Thank yoooou for the reviews *----* E houve um erro quando eu postei o prólogo antes do Carnaval. Eu acabei postando o cap. 1 com o nome de prólogo, quando o prólogo verdadeiro tava em outro computador. Enfim, os que já leram este, espero reviews anyway hihi *--*

Bjs :* amo vocês

J.C.

CAPÍTULO UM

Assim que eu olhei para cima, pela vigésima vez naquele mesmo dia, na centésima vez em uma semana, tudo o que eu pude ver foi o muro caindo aos pedaços, maltratado, janelas escancaradas cujos vidros estavam igualmente torcidos.

— Bella — uma voz distante me chamou. — Bella. — um toque em meu ombro, uma respiração ofegante ao meu lado.

Virei-me para encarar Angela.

— O que está fazendo? — ela olhou para cima.

— Nada — minha voz saiu em um sussurro. — Apenas... olhando. Parece abandonado.

— Mas eles estão lá, você sabe — ela disse. — Os monstros.

— Sim. — murmurei. — Eu sei.

Os "monstros". A quem nós servíamos mensalmente metade de nossas colheitas, metade das riquezas que encontrávamos em nossas terras. Criaturas que, embora soubéssemos que existiam e embora acreditássemos avidamente que não nos fariam mal algum contanto que mantivéssemos nosso trato, eram conhecidas como os demônios da noite. Os vampiros. Os demônios que se alimentam de sangue para manter sua semi-vida.

As crianças da vila eram assombradas desde pequenas pelos pais e avós com as terríveis histórias de morte e sangue dos vampiros de nossa terra. Eram desencorajadas a se aproximar do terreno deles ou sequer olhar para o castelo aparentemente abandonado. Se alguém, inclusive jovem, olhasse por muito tempo, poderia se deparar com a hipnose, uma arma dos vampiros, que iriam querê-lo só para eles. Por isso Angela hesitava em vir até aqui, e apenas me acompanhava porque era minha única amiga.

Estávamos aqui, em frente ao grande muro que separava as nossas terras das terras dos vampiros. E eu estava olhando, fitando o muro, fitando as janelas do castelo atrás do muro, esperando ver algum movimento diferente, que não fosse apenas as janelas balançadas levemente pela brisa.

— E não tem medo de olhar para cima e acabar se deparando com um deles? — Angela voltou a falar, tirando-me de meus devaneios.

Eles dormiam durante o dia. Não é? Como eu poderia me deparar com um deles?

— Eles não... podem sair à luz do dia — eu disse, tentando emanar segurança.

Angela assentiu, estremecendo.

— Mas diz a lenda que se eles aparecerem à janela e encontrarem o olhar de um humano da aldeia... bem, você conhece o resto. Não seria muito bom. Você seria... hipnotizada, eu acho.

Eu estava olhando para o castelo de novo, quem sabe aguardando algum sinal de movimento. Nada. Voltei a encontrar os olhos de Angela.

— Perdão, o que disse?

— Bella — os olhos de Angela brilharam com intensidade. — Não olhe mais para lá. É sério.

Eu assenti com um suspiro.

— Agora vamos voltar — ela deu as costas e caminhou para longe.

Mas antes que eu pudesse me virar para acompanhá-la, não resisti a lançar outro olhar rápido para a torre...

E aqueles dois topázios brilhantes capturaram o meu olhar. Como se um mar dourado brilhante me engolisse, fazendo-me afundar até as profundezas, perdendo o ar e controle do meu corpo. A sensação, contudo, era de longe a melhor coisa que eu já havia sentido. Eu não conseguia me mexer, voltar à superfície, mas não porque aqueles olhos não permitiam. Eu não queria. Queria permanecer no fundo, afundando cada vez mais no prazer daquele ouro, mesmo que eu morresse sem ar.

— Bella! — um grito furioso soou atrás de mim, despertando-me do transe.

Não era a voz de Angela. Não era uma voz feminina.

— Pai? — eu encarei aproximar-se horrorizada. Seu semblante estava possuído, seu rosto vermelho, seus olhos saltavam das órbitas com puro ódio emanando deles.

— Para casa! Para casa agora!

— Ela foi vista! Ela foi vista e hipnotizada... eles virão buscá-la!

Eu estava trancada em meu quarto para que não pudesse ouvir a conversa. Os gritos de papai, contudo, eram bastante audíveis de onde eu estava, mesmo que a porta de madeira grossa estivesse trancada. Mas não eram seus gritos que me assustavam; o silêncio mortal de mamãe me assustava. Ela nunca ficava calada, sem reação. Nunca.

— Vamos embora. Vamos levá-la para longe, para qualquer lugar... — a voz de papai se partiu, ou o volume dela apenas diminuiu o bastante para que eu não conseguisse mais ouvi-la.

E então uma batida na porta. Forte, rápida, silenciando a casa completamente, fazendo minha respiração ficar presa na garganta. Meu corpo enrijeceu, minha pele ficou de um frio mortal, doentio. Uma brisa leve levou meus cabelos castanhos para frente, embora a janela estivesse fechada.

— Por favor... — a voz de mamãe saiu chorosa, mais alta do que o normal, embargada, à beira das lágrimas.

— Podemos... discutir isso — a voz de papai estava agora trêmula, mais baixa do que seus gritos, suplicante.

— Não há o que discutir — uma terceira voz soou, mais alta, mais clara, sem emoção, e incrivelmente bela. Uma voz masculina.

Eu estremeci ao ouvir aquela voz. Aquela voz fria, sem piedade. Era um deles. Um dos...

— Uma troca! — papai implorou. — Por favor, façamos uma troca! Leve a mim! Leve a mim no lugar de Bella! Ela é tão jovem, não merece...

— Não aceitamos trocas, senhores — a voz voltou a dizer, interrompendo papai. — Eu sou apenas um empregado. Sigo ordens. Devemos levar a garota.

— Não! — mamãe. — Não! Não, minha filha, não!

Eu a ouvi soluçar, boquiaberta, e me encolhi no canto da cama, abraçando meus joelhos contra o peito. Minhas lágrimas desceram quentes e pesadas. Eles iriam... me levar... me levar para ficar com eles... com os... Eles iriam me transformar? Me matariam? Iriam se alimentar de mim?

A porta do meu quarto se escancarou, caindo aos pés da minha cama com um ruído estrondoso ensurdecedor. Eu olhei para o homem alto e forte, seus cabelos caindo em ondas até os ombros, vestido em trajes negros no vão da porta. Seus olhos eram diferentes dos olhos que eu havia visto no castelo. Estes eram frios, sem nada dentro, vermelhos... e os outros eram... dourados, com algo quente e forte boiando na superfície...

— Isabella Marie Swan? — ele disse inexpressivo. — Levante-se e venha comigo.

Atrás dele havia outro, um louro, cuja atenção estava voltada para meus pais — minha mãe nos braços de papai, soluçando, meu pai inexpressivo, a boca entreaberta como se quisesse protestar mais, mas soubesse que não adiantaria.

O homem à porta do meu quarto, vendo que eu não iria me mexer tão cedo, aproximou-se, então, levantando-me à força e dando as costas, com a intenção de me fazer segui-lo.

Mas eu não iria. Eu não queria ir. Não queria, eu...

O outro homem lançou um olhar sombrio para mim, uma ameaça implícita que foi aumentada apenas pela terrível cor rubra de seus olhos.

— Vamos — ele disse em alto e bom som, e deu as costas, ambos saindo da casa comigo atrás.


O segundo cap. já está pronto e eu vou revisá-lo e editá-lo antes de postar aqui :D Bjs :*

J.C.

PS: reviews, plzz..