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Capítulo 2
Algumas horas após aquele vôo no mínimo hilário, marcado por "pitacos" de Sel e risos alheios, os passageiros do vôo Grécia-Suécia chegaram ao determinado destino.
Após pegarem as malas, eles iam saindo, até perceberem que Selene não estava lá:
-Alguém viu a Selene? - perguntou Aphrodite, em desespero.
-Não - Responderam Shun e Cibele em uníssono.
-Ela não foi ao banheiro? - Palpitou Tharys, seguida por um sonolento Saga.
-Não sei...! - Aphrodite ficava cada instante mais histérico.
-Calma, estou aqui. - respondeu, vindo atrás.
-Você também aprendeu tele transporte, é? - alfinetou a irmã.
-Creio que sim, depois da companhia dela no avião... – provocou Tharys, encarando maliciosamente a garota.
-Sel, não some assim...! - Peixes segurou-a pelos ombros, olhando-a da cabeça aos pés, verificando se tudo estava bem como Selene dizia.
-Se ninguém notou, eu fui pegar a minha mala. – resmungou de cara fechada – E não vou sumir mais, prometo, tio!
Aphrodite suspirou relaxado, indo para o lado de Máscara da Morte . Cibele segurou a mão da prima, tentando animá-la:
-Será que a vovó fez aquele prato que você tanto gosta?
-Provavelmente, e também convidou o tal Ludwigh pra acompanhar o prato principal - caçoou Tharys, prevendo a reação de Selene.
-Hahaha, muito engraçado, Tharys! - Selene fechou a cara - Mas, se você quer saber, eu não vou perder o Lud de vista assim tão facilmente.
-Coitado do Retsu... - murmurou Shun.
-Agora é "Lud"! Daqui a pouco é "amorzinho"... - desta vez a moça falou baixo, para que a amazona não ouvisse.
-Vamos, antes que o Aphrodite tenha outro ataque. - Disse Saga pela primeira vez desde que pusera os pés na Suécia.
-Sim, claro. - Concordou Cibele, segurando no braço de Shun. Os cinco foram até onde Peixes gesticulava freneticamente e mostrava que conseguira táxis.
De repente, alguém aparece, correndo e gritando:
-EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII! Esperem! Esperem! Viemos buscá-los, seus ingratos!
Dite vira o rosto, assustado:
-M-métis!
Todos imitam Dite e tomam o mesmo susto. Métis alcançou o grupo, com as mãos na cintura.
-Di, eu avisei que iria buscá-los..!
-Tá bem. Esqueci. - suspirou o pisciano, preparando-se para dispensar o taxista.
-Seu cabeça de vento! - ela bagunçou sua franja, divertida - Onde estão minhas meninas?
-Mãe! - excalmam, enfim, depois de se recuperarem do susto.
Tharys também abraçou a tia. Dite, Luigi e Saga observaram o momento família, até que Dite se juntou a elas.
-Essa é..? - murmurou Saga a MM.
-Acho que é Métis, mãe da Cibele e da Selene. Tia da Tharys, se é isso que quer saber.
Saga acenou com a cabeça, em silêncio.
-Onde está? - questionou, afastando-se - Onde está ele?
Shun achou que ia ter um treco quando Cibele virou o rosto para indicá-lo:
-Você... - disse, num tom deveras ameaçador, aproximando-se.
Shun olhou a 'sogra' com um ar ligeiramente assustado.
-E... Eu?
-Se eu fosse você, não aparecia em casa hoje! - ela soltou uma sonora risada - Meu pai pegou aquele Winchester (arma de cano longo) que era do pai dele e... Acidentes acontecem.
-E aquilo funciona ainda? - Dite estava histérico, de novo.
-Funciona...
Andrômeda engoliu em seco, tentando não parecer nervoso. Cibele segurou em seu braço, tranquilizando-o:
-Calma, Shun, ela só está brincando... Acho.
-Eu não estou brincando. Eu vi...
-Ai, meu Deus! Vai acontecer uma desgraça!
-Ah, vai, sim, tio. - Selene olhava para algo logo atrás deles - A tia Erinia está vindo pra cá.
Desta vez quem empalideceu fora Tharys. A mesma segurou a mão de Saga com forç "senhora" com rosto parecido com o de Tharys aproximou-se com um ar mais grave.
-A Erinia?! - Aphrodite segurou os ombros da irmã.
-É. Ela fez questão de vir.
-Por que você não a impediu? - as únicas pessoas que entenderam isso eram membros da família Reinfeldt.
-Por quê? Você acha que eu ia implicar com a Erinia? Eu não quero levar um tiro. E esse ano, isso é uma coisa muito provável!
-Ai, ai...! - lamentou Aphrodite, pouco antes da irmã alcançá-los.
-O que houve..? - Perguntou Saga, estranhando.
-Mi... Minha mãe... - Gaguejou Tharys.
Saga também empalideceu. Erinia, irmã gêmea de Métis – apesar das duas não se parecerem muito - aproximou-se, com um semblante sério:
-Métis, por que você estacionou para lá? Até parece que queria me despistar.
-Impressão sua, querida gêmea. - não era impressão.
Erínia desviou a atenção para sua primogênita. Abriu os braços, puxando Tharys para si num abraço saudoso.
-Nem veio me dar um abraço, não é? Filha ingrata. - Brincou ela, logo seus olhos pousando em Saga, que as observava.
-Oi, mãe..! - A jovem abraçou-a também, dando-lhe um beijo na bochecha. - Mãe, este é... - Tharys segurou-a pelo braço, indo na direção de Saga.
Erínia apertou a mão de Saga:
-Prazer, sou Erinia, irmã do Aphrodite.
-Por que ela disse isso, Tis? - o loiro sussurrou para a outra irmã.
-Ela pensa que o Saga é o SEU namorado... - murmurou a outra, cruzando os braços.
-O quê? - berraram Cibele e Selene, não conseguindo fechar as bocas.
-O que houve? - Erínia voltou-se para as sobrinhas.
-Bom, er... - Gaguejou Cibele, tentando arrumar.
-Erínia, maninha... Não é bem assim. - Aphrodite interveio.
-Como assim?
-Olha - o loiro passou o braço por seus ombros, levando-a até Luigi - Este é Luigi, ele é...
-Namorado da Tharys, não?
Tharys engasgou. Cibele correu ajudá-la, dando tapas em suas costas.
Erínia olhou-a, estranhando:
-Que diabos ocorre aqui? - resmungou, em sueco, olhando para outro lado. Foi quando viu Shun - É ele? Ele é o namorado da Tharys?
-Não! - exclamou Cibele, com uma ponta de raiva. - "Sua anta!" - pensou, revoltada.
-Não? Então ele é... AQUELE?
-Não!!! - exclamaram Métis e Aphrodite.
-Ele é o namorado da... Selene!
-Como?! - quem engasgou dessa vez foi a amazona.
O carro de Erinia parou diante dos portões da imensa casa de cor amarelo-claro. Não havia ninguém no maravilhoso jardim, repleto de rosas. Luigi voltou-se para Di, com um sorrisinho debochado:
-Mesmo que eu estivesse aqui, perdido, sem ninguém para me informar onde ficava a casa dos Reinfeldt, por esse jardim, eu já saberia que é aqui...
- Ah, mas esse jardim é lindo! - Aphrodite já estava bem perto da janela, admirando as flores. - Claro que não se comparam às minhas na casa de Peixes...
O carro estacionou após passar por um grandioso e detalhado portão de ferro.
Logo que o carro parou, a porta da casa se abriu e a conhecida figura de Diana acenou, sorridente. A seu lado estava um carrancudo senhor de cabelos cinza-claro.
Aphrodite esticou o pescoço, de onde estava, procurando pela arma.
Diana foi até o carro deles, com um sorriso amplo em seu rosto de senhora. Abraçou e beijou Aphrodite e Tharys, cumprimentando em seguida Luigi e Saga.
O homem manteve-se no mesmo lugar, analisando os dois convidados. Peixes ainda achava que ele estava escondendo a Winchester.
Luigi perguntou, em grego, quem era:
-Meu pai, Santiago.
-Santiago? Não é muito latino, não?
-Ele tem esse nome por causa de um ator de novela mexicana.
-Eu, hein?! Posso esperar tudo dessa sua família...
-Espere, agora, por um tiro. Isso é o mais provável no momento...
Luigi escondeu sua apreensão com um pequeno sorriso simpático, algo que não lhe era comum.
-Vamos entrando, se não a comida vai esfriar! - Exclamou , batendo palmas para apressá-los. - E onde está a Métis?
-Bem, por que não vamos logo?! - apressou Tharys, para que o tio pudesse explicar a situação à avó.
-Claro. Vamos. - disse Erínia, secamente.
Assim que eles se afastaram o bastante, Tharys fazendo as apresentações, Di começou:
-Ela está escondendo o namorado da Cibele. Senão, acho que o matam!
-Foi bom que vocês pensaram nisso... Eu acho que vi a Winchester por algum canto da casa...
-Zeus!
-Mas à que horas eles chegam aqui?
-Nem faço idéia, mamãe... Tanta coisa na minha cabeça....! - Lamentou Aphrodite, abraçando .
-Depois você conta para a mamãe, tá bom, meu filhinho? - A senhora beijou Peixes na testa - agora vamos para dentro, que está bem frio aqui fora!
A casa estava praticamente deserta:
-Onde está o resto, mãe?
-O resto vem vindo pra cá. Sabe como são seus irmãos... - ela suspirou.
-Uhum...
Alguns minutos após, todos estavam alojados em seus quartos. Na verdade, quase.
-Você fica comigo no quarto, né? - Pediu Tharys a Saga, enquanto estavam sozinhos num momento raro.
-Bem que eu queria, mas depois daquela confusão que a sua mãe fez...
-É... E o meu pai também vai passar por aqui, mais tarde... Eu acho. - Comentou a garota, aninhando-se entre os braços de Saga. Este a recebeu com carinho, acariciando-lhe a nuca.
-Ai, ai, ai! - começou alguém, fazendo os dois pularem para trás. - Se a Erínia pega, vai ser uma desgraça!
-Vó! - exclamou Tharys, recompondo-se.
-Primeiro temos que prepara-la psicologicamente primeiro, depois vocês contam a verdade. Além deles, temos que preparar o meu terror, o seu pai, o Apolo...
-Vó, me ajuda a contar à mamãe?De um jeito menos... Chocante? - Disse Tharys, pondo as mãos nos ombros de D. Diana.
-Minha filha, isso é com vocês dois... Você e... Saga, não é mesmo? Sim... Depois eu posso até conversar com ela. Agora, você sabe como é a sua mãe.
Tharys ficou calada. D. Diana desvencilhou-se da neta, e foi até Saga, segurando-lhe o rosto com as duas mãos.
-Olha a família em que você foi se meter! - comentou, bem-humorada.
-Já estou vendo.
-Ah, e cuidado com a Winchester! Eu ainda não a encontrei, mas eu tenho certeza que ela está por aí...
-Pensei que tivessem dado um fim nela...
-Eu pensei que seu avô tivesse dado um jeito nela. Mas, parece que a Winchester continuará assombrando a família por gerações... - a senhora riu.
Tharys fingiu uma expressão humorada, indo para o lado de Saga.
-Bom, vó, me avisa quando o papai chegar?
-Sim, eu aviso.
-Obrigada.
A senhora ia se afastando, quando Erínia entrou na sala.
-Vocês parecem muito amigos. - comentou, desconfiada.
Até Diana congelou ao ouvir aquilo. Estava chegando a hora!
-Somos, sim, senhora. - respondeu Saga, em inglês.
-Na verdade... Mãe. -Começou Tharys, segurando as mãos de Saga por trás do próprio corpo. - Acho que... A palavra "amigo" não se encaixa exatamente...
A jovem esperou qualquer reação da mãe.
-O que você está querendo dizer, Tharys? - aquele tom de voz era simplesmente intimidador.
Diana voltou, assustada. Queria estar lá para impedir que a filha cometesse uma loucura!
A garota recuou um pouco, ainda segurando as mãos do geminiano.
-É... É exatamente... O que a senhora está pensando. - E ergueu os olhos, tomando coragem para encará-la.
-Vocês estão... Juntos? Namorando e... Tudo o mais?
Tharys acenou a cabeça afirmativamente, em silêncio.
-Mas... Mas, ele é muito mais velho que você! Pelas minhas contas, uns 14 ou 15 anos! - rugiu, escandalizada.
-Erínia, por favor, acalme-se. - ponderou Diana, aproximando-se.
Nesse momento, os outros já haviam ouvido. E foi exatamente quando Métis chegou.
