Nota: se alguém se incomodar com as expressões de linguagem que o Naruto utiliza (se liga, por exemplo), é importante mensurar que o dattebayo que ele verba com bastante frequência não tem um significado específico. O se liga é a forma com que o mangá da Panini adapta o significado da expressão dattebayo. Contudo, alguns lugares também o traduzem como tô certo; no inglês, adaptaram como believe it. Não é uma falácia. Trata-se de uma adaptação, à minha escolha, das características do personagem para a fanfic. Apreciem!
CAPÍTULO II
I
Os dias continuaram a seguir e, após uma semana, estavam iniciadas as finais do Exame Chuunin da Folha. Nesta festividade, sentavam-se no alto os cinco Kage: Gaara, da Vila da Areia; Kurotsuchi, da Vila da Pedra; Darui, da Vila da Nuvem; Choujiro, da Vila da Névoa; e Kakashi, da Vila da Folha. Como quem presidia o evento, o Hokage foi aquele que prestou o discurso inicial.
— Os Exame Chuunin, desde tempos de outrora (acho que há uns vinte anos, mais ou menos) — ouviu-se uns risos pela plateia devido à falta de informação do Hokage —, vêm sido presididos em grandes Vilas Ocultas, como forma de estabelecer e fortificar as nossas alianças. Venho até vocês, hoje, nesse memorável 31 de outubro, para dar início às finais de nosso exame. Que os participantes possam entrar! — E vieram todos eles. Primeiro Soki, tirando um grito de todos os membros da Folha, inclusive da sua quieta e tímida mãe, Hinata; depois Kurotsuki e Umi e Soujiro, os demais Genin da Folha. Seguiram com Koharu, Kinkaru e Tsubaki. Finalmente veio Mizaru. É natural pensar que a torcida de casa foi a mais elevada. O mesmo ocorreu nos anos anteriores, com sedes em diversos lugares ao redor do mundo, incluindo a Vila da Areia, da Nuvem, da Cachoeira, entre outros. — Nossas finais serão baseadas em torneios que testam, além das suas naturais habilidades de combate, suas táticas, sua conduta ética e moral, sua determinação e lealdade. — Kakashi lembrou-se de Obito, e o tanto que o velho amigo lhe ensinou no passado. — Dito isso, dou como abertos os torneios de classificação para o grau de Chuunin da Aliança Shinobi!
A festividade estava bela. Todos celebraram com fogos e brados o início do torneio. Não era um esporte sanguinário, mas uma extensão das vontades de cada Shinobi. De acordo com o Sábio dos Seis Caminhos, aquela era a real essência do Ninshuu, sua criação original. Doravante, os Shinobi deveriam respeitar sua matriz, sua origem; e não mais usariam aquilo como uma arma somente. Afinal, o Ninshuu deveria servir para unir as pessoas, por que o Ninjutsu, seu derivado, deveria fazer o oposto?
Sakura sentou-se inquieta durante a apresentação. Era hora da luta de Soki, e sua batalha seria contra Mizaru, o talentoso Genin da Cachoeira. Hinata também estava bastante assustada, mas ambas torciam fervorosamente para o garoto. Tenshi e Hikari também gritavam bem de perto. Tinham o direito de estar próximos aos candidatos como honraria à sua bela participação. Assim que os competidores compareceram na Arena, o público voltou a gritar. Os Kage, no alto de seu entusiasmo, aplaudiram os competidores com bastante ferrenho. Um dia, qualquer um deles poderia substitui-los em seus cargos.
— Senhoras e senhores, — disse Rock Lee, o jurado da partida — prestem bastante atenção: não é permitido ferir fatalmente ou assassinar o seu oponente! Lembre-se que a essência de um embate é a mesma que brilha na sua juventude! Comecem!
A luta começou de forma incrível. Mizaru era um Genin extremamente habilidoso em técnicas do estilo água. Soki era habilidoso em técnicas do estilo fogo. Ambos batalhando como verdadeiros opostos, embora a um nível surpreendentemente equiparado. Sakura observava aquilo com tremenda inquietude.
— Seja mais ágil, Soki. Não deixe que ele cerque você — resmungou em meio à multidão de torcida.
— Não se preocupe. O rapaz da Folha é muito mais rápido que o outro. Além disso, está só esperando a hora certa para começar o bote. — Comentou um homem. Estava de pé, como se espreitando o lugar vazio ao lado de Sakura. — Posso?
Sakura reparou bem na figura. Trajava uma imensa capa negra, com uma máscara a omitir o rosto. A voz era de um timbre desconhecido. Certamente era um ANBU disfarçado. Poderia até mesmo ser um de seus amigos. Quem sabe Kiba ou Shino. Assentiu positivamente em resposta.
— Não precisa se sentir desamparada. O seu garoto é quem vai ganhar a luta — disse o homem, sentando-se pomposamente e esbanjando uma confiança invejável.
— Qual a sua divisão? — Perguntou Sakura, intrigada com a aparição repentina de um ANBU naquelas circunstâncias. Era esperado que a Vila fosse guardada, mas não de forma tão aberta.
— R1010. Contate Sai-sama caso tenha dúvida sobre minha identidade, Sakura-sama — aquele comentário tranquilizou a Kunoichi. — Mas o fato é que tenho bons olhos para garotos habilidosos. O seu menino é de uma astúcia incrível.
Sakura sentiu-se contente com o que era falado. A leveza nos movimentos de Soki era, sem dúvida, oriunda do Clã Hyuuga. Ainda assim, eram fortes e sólidos, tal como sua mestra havia lhe ensinado. Contudo, deparou-se com a cena mais inusitada possível: quando o garoto fora cercado por clones de água, fez selamentos que geraram o dobro de quantidade de clones de sombra.
— Como… Como ele aprendeu aquilo? Quando ele aprendeu? — Pensou se Konohamaru teria lhe ensinado aquela técnica.
— Olha só. As surpresas não param por aí. Os dois garotos sabem utilizar técnicas de nível Jounin. — O homem ponderou. — Mas somente saber usá-las não é o bastante.
— Será que pode ficar calado por um tempo, por favor? — Resmungou Sakura, buscando alguma explicação para aquilo. Sua mente confundiu-se bastante, pensando se Konohamaru havia ensinado o Kage Bunshin no Jutsu para seu aprendiz.
Quanto mais pensava nisso, mais Naruto lhe vinha à cabeça. A informação passada por Konohamaru, sobre um tal Ruto estar treinando Soki, foi a primeira cena a emergir de sua memória. Tinha simplesmente fechado os olhos para tal possibilidade, mas agora se via ansiosa e com o coração acelerado.
— Desculpe-me pela indiscrição, Sakura-sama. Sei o quanto aquilo pode lhe parecer estranhamente familiar — disse o homem, atraindo parte da atenção da Kunoichi —, mas não há nada para se preocupar. Tudo será explicado.
O homem se levantou, ainda encarando a arena. Sakura permanecia sem palavras, também olhando para a mesma direção. Era extremamente visível a tática de Soki: ele estava aprendendo estratégias com o Kage Bunshin no Jutsu. Ele não apenas aprendeu o Kage Bunshin; ele o dominou. Aquilo requeria um mestre acima do nível comum. Como se não bastasse, o jovem Genin gozava de uma velocidade acima da que era esperada.
— Onde ele aprendeu aqueles movimentos? É como se pudesse mover-se rápida e suavemente — logo Sakura recuperou ciência da presença do ANBU. Ainda assim, quando desviou o olhar para ele, notou que não estava mais ali.
O embate seguiu por mais alguns instantes. Ainda assim, não havia nada que Mizaru pudesse fazer. Soki já havia aprendido todas as táticas de seu adversário através do Kage Bunshin. Montou uma armadilha quase perfeita e, antes que Mizaru percebesse, fora rendido por cinco clones de sombra.
— Renda-se — ameaçou Soki, apontando uma kunai para o adversário.
Rock Lee interferiu na luta, dando o título de vencedor a Soki. Os competidores não sabiam, mas os juízes já haviam dado a graduação de Chuunin a Soki simplesmente por conseguir utilizar os clones de sombra como método de espionagem. Nenhum outro candidato percebeu aquela situação. Nem mesmo os colegas de equipe, Tenshi e Hikari, sabiam que Soki era capaz de usar aquela técnica. O garoto estava aparentemente cansado, mas ainda repleto de energia para cumprimentar as salvas da plateia após a luta. Também se curvou respeitosamente para o adversário, que ainda tinha certa dificuldade em lidar com a derrota.
Se Naruto pudesse utilizar o Kage Bunshin com tal proficiência na época de seu primeiro Exame Chuunin, certamente teria sido graduado assim como Shikamaru.
— Ele venceu! — Gritou Tenshi. Hikari também comemorava.
Kakashi não parecia tão surpreso quanto o restante dos Kage. Gaara rapidamente notou a quem remetia aqueles movimentos. O Kazekage olhou diretamente para Kakashi, mas não lhe perguntou nada. Sabia que se algo estivesse ocorrendo em segredo, então brevemente teria suas respostas. Contudo, Tsunade não era famosa por ser paciente como os Kage atuais.
— Hatake Kakashi! O que significa aquilo? — Bufou a Quinta, aparecendo ao lado do Sexto Hokage da Folha. — Onde Soki aprendeu aqueles movimentos? Com Sakura que não foi.
— De fato, não foi com ela. — Respondeu com desânimo.
Tsunade rangeu os dentes. Sabia que não obteria respostas de Kakashi. Ao observar Sakura de longe, notou que ela também não sabia de nada. Contudo, se Naruto havia realmente retornado, então o alerta sobre a perseguição à Soki era mais grave do que pensava. Isso, certamente, deixava-a bastante nervosa. Principalmente nesses tempos de paz, onde a nova geração não sabia das dores profundas que acometeram seus ancestrais.
O restante das lutas ocorreu durante as quartas, pois apenas oito finalistas restavam. Koharu venceu Umi. Kurotsuki venceu Soujiro. E Kinkaru venceu Tsubaki. A seguir, nas semifinais, Soki venceu Koharu. Esta havia sido uma luta incrível, pois Koharu era uma das mais fortes do Exame. Sua expressão era sempre sombria e cruel, tal como era esperado dos poderosos Shinobi da Areia. Koharu manipulava muito bem o estilo vento, sendo esta uma das vantagens de Soki. O estilo fogo era superior ao estilo vento. Contudo, o Kage Bunshin ainda era a principal ferramenta no embate.
Com muita dificuldade, Kurotsuki derrotou Kinkaru. Foi a primeira vez, em muito tempo, que apenas dois Genin da Folha competiam pela graduação Chuunin.
— Pegue leve comigo, Tsuki-nee-chan. — Disse Soki. Kurotsuki era aprendiz de sua mãe, Hinata, portanto a conhecia muito bem.
— Eu que devo dizer isso a você. Que técnicas são aquelas? Onde aprendeu a utilizar o Kage Bunshin? — Respondeu durante o embate. Eram bons amigos. Sabiam compartilhar esses momentos.
Kurotsuki era uma garota bastante hábil. Uma das Kunoichi mais geniais que se viu na Academia Ninja desde Uchiha Sasuke. Seu nome completo era Nara Kurotsuki, filha de Shikamaru, da Folha, e Temari, da da Areia. A mãe vivia como representante de sua vila natal na Folha, e o pai era assistente direto do Hokage. A mistura do sangue afiado dos Shinobi da Areia com o coração fervoroso da Folha fez surgir um grande potencial. O embate era incrivelmente belo e voraz. Ambos tinham pleno conhecimento e domínio das técnicas um do outro; embora Soki não tivesse mostrado seu novo estilo de luta até agora.
Contudo, aquele ano era das mulheres. Kurotsuki foi a vencedora do Exame Chuunin da Folha. Ela e Soki, portanto, foram graduados para o grau Chuunin. O encerramento foi comemorado como uma verdadeira festa, mesmo por aqueles que não foram vitoriosos.
— Todos vocês foram incríveis — Kakashi fez questão de mencionar.
Os outros Kage aplaudiram os novos Chuunin e os outros candidatos. Em tempos de paz, pensaram eles, todos podiam ser os campeões. Naruto, escondido em algum lugar pelo estádio, sorriu satisfatoriamente ao ver Soki graduado. Tinha agora de cumprir uma promessa especial.
Depois da festividade, os novos Chuunin foram ter uma reunião com o Hokage. Caso os candidatos de outra vila ganhassem, então seus Kage estariam presentes para recebê-los. Kakashi lhes deu o uniforme Shinobi da Vila da Folha, o mesmo que qualquer Chuunin e Jounin deveria usar. Também lhes deu pergaminhos contando sobre seus novos direitos e deveres. Kurotsuki estava visivelmente emocionada. Seu pai, Shikamaru, esteve ao lado de Kakashi o tempo todo. Mesmo um preguiçoso como ele não deixava de sentir orgulho por sua filha.
— Parabéns a todos vocês. — Kakashi sorriu ternamente.
— Sim, Hokage-sama — responderam os campeões.
Soki ameaçou Kurotsuki, dizendo-a que as coisas não ficariam naquele pé.
— Eu vou me vingar dessa derrota, Tsuki-nee-chan. Pode ter certeza — disse ele, acenando já ao longe. Queria correr o mais rápido possível para sua casa e jogar na cara dos Hyuuga a sua capacidade. Mesmo que eu não tenha o Byakugan, ainda sou forte, era o que seu coração palpitava.
II
Kurotsuki acenou de volta, e logo não se podia mais vê-la no horizonte. Soki começou a caminhar calmamente, olhando os arredores e vendo como as festividades já sumiam ao longo das ruas. As pessoas retornavam para suas casas, os estrangeiros apreciavam uma última vista da Folha, alguns mais felizes do que outros, e as expectativas de um amanhã normal pairavam pelo ar. Soki sorriu ao olhar para a lua cheia, elevando-se ao céu como uma majestade, completamente satisfeito por seu desempenho.
— Como vai explicar à sua mãe e à sua professora as técnicas que utilizou durante a luta? — Uma voz despertou-o dos devaneios.
— Ruto-sensei? Você me viu? Eu não estava incrível? — Indagou o jovem com um grande sorriso.
— Se liga, eu vi. Parabéns! — Respondeu o homem encapuzado. Estendeu a mão num cumprimento bastante informal.
— Como explicá-las? Ora, eu preciso contar que aprendi com alguém. Talvez jogue a culpa no pervertido. Ele também sabe muitas coisas, não sabe? — Disse Soki. Seu brilhantismo era excepcional para fugir das enrascadas.
— Não se preocupe. Vamos. Vou com você até a sua casa — Ruto murmurou. Soki, por sua vez, foi pego de surpresa.
Não reclamou ao ter a companhia de Ruto durante a volta. Imaginou se o homem apresentar-se-ia formalmente à Hinata, embora, segundo ele próprio, já a conhecesse desde os tempos de escola. A curiosidade voltava a crescer no coração de Soki. Quem era Ruto? Por que escondia sua identidade?
Ao chegar lá, sua mãe, Hinata, esperava-o do lado de fora da casa. Seus olhos estavam marejados, sua bochecha vermelha, Soki podia jurar que era por sua vitória. Mas não era só por isso. O Byakugan estava ativo, e somente Ruto sabia o que aquilo significava.
— Olá, Hinata. — Suas palavras saíram leves e fáceis. — Quanto tempo, não?
Soki ora olhava para um, ora para o outro.
— Mamãe, você o conhece mesmo? Por que está chorando? — Perguntou preocupado. De repente, uma pequena raiva de Ruto brotava em si.
— Soki-kun, parabéns pela vitória. — Hinata olhou-o com sinceridade, embora ainda parecesse bastante chocada. — Foi este homem quem lhe ensinou o Kage Bunshin no Jutsu, não é?
Soki assentiu com a cabeça, envergonhado. Hinata sorriu.
— Não tem problema. Eu não imaginava que teria ele como professor. — Ruto não se moveu. Hinata olhou-o com uma expressão dolorosa. — Ninguém imaginava.
Soki repentinamente começou a entender as coisas. Hinata não só conhecia Ruto, como também não o via há bastante tempo. Pelo jeito, eles deviam ser próximos na época de escola. Soki decidiu deixá-los a sós.
— Eu vou fazer um café — disse, entrando na casa.
O silêncio perdurou por alguns momentos. Hinata encarou os pés.
— Você já viu a Sakura-san? — Perguntou com a voz trêmula. Temeu por sua amiga, mestra de seu filho, que de todos foi quem mais sofreu pela partida de Naruto.
— Bom, isso depende. — Ele riu amargamente.
— Naruto-kun, isso não é brincadeira. — Hinata era mesmo muito bonita. Naruto sempre achou isso, embora nunca tivesse lhe falado. Mesmos seus olhos impulsionando censura, o que mais trazia pesar ao coração de Naruto era sua expressão chorosa. Ainda assim, não deixava de ser encantadora. — Sakura-san sofreu tanto por todos esses anos. Ela continuou sendo forte, mesmo diante de tudo que perdeu. Primeiro Sasuke-san, depois você… Foi tanta coisa. Tantas dificuldades. Por favor, não a deixe sozinha novamente.
O apelo de Hinata perfurou-o mais fundo do que qualquer lâmina. Pelo fato de ela ter declarado seu amor uma vez, e por se dedicar tanto a ajudá-los que adotou o filho de seu melhor amigo. Abriu mão de sua herança como chefe do Clã Hyuuga somente para proteger uma criança. Uma criança que era alvo de Orochimaru, simplesmente por ser filho de Uchiha Sasuke.
— Me perdoe, Hinata. Eu prometo que não vou sumir de novo — Naruto respondeu com pesar.
Hinata terminava de secar os olhos.
— Soki-kun sabe sobre você? — Naruto sacudiu a cabeça. — Ele nem desconfia? Isso é surpreendente. — O riso dela era gracioso, assim como tudo nela. — Eu espero que volte depois com mais tempo. Por favor, conte-o assim que der. Tenho certeza de que ele ficaria honrado em conhecê-lo.
Hinata girou os calcanhares, quando foi detida por um tom sério e pesado na voz de Naruto.
— Hinata — chamou-a. Ela se deteve na soleira. — Por favor, tome bastante cuidado.
— Naruto-kun? — A moça murmurou.
— Eu sei que não a ajudei quando você mais precisou. Se liga, eu não sou digno de pedir mais da sua ajuda, seja como amigo ou como companheiro Shinobi. — Naruto retirou a máscara por uns instantes, revelando intensos olhos azuis, repletos de arrependimento. — Mas não posso deixar de lhe dizer isso: tome cuidado consigo e com Soki. Há coisas ruins acontecendo por aí. E você, acima de qualquer pessoa, deve tomar cuidado. Por favor.
Hinata colocou a mão sobre o farto seio, onde o coração saltava um passo. Há muito deixou de nutrir o amor que tinha por Uzumaki Naruto; o que mais lhe consumia agora era o filho adotivo. Mesmo que ele e quase ninguém soubesse da verdade, o que tinha em mãos era aquilo e nada mais. Seu filho era a única realidade. O medo de perdê-lo era o que mais a assustava.
— Sim, obrigada. — Disse, dispondo o relance de um sorriso. — E, por favor, conto com sua ajuda também, Naruto-kun. — Naruto não evitou seu último sorriso. — Ou melhor, Hokage-sama.
A porta se fechou após essas palavras. Naruto sentiu-se, enfim, livre de um grande peso. Ouviu Soki resmungando sobre o que estava acontecendo, mas Hinata não lhe deu nenhuma resposta direta. Disse que Ruto, ou qualquer coisa parecida, estaria presente na Vila por mais um tempo.
III
Naruto sentiu-se feliz ao pensar nisso. Ao pensar que estava de volta ao lar. Depois de hoje, contudo, teve coragem de fazer algo que não tinha há muito tempo. Pegou novamente a antiga máscara de raposa, aquela com a qual entrou na Vila, e dirigiu-se à casa de Haruno Sakura. Quando falou com ela durante o Exame Chuunin, fez questão de se disfarçar o máximo possível. Não acreditou que seria capaz de enganá-la, mas não se lembrava da capacidade que Sakura tinha de enganar a si mesma. Tão forte, mas tão insegura, Naruto suspirou. A cada passo em direção ao Leste da Folha, mais o medo crescia em seu coração. Ele ria nervosamente, pois sabia que aquilo terminaria de um jeito muito ruim ou próximo a isso. Pensou em vários cenários no qual ele, obviamente, terminaria como o saco de pancadas de Haruno Sakura. Não que discordasse disso. Pelo contrário, ele preferia apanhar ao ter de contemplar um olhar choroso, como foi o que ocorreu com Hinata.
Novamente se encontrou sob a sacada, olhando-a através da janela. As cortinas entreabertas só lhe permitiam um rápido vislumbre; e que vislumbre era aquele. Naruto novamente se viu paralisado pela beleza de sua antiga companheira de equipe. Diferente de Hinata, que tinha uma beleza doce e pura, Sakura era quente e dominadora. Suas pernas eram torneadas e firmes; e o que lhe faltava nos seios encontrava-se em abundância na parte traseira. E para complementar a obra de arte: ela tinha o cabelo cor-de-rosa liso, batendo pouco abaixo do ombro, brilhante e perfumado. Um primoroso acidente biológico. Que seria de Uzumaki Naruto sem aquele acidente?
Com toda a coragem que tinha, saltou sobre a bancada. Não demorou muito até que sua musa, com olhos cor-de-jade, aparecesse na janela munida de uma kunai. Encarou-o com desdenho:
— Quem é você? Por que está aqui? — Indagou furiosamente. — Essa máscara não é da ANBU. A quem pensa que está enganando?
— Se liga, não estou enganando ninguém.
A voz de Naruto saiu entrecortada e miúda. Sakura sentiu um arrepio percorrer todo o seu corpo. Imediatamente as palavras de Konohamaru vieram à sua mente. Aquelas mesmas que lhe causaram um surto de raiva.
— Não pode ser… — Murmurou com os olhos marejados, deixando que a kunai tinisse ao contato com o chão. Naruto, mais uma vez, havia perdido. Tudo o que queria era apanhar até o dia seguinte; mas novamente se via contemplando as lágrimas de uma pessoa especial.
— Por favor, — ele caminhou hesitante — eu não esperaria que chorasse desse jeito quando eu voltasse, Sakura-ch…
— Pare com isso! — Ela gritou. Algumas luzes se acenderam ao longo da rua. Nenhum dos dois se importou. — Não é possível. Não pode ser. — Suas mãos tocaram as têmporas. A expressão de dor manifestava-se como se fosse física; embora Naruto soubesse que não o era de fato. — Se isso é uma piada, não tem graça nenhuma! Pare! Pare de falar como ele. Pare de agir como ele.
De repente, as lágrimas irrompiam pesadamente dos olhos de Sakura. A gravidade carregava-as para o chão, onde Naruto sentia-as ecoarem como tambores rufando ao alvorecer de uma batalha.
— Sakura-chan, — ele chamou mais uma vez, e mais uma vez Sakura soluçou aos prantos — sou eu. — Ele tirou a máscara, deixando-a cair sobre o chão. Novamente, seus olhos intensos brilhavam um azul claro por entre o breu da noite. Sakura não mais teve dúvidas.
— E eu duvidei do Konohamaru. E eu vi Soki durante o Exame Chuunin. Eu não quis acreditar, não quis. Mesmo quando aquele cara… — Lembrou-se do estranho ANBU que lhe fez companhia. — Era você, o tempo todo.
As lágrimas de Sakura começaram a cair numa velocidade constante. Naruto já havia retirado o capuz, revelando seus fios de cabelo dourado e seu rosto maduro, enrijecido pelos anos em que passou ao relento. Quantas vezes mostrou esse rosto em público? Com quantas pessoas ele se relacionou ao longo de treze anos? Sakura não sabia. Nem mesmo queria pensar nisso.
— Seu idiota! — Caminhou em direção a ele com o punho cerrado. Naruto já esperava por isso.
Contudo, o soco não foi como havia premeditado. Não com um braço cercando-o em torno do pescoço. Não com o corpo dela o envolvendo. Não. Naruto podia prever muitas coisas, mas isso quase sempre falhava quando se tratava de Haruno Sakura.
— Por que nos deixou? — Sua voz ainda falhava entre os soluços.
— Sakura-chan, me perdoe. — Foi tudo o que ele conseguiu dizer. Ainda não havia retribuído o abraço.
— Por que você foi embora? Por que nos deixou? Por que me deixou? — Apertava mais o abraço a cada pergunta que saía.
— Se liga, eu não podia viver aqui. Não com uma vergonha dessas. — Naruto abaixou o olhar, ainda incapaz de retribuir o abraço no qual foi envolvido.
Sakura sorriu amargamente.
— Eu deveria saber que era minha culpa.
Naruto sabia que pelo menos esse golpe ele iria levar. Foi nesse momento que decidiu abraçá-la, também.
— Por favor, Sakura-chan. Nunca diga isso. Demorou muito tempo para que eu percebesse que estava errado ao deixar tudo para trás. Não foi só você, mas o Soki também. A Hinata, o Kakashi-sensei, todo mundo. Todos acreditavam em mim. E eu os deixei na mão — Naruto murmurou arrependido.
— Mas não foi por causa de nenhum deles que você saiu, não foi? Foi por minha causa. Por causa daquela maldita promessa. — Sakura disse sem olhar para ele. — Você não engoliu minha conversa no País do Ferro, nem mesmo quando o liberei da promessa. Você seguiu em frente, sempre acreditando em Sasuke-kun e na sua capacidade de trazê-lo de volta. Mas a verdade é que nós dois falhamos, não é? Mesmo que Sasuke-kun fosse salvo, ele nunca voltaria para cá. — Naruto deteve-se ao dizer para você, mas a verdade era essa. Sasuke já tinha Karin, e ele não nutria qualquer amor pela Folha. — Você sabe que é verdade. A maior prova disso é o Soki.
Sakura já não chorava mais. Naruto conseguiu aliviar suas feições depois disso.
— Me desculpe por tomá-lo de você, aliás — engoliu seco. Não queria mudar de assunto assim, mas Sakura já não parecia a fim de discutir sobre aquilo.
Ela deu um leve sorriso.
— Quando Konohamaru nos contou, — Sakura imaginou que Naruto fosse se surpreender, mas ele já estava ciente de que Konohamaru tentara espalhar a notícia — não acreditei nele. Na verdade, ninguém acreditou. Nem Kakashi-sensei. Acho que Soki não vai reclamar se souber que Naruto, o Grande Herói, treinou ele a utilizar o Kage Bunshin no Jutsu. — Sakura gesticulou ironicamente na parte d'o Grande Herói, atraindo um riso por parte de Naruto.
— Na verdade, eu o treinei a usar o Shunshin no Jutsu, também. E acho mais do que justo que ele aprenda o Hiraishin no Jutsu. — Mencionou com orgulho. Sakura cruzou os braços.
— Ei, não vá se achando muito. — Bufou. — E não pense que nós resolvemos nossa situação.
Naruto assumiu um semblante de medo ao sentir o chakra se acumulando na mão de Sakura. Quem diria que ele, além de receber o que menos queria — uma expressão chorosa — também levaria um soco de compensação.
Um grande estrondo foi ouvido na residência de Haruno Sakura. Naruto atravessou a parede do quarto e foi parar diretamente na cozinha, embaixo da pia. Recebia um filete de água suja, do esgoto, bem no rosto, sentindo a dor de uma costela quebrada próxima ao peito esquerdo. Sakura já estava lá, fechando o registro de água para impedir o vazamento. Tão breve fez isso, retirou Naruto de baixo da pia segurando-o pelo colarinho, e disse com o rosto plácido:
— Você pagará pelo conserto da minha cozinha. — Ele assentiu. — E também vai me hospedar na sua casa até que os reparos estejam concluídos.
Ele assentiu. Espera aí? O quê?
— O quê? — Ele indagou. — Sakura-chan, do que está falando? Ai. — Reclamou da costela. — Se você ficar na minha casa, aonde vou ficar?
Sakura novamente o largou no chão, tirando dele mais uma reclamação de dor.
— Quem sabe? Depois eu penso nisso. Vamos. — Ordenou, indo para o quarto preparar as malas.
Naruto aguardou em silêncio, imaginando o quão estranha parecia aquela situação. Contudo, não deixou de sentir o coração acelerar de felicidade. O reencontro com Sakura havia sido melhor do que o esperado.
— Vamos logo, Naruto. Você vai gastar muito mais do que isso para me compensar — Sakura bufou, jogando em cima de Naruto uma enorme mala cor-de-rosa. — Leve essa daí.
Sem reclamar, o jovem ergue a bolsa de Sakura e se põe a segui-la ao longo da cidade. Voltou a utilizar a máscara, mesmo sob os questionamentos da amiga. Segundo ele, ainda era cedo demais para voltar aos holofotes. Quanto menos pessoas soubessem de sua volta, melhor seria.
Subiram em segredo para o antigo apartamento de Naruto. Estava muito bem arrumado, o que surpreendeu bastante a Sakura.
— Para mim isso aqui estaria uma bagunça — disse, deixando uma bolsa em cima do sofá.
— Se liga, eu não passo muito tempo aqui para bagunçar as coisas. — Naruto respondeu, deixando a mala cor-de-rosa ao lado da bolsa. — Na verdade, costumo vir bem mais tarde do que isso só para dormir.
Sakura olhou o relógio da cozinha. Meia noite e meia. Imaginou o que Naruto fazia para voltar tão tarde. O pensamento lhe trouxe um sentimento muito perturbador: ciúme.
— Fica visitando a casa de alguma Kunoichi iludida, Uzumaki Naruto? — A voz dela saiu involuntariamente ríspida.
Naruto tremeu.
— Se liga, Sakura-chan. Claro que não. Iludida. Onde já se viu… — Resmungou de dentro da cozinha. Bebia um pouco de água para acalmar os nervos.
Sakura encarou-o bem. De repente, havia uma expressão triste e interrogativa nos seus olhos.
— Por que visitou primeiro Soki, Konohamaru, Kakashi-sensei e só depois a mim? — Naruto percebeu que era mais do que isso. Sakura se sentiu abandonada duas vezes: uma quando ele foi embora, outra quando não teve coragem de visitá-la assim que retornou.
Seus olhos azuis ficaram embebidos de arrependimento.
— Bem, — ele começou — você não foi a última pessoa que eu vi. — Coçou a nuca, imaginando se havia palavras adequadas para aquele momento. — Na verdade, foi a primeira.
Sakura entendeu.
— Eu que não vi você, certo? — Naruto assentiu envergonhado.
Sakura virou as costas, direcionando-se para suas malas. Sua voz cantarolava estranhamente.
— Acho que eu fiz muita atividade agora há pouco. Preciso de tomar outro banho para limpar o suor. Se importa?
— Não. Claro que não. — Naruto gaguejou.
O Herói a vigiava durante cada passo. Sakura pegou uma toalha e uma muda de roupas frescas. Naruto coçou a nuca, imaginando-se se não deveria tomar um banho, também. Mas aonde?, pensou confuso. Aquela situação toda era muito nova. Nunca havia recebido Sakura assim, em sua casa, ainda mais depois de tanta coisa. Não sabia se ela estava agindo por impulso ou se tinha algum plano de vingança em mente.
— Não se preocupe. Eu deixo você tomar um banho depois. — Ela riu de dentro do banheiro, como se adivinhasse o que ele pensava. — Você está com um cheiro meio estranho, afinal.
Aquilo o deixou atordoado. Uzumaki Naruto amou Haruno Sakura desde sempre. Até hoje, hein? E agora ela estava ali, tomando banho no seu chuveiro. Nua. Naruto se perguntava como seria o corpo de Sakura. Apenas sua imaginação havia trilhado um lugar tão perigoso. Com frequência se dava uns cascudos na nuca; não sentia que era hora para pensar naquelas coisas. Mas ouvir a água do chuveiro caindo no chão, imaginando o corpo de Sakura sendo banhado por ela, não o ajudava a acalmar os nervos.
— O que diabo eu estou fazendo aqui? — Olhou para o teto, olhou para os lados, olhou para a foto do Time Sete e para a foto dos seus pais. Havia adquirido ela durante suas viagens. Era engraçado que nunca tenha possuído um exemplar. — Merda.
Não encontrando saída para sua estranha situação, Naruto se deixou levar. Arrumou a cama para Sakura e o sofá para si. Verificou a geladeira para ver se havia um café-da-manhã adequado para ambos. Sorriu desanimado ao ver que o eletrodoméstico se encontrava, inclusive, desligado. Acho que terei que sair para fazer compras amanhã de manhã, pensou com pouco ânimo. De repente, o barulho do chuveiro cessou.
— Naruto, está livre para você. — Disse Sakura de dentro do quarto. Naruto imaginou se ela ainda estava nua.
— Tudo bem, Sakura-chan. Obrigado. — Suspirou. Tentou novamente controlar os próprios nervos.
Quando entrou no banheiro, deixou que o chuveiro jogasse água fria sobre seu corpo. Precisava controlar os hormônios. Não é hora para isso. Não é hora para isso. Não é hora para isso. Repetia isso para si mesmo, muitas vezes. Quando decidiu que não dava para enrolar mais no chuveiro, cobriu-se com a toalha. Contudo, ao procurar por uma roupa, percebeu que estava tudo no quarto. Com Sakura.
— Tudo bem. Nada problemático. Eu só tenho que pedir para que ela traga algo confortável para dormir. Só isso. — Naruto respirou fundo e gritou: — Ei, Sakura-chan. Se liga, você pode trazer uma roupa para mim? Ficam na primeira gaveta dentro do guarda-roupas.
Sakura não respondeu. Mas Naruto podia ouvi-la fuçando em algo. Não demorou muito para que ela batesse à porta do banheiro.
— Você não está pelado, está? — Ouviu a voz brincalhona dela.
— Não — gaguejou, abrindo a porta apenas o suficiente para pegar a muda de roupas.
Notou que Sakura realmente o conhecia bem. Trouxe uma camisa laranja, bem larga, e uma calça preta comprida. Exatamente o que gostava de usar para dormir. Quando terminou, abriu a porta e deparou-se com ela de costas, com o pescoço emergindo do outro lado do sofá.
— Imagino que tenha acertado na roupa, não é? — Ela perguntou ainda de costas.
Naruto assentiu. Sentiu-se meio estúpido, já que ela não poderia ver sua resposta. Contudo, Sakura parece ter entendido o silêncio como consentimento.
— Você não quer me contar por onde esteve até agora? O que fez de bom e de mau? Os seus sofrimentos e suas felicidades? — Havia um tom jocoso na voz dela, mas era puro disfarce. Naruto poderia dizer que Sakura ainda não acreditava na sua presença ali. Talvez toda essa coisa de quebrar a casa e se mudar para junto dele fosse apenas uma desculpa.
Ele se sentou à frente dela, no chão, tendo apenas um pequeno abajur iluminando o ambiente. Os retratos, os móveis, todas as coisas refletindo apenas uma pequena fonte de luz não polarizada.
— Eu viajei por muitos países, Sakura-chan. A princípio, tentei remontar todo o trajeto de Sasuke com Orochimaru. — Não havia hesitação na sua voz. Também não se observou nenhuma reação sobressaltada na amiga. — Encontrei muitos dos esconderijos dele. Algumas vezes, rastreei seus companheiros da Taka. Fiquei sabendo que nem Kabuto conseguiu encontrar Orochimaru, não é? Mesmo tendo revelado tudo sobre ele, inclusive detalhes dos seus esconderijos. — Fez menção ao antigo subordinado daquele Sannin, que agora era um membro da Folha. — A verdade é que eu passei muita parte desse tempo perseguindo um Sasuke que não existia. Quis saber o que ele fez, o que ele aprendeu, o que havia conquistado da sua vingança etc. Mas descobri que o passado não era meu aliado. Se liga, as pessoas que morrem deixam apenas ilusões do futuro; um futuro no qual elas existem, comumente relacionado às coisas que fariam conosco. Caso contrário, o que fariam nos lugares onde poderiam estar. Não sei por quê, mas me parecia sensato continuar perseguindo Sasuke após sua morte. Até eu descobrir que não adiantaria nada. — Naruto suspirou, sentindo-se muito tolo ao contar aquelas coisas. — Depois eu vi que não mudaria nada perseguir alguém que já tinha morrido. Então, decidi viver como um andarilho, assim como o Ero-sennin. Nessa parte eu fui um pouco melhor, sem precisar agir como um pervertido, inclusive. — Sakura olhou-o com suspeita. — É verdade. Se liga, eu juro. Nunca fiz nada que me levasse a apanhar de você. — Sakura sorriu, pois percebeu que mesmo no exílio Naruto ainda pensava nela. — Descobri que havia tanta gente com saudade do Mugen Tsukiyomi. Algumas sequer acreditavam que este mundo era verdadeiro. Foram tidas como loucas, encarceradas e afastadas da sociedade. Se liga, esse tipo de drama não é o que eu esperava ao lutar contra Madara e Kaguya. Não era isso que tínhamos em mente.
Sakura assentiu. Participou ativamente da última luta, por isso sabia o que aquilo significava: que em grande parte haviam falhado, e o mundo não estava tão melhor quanto aparentava.
— Continuei explorando vários lugares, vendo o que algumas pessoas ainda praticavam mesmo depois da Guerra. Sabe, Sakura-chan, poucas coisas mudam no nosso tempo de vida; a propensão dos Shinobi ao erro parece ter sido uma dessas coisas. Vi gente matando por vários motivos (algumas dessas mortes eu impedi), mas tentei não me meter muito. Eu queria ver até onde iam as motivações delas por aquilo que acreditavam. Assim como eu fiz no passado. — Naruto olhou a si mesmo nos retratos de sua casa. Sakura reparou no rosto dele, maduro e cansado, marcado por intensas aventuras e desilusões. Parecia ser a mesma pessoa do passado, mas tocada por uma realidade ainda mais cruel. — Descobri que Obito não estava tão errado quanto parecia, sabe? Nós somos pessoinhas tendenciosas ao caos. Só que então, na última das minhas viagens, eu conheci um garoto que entrou na frente de uma kunai. Antes que eu fosse defendê-lo, ele disse: "não vou mover um pé daqui… vocês não podem me deter". Pensei com os meus botões: o que esse pirralho está fazendo? Ele continuou: "vocês ficam aí, brincando de saber todas as coisas do mundo, brigando sobre uma árvore que nasceu há tantos anos atrás, quando na verdade têm é medo de encarar a realidade do agora. Aí vai minha dica para vocês: se têm tanto medo de lutar para mudar a realidade que os cerca, deixem isso comigo. Façam de mim o seu líder. Eu farei a vida de vocês melhores. Então, se eu fracassar, aí sim podem ir e tirar suas vidas à vontade", sabe, aquilo me fez pensar muito. Se liga, as pessoas estavam se matando porque queriam acreditar que o Mugen Tsukiyomi não era a melhor solução. Não importava o quanto os Kage agissem, a situação não melhorava. Mas aquele garoto fez todos pararem e depositarem nele as suas aspirações. Mesmo tendo chamado eles de covardes, todos se ajoelharam e choraram intensamente. Perceberam que não estavam lutando pelos ideais de todos, mas por seus próprios ideais. Foi aí que eu percebi que tinha mudado muito do meu propósito inicial: eu quebrei muitas das minhas palavras, e para alguém cujo caminho ninja consiste em não quebrar nenhuma palavra, acho que me desviei muito. — Sakura riu desgostosamente, com lágrimas nos olhos. — Eu segui o exemplo daquele garoto. Na minha última viagem, eu saí me metendo em todas as discussões possíveis. Tornei-me um pacificador, por assim dizer. Quis que todos refletissem sobre a realidade atual, não sobre o que já tinha passado. As pessoas precisavam superar o Mugen Tsukiyomi. — Sakura suspirou, mas viu que havia alguma chave faltante no discurso de Naruto. — O mesmo valia para mim: eu tinha que superar a morte de Sasuke. Eu tinha que assumir o papel que me fora dado.
Portanto, Naruto levou a mão em frente ao peito. Olhou para Sakura com bastante determinação, o mesmo olhar de fogo que se via nos tempos de criança.
— Não posso voltar atrás com as minhas palavras: esse é o meu jeito ninja. Eu vou me tornar o Hokage, e vou lutar para que a paz no mundo não dependa do medo de uma nova guerra. — Sakura deixou que uma lágrima caísse. Sim, Naruto havia retornado. — Só que eu preciso agradecer àquele garotinho por isso.
Contudo, Sakura sabia que havia algo além de tudo. Os conflitos em função do Mugen Tsukiyomi não eram um segredo de Estado. Houve muitas campanhas nos últimos anos acerca desse problema, e conflitos armados não eram sobretudo a única preocupação. Naruto soube de um problema a mais; e por isso voltou às pressas. Mas Sakura não queria falar sobre isso agora.
— É bom tê-lo de volta, seu idiota. — Ela limpou a lágrima que caía tangente à bochecha.
Naruto sorriu intensamente, sentindo um calor lhe aquecendo o rosto. Percebeu que Sakura estava vestida com uma camisola cor-de-rosa, coberta numa singela colcha de retalhos, tomando conta do sofá que Naruto arrumou como cama para si.
— Sakura-chan, você vai ficar com minha cama, não vai? — Perguntou sem tomar conta do seu coração descompassado.
— Não. — Sakura se deteve ao responder. Agora que estava ali, perguntou-se se era mesmo adequado. Eles não eram mais os garotos de outrora. Eram adultos, e isso não lhe dava direito de agir como uma garota ferida. — Eu fico com o sofá.
Naruto se levantou rapidamente, não querendo discutir muito. Não naquela situação. Foi bem repentino o início da chuva, que furiosamente crescia conforme os minutos se passavam.
— Se liga, isso foi inesperado. — Naruto disse nervosamente. Quanto mais ansioso estava, mais uso de suas expressões de linguagem ele fazia.
— É mesmo — Sakura cobriu-se com a colcha, olhando os arredores e percebendo como o tempo estava mais frio.
— Acho que tem umas goteiras na cozinha. Se liga, vou me certificar de que está tudo bem.
Dito isso, ele saiu lá para dentro. Sakura ficou esperando, brincando com os próprios dedos e se sentindo uma pequena garotinha tola. Onde havia ido parar a Kunoichi decidida e forte de agora pouco? Ouviu-se uns barulhos de panelas e outros utensílios domésticos se chocando na cozinha. Parece que Naruto estava querendo tratar uma infiltração. Contudo, de forma ainda mais repentina, as luzes de toda cidade se apagaram em ressonância com o estrondo de um trovão. Sakura deu um salto no sofá, imaginando o que teria acontecido. Há muito não se viam apagões na Folha; e aquele, certamente, não era esperado pelo Ministério de Energia.
— Se liga, isso também foi inesperado — disse Naruto, aproximando-se cautelosamente de Sakura.
Sakura deu outro salto. Não prestou atenção em Naruto voltando. Ele, ciente do desconforto da situação, disse-lhe com suavidade:
— Não se preocupe, Sakura-chan. Vai ficar tudo bem. Enfim, — ele limpou a garganta — vou para o quarto. Se precisar de qualquer coisa, por favor, me avise.
Quando se viu prestes a caminhar rumo ao quarto, Naruto sentiu uma mão lhe impedir. Era uma mão suada, trêmula, insegura e quente.
— Espere — Sakura chamou. Naruto não conseguiu respondê-la. — Se eu precisar de qualquer coisa, posso lhe avisar mesmo?
Naruto assentiu. Novamente, sentindo-se um estúpido por acenar quando ela não podia vê-lo, forçou-se a sussurrar um sim bastante rouco.
— Eu… — Ela gaguejou. Contudo, apertou-lhe mais forte a mão. — Eu não disse nada parecido a alguém desde o País do Ferro. — O coração de Naruto disparou com aquelas palavras. Só ele sabia o quanto era custoso para Sakura, depois de tudo que ocorreu após a Guerra, traduzir tais sentimentos em gestos. — Eu realmente preciso que você fique aqui, comigo.
Naruto hesitou bastante. A princípio, pensou que fosse um erro. Seus hormônios lhe diziam "que mal haveria nisso?"; mas ele próprio, em essência, sabia bem dizer quando alguém mentia. Sakura estava resoluta, embora apresentasse bastante timidez, e não aceitaria facilmente uma resposta negativa, como lhe foi dada no País do Ferro anos atrás.
— Sakura-chan, eu… — Pensou no que dizer, mas o aperto em sua mão ficou mais forte.
— Cale a boca, idiota. — Sakura resmungou entredentes. Sabia que seria difícil para ele, principalmente depois de tantos anos. Imaginou se ele ainda lhe queria, principalmente após todos aqueles eventos: a declaração de amor a Sauske, sua reação após a morte dele, aquelas velhas atitudes nos tempos de criança etc. Será que Uzumaki Naruto ainda a tinha em seu coração, mesmo depois de tantos anos? Só havia uma forma de saber a respeito.
Naruto obedeceu. Tentou ser o mais suave possível em seus movimentos. Contornou o sofá e sentou-se próximo a ela. A chuva bombardeava o telhado, e o clarão dos relâmpagos incendiava o apartamento através das cortinas. Se houvesse uma palavra que descrevesse o cenário, a palavra seria quente.
— Você ainda me ama? — Sakura perguntou num suspiro. Aquilo fez o coração de Naruto saltar.
— Se liga, — ele engoliu seco — sim.
Sakura apenas sacudiu a cabeça, imaginando qual seria o próximo passo. Na sua cabeça, as coisas eram sempre muito claras quando se tratava de Sasuke. Com ele o amor era muito simples, pois sempre havia existido; mas com Naruto era muito complicado. Ele sabia tudo sobre ela, e ela sabia tudo sobre ele. Gozar de tanta intimidade num relacionamento ora viria a ser um obstáculo.
Sem saber bem o que fazer, ela primeiro o envolveu nos braços e depois lhe deu um beijo. Naruto reagiu como uma criança, que, de fato, nunca havia beijado. Aliás, nem mesmo Sakura havia explorado esse território. Apenas em sua mente, contudo, quando vez ou outra se descobria e redescobria sexualmente. Era bem diferente do que havia imaginado, principalmente para um beijo sem língua. Era tímido, desleixado e assustador. Quando se separaram após alguns segundos, com os corações acelerados e completamente perdidos, Sakura deixou-se levar mais um pouco e assumiu o papel de dominadora. Ergueu-se sobre Naruto, colocando as mãos dele na sua cintura, e atacou-o de vez com a língua. Agora, sim, ambos sentiam os hormônios florescendo. O beijo estava bem mais gostoso, mais de acordo com as vontades e expectativas de cada um. Naruto sempre havia desejado tocar Sakura naquele sentido. Deus, como queria. E a realidade estava bem além do que havia esperado, pois a cintura de Sakura era firme, sensual, convidativa. Ia muito além da velha sensação erótica, na qual seu desejo se limitava a tocá-la sem que ela lhe agredisse. Agora podia fazer isso, e quanto mais podia fazê-lo, mais desejava. A camisola dava certo recheio ao sabor, pois era lisa e escorregadia; subia e se amassava a cada toque, tornando com que ele se motivasse a seguir em frente. Mesmo Sakura desejava isso, embora não soubesse bem como demonstrar. Já havia se erguido mais sobre ele, empinando a cintura para o alto e desejando que ele subisse mais as mãos. A camisola descia conforme seus avanços, mas Naruto ainda não se sentia seguro o bastante para correspondê-los em total liberdade.
No entanto, Sakura era uma pessoa destemida na expressão de sua sexualidade. Sempre apreciou o corpo masculino e aquilo que julgava atraente. Há muito tempo já desejava ver o que Naruto guardava para si, pois o tinha somente nos sonhos, quando ainda era um garoto de 16 anos. Agora, era um homem de 29 – recém-feitos, aliás –, e sua beleza não estava nada aquém do que esperava. A bem da verdade, estava muito superior. Eis que decidiu explorá-lo, também. Fê-lo suavemente ao colocar a mão sobre seu peitoral, sentindo o quanto era duro e bem modelado. Era muito mais em forma do que o de Sasuke (não conseguiu evitar a comparação, mesmo que não mais pensasse nele nesse sentido); mais robusto, largo e atraente. Queria olhá-lo, então se desfez um pouco do beijo de língua e partiu para o pescoço. Isso invariavelmente deslocou sua cintura, fazendo com que as mãos de Naruto se aproximassem cada vez mais de sua bunda. Oh, Deus, como ela queria isso. Sempre soube que os seios não eram o seu forte, mas a bunda tinha, com uma constatação bastante irônica, em grande abundância. Mas o coração de Naruto deu um salto ainda maior, e ele pareceu ficar tão tímido que mal se moveu do lugar. Sakura o provocou ainda mais, mordendo o pescoço, apertando o peitoral e o abdome, os braços, as pernas etc. Tudo o que tinha direito; ou melhor, tudo o que tinha se dado o direito. Mas ainda assim, Naruto não reagia. Sakura, então, com o último recurso que lhe restava, encarou-o com a intensidade de uma fera, mesmo naquele breu oriundo de uma tempestade. Naruto não podia – nem queria – enxerga-la; queria apenas senti-la. O medo é o que lhe impedia. Mas Sakura não se importava com aquilo, não mais, por isso levantou a camisola até a altura da barriga, e encaixou seu quadril perfeitamente na altura de suas mãos. Quando Naruto a tocou, sentindo que aquela parte era uma das mais eróticas que jamais havia imaginado, sentiu o coração acelerar ao ponto de fazer sua respiração instável. Aquele, sim, era o campo mais desconhecido que havia explorado. Mesmo para Sakura, aliás, que havia assumido o papel de dar ou tirar permissões. Contudo, tirar permissões não estava no seu escopo naquele momento.
Voltaram a se beijar, enquanto Naruto a explorava eroticamente. Apertava-a com força, deslizava as mãos para cima e para baixo, ia para as pernas e subia de novo; querendo viver aquilo com o máximo de intensidade que lhe era permitido. Sakura, por sua vez, não se detinha mais a senti-lo sob a fina camada de roupa que o vestia. Subiu-lhe, também, a camisa; e passou a explorá-lo com as mãos na mesma intensidade em que era explorada. As respirações de ambos eram entrecortadas, pesadas e ruidosas. Mas nenhum deles se importava com isso; tudo o que importava era o sexo.
No entanto, após algum tempo naquele estado, mesmo aquilo que sonhavam em tanto tempo por fazer tornou-se monótono. Naruto desejava mais; e Sakura, também. Voltaram a se beijar de língua, e Sakura, num ato intenso de provocação, girou o quadril sob o aberto forte das mãos de Naruto, que seguravam sua bunda com firmeza. Aquele giro foi constante, num gingado suave e provocativo. Naruto adorou aquilo; tanto que a puxou para perto de si, sentando-se e fazendo com que ela roçasse sobre o seu corpo. Sakura beijou-o intensamente, sorrindo sob o aperto caloroso que recebera. Começou a se esfregar contra o corpo dele, querendo que ele reagisse mais daquele jeito; sabia como dominá-lo, e o que mais queria, no entanto, era ser dominada.
Sakura poderia ser, como se costuma dizer por aí, uma safada. Não gosto muito de utilizar tais termos, mas a verdade é que a maioria dos homens são hipócritas. Buscam aquelas que são santas sob a perspectiva dos outros, mas procuram as safadas para saciarem seus desejos sexuais. Sakura não era, para todos os fins, uma mulher que se importava com o que os outros pensavam. Nunca escondeu sua livre expressão de sexualidade, principalmente no que tange seus desejos e afeições. Naruto estava muito além de sua expectativa: era gostoso, másculo e atencioso. Na verdade, o próprio uso daquela máscara já a havia excitado bastante, pois trouxe todo um teor misterioso à sua personalidade. Sakura era atraída por homens assim (veja Sasuke, por exemplo). No entanto, aquele ainda era o Naruto de antigamente. Toda a sua moral não se desconstruíra com o passar do tempo. Sakura, então, ao pensar nisso, sentou-se sobre ele e, apertando o colarinho de sua camisa laranja, olhou-o intensamente nos olhos e disse:
— Eu também amo você.
Não houve reação mais icônica naquela noite. Naruto voltou a atacá-la com voracidade, e ela deixou que tudo acontecesse. Perderiam a virgindade juntos, o que parecia bastante romântico, embora adentrasse num campo cheio de incertezas e inseguranças. Enquanto Sakura despia Naruto, abaixando suas calças e deixando-o só de cueca; Naruto subia a camisola de Sakura, deixando-a só de calcinha. Do resto cada um cuidou por conta própria: ele abaixou a cueca, e ela a calcinha. Sentiram um ao outro, ela umedecida e quente; ele, rígido e pulsante. Sakura não satisfez, naquela noite, uma das suas mais antigas fantasias: visualizá-lo por inteiro, vê-lo se era grande ou pequeno, bronzeado ou pálido, acanhado ou intimidador; na verdade, queria fazer muito mais do que aquilo. Mas certas coisas podiam esperar.
Naruto parecia ser fortemente atraído pela parte traseira de Sakura (acho que isso foi mencionado anteriormente). Puxou-a firmemente pela bunda, deixando-a no rumo de sua intimidade. Ela se abaixou sobre ele, fazendo com que ele sentisse sua umidade intensa, assim como ela podia sentir toda sua rigidez pulsante. A partir daquele momento, as respirações tornaram-se um pouco mais equilibradas, talvez por um mero artifício da concentração. Contudo, não demorou muito para que ambos ficassem novamente ofegantes. Sakura foi quem coordenou a maior parte, mesmo sendo as mãos firmes de Naruto que a tivessem trazido para perto. Ela foi quem se posicionou e foi abaixando, pouco a pouco, tragando-o para dentro de si. Conforme Naruto era envolvido pelo calor da intimidade de Sakura, ele se detinha a soltar uns leves gemidos. Tão baixos que quase eram consumidos pela chuva. Sakura podia ouvi-los, mas estava bastante concentrada no que fazia. Sentiu-se feliz por ser ela a coordenar o coito, porque também era virgem e queria ter certeza de que não sentiria muita dor. Estando na liderança, portanto, conseguiria coordenar a velocidade, profundidade e momento do ato.
Ainda assim, era muito mais do que poderia suportar a princípio. Quanto mais fundo ia, mais sentia que não podia aguentar. Sakura gemeu um pouco de dor e voltou-se para cima, ajustando as pernas em volta do corpo de Naruto. Queria ter firmeza para aguentar tudo da próxima vez que tentasse, mas era um pouco doloroso. Para sua sorte, estava bastante molhada; o que era de bastante ajuda, por assim dizer. Mas ainda assim, sua vontade só crescia de senti-lo com toda intensidade. Eis que, quando tentou uma nova vez, conseguiu ir mais fundo. Ficou surpresa ao perceber que ainda não tinha se sentado sobre ele, e olha que parecia ter entrado bastante. Assumiu que Naruto era muito grande, o que, por um lado, lhe trouxe bastante satisfação. Por outro, sentia-se um pouco frustrada. Tendo se acostumado um pouco mais à situação, Sakura voltou a beijá-lo com vontade; e Naruto a retribuiu intensamente, explorando as suas costas e acariciando o cabelo. Sakura gostou daquele gesto. Mais uma vez, foi se sentando sobre ele, dessa vez um pouco mais rápido, e Naruto pode perceber que algo quente, além da umidade natural de Sakura, estava o molhando naquele momento. Sakura podia-se dizer livre da virgindade; e agora, pouco daquela barreira lhe restava. Quando finalmente se sentiu em cima de Naruto, sentada sobre ele, foi quando se convenceu de que estavam fazendo sexo. Repetiu tudo uma outra vez, e Naruto se deteve a deixá-la fazer tudo por conta própria. Queria que ela se acostumasse, porque a dor era somente dela.
Contudo, passados alguns minutos, Sakura já subia e descia com certa velocidade. Os gemidos já não eram apenas de dor. As mãos dos dois já se exploravam com a mesma voracidade de poucos instantes atrás; e o sexo já não era tão desconhecido como fora há pouco tempo. Sakura estava sorrindo, embora não percebesse. Queria ver o olhar de safado na cara de Naruto; queria fazê-lo enlouquecer, queimar de prazer, explodir-se dentro dela. Contudo, o escuro não os permitia um total vislumbre. Ainda assim, havia uma magia única naquele momento, que provavelmente não se repetiria em qualquer outro. A chuva, os trovões, o escuro… Pouco daquilo poderia se repetir depois. Então, decidiram por aproveitar aquela singularidade na primeira vez de ambos. Pelo menos, seria um momento memorável.
Pelo despreparo e talvez desleixo de ambos, já estavam bem próximos de gozar. Naruto apertou firmemente a cintura de Sakura, dando estocadas contra ela naquela posição. Sakura gostou, mordendo o dedo e gemendo intensamente. Decidiu que queria gozar daquele jeito, firmando as pernas em volta de Naruto e apertando seu peitoral com as mãos.
— Sakura-chan…
Acabava de escapar da boca dele, e foi tão intenso que ele começou a se movimentar rapidamente contra ela. Sakura gritava ain, bastante alto e sedutor, dando a entender que o ato, apesar de um pouco doloroso, era muito bom. Ah, como Naruto queria vê-la. Mas isso de pouco importava, pois Naruto estava bem próximo do ápice; até Sakura podia sentir. E eis que ele não mais resistiu: explodiu intensamente dentro dela. Seus gemidos eram roucos de prazer, e não parava de penetrá-la à medida em que gozava. Sakura também se deliciava com aquilo, sentindo a umidade aumentar a cada estocada dentro de si. Deixou-se levar pelo aperto de ambos, e mesmo tendo durado pouco, aquela relação valeu muito à pena.
— Que delícia… — Sakura deixou escapar, corada, jogada sobre o corpo de seu amante após o orgasmo.
Ficaram naquela posição por um tempo, ofegantes, suados e quentes. Não trocaram uma única palavra após aquilo. Tinha durado pouco tempo, mas com o tempo se ajustariam mais e, certamente, haveriam de fazer outras coisas mais gostosas na cama.
Os primeiros raios de sol da manhã incomodaram o sono de Sakura. Era um pouco cedo, apesar de terem ido dormir bem tarde na noite anterior. Sakura tentou se mover, mas sentiu uma dor aguda lá em baixo.
— Nossa. — Resmungou, tentando se sentar no sofá.
Olhou de um lado para o outro, e a primeira coisa a reparar foi na ausência de Naruto. Levantou-se com cuidado, reparando que a roupa de cama estava desarrumada e suja de sangue. Sakura sentiu um rubor nas bochechas, correndo para o banheiro e olhando-se no espelho. Cabelo desarrumado, roupa amassada, lábios e bochechas rosados, olhos brilhantes. Sakura deu um sorriso feliz, lembrando-se do que ocorrera noite passada. Abraçou a si mesma, imaginando como seria dali em diante. Será que teria uma família, como muita gente da sua idade? Será que ela poderia viver ao lado de Naruto como um casal?
— Sakura-chan? — Ele chamou de dentro do apartamento.
Sakura se assustou, saindo do banheiro e fechando a porta atrás de si. Quando viu que ele ainda não estava presente, tirou o lençol sujo de sangue e, ao ver que o sofá também se encontrava sujo, praguejou mentalmente. Acho que não me resta alternativa a não ser cuidar disso depois, pensou. De repente, Naruto apareceu na janela, sem qualquer disfarce e carregando duas sacolas cheias.
— Ai, Naruto. Que susto! — Resmungou, deixando o lençol cair no chão.
— Foi mal, Sakura-chan. Eu não quis acordá-la ao sair. — Respondeu envergonhado. Notou que Sakura vestia a mesma roupa de ontem, fazendo com que algo no seu interior remexesse em agitação.
Sakura suspirou profundamente, e logo lhe retornou um sorriso.
— Tudo bem. O que traz aí? — Perguntou, tentando enrolar o lençol disfarçadamente e jogá-lo sobre a mancha de sangue no sofá.
— Se liga, o nosso café-da-manhã. — Respondeu orgulhoso. Deixou os pães e o leite sobre a mesa, correndo para a cozinha a fim de preparar um café.
— Ora, que surpresa. Não tem lamen por aqui. — Ela comentou, vasculhando entre os pães-de-mel e aos diferentes tipos de biscoitos na mesa.
Naruto pigarreou da cozinha, enquanto colocava a água para ferver.
— Se liga, eu criei algum tipo de noção, hein?
Sakura fez menção de dizer que aquele gesto era um tanto charmoso, mas preferiu omiti-lo. Aquilo ainda parecia muito surreal para ser verdade. Uzumaki Naruto, trazendo o café-da-manhã para ela, e ainda passando um café fresco nas primeiras horas da manhã. Realmente, o que uma viagem pelo mundo não era capaz de fazer.
— Eu gosto mais forte, hein, Sakura-chan? Espero que não se importe. — Ele disse, aparecendo na sala com um sorriso orgulhoso.
— Não. Eu também prefiro assim — ajuda a manter acordado, ela pensou silenciosamente. Os dois eram muito compatíveis. — Ei, Naruto, você apareceu em público desse jeito?
Sakura olhou-o de cima a baixo. Estava com sua aparência normal. Na verdade, agora que havia reparado bem nele, notou o quanto estava mais maduro e bonito. O cabelo mais arrumado, uma roupa bem passada (bem diferente do que de costume), sapatos etc. De onde ele havia tirado tudo aquilo?
— Ah, não. Eu usei o Henge no Jutsu para comprar essas coisas. Se liga, por isso essa roupa diferente — apontou para o próprio corpo. Ele realmente havia desenvolvido técnicas interessantes para se misturar na multidão.
— Muito perspicaz, Uzumaki Naruto. — Sakura se sentou à mesa. Esperou pacientemente pelo café, que logo começava a espalhar seu aroma pela casa.
Em poucos minutos, ambos estavam servidos de café e saboreando pães doces e biscoitos. O clima estava bem leve, fresco, como se nada do que ocorrera estivesse fora do normal. Aquilo também agradou a Sakura. Imaginou se poderiam ficar juntos na noite seguinte, também.
— Então, o que vai fazer hoje? — Perguntou Sakura, bebericando um pouco do seu café. Surpreendeu-se com o quanto estava gostoso.
— Se liga, eu ainda não posso contar. Mais por não ter certeza do que se trata, de fato. — Naruto se deteve a continuar. — Você, como sensei do Soki, preciso que me faça um favor: fique de olho nele. Com os dois olhos, se precisar.
Sakura também ficou um pouco mais séria.
— Tem a ver com alguma coisa que não me contou a respeito da sua volta, não é? — Ela disse, não em tom acusativo, mas preocupado. — Naruto, se você estiver correndo perigo, não quero que me esconda. Fui clara?
— Se liga, claro que sim. — Ele sorriu. — Mas não sou eu quem está correndo perigo, Sakura-chan.
O olhar e o pedido dele foram suficientes para que Sakura percebesse uma série de coisas: ele voltou rapidamente porque alguém havia se dado conta de que o herdeiro de Uchiha Sasuke estava por aí. Contudo, isso por si só não representa tanto perigo, uma vez que o próprio Sasuke era um herdeiro cobiçado, mas nunca tinha sofrido sequer um ataque externo por esse motivo. A não ser por Orochimaru, que obviamente tinha interesse no Sharingan. Esse nome, contudo, perdurou na mente de Sakura por um momento, e repentinamente ela se lembrou de que Soki não era apenas um Uchiha; era, também, um Uzumaki. Ele possuía o sangue dos dois Clãs mais antigos e poderosos do mundo Shinobi. Se Orochimaru porventura descobrisse a respeito disso, certamente começaria uma caçada ao herdeiro de Uchiha Sasuke.
— Tem a ver com Orochimaru, não é? — Naruto engoliu seco.
— Droga. Você ser inteligente demais às vezes é um problema. — Ele coçou a nuca desconsertado. — Sim, é bem possível. Mas ficar trocando de corpos é uma tarefa muito dispendiosa para se tornar imortal.
Sakura ponderou sobre aquilo. Contudo, não havia resposta plausível em sua mente.
— Beirando o fim da guerra, quando Sasuke e eu estávamos a um fio da morte (lembra que você ajudou a me salvar?), encontramo-nos com aquele Sábio dos Seis Caminhos. Com o Rinnegan, aquele velhote tinha a capacidade de atravessar dimensões no espaço-tempo que conhecemos. É uma técnica num nível completamente diferente do nosso. Nem papai conseguia fazer esse tipo de coisa; na verdade, creio que poucos Shinobi possam. — Naruto olhou para o horizonte, como se pensasse nas melhores palavras para dizer. — Se o Soki herdou tanto sangue Uchiha como Senju, por parte da Karin, então ele tem potencial para despertar o Rinnegan. Como herdeiro direto do Sábio dos Seis Caminhos, ele pode muito bem atravessar o espaço-tempo…
— E tornar-se imortal. — Sakura o interrompeu boquiaberta. — Orochimaru quer o Rinnegan de Soki para se tornar imortal. — Ela se deteve, e algo ainda mais cruel se passou por sua mente. — Não. Só o Rinnegan não basta. Se fosse assim, Nagato ou Kakashi-sensei poderiam utilizar o Rinnegan para esse fim. Só um herdeiro legítimo teria essa capacidade.
— Sim. — Naruto assentiu com pesar. — Orochimaru não quer o Rinnegan de Soki. Ele quer despertá-lo e, depois, tomar-lhe o corpo.
Sakura enrijeceu os ombros e sentiu a fúria preencher seu coração. Não deixaria que Orochimaru levasse mais um de seus entes queridos. Estava farta disso.
— Kakashi-sensei já sabe disso? — Perguntou, bebericando mais um pouco do café.
— Se liga, de boa parte, sim. Mas eu não queria revelar para ele meras especulações. — Naruto disse, dando claramente a entender que Sakura era sua maior confidente. Ela se sentiu muito feliz com isso.
— Entendo. Então você deve sair para conseguir mais informações a respeito disso, não é? E para não envolver mais pessoas, além de evitar o risco de essa notícia vazar, você vai sozinho. É isso? — Naruto confirmou.
— Mas eu volto hoje ainda. — Acrescentou com um sorriso.
Sakura também sorriu. Seu coração acelerou como há muito tempo não fazia. Aliás, sentiu-se viva, capaz e desejada, como sempre quis ser. Definitivamente, este era um dia muito feliz.
— Então fique bem, seu idiota. Não me deixe de novo — foi o que disse, bem baixinho, mas alto o suficiente para que ele ouvisse.
— Se liga, eu prometo.
Sakura terminou de comer um último biscoito, quando reparou na hora mostrada pelo relógio da cozinha.
— Droga! Combinei de encontrar com o Time daqui a dez minutos na área de treinamento. Temos muito o que esclarecer e a combinar sobre o futuro. — Sakura saiu correndo da mesa e entrou no banheiro com sua mala cor-de-rosa.
— Vai ser sobre a promoção de Soki a Chuunin? — Perguntou com a boca cheia.
— Sim, sim. Isso e outras coisas. — Ela retrucou do banheiro. — Que horas nos encontramos aqui de novo? Vai ser tarde como de costume?
— Se liga, é bem provável. De qualquer modo, caso meus planos mudem e eu chegue mais cedo, eu lhe aviso. — Naruto disse. Claro, pois o Senjutsu lhe conferia tal habilidade.
Sakura saiu do banheiro em dois minutos, com o cabelo arrumado e a roupa devidamente ajustada. Estava usando uma roupa semelhante à que tinha aos 16, embora um pouco mais longa. Ainda assim, Naruto a achava surrealmente sensual naquele traje.
— Então, estamos combinados? — Ela perguntou num sobressalto, pega de surpresa pelo pequeno beijo que Naruto acabara de lhe dar.
— Sim, Sakura-chan. Creio que temos um encontro.
Sakura riu. Quis dizer a ele o quanto era bobo, que não eram mais as crianças de antigamente. Mas preferiu não dizer nada, porque também se sentiu feliz ao pensar daquele jeito. Deu um último olhar em direção ao sofá, onde pensou que devo voltar antes dele para cuidar dessa coisa. Os dois, portanto, partiram para cuidar de seus afazeres.
IV
Sakura conseguiu chegar a tempo no Campo de Treinamento n. 3, onde no passado realizou os testes com sua equipe. O mesmo lugar fora utilizado por Soki e Ruto dias atrás. Havia todo um aspecto atemporal naquele campo. Quando se encontraram, a equipe não deixou de reparar na faísca estranha que brilhava nos olhos de sua sensei. Ela estava, definitivamente, muito mais feliz do que sempre se mostrou. Não que ela não estivesse feliz antes, mas agora parecia tão genuíno e autêntico que caberia um comentário.
— Aconteceu algo de bom, Sakura-sensei? — Perguntou Tenshi, levantando a mão polidamente.
— Oi? Não. Por quê? — Sakura respondeu sem esconder o mesmo sorriso radiante.
— Você parece um pouco estranha. Como se tivesse ganhado na loteria. — Soki comentou enquanto limpava o nariz.
Uma veia saltou na testa de Sakura.
— Que rude, pirralho! — Desferiu nele um cascudo, como de costume. Soki massageou o local atingido. — Não coloque o dedo no nariz. Isso não é a atitude de um Chuunin.
— Que droga, Sakura-sensei. Por que essa porrada do nada? Não me esforcei tanto para merecer isso em troca. — Resmungou o pobre garoto. Tenshi e Hikari riram dele.
Sakura respirou fundo. Ainda assim, o sorriso invadia seus lábios inadvertidamente.
— Muito bem. Estamos aqui para discutir nossas próximas estratégias. Soki, como você é um Chuunin dessa equipe, a partir de agora será o meu assistente oficial. — Soki corou com o comentário. — Parabéns pela graduação.
O sorriso de Sakura mostrou-se genuíno, novamente, e agora dirigido ao pequeno garoto. Eis que, repentinamente, fora surpreendido pelo comentário que seguiu:
— Eu sei que você não aprendeu aquelas técnicas com o Konohamaru-sensei. — Cochichou e piscou para ele, como numa confidência. Os outros membros não ouviram esse comentário. — Mas bem, já que você sabe tanta coisa nova, sem ao menos nos clarificar a respeito, creio que uma punição deva ser colocada. Quem está de acordo?
Soki resmungou, indagando inúmeros por quê para sua mestra e para a equipe. Hikari disse:
— Acho justo. Ele saiu fazendo coisas sem nosso consentimento. Droga, eu treinei tantas técnicas novas para não conseguir ir para a última fase. — Resmungou o pobre jovem.
— Ora, não pense muito nisso, Hikari-kun. Tenho certeza que iremos bem no primeiro exame do ano que vem. — Sussurrou Tenshi. Tinha que dar certo.
— De fato, pois se o Soki foi derrotado pela Kurotsuki-san e ainda se tornou Chuunin, nós também temos essa chance. — Comemorou Hikari.
Sakura riu de suas pestes.
— Pois bem, Soki-kun. Já que você será punido por andar cheio de segredinhos (o que pode ser injusto perante o resto da sua equipe), o que acha de nos pagar um churrasco após o treino de hoje? — Todos comemoraram, exceto Soki. — Por hoje, é só. Tenshi, você vai reforçar seus estudos sobre controle de chakra. Por ser a melhor na área, é uma boa candidata a herdar minhas técnicas médicas. — Tenshi era uma garota de família simples, assim como Sakura. Tinha, portanto, certa afeição por ela. A garota apresentou um leve rubor nas bochechas sob aquele comentário. — Hikari, você não pode ser tão dependente das suas técnicas recorrentes para vencer uma luta. Deve combinar o que pode fazer com alguma estratégia fundamental. Soki pode lhe passar algumas dicas sobre isso, não pode? — Encarou o recém-graduado Chuunin com um sorriso.
— Sim, Sakura-sensei. — O amigo virou o olhar para Hikari. — Você se importa?
Hikari deu os ombros. Tinha um pouco de ciúme, mas sabia que o herdeiro do Clã Hyuuga tinha competência para ensiná-lo.
— Eu participarei dos treinos de vocês dois. Soki participará com missões nas quais ele será o capitão de vocês. Não se preocupem, pois será por pouco tempo. — Os garotos de Sakura encararam-na com admiração. — Em breve, todos vocês serão Jounin, membros da Elite da Folha. Eu tenho certeza disso.
Hikari era um garoto cujos pais vinham da Vila Oculta da Névoa. Por isso sua aparência era um pouco diferente das demais crianças: tinha o cabelo prateado, a pele pálida e uma aptidão incrível às técnicas do estilo gelo. Sim, ele era herdeiro de uma Kekkei Genkai. Ainda assim, apesar do talento natural, não tinha muita força no combate corpo-a-corpo. Nunca venceria, por exemplo, de um embate contra a Divisão de Lótus da Folha (chefiada por Rock Lee). Por isso, a agilidade de Soki e o uso de clones poderiam ajudá-lo bastante nesse embate.
Feitas as considerações, participaram de um churrasco pago por Soki. O garoto reclamou bastante, mas no fim acabou cedendo. Nunca fora um mistério o quanto que Soki parecia com Sasuke. A princípio, temeram que ele herdasse o cabelo ruivo da mãe. Mas a verdade é que o ônix dos Uchiha se sobressai ao rubro dos Uzumaki. Ainda assim, só de pensar no fardo que aquele garoto carrega, e que sequer tem consciência disso, Sakura sente um pesar no coração.
Hatake Kakashi encontrava-se rodeado por Nara Shikamaru, Yamanaka Sai (havia se tornado parte do Clã Yamanaka após o casamento com Ino), Hyuuga Hinata, Rock Lee, Yamato e Senju Tsunade, os principais líderes dos grupos da Folha e sua conselheira oficial. Seu olho descoberto passeava pelo relatório feito pelo primeiro mencionado, que esperava pacientemente por uma resposta.
— Foi isso o que nosso informante lhe disse? — Perguntou Kakashi. Apenas Shikamaru, Hinata e Tsunade, dos presentes, sabiam que a informação vinha de Uzumaki Naruto.
— Sim, Hokage-sama. — Murmurou Shikamaru.
— Se for assim, então a situação é muito preocupante. Os grupos que perseguíamos com a ajuda das Cinco Nações encontram-se unidos em um único ponto. Não sabemos exatamente aonde. — Kakashi bateu sobre a mesa. — Esse é o risco que corremos por deixarmos criminosos à solta.
— Não seja tolo, Kakashi. Sabe muito bem que não havia alternativa quanto à Orochimaru. O conselho de guerra decidiu por não o prender em função das suas contribuições durante a Guerra. Se não fosse por ele, eu e os demais Kage da época estariam mortos. Além disso, supõe-se que ele fora responsável por trazer os antigos Hokage de volta à batalha com o Edo Tensei. — Kakashi suspirou. — Até mesma eu fui enganada por alguns de seus princípios. Orochimaru disse ter mudado, mas creio que aquilo se tratava apenas de Sasuke. Agora que este se encontra morto, é provável que seus interesses tenham se desviado para outro lugar.
— Soki… — Hinata tremeu. Recebeu um apoio moral de Sai, com um simples toque no ombro.
— A Raiz está vigiando das sombras, Hokage-sama. O problema é que aqueles que capturamos ou cometeram suicídio ou se recusam a passar qualquer informação. Sua mente é como um labirinto, portanto nem mesmo a Ino consegue descobrir informações. — Sai ainda continha aqueles traços impassíveis de serem lidos. — Nem mesmo Ibiki-san conseguiu interrogá-los com sucesso.
— A ANBU também se encontra ocupada contendo as rebeliões nas fronteiras do País. O caso dos Amantes da Árvore, ou aqueles que rogam pela volta do Mugen Tsukiyomi, apesar de estar em contenção, ainda não apresenta grande melhora. — Yamato, como representante de Kakashi nos principais assuntos envolvendo a ANBU, deixou escapar um suspiro preocupado.
— O Clã Hyuuga prestará atenção no alvo com os dois olhos, se precisar. — Hinata murmurou tímida. Contudo, todos confiavam nela para a missão. Ela era, sobretudo, aquela que aderiu ao maior peso de todos.
— Bom, Sakura também fará a parte dela. — Disse Kakashi, aliviando um pouco a tensão nos ombros. — Lee-kun, preciso que a Divisão de Lótus esteja preparada para um embate mortal. A ANBU estará à espreita. Sai, continue obtendo informações para mim. Shikamaru, continue montando esses relatórios e faça suas análises. Hinata-san, por favor, tome cuidado.
A voz de Kakashi saíra mais suave do que o esperado. Hinata assentiu.
— Sim, Hokage-sama. — Responderam de prontidão aqueles cujos nomes foram mencionados.
— Não subestimem Orochimaru. Ele é um ser completamente desagradável: nunca age conforme o esperado. Basta lembrar-se do ataque à Folha, na época da morte do Velhote. — Tsunade rangeu os dentes. — Não pensem que ele não [RN1] está ciente do que se passa aqui. Pelo contrário, ajam pensando que ele está sempre dois passos adiante.
— Sim, Tsunade-sama. — Concordou Kakashi.
O conselho havia sido dispensado. Kakashi continuou ponderando sobre o que fora discutido. Havia algo perturbando seu sossego; algo na última fala de Tsunade. Queria dialogar com Naruto, mas ele estava ocupado demais passando informações para Shikamaru. Espero que dê tudo certo no fim, pensou o Hokage. Brincou com o chapéu que se encontrava em cima da sua mesa. Estava cansado demais para continuar ocupando aquele cargo.
