Os dois entraram.
Evan: Família, a Jess tem algo a dizer.
Jessica: Sim! - todos a olharam - duas coisas na verdade: 1ª Victor e eu vamos nos casar!
Emily: Jura? - feliz - parabéns! - foi abraçar a filha.
Michael: Até que enfim você vai parar de enrolar minha filha! - abraçando o genro.
Evan: Viu, até o pai acha isso!
Rebecca: Você vai casar! - abraçando a amiga.
Jessica: Eu vou! - abraçando de volta - e você super vai ser a dama de honra.
Rebecca: Com certeza!
Jessica: E a segunda coisa é... - foi cortada pela mãe, pai e amiga.
Os 3: Você está grávida? - gritaram.
Jessica: Não! Eu to gorda por acaso? - perguntou pro noivo.
Victor: Não - sorriu.
Jessica: Eu não to grávida e nem quero!
Michael: Então o que é?
Jessica: Eu quero saber quem são meus pais biológicos - falou sem cerimônias.
Emily: Por que? - surpresa.
Jessica: Acho que tenho direito em saber quem eles são. Ou só ela.
Emily: Por que isso agora?
Jessica: Por que não? - olhou desafiadoramente para a mãe.
Emily: Jessica - falou calma - você sempre deu trabalho, mais que seu irmão. Se você está fazendo isso para me atingir, não vai funcionar. Agora, se você realmente quer encontrar sua mãe, por motivos verdadeiros, ok! Te dou total apoio!
Jessica: Minhas intenções são as mais puras possíveis! - sorriu.
Não era! Jessica Grant era vingativa, sua idéia de achar sua mãe ou os pais biológicos era só para implicar com sua mãe, Emily. Ela amava sua mãe, mas elas sempre batiam de frente! Depois que se formou no colégio, Jessica saiu de casa, foi morar com amigos, trabalhou e com a ajuda de seu avô, comprou seu apartamento. As brigas com a mãe eram tensas; Emily nunca 'jogou' na cara da filha que havia adotado ela e o irmão por obrigação e sim por amor. Depois de 9 anos Emily engravidou de Brian, mas nada abalou o que ela sentia pelos filhos mais velhos. Eles sempre foram parte da família, mas Jessica não acreditava. Talvez fosse porque ela nunca se 'encaixou' na família Grant, o que todos gostavam, ela odiava e o que ela gostava, todos odiavam. Quem sabe descobrindo de onde ela veio, ela teria suas respostas.
Bem diferente de Evan, parecia que o sangue Grant estava em suas veias, se dava bem com todo mundo, era bondoso, gentil, mas quando pisavam em seu calo, ele virava o irmão do demo!
Depois disso, todos foram dormir. Na manhã seguinte o café estava na mesa.
Evan: Bom dia! - desceu com o filho no colo.
Emily: Bom dia, filho - o beijou e ao neto também - dormiram bem? - olhou para a nora.
Rebecca: Muito bem! Vocês acordaram durante a noite?
Michael: Não, por que?
Evan: O Will chorou um pouco essa noite, não sei se incomodou vocês.
Emily: Imagina Evan! - sorriu - é um prazer receber vocês aqui com ou sem choro!
Victor: Bom dia! - desceu.
Michael: Bom dia Victor! Dormiu bem?
Victor: Igual a um bebê! - sorriu - e esse moleque - pegou o afilhado/sobrinho no colo - por que você estava chorando durante a noite? Noite é feita pra dormir, mini Betô! - o menino riu.
Evan: Fralda suja! - sorriu - por que? Dona Chatolina reclamou?
Victor: O de sempre! - sorriu de volta.
Michael: E onde ela está?
Victor: Dormindo. Ela é difícil pra levantar!
Michael: Sei bem como é!
30 minutos depois ela desce.
Evan: Boa tarde - implicando - se você demorasse mais um pouco, estaríamos jantando!
Jessica: Eu só não respondo o que tenho em mente, porque o moleque é seu filho e filho da Becca! - sendo gentil.
Michael: Bom dia, meu anjo! - abraçou a filha.
Jessica: Bom dia, pai!
Emily: Aqui está! - entregou uma enorme pasta.
Jessica: O que é isso? - pegando a pasta.
Emily: Tudo sobre sua adoção.
Jessica: Só a minha? Vocês acharam o Evan no lixo? - sorriu.
Evan: Sabe o que eu acho? A gente podia fazer um piquenique no parque mais tarde, o que acham? - ele não gostava de ver a irmã e a mãe brigando.
Emily: Ótima idéia filho! Rebecca, você me ajuda a arrumar as coisas? - animada.
Rebecca: Claro - sem graça.
Michael: Emily... - também não gostava das brigas.
Jessica: Deixa pai, não se preocupe que o senhor sempre vai ser meu pai! E a senhora - olhou para a mãe - está tudo aqui? - falou séria.
Michael: Jess, vem comigo que quero falar com você - levantou.
Jessica: Ok - foi com o pai.
Eles foram para o escritório.
Jessica: Aconteceu alguma coisa? - preocupada.
Michael: É o que eu quero saber. Por que você quer encontrar seus pais biológicos? Você não está feliz com a gente? - Jessica desabou em lagrimas - vem cá - ele sentou e ela sentou em seu colo - você sabe que eu te amo e sua mãe também te ama. Por que isso agora, 26 anos depois?
Jessica: Eu sou tão diferente de vocês - chorando - até do Evan! Eu não me encaixo aqui e você sabe!
Michael: Você tem razão! - ela o olhou - quem sabe você descobrindo quem são eles, a gente descobre porque você torce pros Giants e não pro New England! - sorriu.
Jessica: Como você é bobo - sorriu também - vai ver eu sou de Nova York. - riu - eu sinto que eu tenho que fazer isso, sabe. Parece que eu não sou completa. Eu quero saber.
Michael: Você tem todo meu apoio, meu anjo. Se é importante pra você, é importante pra mim! - beijou a bochecha da filha - o Betô vai com você?
Jessica: Vai.
Michael: Vocês brigam, mas estão sempre juntos, não é?
Jessica: O Evan é idiota, enche meu saco, mas ele é meu irmão né!
Michael: Ela não é idiota - sorriu.
Jessica: Ok mãe, o que você tem pra mim? – voltou para a cozinha acompanhada do pai.
Emily: O que? – sem entender.
Jessica: Sobre a adoção; que agencia a senhora procurou?
Evan: Direta como sempre, não é Jess? – rolou os olhos.
Emily: Deixa ela, filho! Ela tem todo o direito de descobrir de onde veio – falou enquanto procurava na pasta – aqui está, Agencia Sunshine.
Jessica: Ela fica em New Jersey, será que somos de lá? – olhou para o irmão.
Evan: Talvez – ficando curioso.
Jessica: Você tem alguma coisa de importante pra fazer essa semana? - perguntou ao irmão.
Evan: Nada de mais, só a oficina e minha família – sarcástico.
Jessica: Ótimo, o que acha de irmos lá?
Evan: Existe uma tecnologia nova chamada telefone, onde não precisamos sair de casa para falar com as pessoas – ele sabia ser sarcástico também.
Victor: Se você quiser, eu vou com você!
Jessica: Obrigada, Vi, mas prefiro ir sozinha ou com o idiota do Evan.
Emily: Você consegue dizer uma frase inteira sem ser sarcástica ou xingar seu irmão?
Jessica: Deixa-me pensar... – batendo o indicador na boca.
Michael: Será que as duas conseguem ficar sem brigar por 10 minutos?
Jessica: Aposto que minha mãe biológica é mais divertida.
Emily: Se ela não estiver morta!
Michael: Emily! – viu que a filha ficou abalada.
Rebecca e Victor nem ligavam mais para esse tipo de discussão das duas.
Jessica: Mudança de planos: estou indo hoje para New Jersey! – mantendo a pose.
Rebecca: Vai com ela, Betô – falou baixo.
Evan: Então vamos! – a irmã o olhou – o idiota aqui vai com você – sorriu.
Jessica: Obrigada – falou baixo e o abraçou num raro momento de afeto público com o irmão.
Não que Emily gostasse de brigar com a filha, mas ela ficava muito mal quando Evan ficava do lado da irmã.
Os gêmeos e seus respectivos amores foram para suas respectivas casas para arrumar as malas para ir a agencia.
3 horas depois eles se encontraram no aeroporto e embarcaram para New Jersey.
Evan: Você reservou o hotel? É perto da agencia? A gente vai ter que alugar um carro?
Jessica: Como você é desesperado! – quase gritou no avião – eu reservei o hotel, é perto da agencia e vamos alugar um carro! Satisfeito?
Evan: Qual o nome do hotel? Você ligou na agencia pra ver se eles vão nos receber?
Jessica: Eu não vou te responder até sairmos do avião! – colocou o fone e ignorou o irmão.
Eles desembarcaram, pegaram as malas, alugaram um carro e foram para o hotel.
Evan: Vamos dividir o quarto? – fazendo careta.
Jessica: A gente dividiu o útero, cala a boca! – jogando a mala em sua cama.
Evan: Que horas que vamos a agencia?
Jessica: Amanhã, às 8 da manhã.
Evan: Agora são 17 horas, o que quer fazer?
Jessica: Vamos comer!
Foram no restaurante do hotel mesmo.
Evan: Você tem certeza que é isso mesmo que quer fazer?
Jessica: Tenho, mas estou com medo.
Evan: De que?
Jessica: E se eles forem horríveis? Se eles nem estiverem juntos? E se nós somos 'resultado' de um estupro?
Evan: É um risco que a gente corre! Você quer voltar?
Jessica: Não, quero ir até o fim!
Evan: Ótimo! To curioso pra saber quem eles são.
Voltaram para o quarto para dormir, pois o dia seguinte seria revelador.
Às 8 horas eles já estavam lá.
Mirian: Jessica e Evan Grant? – eles entram – bom dia!
Os dois: Bom dia – sentaram.
Mirian: Como posso ajudá-los – sorridente – é a primeira agencia que vocês procuram?
Jessica: Oi? – sem entender.
Mirian: Eu pergunto, porque escolher a agencia é tão importante quanto escolher a criança.
Jessica: Que criança? – mais confusa.
Evan: Entendi! – sorriu – não estamos aqui para adotar, somos irmãos e estamos aqui porque somos adotados!
Mirian: Ah, entendi! E foram adotados nessa agencia?
Jessica: Sim e queremos saber se vocês tem alguma informação sobre nós?
Mirian: Ok, vamos dar uma olhada.
Eles entregaram os documentos que tinham e Mirian checou no computador por 10 minutos.
Jessica: A senhora achou alguma coisa? – ansiosa.
Mirian: Achei, mas tem algo estranho aqui.
Evan: Como assim? – curioso.
Mirian: Nossa agencia preza por fazer as coisas certas, preencher todos os formulários e o caso de vocês só tem um nome.
Jessica: Que nome?
Mirian: Arlene Smith.
Jessica: E ela é nossa mãe?
Mirian: Não. O campo de 'mãe' está em branco.
Evan: E o que isso quer dizer? Quem é Arlene Smith?
Mirian: Aqui não diz. Está no campo 'observação'.
Jessica: E não tem mais nada? Um endereço, alguma coisa?
Mirian: As únicas coisas que aparecem aqui são: o nome dela e da faculdade de Michigan.
Evan: Michigan?
Mirian: Sim, acho que vocês nasceram em Michigan.
Ela falou mais algumas coisas e eles foram embora.
Evan: Somos de Michigan!
Jessica: E nossa mãe se chama Arlene, talvez.
Evan: E o que a gente faz agora?
Jessica: Vamos pra Michigan?
Evan: É a coisa mais lógica a fazer.
E naquele mesmo dia embarcaram para Detroit. Desembarcaram, pegaram as malas, alugaram um carro e foram para o hotel, no dia seguinte eles iriam até a universidade.
Eles acordaram cedo e foram.
Evan: Eu te contei que passei para estudar aqui? - falou enquanto caminhava pelo campus.
Jessica: Eu li sua carta! - agarrada ao braço dele.
Evan: Você é muito criminosa Jess! - sorriu.
Jessica: Era uma carta! Nada de mais - sorriu também - será que nossos pais são criminosos e isso está no nosso sangue?
Evan: Acho que isso não se passa por genética - riu e parou em frente a uma enorme árvore.
Jessica: O que será que essa universidade tem a ver com a gente?
Evan: Talvez nossa mãe estudasse aqui.
Jessica: Ela era estudiosa então! E provavelmente nosso pai estudava aqui ou trabalhava aqui!
Evan: Pode ser! Ou ela trabalhava aqui e ele era o estudante, e quando ela descobriu que estava grávida e que não era do marido, ela procurou nosso pai e ele disse que era muito jovem pra ser pai e que a culpa era dela de ter engravidado, e num ataque de fúria, ela o matou e enterrou sob essa árvore. E quando nós nascemos, ela nos deu para a adoção.
Jessica: Você tem que parar de assistir TV! - sorriu.
Evan: Como você acha que eles são então?
Jessica: Eu acho que nossa mãe é uma diretora-executiva de uma multinacional e nosso pai é o George Clooney!
Evan: George Clooney? - ergueu a sobrancelha.
Jessica: É possível!
Evan: É tão possível quanto a minha historia - e voltaram a andar.
Chegaram na secretaria.
Anna: Bom dia, como posso ajudar? - disse uma senhora simpática.
Evan: Bom dia - sorriu - me chamo Evan e essa é minha irmã Jessica e queríamos fazer uma pergunta um tanto maluca.
Anna: Ok - achou estranho - que pergunta?
Evan: Nós somos adotados e estamos em busca da nossa mãe ou dos nossos pais biológicos e nós temos um nome de uma pessoa e o endereço daqui da universidade.
Anna: E como eu posso ajudar? - curiosa.
Jessica: Se nós dermos o nome, você procuraria pra ver se essa pessoa estudou aqui?
Anna: Claro! Qual o nome?
Evan: Arlene Smith.
Anna: Arlene... - e começou a procurar - a única Arlene Smith que estudou aqui, entrou em 1923 e saiu em 1927.
Evan: Acho que não é ela - sorriu.
Jessica: A senhora trabalha aqui desde quando?
Anna: Em junho vai fazer 30 anos - disse orgulhosa.
Jessica: E a senhora não lembra de nenhuma moça que engravidou há 27 anos atrás?
Anna: Oh meu Deus - foi como se acendesse uma luz em sua cabeça - mas é claro! E vocês são parecidos com ela - Jessica segurou a mão do irmão - deixa eu ver se acho... - procurando um porta-retrato - achei! - e entregou para eles.
Evan: Quem estamos olhando? - já que na foto tinha no mínimo 40 pessoas.
Anna: Essa aqui - apontou para uma moça de cabelos pretos e sorriso na cara - não lembro o nome dela... Alice, Gisele, Elisa, Lisa! Lisa é o nome dela!
Evan: E ela engravidou enquanto estudava aqui? - esperançoso.
Anna: Sim!
Jessica: E o cara que a engravidou está na foto?
Anna: Não. Se não me falha a memória, ele saiu antes de se formar, acho que foi expulso. Se for quem estou pensando.
Evan: E a senhora sabe onde podemos encontrá-los?
Anna: O nome dele eu não lembro e não sei onde ele mora ou trabalha, mas a Lisa, da ultima vez que ouvi, ela era diretora em um hospital em New Jersey.
Jessica: Você ta brincando? Estávamos em New Jersey ontem!
Anna: Aqui está, Lisa Cuddy - virou a tela do computador - vocês são a cara dela!
Eles agradeceram e tal, e saíram em silêncio.
Evan: E agora? - já no hotel.
Jessica: Não sei. Acho que é ela! - sentou na cama.
Evan: Também acho - sentou ao seu lado - voltamos para NJ?
Jessica: E o que a gente vai falar? 'Oi somos os filhos que você abandonou, lembra?'
Evan: Viemos até aqui pra descobrir e não vamos fazer nada?! A gente tem que ir atrás disso! Quem é ela? Por que ela nos deu para a adoção? E quem é Arlene Smith?
Jessica: Ok! Vamos até lá e perguntar!
No dia seguinte eles embarcaram para New Jersey.
