Disclaimer: InuYasha não me pertence – é uma pena, pois ele é tãão lindo. XD

Qualquer semelhança é mera coincidência.


Love Wricked.

2. Detalhes.

Sábado, 21 de novembro de 2009.

- Você o quê? – perguntou, quer dizer, berrou a voz de minha melhor amiga.

- Isso, Sango, grita mais. Acho que ninguém aqui te ouviu ainda. – respondi com escárnio.

Sutileza era uma arte que Sango não tinha.

Ela pareceu perceber que praticamente todos na lanchonete nos olhavam estranhamente - e, sinceramente, não era pra menos -, abaixou a cabeça enquanto murmurava algumas desculpas.

Eu havia desistido de ficar em casa, tentando me arrepender, e decidi que deveria contar a Sango sobre o acordo idiota que fiz com o idiota do InuYasha.

No fim a idiota sou eu. Pelo menos, na opinião da Sango.

E, honestamente, eu achei que ela concordaria com meu ponto de vista, e me apoiaria falando que depois de tudo, eu teria qualquer coisa que quisesse do InuYasha por pouco mais de um mês. Isso era algo totalmente raro – para não dizer fantástico.

Eu quis dizer que poder torturá-lo depois seria fantástico, e não que seja fantástico por ser ele. Enfim, vocês entenderam.

Mas essa parte ela ainda não sabia.

- Você ficou louca? – continuou ela, agora falando um pouco mais baixo – sem, é claro, retirar aquele terrível tom, que parece mais que eu tinha feito alguma extorsão, assassinato ou algo assim.

Mas, pelo que deu pra perceber, foi totalmente o contrário do esperado. Talvez, no fim ela tivesse razão.

- Não o suficiente. – falei, como quem dá de ombros. – Mas, se eu fosse você, manteria distancia, quem sabe eu acabe ficando. – acrescentei, debochada.

Ela me fuzilou com o olhar; detestava quando eu era sarcástica em situações sérias – se bem que aquilo ali não era sério. Segurei uma risada, isso não melhoraria a situação.

- Tudo bem. – suspirei, concentrando-me em manter toda a calma e a seriedade que a situação – e a Sango – exigia. – Eu não sei... Só me pareceu um bom acordo.

- Um bom acordo? – perguntou incrédula. – Kagome, você odeia ele desde que eu me entendo por gente.

É, tudo bem, eu sempre disse que o odiava – e realmente odiava -, e agora lá estava eu, sendo sua namorada.

Fingindo ser, eu quis dizer.

Isso não fazia sentido. Realmente não.

- Você se concentra demais nos detalhes, Sango. – respondi, enquanto girava os olhos. – Eu não estou nem aí pra essa semana, estou ligando para o restante.

O mês de dezembro inteiro, melhor dizendo.

- O que tem o restante? – eu, obviamente, tinha deixado a melhor parte pro final. Ela me olhou curiosa e, ao mesmo tempo, cautelosa.

Melhor assim.

- O "pagamento". – respondi. – InuYasha vai fazer o que eu quiser pelo resto do ano. – sorri. – O que me dá pouco mais de um mês.

Ela me encarou estática, como se eu estivesse sofrendo algum tipo de demência – não que eu duvidasse que estivesse. E, no estante seguinte, começou a rir.

- Ta brincando, não é? – perguntou, ainda rindo descontroladamente.

Continuei com meu sorriso malicioso e conspirador no rosto. Ela não fazia idéia do que eu tinha em mente.

- Você não ta brincando? – seu rosto, de zombeteiro, passou a ser espantado. - Oh meu Deus!

Pois é. Oh meu Deus!

- Um mês inteirinho? Por causa de uma semana? – questionou, seu tom era descrente. – Eu não acredito!

Ah, acredite!

- Pra ser sincera, eu também demorei pra assimilar. Nunca imaginei que ele poderia propor algo assim. – respondi.

Vi seu sorriso de excitação se estender, e aos poucos, murchar novamente. Olhei-a de forma interrogativa.

- Vai ser ótimo tê-lo de escravo depois, mas... – fitei seus orbes chocolates, vendo a preocupação estampada em cada um.

- Mas...?

A droga disso tudo, é que sempre tinha um "mas". E era isso que me deixava mais irritada.

- E se você estiver brincando com fogo?

- Hã? – minha boca se abriu levemente em desentendimento, eu podia sentir que a fichinha tinha travado em minha cabeça.

Eu realmente não havia entendido aonde ela queria chegar exatamente.

- É, Kagome, e se você acabar, sabe, se envolvendo? – falou lentamente, tentando dar clareza a frase, como se estivesse falando com uma pessoa mentalmente incapaz.

E eu nunca disse que duvidava que eu fosse uma pessoa mentalmente incapaz.

- Hã? – repeti. Meu cérebro havia parado na parte do "se envolvendo".

Qual é a demência dela?

Eu me envolver com InuYasha? Só se isso passar de ódio para repugnância. Se bem que acho que isso não está tão distante assim.

Ah, pois é, mas é claro. E o inferno é um ringue de patinação no gelo, assim como o coelho da páscoa não só existe, como também come criancinhas boazinhas.

Sabe como é.

- Qual é a sua demência? – exteriorizei os pensamentos um pouco mais alto do que deveria. – Você mesma não acabou de dizer que eu o odeio?

Muitas pessoas na lanchonete começaram a nos olhar enviesadas.

Qual o problema dessas pessoas? Oras, eu hein! Ficam se metendo nos problemas alheios. Que parem de olhar feio pra mim!

Eu sou normal! Tecnicamente...

- Há, mas você deveria saber que a linha que separa o amor do ódio é extremamente tênue. – Sango e suas filosofias.

Olhei para ela como se ela fosse idiota, mas ela estava idiota demais no momento pra entender. Então apenas suspirei resignada.

- E você esqueceu um pequeno detalhe. – afunilou.

- O que é agora? – perguntei-me mentalmente se eu queria saber. E eu, sinceramente, achava que não.

- Bom, como eu disse, vocês se odeiam. – começou ela, atenuando cada palavra. – E o colégio todo também sabe disso...

E foi então, que a fichinha travada finalmente se soltou, criando um pequeno "plin" que ecoava irritantemente em minha cabeça.

AH, NÃO!

- Então, vocês vão ter que fazer isso real... – continuou, seus olhos observando cuidadosamente minhas reações – totalmente exageradas – no momento. – Isso quer dizer que vocês vão ter que se bei-...

- NÃO! – falei em um fio de voz, quase completamente sem fôlego. Eu não conseguia respirar. – Não se atreva a terminar essa frase!

Minhas mãos tremeram, um pequeno e terrível sentimento de medo, misturado a raiva e – finalmente – a racionalidade, fizeram com que eu quisesse me matar.

Odiei-me de toda e qualquer forma possível por ter aceitado o – estúpido, que isso fique bem claro – acordo.

Respirei fundo, permitindo que meus pulmões absorvessem a máxima quantidade de ar possível. Parecia que eu ia ter um ataque. Tratei de me acalmar antes que começasse a ter um chilic ali mesmo e todos definitivamente me achassem uma louca.

Eu não tinha pensado naquilo. Eu sinceramente não tinha. E o que eu iria fazer sobre isso? Não fazia idéia.

Mas nunca, nunquinha, necatipitipiriba eu iria chegar a tocar mais do que uma mão no InuYasha. Definitivamente, NÃO!

Ok, eu estava perdida.

- Escuta... – comecei, o mais sincera e seriamente que eu conseguia – o que não era muita coisa. – Eu não vou, nunca, jamais sentir algo que não seja raiva, desprezo e sinônimos pelo InuYasha.

Tratei de dar ênfase ao jamais. Porque era exatamente o que eu imaginava e planejava.

Mas como sempre... NADA sai como eu planejo.


Domingo, 22 de novembro de 2009.

Tudo bem, admito, eu estava com medo.

Sentia medo em pensar em tudo que Sango dissera; medo porque ela possa estar totalmente certa – em relação ao beijo, eu quero dizer – e medo, principalmente, porque essa semana era InuYasha quem ditava as regras.

Ou a maioria delas. Não que eu fosse deixá-lo decidir tudo. Nem pensar!

Eu estava perdendo meu controle – não que eu tivesse muito, mas vale à pena afunilar que algum eu tenho sim, ok?

Respirei fundo, soltando um suspiro resignado em seguida.

- Pare de me olhar assim, idiota! – murmurei entre dentes.

- Assim como? – retrucou InuYasha. Sua voz mórbida transparecia todo seu tédio.

- Assim, como se tivesse algo errado comigo! – respondi enfurecida.

- Eu realmente espero que isso não tenha sido uma pergunta. – falou ele, divertido. – Ou você não vai gostar da resposta.

Encarei seus olhos âmbar, de um tom quase dourado, tentando descobrir o significado por trás da frase, e se fosse o que eu achava que fosse, então eu realmente não gostaria da resposta.

- Quem não vai gostar é você de levar um soco! – meu tom era ácido, e eu estava pronta para socá-lo, se fosse realmente necessário.

Ele ergueu as sobrancelhas prateadas, como se duvidasse que eu fosse capaz de tal ato. E sinceramente, eu também duvidava. Girei os olhos, impaciente.

- Por que estamos aqui, afinal? – perguntei, direto ao ponto.

Não queria parar pra pensar que eu estava sentada, em uma lanchonete – que, por sinal, é bem freqüentada – dividindo uma mesma mesa com InuYasha. Era simplesmente surreal demais.

- Eu só quero deixar algumas coisas bem esclarecidas. – falou seriamente. E por mais que eu não quisesse, prestei total atenção a tudo.

- Manda ver. – incentivei de má vontade.

- O objetivo disso tudo, – ele gesticulou nós dois com uma de suas mãos. – É pra afastar aquelas garotas obsessivas que me seguem por toda parte como se...

- Tudo bem, tudo bem. – interrompi. – Essa parte eu fiquei sabendo, mas por que você as quer longe? Eu conheço a sua fama, sabe...

De galinha, pensei. Mas isso eu achei melhor não acrescentar.

Naquela hora, eu poderia esperar qualquer resposta irônica, grosseira, mal-educada ou até exibições da parte dele, qualquer coisa do tipo seria mais do natural, mas o que eu vi a seguir não era nada parecido com isso: era pior.

InuYasha estava sem graça! Eu meio que já conseguia ver as maçãs de seu rosto em um tom levemente rosado.

- Aaah! – fiz uma expressão de quem entendeu tudo. – Só podia ser.

- O quê? – ele se fez de desentendido. Preocupado que eu tivesse notado algo que não queria que eu notasse.

- Você não me engana. – estreitei os olhos, um sorriso malicioso estampado em minha face. – Não quer afastar ninguém. Quer fazer ciúmes.

- Ficou louca é? – foi instantâneo: ele arregalou os olhos em choque, e quase gritou. – Bateu a cabeça, foi?

Estalei os dedos, eu fazia uma idéia de quem era.

- É a Kikyo, não? – perguntei, como quem sabe de tudo.

Minha hipótese jamais teria passado de uma simples idéia para uma grande certeza, se não fosse a expressão de espanto, e talvez um certo alívio, que InuYasha fez logo depois. Então no fim, eu estava certa.

Sou um gênio! Ok, talvez não gênio mas eu tinha sacado tudo.

Kikyo era a típica garota modelo. Capitã das líderes de torcida (alguém já notou que mocinhas são sempre líderes de torcida? Ah, qual é!), notas razoáveis, linda de morrer – que os outros morram por ela, eu não morro -, e se faz de difícil!

- Não se preocupe, vou te ajudar com isso. – falei mais animada do que deveria. InuYasha me olhou desconfiado. – Temos um acordo, lembra? – acrescentei.

Ele assentiu ainda quieto, um pouco mais calmo.

- Certo, - comecei, um pouco sem jeito. – e quanto a essa semana...

- Acho que poderíamos inventar que já saíamos escondidos faz algum tempo. – falou ele, como quem dá de ombros. – E resolvemos assumir namoro em público.

É, poderia até ser. Mas eu não conseguia evitar me perguntar: onde diabos eu fui me meter?

- Tudo bem, mas eu tenho algumas regras também. – fale, tentando por firmeza em meu tom. – Primeira delas: nada de beijos. – afunilei, um pouco envergonhada.

InuYasha me olhou divertido. Parecia que ele estava querendo rir por dentro.

- Tudo bem. – acrescentou, disfarçando uma gargalhada.

Girei os olhos, tentando disfarçar o pouco constrangimento que havia me custado dizer aquilo. Fiquei aliviada ao constatar que ele concordava comigo, e era óbvio que ele tinha que concordar. Simplesmente não havia segunda opção.

- Segunda: para minha infelicidade, preciso que me conte um pouco mais sobre sua vida. Sabe, caso alguém pergunte.

- Concordo, e digo o mesmo. – aquela resposta soou estranha. Nunca pensei que fosse existir o dia que ele concordaria em algo comigo, e agora havia várias concordâncias em uma única tarde!

Passei os minutos seguintes irritando-o com pequenas regras sem grande importância, mas era apenas para deixar bem claro. Depois de um tempo conversando civilizadamente – ou tentando, pelo menos – eu resolvi que iria embora.

- Ta, eu levo você. – ele falou dando de ombros.

- Não! – respondi automaticamente. – Deixa esse cavalheirismo pra essa semana, você vai precisar dele.

InuYasha olhou-me seriamente, para depois soltar um meio sorriso irônico. Acho que perdi a piada. Pra ser sincera, eu nem queria saber mesmo. Ok, talvez eu quisesse.

- Então eu passo na sua casa pra te levar pra aula amanhã cedo.

Suspirei, a frustração preenchendo minhas células. Eu já deveria esperar algo assim, mas isso não me agradava.

- Ta legal. – respondi a contragosto.

- E pare com essa cara, a partir de agora você é minha namorada. – seu tom era provocativo. Ele estava querendo em tirar do sério.

Olhei-o boquiaberta.

Torturar as pessoas tem uma pena muito grande? Porque eu estava pouco me importando com o julgamento depois, mas que eu ia estrangular ele com certeza.

Trinquei os dentes e contei até dez. Isso sempre funcionava. Com todo mundo, menos comigo. Podia sentir meu rosto esquentando de raiva. Ele que me aguardasse depois dessa semana.

- Acho bom não esperar sorrisinhos por ai. – respondi o mais sarcasticamente que pude.

- Não de você. – respondeu de praxe, o meio sorriso irônico estagnado em sua face.

Essa vai ser uma longa semana. Ah, se vai.


Aê! Depois de um ano, até mais que um ano, eu atualizei.

Mas eu poderia jurar que não fazia tanto tempo assim! E se eu dissesse que o capítulo ficou 90% pronto uma semana depois que eu publiquei, mas que eu nunca tinha terminado?

Bom, até hoje. E eu finalmente continuei.

Antes tarde do que nunca.

Tá legal, capítulo sem muita "ação" por assim dizer. É mais um comecinho, mas enfim, o próximo é que começam os problemas.

Sugestões para o que deve acontecer nessa semana? Sempre bem-vindas.

Mas agora é sério, não vou dizer: "olha, eu prometo postar toda semana", porque o negócio aqui ta complicado.

Não vou contar a história toda, porque nem convém, mas enfim, eu me mudei de cidade – estou morando em Curitiba, alguém aí mora aqui? – estou longe dos meus pais, do meu irmão e dos meus melhores amigos tudo pra cursar o meu terceirão e passar numa federal em medicina.

Minha vida ta um caos. Sem tempo pra nada. Nada mesmo. Eu consegui escrever porque essa é minha semana saco cheio (eba!) e eu não tive aula, mas eu juro que vou tentar atualizar sempre, SEMPRE, que eu puder. (:

Enfim, não vou responder aos reviews, porque não teria sentido, aposto que vocês nem lembram o que escreveram, mas significou muito pra mim. Obrigada aquelas que acreditaram, que pediram continuação e que elogiaram.

Eu fiquei imensamente feliz e acabei continuando. E pelo menos eu posso prometer que um ano eu não vou demorar mais para atualizar. xD

Bom, um muito obrigada especial à: Jhennie Lee, , nana-chan, Uchiha Lara, Lore Yuki, Darkk Butterfly, Vitória-chan, Aricele, Bia Tsuki, danda jabur, Carin-chan, tataa', Duda Drumm, G4bi e Lune Cullen and Liaah Taisho.

Vocês me deixaram reviews lindas. Eu agradeço muito.

Enfim, espero que gostem do capítulo.

Beeeeijos!