CAPÍTULO 1 - DEPOIS DA BATALHA
A Varinha não vale a confusão que provoca! - disse Harry - Sinceramente, já tive confusão o suficiente para a vida toda."
Saindo do escritório do diretor, Harry quis ir diretamente para onde ele sabia se localizar a Torre da Grifinória. Mas antes, ele foi com Rony e Hermione devolver a varinha ao túmulo de Dumbledore.
-Mas precisamos realmente abrir um túmulo?- Perguntou Rony horrorizado. -Quero dizer não podemos simplesmente enterrá-la ou esconder em um lugar qualquer?
- Sim precisamos fazer exatamente dessa forma. - Respondeu Hermione antecipando a resposta de Harry- Ficará muito mais segura porque as únicas pessoas que sabiam onde estava estão mortas e ninguém vai se animar a procurar justamente numa sepultura.
Rony não pareceu nada feliz, Harry entendia o amigo, estavam esgotados física e emocionalmente, e abrir uma sepultura, com a morte de Fred ainda pairando sobre eles não era a perspectiva mais animadora, mas tinha que ser feito daquela forma ele não se arriscaria a esconder a varinha das varinhas em outro lugar qualquer, não quando a capa continuaria com ele e a pedra estava perdida em algum lugar na floresta proibida.
- Rony, ouça é a última coisa desagradável que precisaremos fazer e depois finalmente estaremos livres. - Completou Harry. -Mas se você não quiser ir, vamos somente eu e Hermione, nós damos conta...
- Não, eu vou junto.
Ele jogou a capa sobre ele e Rony e Hermione se encaixou entre os dois, desceram juntos para o saguão, mas a precaução se mostrou desnecessária visto que todas as pessoas permaneciam no grande salão, comemorando, sem a menor vontade de dar uma olhada nos estragos causados no castelo. Mesmo assim eles não retiraram a capa, Harry sabia exatamente o lugar onde deveriam ir, porque o vira de dentro da mente de Voldemort.
O sol ia a Pino, quando os garotos saíram para os jardins do castelo, Harry podia sentir Hermione tremendo com a perspectiva sombria que os aguardava, enquanto eles andavam com dificuldade sob a capa pelos jardins em direção ao lago.
-Eu lamento ter que pedir mais essa ajuda. - ele disse baixinho. - Se achasse que poderia ser de outra forma...
- Não seja bobo Harry, é necessário e pronto. -Respondeu a garota com a voz anormalmente aguda.
Eles continuaram andando, ao redor da margem do lago, e ali estava, ao lado, refletida nas águas escuras. A tumba de mármore branca. Harry sentiu o coração disparar a vista da sepultura familiar, de repente a idéia de Rony de esconder a varinha em outro lugar, lhe pareceu muito coerente, como pudera pensar em violar o túmulo de Dumbledore? Onde estava com a cabeça? Ele abriu a boca para voltar atrás, mas Hermione já lançara o feitiço impervius sobre as cabeças deles, provavelmente para evitar o odor e no mesmo instante erguendo a varinha ela falou:
- Virgardiu leviossa.
A tampa da tumba se ergueu no ar. A figura embrulhada era tão longa e magra como havia sido em vida. Rony vacilou e Hermione o amparou. Harry levantou novamente a própria varinha de azevinho e pena de fênix:
-Diffindo
As mortalha rasgou. O rosto amado de Dumbledore estava translúcido, pálido, e ainda quase perfeitamente preservado, ainda conservava os óculos em seu nariz torto. Harry sentiu as lágrimas molharem os olhos, mas não se preocupou em escondê-la dos amigos, Hermione também soluçava e Rony apoiado nos ombros dela parecia estranhamente verde. Harry sentiu uma força externa guiá-lo, não parecia ser ele mesmo a pessoa que colocou a varinha das varinhas novamente cruzada sob o peito de Dumbledore.
-R...reparo
A voz de Hermione saiu entre soluços, mas o feitiço para costurar a mortalha funcionou. Harry deu tapinhas nas costas da garota e murmurou novamente o feitiço para recolocar a tampa do túmulo, estava feito, a varinha das varinhas descansava, abaixo deles, enterrada, segura.
Voltaram para o castelo em silêncio com Hermione ainda fungando de tempos em tempos e sem combinarem nada, seguiram direto para a torre da Grifinória, ainda estavam cobertos com a capa que agora deixava seus pés a mostra conforme os movimentos que faziam.
Na torre também não havia ninguém, o retrato da mulher gorda estava vazio e o buraco da entrada escancarado, eles entraram e Harry achou bom fechar a passagem pelo menos seriam avisados da chegada de qualquer pessoa, ele não se sentia com ânimo para ver ou falar com quem quer que fosse.
Assim que tiraram a capa, os três se jogaram nas poltronas em frente a lareira e permaneceram em silêncio, Harry examinava as próprias mãos, Hermione fixava o nada e Rony permanecia de cabeça baixa.
Após um longo tempo Rony quebrou o silencio:
- Sou só eu que estou cheirando a uma mistura de trasgo montanhês e pús de bubotúberas? -Perguntou ele subitamente, os outros dois riram e a tensão pareceu se dissolver um pouco.
- Tem razão precisamos desesperadamente de um banho. Concordou Hermione com fervor.
-Um banho e cama. Continuou Rony.
-Um banho, cama e comida. Atalhou Harry.- Eu não comi nada lá embaixo.
-Não? O pudim de Ruibarbo estava realmente delicioso, mas Hermione não comeu nada também, sabe...ela sente falta dos cogumelos cozidos e dos peixes queimados.
- RONY!
-… brincadeira! Completou o amigo rindo.
-Bom eu vou começar pelo banho. Hermione se levantou em direção a escada do dormitório das garotas, no caminho passou a mão na cabeça de Rony e Harry.
Os garotos subiram logo depois e após um banho quente, Harry se jogou na sua cama, Rony já dormia pesadamente ao lado, no entanto passados alguns minutos, quando Harry estava num estado de semi-consciência, Hermione adentrou o dormitório, vestida com um pijama azul claro, carregando um enorme travesseiro e com uma cara de quem está um pouco envergonhada de seu comportamento:
-Será que eu posso dormir aqui também?- Ela perguntou vacilante- O dormitório das garotas está muito...deserto, não quero ficar lá sozinha.
Harry riu. - Claro que pode, venha aqui, fique com a minha cama e eu deito na do Neville. A garota aceitou sem pestanejar, enquanto ela se enfiava debaixo do lençol, ele se transferiu para a cama do outro lado, e então Harry pôde finalmente dormir. Um sono pesado e sem sonhos. Nada mais de pesadelos. Nada mais de Voldemort. Liberdade.
O enterro dos mortos na batalha foi no dia seguinte, a maioria das famílias concordou em enterrá-los, todos, em Howgarts, durante o ofício fúnebre, Harry e Hermione permaneceram ao lado dos Weasleys e quando Gina segurou a mão de Harry, o afastando de Rony e Hermione e o levando junto com ela para duas cadeiras, entre Jorge e a Sra. Weasley ele se deixou ir.
Jorge chorava copiosamente e Gina o abraçou firme e de olhos secos, enquanto eram realizadas as cerimônias. O corpo da Sra. Weasley estava sacudindo violentamente com a força dos soluços e Harry voltou a se sentir extremamente responsável por toda aquela dor, ele certamente devia algo aos Weasleys, eles o haviam acolhido como filho, desde o início e por sua causa a família toda tinha passado o ano anterior sem poder trabalhar, fugitiva, sofrendo ataques e ferimentos, haviam se tornado párias e agora, para completar, essa última tragédia, a morte de Fred. Ele tinha que fazer algo por eles, devia gratidão eterna a todos e jamais poderia esquecer isso, Gina segurou a mão dele no instante em que pensava nisso e ele a apertou com força.
Após o fim da batalha, e em cerca de uma semana a escola foi reconstruída, pelos professores, elfos, alunos e pais, funcionando ao mesmo tempo como hospital para os feridos, as aulas convencionais foram suspensas e os alunos trabalharam juntamente com professores e funcionários em igualdade de condições, aprendendo muitas coisas novas e úteis que não se ensinam na escola, feitiços domésticos de reconstrução, de limpeza, de reparos e de curas.
-Nosso livro didático, agora, deveria ser o Semanário das Bruxas. Comentou Hermione mal-humorada, uma noite na sala comunal, após passarem um dia todo ajudando limpar a escola. Todos riram do comentário.
- Oras são feitiços úteis que estamos aprendendo, principalmente para garotas, que um dia terão uma casa para cuidar. Disse Rony deliberadamente a provocando e ao ver a expressão homicida no rosto dela ele ainda perguntou inocentemente:
- O que foi? A maioria das mulheres normais gosta de aprender essas coisas, Hermione, Gina gosta não é Gina?
Mas Gina não parecia ter escutado nada, conversava as gargalhadas com Neville e Simas no canto oposto, Rony não se deu por achado.
-Ela adora! Ela e a mamãe passam horas conversando sobre a melhor maneira de Tricotar um suéter ou de fazer uma torta. Harry pensou irresistivelmente em Tia Petúnia.
A semana de reconstrução acabou sendo um período onde todas as casas ficaram muito mais unidas e a noite podiam ficar até tarde fora da cama, então MacGonaggal permitia que fizessem uma fogueira perto do lago e eles ficavam pelo jardim enquanto Dino e Simas tocavam violão.
- Harry, Harry. Ele tomou um susto, tinha descido até a beira do lago, para assar mais marshmallows para os amigos, mas era apenas Hagrid que o chamava disfarçadamente.
-Hagrid? O que houve?
-Tenho uma coisa para te mostrar, venha até a cabana comigo.
Harry deu uma olhada incerta para onde estava Hermione, esses passeios secretos com Hagrid jamais tinham dado em coisa boa, mas sem ter como se esquivar, acabou acompanhando o gigante até a cabana.
Ao chegarem ao local, Harry viu Canino latindo e arranhando furiosamente a porta fechada.
-Harry, vou segurar Canino e você entra lá e o pega.
-P...PEGA? O quê... Hagrid, o que está havendo?
Mas o amigo não respondeu, segurou canino pela coleira e o arrastou para trás da cabana, fazendo um gesto impaciente com a cabeça indicando a porta para Harry, que a contra gosto abriu a porta e entrou cautelosamente.
O garoto esperara encontrar um dragão, um explosivim ou um cão de três cabeças, mas se surpreendeu em ver apenas o que parecia uma enorme bola de pêlos laranja acomodada sobre a cama.
-Bichento!
Sentiu uma emoção diferente ao ver o gato de novo. Bichento ergueu a cabeça para ele sonolento e soltou um miado pouco interessado, Harry se aproximou sentando-se na cama e coçando a orelha do gato, que ronronou, sentia-se um pouco constrangido ao perceber que lhe subia um nó na garganta, porque andava tão "sentimental"?
- Bichento! Tudo bem garoto... Está... com saudades dela? Ela...ela também sentiu muito a sua falta...
Hagrid, devia ter dado um jeito de prender Canino ou coisa parecida, porque agora estava encostado na porta, olhando-os com ternura.
-Você pode entregá-lo a ela Harry, disse o gigante, ela vai ficar muito feliz não vai?
-Feliz? Ela vai ficar maluca Hagrid!
-Então vá, leve essa ferinha para a Dona dele, antes que Canino escape.
Harry pagou Bichento no colo, movimento contra o qual o gato não protestou, sempre haviam sido muito amigos, e se dirigiu para fora da cabana, agradecendo a Hagrid, subiu em direção ao local onde a amiga se encontrava com o coração batendo forte e logo pôde avistá-la, ela conversava distraída com Gina, mas pareceu pressentir a presença do gato, pois assim que eles se tornaram visíveis entre as chamas da fogueira, ela virou-se para eles.
-BICHENTO! Guinchou a garota assombrada e se precipitou correndo para a beira do lago, sendo seguida por Gina.
Ao vê-la se aproximar correndo, Harry pode enxergar que haviam lágrimas nos olhos dela.
-Bichento, Bichento...meu gatinho. Ela falava enquanto o arrebatava do colo de Harry, o abraçando e beijando. O gato miava em protesto aos carinhos exagerados e pouco usuais da Dona. Ela olhou para Harry, o sorriso radiante que ele se lembrava iluminado o rosto. - Onde ele estava? Como o achou?
-Estava na cabana de Hagrid, ele deve tê-lo trazido há dias, mas queria te devolver em uma ocasião especial.
- Obrigada Harry!
-Não tem problema, eu também estava com saudades dele. Respondeu Harry olhando encantado o gato e sua Dona.
-Ahhhh, eu também estava...Gina falou tentando de aproximar do gato no colo da amiga, mas o gato arreganhou os dentes e as unhas furioso, seus pêlos estavam eriçados e ela deu um passo atrás.
-Acho que ele não está feliz em me ver. Disse Gina assustada.
-Não, não é nada disso, ele só está com medo que eu o deixe de novo não é Bichento? Não vou deixar você nunca mais viu? Coitadinho...
Rony se aproximava curioso.
-O que houve? Ah...o gato, ele parecia divertir-se com a cena. - Sabe que até eu estava com saudades dessa coisa.
-RONY!
-Desculpe, desculpe estou só brincando!
Os Wesleys foram os pais mais participantes do movimento de reconstrução da escola, ajudados pela sua experiência em coordenar muitas pessoas ao mesmo tempo, mas até os Malfoy ajudaram muito e se mostravam continuamente arrependidos dos seus feitos e aliviados por Draco estar vivo. Só Draco, segundo Harry observara, não se mostrava nem um pouco arrependido ou agradecido, com a volta dos demais alunos da Sonserina, voltara a andar pelo castelo com sua empáfia e arrogância.
-Ele nem ao menos tem vergonha naquela cara pálida? Perguntou Hermione perplexa a Harry, após terem entreouvido Malfoy contando ao seu séquito, como lutara com dois comensais da morte pela vida de seu pai.
-Bom suponho que sendo um verme, ele seja incapaz de sentir qualquer emoção humana não? Respondeu o garoto.
-Mas Harry, até para os padrões Malfoy, isso é um completo absurdo.
- Em se tratando desse imbecil nunca se pode descer o suficiente. Completou Rony.
Gina, que caminhava ao lado deles em direção ao saguão não fez comentário algum, apenas soltou uma espécie de grunhido de insatisfação a vista de malfoy e o seguiu com os olhos enquanto ele sumia escada acima com uma Pansy o olhando em êxtase.
Durante a reforma, Gina ajudou muito Madame Pomfrey na enfermaria, Harry, Rony e Hermione ficaram a maior parte do tempo junto de Hagrid ajudando a recuperar e cuidar dos animais da escola, tranqüilizar Groppe e os centauros, e ajudando também a reconstruir o exterior do castelo.
Neville trabalhou próximo dali, cuidando das plantas e reconstruindo a estufa com Profa Sprout, Simas, Dino e Luna...bem Luna pelo menos os divertiu enquanto trabalhavam.
-Ela está insistindo novamente que devemos fazer um canteiro de cuia, para extrair raízes em quantidade suficiente, para que passe a ser servido chá toda noite aos alunos, diz que afasta Dilax Voraz ou algo do gênero. Neville contava as gargalhadas para Harry e Rony. - A Profa. Sprout vai enterrar a cabeça dela em um vaso, logo se ela não parar com isso.
-Acho Luna o máximo! Deve estar sendo muito divertido trabalhar com ela por perto...Rony olhava esperançoso em direção a estufa.
Na primeira vez que Rony e Hermione saíram de mãos dadas no salão comunal, Harry notou que todos os olhos se viraram instantaneamente para ele, não se preparara para isso, mas pensou que tinha sido idiota por não prever que as pessoas estranhariam o fato dela estar namorando com seu melhor amigo, quando todo o mundo bruxo sabia, por meio dos jornais da época da guerra, que ele e Hermione haviam estado fugindo juntos durante o ano anterior e a maioria, mesmo em Hogwarts, não chegara a saber que Rony estivera com eles a maior parte do tempo, somando-se a isto o fato de muitos ainda terem bem viva em sua memória a versão de Rita Skeeter de que ele e a amiga eram namorados desde crianças, e a verdade de sempre terem sido grudados na escola, e ali estava o que a imprensa queria, uma espécie de casal heróico.
-Eles estão mesmo juntos então? Perguntou uma Lilá chorosa a Harry que se sentava entre ela e Neville durante o jantar.
- Estão. Respondeu Harry talvez mais rabugento do que desejara.
- Mas...O que aconteceu com você e ela Harry ? Perguntou Neville, em voz baixa, irritantemente cúmplice.
-Não aconteceu nada comigo e com ela, Neville! Nunca houve eu e ela entendeu? Isso é invenção do profeta diário, não percebeu ainda?
- E do Semanário das Bruxas, do pasquim, da Radio Bruxa... Lembrou com zombaria Dino, que estava sentado em frente. Talvez ele nunca houvesse perdoado realmente Harry por ter ficado com Gina, logo depois deles terem terminado e agora se deleitasse com a idéia de Harry estar passando pela mesma situação, vendo um amigo namorar com a garota que ele gostava.
-Mas é mentira ok! Nunca houve nada entre nós dois!
-Ok Harry, nós acreditamos. Completou Simas com uma cara de quem não estava acreditando coisa nenhuma - Mas então você é mesmo um herói porque ela está realmente linda e você sabe, todos aqueles meses, vocês dois sozinhos, a saudade de casa, o medo, o frio...
-CALA A BOCA SIMAS!
Parvati interveio prevendo uma briga. - Não ligue Harry, todos sabemos que Rony esteve com vocês.
- E, esteve mesmo, a história da sarapintose era só um blefe, já falei mil vezes. Mas Harry sabia que não era a verdade Rony estivera com eles a maior parte do tempo mas não o tempo todo e o pouco tempo que ficara longe, fora crucial e mudara tudo para ele. - Ela gosta dele há séculos. Completou, mas percebeu que o seu tom traíra sua mágoa, pois até Dino e Simas haviam parado de rir e o olhavam penalizados, por isso apressou-se a emendar. - Ela é só minha amiga...minha melhor amiga, er...podemos mudar de assunto, por favor?
Rony e Hermione realmente haviam assumido o namoro, deixando o Sr. Weasley, Gina e os garotos Weasleys radiantes, a Sra. Weasley, bem ela dizia que também tinha ficado muito feliz, embora numa tarde em que a amiga, se ocupara em ajudar a Diretora com a reorganização dos arquivos do colégio, Harry, sem querer tivesse ouvido a Sra. Weasley, na porta da cabana onde Rony separava vermes, advertí-lo sobre as diferenças entre os nascidos trouxas e os bruxos puro sangue:
-Mãe! Não acredito que estamos discutindo isso, como você pode ser casada com o papai e ter tanto preconceito contra trouxas? Perguntou Rony parecendo atordoado.
- EU NÃO TENHO PRECONCEITO CONTRA TROUXAS!-Respondeu ela parecendo ofendidíssima.- Apenas estou dizendo que você deve estar preparado para alguns... problemas, eu gosto muito dela, mas ela nem ao menos é mestiça Rony, e se você acabar tendo abortos como filhos?
Harry sentiu como se lhe dessem um soco no estômago, a Sra. Weasley falando dessa forma de Hermione? Hagrid a quem ele ajudava no canteiro de abóboras atrás da cabana, olhou para Harry e balançou a cabeça desconsolado. Rony também não pareceu gostar nada do comentário da mãe:
-EU NÃO ME IMPORTO ESTÁ BEM? MESMO QUE ELA TIVESSE SETE FILHOS, TODOS TROUXAS OU QUE JAMAIS TIVESSE FILHO, ALGUM EU AINDA IA QUERER FICAR COM ELA. E DEPOIS N"S NÃO VAMOS TER FILHOS AGORA, ESTAMOS SOMENTE NAMORANDO MAMÃE.
-NÃO SEJA GROSSEIRO COMIGO RAPAZINHO.
-NÃO SEJA PRECONCEITUOSA ENTÃO.
Apesar do namoro assumido e tudo mais Rony e Hermione continuavam igualzinhos, discutindo eternamente e grudados em Harry e embora tomassem o maior cuidado para não excluí-lo das atividades e conversas e também não cultivassem o péssimo habito de ficarem se agarrando na frente das pessoas, como Rony e Lilá ou Gina e Dino, Harry começou a se sentir absurdamente, carente e solitário acabou reatando o namoro com Gina.
Reatar o namoro com Gina não foi nada difícil, na verdade ela parecia estar esperando por isso, no primeiro momento que se viu sozinha com Harry ela tomou a iniciativa e o beijou, e logo na seqüência, foi tomando também as outras iniciativas para aprofundar a relação deles ainda na semana de reconstrução. Harry sabia que aconteceria, mais cedo ou mais tarde, ela já tinha tido outros namorados firmes e era mais experiente que ele, apesar de mais nova, e foi...diferente...muito diferente da única experiência anterior dele, os elementos estavam ali, tudo estava como devia ser, mas a mágica não se fazia, pelo menos não completamente, como se ele tentasse fazê-la usando uma varinha emprestada.
Gina, era uma boa namorada, bonita, extrovertida, além de ser a única filha mulher dos Weasleys que sempre haviam sido como uma família para Harry e o tinham apoiado contra Voldemort, com prejuízos pessoais incontáveis, era não apenas uma forma de demonstrar gratidão, mas também de passar a fazer parte oficialmente da família era uma escolha natural, além do mais, Gina e Hermione se davam bem, o que era um alívio, não queria outra Cho na sua vida implicando a cada passo com a sua amizade com ela, então nos horários livres os quatro ficavam a maior parte do tempo juntos como no final do sexto ano, só que agora Neville e Luna normalmente se juntavam ao grupo, e as vezes Dino e Simas também.
Num fim de tarde dourado, Harry permanecia sentado nos jardins, debaixo da bétula, onde tantas vezes ele Rony e Hermione se sentaram, em épocas menos complicadas, a garota estava ao seu lado, lendo absorta um livro, Rony e Gina ainda não tinham terminado as suas tarefas do dia e portanto eles estavam à sós, uma ocasião rara nos últimos tempos, ele a olhava de relance de minuto em minuto, não tinha vontade de falar nada, só queria olhá-la, ali ao seu lado lendo, isso lhe dava a sensação de calma e plenitude de que ele precisava tanto.
Mas a paz foi quebrada em mil pedaços por duas figuras de cabelo vermelho que apareceram correndo e aparentemente discutindo.
-RONY, DEIXE ELA NÃO VAI QUERER SABER DISSO AGORA! Gina dizia raivosa, correndo atrás do irmão.
-Mione, lembra aquele perfume que eu te dei no natal do quinto ano? Rony parecia levemente irritado.
-Quê? Perguntou Hermione, levantando os olhos do livro que lia e parecendo confusa.
-Aquele, sabe...igual ao da Gina, que minha mãe fez com flores do jardim da Toca e que você nem gostou muito, usou só até o final das aulas daquele ano e depois voltou a usar o antigo! Foi como se uma luzinha iluminasse um canto escuro das lembranças de Harry mas ele ainda não conseguia vislumbrar o conteúdo daquele canto.
-Hum, o que tem? Continuou a garota, provavelmente não vendo qualquer sentido nas palavras do namorado.
-Acabei de quebrar. Respondeu Rony envergonhado.
Hermione pareceu apenas levemente chateada com o ocorrido.
-Porque fez isso?
-Não foi por querer, eu só...acho que bati de mau jeito sua bolsa. Não sei porque ainda guardava aquilo se não usava! Agora Rony estava irritado.
-Porque foi você que me deu, era uma lembrança Rony!
- Bem, me desculpe.
-Tudo bem, esqueça.
Mas Harry não podia ter esquecido, foi como se um quebra cabeças estivesse se montando peça por peça na mente dele, por isso a Amortentia dele cheirava as flores da toca e ele sentiu o cheiro em Gina no sexto ano, não era Gina que o atraía e sim a lembrança de Hermione, pois ela estivera usando aquele perfume quando ele a abraçou forte na floresta, após o susto com Grope, depois da captura pelos centauros, na batalha do ministério e na enfermaria, agora ele se lembrava, e quando ele sentiu o cheiro em Gina, no sexto ano se confundira. Mas depois, Hermione voltara a usar o antigo perfume de que ele tanto gostava e ele não lembrou mais disso.
Ou será que havia algo mais ali? Será que o cheiro que o atraía eram simplesmente das flores da toca e Gina usara amortentia para conquistá-lo? Não Gina não faria isso a idéia era horrível demais para ser verdade e depois onde ela conseguiria amortentia? Ela não saberia preparar sozinha era nível de NIEM! Mas então porque a garota estava tão pálida que parecia que ia desmaiar e olhava sem parar de uma Hermione completamente desinteressada no assunto para um Harry reflexivo, como se esperasse que caísse uma maldição na sua cabeça? Não ele devia esquecer isso e parar de procurar mistérios onde não havia. Disse severamente consigo mesmo.
