N/a: Uau, esse foi mais rápido do que esperava! rs. Espero que as mudanças estejam fazendo sentido! Se você puder, deixe uma review para eu saber como tá sendo a recepção por favor? Juro que é rapidinho e muda o dia de uma certa autora (eu rs). Beijinhos!
Disclaimer : Salvo alguns personagens que criei, todos eles pertencem à J.K. Rowling. O que é uma pena, porque eu teria dado um fim bem menos trágico aos coitados.
Capítulo 2 – O (não) ano da Lily
5 motivos pelo qual eu não posso mais confiar em Marlene McKinnon:
1- Ela não tem muita paciência para detalhes, e por isso sempre me fala que estou bonita sem nem mesmo ver como eu estou. Uma vez ela me deixou sair com um risco enorme de delineador na bochecha porque não queria se atrasar para a festa de natal do Clube do Slugue. Só percebi quando Amos Diggory ficou encarando meu rosto por mais ou menos 15min, enquanto eu divagava sobre a poção zumbi, e percebi que algo estava errado, porque um homem daquele não me encararia tão centrado.
1- Por ela ser popular e extrovertida e eu...bem, não sendo tanto assim, Marlene às vezes desaparece entre as aulas (e depois delas), me deixando completamente sozinha vagando pelo castelo, como um fantasma ruivo esquecido. Quando estou perto de Emmeline Vance posso matar meu tempo com ela, mas isso é raro, já que ela também é extrovertida e popular. Mary e Alice me acompanham de vez em quando, mas elas tem namorados e também acabam me largando. Ou seja: Eu sou a minha própria melhor amiga.
2- Ela não quer me dar as botas pretas de jeito nenhum. Ela ganhou de natal há dois anos atrás, e a mãe dela comprou numa loja trouxa, ou seja: é a minha cara. Tudo bem, são coturnos pretos, mas eles estranhamente femininos, e é o meu tamanho. Lene sempre reclama que aperta os pés dela.
3- Ela não concorda com a minha decisão de me tornar morena. Ela acha que eu sou linda (a mesma bobagem de sempre) com os meus cabelos ruivos e não deveria tentar mudá-los. Para ela é fácil falar, ela nasceu com cabelos castanhos e ondulados. Ou seja: perfeitos.
4- Já são 10:30 am e ela ainda não chegou na estação!
Segunda-Feira, 1º de Setembro
Estação King Cross.
Eu fico me perguntando o que as pessoas acham de mim.
Quero dizer, claro, no momento, devem estar pensando que eu fui abandonada, porque estou sentada nesse banco a uma hora e Baboo está começando a ficar agitada. Estou dizendo, se Marlene não aparecer em 10 minutos, eu vou entrar e abandonar ela.
Isso é tão típico dela.
Ano passado, quando ganhamos a taça de quadribol, eu pedi para ela me esperar enquanto eu passava rímel (Sério. Eu tenho cílios muito claros. Esse ano implorei para minha mãe para irmos comprar um rímel forte. Deu certo, acabei comprando um chamado "Carbono Negro" – se isso não é forte, não sei o que vai ser), mas ela reclamou que tinha que descer logo, já que ela era uma das batedoras e as pessoas estavam esperando a sua presença. Acabou que ela nem me viu descer depois e eu fiquei sozinha sentada nas poltronas perto da janela com Petta Gretews e Stephen Afloe, dois esquisitões do quarto ano. Mary e Alice ficaram agarrando seus namorados a noite toda. E como Emmeline é da Lufa-Lufa, ela não participou da festa (até porque foram eles que perderam para que nós ganhássemos o troféu então...). Nem Potter me deu atenção (não que eu estava querendo, mas geralmente é o que ele faz) porque ele é capitão do time e as pessoas definitivamente querem a presença dele por perto. Ah, e também tinha aquela coisa da briga e nós não estarmos olhando na cara um do outro e tudo mais.
Mas enfim.
Pensando bem, se eu fosse como Marlene, todo mundo ia querer minha presença por perto. Isso só prova que eu deveria me tornar morena logo. Claro que eu sei que uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas vamos olhar os fatores em comum aí. Cabelo castanho, jogador(a) do time de quadribol? Alô, acho que essa é a fórmula para o sucesso. Essa é a constituição física de 85% do time de quadribol e eles são todos muito queridos por aqui. (Pode ser que tenha a ver com o fato deles ganharem a taça pelos últimos 5 anos seguidos). Talvez eu devesse entrar para o time de quadribol. Sabe, para ver se assim eu fico mais popular.
Arg, quem eu estou querendo enganar, eu não consigo nem pegar um pergaminho caindo da mesa, quanto mais uma bola em movimento a 200m do chão.
Ah, espera um pouco, vou ter que enfiar um pouco dos biscoitos de aveia que a minha mãe fez para mim na gaiola de Baboo, ou vou acabar sendo expulsa daqui por maus tratos.
Droga, lá se vão meus últimos biscoitos de aveia. Quer dizer, é só em partes culpa minha. Minha mãe me dá um saquinho de biscoitos todo ano para comer durante a viagem. Todo ano eu não aguento até o meio da viagem e acabo comendo antes mesmo de embarcar. Meu pai sempre beija minha cabeça e diz "Bom semestre, guria. Estude muito. Não se meta em encrenca" – e aí ele fala SEMPRE no meu ouvido para que só eu ouça: "essa última parte é mentira. Vê se arranja algumas encrencas aí".
Tsc, tsc. Infelizmente não é algo que eu puxei do meu pai – transgredir regras, quero dizer. Ele foi expulso da escola primária que frequentava nos anos 40. Mas é claro que naquela época tudo era motivo para expulsão – até uma brincadeirinha inocente de colocar sapos dentro da maleta do professor. Isso não significa que ele não adore contar essa história com todos os amigos de infância quando se reúnem em casa. Vou contar, viu.
Talvez a maior decepção do meu pai é ter visto eu me tornar tão certinha assim. Quer dizer, acho que ele não odeia tanto assim, vai. Ainda mais quando eu volto das férias e ele me ouve contando de tudo que eu aprendi. Mas ele também adora mágica, então talvez seja isso.
A questão é que desde meus 9 anos, eu me tornei essa nerdezinha sem graça que eu sou hoje. Até o presente dia eu só levei duas detenções: uma quando eu e Emme quebramos a janela do 7º andar enquanto disputávamos uma corrida para saber quem chegava ao térreo antes; e outra quando tentei jogar um livro na cabeça de Potter e acabei acertando a Profa. McGonagall.
Uuuuh, essa aí foi feia. Ainda tenho calos na mão de tanto esfregar os troféus.
Enfim, do que é que eu estava falando mesmo?
Eu entrar no time do quadribol?
Ah, bem, desisto de antemão dessa história porque apesar de achar o máximo poder voar de um lado para o outro (não que eu saiba fazer isso direito, veja bem), eu não gosto tanto assim da imagem mental de cair naquelas pedras lá em volta do campo de quadribol.
Sério, quem achou que ia ser uma boa ideia circular um campo de quadribol de uma ESCOLA com pedras pontiagudas?
(Eu ainda estou com fome – mesmo depois de comer um saco de quase 1kg de biscoitos de aveia – e tudo que eu tenho na minha bolsa é um pote de tinta e um batom velho que precisa urgentemente ser trocado. Acho bom Marlene apareceu no PRÓXIMO MINUTO)
Espera aí, isso me fez lembrar que abriu uma nova loja de maquiagens bruxas em Hogsmeade!
Como pude esquecer? Sério, as meninas só falaram disso o verão todo. Dizem que tem uma sombra lá feita de pó de fada que brilha mais que diamante. E um batom que dura mais que um mês. Se eu tivesse me lembrado disso, não teria comprado o meu Carbono Negro de trouxa, aff. Mas não me arrependo não, ele até que é muito bom.
Assim, não que eu seja viciada em maquiagem nem nada, mas quem é que pode resistir à um batom feito com essência de veela hein? (Pelo menos é o que dizem). E preciso ir lá para aprender a passar rímel direito. Geralmente eu estou com muito sono, então eu passo o rímel mal e meus olhos ficam meio grudados o dia todo.
Espero que alguém crie coragem esse ano e me convide para sair. Não, espera, espero que eu crie coragem e convide alguém para sair. Eu não posso gastar dinheiro em um batom que dura um mês e não sair por aí beijando umas bocas.
Nem me lembro qual foi a última boca que eu beijei. Ah, espera, lembro sim. Foi de Greg Wood, o último capitão da Grifinória (que se formou há dois anos). Ah não, depois ainda saí com Dennis Fling, aquele corvinal chatinho que queria ficar falando do professor Flitwick o tempo todo. E depois ainda teve aquele menino da Lufa-Lufa que beija mal, mas que Marlene me arranjou porque queria sair com o amigo dele, o (na época) capitão do time da Sonserina.
Nossa, até que eu estou bem.
E eu aqui achando que o Potter é um galinha, tsc, tsc. É óbvio que eu sou a maior galinha de Hogwarts.
Ok, quem dera.
Eu só preciso trabalhar um pouco minha personalidade. Porque assim, não é que eu seja esquentadinha, nem nada (eu sou), nem que me ofenda fácil (eu me ofendo) e nem faça drama com qualquer coisa mínima (eu faço)... Mas é que é tudo mecanismo de defesa, sabe? Eu ouço mais "sangue ruim" do que gostaria. Não que eu ligue muito (às vezes eu ligo). É só que eu ainda não encontrei ninguém que não se importe com ofensas. Talvez aquele esquisitão do Lovegood, mas eu acho que é porque ele não entende direito quando é uma ofensa. Uma vez ele agradeceu quando Black disse que ele estava parecendo uma fada mordente com as vestes azuis que ele usou na festa de natal. Black bem que não precisava ser maldoso. Mas sério. O negócio era metálico.
Mas estou fugindo do assunto. A questão aqui é a minha personalidade. Eu nem tenho culpa, se você parar para pensar. É conhecimento geral que ruivos são esquentadinhos. Meu pai é, e eu sou. Eu tento não parecer muito, mas eu sei que sou. Lembro que uma vez discuti com Marlene por uma bobeira (que eu nem lembro no momento) e a sala comunal inteira ficou em silêncio para ouvir nossos berros. Foi a pior briga que tivemos. Mas fizemos as pazes no dia seguinte, porque ela me ofereceu uma grande tigela de sorvete de creme, que é a minha fraqueza.
Caramba. Já são quase onze horas. Onde é que ela está? Juro que não vou ficar para trás esperando ela e acenando para os meus companheiros indo embora no trem.
Eita...!
Snape acabou de passar por mim, mas eu me encolhi atrás da pilastra e acho que ele não me viu. Em todo caso, Baboo resolveu que esse era um bom momento para piar alto, então isso definitivamente chamou a atenção dele. Mas seja lá o que passou por sua mente, ele já passou pela passagem da plataforma, então estou relativamente segura.
Onde está Marlene? Vou contar até cinco, e se ela não aparecer, vou me levantar e entrar na plataforma. Estou falando seríssimo. Eu deveria pelo menos entrar e deixar minhas coisas lá dentro. Quase todo mundo já entrou. Remus e Peter acabaram de passar por aqui, mas acho que também não me viram. É isso. Estou levantando. Estou indo e...
Ah, ela chegou.
Mais tarde, Expresso de Hogwarts.
Lene diz que se atrasou porque não estava achando as roupas que eu pedi.
Pst, até parece.
Contei a ela minhas intenções de ser uma pessoa mais relaxada e tranquila, e também a aprender a fazer novas maquiagens para poder comprar a sombra de fada. Ela achou bom, mas acha que eu enjoarei dessa maquiagem na primeira semana. Eu disse que nem é tão verdade assim que eu enjoo fácil das coisas e que na verdade se a maquiagem me trouxesse benefícios (ser convidada para sair), seria bem difícil que enjoe dela. Diz ela que eu não preciso de maquiagem para atrair olhares masculinos. Eu falei que Tommy Sullivan (um garoto do quarto ano que me segue o tempo todo) não conta, já que ele só gosta de mim porque uma vez eu fiz o dever de herbologia para ele.
- Em quem vamos nos focar esse ano? Já que não temos mais Diggory entre nós? – Marlene se ajeita no banco à minha frente e profere as palavras que eu queria esquecer.
Amos Diggory se formou ano passado. Tenho certeza que a população feminina de Hogwarts está um pouco mais perto de um colapso cerebral por isso. Confesso que eu ia na maioria dos jogos de quadribol para vê-lo jogar (mas não posso revelar isso para Marlene, porque sempre dizia que era por ela). E uma vez eu briguei com uma menina do terceiro ano porque ambas queríamos sentar atrás dele no salão principal. Nem preciso dizer quem ganhou. Nós sabemos quem é a ruiva esquentada aqui.
E eu tenho culpa? O cara tinha um metro e noventa de pura gostosura, o cabelo mais macio que já cresceu na cabeça de alguém, um sorriso brilhante e gostava de tomar sol na beira do lago. Sem. Camisa.
- Eu não sei – respondi, me entristecendo com o pensamento de que Hogwarts não verá mais aquele tanquinho. – Nenhum homem nunca chegará aos pés dele. Nem adianta procurar.
Marlene olhou para mim, esperando eu completar a minha frase. Mas quando ela viu que eu estava falando sério, jogou a cabeça para trás e riu. Na verdade, ela jogou o corpo inteiro para trás e riu.
Então ela parou, olhou para mim e para esse diário que estou escrevendo no momento, e agora está fazendo movimentos como se quisesse...
...Ei..!
Os 10 homens mais bonitos de Hogwarts (Do menos para o mais)
– Por Marlene McKinnon e Lily Evans.
10- Prof. Loutibon - O professor de vôo do primeiro ano e juiz de quadribol. Eu sei que ele é meio coroa, mas e aquelas covinhas? S.e.n.h.o.r quando ele vem me elogiar em alguma manobra me seguro forte para não pular em seu pescoço. L.E: Hm, ele é ok. Quer dizer, ele tem ombros bem largos, mas se ele parasse de usar roupas tão pesadas...nós poderíamos finalmente ter uma noção do que é um corpo com mais de 30 anos de experiência em quadribol. QUAL É, PROF. LOUTIBON, MOSTRE NOS O QUE QUEREMOS VER!
9 – Dirk Cresswell – Ele é gatinho E ainda sai na porrada com quem usa o termo "SR"*. Bonitinho e ativista? Check, Check. L.E.: Uhum, esse aí é fofíssimo. Pena que é tão baixinho.
8 - Mike Mijão – Eu não lembro o sobrenome dele de verdade. Eu só sei que ele fez xixi na calça no primeiro ano. Mas e daí, hoje ele tem um maxilar tão definido que só por Deus. L.E: ...credo, Lene.
7 - Remus Lupin – O maroto quietinho. Ele tem aquele charme misterioso que ninguém sabe sobre o que ele está pensando. E ele também tem olhos bem bonitos. Sem contar que é sempre sensual pensar em bagunçar a vida de um monitor. L.E.: Ahm...não faz meu tipo nem um pouco. Mas ele é legal, fazíamos a ronda dos monitores juntos. Ele é muito bom em snap explosivo.
6 – Greg Davies – Capitão e artilheiro do time da Corvinal. Fala sério, Os olhos dele são lindos e o cabelo dele é super brilhante. Sem comentar o fato que ele tem aquele físico de jogador de quadribol. L.E.: Que pena que ele namorou todas as setimantistas ano passado. E provavelmente fará o mesmo esse ano. Mas ele realmente tem um sorriso bonitinho.
5 - Davey Gudgeon – Ok, ele é meio tapado, certo? Já quase furou o olho tentando cutucar o salgueiro lutador. Mas e daí? Ele é bonitinho…E é engraçadinho. E tem a bunda mais redondinha que Hogwarts já viu. L.E.: Ah, ele é bonitinho…de longe. Acho ele muito magro, mas realmente, a bunda dele é super redondinha.
4 – Johnny Arst - Ele é aquele CDF do caramba da Corvinal, mas olha só: se uma tarde de estudos com aquele cara terminasse com nós dois rolando na grama...ah ah ah, como eu iria estudar... L.E.: Essa imagem me traumatizou. Se ele não fosse tão chatinho eu iria concordar. Ele realmente dá vontade de sair rolando na grama agarradinho.
3- James Potter – Uuh, estamos esquentando. Eu sei que irei ser xingada até a 9ª geração por colocar essa opção na lista, mas você não pode negar que ele é bonito. Ele tem um sorriso maravilhoso, e como nosso companheiro Davies, um corpo lindo – eu sei porque ele é meu companheiro de time, e eu já o vi sem camisa vááárias vezes. Sem contar que ele é engraçado. Você só precisa ficar mais do que cinco minutos no mesmo estabelecimento que ele pra ouvir suas piadas. L.E.: Você pirou. Não vou nem comentar.
2- Severus Snape Tiberius McLaggen – O Lufa-Lufa sem talentos. Tudo bem que ele não tem nada de especial – tirando aquele corpo maravilhoso que Deus sabe-se lá como ele arranjou. E o rosto dele é meio carrancudo. Mas não seria maravilhoso conversar com ele às sós num armário de vassouras? L.E.: Bom, você o definiu certo mesmo: ele não tem nada de especial. Mas ele é bem bonitinho e sim, ia ser ótimo conversar com ele num lugar bem apertado.
1- Sirius Black – Mama mia. – Ah sim. Ele sim é um pedacinho de doce que eu gostaria de provar. Ele também tem um corpo lindo, olhos lindos, um sorriso lindo E um cabelo lindo. Ah, e você tem que admitir que ele tem um ótimo senso de humor. L.E.: Sério, qual é o seu problema? Colocar esse tonho em primeiro lugar? Você não está no seu juízo perfeito.
L.E. prefere não associar seu nome à essa lista sem sentido que possui o nome de não um, mas três marotos.
M.M acha que L.E. precisa esfriar a bunda e parar de achar defeito em todo mundo.
L.E. quer deixar registrado que não é mais amiga de M.M
M.M. vai comprar comida no carrinho de doces
L.E. voltou a ser amiga de M.M.
Um pouco mais tarde, Expresso Hogwarts
Já que decidi que esse será o Ano da Lily, preciso delimitar objetivos:
· Deixar de ser tão sensível com coisas que não alteram muito a minha vida
· Deixar de me estressar com coisas que não posso mudar
· Ser uma monitora chefe MUITO responsável
· Ser um exemplo de vida para os primeiranistas
· Estudar, Estudar e Estudar para passar nos NIEMs com nota máxima e me tornar a melhor aurora da Inglaterra
· Não arranjar confusão nenhuma (essa vai ser fácil)
· Esfoliar a pele pelo menos duas vezes por mês para tirar essa cara de doente
· Aprender maquiagens novas para arrasar corações
Mas também
· Não ligar para as aparências já que elas não significam nada
· Aprender uma habilidade nova
· Me tornar a nova imperatriz suprema do universo
Ah, e
· Tentar não querer matar nenhum dos marotos
(esse último aí é um desafio pessoal)
Bem mais tarde,
Expresso Hogwarts.
A coisa mais estranha do mundo acabou de acontecer.
Eu e Potter acabamos de ter uma interação amigável?
?
Não entendi.
Quer dizer, ele não me deu vontade de revirar os olhos até alcançar o fundo do meu crânio nenhuma vez.
É um progresso, não é?
Estava eu aqui, saboreando uma deliciosa varinha de alcaçuz que comprei (cof, cof, Marlene comprou) da moça do carrinho dos doces enquanto ponderava no quanto esse ano será bom para mim e observava Lene babar no casaco que ela estava usando como travesseiro, quando a porta do compartimento se abriu e Alice, Mary e Emmeline entraram sorrindo. Elas estavam no compartimento das meninas da Lufa-Lufa que até que são legais, mas não somos tão íntimas.
Fiquei feliz em vê-las, porque estava com saudades e me senti momentaneamente mal por não ter me correspondido com elas no verão. Mas elas aparentemente não ligaram porque me contaram animadas como foi a viagem ao Egito (de Alice) e à França (de Emmeline). Mary ficou na Inglaterra como eu (mas passou quase todos os dias com o namorado). Alice cortou o cabelo bem curtinho no verão, e eu anotei mentalmente que é um penteado que eu poderia fazer assim que me tornar morena. Emme diz que na França as mulheres só usam cabelo chanel.
Mas enfim, estávamos conversando sobre um passeio mágico dentro das pirâmides que Alice fez, quando a porta se abriu de novo. Eu imediatamente fechei a cara e olhei para a janela. Porque estavam lá parados Frank Longbottom, Sirius Black e James Potter.
Evitei contato visual enquanto eles se cumprimentavam e conversavam (Alice abriu espaço para Frank sentar ao seu lado. O que ele fez de muito bom grado, mas também...os dois namoram desde o quarto ano). Black se espremeu de qualquer jeito no final do meu banco e Potter teve o bom senso de ficar em pé, visto que não tinha mais nenhum espaço físico onde se enfiar.
Eles começaram a conversar animados sobre as férias. Pelo que eu peguei, Sirius ainda estava morando com James (ele se mudou para lá no inverno do ano passado) e não parava de falar como eles se divertiram na viagem em família à praia e como a mãe de Potter gostavam de levar panquecas para ele no quarto toda manhã. ("Ei, ela não faz isso comigo", disse Potter. "Aceite que ela gosta mais de mim, Prongs").
Eu me enfiei mais ainda no banco pra tentar esconder a mísera risada que tentava sair da minha boca. Marlene acordou com o barulho e secou a baba no canto da boca. Ela ficou feliz em vê-los e entrou na conversa animada. Quer dizer, ela está no direito dela. E ela não consegue odiá-los de verdade. Eles nunca foram maus de verdade para ela. Além do que, ela e Potter fazem parte do mesmo time. Tenho certeza que eles se dão muito bem nos treinos.
(Nota mental: assistir a um treino de quadribol para saber se eles se dão bem)
Na verdade...pensando bem...nem eu os odeio. Eles são chatos pacas, é verdade, mas sei lá. Não são pessoas más. Bom, considerando que já os vi sair na porrada com um monte de gente que sai por aí fazendo maldade de verdade (quer dizer, há dois anos Lucius Malfoy usou uma maldição horrível em Chuck Terris. Horrível mesmo), eles até que são pessoas boas.
Mas podiam ser um pouquinho mais maduros. E, sabe como é, não causarem tantos problemas.
Então estava eu lá, alheia a qualquer conversa, lendo meu diário e fingindo que era um livro importante, quando ouço a seguinte frase:
- E você Evans, passou bem o verão?
Bem. Não tinha certeza se ele queria realmente saber ou só queria ser formal e educado. Na verdade levei um tempo para entender que era comigo que estavam falando. Nos primeiros segundos, olhei para eles e voltei a baixar o olhar. Nem tava sabendo de onde saiu essa pergunta. Mas então Potter cruzou os braços enquanto apoiava no batente da porta da cabine e perguntou de novo "Evans?". Aí eu não pude mais me fazer de perdida.
Foi estranha essa formalidade porque posso contar nos dedos de uma mão só quantas palavras trocamos no último semestre. Foram literalmente "Com licença" e "toda". Às vezes um "obrigada". Só.
Mas depois de piscar algumas vezes para compreender a situação, abri a boca e respondi:
- Eu..hm, passei sim, obrigada.
Gênia.
(Percebo também que esqueci de perguntar como tinha sido o verão dele – o que Potter obviamente estava esperando, já que ele abriu e fechou a boca como se estivesse com uma resposta preparada. Ao invés disso, ele sorriu sem mostrar os dentes e falou "Que bom").
Olhei para frente para ver se Marlene tinha estranhado essa interação tanto quanto eu, mas ela estava toda sorrisos para o Black. Fiquei um pouco brava, porque eu realmente esperava que isso não significasse que ela estava realmente FLERTANDO com ele, já que, sabe como é, ela tinha posto ele em primeiro lugar na lista e tudo mais.
Fiquei encarando a paisagem (que já estava ficando escura) até eles se tocarem que eu não estava a fim de conversa. Mas como as meninas respondiam animadas, eles ficaram um bom tempo na nossa cabine. Potter tentou conversar mais duas vezes ("Você ficou na Inglaterra o verão todo?" e "Vai fazer estudos de trouxa esse ano?") no que eu respondi dois curtos "sim". Qual é, eu estava um pouco constrangida e não sabia como conversar direito com essa pessoa que ignorou minha presença pelos últimos seis meses. Depois ele não tentou me incluir de novo. O que eu, bem, fiquei grata.
Mas assim que eles saíram para "colocar as vestes" (como disse Frank), eu fuzilei Lene com o olhar. Ela fingiu que não entendeu e disse que era melhor nós colocarmos nossas vestes também.
Tsc, ai dela se ela começar a flertar com marotos nos corredores desse jeito.
Mais tarde,
Expresso de Hogwarts
Emme acabou de dizer que tem um boato rolando na cabine da Lufa-Lufa de que Amos Diggory está noivo de uma menina irlandesa.
Será que é verdade?
Acho que eu sou capaz de desmaiar. Normalmente eu diria que dezenove anos é muito cedo para noivar/casar, mas acontece que as pessoas (pelo menos os bruxos) estão casando o quanto antes nesse período de guerra.
O que, vou ser sincera, acho muito válido. Qualquer chance de ter o amor é melhor do que não ter de jeito nenhum.
Mas AMOS DIGGORY NOIVO? Era pra ele me esperar para que pudéssemos fugir juntos para a Itália! (Não sei porque escolhi Itália, mas sei lá. Parece um bom lugar para dar uns amassos em Amos Diggory).
Lene e eu nos abraçamos e fingimos chorar. Alice revirou os olhos dramaticamente e Mary nem tirou os olhos da unha que estava lixando. As duas não achavam ele tão lindo, nunca entendi o porquê.
- Parem com isso vocês duas. Vocês nunca nem falaram com ele – disse Mary, ainda olhando para a mão.
- Ahn, dá licença? Nós falamos sim – eu falei, parando de chorar de mentira.
- É, nós pedimos uma pena emprestada pra ele na biblioteca uma vez – Lene me apoiou.
- E pedimos licença no corredor também, ok?
- Ah, uau – Alice alou ironicamente – me desculpem, não percebi o quanto vocês estavam comprometidas com ele. As duas. Ao mesmo tempo.
Eu e Marlene ignoramos seu comentário.
- E você queria que eu focasse em quem, hein? – perguntei, me desvencilhando de Lene e voltando para o meu banco. – Um terço dos caras de Hogwarts já está comprometido desde o quinto ano, outro terço é simplesmente inamorável e o último terço é composto de caras com que Marlene já saiu.
Lene me olhou inicialmente ofendida, mas depois deu os ombros e concordou com um sorrisinho.
- Inamorável só porque você quer – Mary disse, ainda sem levantar o rosto. Depois soprou a mão esquerda e analisou o trabalho que estava fazendo com as unhas – Todo mundo sabe o quão seletiva você é.
- Eu hein, o que é que isso tem de errado, posso saber? – cruzei os braços (parcialmente) ofendida.
- Não tem nada de errado, ok? – Emme interveio – Você tem todo o direito de ser seletiva. Só que isso não te abre muitas portas para conhecer gente nova, não é? Quer dizer, olha quantos caras legais aparecem e você nem dá chance para nenhum...
Acho que a minha cara de interrogação estava tão evidente que ela foi parando de falar aos poucos. Por favor, né? Será que todo mundo ali vivia num mundo de fantasia? Queria muito de verdade enxergar essa fila imaginária de apaixonados que elas vêem.
- Não adianta, já tentei mil vezes – Lene escorregou no banco, abrindo a boca um bocejo preguiçoso – Ela literalmente não consegue ver pretendente nem que ele esteja sambando na ponta do nariz dela.
- Ahn...oi? Eu já disse que Tommy não conta, ok? Ele...
Mas não pude continuar porque todas presentes no compartimento gritaram "Chega de falar no Tommy Sullivan" então tive que ficar quieta e afundar no banco emburrada.
- Olha Lily, ninguém tá falando pra você parar de ter seleção, ok? Até porque é bom você saber escolher com quem quer ter uma amizade nesses tempos – Alice disse, colocando o cabelo para trás da orelha – Mas você tem que relevar certas coisinhas para conhecer alguém, entende? Quer dizer, olhe para Frank. Ele não é a pessoa mais bonita do mundo, confesso, mas ele é tão legal e gentil que dá vontade de bater. Sério mesmo, durante o verão fui até a casa dele e sem querer derrubei uma prateleira de pratos de porcelana da tia dele. Eu já estava quase chorando quando a tia dele chegou. Mas sabe o que ele fez? Assumiu completamente a culpa e ainda se propôs a pagar o estrago com um serviço de limpeza duas vezes por semana. Quer dizer, se eu tivesse que ficar procurando por alguém que me agradasse provavelmente eu nunca encontraria alguém tão legal assim. Entende? Quem se importa que ele tem orelhas enormes? Ele é fofo e fim.
Eu concordei com a cabeça porque fui obrigada. Não dava pra não concordar com uma história dessas.
- E James, por exemplo. – Emme continuou. Revirei os olhos dramaticamente – Ele não é o traste que você pensa, ok? Estava conversando com Remus mais cedo e ele disse que James e Georgia terminaram durante as férias e ela não aceitou muito bem. – Nesse ponto, ela estava falando mais baixo, como se tivesse medo de Georgia Shaw entrar no nosso compartimento a qualquer momento – Você tinha que ouvir Remus falando, Lils! Parece que James foi super legal com ela. Ele acha ainda que Georgia ficou mandando uns bombons com poção de amor para James, acredita? E ele não falou nada para ninguém. Eu acho que não saberia ser legal com uma pessoa que fica tentando me...não sei, me envenenar. Acho que eu ia espalhar para a escola toda. Mas James ficou na dele.
Eu percebi que estava com a boca meio aberta quando Lene empurrou meu queixo para cima. Não sei o que me deixava mais surpresa, esse James aí que tomava decisões responsáveis ou Georgia tentando dar poção do amor à ele. Meu Deus! Isso era uma ótima informação para se ter. Não que eu fosse usar contra ninguém...mas sabe...coisas acontecem...
Não!
Eu sou uma nova mulher. Eu não vou chantagear ninguém. Isso vai contra os princípios da nova Lily e não se encaixa no calendário do Ano Da Lily (ou, como podemos chamar a partir de agora, o ADL).
Nem que certas pessoas sintam a necessidade de derrubar toda a sua mochila no chão do banheiro feminino porque a Corvinal perdeu a taça das casas para Grifinória. E nem quando te olham de cima a baixo nos corredores e depois viram para as amigas e dão risada.
Arg, eu odeio Georgia Shaw.
Mas não vou chantageá-la.
Acho.
Muito mais tarde,
Sala comunal da Grifinória
ESSE ANO COM CERTEZA NÃO SERÁ O ANO DA LILY!
MEU DEUS, POR QUE COMIGO HEIN?
Calma, deixa eu respirar fundo aqui.
(Como era mesmo aquele exercício de Yoga que minha mãe me ensinou para usar sempre que tivesse um ataque de ansiedade?)
Tínhamos acabado de chegar à estação de Hogsmeade e eu, tentando manter a promessa de ser uma monitora chefe muito responsável, sai correndo para ajudar os alunos a desembarcar. Vou ser sincera que nem pensei muito em quem eram os monitores que iam me acompanhar (só passei por Remus que arrumava o distintivo de monitor e seguia para a porta mais próxima), mas não consegui deixar de pensar que HI HI HI, vou poder mandar em Margaret Fella, aquela sonserina chatinha que ficava arranjando problema com todas as rondas de monitoria.
Enfim, tudo aconteceu quando levei os primeiranistas até Hagrid (pausa para comentar: achei engraçado estar com saudades desse grandão. Nunca tive muito contato com ele, mas ei! A presença dele sempre me alegrou. A ideia de ter um cara muito grande cuidando de filhotinhos de unicórnio nos limites da floresta proibida...ah, sei lá, sempre achei engraçadinho) e o cumprimentei. Ele olhou admirado para o meu distintivo dourado e brilhante e fez dois sinais de joinha.
- Lily Evans! Monitora Chefe! Parabéns, garota! Mas é claro que seria você, quem mais estaria no mesmo patamar?
No que eu sorri envergonhada e agradeci com uma reverência brincalhona.
- Que responsabilidade, eh? Mas você vai se sair bem...E por falar nisso, quem é qu...
Mas ele não terminou a frase porque alguém atrás de mim gritou:
- Hagrid! Você viu quem é a monitora chefe? Eu não a encontrei no trem.
Eu paralisei antes mesmo de me virar. Porque eu conhecia aquela voz, querendo ou não.
- Eh, eu estava a parabenizando agora mesmo...he he. – (isso foi a risada dele). - Que emocionante, não? Dois grifinórios monitores chefe!
E aí eu simplesmente tinha que me virar. Porque eu sabia que aquilo só poderia ser uma piada. Uma piada de muito mau gosto, é verdade, mas uma piada.
Porque assim que virei, dei de cara com James Potter completamente vestido (com a camisa um pouco amassada, devo ressaltar) e um distintivo dourado igualzinho ao que eu levava no peito. Eu não pude evitar de abrir um pouco a boca em descrença, o que deve ter sido notado.
Mas James também me encarava com surpresa. Acho que nem ele tinha imaginado que eu, dentre todas as opções, seria considerada responsável o suficiente para ser monitora chefe. O que me faz pensar...por quê raios escolheram ELE?
Depois de quase um minuto em silêncio, Potter fez o que mais me surpreendeu: jogou a cabeça para trás e começou a rir. Mas tipo, rir de verdade. Como se alguém tivesse contado uma piada muito engraçada.
- Ei, não sei o qu... – comecei, mas me silenciei porque comecei a achar que ele estava rindo de mim /do fato de eu ter sido escolhida monitora. Então fechei a cara.
Ele não parou de rir, mas diminuiu consideravelmente. Quando olhou para a minha cara emburrada, ajeitou a postura e sorriu.
- Ah, esse vai ser um ano interessante – disse, não sei se para mim, para Hagrid ou para ele mesmo.
Eu ia responder, mas os primeiranistas que nos acompanhavam começaram a reclamar da demora.
- Ah, sim, certo. Hagrid, eles são todos seus – e empurrei os mais perto de mim em direção à ele. Dois menininhos loiros me olharam chateados. Ei, cresçam, ok? Eu tenho problemas maiores para lidar no momento. Tipo meu PESADELO ter se tornado realidade.
Hagrid os levou para os barcos e eu andei depressa em direção às últimas carruagens que aguardavam o embarque dos alunos.
Óbvio que para minha sorte tive que ir com Potter, Remus e um menino da sonserina que tinha perdido os amigos. Eu me mantive olhando janela a fora o tempo todo, mas dava pra sentir aquele traste rindo na minha direção. Ele se acha tão esperto, arg.
E quem ele pensa que é, fica seis meses sem nem ao menos olhar na minha direção e depois tem a coragem de rir da minha cara.
Eu odeio minha vida.
E já odeio esse ano.
Muito muito mais tarde,
Dormitório feminino da Grifinória
Ah! Como eu senti saudades desse lugar!
Da comida gostosa de Hogwarts, da sala quentinha da Grifinória!
Eu ainda estou odiando minha vida, veja bem. Mas nada me impede de apreciar as pequenas coisas, como aquela poltrona confortável perto da janela, o cheirinho de lenha queimada da lareira...
E bem, essa ceia maravilhosa que nos recebe todo ano.
Cheguei exausta (tanto física quanto emocionalmente) na mesa e quase não prestei atenção no discurso do chapéu seletor e nem nas boas vindas do Prof. Dumbledore. Lene, que já estava sentada no nosso lugar de sempre, no meio da mesa, me encarou com uma sobrancelha levantada e alguma coisa me disse que ela já sabia que Potter era monitor chefe. Eu a fuzilei com os olhos por ela não ter me contado, mas acho que ela escondeu um sorrisinho na mão que apoiava o rosto.
Não tive muito tempo para ficar irritada porque em poucos minutos a mesa se encheu de comidas deliciosas e com cheiros magníficos. Eu passei uma boa meia hora comendo em silêncio, só pra me repor do trauma emocional.
Bem, no final do jantar eu já estava completamente cheia de tanto me empanturrar (sério Dumbledore, precisava mesmo colocar esse sorvete de creme maravilhoso para me mimar?) e extremamente cansada, porque eu não dormi nada no trem.
Mas aí tive que levar as crianças novas para a sala comunal, e tive que pegar o caminho mais longo porque elas gostam de ver um pouco do castelo antes de ir dormir. Olhei para trás e Potter estava acompanhando meu grupo de alunos com um sorriso irônico no rosto. Fiz questão de ignorar sua presença.
E tudo estava correndo (relativamente) bem, até que chegamos no quadro da mulher gorda. Eu abri a boca para dar a senha e foi aí que me toquei que esqueci de perguntar para alguém. Merlin! Eu mal tinha começado meu trabalho de monitora chefe e já estava falhando!
Eu me virei para trás para ver se Remus estava vindo (ele sempre sabia a senha), mas não tinha ninguém.
A não ser aquele metido do sorriso irônico.
Então, como eu me recusava a pedir ajuda dele, eu decidi que seria uma boa ideia acamparmos na frente do quadro naquela noite. Sabe como é, criar um laço de amizade com os primeiranistas e coisa e tal.
Mas Potter revirou os olhos (parecendo se divertir muito com a situação, devo acrescentar) e falou para a mulher gorda: Lagarto d'Ouro.
Pigarreei e esperei ele entrar, depois o grupo dos primeiranistas entrou e só aí eu decidi por os pés para dentro da sala. Potter estava explicando qual escada era qual, então cheguei à conclusão de que meu trabalho por hoje estava feito. Vi Marlene sentada nos sofás com Sirius e Peter, mas subi direto e fui para o quarto porque ansiava aqueles lençóis macios como nunca.
Mary e Alice já estavam lá em cima e quando abri a porta fui recebida por uma pantufa porque Mary estava apenas parcialmente vestida e não queria que eu abrisse a porta. Pff, como se alguém fosse ligar por ver as calcinhas dela.
Logo depois que eu subi, Annelise Mansfield, a outra menina que dividia o quarto conosco, mas quase nunca ficava com a gente (ela era mais amiga das meninas da corvinal) entrou e se enfiou praticamente de roupa e tudo na cama. Nós demos os ombros.
Meu malão já me aguardava do ladinho da minha cama, o que me deu uma sensação de nostalgia. Me troquei, colocando o pijama velho que definitivamente tinha que ser trocado porque tinha mais furos do que tecido e me esparramei na cama abraçando o travesseiro.
Contei para Alice e Mary o que tinha acontecido (o PESADELO) e elas receberam da maneira apropriada: ficaram espantadas e depois começaram a perguntar por quê Dumbledore escolheu alguém que não tinha sido monitor para ser o monitor chefe. Viu? Eu falei que não fazia sentido.
- Então! – exclamei, encarando o teto da minha cama. – Porque não Remus? Ele é a pessoa mais responsável daquele quarto. Arg!
- Disso eu tenho que concordar, James não tem nada a ver com um monitor chefe. Tá bem estranho mesmo. – disse Mary, deitando em sua própria cama ao lado da minha.
Foi nesse momento que Lene entrou no quarto, assobiando.
Eu joguei um travesseiro nela assim que ela se aproximou na minha cama.
- Por que é que você não me avisou, hein, sua traidora?!
Mas ela fez um sinal descontraído com a mão e depois emendou um "esqueci".
Óbvio que eu não acreditei nem por um segundo.
Mas antes que eu pudesse realmente falar algo, ela mudou de assunto:
- Vocês viram como Bernard Fenwick está bonitinho?
- Lene, ele está no quinto ano – falei, afundando a cabeça nos travesseiros de novo. Isso significava que meu drama tinha acabado. Ah, mas eu ia fazê-la discutir isso de novo, ia com certeza.
- O que é que tem? Ele cresceu 10 cm no verão – ela disse, tirando o uniforme e jogando-o de qualquer jeito em cima do seu malão. – E ele passou as férias na Austrália, por isso tá super bronzeado. Está gostosíssimo. Acho que deveríamos incluir ele na lista, Lils.
Alice teve um acesso de riso e sentou-se na própria cama.
- Vocês fizeram uma lista? – ela perguntou, assim que se acalmou um pouco. Eu fiquei incrivelmente vermelha, mas Lene concordou com a cabeça.
- Aham. Minhas próximas vítimas. – Ela juntou as mãos como se estivesse bolando um plano. – e a Lily aqui vai me ajudar, não é, Lils?
- Se você incluir James Potter, Remus Lupin e Sirius Black em suas "próximas vítimas" eu juro que paro de falar com você. – anunciei.
Ela me olhou com uma cara entediada.
- E pode esquecer, Lene, não vou mais ficar saindo em encontros duplos com você. Você só arranja gente estranha para mim.
- Você tem que me ajudar, Lily – disse, amarrando o cordão da calça do pijama com um safanão. – Mary e Alice já estão comprometidas. Você é a minha única esperança.
- Emme também não está saindo com ninguém, pede para ela.
- É, mas você é a minha melhor amiga e jurou me proteger de todo o mal do universo.
- Não lembro de ter feito esse juramento, mas ok. Pagando bem, eu saio com quem você quiser.
- Até com Sirius Black? – ela perguntou, se jogando na cama e rindo da própria ideia.
Eu revirei os olhos mesmo que ela não pudesse mais ver, mas e daí, revirei os olhos por honra. Pela minha honra.
Merlin me ajude a superar o dia de amanhã.
Nota Mental: manter Marlene por perto para ela não cair na lábia de nenhum dos marotos.
