Cap. 1: Choro na Madrugada
Dean sorriu ainda de olhos fechados, sonhando. Puxou mais a coberta para si e tentou se esticar na cama, mas a cama parecia ter encolhido, num estado de semi-consciência olhou ao redor, e... Espere, por que estava caindo? Antes que pudesse despertar totalmente e responder a própria pergunta sentiu a cara bater no chão.
_Ai, doeu! – reclamou, tentando levantar, mas sentindo as pernas dormentes por ter se espremido de qualquer jeito no sofá. – Droga.
Levantou, escorando-se pelos móveis foi até a cozinha, bebeu um pouco de café, tentando se lembrar de tudo o que acontecera. Suspirou fundo, pensando em Castiel. Lembrou de quando ele lhe contara sobre o plano de trancar as portas do céu e resolver os problemas de seus irmãos, lembrou dele ter dito que Metatron sabia como fazer isso.
Fechou os punhos e socou o mármore da pia. Estava exausto, tudo aquilo parecia ter um peso enorme para carregar sozinho, mas ele não podia reclamar, afinal, ainda tinha seu irmão, ainda tinha Castiel. Suspirou fundo e foi para seu quarto, sorriu para a foto da mãe que sempre deixava na mesinha perto da cama.
Pegou roupas limpas e uma toalha e entrou no banheiro, tomaria um banho rápido e arranjaria um jeito de resolver toda aquela merda, não sabia nem mesmo por onde começar, mas pelo menos tinham uma vantagem. Demônios só existiam no Inferno agora.
Deixou que a água tentasse levar embora suas preocupações, mesmo sabendo que era inútil, saiu de lá e se vestiu rápido, então ouviu alguns resmungos desesperados. Saiu correndo do quarto e entrou no quarto de Sam, ele segurava forte no lençol, puxando ele enquanto se contorcia na cama, parecia sentir uma dor incalculável.
_Sam? – chamou alto, tentando despertá-lo, mas o moreno apenas rangia os dentes enquanto voltava a gemer como se estivesse sendo cortado em mil pedaços. – Sammy? Irmão? – as lágrimas juntavam em seus olhos e ele só não podia acreditar que tudo estava desmoronando de novo.
_De-an... – o irmão disse rouco, gritando em seguida enquanto voltava a se contorcer.
O loiro deixou que as lágrimas escorressem em seu rosto, toda sua vida era sempre tão fodida que ele simplesmente não podia acreditar naquilo. Sentou-se no chão perto da cama, as mãos segurando a cabeça enquanto soluçava, não conseguia mais fingir que era forte, que podia agüentar tudo.
Viu Sam continuar a se debater na cama, mas a imagem dele era embaçada por causa da água nos olhos. Mordeu os lábios tão forte que sentiu quase que imediatamente o gosto ferroso de sangue.
_Sam! Irmão. – disse baixinho, sentindo como se fosse quebrar ao vê-lo daquele jeito, quase podia senti-lo sofrer. – Irmãozinho. – levantou dali, ainda soluçando, mas não podia ficar parado, Sam precisava de ajuda.
Correu até a cozinha, pegando uma bacia com água e um pano limpo. Entrou no quarto do irmão mais uma vez e Kevin tentava fazê-lo parar de debater, a cabeça dele sangrava, pingando na camisa branca de Sam e Dean olhou assustado para ele.
_Ele me chutou sem querer, eu... Não estava esperando.
Dean não falou nada, apenas pediu para ele que fosse limpar o machucado, deixasse tudo por sua conta que ele cuidaria de Sam. O garoto concordou, perguntando depois se ele queria que chamasse o ex-anjo e Dean negou imediatamente, alegando que não precisava que ele visse aquilo agora.
_Eu posso ficar e te ajudar, Dean, sabe que sou muito grato por terem cuidado de mim, é o mínimo que posso...
_Obrigado, Kevin, por estar aqui, mas deixe que eu cuido do Sam. Eu sei que você precisa descansar também, – dizia enquanto passava o pano úmido pela testa do irmão, que tinha se acalmado um pouco. – esses dias não tem sido fácil pra ninguém.
Kevin concordou com a cabeça, sentindo o sangue descer por sua bochecha, passou os dedos por ali e eles se tingiram de vermelho, saiu, indo limpar aquilo, assim como Dean lhe tinha dito para fazer.
_Irmão? – ele chamava baixo, passando o pano pelo rosto de Sam. – Irmão, eu to aqui, está tudo bem. Tudo vai ficar bem. Confia em mim, eu vou cuidar de você Sammy, eu sempre cuido. – mordeu os lábios se impedindo de chorar de novo.
Aos poucos Sam parou de se debater, abrindo os olhos, mas não era como se estivesse vendo, porque de repente ele os arregalou e soltou um grito, como se tivesse algo ali que Dean não podia ver.
_Sam! Sammy, tudo bem, irmão? – e colocou as duas mãos em seu rosto, fazendo os olhos de Sam se focar em seu rosto. – Sam?
_Dean?
Castiel estava parado na porta, ainda vestido com a mesma roupa, a barba por fazer, mas os pés descalços, razão pela qual Dean notou sua presença apenas quando ele chamou seu nome. Os olhos verdes se focaram no rosto vermelho do amigo e viu ele se aproximar.
_Me desculpe, eu não queria...
_Obrigado, Cas. – disse, engolindo em seco, voltando os olhos para o irmão depois, ele ressonava baixinho agora. – Por estar aqui.
Sentou-se no chão e encostou a cabeça na parede, sentindo o outro se sentar ao seu lado e foi inevitável virar a cabeça para poder olhar em seu rosto. Castiel tinha a expressão triste, mas sorriu pequeno quando olhou para o loiro. As mãos dele encostaram-se às suas e o caçador sentiu o coração bater forte no peito.
_Cas?
_Obrigado por me deixar ficar aqui, mesmo eu não tendo mais nenhuma serventia, Dean.
_Que? Serventia? – o loiro arqueou as sobrancelhas. – Sabe que não se trata disso Castiel, sabe muito bem que você e o Sam são tudo o que eu tenho, você é meu amigo, – 'amigo' ecoou em sua cabeça. – Cas, você é...
_Dean, eu sei disso, mas é que você não precisava ter me aceitado aqui, depois de tudo, do que eu fiz, do que aconteceu. Meus poderes podiam ter ajudado Sam agora, mas eu não posso mais fazer isso e...
_Seus poderes não significam nada pra mim. – disse, meio irritado pelo fato de Castiel pensar daquele modo. – Nunca significaram, sabe disso, eram um ajuda sim, mas podemos nos virar muito bem com o que temos aqui.
_Desculpe, Dean, eu não queria te...
_Só quero que entenda que é importante pra mim. – e passou os dedos pelo queixo dele, os olhos do anjo se fecharam. – Muito. – sussurrou, sentindo os lábios secarem.
Castiel se inclinou mais para ele, mas Dean parou o toque e levantou. Pegou a bacia e o pano e saiu do quarto, levando para a cozinha. Sam resmungou alguma coisa e então abriu os olhos, encarando o teto sem muito interesse, sentou-se na cama e olhou para o lado, vendo o moreno sentado no chão.
_Cas?
Levantou os olhos para ele e Sammuel parecia cansado.
_Sam. – respondeu.
_O Dean...?
_Ele já está vindo, cuidou de você, estava tendo... Pesadelos?
Sam baixou os olhos, então Castiel soube que sim, ele estava tendo sonhos ruins. Dean apareceu na porta e seus olhos foram diretamente para Sam, chegou devagar perto da cama e pousou a mão em seu ombro.
_Sam?
_Dean, eu... Me desculpe, eu não...
_Ei, tudo bem, me conta o que aconteceu.
Sam baixou a cabeça, encarando a coberta. Castiel levantou, não queria atrapalhar a conversa que provavelmente teriam, saiu pela porta, sem olhar para trás, voltando para o quarto que Dean tinha lhe oferecido, se sentiu sozinho, mas... Não era isso o que tinha pedido a Dean?
Não entendeu porque aquele vazio dentro dele doía tanto, mas aceitava que era isso o que merecia. Suspirou fundo, sentou na cama macia e fechou os olhos, recomeçando seu mantra que tinha sido interrompido por Sam.
_Perdão, perdão, perdão... – tinha as mãos juntas, com se estivesse rezando, mas aquela era a única palavra que saia de sua boca.
Dean sentou ao lado de Sam na cama, segurou seu rosto, passando os dedos pelos cabelos rebeldes do irmão, sorrindo enquanto esperava que ele pudesse lhe contar o que tinha acontecido, mas ele não parecia disposto a alar, embora sempre fosse o primeiro a querer saber como se sentia, quando algo estava errado.
_Eu... Não quero falar sobre isso, Dean, não agora. – e então olhou em seus olhos. – Você devia conversar com Cas, ele não me pareceu muito bem.
_Eu sei, é como se ele carregasse toda a culpa pela queda dos irmãos nos ombros.
_Bem, ele teve sua parcela de culpa. – opinou e então levantou as mãos, ao ver os olhos de Dean quase o fuzilarem.
_Não, Sam, ele foi enganado. Eu sabia desde o começo que não deveríamos confiar naquele bastardo! Metatron o enganou, se aproveitou da inocência do Cas.
Sam sorriu, então pegou nas mãos do irmão e olhou fundo em seus olhos. O conhecia melhor do que qualquer um, sabia o que se passava com ele, mesmo quando o mais velho tentava esconder.
_Então, ainda na fase da negação? – perguntou, vendo o irmão franzir o cenho.
_O que? Do que você...?
_Sobre seus sentimentos... Pelo Cas.
_O que? – levantou rápido da cama, tropeçando nos próprios pés e quase caindo, fazendo o irmão rir.
_Qual é, Dean? Acha mesmo que consegue esconder?
_Não sei do que está falando. E não quero falar sobre isso que você está falando, que eu não sei o que é. – e saiu em direção à porta. – Boa noite, Sammy.
Sammuel sorriu, acenando e depois voltando a deitar, cobrindo a cabeça, as imagens do pesadelo voltando com força fazendo sua cabeça doer. 'Pense em coisas boas, coisas boas, querido.'
_Mãe?
'Shiii, você vai ficar, vai ficar tudo bem, Dean vai cuidar de você, eu e seu pai também.' Sam mordeu os lábios, os olhos enchendo-se de lágrimas, então ele pode sentir a presença, como se sua mãe estivesse lhe abraçando, fechou os olhos e sentiu um beijo dela em sua testa. 'Sonhos bons, meu amor.' foi a última coisa que ouviu antes de cair em sono profundo.
Dean bateu na porta antes de finalmente abrir e entrar, Castiel tinha as mãos juntas ainda, pedindo perdão incessantemente. Ficou parado olhando aquela cena, sentindo o peito apertar, sem saber como arrancar aquela culpa, aquela magoa do coração do amigo.
_Cas?
O moreno olhou para ele, mordeu os lábios e levantou.
_Precisa de al... – parou antes de completar a frase. – Desculpe, acho que não posso mais ajudar, Dean.
_Vem cá, senta comigo. – pediu, sentando na beirada da cama, Castiel imitou seus movimentos. – Tem algo que eu possa fazer para que você não se sinta assim?
_Me desculpe, Dean, mas acho que não. – e baixou os olhos.
_Me fala Cas, me diz por que acha que é tudo sua culpa? Não foi, olhe pra mim. – e levantou o queixo dele, forçando-o a olhar em seus olhos. – Não foi sua culpa, Cas!
Os lábios do moreno tremeram e não demorou para os olhos brilharem imensamente.
_Foi sim. Eu acreditei em Metatron, eu fiz o que ele mandou, eu destruí os meus irmãos, Dean, é minha culpa eles estarem andando na Terra e o pior de tudo é que... Não tem como voltar.
Dean teve vontade de trazê-lo para mais perto, abraçá-lo e protegê-lo do mundo todo. Pegou nas mãos calejadas do ex-anjo e beijou os nós de seus dedos, olhando em seguida para ele, passando os dedos pelas lágrimas doloridas que caiam.
_O que... O que está... Fazendo, Dean?
O loiro mordeu os lábios, era cedo demais para confessar qualquer tipo de sentimento, embora já tivesse aceitado o fato de estar apaixonado, sabia que tudo era novo demais para Castiel, e não sabia se ele algum dia estaria preparado para os seus sentimentos. Ele não tinha natureza humana, talvez não tivesse capacidade de amar, não como Dean queria.
_Dean?
_Só quero que fique melhor, Cas, me preocupo com você.
_E eu com você, Dean. – ele retrucou, mas as lagrimas ainda caiam sem parar. – Mas agora eu não posso mais te proteger ou ajudar, não tenho como fazer nada, Dean.
_Eu venho pensando nisso por algum tempo, Cas, e bem... Nós já perdemos demais, sabe eu e o Sam, acho que é hora de deixarmos essa vida de caçador.
_Mas, é a única coisa que disse saber fazer.
Dean sorriu para ele.
_Nunca é tarde para aprender coisas novas e... Recomeçar, Cas.
_Talvez, você tenha razão, mas nem todos conseguem recomeçar, Dean. E quando digo isso estou me referindo a mim mesmo.
_Eu vou estar com você, cuidar de você, vou te ensinar tudo o que precisa saber, Cas. – o ex-anjo podia ver a determinação nas íris verdes. – Eu prometo.
Castiel concordou com a cabeça, chegando mais perto dele
_Eu queria poder esquecer tudo o que eu fiz, queria não causar tanto estrago quanto eu faço, queria mesmo que tudo desse certo, Dean, eu juro que tudo que faço é com a melhor das intenções e eu realmente não sabia que Metatron ia... – soluçou, as lagrimas recomeçando a cair.
_Ei, ei, tudo bem, tudo bem, Cas. – e puxou-o para um abraço, sentindo ele fungar em sua camisa, molhando seu ombro esquerdo por causa das lágrimas. – Eu vou estar aqui com você ta? Eu vou fazer tudo ficar bem, Cas.
_Fica comigo?
_Que?
_Fica comigo essa noite, Dean? – perguntou, os olhos ainda molhados por causa das lagrimas, mas os soluços tinham cessado. – Por favor?
_Claro, Cas. – apertou-o mais forte, sentindo que ele poderia desabar se não o segurasse forte o suficiente. – Sempre.
N/a: Oie, bonitos *joga beijos* Então, gostando da fic? Espero que sim, e Lia (minha Diva), você acha que eu to enrolando demais com eles (mesmo que seja o 1º cap ainda)? Ou acha que Castiel precisa aceitar que não foi culpa dele antes deles finalmente se acertarem? Enfim, deixem review, eu gosto muito – doisbeijo.
