Capítulo 1

Gemi quando o despertador tocou no outro dia. Eu tinha ido dormir muito tarde, ainda pensando na minha decisão e meus olhos pareciam cheio de areia pelo sono.

Espreguicei-me e levantei, indo para o banheiro, tomando uma ducha e depois me barbeando. Arrumei meu cabelo com gel e depois escolhi um terno no closet. Hoje o dia estava para preto. Escolhi também uma gravata azul marinho com listras marrons cintilantes que lembravam a chocolate. Coloquei meus sapatos lustrosos e sorri para a imagem no espelho.

Desci as escadas de mármore branco e fui para a sala de jantar, onde a mesa estava forrada com meu café da manhã. Observei minhas opções e depois de decidir por ovos mexidos, me servi e peguei o jornal que estava ao lado do meu prato.

— Bom dia, querido. — Ouvi a voz de Carmen e baixei o jornal sorrindo. — Café? — Ela mostrou bule e eu assenti.

— Bom dia, Carmen... Como está hoje? — Ela sorriu.

— Muito bem... Quer algo mais? — Ela perguntou enquanto dava uma olhada na mesa repleta de alimentos. Quando ela virou novamente pra mim eu apenas ergui uma sobrancelha. — Claro que não... — Ela riu. — Quer Eleazar ou vai dirigindo? — Era seu marido e meu motorista.

— Irei dirigindo novamente... Deixa-o de folga por mais um dia. — Ele ainda estava se recuperando da pneumonia e eu achava melhor que descansasse um pouco mais antes de voltar ao trabalho. Carmen apenas assentiu. — Chame Jacob para mim, por favor? — Ela assentiu e depois que ela saiu, eu voltei para meu jornal.

— Chamou, senhor Masen? — Meu chefe dos seguranças perguntou e depois que ele se sentou nós começamos a discutir os planos para o dia. Eu tinha que visitar alguns novos clientes e outros que andavam dando problemas e eu precisaria de uma equipe comigo.

Eu não tinha assumido a presidência ainda, mas trabalhava na empresa como diretor executivo. Quando eu botasse meu plano em ação, aquilo mudaria.

Terminei minha conversa com Jacob e saí para a garagem, junto com Sam e Paul, meus seguranças particulares. Na noite anterior eles não estavam comigo na minha volta para casa, mas era bom parar de dar sorte ao azar.

— Senhor Mansen. — Eleazar acenou com a cabeça quando abriu a porta do carro para mim.

— Deveria estar de repouso, Eleazar... — Fingi braveza e ele apenas riu. Acenei com a cabeça e depois que Paul e Sam estavam acomodados, saímos para as ruas de Chicago.

Eu estava quase na empresa quando olhei para o lado para falar com Sam e tudo aconteceu rapidamente. Num momento a rua estava calma e no outro Paul gritava no banco de trás meu nome. Foi o tempo apenas de eu pisar no freio e sentir um impacto na frente do carro.

Saí rapidamente e gemi quando vi uma mulher caída no chão. Eu conseguia apenas ver seus cachos escuros e eu esperava que ela não estivesse morta.

— Moça? — Me abaixei ao seu lado e a balancei um pouco, sendo respondido com dois gemidos distintos. Um infantil e um que era da mulher. Vi-la-ei e soltei um palavrão quando vi um menininho em seus braços. Seus grandes olhos azuis brilhavam com lágrimas e ele olhava pra mim.

— Ma... — Ele disse e olhou para a moça desmaiada. Droga!

— Sam... Chame uma ambulância. — Olhei para ele que já tirava o celular da orelha. Ele já tinha chamado.

Sentei-me no asfalto e virei à moça totalmente de costas no chão, tentando mexer o menos possível nela. Quis me bater quando vi o filete de sangue que saia de sua cabeça.

Puxei o menino para mim e respirei aliviado quando vi que ele não tinha ferimentos aparentes. A moça tinha reduzido o impacto do corpo do pequeno menino com o próprio corpo.

— Qual seu nome, campeão? — Perguntei ao garotinho que olhava pra mim curioso. Ele não teve tempo de responder, já que o barulho da ambulância chegou aos nossos ouvidos. Graças a Deus tinha um hospital a três quarteirões. — Vem! — Me levantei com ele no colo, para dar espaço aos paramédicos e depois que a moça estava dentro da ambulância, entrei no banco do passageiro do carro e pedi para Sam conduzir até o hospital.

— Você está bem, senhor Masen? — Assenti suspirando.

— Foi um susto e tanto, mas estou bem... Não posso dizer o mesmo da pobre moça. Vocês sabem o que aconteceu? Foi tudo tão rápido!

— O menino atravessou a rua correndo enquanto a moça procurava algo no bolso e quando ela viu que ele ia ser atropelado, correu e se jogou em cima dele. — Paul explicou e me perguntei como ele tinha visto aquilo tudo quando eu não tinha visto nada, mas aí eu lembrei que ele era treinado para ser atento.

— Espero que ela esteja bem... — Eu disse e eles apenas assentiram. O menino ainda estava no meu colo e não parecia assustado ou com medo de estar com estranhos. Ele apenas brincava com minha gravata e tinha um rostinho concentrado. — Qual seu nome, amigo? — Pedi novamente e ele olhou para mim.

— Seth. — Ele falou em sua vozinha infantil e sorri. Seth aparentava ter três anos, mas algo me dizia que ele era mais novo.

— Você está bem, Seth? — Perguntei e ele apenas assentiu voltando a prestar atenção a minha gravata.

Não puxei mais assunto, porque logo chegamos ao hospital e desci com ele, indo direto na recepção e pedindo um pediatra, afinal eu queria ter certeza de que Seth estava bem. Pedi informações sobre a mulher e fui informado de que ela estava passando por exames. Assenti e fui com o garoto para a sala de espera para aguardamos o médico.

Enquanto não éramos chamados, eu liguei para Jasper e expliquei a situação, pedindo para ele ir resolvendo os assuntos pendentes. Foi o tempo de eu desligar para sermos chamados.

— Bom dia, senhor Masen... Sou Alex Carter, médico pediatra. — Se apresentou o médico e olhei um pouco assustado para o seu tamanho. O cara era muito alto e tinha uma carinha de moleque. Tinha um sorriso de covinhas que combinados com seus verdes risonhos, lhe davam um ar infantil.

— Bom dia, doutor Carter, sou Edward Masen... Eu, infelizmente, estava desatento e atropelei esse garotinho e sua mãe. Ele parece extremamente bem, mas quero ter certeza disso. — Ele apenas assentiu.

— Eu deveria fazer algumas perguntas, mas como você não é o pai ou responsável, não deverá saber e como a mãe dele também não está aqui, terei que esperar até ela ser liberada. Mas, vamos fazer alguns exames. — Assenti e ele me pediu para levar Seth até a maca.

Levei o menino até lá e logo o doutor chegou com um balão e deu ao garoto que se concentrou no objeto enquanto era examinado. Não demorou muito e logo eu vestia a camiseta e casaco de Seth novamente e voltava com ele no colo para a cadeira.

— Ele está bem, senhor Masen... Não reclamou de dor em nenhum momento e não aparenta sinais de hemorragia ou algo parecido, mas se ele reclamar de alguma coisa traga-o de volta imediatamente. — Assenti. — Você parece preocupado, então está liberado para ver o estado da mãe do garoto. — Assenti novamente e depois de agradecer, peguei Seth e fomos para fora do consultório.

— Tem alguma notícia da moça? — Interroguei Sam assim que o achei na sala de espera.

— Está sendo levada para um quarto e ela acordou. — Respondeu e suspirei aliviado. Pelo menos ela não tinha morrido.

— Sabe como ela está?

— Uma concussão na cabeça e uma perna quebrada. — Fiz uma careta. O que raios eu estava pensando quando não prestei atenção ao trânsito?

— Vou dar uma olhada nela... Fica com o garoto pra mim e não tire os olhos dele. — Ordenei e Sam assentiu. Entreguei Seth para ele e fui até o balcão de informações descobrir pra que quarto ela tinha sido mandada.

Aproveitei que estava ali e já acertei todas as despesas da moça e a consulta de Seth. Eu era o responsável por aquilo e iria arcar com as conseqüências.

Depois de tudo acertado e de ter pegado o número do quarto da moça, passei por Sam e pedi para ele me acompanhar junto com Seth. Pegamos o elevador, fomos até o andar indicado pela atendente e pedi para os dois ficarem do lado de fora enquanto eu conversava com a mulher.

— Com licença? — Falei assim que abri a porta e a mulher deitada na maca olhou para mim curiosa. Era uma bela mulher, não havia duvidas. Estava com o rosto pálido, mas os olhos marrons continuavam brilhantes e chamavam bastante a atenção. Seu nariz era pequeno e arrebitado e seus lábios, mesmo ressecados, tinham uma cor rosa muito bonita. Tudo isso combinado aos cabelos castanhos escuros e o rosto pequeno, lhe davam um ar angelical e extremamente lindo. — Sou Edward Masen.

— Isabella Swan... Desculpe, mas ninguém me informou onde está Seth. Você sabe onde ele está? Se ele está bem? —Ela tinha um sotaque diferente, que ficava ainda mais pronunciado por ela estar preocupada e ansiosa.

— Ele está bem, Isabella. Está lá fora com meu segurança. Eu mesmo o acompanhei nos exames e ele não sofreu nenhum ferimento. — Ela assentiu e suspirou aliviada. — Fui eu quem atropelei vocês e peço desculpas por isso... Você não tem de se preocupar com nada, arcarei com todas as despesas.

— A culpa não é sua... Eu que não prestei atenção a Seth e ele saiu correndo para a rua. Fico feliz de não ter acontecido nada mais grave.

— Mesmo assim... Irei me sentir melhor se aceitar minha ajuda. Se eu estivesse mais atento, nada disso teria acontecido. — Ela ia contestar, quando pensou melhor e apenas assentiu.

— Você acha que posso ver Seth agora?

— Claro... Só um momento que vou buscá-lo. — Virei de costas e fui até a porta, abrindo-a e logo ouvindo um choro infantil. Olhei para Sam e ele me olhava desesperado. — O que aconteceu?

— Ele estava chamando pela mãe e quando não a viu começou a chorar. — O rosto de Sam estava assustado e quase ri.

— Vou levar ele para vê-la. — Peguei o menino no colo que olhou pra mim parando de chorar, mas ainda com os olhinhos cheios de lágrimas. — Ali está sua mamãe garoto. — Ele olhou para os lados como se procurasse a mãe e fiquei confuso. Ouvi Isabella rindo na cama e olhei para ela questionador.

— Sou a madrinha dele. — Isso explicava porque o garoto estava procurando a mamãe. Mas assim que ouviu a voz de Isabella, o menino começou a esticar os braços para ela pegá-lo. O levei até ela e o coloquei cuidadosamente em cima da moça, tomando cuidado com a perna enfaixada.

— Pronto... Agora ele esta com a ma e parará de chamá-la. — Sorri para a cena do menino apertando com força o pescoço de Isabella.

— Seth tem dois anos e desde que nos conhecemos, eu o busco na creche e fico com ele pela tarde para sua mãe... Ai meu Deus! — Ela parou de falar e me olhou assustada. —Eu tinha um encontro com Rose em um parque próximo de onde estávamos, ela deve estar pirando! Pode me emprestar seu celular? — Tirei o IPhone do bolso, desbloqueei com a digital e dei para ela, que digitou os números rapidamente e depois colocou na orelha enquanto esperava chamar.

— Vem cá com o tio Ed, garoto... — Peguei Seth do colo dela e fomos para a cadeira que tinha ao lado da cama para sentarmos.

— Rose, sou eu... Sim, estamos bem. Tivemos um imprevisto, fui atropelada e estamos no hospital. Claro que eu estou calma, já está tudo bem. Sim, Seth está bem também. Onde estamos? — Ela me olhou e eu disse o nome do hospital para ela que arregalou os olhos. Ela disse o nome para a amiga e não demorou muito para ela se despedir e me entregar o aparelho. — Senhor Masen, eu não tenho condições de pagar esse hospital. — Revirei os olhos.

— Já disse que a culpa foi minha e eu arcarei com as despesas... Você tinha concordado, lembra?

— Tinha... Mas eu não sabia que estava no hospital mais famoso e caro de Chicago. — Ela quase gritou, quando pareceu lembrar que estava em um hospital.

— Isabella... Só aceite, tudo bem? Eu não tenho problemas em pagar esse hospital, então fique tranquila. — Ela ia retrucar, quando falei na frente. — Está com fome? — Ela olhou incrédula para mim e eu olhei sorrindo para Isabella até ela assentir lentamente.


Nota: Olá pessoinhas! Tudo bom com vocês?

Primeiro de tudo quero agradecer as cinco pessoas maravilhosas que tiveram dó dessa pobre autora e deixaram seus comentários; Outras pessoas podiam seguir esse exemplo, não é? *Olhinhos brilhantes*

Em segundo lugar peço desculpas por possíveis erros, estou sem beta no momento (a minha anda com a vida muito agitada), então eu dou uma lidinha antes de postar, mas mesmo assim pode ter muitos erros, então peço que relevem. Mas, caso for algo muito gritante, me avisem que arrumo.

Enfim, espero que tenham gostado desse capítulo e até sexta que vem!