Boa Noite! Se gostam de ler com trilha sonora, vou deixar aqui as músicas que eu ouvi pra escrever esse capítulo.
Houve of Rise sun - The Animals
Can't find My way home - Blind Faith
Bad compay - Bad Company
Don't Look Back - Boston
Castiel entrou na cabana velha na frente, olhando em torno da sala, como se procurasse algo; os sinais invisíveis contra os demônios. Sam entrou em seguida carregando a jovem desacordada, procurando uma cama velha por perto para poder deitá-la. Dean entrou por último, olhando para atrás com a arma na mão, dando cobertura. Fechou a porta atrás de si depois de entrar e olhou confuso para o anjo. Esperava uma ótima explicação.
- Então quer dizer que esse negócio de anjos e demônios atrás dela é sério. Parece a historia com a Anna, toda de novo. - lamentou em voz baixa.
- Não. Ela é bem mais importante que a Anna. Se eles encontrarem ela com a gente, anjos ou demônios, não vão se importar se estão matando os receptáculos de Lúcifer ou Miguel.
- Então ela é peixe grande. - Sam se manifestou, ainda sentado ao lado da cama onde Aurora estava desacordada. Dean arqueou uma sobrancelha enquanto observava o irmão tirar uma mecha de cabelo castanho do rosto da garota.
- Ela não é tão grande assim. - Cas respondeu sério, não entendendo o que Sam quis dizer.
- Acho que agora é uma ótima hora pra explicações. - Dean caminhou até o anjo esperando uma resposta.
- Antes preciso escondê-la. A casa só tem proteções contra demônios, se não eu obviamente não estaria aqui dentro. - Andou até a cama onde ela estava deitada e Sam levantou já sabendo o que aconteceria. Castiel encostou a ponta dos dedos abaixo dos seios dela, certificando de que marcaria as costelas. O local do toque reluziu e Aurora soltou um urro de dor, contorcendo o corpo, os olhos abrindo; assim que o anjo tirou sua mão, os olhos fecharam. - Agora ela vai dormir. A proteção dela precisa ser mais específica que a de vocês.
- Então? - Sam perguntou, voltando a sentar na cama, tentando manter uma pequena distância da garota. Dean o olhou mais uma vez, começando a entender.
- Esperamos ela acordar.
Os irmãos bufaram frustrados; o anjo se sentou em uma poltrona aos pedaços, parecendo exausto. Eles não tinham muitas opções.
Uma hora já havia passado. Aurora havia se acomodado melhor na cama velha; ela estava de lado, com o corpo virado de frente para o de Sam; de vez em quando ele olhava seu rosto que ainda parecia tenso. Ela se mexeu algumas vezes, parecendo sonhar com algo, mas sempre que ele tocava seu ombro, o corpo relaxava. Dean já havia proposto duas vezes que eles tentassem acordá-la, no entanto perdeu na votação.
Depois de mais alguns minutos ela voltou a se mexer, se espreguiçando dessa vez, o corpo perdendo a tensão; seu olhos se abriram assustados e sua mão foi de encontro ao rosto mais próximo, o Winchester foi mais rápido e segurou seu braço, esperando que ela relaxasse. Aurora estava ofegante e assim que olhou para os olhos verdes se acalmou, mas puxou o pulso, liberando este do aperto.
- O que aconteceu? - perguntou enquanto sentava na outra ponta da cama, afastando-se de Sam.
- Estávamos esperando você acordar. - Castiel respondeu.
- Então desembucha, Cas. - os irmãos olharam para ela, imaginando quando essa intimidade entre os dois havia nascido.
- Você está sendo perseguida pelo céu e pelo inferno. Eles te querem morta a qualquer custo.
- Posso saber por que essa honra? - perguntou sarcástica.
- Porque é você que define o lado que vence.
Houve um minuto de silêncio em que a sala parecia ter ficado pesada. Até que ela riu. Gargalhou alto.
- Você só pode estar de brincadeira comigo. - e continuou rindo, sem humor.
- Como assim ela define quem vence? - Dean estava apoiado na parede ao lado da porta, não muito convencido daquilo.
- Ela é o ser mais forte existente nos dias de hoje. - Aurora se calou - A filha de um anjo. - a sala permaneceu em silêncio e Castiel decidiu continuar - Vocês devem se lembrar do menino Jesse. Bem, não são só os demônios que podem ter filhos. Mas ela.. Ela é mais forte do que qualquer coisa.
- Coisa? Eu ainda estou aqui sabia? - Aurora agora estava de pé, caminhando a passos firmes na direção do anjo. Dean se precipitou achando que ela avançaria no anjo e quando tentou segurá-la o corpo magro girou, se desviando dele. Ele pode ver Sam levantar da cama para intervir, no entanto o caçula parou quase imediatamente imaginando o quanto isso machucaria o ego do irmão. Aurora já tinha acertado a nuca de Dean com a ponta dos dedos de maneira firme, ele pode sentir suas pernas perderem a força o fazendo cair de joelhos. - Isso se chama pontos vitais, acerte no jeito certo e pode paralisar uma pessoa por horas. Fale sobre a minha mãe, Castiel. - ela havia chego até o anjo e agarrado a gola do sobretudo, empurrando-o contra a parede mais próxima; Castiel manteve a expressão calma.
- Sua mãe foi um dos primeiros a desobedecer. Ela estava na terra, andando no meio deles e quis ser como um humano. Mas a Alice era esperta e fez o que pode para não perder a graça. Demoraram anos para descobrirem sobre sua desobediência e a cortarem do céu. Tempo suficiente para que ela casasse com seu pai e engravidasse, dando a luz a uma menina chamada Aurora.
Aurora largou o anjo e se afastou. Ela sempre sonhava com uma mulher de voz calma e olhos azuis que quase sempre a tirava de seus pesadelos, ela sempre pensou que ela fosse seu anjo da guarda. Sentiu sua visão ficar turva mais uma vez e se apoiou na parede mais próxima, de costas para todos. Sam fez menção de ir até ela, mas se conteve mais uma vez sabendo que aquele era um momento extremamente particular.
- Eu não tinha certeza. Andei procurando por respostas e te encontrei, caçando a mesma coisa que eles dois. Você pensou em matá-los e eu te impedi.
- Dizendo que eles não eram culpados e eu demorei muito tempo pra entender - a voz era baixa, mas audível - Como você sabe que eu posso decidir isso tudo? Como você sabe sobre ela com tanta certeza?
- Já se questionou qual o significado do seu nome? Aquela que é como o nascer do Sol. Você é muito rara. Quase não existem relatos sobre a sua raça. - ela se virou e encarou o anjo num sinal claro de que ele deveria tomar cuidado com o tipo de nome ao qual a chamaria, ele se desculpou com o olhar. - O único registro que temos até hoje é quem vocês chamam de Jesus Cristo.
- Esperai ai.. Cristo? - Sam já estava acostumado com certas surpresas nesse tipo de trabalho, mas certas coisas tinham um limite de anormalidade.
- Um filho de Deus que desceu a terra para livrá-los dos pecados. A graça de um anjo desceu sobre Maria naquele dia em que um anjo falou com ela. Era filho de um anjo com um humano. - Mais uma vez todos se calaram, tentando digerir todas as informações. - Depois que você nasceu e Alice soube o tamanho do seu poder, ela fez de tudo para escondê-la de tudo e de todos.
- Pelo jeito tinha prazo de validade. - Dean deduziu.
- Sim. Aos 22 anos ela esperava que você pudesse se cuidar sozinha. Nos últimos seis meses os sinais da sua existência começaram a aflorar; todos estavam atrás de você, mas ainda não estava completamente visível.
- Então você me achou. E tentou me manter longe de problemas. - Ela parecia falar mais consigo mesma do que com alguém da sala.
- Enquanto eu não estava ajudando eles dois, estava vigiando você, mas percebi que depois que você perdesse a proteção seria impossível te proteger sozinho. Eles são os únicos em quem podemos confiar.
As informações ainda eram demais pra todos eles. Mesmo com todas as recentes descobertas, as revelações continuavam surpreendendo.
- Alice te colocou em um orfanato pensando que estaria protegida. Nenhum casal jamais a adotaria, te mantendo segura no lugar onde ninguém pudesse te ferir.
- Tirando o incidente do incêndio quando eu cheguei no orfanato, não é? Sabia que todas as crianças mais velhas me culpavam por aquilo? Cinco internos morreram naquela noite. As únicas amizades que eu tinha foram adotadas antes dos meus 12 anos. Ela se quer se importou em como seria difícil ser deixada pra trás enquanto todo mundo que eu conhecia ia embora. Como poderia ser pra uma criança ficar sempre sozinha? - sua respiração estava pesada, Dean se assustou ao ouvir o som do soco que ela acabara de dar na parede.
A sala estava em silêncio mais uma vez, exceto pela respiração de Aurora, que agora tentava retomar a calma.
- Ela pensou que assim seria o melhor. O incêndio foi causado pelos anjos que a seguiam, ela precisava te esconder... não demorou para que eles a encontrassem e assassinassem.
- Ótimo. E o que fazemos agora? - Dean perguntou tentando ser prático.
- Sobrevivemos; levamos ela pro lugar mais seguro que conhecemos. - Sam esperou que o irmão entendesse, mas como não houve uma resposta - Bobby.
- Espera ai bonitões. Já pensaram que talvez eu não queira seguir viagem com o trio parada dura? - Aurora já estava em posição de luta mais uma vez, ficando de costas para a parede para que ninguém a atacasse por trás, já que estava em desvantagem.
- Você não tem muita escolha agora. - Castiel estava atrás dela e encostou seus dedos em sua testa, ela caiu desacordada imediatamente sobre ele. - Vamos levá-la logo daqui. Não tenho forças para teleporte. Sam pegue ela.
- Por que ele? - Dean perguntou. Sam revirou os olhos tentando ignorar a pergunta do irmão - Que foi? Só quero saber porque não eu. - Sam já estava ao lado do anjo pegando-a no colo mais uma vez.
- Foi para o Sam que Alice disse a mensagem. De certa maneira ela passou a guarda da filha para ele. Como se agora ela pertencesse à ele.
- É melhor não deixar ela saber disso - Dean deu uma risadinha caçoando o irmão e sorriu maliciosamente. Sam revirou os olhos mais uma vez tentando ignorar a infantilidade do irmão.
- Vamos logo.
