Gentee, o que vocês acharam do capítulo anterior? Gostaria MUITO de saber, então, deixem reviews!
Capítulo 2
Eu imediatamente tiro meu olhar de Effie Trinket e olho para Katniss; eu sei o que ela vai fazer. Ela parece incapaz de respirar, sem processar essa informação. Ela cambaleia, mas um garoto do nosso ano, acho que da Costura, agarra seu braço, a mantendo em pé. Prim está a caminho do Edificio de Justiça com passos pequenos e tímidos. Ela parece surreal, sem entender o que está acontecendo.
De repente, Katniss volta a seus sentidos e grita:
- Prim! – ela avança através das pessoas, mas elas se afastam dela enquanto ela avança para o palco. – Prim! – ela empurra Prim para suas costas enquanto a voz dela quebra e grita – Eu me ofereço! Eu me ofereço como tributo! – meu estomago despenca enquanto eu ouço essas palavras saírem de sua boca. O Distrito 12 nunca teve um voluntário, pelo menos até onde eu sei.
Até Effie parece chocada. Assim que ela se recupera, ela fala alegremente no telefone:
- Mgnífico! Mas eu acredito que há um probleminha em apresentar a sorteada na Colheita e depois perguntar por voluntários, e se alguém se apresenta, então nós, um... – ela se atrapalha, sem saber o procedimento.
- Qual é o problema? – o prefeito está olhando para Katniss com um vago olhar de reconhecimento em seu rosto. Talvez ele a conheça como a garota que sua filha tinha uma pequena amizade, ou a garota que o pai morreu na explosão da mina uns anos atrás. – Qual é o problema? Deixem que ela se aproxime.
Prim começa a chorar tentando alcançar as costas de Katniss:
– Não Katniss! Não! Você não pode ir!
Katniss não olha para sua irmã mais nova quando ela diz grosseiramente: - Prim, me solta. – eu posso dizer que ela esta apenas mostrando um rosto corajoso, enquanto está a beira das lágrimas. Ela diz novamente, com mais força – Me solta!
Gale está de repente atrás dela, puxando Prim enquanto ela grita em seus braços, lutando para chegar novamente à sua irmã. Ele sussurra alguma coisa para Katniss e ela se vira para o palco e sobe, ficando em pé perto de Effie.
- Bom, bravo! – exclama a Effie sempre feliz. – Esse é o espírito dos Jogos! Qual o seu nome?
Katniss engole, olhando para seus pés. Ela olha pra cima:
- Katniss Everdeen.
Effie responde imediatamente, cega para a dor nos olhos de Katniss:
- Eu aposto como aquela era sua irmã. Não queremos que ela roube a glória, queremos? Vamos, pessoal! Vamos dar uma salva de palmas para o nosso mais novo tributo!
Novamente, silencio. Eu me junto à todos quando erguemos nossos dedos médios aos lábios e os erguemos para ela. Isso não ocorre com frequência em nosso distrito, é antigo, mas o significado continua o mesmo. Significa respeito e admiração e adeus para alguém que você ama. Normalmente é utilizado em funerais.
Haymitch escolhe esse momento para se intrometer:
- Olha pra ela! Olha pra essa aqui! – Ele coloca seus braços ao redor dos ombros dela, e surpreendentemente ela não o afasta como Effie fez. – Eu gosto dela! Muita... – ele parece estar procurando palavras por um momento - Coragem! Mais do que vocês! – Ele anda até o início do palco – Mais do que vocês! – ele aponta diretamente para a câmera, diretamente para a Capital. Ele é doido? Nesse momento, Haymitch cai no palco e fica inconsciente. Durante tudo isso eu mantive meus olhos em Katniss, eu vejo um pequeno suspiro e ela enxuga os olhos. Haymitch foi a distração perfeita. Alguém vem e eles tiram Haymitch enquanto Effie tenta nos colocar novamente nos trilhos.
- Que dia fantástico! Mas muitas coisas interessantes ainda vão acontecer! É hora de escolher nosso tributo masculino! – Ah, certo. Quase esqueci, eu estava tão preocupado com a Katniss. Ela não cava ao redor da tigela, quando sua mão pega o papel no topo, centro da bola. Eu seguro a respiração. Ela volta para o pódio e ajeita o papel. Ela fala claramente quando diz:
- Peeta Mellark!
O tempo para e eu olho para a bola. Meu nome estava lá oito vezes, oito de milhares. Mesmo assim, Prim, eu tenho certeza que estava lá menos do que eu, Katniss nunca a deixaria coloca-lo mais vezes. Eu tento esconder o choque que eu sinto aparecer no meu rosto enquanto todos os garotos respiram. Eu percebo que eu ainda não respirei. Tomo fôlego enquanto ando para o palco, lentamente, minha visão está confusa e tudo o que eu vejo é um ponto rosa que deve ser Effie olhando para mim. Um olhar de reconhecimento assustado passa pelo rosto da Katniss. Ela lembra. Eu pensava que ela esquecera.
Um tempo atrás eu estava assando pão com minha mãe supervisionando quando eu olhei para fora e vi a garota por quem eu tinha uma queda desde o jardim da infância. Ela parecia cansada e fraca, como se ela tivesse desistido. Minha mãe tinha acabado de sair para gritar com ela:
- Sai dai! Sua porca! Você quer que eu chame os Pacificadores pra você? Eu estou tão cansada de vocês, ratos da Costura, cavando na minha lata de lixo. – eu queria que minha mãe parasse, ela só estava com fome. Ela estava assim nos últimos meses. Eu olhei para o carvão que assavam nossos pães e então olhei para minha mãe. Ela estava encarando a mesa. Katniss ainda estava lá fora. Eu "acidentalmente" deixei dois pães caírem no fogo, minha mãe virou com o som e gritou comigo. Ela pegou o objeto mais próximo a ela, um amassador de pão e me bateu no rosto. A dor era excriciante e fez minha visão momentaneamente ficar negra com pontos brancos dançando. Minha mãe me jogou para fora da porta e gritou comigo:
- Dê para os porcos, criatura idiota! Por que não? Ninguém vai comprar pão queimado! – eu andei pelas poças d'agua, agora ela estava a alguns metros de distância. Eu arranquei as partes queimadas do pão e joguei no chiqueiro dos porcos, virei e vi que minha mãe não estava olhando para mim, mas ocupada limpando a minha bagunça, eu joguei a maior parte dos dois pedaços para Katniss e me virei na chuva, de volta pra dentro de casa.
Eu me encontro fora da memória com um susto; estou de volta ao palco, olhando para a multidão silenciosa, todos parecendo aliviados de não estarem aqui em cima. Eu ainda estou processando o que está acontecendo. Effie pergunta por voluntários, mas ninguém fica olhando. Eu não culpo Adrian. O que Katniss fez não é comum ou esperado. O prefeito começa a falar, repetindo seu discurso de sempre, mas eu não escuto nada, enquanto olho para meus sapatos quase pretos, ainda em choque. Assim que ele termina, ele nos pede para apertarmos as mãos uns dos outros e nós o fazemos. Eu balanço sua mão, esperando que eu pudesse confortá-la, mesmo que um pouco. Mas eu posso sentir que parece mais um espasmo nervoso. Nós nos viramos para a multidão e o hino toca. Está quase caindo a ficha de que esta é a última vez que eu provavelmente verei todos aqui.
