Capitulo 2 – Apenas bons negócios!
Passado várias horas da viagem ter começado e do navio ter parado em Cherbourg para receber mais viajantes, Lily continuava recolhida em seus aposentos, decidida a transformar aquela suite, que mais parecia o piso de uma mansão, em algo agradável para uma jovem dama habitar. Na luxuosa sala em que ela se encontrava, Lily tratava de aplicar uma decoração leve ao colocar seus quadros, de pintores distintamente conhecidos, naquelas paredes solitárias, dando-lhes um ânimo mais subtil naquela cor avermelhada que amortecia a sala.
-Onde quer este vaso, senhorita? – Uma mulher alta, com um enorme vaso de flores, passeava-o na sala, esperando a decisão da sua senhora.
-Ahh, esse. – Lily levou a mão ao queixo. – Pode pô-lo em cima da lareira - Ao virar-se para o lado, viu um homem bem formado, prestes a colocar um quadro de Picasso perto da janela. - Não, não o ponha aí, por favor, coloque-o antes em cima de mesa, depois verei um melhor sítio para o pôr.
-Com certeza, senhorita. – prontificou-se o homem, numa leve reverência.
Ela retribuiu-lhe o gesto com um sorriso peculiar, ouvindo passos virem da porta principal de sua sala. Com um discreto rodar de olhos, Lily apercebeu-se da presença, nada silenciosa, de Tom, que vinha acompanhado de um copo de champanhe. Atirando o casaco para cima do sofá, ele levou o copo ao encontro dos lábios, e fitou Lily, que fazia de tudo para não o olhar.
-Então Lily, já se sente melhor? – averiguou ao vê-la tão concentrada no seu afazer.
-Sim, obrigada… - retrucou secamente, ouvindo alguém bater a porta numa pancada apressada. – Entre!
Uma mulher extremamente magra, com seu cabelo castanho-escuro e umas vestes um pouco extravagantes, entrou sem grande cerimónias na suite de Lily, expondo o seu nariz empinado.
-Boa Tarde! Espero não estar interrompendo nada. – desculpou-se, ao se aperceber das alterações que sua irmã mais nova tinha feio na sala.
-Não está! Pelo contrário. – Petúnia caminhou pela sala, ainda deslumbrada com a decoração dos maravilhosos painéis, das tapeçarias, e dos quadros eu sua irmã tanto estimava.
-Mana digo-lhe uma coisa, a decoração ficou óptima, você tem muito jeito para estas coisas.
-Esta sala estava a precisar de um pouco de cor…
-E logo com esses borrões. – intercalou Tom ao apreciar os quadros que Lily tinha pendurado. – Isso é um desperdício de dinheiro.
-A diferença entre o gosto do Tom para a pintura e o meu, é que eu ainda tenho algum. – rebateu Lily com desdém, o que fez Petúnia arregalar os olhos, incrédula com a provocação da irmã.
-Bom, minhas amáveis senhoras, se não se importam, eu vou me retirar. – Pousando o copo na mesa, Tom foi vestindo vagarosamente o casaco. – Combinei com o Lord Vernon irmos tomar um Whisky com o Sir Severus Snape e Lucius Malfoy, que nos esperam. – E, aproximando-se da noiva, agarrou-lhe as mãos. - Lily evite sair daqui para não se perder. – aconselhou ele ao lhe depositar um leve beijo na testa. - Com licença.
Em passadas largas Tom foi em direcção à porta, deixando as duas mulheres sozinhas na sala, para que pudessem conversar à vontade. Lily olhou de esgueira para Petúnia, que se sentava calmamente no sofá. Não é que elas fossem as melhores amigas, mas de vez em quando ambas tinham as suas famosas conversas de irmãs, onde expressavam com clareza todos os seus assuntos.
-Minha irmã, devo lhe dizer que hoje fiquei muito ofendida consigo, por causa do seu comentário inoportuno. – Lily soltou um sorriso cínico com as palavras frontais da irmã.
-Eu não me vou pedir perdão por uma coisa que você sabe que tenho razão. – Lily tombou seu corpo delgado sobre o sofá, encarando seriamente Petúnia, que lhe retribuía tal olhar. – Como irmã mais velha, a mãe casou-a primeiro, a modos de puder segurar a barra financeira em que nos encontrávamos. Com certeza que, se não a tivesse casado, a esta hora estaríamos na terceira classe com o dinheiro que supostamente estaríamos ganhando com as costuras. – findou friamente, o que incomodou Petúnia só de pensar o futuro miserável que a poderia ter esperado.
-Eu sei, não sou parva nenhuma. – a voz amarga de Petúnia entoou na sala. – Mas você parece não estar muito incomodada com esse horrível pesadelo, visto estar sempre a adiar o seu casamento. – Lily desviou o olhar da sua irmã, encontrando o vaso de lírios bem enfeitado. – Lily, o Sr. Riddle não é assim tão mau partido, ele te ama tanto, você sabe disso. A mãe me confidenciou que, se você casasse com ele agora mesmo, as dividas que o pai nos deixou findavam…
Ofendida com tais palavras e irritada pelo facto de ninguém se esforçar para compreendê-la, Lily elevou-se do sofá. De braços cruzados, encarou rudemente a irmã, que seguiu cada passo vindo de Lily, que bufava compassadamente.
-A mãe, a mãe, a mãe…- redisse ela, esbracejando sua irritação. – Será que ninguém dá valor à minha opinião? Será que ninguém pensa naquilo que eu sinto ou desejo para a minha vida? Estou farta que mandem na minha vida, Petúnia – Bufando novamente, ela respirou fundo, para se acalmar e poder concluir o assunto. – Em antes da mãe marcar o meu casamento, eu tinha os meus próprios sonhos. – começando a divagar, ela abriu um sorriso, agora sereno - Arranjar um marido que amasse, independente da classe que possuísse, e ser actriz, para ter a minha própria vida. – Em passos recatados, Lily aproximou-se da janela, fitando o horizonte. – Às vezes olhou-me no espelho e pergunto-me: "Quem sou eu?"
Com um ar de lamento, Petúnia ergueu-se, indo até à sua irmã. Ao colocar-lhe a mão sobre o ombro, para a virar ao seu encontro, apercebeu-se dos olhos marejados que Lily revelava. Com um suspiro prolongado, Petúnia passou a mão pelo rosto da irmã, coisa que já à muito tempo Lily não via: um acto de carinho vindo de Petúnia, se assim podia chamar.
-Mana, eu também tinha os meus sonhos e abdiquei-os em prol de um bem maior. Eu também não queria casar, mas acredite que não me arrependo de tal decisão. – E com uma expressão cordial, concluiu com um sorriso: - Tenho um filho que amo, um marido que me dá tudo o que quero e uma vida de rainha.
-Infelizmente eu não quero essa vida para mim. – erguendo novamente o olhar, Petúnia não acreditava no que Lily acabava de dizer. – Eu quero ser livre, amar alguém por amor, não por obrigação, como você. – Petúnia escureceu a expressão do seu rosto, com a frieza de Lily. – Caso aceite ter a vida que você usufrui, então aí eu iria concluir que essa não era eu. Fingir uma vida que não quero para mim. Essa não era a minha vida e ninguém entende isso.
-Já tentou falar desse assunto à nossa mãe? – Lily soltou um sorriso contrafeito.
-Ela nem sequer quer ouvir uma palavra sobre este assunto. Começa logo a atirar-me à cara certas coisas como: "você e louca? Que arruinar esta família? Seu pai já nos arruinou o suficiente, a não ser que você queira passar o resto da sua vida a costurar."
-Ela tem razão Lily, no fundo a nossa mãe só quer o nosso bem. – proferiu Petúnia num tom delicado, olhando para o relógio de parede apontar as cinco horas da tarde. - Bom, agora tenho de ir. Deixei o pequeno Dudley sozinho com a incompetente da baba e eu não confio muito dela. – E erguendo o rosto da irmã incentivou, no seu modo superior. – E erga-me essa cabeça, não se esqueça que, apesar de tudo, você é uma Evans.
-Não me esquecerei.
Da mesma forma como entrou naquela sala, Petúnia saiu. Com seu nariz empinado e ar superior, a dona daquela expressão tomou caminho para seu camarote, sem ao menos olhar para trás. Lily fechou as mãos num punho, sentindo uma leve fúria apoderar-se de seu delicado corpo, mas tentou acalmar-se e controlar seu instinto para não perder sua restante dignidade.
OooOooO
Com um ar arrogante, Tom e Vermon adentravam na sala de fumantes, onde os variados tipo de milionários se gabavam de suas riquezas com outros homens de igual porte. A sala escura era emaranhada por uma enorme onda de fumo, derivada ao tabaco, charutos e cachimbos que aqueles homens fumavam compulsivamente, enquanto conversavam. Além dos longos e confortantes sofás, aquela sala também possuía várias mesas redondas, espalhadas pelo centro da enorme sala, para quem quisesse usufruir delas. Numa dessas mesas encontrava-se um homem loiro que trajava vestes negras na companhia de uma mulher igualmente loira, que mostrava-se extremamente aborrecida por estar ali.
-Mr. e Mrs Malfoy, é uma honra vê-los por aqui. – cumprimentou Tom, ao alargar um enorme sorriso, sentando-se juntamente com Vermon na mesa em que o casal se encontrava.
-Com certeza que é uma honra estar aqui. – Lucius fez uma breve menção em direcção à sua mulher. – Minha esposa encontra-se grávida do nosso primeiro filho, por isso achei melhor embarcamos neste maravilhoso navio, para que Narcissa tirasse uns dias de descanso. – Tom apercebeu-se do aborrecimento da jovem senhora, tomando a liberdade de a convidar:
-Minha senhora, se lhe agradar a companhia de uma jovem dama, vá até ao camarote do convés B-15, que está sendo ocupado pela minha nobre esposa. Ela supostamente adorará receber a sua visita.
-Irei certamente. – Ela maneou sua cabeça para o marido. – Se meu esposo não se importar, eu irei-me ausentar até à hora do jantar. Este ambiente não fará nada bem para mim, muito menos para o nosso filho. – Lucius assentiu, pegando na mão da jovem loira, para a ajudar a levantar-se. – Com licença.
Num modo cordial, todos se levantaram quando Narcissa se levantou. Num breve beijo, ela despediu-se do seu esposo, caminhando apressadamente para fora daquele ambiente viciado em fumo. Lucius acompanhou-a, com o olhar fixo, até sua esposa desaparecer por entre as bem ornamentadas portas de vidro. Todos voltaram a sentar-se quando um empregado, acompanhado de uma garrafa de Whisky, depositava o líquido âmbar no copo daqueles homens arrogantes.
-Estou impressionado consigo, sir Malfoy. À uns tempos atrás, qualquer rabo de saias o faria cair em tentação, agora não descola de sua mulher.
A voz de um homem magro e de cabelos extremamente negros fez-se notar bem atrás de Lucius, que volteou a sua cabeça para trás, dando caras com seu velho amigo Snape, que acabara de se juntar ao grupo.
-Boa tarde, meus senhores. – saudou, com seu ar senhorial, sentando-se sem cerimonias junto de Malfoy, que transpôs um sorriso contrafeito.
-Se não é o meu caro amigo Severus Snape, sempre com uma piada na ponta da língua. – ironizou Lucius, pousando abruptamente o copo na mesa.
-O bom humor nunca foi o meu ponto forte, você já devia sabe disso. – rebateu Snape, fechando seus lábios numa linha recta. – Além do mais, não me venha dizer que a afirmação que expus é mentira.
-Pois fique sabendo, meu caro e bom amigo Snape que, apesar de isso ser verdade, agora é diferente. – irritado, Lucius tentou explicar a sua situação, gesticulando discretamente suas mãos. – A minha esposa está grávida de um herdeiro da minha fortuna. Um puro Malfoy, que honrará o seu nome.
-Segundo sei, o seu filho será herdeiro da fortuna que você, discretamente, conseguiu arrancar de seu sogro, com suas falinhas mansas. – desdenhou Vermon, inclinando-se um pouco sobre a mesa, num tom de confissão. – Ou pensa que eu não sei que você só se encontra casado com a sr. Malfoy, devido ao facto do pai dela ser um grande accionista do maior comércio Mercantil de Inglaterra.
-Engana-se, senhor Dursley. – e num falso tom de seriedade, continuo: - Eu casei com a Narcissa porque a amava, e ainda a amo.
-Apesar desse amor todo que supostamente sente pela sua doce mulher, o certo é que você não dispensa umas boas meretrizes e um bom jogo de Poker, todos os fins-de-semana no bordel que nós sabemos! – Não perdendo a sua pose, Malfoy pigarreou ao sentir-se ridicularizado e, quando ia rebater, Tom prosseguiu: - Estourando o dinheiro limpo que seu sogro ganhou com o suor de seu corpo. Um pormenor que não lhe aflige nada, não é mesmo?
-Ao menos casei com uma mulher de boas posses, não segui o exemplo de vocês que casaram com mulheres que não têm onde cair mortas. Cheias de dívidas até ao pescoço, ou estarei eu enganado? – As palavras venenosas de Lucius foram recebidas com uma troca de olhares comprometedoras entre Tom e Vernon.
-É certo que quando casei com minha digníssima esposa, eu sabia da situação económica dela. Mesmo assim, resolvi casar com Petúnia pois tenho certeza que ela gosta de mim, não só pelo dinheiro, como também pela pessoa que sou. – retrucou Vernon convencido, acendendo descontraidamente seu cachimbo.
-Com certeza que foi só pela pessoa que você é que a sua esposa se interessou por si. – ironizou Snape, analisando o aspecto gorducho de Vernon com um sorriso cínico.
-Ora sr. Snape, por quem me toma? – contestou ofendido, puxando uma baforada bem forte do cachimbo.
-Por favor senhores, não nos vamos incomodar por meras coisas, não é? – Tom balançava seu copo entre os dedos, fixando seu olhar num ponto fixo -Até porque, sr. Malfoy, o motivo pelo qual eu vou me casar é completamente diferente dos de Vernon.
-Como assim?
-Eu fiz um trato com a minha futura sogra. – Lentamente ele levou o copo à boca, deixando a expectativa dos outros aumentar. – Caso-me com a doce Lily, a mulher que eu sempre amei, e, em troca, pagava o resto das dívidas que o falecido e viciado Sr. Evans deixou À família. Como disse, são apenas bons negócios.
-Então foi por isso que trocou a minha bela e rica cunhada por aquela elegante e pobre moça, que não tem onde cair morta! Muito corajoso de sua parte, se me permite a observação. Mas será isso amor, ou devo antes chamar isso de sandice?
-Chame-lhe o que quiser, mas você sabe, dinheiro nunca foi problema para mim. Se ele der para comprar amor, que seja. E deixe-me informar, meu caro Malfoy, que casar com Bellatrix nunca foi o meu objectivo prioritário, por muito dinheiro que ela seja herdeira. – e num tom ríspido concluiu: - Eu amo Lily, e faço qualquer coisa para a ter, até matar alguém, caso esse mísero ser tenha a infeliz ideia de arruinar o meu negócio.
-Então o seu casamento não passa de um puro negócio acessível para si…
-Eu não disse tais palavras, sr. Snape. Apenas disse que faria qualquer coisa pela minha querida noiva. – rebateu num tom cínico, ao pousar o copo.
-E a srta. Evans sabe desse trato que você fez com a mãe dela? – indagou Lucius confuso, ao ver Tom dar uma sonora gargalhada.
-Claro que não. Ela pensa que sua querida mãe a obrigou a casa comigo só para não a deixar na miséria. Pobre coitada, acabou praticamente por ser vendida pela sua própria mãe. É tão ingénua. Se Lily soubesse a víbora da mãe que ela tem em casa...
-E do engenhoso noivo que acabou de arrancar…-intercalou Vernon com um sarcástico sorriso escancarado nos lábios.
-Meus senhores, proponho um brinde - Tom levantou-se, elevando o copo no ar – Um brinde ao dinheiro e ao amor. – Os restantes levantaram-se também, batendo com o copo sobre o de Tom. - E que este poder dure por muito tempo.
OooOooO
Ao ouvir alguém bater suavemente do outro lado da porta, Lily suspirou aborrecida, pensando tratar-se novamente da empregada, que toda a hora vinha até ao seu camarote, a mando de Tom. Furiosa pelo auto controle exagerado do noivo, ela levantou-se e abriu bruscamente a porta.
-Já disse que não quero nada, obrigada. – mas logo arrependeu-se ao ver uma bela mulher loira estática à sua frente. – Ohh peço perdão pela minha indelicadeza, mas pensei que fosse a empregada. – E num modo de apaziguar a situação, concluiu: - Tom mandou-a vir aqui quase de cinco em cinco minutos, para verificar se eu precisava de alguma coisa.
-Foi seu noivo que sugeriu que viesse até aqui, visto não conhecer praticamente ninguém neste navio, a não ser a minha irmã que está algures por ai. – Passando a mão pela barriga, continuou: -O ambiente na sala dos fumadores estava um pouco pesada para uma mulher no meu estado. – Narcissa encarou a jovem moça à sua frente, constrangida. - Espero que não se importe da minha vinda.
-Claro que não, por favor entre.
A jovem loira entrou, ficando surpresa com a sumptuosa sala que se impunha a seus belos olhos azuis. Além de ser ampla e confortável, os retoques que Lily havia feito tinham tornado aquele camarote mais arejado e bonito. Narcissa parou no meio da sala, esperando a ruiva fechar a porta e parar à sua frente.
-Obrigada pela sua amabilidade. – E como se tivesse lhe dado um flash, Narcissa apresentou-se -Que má educação a minha, meu nome é Narcissa Malfoy.
-Prazer! Meu nome é Lily Evans…
-Já ouvir falar muito de si srta. Evans, pelas melhores razões, devo acrescentar. - Lily soltou um delicado sorriso com a falsa advertência da loira.
Narcissa olhou prudentemente a moça, de cima a baixo, lembrando-se do que sua irmã sofrera, certa vez, por causa da mulher que se encontrava agora à sua frente. Era certo que Bellatrix odiava Lily, por motivos do passado, mas Narcissa não podia culpar a jovem pelo facto de Tom se ter enfeitiçado pela beleza dela. Lily era uma bela ruiva, que transpunha um inocente brilho no olhar, além de ser elegantemente formosa.
Sua atenção foi cortada quando Lily a olhou fixamente, temendo que Narcissa tivesse passando mal.
-Sente-se bem? – indagou Lily preocupada ao aproximar-se da loira, que fechou os olhos para novamente os abrir e encarar a moça.
-Sim, estava só pensando na minha irmã.
-Se quiser, eu posso ajudar a encontrá-la. Não estou mesmo a fazer nada aqui no camarote, assim aproveito e conheço o navio.
O olhar preocupado de Narcissa apossou-se da sua expressão facial. Tinha medo do encontro daquelas duas mulheres, mesmo sabendo que Lily nada sabia sobre o suposto ex-noivado entre Tom e Bellatrix no passado. Mas infelizmente não podia negar ajuda de alguém, principalmente encontrando-se naquele estado e não conhecendo ninguém no navio.
-Oh, eu ficaria -lhe eternamente grata! – retrucou por fim, com um enorme mal estar devido à situação comprometedora.
Com uma breve menção de cabeça, Lily fez um gesto com a mão para que Narcissa fosse a primeira a abandonar a sala. As duas saíram do camarote sem mais demora, passeando silenciosamente por vários lugares da primeira classe, como os salões de convívio, onde nobres senhoras tomavam o chá enquanto conversavam, na biblioteca e logo de seguida pelo ginásio, não havendo sinais de sua irmã.
Ao passarem pela pequena capela bem iluminada do navio, viram que, perto da entrada, encontrava-se Bellatrix com seu marido, Rodolphus Lestrange, conversando com o Capitão Edward Smith. Pela cara dela, a conversa devia estar a ser um pouco cansativa, mas tentava disfarçar com sua pose senhorial, até ver sua irmã ao longe.
-Com licença meu esposo, mas se não se importar, eu vou ter ali com minha irmã. – informou educadamente.
Rodolphus concordou com um uma mesura, o que fez Bellatrix tirar o braço do seu marido e afastar-se apressadamente dele. Ao se aperceber melhor da presença inoportuna junto da sua irmã, Bellatrix parou por segundos, ainda incrédula. Abanando negativamente a sua cabeça, como se acordasse de um pesadelo, ela voltou seu passo, aproximando-se se irmã, com o olhar preso nos de Narcissa.
-Narcissa, minha querida irmã, pensei que tivesse desistido da viagem. – proferiu Bellatrix ao abraçar a irmã, tentando esconder a tremenda irritação de ver Lily.
-Lucius insistiu tanto para a fazemos, que eu não tive como recusar. Não há nada melhor do que viajar sobre este magnífico oceano e aproveitar bem estes dias para descansar um pouco.
-Claro que sim, e você está óptima…-De repente olhou para Lily, o que fez Narcissa engolir a seco e, num tom de provocação, continuou: - Minha irmã, não sabia que agora você se dava com a terceira classe. Ah, espere, esta é a nova empregada que Lucius contratou para você? – Com um sorriso azedo atravessado nos lábios, Lily sentiu-se feliz que, pela primeira vez, alguém a via como se sentia.
-Que disparate, minha irmã! Esta senhorita aqui é…
- Lily Evans, noiva de Tom Riddle. – completou Lily sem grandes cerimonias, o que fez Bellatrix escurecer seu olhar, enquanto apertava discretamente as mãos de fúria.
-Fico feliz por estar finalmente frente a frente com a noiva de Tom Riddle. – Narcissa arregalou os olhos para a irmã, em modo de repreensão, mas ela prosseguiu: - Sabia que ele e eu estivemos comprometidos? – Lily estreitou o cenho, admirada, e numa voz rouca murmurou:
-Eu não sei nada acerca desse assunto, muito menos o facto de Tom ter tido um relacionamento no passado…
-Tínhamos, disse bem. Alguém tratou de aparecer na vida dele e o roubar de mim. – Triunfante e directa ao ponto, Bellatrix tentou ver a expressão de Lily. – Ele apaixonou-se por si.
-Mas isso já foi há alguns anos. – acrescentou Narcissa, como a necessidade de enfatizar o assunto.
Cada vez mais embaraçada com a situação presente, Narcissa chegou à conclusão de que deveria ter impedido aquele confronto enquanto pôde. Agora que se via envolvida no meio daquele furacão de emoções ressentidas, Narcissa não sabia o que fazer para acalmar aquilo. Já Lily, cada vez mais envolvida naquele turbilhão de revelações inesperadas por parte de Bellatrix, que mantinha sua postura distinta, tentava conservar um sorriso firme e inabalável, o que deixava ainda mais Bellatrix com raiva.
-Sim já foi à algum tempo, mas há coisas que nunca se esquecem…-rebateu ao disfarçar sua fúria, torcendo os lábios ao pronunciar aquelas palavras.
-Lamento imenso tal transtorno, mas não me pode culpar pelo seu ex-noivo se ter apaixonado por mim. – contestou Lily com toda a firmeza que suas forças permitiam, e num tom ríspido, continuou: - Agora se não se importam, eu preciso ir me arrumar para o jantar. – Ela aflorou um falso sorriso e afastou-se das duas sem mais nada dizer.
-Que impertinência! – Bramiu Bellatrix, batendo com o punho de leve na amurada do navio. – Quem é que aquela pobretana sem classe alguma julga ser? – Bellatrix encarou a irmã, irritada: - E você? O que lhe passou pela cabeça trazê-la até mim?
-Bella, por favor, eu não quero discutir com você agora. E, sinceramente, nunca pensei que você guardasse tanto rancor do passado. – O olhar tornou-se fulminante, o que não intimidou Narcissa. – Se quer saber, eu achei a garota simpática, bonita e simples. Como Lily disse, ela não tem culpa do sr. Riddle se ter apaixonado por ela…
-E você acreditou na mentira dela? – O riso desdenhoso de Bellatrix, fez Narcissa bufar. – Minha irmã, aquele é o típico discurso das interesseiras. Você bem sabe que família dela está na miséria. Por isso é que ela vai se casar com Tom, não por amor, mas sim por dinheiro. – E num tom amargo, acrescentou: - A esta hora eu poderia estar casada com o grande amor de minha vida, se não fosse essa mulherzinha aproveitadora se intrometer em nossas vidas.
-Por amor de Deus, Bella, esqueça o passado…
-Esquecer o passado? – Bellatrix agarrou rudemente as mãos da irmã, o que a assustou. – Acha que dá para esquecer a humilhação que passei ao ser trocada por outra? Da vontade que tive de morrer ao ver que o tinha perdido para aquela pobretana, que só está interessada no dinheiro dele!
-Mas você consegui recompor sua vida, com muito sacrifício, mas conseguiu. Agora minha irmã, não se mete em nenhuma confusão, principalmente com Lily ou mesmo Tom Riddle, pense em seu esposo…- Bellatrix largou as mãos de Narcissa, ainda mais furiosa, dando-lhe costas.
-Um esposo que eu odeio e que nosso pai escolheu para não manchar o nome da nossa família, depois de Tom ter me trocado. – prontificou Belatrix, procurando tranquilidade ao fechar os olhos e suspirar retraidamente. – Isso foi a maior vergonha para o nosso pai, e para mim também. – E, ao olhar de esgueira para a irmã, concluiu com um falso sorriso: - Não se preocupe, ainda muita água vai rolar por debaixo desta ponte.
-A nossa irmã Andromeda, também veio? – indagou Narcissa, a modos de mudar de assunto.
-Acha? Desde que se casou com aquele pé rapado do Tonks e ambos se mudaram para os subúrbios fedorentos de Inglaterra, que nunca mais ouvi falar nela. – Ela ponderou, lembrando-se: - Quer dizer, eu ouvi falar que ela, à uns anos atrás, teve uma criança, uma menina a quem deu o nome de Nymphadora. – e gesticulando a mão no ar, proferiu: -Que falta de originalidade, devo admitir.
-E nossa tia, ela disse que era capaz de embarcar…
-A nossa tia, a condensa Walburga Black, informou-me que não poderia vir, pois o nosso primo Regulus tem um comício muito importante em Londres, no qual ela não queria perder.
-E Sirius Black? O que é feito dele?
-Sinceramente, não o vejo desde criança. Ou melhor, desde que a nossa tia deixou de o considerar como filho pelo simples facto dele ter optado por andar com amigos sem classe. – E com uma risada cínica, ela encarou a irmã. – Se quer saber, a tia fez muito bem em deserdá-lo de seus bens. Espero que ele esteja bem longe de nós. Não gostaria nada de o ver novamente…
Narcissa fitou silenciosamente a irmã por segundos, apercebendo-se da mudança radical que ela tinha tido nos últimos anos. Desde que Tom a tinha abandonado e que seu pai a tinha obrigado a casar forçadamente com Rodolphus, que o carácter de Bellatrix tinha mudado sombriamente, deixando de ser a mulher alegre e introvertido. Agora Bellatrix assumia um carácter difícil, ambicioso e ressentido, o que fazia Narcissa temer pelo encontro de Tom e sua irmã. Tinha medo que ela pusesse tudo a perder por causa de seu rancor, que ainda fervilhava em sua pele marcada, ou talvez pelo amor que ela ainda sentia pelo milionário, fazendo de tudo para o recuperar. Narcissa tinha embarcado naquela viagem para ter um pouco de descanso, mas agora que analisava o desenrolar das coisas, o que ela ia ter era tudo, menos o sossego merecido.
Oiii!
Eu juro que nunca pensei receber review alguma, mas fico feliz por terem me dado as vossas opiniões e também por terem gostado da ideia. Falando do capítulo, eu quis mostrar um pouco das personagens, dos esquemas, um pouco do passado, para o desenrolar da Fic.
Kimillosk: Obrigada pelo seu comentário, fiquei muito feliz por ter gostado da ideia da minha fic. Agora, quanto à pergunta sobre Sirius, eu já tenho planos para ele, e sim, ele vai se apaixonar. Parece impossível, mas talvez ele encontre uma Susan ou uma Emiline.
Rose Samartine: Confesso que, a primeira vez que assisti o filme, também adormeci no meio. Mas já consegui ficar acordada na segunda vez, onde passei a adorar este maravilhoso filme.
Lulu Star: Pode crer, quem não ama esse filme. Para mim, já se tornou num clássico rs. E eu vou tentar ser mais ao menos fiel ao filme, mas mudando algumas cenas, pondo coisas minhas e talvez algumas coisas no fim.
Priscila: Que bom que gostou da ideia, e fico contente pelo que disse. Bom então ate ao próximo capítulo.
Obrigado a todos pelos comentários e até ao próximo capítulo.
Aqui está um pequeno trecho do próximo capítulo:
-Eu e Lily, fomos amigos de infância. A minha mãe era amiga da mãe de Lily, só que a minha família mudou de cidade e nunca mais tive contacto com a Lily!
-Fico feliz de o ver de novo meu amigo, como este mundo é pequeno. – Lily olhou para os amigos de Sirius e viu o garoto que tinha estado a cantar o hino todo alegre e sorridente.
Isis Turner
