One Piece não me pertence... Eu estou cansada dessa maldita frase!

Don't cry, I'm here.


Law esperou pacientemente Nami parar de chorar, o que demorou um bom tempo. A garota se ajoelhara na frente dele, para facilitar o aprofundamento do abraço. Estava arrasada, e o pior não era nem o fato de ser só o começo do ano e que seria zoada até o fim da vida, mas sim de gostar daquele idiota de chapéu de palha! Como ela fora burra! Sempre acontecia, as pessoas sempre a abandonavam no fim! A única pessoa com quem podia realmente contar era Nojiko, mas essa estava longe, em Skypea, estudando. Então, por mais estranho que fosse parecer, ela resolveu aceitar o ombro amigo de Traffy, como Luffy o chamava. Luffy... Ele a traíra com a víbora!

- Nami-ya. – Law chamou – Vai ressecar chorando como um chafariz. – Provocou.

- Cale a boca, Trafalgar. – Ela murmurou erguendo o rosto choroso para ele.

- Mal educada como sempre. – Traffy resmungou com diversão, segurando o rosto da jovem com as duas mãos tatuadas e usando os polegares para secar os resquícios de lágrimas – Nami-ya, não quero vê-la chorando por Mugiwara-ya. – Ela arregalou um pouco os olhos – Afinal, não é essa menininha assustada que eu gosto de irritar até ficar vermelha.

- O quê? – Ele se divertiu vendo os grandes olhos castanhos se estreitarem – Vá se catar, sádico idiota! – Aumentou o volume da voz.

- Agora sim está bom. A Nami-ya de sempre. – Law sorriu para ela – O que foi? – Indagou ao vê-la novamente triste.

- Por quê?

- Por que o quê? – Nami agarrou sua camisa, meio úmida pelo choro, e escondeu o rosto em seu peito – Nami-ya?

- Por que as pessoas sempre vão embora? Por que não conseguem ir de um jeito que não doa? Aliás, por que parece que sempre fazem questão de me machucar?

- Eu não sei te dizer. – Ele respondeu, abraçando-a novamente. Diferente do que todos pensavam, e como ele veio a descobrir, Nami era solitária e triste. E Law não gostava dessa ruiva melancólica, com toda a certeza. Preferia vê-la gritando, esbravejando e até batendo nas pessoas, com aquele jeito esquentado.

- E por que você está aqui? Por que está me ouvindo? E por que quer me consolar?

-... Também não sei te dizer, Nami-ya.

- Você me acha fraca, não é? Pode dizer, sei que todos pensam isso.

- Eu não sou todos. – Ficaram em silêncio por alguns minutos, até que...

- Trafalgar, solte minha namorada. – Luffy disse num tom de ameaça que quase nunca usava. Seu chapéu cobria um pouco os olhos negros e no lugar do grande sorriso de sempre, estava uma expressão de pura raiva.

- Luffy! – Nami exclamou, soltando Traffy e levantando.

- Nami, eu tenho que te explicar sobre o que aconteceu no refeitório! Mas antes, por que está aqui? Ou melhor, por que está aqui com ele? – Monkey questionou, lançando um olhar frio para Law, que levantou e se depositou ao lado da jovem de cabelo laranja.

- Você beija a víbora no meio do refeitório, mas eu não posso conversar com um amigo? – Nami devolveu, irritada.

- Nami, eu posso explicar! E desde quando vocês são amigos?

- DESDE QUANDO VOCÊ ME TRAI COM A VÍBORA? – Ela elevou e muito a voz.

- NAMI, ME ESCUTE! – Luffy gritou, exasperado – EU NÃO TENHO NADA COM A HAMMOCK! Ela apenas chegou perto de mim e me beijou sem aviso e completamente contra minha vontade!

- E eu sou o Buggy! Vá mentir pra sua amada cobra venenosa, macaco maldito!

- Mas, Nami...!

- Chega, Monkey! Vá embora e me deixe em paz! – Ela berrou para o ex-namorado.

- Nami, apenas...! – Monkey ia falar algo para tentar convencê-la, mas alguém o cortou.

- Mugiwara-ya. – Law chamou em tom de alerta – Eu não quero me meter nisso, porém acho que devia ouvir Nami-ya e a deixar ir embora.

- Não se meta, Trafalgar!

- Oh, agora você consegue falar todo o meu nome? – Traffy chegou mais perto de Nami e segurou-lhe a mão – Nami-ya, melhor você se acalmar ou vai acabar matando-o.

- SOLTE-A!

- Você tem razão. – Ela suspirou – Volte para aquela cobra, Monkey. Se minha vontade de te matar passar, eu posso até pensar em conversar com você.

- Nami...

- Ouviu, Mugiwara-ya? Não se preocupe, ela está em boas mãos. Ou pelo menos melhores que as suas. – Puxou Nami para longe de Luffy, parando apenas quando chegou numa praça do lado da escola.

O0o0o0o Após alguns minutos de silêncio o0o0o0O

- Nami-ya, você vai pra casa? – Law indagou.

- Vou. Hoje é um dia muito confuso.

- Acho que devo concordar, Nami-ya. – Nami deu uma pequena risada.

- É engraçado você ficar falando "Nami-ya". Principalmente sem tentar me irritar. – Trafalgar preferiu não comentar – Mas foi mesmo um dia confuso. Primeiro, sou traída pelo idiota inocente, depois, Trafalgar Law, a pessoa que mais tenta me tirar do sério, vem e me consola. Esse mundo é mesmo estranho.

- Mais tenta te tirar do sério? Nami-ya, eu sempre consigo.

- Cale a boca, Trafalgar! – Ele exclamou, não conseguindo esconder o divertimento – E eu achando que tínhamos dado uma trégua. Vou para minha casa.

- Vou com você.

- Por quê? Você tem aula, lembra-se?

- No estado que você está, é capaz de ser atropelada, só porque não observou os carros. Isso sem contar no fato de você ser desastrada. E as próximas aulas são de português e educação física.

-... Acho que você não vai desistir tão fácil, não? – Suspirou – Okay, venha junto, antes que eu mude de ideia e resolva te jogar na frente de um ônibus.

- Não seria capaz.

- Quer apostar, sádico ridículo?

- Duvido muito, esquentada atrevida.

O0o0o0o Alguns metros antes da casa da jovem o0o0o0O

- EU GANHEI! – Nami exclamou.

- Você ainda nem chegou! – Law devolveu, só para ver a moça de longos cabelos ruivos chegar à porta da casa.

- Disse alguma coisa? – Ela perguntou ofegando por causa da corrida.

- Bem, agora você ganhou, Nami-ya. – Concordou – Já que você conseguiu chegar à sua casa inteira, é melhor eu ir. – Law começou a fazer o caminho para seu próprio lar, mas sentiu seu pulso ser segurado por uma mão delicada. Ele se voltou para a jovem, cujos olhos estavam escondidos pela franja.

- Fique. – Ela pediu bem baixo.

- Tem certeza?

- Não quero ficar sozinha de novo. – Trafalgar viu aqueles grandes olhos marrons cheios de súplica e não pôde resistir.

- Não vai, Nami-ya. – Ele a puxou para si novamente, sentindo-se bem com o contato, e ainda melhor quando a moça o abraçou de volta.

- Vamos entrar, antes que Chopper acabe com o portão do jardim.

- Chopper?

- Meu labrador. – Separou-se de Traffy, um pouco a contragosto, e pegou a chave – Chopper, trouxe visita! – Latidos fizeram-se ouvir. – Venha, Law. – Segurou a mão dele e o guiou para dentro, fechando a porta depois. Não sabia porque o havia chamado pelo outro nome, porém Trafalgar não pareceu se incomodar.

O0o0o0o Casa de Luffy o0o0o0O

- MALDITA HANCOCK! – Luffy berrou.

- Ei, Luffy, calma aí. – Ace pediu – Eu acredito em você quando diz que foi um plano da víbora, mas a Nami-chan não sabe disso.

- Eu tentei explicar pra ela! Mas ela não quis me ouvir! Preferiu ficar lá, abraçando o Traffy!

- Epa, epa, essa parte você não me contou! Quer dizer que ela também te traía?

- Como assim também? Eu nunca traí a Nami! Eu a amo mais que amo minha carne e meu chapéu! Foi assim... – Luffy explicou o que acontecera antes.

- Então, Trafalgar estava lá confortando a sua namorada? Sempre desconfiei!

- Hã?

- Nunca ouviu o ditado "Quem briga acaba casando"?

-... Então eu devia brigar com ela?

- NÃO! – Portugas exclamou exasperado – Eu quero te mostrar que talvez, muito talvez, eles gostem de implicar um com o outro.

-...

- Luffy?

- Tô com fome. – Pegou a carteira – Será que Makino faz alguma coisa pra mim? Tô meio sem dinheiro...

- Vamos, qualquer coisa eu pago pra você. – Ace revirou os olhos e suspirou, entretanto, não poderia fazer nada, Luffy só funcionava com o estômago cheio.

O0o0o0o Casa de Boa o0o0o0O

- QUE ÓDIO! – Hancock berrou e jogou um vaso na parede do quarto – AQUELA GATA LADRA! PRIMEIRO ME ROUBOU O LUFFY, AGORA QUER ROUBAR O LAW?

- Vai ficar careca com tanto estresse. – Kuro, seu irmão, comenta de trás da porta ajeitando os óculos.

- VAI PERSEGUIR AQUELA SUA LOIRA OXIGENADA, VAI!

- Não fale assim de Kaya, Hancock. Pelo menos eu não preciso agarrá-la para ela me dar alguma atenção.

- Atenção? Ela para de conversar com você só pra ir falar com o narigudo!

- Mas ela conversa comigo e confia em mim. E você? Por que Monkey te corresponderia? Você apenas manipula as pessoas, as envolve como uma víbora, as aperta até os ossos estalarem e pinga veneno em suas bocas.

- As pessoas me perdoam sempre, elas me amam, pois eu sou linda. – Boa disse com veemência.

- Você é linda, mas apenas por fora, pois se olharem por dentro, não acharão nenhum motivo para te perdoar. Vou para meu quarto. – Sai de perto da porta do quarto onde a irmã se encontrava pasma e pensativa.

- Não... – Ela murmurou – Não... Eles me adoram! Todos me adoram! Todos tem que me adorar! Eu sou linda, a Imperatriz da escola! – Voltou a gritar – ELES AMAM A MIM, NÃO A UMA LADRAZINHA QUALQUER! QUEM É ELA PERTO DE BOA HANCOCK? NADA! APENAS NADA! – Depois voltou a murmurar – É melhor ser amada pela minha beleza, assim ninguém vai me machucar, ninguém...