REESCRITO / REVISADO
Capítulo2: Melodia de um amor
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Fazia dois anos que ela havia se formado. Havia estudado muito, pois queria ser boa em sua profissão. Quando criança queria ser uma grande cantora, mas decidiu não insistir, não por falta de vontade, mas porque percebeu que ficaria longe das pessoas que amava e não estava preparada para isso. Assim sendo, resolveu unir o útil ao agradável, precisava ganhar dinheiro, então decidiu se tornar professora primária, professora de música. E esta foi a melhor escolha que poderia fazer, não achava que poderia trocar aquele emprego nem pela maior fama do mundo.
Aino Minako era seu nome, tinha cabelos loiros curtos, olhos de um bonito azul e de expressão suave. Quem visse a mulher de ar calmo e elegante em que se tornara pouco lembraria da jovem de quinze anos de longos cabelos presos num laço vermelho que tudo o que conseguia fazer era inventar maneiras de conseguir namorados.
Trabalhava em uma das maiores escolas primárias de Tóquio, por ser uma instituição que formava muitos jovens músicos, fora indicada por alguns professores com quem viera a trabalhar e agora desfrutava de uma vida bastante confortável. E, justamente por ser considerada uma boa mestra, fora chamada para ser uma das responsáveis de uma das turmas da quarta série em uma excursão para a praia. Como agradecia por isso. Fazia meses que não tirava férias, não que estivesse pessoalmente reclamando, mas seu corpo já começava a mostrar o cansaço acumulado.
Era tarde quando finalmente chegaram à cidade costeira e foram direto para o hotel arrumar as malas. Devido à ansiedade de seus alunos, Minako teve que se apressar para arrumar suas coisas e ao mesmo tempo se arrumar para irem à praia. Como professora responsável, a jovem mulher se arrumou e desceu à recepção antes dos outros, aguardando-os. Felizmente, pensava internamente, não era a única professora encarregada ali e, quem sabe, poderia ter algumas horinhas para si mesma durante aqueles dias em que estariam naquele paraíso.
Minako, sentada em um dos sofás da recepção, passou a observar as pessoas que circulavam pelo local. Em certo momento, seus olhos toparam com um pequeno grupo, fazendo seus olhos perderem levemente o brilho, ainda que fosse difícil quem não a estivesse observando atentamente ver. Era uma pequena família, enquanto a mãe ia ao toillet, o pai esperava com sua pequena filha no saguão. Ele jogava a garotinha no ar e esta ria com felicidade.
A jovem professora desviou o olhar, não podendo mais continuar a ver. Memórias de um passado feliz e agora perdido voltando a sua mente.
"Tou-saaan!!! Que bom que chegou! Me leva no parque???"
"Nee, tou-san! Gostou da gravata?"
"Tou-san, sempre estaremos juntos, nee?"
Minako fechou os olhos com força, rompendo memórias de rondar sua mente. Levantou-se e seguiu até a saída do hotel, poderia esperar seus alunos ali... O mais longe possível de qualquer coisa que a fizesse lembrar...
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Assim que as crianças chegaram à recepção do hotel, os professores se encaminharam à praia mais próxima e Minako fizera menção de acompanhá-los. Entretanto, para seu prazer, uma das professoras responsáveis avisou-lhe que teria algumas horas livres, já que os professores já iria começar a se revezar e o primeiro turno não caberia a ela. Agradecera pela oportunidade e distanciou-se do grupo, caminhando na direção oposta, dirigindo-se ao calçadão da avenida de frente à praia e depois desceu até as areias claras dali.
Andava calmamente e quando finalmente decidira se sentar, olhou por acaso ao seu redor, uma gota descendo pela sua cabeça. Ao seu redor, até mesmo adiante, no mar, só havia casais, todos aparentemente tão apaixonados. Suspirou resignada, levantando-se e voltando a caminhar, negando-se a ficar ali. Era ultrajante demais ir se distrair num lugar paradisíaco daqueles só para ser lembrada que fazia parte do "Quinteto das Solteironas". Fez um leve beiçinho e virou a cara para qualquer casal que ousasse adentrar seu campo de visão.
Continuou andando um pouco e, quando finalmente se viu livre de qualquer visão "perturbadora", sentou-se, consideravelmente afastada de outras pessoas. Apoiou as mãos atrás do corpo e fechou os olhos, jogando levemente a cabeça para trás, apenas aproveitando a suave brisa do mar. Entretanto, não permaneceu naquele estado por muito tempo, pois certo som invadiu seus ouvidos.
A jovem professora voltou seus olhos para trás, onde um carro comercial passava tocando em um volume bastante alto uma música. Deixou um leve sorriso preencher seus lábios, era uma das músicas de seu antigo grupo favorito, não que não fosse mais seu querido grupo, mas ela não ouvia aquelas músicas desde a última vez que os vira, os Star Lights.
Quando deixara de lados sua coleção de CDs, todos acharam que fora porque ao crescer perdeu o gosto por aquele tipo de música. Contudo, o que ninguém sabia é que ela não tocara mais naqueles CDs, tão desgastados de tanto uso, porque a faziam lembrar de um dos cantores do grupo em especial. Um de cabelos muito claros e olhos de uma ternura, que fazia seu coração bater forte como ninguém mais conseguira fazer.
Amor de fã? Talvez... Não fosse o fato de que ela realmente conhecia o grupo musical. Conhecera e convivera com eles por muito tempo. E o amor que dividira com um deles fora o momento mais feliz da sua vida, quando seu mundo ainda era cor de rosa e sua única preocupação era escolher o vestido para a próxima festa.
Mas o mundo não é cor de rosa. E a jovem aprendeu da forma mais dura, aprendera na prática. Perdendo duas das pessoas mais importantes de sua vida. Seu amor de adolescência, quando este decidira que iria viajar com seus dois irmãos na busca pela fama através da música e ele... Seu pai...
Minako sacudiu a cabeça, recusando-se a lembrar-se do acidente que tirara seu pai de sua vida. Suspirou longamente, tentando recordar-se que, ainda que o tivesse perdido, ganhara uma nova família, no dia em que sua mãe casara-se com o pai viúvo de uma de suas melhores amigas, Tsukino Usagi. Sorriu levemente, ainda que a lembrança do pai a perseguisse, tinha que ter em mente que tinha muitas amigas e pessoas que a amavam para apoiá-la.
A jovem fechou seus olhos novamente, agora com o intuito de ouvir melhor a música, buscando acalmar sua alma e coração. Se havia algo que sempre a fizera acalmar-se era escutá-lo... Escutar a Kou Yaten tocar no violão apenas para ela, naquelas noites estreladas, quando Usagi saía com Kou Sehya e eles ficavam sozinhos em casa...
Lembranças do passado subitamente foram interrompidas com o alto anúncio que altos falantes vindos do carro comercial começaram a fazer. Abriu os olhos e os piscou duas vezes, tentando assimilar o que escutava... Ao mesmo tempo em que tentava controlar as batidas descompassadas de seu coração...
"Depois de seis longos anos fora do país, será hoje no parque de eventos da cidade, às 22 horas, que o famoso grupo Star Lights fará seu show de regresso! Não deixem de comparecer!"
Minako fechou os olhos, e suspirou profundamente. Em seguida, abriu os olhos, um brilho longamente perdido ressurgindo neles.
Um leve sorriso surgiu em seus lábios.
- Por que não...
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Era
21h30min quando Minako terminava de se arrumar. Havia recebido
permissão para sair àquela noite e agradecera com
grande satisfação. Passara a maior parte do final do
dia se arrumando e, ainda que fosse algo subconsciente, sentia que
não o fazia para si mesma. Olhando-se uma última vez no
espelho, sorriu levemente e, pegando sua bolsa, seguiu para o saguão.
Deixou suas chaves na recepção e seguiu até a
entrada do hotel, onde um táxi já a esperava.
Dando as direções necessárias, apoiou seu cotovelo na janela e seu rosto em sua mão, perdendo-se rapidamente em pensamentos. Sabia que apenas o veria de longe, mas encontrar Kou Yaten depois de tantos anos fazia seu estômago contrair-se levemente em antecipação.
Como ele estaria?
Seria o mesmo de antes?
Cantaria tão maravilhosamente bem como antes?
Estaria bem?
Estaria feliz?
Estaria com alguém...?
Minako fechou os olhos repentinamente, suspirando longamente. Qual o problema se estivesse com alguém? Não é como se ela se importasse... nee?
O táxi parou e Minako pagou o motorista rapidamente, dizendo-lhe para guardar o troco. A verdade era que já passava das dez da noite e o show já havia começado. Entregou a entrada comprada pela recepção de seu hotel e correu em direção a multidão que assistia à apresentação do famoso grupo Star Lights. Parou consideravelmente longe do gigantesco grupo de pessoas que pareciam lutar para conseguir uma posição mais próxima do palco e passou a observar este. Na verdade, buscando alguém em especial que deveria estar lá.
Seus olhos finalmente encontraram o perfil daquele em que pensara o dia todo, como evitara fazer por muito tempo. Seus olhos prenderam-se firmemente na figura e a jovem professora pôde analisá-lo um pouco, apesar da distância. Cabelos curtos e claros, um corpo mais masculino do que se lembrava, a magreza da adolescência perdida... Foi tudo o que conseguiu notar antes de alguém esbarrar em seu ombro. Desviou o olhar e, enquanto o homem pedia desculpa por sua falta de atenção, Minako voltou a respirar. Nem percebera que estivera prendendo a respiração durante alguns segundos...
Quando finalmente seus olhos voltaram para o palco, seus ombros caíram levemente. Era o momento de uma breve pausa, provavelmente para se recomporem do início do show, que como qualquer outro deveria ser muito animado. A jovem novamente desviou o olhar, encaminhando-se para a lateral do estádio, onde pudesse tomar algo, sua garganta estranhamente seca.
E foi justamente por desviar o olhar que a jovem não notou um par de olhos que surpreendentemente prenderam-se nela, antes de entrarem nos bastidores destinados aos astros do show...
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Era o primeiro show que faziam no Japão depois de mais de seis anos fora, parte deles por estarem estudando música no exterior, e o rapaz não podia acreditar que finalmente voltava a seu país de origem. Kou Taiki era o irmão mais velho do grupo Star Lights, e como tal, era o mais sério e responsável do grupo. Entretanto, ainda que não aparentasse preocupação, Taiki estava bastante ciente dos sentimentos e estado de espírito de Sehya e Yaten, seus dois irmãos mais novos. E, talvez, justamente por isso que, antes de sair do palco em que fazia seu show de regresso, o rapaz fora capaz de perceber a pessoa responsável por deixar seu irmão do meio com o coração despedaçado quando tiveram que abandonar o país.
Taiki parou por um segundo, forçando seus olhos para ter certeza que não o enganavam. Notara-a em princípio porque ela estava bastante distante em comparação a grande maioria das garotas. Enquanto uma multidão se apertada e lutava por espaço, uma loira havia se encaminhado até um lanchonete, na lateral do estádio, totalmente isolada.
O rapaz segurou a garrafa de água que lhe ofereciam, enquanto secava o suor de seu pescoço, quando se encaminhou até um dos seguranças do show, o mais próximo que encontrou. Conversou por breves segundos com o truculento homem, antes de se apressar e se secar. A segunda parte do show estava para começar e agora ele tinha motivos ainda maiores para estar feliz por voltar ao Japão.
Taiki parou subitamente e, refletindo por um segundo, soltou uma pequena risada de escárnio...
E desde quando Kou Taiki ficava feliz em dar uma de cupido?
Balançou a cabeça, sorrindo de lado antes de voltar a seus "afazeres".
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Minako sentou-se em um dos bancos de frente para o balcão da lanchonete e pediu um suco. Como era a única que parecia ter coragem de se afastar do palco, seu pedido foi atendido rapidamente. Apoiou seus braços no balcão, desfrutando calmamente de seu refresco e voltando a se perder em pensamentos, sabendo que em poucos segundos o show voltaria a começar.
Sorriu discretamente, para si mesma. Observara-o apenas por alguns momentos, mas era palpável a mudança de Yaten... Tinha a sensação de que ele deveria estar mais maduro, ainda que soubesse que o jovem nunca fora nem a metade de "infantil" que seu irmão mais novo, Sehya. E falando no rapaz, Minako voltou seu olhar para o palco, quando escutou a voz deste soando alta e melodiosamente. Depois, desviou o olhar para o outro, o irmão mais velho, Taiki...
É... Não era apenas Yaten que parecia ter mudado...
Desviou mais uma vez seu olhar para sua bebida, voltando a tomá-la. Contudo, não chegara nem a sentir o gosto na boca quando sentiu alguém tocando seu ombro. Voltou-se rapidamente, mais por surpresa que qualquer outra coisa, passando a encarar um homem que não conhecia. Fechou a expressão levemente, imaginando se ele estava ali apenas para flertar... Possibilidade que foi rapidamente descartada.
- Aino-san? – foi o que o homem de voz grave disse. Minako levantou quase imperceptivelmente uma de suas sobrancelhas.
- Sim, o que deseja? – foi o que a jovem perguntou... Sem jamais poder imaginar qual seria a resposta.
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O show havia acabado fazia poucos minutos e os Star Lights agora se viam assinando uma multidão de autógrafos. Quando finalmente um de seus representantes achou que era suficiente, os seguranças se colocaram no caminho entre os fãs e seus cantores, para alívio destes. O grupo respirava aliviado e caminhavam cansadamente em direção a seus camarins... Tudo o que vinha a mente deles era... "Cama".
- Que cansaço... Estou esgotado... – disse Sehya, limpando a testa com uma toalha.
- Concordo, fazia tempo que não ficava assim. – respondeu Taiki, ainda que não aparentasse, para seus dois irmãos era fácil perceber o cansaço em sua voz.
- Hm... – foi a única resposta do terceiro. Este de olhos fechados, guiando-se aparentemente por intuição. Taiki olhou para seu irmão e rapidamente lembrou-se do que ocorrera mais cedo. Não pôde evitar um leve sorriso aparecer em seu rosto.
Qual seria a reação de Yaten, irmão do meio da família Kou, o mais sereno dos três e quase tão calado como ele próprio...? Principalmente depois de que tivera que se separar de certa jovem que...
Chegaram ao camarim sem dizer mais nada. Yaten abriu a porta com os olhos ainda fechados, seu corpo pendendo de um lado para o outro, sonolento. Taiki e Sehya entraram em seguida e os olhos dos dois não deixaram de notar...
- Ora! Parece que meu segurança conseguiu encontrá-la! - disse Taiki olhando para a mulher sentada reta e formalmente em uma das cadeiras ali presentes. – Que prazer em revê-la!
Yaten não prestou atenção na conversa, já entrando no banheiro ao lado. Provavelmente era uma das fãs que viajavam para tudo quanto era lugar atrás deles. Quem sabe uma das "ex" de Sehya...
- Hei!!! Que surpresa em te ver de novo! Como vai você? E a Odango? - disse Sehya animado, seguindo em direção da moça que agora levantava-se para recebê-los.
Yaten, compenetrado em sua escova de dentes, não estava prestando atenção na conversa. Pois, se estivesse, não havia dúvidas que levaria um susto ao ouvir a última frase do irmão. Ligou a torneira e enxaguou a boca, lavando o rosto em seguida.
- Olá... É um prazer vê-los também! Ela está muito bem, Sehya. - disse a moça sorrindo. E, finalmente, ainda que distraído, Yaten não pôde deixar de reconhecer a voz.
Levantou rapidamente o rosto olhando para o espelho, seus olhos arregalados. Não podia acreditar no som que seus ouvidos escutaram... Devia estar imaginando coisas... Devia...
Mas sem que sua mente ordenasse, ou pudesse achar alguma razão, o rapaz saiu quase correndo do banheiro, se segurando na porta para não cair após quase escorregar.
Seus olhos rapidamente fizeram contato com os belos olhos da moça que ali se encontrava. Os seus ainda arregalados, como se para ter certeza de que não o enganariam, tendo certeza que não podia ser...
Sua boca estava aberta e não disse nada. A jovem que o havia visto de relance quando este entrara sorriu, o rosto ruborizado, os ombros encolhidos.
- Não vai cumprimentar nossa amiga, Yaten? - disse Taiki, seus olhos refletindo a diversão que a situação lhe causava.
Yaten pareceu acordar para a realidade ao ouvir a frase, piscando duas vezes. Engoliu em seco, enquanto tentava recompor-se. Seu rosto ruborizou-se, visivelmente, de vergonha ao perceber como fora sua "saída" do banheiro. Iria tentar consertar a situação, mas não teve o tempo necessário, pois Taiki logo o interrompeu.
- Aiai... não precisa se desculpar. Agora eu vou sair um pouco porque eu e o Sehya... - disse acentuando o "Sehya", olhando para este - Precisamos resolver um problema técnico com as caixas de som.
- Mas que caix... – o irmão mais novo não pôde terminar a frase, porque Taiki o fuzilou com os olhos, voltando a falar.
- Vamos logo Sehya, precisamos achar o técnico antes que ele se retire. - disse Taiki puxando Sehya pelo braço, que finalmente pareceu se tocar, sorrindo maliciosamente. - Faça companhia para nossa amiga até voltarmos, Yaten – acrescentou, olhando para o irmão que não tirava os olhos da moça, e não pôde deixar de sorrir de lado, antes de concluir. - Daqui a pouco voltamos, fique a vontade. – sua última frase foi dirigida para a moça. Contudo, não se deu ao trabalho de olhá-la para ver se escutara, sabendo bem que a atenção dela para com ele era tanta quanto a de Yaten.
- Divirtam-se! - disse Sehya animado, logo sendo puxado com tudo por Taiki, que fechou a porta ruidosamente.
Com o barulho da porta, finalmente a jovem professora desviou o olhar daquele que o prendera, só agora percebendo que os outros dois já não estavam ali. Seu rubor cresceu um pouco, mas não conseguiu evitar que seus olhos voltassem para o rapaz que ainda estava ali, como se os olhos deste exigissem sua atenção. Yaten não havia parado de olhá-la nem por um segundo.
Ficaram
naquela posição por vários segundos, muitos
segundos... A verdade era que nenhum sabia o que dizer, tão
forte fora o impacto daquele reencontro depois de tantos anos. Yaten
sabia que queria revê-la... Um dia... Mas nunca imaginara que
seria daquela maneira, tão subitamente, quando estava tão
despreparado... Quando não tinha a mínima idéia
do que Aino Minako, a primeira garota por quem se apaixonara, e de
quem nunca esquecera, poderia estar sentindo por ele... Depois de
tantos anos...
- É um prazer revê-lo... Yaten-kun - disse ela sorrindo docemente para o rapaz, que piscou um pouco, finalmente acordando de suas reflexões mais profundas.
- Não... O prazer é todo meu... Koichii...
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Em Tóquio... Durante à tarde daquele mesmo dia...
Usagi não entendia nada, não fazia a mínima idéia do que estava acontecendo... E sua cara de confusão, enquanto piscava os olhos, inocentemente, era prova irrefutável disso. Por que será que todos estavam rindo?
A pergunta que fizera segundos antes havia sido bastante inesperada, é verdade... Sabia que tinha sido inconveniente, bastante inconveniente. Mas... A última coisa que poderia esperar, que qualquer um poderia esperar, era uma "resposta" como aquela. Apenas continuava a olhá-los, bastante confusa, seus ombros encolhidos, sentindo-se muito boba por não entender o motivo de tamanha "diversão" alheia. Foi Rei que, finalmente parecendo se acalmar um pouco, primeiramente se pronunciou.
- Aiai Usagi-chan... Só você para me fazer rir desse jeito... - dizia ela quase sem fôlego, enxugando uma lágrima de seus olhos.
- Oras, me desculpe se fui muito inconveniente, não foi de propósito - disse Usagi, cruzando os braços. E, ainda que parecesse levemente indignada, seus ombros ainda encolhidos denunciavam seu acanhamento.
- Não... Não é isso Tsukino-san. - agora era Mamoru que também tentava se recompor.
- Então o que é? – perguntou, descruzando os braços. E o olhar confuso e ingênuo que fez foi suficiente para que todos parassem de rir, ainda que sorrissem, condescendentes.
- Tsukino-san, acho que cometeu um equívoco... - disse Tomoe, sorrindo levemente - Eu e Mamoru não somos casados. - Usagi não entende e em sua confusão um desespero levemente infantil soou em sua voz.
Mas... Mas como não?! Têm o mesmo sobrenome. - disse a pediatra, sem delongas.
Ah, Usagi... Continua a mesma desligada de sempre... – disse Rei sorrindo divertida - Já pensou na possibilidade de eles serem parentes... Ou... Quem sabe... Irmãos?! – Rei teve que se segurar para não voltar a rir.
Usagi, por sua vez, arregalou os olhos e se deu um tapa internamente. Como podia ser tão tonta? Por que não havia pensado naquilo?! Qual era seu problema? Era meio desligada, mas aquilo já era exagero. Agora que olhava melhor para os dois, percebia a semelhança. Repentinamente, um forte rubor cobriu seu rosto e mais uma vez a jovem encolheu os ombros, sem saber o que falar.
- Não precisa se encabular tanto, Usagi-chan... Vindo de você é normal. - Usagi abaixou a cabeça um pouco, visivelmente chateada.
- Tudo bem, não precisa ficar assim. - disse Mamoru que, vendo a angústia da mulher, não pôde evitar colocar uma mão reconfortante no ombro desta. Ainda que não pudesse perceber a surpresa que tomou conta da pediatra, pois Usagi se segurou firmemente para não se mover. Já estava encabulada demais para dar mais motivos para falarem.
- Desculpem-me... - Rei sorriu levemente, vendo na expressão da amiga que não deveria "judiar" mais da pobre... A garota já pagara em triplo por se atrasar, não é?
- Esqueça isso, certo? – olhou para a moça que, ainda que mantivesse a cabeça baixa e levemente encolhida, acenou levemente com a cabeça. Sorriu e continuou – Agora... Vamos almoçar? Estou morrendo de fome. E vocês? - disse Mamoru mudando de assunto e tirando a mão do ombro de Usagi. Para sua surpresa, a única resposta audível que recebeu foi um "pequeno" ruído... Do estômago de Usagi.
O rubor mais uma vez subiu pela face da loira, que, não agüentando mais de vergonha, pousou seus braços na mesa, escondendo o rosto neles.
Os outros três não puderam evitar... E riram novamente.
(...)
- Foi um almoço muito produtivo... E divertido - ao "divertido", Rei olhou para Usagi, que discretamente encolheu-se novamente - Mas agora preciso ir, depois ligo para a Tomoe-chan - disse olhando para esta, se levantando. - Foi um prazer.
- O prazer foi nosso de termos companhias tão agradáveis. Espero sua ligação - disse Tomoe se levantando também. Mamoru e Usagi levantaram juntos. - Mamoru-kun, pode pagar a minha conta, por favor? Eu preciso voltar para a loja logo. – o irmão mais novo apenas acenou com a cabeça, afirmativamente, e Tomoe se despediu, reverenciando levemente as outras duas moças e retirando-se um pouco apressada.
- Nossa! – exclamou Rei, olhando seu relógio. - Estou muito atrasada para uma reunião! – concluiu, voltando seus olhos para seus dois outros amigos, como se pedindo desculpas silenciosamente.
- Vá logo, Rei-chan... Eu pago sua conta - disse Usagi, sorrindo.
- Obrigada, Usagi-chan. Até logo! - e saiu quase correndo. Mamoru e Usagi observaram a jovem retirar-se apressadamente e em seguida, quase simultaneamente, voltaram seus olhos um para o outro por um segundo, antes de irem pagar as contas.
- Obrigada pela companhia, Chiba-san. – disse Usagi, inclinando um pouco a cabeça, após pagar sua conta. – Até uma outra oportunidade. – concluiu sorrindo levemente, antes de virar-se, fazendo menção de sair do restaurante.
- Espere! - pediu Mamoru, e por impulso segurando o pulso da loira. Usagi imediatamente ruborizou-se, antes de lentamente voltar seu rosto para o homem. Este, ao perceber seu ato, soltou-a imediatamente, um leve vermelho surgindo em seu rosto. – Hm... Desculpe... – Vendo que a jovem não parecera se irritar, tomou coragem e continuou. - É que... Se incomodaria se eu a acompanhasse? Está de carro?
- Hm... Na verdade... – começou ela, meio vacilante, o que alertou o homem. – Eu estou sim...
- Ah... Entendo... – disse o cirurgião, tentando esconder seu desapontamento. Fez menção de despedir-se da jovem, entretanto, para sua surpresa e prazer, ela o interrompeu.
- Mas... Eu posso deixar o carro aqui... – disse ela sorrindo, levemente acanhada. Mamoru sentiu seu peito encher-se de expectativa, ainda que tentasse esconder, para não parecer audacioso demais. Usagi sorriu marota, antes de continuar. – Isso se me trouxer de volta aqui depois... Certo? – O homem, por fim, não pôde conter um pequeno sorriso de surgir em seus lábios e acenou afirmativamente com a cabeça. Usagi sentiu um grande contentamento preencher-lhe e sorriu abertamente para o homem.
- Então... Vamos? - disse Mamoru, não podendo evitar estender seu braço para a jovem. Esta, por sua vez, olhou o movimento surpresa, arregalando quase imperceptivelmente os olhos. Entretanto, logo um sorriso preencheu-lhe o rosto e ela aceitou com alegria o gesto cavalheiresco.
Saíram do restaurante de braços dados, cada um preso em seu próprio contentamento... Não podendo acreditar que de um encontro tão casual, viriam a se conhecer tão rapidamente.
E que desses pequenos momentos... Algo muito bonito seria construído...
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(Continua)
Mary Marcato
03/03/03 (Revisado dia 06/01/07)
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Tou-san: papai.
Odango: é como o Sehya chamava a Usagi, creio que no português ficou traduzido como BomBom ou alguma coisa assim
Koichii: minha querida; meu amor.
