Disclaimer: Este é um fan work, feito totalmente sem fins lucrativos. Os direitos de Saint Seiya, Saint Seiya Episódio G e de todos os seus personagens pertencem à Toei Animation e Masami Kurumada. A exploração comercial do presente texto por qualquer pessoa não autorizada pelos detentores dos direitos é considerada violação legal.
Yaoi (contém relacionamento amoroso entre homens).
Avaliação etária: M/NC-17 (situações adultas, sexo, consumo de álcool e substâncias legalmente questionáveis, violência estilizada)
Par citado: Aldebaran & Mu...e algumas outras coisinhas mais, dos mais variados tipos (et pour quoi pas?)
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Por: Deneb Rhode
1.
Numa prosaica taverna, em Rodorio
—Eu insisto, Ulisses: esse papo que todo mundo fala é só um grande engano! Todo mundo está errado, pode ter certeza!
Ulisses apenas ouviu, sem dar resposta. Rezava o bom-senso: em terra de crocodilo, sapo de fora não chia. Quanto mais um pobre barman raquítico; quem era ele para contestar um jovem, alto, vitaminado e parrudo Cavaleiro de Bronze dos exércitos de Athena, tão convicto e firme após a quinta cerveja? Ainda assim, inconscientemente sacudia a cabeça, imaginando onde o rapaz havia apurado um senso de observação tão esdrúxulo.
—Você não tem nada nos miolos—foi cortando sem tato um outro oficial, de cabeça grande, meio disfarçada pelos ombros largos e físico troncudo—Ou anda mais cegueta que o chinezinho, só pode! Até parece que você não viu os dois trocando amasso, selinho e outras coisas antes de irem para a inspeção dos alojamentos. Você é bem tonto, fala sério!
—E daí? Homens trocam selinho hoje em dia, isso não quer dizer nada!—tomou a palavra a amazona loira, sentada na ponta do balcão—Nossa, vocês rapazes andam cada dia mais retrógrados, que coisa! Mundo moderno, meninos, bem-vindos aos dias de hoje!
—Moderno, sei!—e o cabeçudo entornou o resto da cerveja, num gole—Pra mim essa coisa é outra, nem vou falar. Mas é normal, né, June, que você já viu muito disso mesmo. O Shun de Andrômeda, que você acha tão demais, esse é o maior "moderno" também: ele e o cisnezinho dançarino, tudo "moderno"...
A amazona se pôs de pé, decididamente enfurecida, sacando o chicote que levava à cintura.
—Que é que o Shun tem a ver com isso, seu animal??? Vai, na minha cara, repete o que você disse se você for homem!
—Eu repito—devolveu, já armando um punho para briga—Queria ver era o Shun "moderno" repetir...
—Aê, os dois, menos!—e um outro cavaleiro, magrelo, de cabelos punk entrou no bar, interrompendo a escaramuça com autoridade de superior. Acompanhado de um outro, sardento e com ar de coitadinho, de olhos que não desgrudavam dos próprios sapatos, apenas sacudiu o moicano branco como quem se acha lindo e passou no meio de punho e chicote, se debruçando sem cerimônia entre os copos de bebida—Ulisses, me vê um café e uma bomba de chocolate, mas que não esteja murcha. A que eu comi ontem desceu mal, você anda reciclando os doces do balcão, não é?...
Ulisses fez uma cara aborrecida, mas continuou em silêncio, procurando uma bomba de chocolate na vitrine. O cavaleiro e a amazona se irritaram:
—Ô lacraia, que é que você tem a ver com isso??
O magricela nem deu confiança. Largou o amigo sardento no meio do rolo enquanto ia procurar uma boa mesa com vista para o mar.
—Tenho nada, tenho nada...mas é perda de tempo brigar por essas coisas. O Andrômeda nem era o assunto da conversa, deixa a moça curtir o que ela quiser, tá no direito. A June está certa, se a gente parar e pensar: está ligada num carinha, não importa se...bom, esquece. Até onde eu lembre, Ban, você estava reclamando de outra coisa, não era?
O oficial cabeçudo se ajeitou na cadeira, servindo-se da bebida do colega grandalhão ao lado.
—Eu não estava reclamando, só constatando...cada um é cada um, cada um faz o que quiser da vida...Não é crítica, eu até que não acho os dois lá do Alto Comando ruins não, pelo contrário. Cuidam bem da parte deles, não vivem de crucificar a tropa, são competentes, legais com todo mundo, de verdade...
—Viu? Eu não disse?—e o cavaleiro mais alto abriu um sorriso vitorioso, como se tivesse sua tese fundamentada.
—...o que não muda os fatos: os comandantes Aldebaran e Mu são um par de viados. E casalzinho.
—Ah, dá um tempo, Ban!—e o grandão tomou-lhe a cerveja de volta, irritado—Pode falar o que for do Comandante Mu, que é esquisito mesmo, mas do Aldebaran?? Não tem isso, nada a ver!
No balcão, Ulisses tirava um espresso, após servir um milk-shake de baunilha para o rapaz sardento, que parecia muito rubro e mais do que nunca fincava os olhos no chão.
—Estou falando que é cego ou tonto...Geki, você não notou que SEMPRE, desde que a gente entrou neste Santuário, se ouvia dizer que o Aldebaran era "casado" com um outro sujeito do Alto Comando, homem, macho, masculino e, aliás, que era justamente por isso que toda vez ele desaparecia do mapa no fim de semana?
—Bom, isso a gente ouvia...mas também existia o rumor de que o Mestre do Santuário era o Elvis Presley, então não dá para botar fé nessas coisas.
—Já reparou que ele nunca contestou isso? Que se a gente perguntava "E aí, Comandante, como vai seu marido?", ao invés de mandar a gente para Uranos sem escalas, ele sempre respondia "Bem, obrigado".
—É que ele tem senso de humor. Também, precisa, com tanta besteira que a tropa fala.
—Já reparou que desde que o Mu voltou, os dois não se largam?
—São amigos, que tem de mais?!—atalhou June, a voz mostrando suma irritação—Vocês, homens, pra ver maldade, dá licença!...
Geki acenou um sinal de "positivo" para a moça, que nem lhe dirigiu olhar. O sardento tomou um gole grande do milk-shake. Ban suspirou:
—Eu digo não se largam mesmo, de verdade! O tempo todo! O Aldebaran até mudou o gabinete dele para a Casa de Áries...
—Só nos dias pares, nos ímpares ele atende na Casa de Touro, como sempre.
—...é que nos ímpares é o Mu que muda o gabinete para a Casa de Touro, criatura lerda! Não deu para notar nada não???
—Uma pura coisa administrativa, e o que você quer que eu note???
Ban enfiou a cara no balcão, o sardento engasgou com a bebida.Ulisses, que tentava parecer neutro acabou entornando a xícara de café quente que levava para o cavaleiro magricela no próprio sapato. Geki permanecia impassível, refratário, inabalável.
—Ai...Athena me dê paciência!—choramingou Ban, segurando a cabeçona—Não é só isso de gabinete, os dois sempre vão para casa juntos...
—São vizinhos.
—A MESMA casa! Dormem juntos!
—Isso você nunca viu, não pode falar.
—Os dois se beijam na boca na frente de todo mundo, seu mané!!!
—Ei, vai começar isso de novo?? Não vou ficar ouvindo papo de cabeção débil mental, tô fora!!!—e June se levantou, saindo do bar, pisando duro. Ulisses, ainda com o pé escaldado, mancou até o balcão, na esperança de achar algum pagamento pelas cervejas. Vã tentativa. Ban acompanhou a moça com os olhos, profundamente chateado.
—Era só o que me faltava, está todo mundo louco agora, já não me bastasse o Geki!—virou para a porta, e ainda gritou—É, minha filha, eles se beijam sim!!! Na BOCA!!! E isso é moderno, você diz!!! MO-DER-NO!!! Tão moderno quanto homem ficar dando amasso em homem, andar de mãozinha dada pelo Santuário, ficarem de cochicho por aí nos cantos, de rosto colado! Como eu já vi o casalzinho "moderno" do Alto Comando, o touro e carneirinho fazendo, mais de uma dúzia de vezes. E como eu vi o Shun "Moderno" e o Pato Bailarino "Moderno" fazendo dessas "modernidades" também! "Modernos"! Ah, tenha paciência, na minha terra isso tinha outro nome!!!
De sua mesa o magrelo se espreguiçava. Geki sacudia a cabeça.
—Assim não dá, Ban, essa sua teimosia nessas coisas absurdas só irrita o pessoal. Tudo bem que do Andrômeda Cor-de-Rosa e do Cisne Dançante eu até lhe dou razão...Mas tem que parar com isso de ver coisa onde não tem. O Comandante Aldebaran não é desses, esse não...
A frase não se concluiu, nem o gesto obsceno que Ban ensaiava para o colega. Um Jabu de Unicórnio com ar grave e olhar nervoso escancarou a porta.
—Todos vocês, temos assuntos urgentes para tratar! Ulisses, preciso agora da mesa mais reservada que você tiver!!
Um silêncio, seguido do burburinho dos presentes se fez ouvir. Todos se entreolharam.
—Você ficou maluco?—e o sardentinho do milk-shake, Nachi de Lobo, finalmente se arriscava a dizer algo, evidentemente nervoso—Isso...é a mesa da corregedoria, não é?!...
Mais silêncio. O olhar decidido de Jabu não deixava dúvidas.
—A mais reservada! Agora!
Ulisses deu de ombros, com ar resignado. Pegou um molho de chaves enorme e foi capengando até uma porta discreta, no fundo do salão. Os cavaleiros obedientemente seguiram Jabu, enquanto Nachi, aflito, parecia rezar.
Ms. Rhode's Rambled Reports: Desta vez, não muito a dizer, afinal reza a sabedoria que uma conversa de botequim vale mais que todas as dissertações do corpo docente da Sorbonne. Para aqueles que já tiveram contato com outras fics minhas—sim, vocês cinco aí no fundo da sala—trouxe de volta o meu querido Ulisses, personagem de criação by Deneb Rhode, que apareceu pela primeira vez na fanfiction "Poesia & Prosa", uma das minhas obras mais "cult" (esse é um jeito bonito de falar "fic que quase ninguém leu").
Tá liberado se alguém quiser usá-lo em outras fics: eu só pediria por favor que se alguém quiser fazer isso, apenas me dê um toque antes para eu saber onde esse meu "filho" anda (Ulisses não tem celular, não tenho como ligar para ele pra ele me dizer onde está).
Isto continua? É claro que continua! Sigam-me os bons!!
