer juntos para rei e rainha do baile foi um golpe.

Ela não sabe sequer com quem ela está mais irritada. Finn é o namorado dela (noivo, parceiro, qualquer coisa) apesar do fato de que ultimamente ela se sente mais como acessório. E Quinn? Ela sequer sabe. Ela só sabe que ela desistiria de tudo para Quinn viver, e, Quinn sempre disse a ela que ela era destinada a algo mais do que Lima. Isso tem que contar para algo mesmo que elas estejam evitando os assuntos que machucam.

Quando ela finalmente vai à formatura, ela procura por Quinn. Para se desculpar porque ela sabe que estivera sendo egoísta. Pedir desculpas à Finn porque ele é só um adolescente e Quinn era o par dele. Ele não deveria estar ali com Quinn pra começo de conversa, mas ele certamente não deveria tê-la deixado. Ambas, ela e Rachel, estavam sofrendo e Finn? Ela sabe que ele é um bom rapaz; ele que ajudá-las. Mas isso não quer dizer que ele não pode errar – ela sabe que pra ser extremamente verdadeiro (e por quanto tempo ela continuaria a dar desculpas, ela brevemente imagina antes de parar aquele trem de pensamento). Ela encontra Quinn no corredor e ela parece linda e miserável, como uma princesa jogada pra fora do castelo dela. E ela está tão desesperada pra falar de verdade com Quinn naquele momento, para realmente conversar com ela e não aquelas conversas casuais e seguras que elas estavam tendo. O relacionamento delas sempre fora sobre a verdade, para o bom ou pro ruim de qualquer forma.

"Você não entende o que você significa pra mim?" Rachel diz. As palavras caem da boca dela, mas ela não as retira por nada.

Especialmente quando Quinn para e vira, e coloca os olhos esverdeados amendoados nela.

Quando Rachel é coroada como rainha da formatura, depois do seu coração parar de bater tanto e ela não acha que um slushie virá voando da multidão, ela não pensa sobre si mesma ou Finn.

Ela pensa sobre Quinn.

Ela pensa sobre o quanto essa coroa significava pra ela no último ano, e o quanto significava pra ela esse ano. Não é bem o mesmo, Rachel conclui. Quinn trouxe alguns desses demônios da sua criação, mas ela também sabe que Quinn não concorreria para rainha da formatura sem razão alguma. Ela olha de relance sobre o ombro de Finn e lá está aquele olhar no rosto de Quinn. Uma absolvição, uma felicidade e um sorriso segurado como se ele fosse solto em toda a sua glória, nunca iria embora. E aqueles olhos esverdeados estão nela. Então Finn a gira, e todo mundo ainda está olhando-os dançar então ela foca nos passos. Mas aquele olhar está marcado na memória dela.

Quinn fica de pé no microfone, Santana apoiando-a, e Rachel está mais feliz do que ela lembra ter estado em muito tempo.

Ela diz a Finn que ela quer voltar pra casa ao invés de retornar para o quarto de hotel. Kurt e Blaine estão mais do que agradecidos (apesar dela não ter ideia do que acontecera com Puck e Becky). Finn fica aborrecido quando ela meramente dá um beijo de boa noite nele.

"Vamos, Rach, nós acabamos de ser coroados como rainha e rei do baile! É uma noite perfeita."

Há as mais variadas coisas que ela podia dizer em resposta – coisas todas entrelaçadas em Quinn. Ao invés disso, ela decide pela explicação mais simples de todas. "Desculpe, mas estou cansada. Essa noite tem sido louca, marcante também claro, mas certamente louca. Eu só quero dormir, Finn."

Ele resmunga um pouco mais, mas deixa pra lá. Ela não deve nada a ele, e, ele está aprendendo. Lentamente.

Aquela noite, os sonhos dela ainda são em tons de cinzas.


Ela acorda com o seu telefone vibrando na mesinha de cabeceira na manhã seguinte. O primeiro pensamento consciente que ela tem é que ela perdeu a manhã inteira porque o seu relógio está dizendo que é 10:30. Seu segundo é que ela só quer virar e voltar a dormir. Ela, ao invés disso, checa seu telefone. É uma mensagem de Kurt.

"Bom Dia, Sua Alteza Real! Obrigado novamente por nos deixar ter o quarto de hotel. Você e Finn estão bem?"

Ela acha que ele está falando sobre não passar a noite juntos, mas algo não bate bem. A pergunta de Kurt não tem a leveza suficiente para ser só sobre não dormir juntos. Ela dá a ele a mesma resposta que ela deu a Finn.

"Eu só estava cansada noite passada. Foi uma incrível mas estressante noite."

A resposta dele vem segundos depois. "Então você não soube?"

"O que Kurt?" Ela rapidamente digita. Parece que Kurt demora uma vida pra responder.

"Sobre meu irmão supostamente quase atacar Quinn."

Ela encara o telefone por um momento e então liga pra ele. Kurt atende no primeiro toque.

"O que?" ela diz antes dele sequer ter uma chance de dizer olá.

"Eu descobri noite passada, direto de Mercedes que jura pela nossa amizade e pelo nosso status como rainhas da fofoca. E antes de você dizer que a garota é dramática, Sam também disse o mesmo."

Rachel encara o teto. A cor branca é relaxante, familiar. "Okay, eu preciso de detalhes Kurt porque pelo o que eu estou entendo agora é que Finn tentou atacar Quinn que ainda está numa cadeira de rodas e acabou de readquirir a força para se levantar."

"Ok, aqui está o que eu sei. Quinn e Finn estavam dançando sem nada demais, mas então eles começaram a conversar. Finn levantou a voz, Quinn disse algo de volta e então ele pulou em direção a ela. Joe estava lá pra empurrá-lo pra trás."

Logo ali, Rachel acha que ela na verdade genuinamente gosta de Joe. Por outro lado, ela não consegue entender o fato de que Finn tenha feito realmente o que Kurt está descrevendo.

"Rachel?" Kurt diz.

"Sim, desculpe, estou aqui. Huuum..." Ela não quer conversar sobre Finn. Não quando ela ainda está tentando se acostumar com isso. Não com aquele sentimento de enjoo se acomodando no estômago dela. Então ela muda o assunto para algo que a confundiu logo antes de adormecer na noite passada. "Kurt, você não acha que é meio estranho eu ser coroada rainha do baile via nomeação. Esse tipo de coisa não acontece."

"Ninguém pareceu chocado. Eles pareciam impressionado, porque quero dizer, estava contra Quinn e Santana, mas então todos pareceram no geral felizes por vocês. McKinley não foi terrível pra nós esse ano."

"Quinn e Santana. Esse tipo de coisa não acontece."

"Elas contaram os votos, Rachel," Kurt disse.

"Elas o fizeram," Rachel disse lentamente. Santana e Quinn contaram os votos. Só elas tinham acesso a ver o vencedor real. "Converso com você depois, Kurt."

Ela levanta da cama e faz seu ritual matinal. Ela anda enquanto escova os dentes. Ela andaria enquanto lavava o rosto, se pudesse. Então ela anda mais um pouco enquanto encara o telefone, contemplando sua escolha.

Finn ou Quinn?

Quinn.

Ela responde no terceiro toque. "Olá?"

"Quinn, bom dia. Eu me desculpo por estar ligando antes do meio dia. Eu admito que eu não estou familiarizada com seus hábitos de dormir e percebo que você talvez seja o tipo que dorme até tão tarde quanto seja possível nos finais de semana especialmente considerando que a noite passada foi a formatura. Obrigada por atender –"

"Rachel," Quinn a corta e há alguma exasperação na voz dela. "Bom Dia. Eu não teria atendido se eu não quisesse."

"Sim, isso faz sentido. Eu acho que vou direto ao ponto..." Rachel diz e então respira, nervosa. "Você gostaria de almoçar comigo?"

Há uma pausa no final da outra linha do telefone e Rachel segura a respiração. Então, "Claro."

"Excelente!" Rachel diz, tentando evitar sair solto um guincho de felicidade. "Você gostaria de vir aqui? Ou eu deveria ir até você? Nós poderíamos sair também se você preferir."

"Minha mãe saiu então estou sem carona. O que você quiser está bom."

"Que tal sairmos?" Rachel diz, decidindo que talvez seria melhor pra ambas se elas estivessem em um território neutro.

"Como eu disse, qualquer coisa serve."

Rachel sorri com força. "Okay, te pego às 12:30."

"Tchau."

Quinn desliga antes de Rachel responder. Ela coloca o telefone ao lado dela e encara a coroa pousada orgulhosamente na mesinha dela. Seus pensamentos correm. Quinn. NYADA. Formatura. Finn. E seus sonhos, para sempre ao que parece, acinzentados.

Ela não sabe mais o que ela está fazendo.


Ela pega Quinn exatamente às 12:30. Ela enfia algum tempo no elíptico dela, esperando que afugentasse os pensamentos dela. Ela passa o resto da manhã correndo pra se aprontas depois de deixar o tempo passar por ela. Foi surpreendentemente fácil ficar perdida no ritmo e giro da máquina apesar do fato de que a ela faltava um objetivo em vista para motivação.

Ela escuta Quinn gritar depois que o som da campainha cessa. "Está aberto!"

Rachel gira a maçaneta e entra na casa Fabray impressionante. Ela nunca estivera do lado de dentro antes e é um lugar intimidante. É escuro. Madeira escura, mobília escura, trabalhos de arte escuros.

Quinn está rolando em direção a ela antes de Rachel ter muita chance pra processar tudo.

"Sua casa é legal."

"É um mausoléu," Quinn diz secamente. "Mas Russell nunca fez questão de mamãe mantê-la e mudar decoração está bem abaixo na lista de prioridades dela."

"É um pouco escuro e forma," Rachel admite. "Mas ainda é muito legal!"

Quinn arqueia a sobrancelha, mas deixa pra lá. "Pronta pra ir?"

"Sim. Depois de você," Rachel diz, gesticulando para que ela passe. "Aquele café na Rua Vine está bom?"

Quinn rola pela porta da frente com prática. Ela espera que Rachel feche a porta atrás dela e então segura a chave. "Se importa de fechar?"

"Claro que não," Rachel diz, pegando as chaves dela. Ela está super ciente dos dedos dela passando pela mão de Quinn.

Quinn vira e pega a rampa temporária de madeira compensada para sair da varanda da frente enquanto Rachel fecha a porta. Quando Rachel se vira, Quinn está no carro dela e lentamente se empurra pra cima pra ficar de pé. Mesmo depois da noite passada, Rachel nunca pensou que o simples ato de se levantar pudesse ser tão lindo.

Percebendo que está encarando, Rachel se apressa pra descer a varanda. "Posso ajudar?"

"Não," Quinn diz entre os dentes cerrados. "Eu preciso fazer isso por conta própria."

Quinn consegue a abrir a porta do carro e desliza para o assento do passageiro. É mais um colapso, mas ela consegue, sorrindo sem fôlego. Rachel se acha sorrindo de volta. "Isso é incrível, Quinn!"

"Eu preciso de alguma ajuda, mesmo assim," Quinn diz, seu sorriso quebrando quando ela olha pro colo. "Você pode colocar a cadeira na sua mala?"

"Sem problema," Rachel diz. Dobrar a cadeira e colocá-la no bagageiro não é exatamente a tarefa mais fácil, mas ela consegue fazê-la.

Rachel dirige tão cuidadosamente quanto possível no seu caminho para Rua Vine. Há uma tensão perceptível no carro, mas nenhuma delas a quebra. Ela rouba uma olhada em Quinn quando para no sinal. Quinn está olhando pra fora da janela, seu perfil dourado do sol.

"É incrível que você possa ficar em pé e andar novamente," Rachel finalmente diz.

"Parece que a recuperação é pra sempre pra mim," Quinn diz baixinho. "Mas os médicos e meu fisioterapeuta me dizer que a velocidade da minha recuperação considerando a extensão dos meus machucados é incrível. Miraculosamente até."

"Uau, isso é – isso é ótimo!" Rachel exclama. A palavra "miraculosa" queima em sua mente.

"Sim, é. Eu acho que alguém está cuidando de mim, afinal de contas."

Rachel engole e pensa sobre seus sonhos em cinza. "Eles te deram um prazo pra quando você estará de volta com força total?"

"Se eu continuar no meu passo atual, eu estarei pronta a tempo das Nacionais. Mas eu..." ela para e Rachel espera, mentalmente pedindo que ela continue. "Alguns dias dói demais, eu só não sei. Eu posso ficar de pé e andar um pouco, mas eu estou bem longe de dançar."

"Você conseguirá. Você é tão forte, Quinn," Rachel diz profundamente e ela quer dizer cada palavra.

"Eu não sei sobre isso," Quinn diz suavemente. Rachel deseja mais do que nunca que ela soubesse o que está acontecendo dentro da cabeça de Quinn, "Eu acho que eu teria feito muitas coisas diferentes se eu fosse tão forte quanto você acha que sou."

"Eu sei que não ninguém como você e eu quis dizer o que eu disse noite passada," Rachel diz enquanto estaciona numa vaga.

"Você quem vai conseguir, Rachel. Eu nunca duvidei disso."

Rachel está feliz por ter seu carro estacionado porque sua garganta está abruptamente fechada e há uma pressão em seu peito. "Eu não."

Então Quinn está se inclinando sobre o console central e pega a mão direita dela. "Não está acabado, Rachel. NYADA não é o fim de tudo. Inscreva-se ano que vem ou –"

"Eu não posso! Não há nenhuma maneira deles sequer me considerarem novamente! Eu tive uma oportunidade e falhei miseravelmente. Está na hora. Na hora de eu seguir em frente. Sonhos são sonhos por uma razão."

"Você não é destinada pra Lima," Quinn diz rapidamente, duramente. "Todo mundo sabe disso. Há uma razão pra você ter sido votada como rainha do baile, Rachel."

"Isso não é verdade," Rachel diz. "Eu não acho que nossos pares se importam comigo ou pra onde vou. Não quando eles têm alguém como você para votar. Quinn, eu realmente ganhei?" Quando Quinn distancia o olhar por um momento, essa é toda a confirmação que ela precisa. "Ai meu... você... Você realmente me fez rainha do baile."

Elas ficam sentadas em silêncio e nenhuma delas se movem. Rachel encara Quinn, que recusa-se a encontrar o olhar dela.

"Você mereceu," Quinn diz depois de um momento, ainda não olhando pra ela. Sua cabeça está erguida, sua mandíbula cerrada e Rachel acha nada além de sinceridade na voz dela. "Não foi um voto de pena. Você mereceu."

Rachel olha pro colo dela, sentindo as bochechas arderem. "Essa foi uma das coisas mais incríveis que qualquer pessoa já fez por mim."

"Você não está decepcionada?" Quinn diz roboticamente como se esperasse o pior.

"Não. De forma alguma."

E ela realmente não está. Rachel olha de volta pra Quinn e percebe, que de fato, isso significa mais ainda.

"Devemos?" Quinn diz com um sorriso pequeno e singelo.

Rachel morde o lábio inferior e segura seu próprio sorriso e rapidamente pula pra fora do carro. Ao tempo que ela luta com a cadeira pra fora do bagageiro, Quinn está parada do lado de fora, inclinando-se no carro pra se apoiar. Ela se acomoda na cadeira com um suspiro aliviado.

Rachel hesita logo atrás de Quinn. "Você iria – Eu posso – Você quer –"

"Você pode," Quinn diz e há um vestígio de sorriso na voz dela.

Rachel empurra a cadeira de Quinn para dentro do café. Elas são rapidamente postas em um lugar. Depois de fazer os pedidos, Quinn se inclina pra frente, olhos esverdeados cerrados nela.

"Rachel, qual sua idade?"

Rachel acha estranha a pergunta, confusa com o motivo pelo qual Quinn está perguntando quando ela sabe perfeitamente o quão velha ela é. "18."

"Você percebe o quão jovem isso é? Eu tive muito tempo para pensar no mês passado. Quando as coisas estavam indo mal com a recuperação, quando eu passei tanto tempo só deitada em uma cama, eu só tive que lembrar que eu só tenho 18 e há tanto tempo restante pra mim."

Rachel podia quase ouvir o ponteiro dos segundos bater tudo de novo durante as palavras de Quinn. "Esse é um bom jeito de colocar as coisas em perspectiva," ela disse.

"O ponto é – não está acabado Rachel. Você tem 18. Você tem tanto tempo. Você vai sair daqui e dominar Nova York."

"Está acabado Quinn. Eu tive minha chance," Rachel diz. Ela se sente pequena. Inadequada. Derrotada.

"Você está desistindo? Desse jeito?"

"Não é desistir. É ser realista," Rachel diz na defensiva.

"Qual seu plano então?"

"O que você quer dizer?"

"O que você vai fazer depois que nos formarmos agora que você não vai pra NYADA? Quais são suas escolas reservas?"

"Escolas reservas?"

"Rachel, você se inscreveu pra outras escolas além de NYADA, certo?"

"Eu... não."

Quinn fecha os olhos e respira profundamente. Rachel se encolhe, imersa em si mesma, sentindo-se muito como uma criança. Um momento depois Quinn fala novamente. "Okay, ainda há muitas universidades aí pra onde você pode ir. Eu sei que deve haver algumas que ainda estão aceitando estudantes e talvez haja algumas boas escolas aí que recebam inscrições atrasadas também. Ir pra NYADA não é o único jeito de ir pra Broadway."

"NYADA é a melhor," Rachel diz.

"É. Mas não é a única. Há tantas escolas com departamentos fantásticos de drama e música. Você ainda pode alcançar seus sonhos."

"Eu não quero mais falar sobre isso," Rachel diz firme.

"Rachel, você é inteligente e talentosa. Seja você mesma. Você pode fazer acontecer. Você certamente não pertence a este lugar. O que seus pais estiveram fazendo esse tempo todo? Deixando você casar, não checando seus planos pra depois do ensino médio –"

"Você é a última pessoa que pode falar sobre ter bons pais," Rachel surta e imediatamente se arrepende.

Quinn levanta a cabeça, lábios pressionados e olhos gelados. É um olhar que Rachel não ver ser dirigido a ela há algum tempo e é pior agora do que já foi algum dia.

"Não estou mais com fome. Vou chamar Santana pra me dar uma carona pra casa," Quinn disse duramente, rodando a si mesma pra longe da mesa.

"Espere!" Rachel disse, pulando e correndo pra alcançá-la. Quinn não parou de rolar pra longe, mas Rachel nunca iria agarrar a cadeira dela pra pará-la. Iria quebrar tudo se tentasse parar Quinn que levava sua autonomia muito a sério. Ao invés disso, ela implorou com palavras, não se importando em fazer uma cena. "Desculpe-me. Eu não quis dizer isso. Eu só... Estou perdida. E eu não sei mais o que fazer."

Quinn parou e ela se virou com um olhar resguardado.

"Mil perdões," Rachel diz, ciente do quão desesperada ela soa. "Isso foi muito além do limite e não foi justo com você, de forma alguma. E certamente não é verdade também. Eu deixei minhas emoções levarem a melhor, mas iria me fazer muito feliz se você se juntasse novamente a mim pra almoçar."

"Okay," Quinn diz.

"Okay." Rachel percebe que elas devem parecer bobas paradas ali no meio do restaurante, mas ela não se move até que Quinn o faça e ela não se senta até Quinn estar acomodada.

"Eu falei demais também," Quinn diz baixo.

"Não, você não falou. Você estava me dizendo tudo que eu precisava ouvir. É só que... meus pais me amam sabe?"

"Eu sei," Quinn diz. Ela para. Então, "Minha mãe está melhor também."

Rachel concorda com a cabeça. Elas não falam sobre NYADA, formatura ou qualquer coisa que importa pelo resto do almoço. Ela se preocupa que o momento de fraqueza dela as tenha levado pra trás, mas naquela noite, ela checa sua caixa de mensagem antes de ir pra cama e encontra um e-mail de Quinn.

O assunto dizia: "Algumas coisas que você talvez queira checar." O corpo do e-mail contém uma dúzia de links para uma variedade de diferentes universidades que ainda estavam aceitando inscrições. No final do e-mail, havia uma linha adicional de texto.

"Eu sei que é difícil, mas eu acredito em você. Seja você mesma e tudo vai dar certo," Rachel lê em voz alta. Ela cai sobre a mesa, lendo a linha várias vezes. Ela se encontra encarando o anel de noivado de Finn no dedo. Ela pensa sobre como tudo saiu do controle. Ela pensa sobre o quão jovem ela é. Ela pensa sobre ser ela mesma.

Ela tira o anel de noivado.


Terminar com Finn não é fácil, mas parece a primeira coisa certa que ela já fez em muito tempo.

Glee foi extremamente esquisito na semana seguinte ao término, mas (como sua audição fracassada) ficava um pouco melhor a cada dia. Nacionais ficava cada vez mais perto então mal havia qualquer momento pra relaxar ou ficar desatento (ela está determinada a se certificar de que o Sr. Schuester continuasse focado). Ela talvez não tivesse NYADA mais, mas não havia razão para não colocar tudo de si na performance final do coral. De fato, dava à Rachel ainda mais motivação para se certificar de que tudo sairia perfeito. Uma última viva.

Rachel também assiste enquanto Quinn fica cada vez mais perto da mobilidade completa até que um dia, ela chegou na escola não na cadeira, mas com uma bengala. Ela é lenta pra ficar de pé e seu passo é considerado limitado, mas ela ainda consegue chegar na sala de pé. Rachel a pega se encolhendo na aula de psicologia avançada delas, mas isso não faz com que Quinn pare de sorrir.

Durante o almoço, Rachel rastreia Quinn até o auditório depois que ela não a vê na mesa de almoço habitual. Quinn está sentada logo perto da porta, pernas esticadas e cabeça pra trás, descansando no banco. Seus olhos estão fechados e Rachel quase se vira pra deixá-la ter alguma paz quando Quinn fala, assustando-a. "20 pratas que quem quer que esteja parado atrás de mim é Rachel Berry."

Rachel bufa, colocando as mãos nos quadris. "Esqueça que eu queria checar como você estava."

Quinn sorri e então abre os olhos. "Obrigada. Eu só estou cansada. Quem diria que andar entre classes seriam tão exaustivo?"

Rachel senta na cadeira ao lado dela. "Você não está se sentindo dolorida, está?"

"É um pouco mais desconfortável do que o normal..." Quinn diz. Rachel dá uma olhada nela, e Quinn rapidamente corrige a resposta. "Ok. É bem mais doloroso que o normal, mas eu tenho meus remédios para me fazer passar pelo dia."

"Eles não te deixam sonolenta?"

"Sim," Quinn diz. "Então é por isso que eu estou tentando conseguir alguma paz e quietude." O tom dela ainda está leve e jovial e nada perto de como Quinn soa quando está aborrecida então Rachel entende que a barra está limpa.

"Você é incrível, sabe? Voltar do acidente do jeito que você fez."

"Bem os doutores dizem o mesmo," Quinn diz. "Se eles continuarem a dizer sobre o quão milagrosa e rápida minha recuperação é, eu talvez comece a desenvolver um complexo de deus."

"Considerando que você ainda é uma cristã praticante eu duvido muito disso."

Quinn rola os olhos. "Rachel, é uma piada."

"Eu-eu sei disso. De qualquer forma, você estará de pé e dançando novamente antes que você perceba. Eu não tenho dúvidas de que você estará pronta pras Nacionais."

Quinn faz um som vago de afirmação no fundo da garganta e seu olhar se centra inteiramente em Rachel. "Eu sei que as coisas tem sido difíceis e você tem feito algumas... hum... mudanças já, mas você já pensou algo mais sobre o próximo ano?"

É a primeira vez que Quinn traz à tona os planos de Rachel para depois do ensino médio, pessoalmente, depois do almoço delas. Rachel tem recebido e-mails aqui e ali de Quinn com links para outras escolas e programas. Aqueles e-mails são importantes demais.

"Eu olhei em alguns lugares," Rachel diz. Ela encara o palco do auditório. "Nenhuma delas parece certa."

"Eu sei que elas não são NYADA ou sequer Nova York, mas você pode ser uma estrela, Rachel, independente de onde você se forme. Broadway está esperando por você."

Silêncio cai sobre elas. Rachel está sem palavras, mas seus pensamentos giram. Recuperação "milagrosa" de Quinn, o fracasso dela, os sonhos cinza. E Quinn está mesmo assim a impulsionando a continuar em frente.

"Você sempre pode se transferir também," Quinn diz depois de alguns momentos. "Essa é uma possibilidade bem real, especialmente se você manter suas notas altas. Eu sei que a maior parte dos programas de elite tem prazos bem restritos então ir nesse outono está fora de questão, mas pessoas se transferem de escolas o tempo todo. Não tem que ser NYADA. Há Tisch e Juilliard, e tantos outros lugares. Você é destinada pra isso, Rachel. E eu vou continuar a dizer isso até que você acredite em mim. Não se resigne a ser como eles."

"Okay," Rachel diz obedientemente. Ela não consegue se fazer dizer à Quinn que ela se resignou a isso e ela não tem a energia de explicar o motivo. Era um sonho de criança. É hora de crescer. Broadway não é prático. Absurdo até. Ela teve sua única chance e está acabado. Não há nada disso sobrando. Mas mesmo quando sua mente tem esses pensamentos, há uma picadela em seu coração. É brilhante, colorido e tão longe do cinza e está lhe dizendo que talvez Quinn esteja certa.


Também é assustador, Rachel acha depois. Mesmo quando ela se inscreve em escolas que ela está quase certa de que ela entrará baseada no seu currículo acadêmico e extracurricular. Rejeição e falha são agentes paralisantes efetivos.

Ela só se inscreve em algumas escolas e ela se sente bem perto de hiperventilar cada vez que ela aperta o botão de mandar as inscrições online. Seus pais não dizem anda além de coisas para apoiá-la, até mesmo quando ela finalmente pergunta se está tudo bem se ela morar em casa no próximo ano enquanto assiste aulas na OSU em Lima. Ela coloca uma graduação em comunicações porque apesar deles terem um departamento de teatro – é demais.

Aquele arrepio de esperança e cor de Quinn foi incrível, mas também, por alguma razão, tudo de errado. Ela se contenta com pequenos passos. Ela tem um plano pro próximo ano.

Antes que ela saiba, eles estão saindo pras Nacionais e Quinn está dançando.

Parada nos bastidores, Rachel não pôde deixar de olhá-la durante a performance. Ela está linda e o coração de Rachel incha só de assisti-la. E quando Rachel toma o palco, é com gosto e exuberância. É dinâmico e tudo que ela já tinha esquecido que cantar era.

Ela sai do pico de adrenalina rapidamente depois. Inconsequente novamente. Ela teve sua chance, mas não a para de lembrar como é.

Quinn a abraça nos bastidores. Ela até a segura no ar, girando-a. Rachel protesta, preocupada com as costas de Quinn mas ri do mesmo jeito.

Eles não tem que dirigir de volta pra casa até o dia seguinte então naquela noite eles festejam em um dos quartos de hotel dos garotos. Rachel não pergunta onde eles conseguiram o álcool. Puck coloca alguma música que é mais baixo do que letra. Não leva muito tempo antes de Brittany e Santana estão se amassando em um canto e Mike e Tina estão se beijando em outro. Rachel tenta manter o olho em Quinn, que parece exausta. Ela se acomoda em cima de uma das camas, se inclinando na cabeceira, olhos mal abertos.

Rachel passeia pela festa, se divertindo. Finn a coloca num canto em algum ponto. Ele está largamente a evitando até agora então é meio que uma surpresa. Ela pode dizer que ele esteve bebendo excessivamente. Ele coloca uma mão pesada no ombro dela, se inclinando pra perto. "Rach, você esteve tão bem lá em cima. Não é tarde demais pra nós."

"Finn... é. É melhor desse jeito pra nós dois," Rachel diz tão compassiva quanto possível. Ela tira a mão dele do ombro dela. "Desculpe. De verdade. Mas um dia você ficará feliz que isso aconteceu."

Para o horror dela, Finn parece estar prestes a chorar. Puck, graças a Deus, vê a confrontação deles e intervém. "Venha, cara, Sam está te desafiando a beber uma cerveja mais rápido. Eu pus dinheiro nele, ele tem aquela boca enorme, mas você pode ao menos tentar."

Finn se afasta dele. "Eu não acho que eu ficarei feliz nunca. Eu sinto sua falta."

"Nenhum de nós sabe o que quer ou pra onde vamos. Nós não estamos em um lugar bom para um relacionamento," Rachel diz.

Finn a encara, seus olhos desfocados e vagos. "Eu não entendo."

Puck fica entre ela e Finn dessa vez, enfiando uma lata de cerveja na mão dele. "Cara, não se envergonhe. Sam está esperando."

Finn manda um último olhar na direção dela e então anda em direção a Sam, falando duas vez o volume normal. Rachel agarra o braço de Puck antes deste se juntar a eles. "Obrigada, Noah."

"Nada, judia querida. Eu sei que você tem suas razões, mas você acabou mesmo com ele. Lembre disso," Puck diz.

"Eu lembro," Rachel diz solenemente, mas Puck já está se virando e gritando algo sobre beber logo. O fato é que, ela sabe que está acabada também.

Ela viera para checar Quinn, só pra ver que ela não mais ocupa seu lugar na cama. Ela não estar em nenhum outro lugar do quarto e Brittany e Santana estão agora ocupando o banheiro. Rachel chama a atenção de Mercedes e Kurt que estão sentados no pé da cama que Quinn ocupara, "Quinn foi embora?"

"É, ela murmurou algo sobre dormir e foi andando. Garota parecia acabada," Mercedes respondeu.

"Obrigada," Rachel disse, então saiu logo do quarto, ignorando os olhares aguçados de Mercedes e Kurt.

Ela marcha pelo corredor em silêncio, de volta pro quarto que ela divide com Quinn, Brittany e Mercedes (Sra. Pillsbury insistiu que Brittany e Santana serem separadas nos quartos assim como Kurt e Blaine). Quando ela abre a porta, Quinn está acabando de sair do banheiro, agarrada com a roupa de dormir.

"Veio pra me checar?" Quinn diz.

Pega e sem qualquer outra desculpa, Rachel diz, "Sim. Eu estava preocupada com você." Ela tenta manter os olhos focados no rosto de Quinn, mas ela acha se olhar vagando ao longo da curva do ombro de Quinn pelas linhas esculpidas de seu braço e até o vale dos seios dela embaixo do top de algodão – Rachel rapidamente pula seu olhar de volta pro rosto de Quinn.

"Estou bem. Eu tomei alguns dos meus últimos remédios pra dor forte então eu estou bem cansada."

"Você não bebeu nada, né?"

"Claro que não! Eu não sou estúpida," Quinn surta. Então suspira. "Desculpe, só estou cansada. Eu sei que isso não é desculpa o suficiente."

"Não, não, está bem. Você foi tão incrível lá em cima hoje. O que você tem conseguido alcançar desde o acidente é inspirador. Você parece que nunca deixou a pista de dança."

"Eu queria sentir isso também," Quinn diz quando ela se acomoda do lado dela da cama. Brittany pediu a mesma cama que Quinn quando elas chegaram depois de descobrir que ela não podia ter Santana. Ela disse que precisava de uma companheira de conchinha confiável e se ela não podia ter Santana, teria que ser Quinn. Rachel achou difícil imaginar Quinn como uma conchinha mas quando ela acordou naquela primeira manhã de seus sonhos cinzentos, ela olhou pra outra cama pra ver Brittany e Quinn numa bagunça de membros, cabelo loiro e lençóis. Foi realmente meio que adorável.

"Você se sentirá assim também antes que você se dê conta," Rachel disse. Ela fica de pé estranhamente incerta se ela devia sair, sentar na cama de Quinn ou ir pra própria. Finalmente, ela sentou no final da cama de Quinn.

"Sim, eu acho que eu irei," Quinn diz. Calor floresce em algum lugar do peito de Rachel com a visão do sorriso dorminhoco de Quinn. "Foi estranho. Não importa o quão rápido minha recuperação foi, parecia como se estivesse sendo demoradíssimo. Eu sempre tive que me lembrar de quão sortuda eu fui. Eu sou."

"Como você me disse uma vez, alguém em algum lugar está olhando por você," Rachel disse. Ela não é louca o bastante para acreditar que ela realmente tinha mudado algo – não importa quantos dos sonhos dela tinham sido nada além de uma expansão de cinza – mas ela achou uma parte dela desejando que ela pudesse ser esse alguém. Quinn é especial, ela se certificou. Inteligente, linda e uma de suas melhores amigas – claro que ela queria estar ao redor dela.

"Então como alguém olhando por você, posso perguntar se você pensou algo mais sobre o próximo ano?" Quinn disse.

Rachel olha pro chão. Ela não tinha contado a Quinn a decisão dela porque mesmo se fosse um passo à frente, era minúsculo. Ela não pôde deixar de sentir envergonhada. Como os poderosos tem caído, ela pensou. Ela realmente é um deles agora, e falar em voz alta pra Quinn que diz a ela que ela é destinada a mais, só deixa mais verdadeiro. Ela responde de qualquer forma. "Eu terei classes na universidade estadual em Lima no outono."

Não há nenhuma ridicularização. Ao invés disso, Quinn se senta e toca o braço dela. "Rachel, isso é bom. Isso é progresso. Você vai conseguir."

Rachel sentir uma constrição familiar no peito e garganta e ela sabe que as lágrimas estão vindo. Ela deseja saber de onde – ela pensa que seria mais fácil pará-las se ela soubesse a fonte delas. Mas ela tem seu fracasso, sua dúvida, zero futuro e ela tem Quinn. É provavelmente tudo isso. Ela tenta segurar as lágrimas, mas ela engasga com um soluço. Seus ombros sacodem. "Isso não é justo," ela chora mesmo quando um braço se envolve ao redor dela. "Eu não sou quem eu pensava ser. Eu não sou quem você pensa que eu sou."

Há um gentil pedido de silêncio em sua orelha e uma mão acariciando seu cabelo. Os braços ao redor dela e o corpo contra o dela é confortador. Quando os soluços começam a diminuir e ela finalmente sai de si mesma, ela sente a testa de Quinn descansando nas costas do ombro dela e ouve um murmúrio falho cantado de "Me desculpe."

Quinn parece sentir que as lágrimas estão secando porque ela se retrai, deixando Rachel sozinha na cama. Ela volta um segundo depois, segurando lenços, os quais Rachel está agradecida por tirar das mãos dela. Quinn senta de volta ao lado dela, encarando as mãos.

"Eu não sou muito boa nisso," ela diz depois de um segundo.

"Não, você foi. Isso foi muito legal de você. Eu aprecio sua paciência especialmente considerando sua exaustão," Rachel fala. Foi mais do que legal pra ser sincera. Quinn estava quente e segura e Rachel meio que já sentia falta de estar envolvida nos braços dela.

"Eu trouxe à tona," Quinn diz enquanto Rachel levanta para jogar fora os lenços usados. Quinn deita de volta no lado dela da cama. Seus olhos pesados aparecem mais uma vez enquanto a adrenalina que veio com testemunhar as lágrimas diminui.

Rachel senta, voltando à posição de se sentar no pé da cama. "Desculpe eu ser uma bagunça tão grande. Você está sendo nada além de gentil e apoiadora quando você não tem nenhuma razão pra ser."

"Relacionamentos interpessoais é uma via de duas mãos. Você não pode ser sempre aquela que me tira de um buraco escuro," Quinn diz languidamente.

"Quinn... Eu – Nós vamos continuar em contato? Eu percebo o quão mortalmente chato será estar no próximo ano encalhada em Lima, mas eu quero saber tudo sobre Yale e tudo que você está fazendo," Rachel diz. Ela espera que não tenha soado muito desesperada. Ou muito como uma assediadora pra dizer a verdade.

O sorriso sonolento está de volta no rosto de Quinn, diminuindo os medos dela. "Eu serei chata também, sabe. Estarei estudando o tempo todo."

"Você não estará estudando o tempo todo! Há tantas experiências universitárias essenciais que você terá que tomar parte!"

"Berry. Xiu," Quinn diz roucamente. Ela pega o braço de Rachel, puxando-a pra deitar-se. O coração de Rachel flutua na garganta dela. "Eu tive experiências suficientes no ensino médio para durar toda a faculdade e eu realmente não posso mais ficar acordada." Ela boceja, provando o que disse. Rachel imagina se ela deve se mover mas Quinn tem um braço jogado ao longo do seu abdômen. E Quinn foi quem a puxou pra baixo e pro lado dela, pra começo de conversa.

"Relaxe Rachel," Quinn murmura, quase incompreensivelmente. "Você vai ficar dura desse jeito quando vier me visitar?"

"Visitar você? Em New Haven?" Rachel consegue falar depois que a surpresa passa. Mas Quinn já está dormindo, respirando suavemente e constantemente.

Rachel está igualmente cansada, mas agora seus pensamentos estão cheios com visitar Quinn em Yale. Ela está bem até pensar no fato de que ela não tem nada pra oferecer em retorno. Está acabado pra ela e tudo sobre seu futuro é indescritivelmente cinza. Não é assim que devia ser. Não era pra ser ela.

Mas é.


Os últimos dias até a graduação passam num piscar de olhos. Ela joga o capelo no ar e bem assim o ensino médio está terminado.

Verão é um caso adormecido. Ela sai com os garotos do coral, vai às compras com Kurt e toma café com Tina. Mas na maior parte, ela conversa com Quinn.

Quinn que está correndo, dançando e brincando. Rachel não acha que ela viu Quinn parecer tão jovem como quando ela está lutando com Santana ou provocando Sam na festa do coral. Ela está tão cheia de vida e vitalidade que Rachel está certa de que se ela pulasse, Quinn iria voar – nunca mais ficaria com os pés no chão novamente. Então os olhos de Quinn caem nela e isso tira o fôlego de Rachel por vê-la tão desinibida. Quinn nunca diz isso pra ela, mas Rachel escuta-a conversando com Santana em uma das festas da piscina deles – "Eu vou sair daqui, Santana. Eu ainda não posso acreditar."

Quinn está livre e viva e isso é o suficiente para sustentar Rachel. Ainda assim, quando elas conversam, só elas duas, Quinn retrai tudo – apesar dos seus olhos esverdeados nunca estarem enevoados ou enegrecidos. Quinn nunca para de dizer a ela o quanto ela é destinada a um mundo fora de Lima.

"Você ama se apresentar?" Quinn diz um dia enquanto está sentada no sofá assistindo So You Think you Can Dance ou o X-Factor ou algum outro desses realities de competição – todos se misturam depois de um tempo.

"Eu amava," Rachel diz simplesmente. É a verdade, não importa o quanto doa admitir no tempo passado.

"Você ama, você quer dizer."

Rachel fica quieta por um momento. "Sim."

"Por que sua formação vai ser em comunicação?"

"É sensível. Eu posso fazer minha base nisso para ter uma carreira que abrange muitos campos."

"Besteira," Quinn diz, quase grunhindo.

"Quinn!"

"Por que não fazer o que você ama? Me tomou dois segundos descobrir que OSU Lima oferece uma graduação em teatro. Por que não tentar isso? Eu não entendo."

"Eu disse a você antes," Rachel diz, frustrada, "Essa parte da minha acabou. Está terminada."

"Por que você sempre fala sobre isso em absolutos?" Quinn diz. Sua voz ressoa com a frustração. "Que tal transferência? Que tal fazer algumas matérias de teatro? Não está acabado."

Rachel deseja que ela possa explicar apropriadamente como tudo dentro dela diz que está. Essa é uma repetição de muitas das conversas delas. Só tomou uma direção nova. "Eu estou seguindo em frente, Quinn. É isso."

A mandíbula de Quinn se cerra. Seus olhos esverdeados brilham. "Você foi tão incrível nas Nacionais. Todo mundo soube disso. Só porque você falhou uma vez – uma vez! – não quer dizer que você deve desistir de tudo que você ama. Prometa-me que você vai pelo menos pensar sobre isso. Pensar sobre aquilo e como você dominou o palco e a audiência inteira naquela noite em Chicago."

Rachel concorda com a cabeça porque não importa o quão obstinada ela normalmente é, Quinn é comprovadamente tão teimosa quanto.

Antes de ir pra cama naquela noite, ela pensa sobre onde ela esteve naqueles dias depois da audição horrorosa, e onde ela está agora, graças à Quinn. Ela clica na página do departamento de teatro da OSU de Lima e lê as páginas. Ela pensa sobre o que Quinn disse e ela pensa sobre como ela se sentiu naquele estágio em Chicago. Mudar a formação dela para teatro foi livre de dificuldades. Ela manda um e-mail pro conselheiro dela e então rapidamente fecha o laptop dela de repente chocada consigo mesma. Foi tão fácil.

Tão fácil reclamar uma pequena parte de si mesma que ela pensara que tinha trancado para nunca mais pensar sobre novamente.

Quando ela dorme naquela noite, ela sonha em branco, então preto e finalmente retorna para o tão familiar cinza.

É quando ela acorda de manhã que ela encontra um número de textos e ligações perdidas estocadas no seu telefone silencioso. Perplexa, ela lê a primeira mensagem de Santana e seu mundo para. "Quinn teve algum tipo de recaída. No hospital agora. Traga sua bunda pra cá, Berry."