Naruto não me pertence.
Essa fanfic é uma adaptação do livro Mestre do prazer de Penny Jordan publicado pela editora Harlequim.
Essa adaptação não tem fins lucrativos
Capitulo 2
Boruto parou para observar sua mãe conversar com um estranho, e notou que a conversa não estava sendo muito amigável.
— Uzumaki Naruto – disse Shikadai. Chamando a atenção do amigo – Ouvi meu pai conversando com ele sobre a aquisição dos hotéis do senhor Jiraya.
— Naruto...- o velho havia mesmo falado sobre um afilhado com esse nome. Boruto sentia falta do pai, mas não estava triste com sua morte, ele lembra o quanto o pai estava sofrendo com a doença.
— Você tem que ser forte. E cuidar da mamãe, ajude-a a me perdoar. Ela não vai gostar do que vou fazer.
A última conversa com pai ainda ecoava na sua mente, seu segredo. Seu pai dissera que iria escolher um tutor para ele, alguém para ajudar sua mãe a cuidar da sua educação, para que o preparasse para herdar os negócios da família.
—Velho idiota. – sussurou. Você só esqueceu de mencionar que não havia mais negócios. Pensou Boruto.
— O que disse? – perguntou Shikadai.
Boruto olhou para o amigo e riu, Shikadai e ele viraram grandes amigo s desde que foi para o internato em Londres, que por sinal foi indicação do Tio Shikamaru, ficou extremamente feliz quando o menino aceitou passar uns dias com ele na Sardenha.
— Hein? Boruto tá viajando?
— Desculpe, tava pensando no velho. – desviou a atenção para olhar a Mãe e não gostou do que viu, Naruto agarrando o pulso da sua mãe de uma maneira nada gentil. "De uma chance a ele" a voz do pai ecoou na cabeça – Shikadai. Vamos voltar um pouco, acho que esse cara, deve querer falar comigo.
— Porque acha isso?
— Acho que ele deve ser o tutor, que o velho escolheu para mim.
Naruto percebeu que o garoto parecia estar observando os dois:
— Ele parece estar voltando, quero que nos apresente. – disse a Hinata
— Não faz sentido apresentá-lo. Afinal, você não vai representar um papel digno na vida dele, certo? — desafiou-o.
— Pelo contrário, pretendo dar prioridade às minhas obrigações como tutor, motivo pelo qual estou aqui. Quem sabe como foi afetado pelas circunstâncias da vida?
— Ele sentem falta de Jiraya, mas a morte dele não os afetou...
Naruto virou-se para encará-la.
— O dano ao qual me refiro não é causado pela morte do pai, mas pela vida da mãe.
— Não tem o direito de dizer isso.
— Tenho todo o direito. Ele é meu pupilo. É meu dever legal e moral protegê-lo
— De mim? Sou a mãe deles! — Fechou os punhos com tanta força que as unhas machucavam-lhe as palmas das mãos.
Ele virou lentamente para encará-la, os olhos de águia tão impassíveis quanto pedras.
— Você pode ser mãe, mas também é uma mulher que adora o estilo de vida que só um homem muito rico pode proporcionar. Quando esse tipo de homem paga para usar seu corpo, não vai querer ser interrompido pelas necessidades de um garoto de 9 anos. Aos olhos da maioria das cortes de Justiça, uma mãe dessas seria considerada negligente e não mereceria esse nome.
Ela quase podia sentir o veneno nas palavras.
— Só porque sua mãe o abandonou...
— Não fale dela.
Hinata nunca se sentiu mais zangada ou mais amedrontada.
— Decidi que para o bem de meu pupilo ele deve permanecer aqui, na ilha que era a casa do pai, até resolver o que é melhor para o futuro dele.
— Você não tem esse direito.
Hinata estava com medo e lutava para não demonstrá-lo, reconheceu Naruto. As veias do pescoço latejavam como um pássaro preso lutando para se libertar. Ele quase podia sentir as ondas de pânico e medo passando-lhe pelo corpo. E, certamente, reconhecia o horror nos olhos.
— Ele é meu filho — insistiu. — Meu filho.
— E meus pupilo, de acordo com a lei tradicional da Sardenha. Essa é uma sociedade patriarcal, como bem sabe.
Hinata sacudia a cabeça.
— Não pode fazer isso. Não vou permitir.
— Não pode me impedir. — Ele deu um sorriso frio. — Não tem como contratar um advogado. Não tem dinheiro. Jiraya está morto e você precisa encontrar outro homem para sustentá-la. Um que, como Jiraya, seja cego e não veja o que você é. Não tente negar — disse, antes que ela pudesse protestar. — Afinal, foi por isso que se aproximou de mim... e por isso se afastou. Não é mesmo?
Ele lançou a pergunta de forma quase casual, mas Hinata não se iludiu. Nada que Naruto fazia era casual ou sem objetivo. Mesmo sabendo, não conseguiu impedir de trair a agitação quando lhe respondeu:
— Foi tudo um erro.
— Seu erro — concordou.
— Não, não foi... Faz muito tempo. — O que ela estava fazendo? Não precisava dar explicações e sim se proteger contra o desprezo que ele sempre sentira por ela. Naruto era perigoso: sempre fora, sempre seria, e agora ela tinha uma ótima razão para não voltar ao passado como uma mosca atraída pela luz que acabaria por destruí-la.
— Nem tanto. Faz pouco mais de dez anos que peguei você na rua, onde seu ex-amante a abandonara. Lembra? Você me contou terem lhe oferecido o papel principal num filme pornô, mas que podia ser a estrela de um filme exclusivo. Suas palavras, não minhas! — Ele se afastou em direção ao filho dela. — Ninguém muda.
— Aonde vai? — perguntou histérica, embora já soubesse a resposta. O sorriso que ele lhe deu a fez morder com força o lábio inferior para se impedir de tremer de medo. — Vou me apresentar.
Por alguns segundos Hinata estava tão enredada nas próprias emoções e no passado trazido à tona que não pôde se mover, mas de alguma forma conseguiu se libertar e correu atrás dele, gritando, impetuosa:
— Deixe-o em paz! Não ouse tocar nele. Entrar numa nova década tinha lhe acrescentado beleza em vez de tirá-la, admitiu Naruto, relutante, quando a viu correr em sua direção. Os seios subiam e desciam, por baixo do tecido fino do vestido, devido ao esforço, quando finalmente o alcançou. Olhá-la e sentir a necessidade de agarrá-la o deixou fora de si. Ela sempre tivera seios bonitos – firmes e eroticamente reais, a pele com gosto de mulher, sol e sexo, os mamilos marrom-escuros sempre famintos por seus dedos e por sua língua. Ainda conseguia imaginá-la totalmente nua no deque do iate, a cabeça jogada para trás, a brisa do mar desarrumando-lhe os cabelos, os lábios curvados num sorriso maldoso, um prazer sensual intenso quando se oferecia para ele. Agora, como no passado – embora por motivos diferentes, – ela estava parada bem na sua frente, entre ele e o garoto, e era impossível não encará-la. A maternidade tinha lhe tornado os seios mais fartos, o que lhe caía bem, mas não tinha lhe tirado a cintura fina nem a sensualidade de um corpo feito para o prazer. Um corpo que ele conhecia tão intimamente quanto o dele – talvez ainda mais. Como amante, Hinata era uma incomparável mistura de impetuosa paixão sexual e habilidade feminina de se entregar completamente ao ato, como se desse cada pedacinho de si para atingirem o prazer mútuo. Mas é claro que não tinha sido o único homem a gozar da sexualidade dela e, certamente, não fora o primeiro a pagar por isso – se não em dinheiro, mas oferecendo as vantagens do estilo de vida de um amante rico. Ela praticamente admitira isso na noite em que a pegou. Fechou a cara carrancudo, irritado com o poder que ela ainda exercia sobre ele, embora o desejo incontrolável por ela, que fazia seu cérebro e seu corpo arderem, já não fosse o mesmo. Ela havia penetrado nele e ainda o perturbava, dez anos depois, mesmo que a excitação selvagem que antes ameaçava consumi-lo tivesse se apagado. Sozinha ou expulsa por ele? E que importância tinha? Ele soubera, desde a primeira vez que a levara para a cama, que a intensidade de seu apetite por ela era algo que não queria para sua vida. Se ajudara a destruí-la, tinha agido sabiamente, movido pela auto-preservação. O que sentia era simplesmente o eco de um sentimento há muito tempo morto. Mas não tão morto, pois as brasas ardiam com o calor do desejo. Já tinha sido ruim o suficiente ela tê-lo abandonado para casar com Jiraya. Mas o fato de Jiraya ser o orgulhoso pai do filho dela o atingira dolorosamente, como a ferida cuidadosamente guardada deixada pela infelicidade de sua infância. Para ele – um homem que nunca recebera amor, compaixão nem afeto, – ser convidado a assumir a responsabilidade de proteger a infância dessa criança era ou um ato de grande ousadia ou de grande confiança.
Certamente tinha sido um ato de desespero. Não que Naruto fosse punir uma vida inocente pelos pecados da mãe – não depois de tudo que sofrera. Foi informado da morte de Jiraya poucas horas depois de tê-lo visto. Só, sem Hinata ao lado, porque ela estava fazendo compras.
Ele queria esquecer o passado, mas este se recusava a ser posto de lado. Lembrava-se dela como se aquele dia fosse a noite em que se conheceram.
Os cabelos mais compridos do que agora, desgrenhados devido ao calor, as mechas malfeitas. Usava uma saia curta barata e uma camiseta que mais revelava do que escondia os seios, fazendo-a parecer exatamente o que era, parada na estrada em Saint Tropez. Ele nem consideraria parar se ela não tivesse se atirado na frente do carro. Garotas bonitas, disponíveis e famintas como Hinata se encontravam aos montes em Saint Tropez durante o verão, pulando de amante para amante, alpinistas sociais tentando conseguir o troféu máximo: um homem tolo e rico para lhe oferecer mais que uma noite de sexo em troca de uma bolada de euros. Hinata carregava uma cesta grande de palha na qual, segundo disse com um dar de ombros, estavam todos os seus pertences.
— Precisei ir embora rápido, então só trouxe o que podia — ela falou, de modo tranqüilizador quando entrou na Ferrari sem ser convidada. Isso fora em maio. Do pouco que contara sobre sua vida, ele deduzira que o homem que a abandonara fazia parte da escória que perambulava pela cidade durante do Festival de Cannes: um "produtor" buscando carne jovem para satisfazer seu apetite e os dos seres humanos nojentos para quem vendia os filmes. Mas Naruto não quisera perder tempo ouvindo a conversa quando tinha outros planos para aqueles lábios carnudos. Hinata era prática, como todas as cortesãs bem sucedidas. Ela rapidamente deduziu que satisfazer apenas um homem traria uma parcela maior de custo/benefício do que se arriscar a passar de mão em mão entre o produtor e seus amigos.
É, sem dúvida, ela era muito calculista. Em um ano, tinha feito planos para subir na vida – não apenas para a cama de outro homem, mas para ocupá-la por toda a vida. Como esposa! E esse homem fora nada menos que seu padrinho, Jiraya – um homem com idade para ser pai dele, quanto mais dela. Era impensável imaginar que ela deixaria Naruto. Era ele quem estava no comando, não ela. Ele pagava as contas e ditava as regras. Ela estava à disposição para o que ele exigisse. Mas ela o tinha abandonado, deixando uma dívida pendente com o orgulho dele.
Uma dívida que o destino agora lhe dava a oportunidade de cobrar em dobro.
Hinata viu o sorriso cruel familiar curvar os cantos da boca de Naruto. Quantas vezes ele tinha zombado dela com esse sorriso, antes de ceder às suas súplicas e satisfazer o desejo que ele mesmo despertara?
Ao encontrar Naruto, julgava saber tudo sobre sexo e sobre o próprio corpo. A verdade era que não sabia nada sobre prazer e muito menos sobre desejo carnal. Quando Jiraya lhe ofereceu um caminho para escapar de Naruto e da vida que levava antes dele, se convenceu que a única forma de se salvar era agarrar a chance com unhas e dentes, sem nunca olhar para trás. E assim fizera. Embora nunca tivesse conscientemente olhado para trás, voltara várias vezes em sonhos, experimentando uma dor lancinante. Ela estremeceu, piscando. Nos anos que se seguiram após a concepção do filho, aprendera a andar empertigada e ter orgulho dele e de si mesma. Nunca negaria o passado, mas acreditava ter aprendido com ele, crescido graças a ele, e quando chegasse a hora e o filho perguntassem, não mentiria.
Por enquanto, entretanto, era jovem demais para ser exposto a seus erros e por eles castigados. Ela brigaria até a morte, se preciso, para protegê-los e mantê-los a salvo. A única maneira de Naruto tirá-lo dela seria passando por cima de seu cadáver.
— Não vou a lugar algum sem meu filho.
— E ele vai ficar aqui. Comigo.
— Com você? Na Sardenha? Onde? Você não mora aqui.
— Eu não morava, é verdade, mas agora que sou dono do hotel pretendo transformá-lo em minha casa. O menino vai morar aqui quando não estiver na escola, para que possam crescer segundo a cultura do pai, em sua antiga casa. Aparentemente, era um plano sensível e bondoso, mas bondade não era uma qualidade que passasse pelo radar defensivo de Naruto. Havia algo que ele estava ocultando. Algum motivo secreto o motivava. Ela olhou para o filho, o coração palpitando de apreensão ao vê-lo se aproximar.
Era fácil ver a herança Uzumaki na aparência dele, mesmo sendo ele jovem demais para desenvolver o perfil predatório da Sardenha, compartilhado tanto por Jirayo quanto por Naruto.
Jiraya sempre dissera, com orgulho, que Boruto era um verdadeiro Uzumaki e tinha prometido a ela... Enfiou as unhas com força nas palmas das mãos. O marida tinha sido um homem de palavra, tranqüilizou-se. Não quebraria a promessa feita antes do nascimento do filho.
— Boruto voltará para a escola em Londres em setembro — ela avisou.
— Estamos em julho. Têm o verão inteiro para se divertir aqui e se acostumar com meu papel em sua vida.
— Você está planejando passar o verão aqui?
— Por que não? Sardenha é meu lar, afinal. Faz sentido ficar aqui para supervisionar a transformação do hotel em casa e conviver com meu pupilo.
Ela levantou o queixo.
— Você se dá conta de que eu vou ficar com ele?
— Pretende ficar para dar umas escapulidas até Port Cervo e encontrar um substituto para o velho? Outro velho rico para se vender? Ou talvez dessa vez esteja planejando encontrar um jovem rico? Não crie muitas expectativas. Você está envelhecendo e há um bocado de competição. Além do mais, não é qualquer homem que vai querer se incomodar com o filho de outro homem. Mas, é claro, eu estava esquecendo, esse problema é facilmente resolvido, não é? Basta colocá-lo num colégio interno e viver a vida sem ele, como fez quando Jiraya estava morrendo.
— Você não tem o direito — começou Hinata, mas era tarde demais. Naruto a ignorou, e a afastou quando viu Boruto se aproximar.
Ela começou a correr nas pedras escorregadias, instintivamente querendo se interpor entre ele e o filho, parando quando escorregou e uma das pedras pontiagudas cortou-lhe a perna. Como se tivessem percebido sua ansiedade, Boruto correu imediatamente para Hinata e ficou entre ela e Naruto, de um jeito que normalmente a teria feito sorrir por causa de seus instintos masculinos.
Ela estava magnífica, admitiu Naruto. Uma tigresa guardada pelo filhote, ignorando o sangue escorrendo-lhe na perna e a tira arrebentada do sapato. Por nada, emoções primitivas, cruas e indesejadas o devastaram. As hierarquias e os patriarcas da família Sardenha tinham memória longa e a história da ilha estava cheia de relatos de amargura e vingança travados entre famílias rivais. Ele herdara dessas pessoas a crença na regra de "olho por olho", embora nos tempos modernos eles cumprissem o estabelecido pelas leis modernas, mas ele carregava em si essa herança ancestral. Ele tinha acreditado que Hinata era dele, e que assim permaneceria até não ter mais uso. Que ele é quem dominava o relacionamento e, portanto, ela jamais poderia terminar as coisas.
Essa tinha sido a principal lei não escrita a governar o relacionamento deles. Mas ela havia desrespeitado a lei, e ao fazer isso, ofendera-lhe o orgulho. Nunca poderia perdoar o que a mãe lhe fizera, como tinha escolhido rejeitar a falta que ele sentia dela. Quando se tornou adulto, disse a si mesmo que nunca teria seu poder, ou segurança emocional, desafiado ou ameaçado por nenhuma outra mulher. Nos relacionamentos com as mulheres, era sempre ele a romper. Tinha planejado pôr fim ao relacionamento com Hinata. Mas ela havia ido embora antes que ele o fizesse. E pior, nos braços de outro homem. Seu padrinho! Ah, Hinata devia pagar – e ele pretendia saborear o doce gosto da vingança.
Hinata não ia ser separada do filho nem por um minuto – mesmo que isso significasse ter que conviver com Naruto. Por sorte, seria por pouco tempo. Nem mesmo Naruto poderia retardar o início do novo ano letivo. O que a lembrou... Olhou para os anéis nos dedos. Graças à sua aplicação e determinação, agora tinha um curso universitário e um MBA. E graças à generosidade do marido a venda das jóias permitiria que ela comprasse uma casa simples em Londres, próximo da escola de Boruto, pagar as mensalidades e colocar algum dinheiro no banco, para qualquer emergência.
— Venha — ordenou Naruto, autoritário, estendendo a mão para o filho. Hinata viu Boruto olhá-la em dúvida. Seria tão fácil fazê-lo se voltar contra Naruto encher a cabecinha ingênua com pensamentos de ressentimento e aflição, destilar veneno para que ele temesse e odiasse o homem apontado pelo pai como tutor... Mas, independente do que sentia, não podia fazer isso com ele. Não iria prejudicá-lo dessa forma. Ele vinha em primeiro lugar em sua vida e em seu coração. Forçando um sorriso, empurrou Boruto, com delicadeza, na direção de Naruto. — Seu pai escolheu Naruto como tutor e isso quer dizer que podemos passar todo o verão na Sardenha — disse da maneira mais descontraída possível. Era melhor manter tudo simples para ele aceitar e compreender. O filho adorava a Sardenha, e por que não deveriam? Esse país era, afinal, parte dele e da história da família. Tinha passado todos os verões ali, desde o nascimento.
Boruto estendeu a mão para Naruto, e por um momento viu surpresa nos olhos dele. "o que ele esperava? Um abraço?" pensou, abraços eram hábito na Sardenha. Mas o pai era um homem idoso, criado no estilo antigo e educado na Inglaterra, portanto era natural que suas maneiras refletissem isso.
— Como devo chamar o senhor? — perguntou
— Naruto é sobrinho-neto e afilhado de seu pai — explicou Hinata, sem querer dar a Naruto a oportunidade de assumir o controle, mesmo num assunto tão simples.
— Então, talvez deva chamá-lo de primo Naruto.
— Primo Naruto — murmurou Boruto enquanto observava a expressão da mãe, que parecia um pouco nervosa, já Naruto parecia que o analisava como se procurasse um defeito. — Eu gosto — anunciou, sensato.
— Ótimo. Fico contente — disse Naruto, cordial, assumindo as rédeas da conversa.
— Eu costumava chamar seu pai de Velhote quando o conheci, mas realmente prefiro que não siga meus passos.
Ah, muito esperto, reconheceu Hinata , quando viu como o filho começou a relaxar e chegar mais perto dele. Jiraya o amava profundamente, mas quando ficou doente não conseguia conviver com uma criança cheia de energia por mais que alguns minutos. Então, ela havia se colocado como pára-raios entre o filho e o marido, desejando proteger ambos da dor emocional por parte do filho e física por parte do marido frágil.
— Podemos pescar hoje à tarde? — Perguntou Boruto, começando a se sentir mais tranquilo perto de Naruto, "Ele o chamava de velhote, talvez não seja tão ruim assim". Pescar era uma nova paixão e quase todos os dias obrigava mães a passar um tempo sentados nas pedras, esperando os peixes morderem a isca que o pai lhes ensinara a colocar no anzol.
— Há alguns assuntos a discutir com sua mãe, então precisamos voltar para o hotel. Mas talvez essa tarde eu possa mostrar o melhor lugar para pescar.
Ele estava seduzindo o filho com a mesma facilidade com que a seduzira, reconheceu Hinata, enquanto via Boruto dar um sorriso discreto ao lado dele, esquecendo-se dela quando voltaram para o hotel.
Futebol foi a tema da conversa durante a volta ao hotel, Hinata viu Boruto e Shikadai tão envolvidos na conversa com Naruto que parecia que ela não estava ali, pensou magoada.
— Você precisa limpar essa perna. — Eles tinham chegado ao hotel e a ordem sucinta de Naruto fez com que comprimisse os lábios.
— Ah, por favor. — A voz destilava sarcasmo. — Não tente fingir estar preocupado. Gestos bondosos não combinam com você. Além disso, ambos sabemos que você não tem compaixão pelo sexo feminino em geral, e por mim em particular.
Virou-se para olhar os garotos que vinham correndo atrás deles, mas não os tinham alcançado.
— Meninos, entrem e vão se lavar, por favor. Depois, para a cozinha, almoçar. Hinata acreditava em criar o filho com amor, mas com rigidez. Ela valorizava a importância de boas maneiras, mas isso, em sua opinião, era uma pista de mão dupla. Se esperava bom comportamento dos filhos, e que compreendessem a importância das boas maneiras, também mereciam ser tratados da mesma forma.
— Que belo exemplo de mãe zelosa! — disse Naruto, logo que os meninos subiram e não podiam ouvi-los. — Você é bem esperta em não gastar todo o tempo cuidando desses dois. Jiraya jamais teria concordado com isso, como ambos sabemos, mas você, obviamente, deixou claro que não queria muita responsabilidade com os cuidados diários.
— Só porque ele lhe fez algumas perguntas sobre futebol não me torna uma mãe relapsa ou desinteressada
— Não me referia a isso e sim ao fato de que você o está mandando para a cozinha comer enquanto, sem dúvida, vai almoçar em algum lugar mais elegante, sem a presença dele. Se pudesse seguir seus próprios instintos, provavelmente também se encontraria com um amante, possivelmente o mesmo com quem foi vista jantando em Nova York.
Hinata o fitou furiosa.
— É uma pena que essa sua visão distorcida da realidade não lhe traga benefícios, Naruto. Para sua informação, a pessoa que pagou para me espionar não mereceu o salário. Se tivessem feito o trabalho corretamente, saberiam que o único homem com quem estive em Nova York foi o oncologista que fui consultar. Está vendo, diferente de você, não quis ficar sentada esperando Jiraya morrer quando havia uma remota chance de alguma droga ou tratamento que lhe desse alguma sobrevida — disse a ele com desdém, antes de girar nos calcanhares e seguir o filho.
Ele não a deixou ir longe, os dedos algemando-lhe o pulso e girando-a para encará-lo antes de ter subido mais de dois degraus.
— Muito convincente, se eu não conhecesse você tão bem. Por acaso lhe ocorreu que Jiraya podia estar preparado para morrer? Que preferia morrer em paz na própria cama e não ter a vida prolongada alguns meses, dias ou semanas, para que você pudesse continuar a tirar vantagem dele? Enquanto estava vivo, ele era seu passaporte para a vida que sempre quis, a vida pela qual vendeu seu corpo. Ele estava enfeitiçado por você e você sabia, tanto que me implorou para lhe emprestar mais dinheiro, não importando a que taxa de juros, apenas para poder satisfazer sua ambição.
— Isso não é verdade! O rosto dela estava branco como o mármore do hall e da escadaria. Os olhos estavam cheios de lágrimas, que lhe turvaram a visão. — Foi por orgulho que pediu dinheiro emprestado, não por mim. Eu nem tinha conhecimento do que ele estava fazendo.
— Mentirosa. Ele ainda segurava o pulso dela, e quando ela o olhou, lembrou-se de outra época, de outra escadaria de mármore, na qual havia ficado parada e olhado para o rosto dele – rido, na verdade, com prazer e provocação.
As escadas eram de um ateliê exclusivo, onde ele a levara para experimentar o vestido que ela exibia para ele, camadas de seda preta que se colavam à sua pele quando andava. Ela havia se recostado nele, lembrava-se, sem se importar que a seda estivesse escorregando. Na verdade, adorando o fato de que o olhar dele acariciasse seu corpo seminu e que a mão dele segurasse seu seio desnudo. Na época, ainda acreditava que ele mentia ao dizer que amor e emoção não tinham lugar em sua vida. Estava tão perdidamente apaixonada por ele que acreditava que a força de seu amor o faria corresponder. Antigamente. Mas era outro tempo. Separada do passado por um oceano de lágrimas derramadas e pelo muro protetor erguido. Esse muro era impenetrável; reforçado pela amarga realidade, a força de sua raiva e das lágrimas.
— Odeio tanto você — disse, a emoção escurecendo-lhe os olhos. Podia sentir a respiração arfante de Naruto contra sua pele quando foi tomado de raiva e a puxou contra ele. Ela estava de pé, sem jeito, na escada, no meio de um degrau, e o movimento a fez perder o equilíbrio e apoiar-se nele.
— Isso é o que você diz. Mas aposto que ainda iria para a cama comigo, dependendo do preço. A dor foi instantânea e brutal, fazendo-a recuar e tentar escapar, as narinas dilatadas e os músculos da garganta contraídos.
— Foi você quem me ensinou a separar as emoções, tratar sexo como uma atividade física sem ligação com qualquer sentimento emocional. Então, ouso dizer que se quisesse fazer sexo com você teria que deixar de lado o desprezo que lhe dedico para conseguir ir para a cama — concordou incisiva. — Mas não quero, nem preciso usar meu corpo como moeda de troca.
— Por quê? Encontrou outro homem para substituir Jiraya antes que o corpo dele esfriasse? Que dor cortante, dilacerante, era essa? Ele não a queria, tinha cessado de desejá-la quando ela começou a pedir, sem sucesso, um papel permanente na vida dele. Ele se lembrava da voz macia, com uma falsa emoção, repetindo:
— Eu amo você Naruto e você sabe que me ama, embora recuse dizer.
— Você está enganada — respondera, e estava sendo sincero. — Não amo ninguém. A capacidade e o desejo de amar foram expulsos de mim. Você diz me amar, mas o que realmente quer é que eu a mantenha permanentemente em minha vida porque sou rico e você é pobre. O que você ama é o que lhe dou.
— Não é verdade — protestara. Mas, é claro, ele sabia que não devia acreditar nela.
Ele a olhava agora quando ela dizia, orgulhosa:
— Não. Ao contrário de você, eu me desvencilhei do passado. — Levantou a cabeça com altivez. — Sou formada e tenho um MBA. Tenho qualificações para conseguir um trabalho e um salário para manter a mim e meu filho. — Só rezava para que isso fosse verdade.
Naruto teve que lutar contra o sentimento que se apoderava dele. Por que estava tão zangado e ressentido com o pensamento dela trabalhar para se sustentar e ser independente dele?
— Você não pode me enganar com sua suposta dedicação maternal — retaliou. — Se fosse a mãe que pretende ser, acha que seu marido iria me designar como tutor de Boruto? É óbvio que no final ele reconheceu exatamente o que você.
Hinata levantou a mão sem raciocinar, mas ele reagiu rápido, segurando-lhe o braço. Antes que ela pudesse adivinhar o que ele planejava fazer, ele a puxou para os braços e a beijou, como se a punisse. A pressão da boca na sua feriu-lhe a suavidade dos lábios quando lutou contra a dominação. Mas foi a mordida que lhe deu no lábio inferior que a fez sentir o gosto de sangue na língua. Ele a empurrou com tanta força que ela quase caiu, os olhos cruéis como os de um assassino enquanto passava as costas da mão no lábio cortado.
— Vagabunda! — disse brutalmente, virando-se e descendo as escadas, deixando-a de pé olhando-o, numa mistura de gelo e fogo, medo e vontade, ódio e... E o quê? O contrário de ódio era amor, e ela não o amava. Cobriu os olhos com as costas das mãos, chocada ao ver que voltavam encharcadas de lágrimas.
Continua...
