N/T: Olá, meus amados! Como vocês estão? Eu estou morrendo de sono, mas estou aqui postando para vocês, já que adiei esse capítulo por séculos.

Não, falando sério, sinto muito pela demora. Acontece que sou vestibulanda, por isso final de ano é puxado para mim.

E eu fiquei sabendo que tem gente de Portugal aí, miúdos, podem puxar o banquinho, eu não mordo. É só dar um alô. Brasileiros, não pensem que eu esqueci de vocês não, também quero um oi de vocês.

Quero agradecer ao pessoal que comentou, que favoritou, que está acompanhando, enfim... E, claro, um obrigado do tamanho do mundo para a Pbroken, a história é toda dela, os personagens são da titia Steph e a mim cabe apenas a tradução.

É isso. Boa leitura!

Capítulo 2 – A luz do fogo

"É preciso duas faíscas para fazer um fogo." Louisa May Alcott

EPOV

Os braços artificialmente bronzeados de Jéssica Stanley me envolveram e eu tive uma vontade súbita de chutá-la. Quantas vezes eu disse que eu não abraço? Pelo menos uma dúzia ou duas. Essa merda era ridícula. Eu estive fodendo a cadela burra há anos, mas ela ainda tem esses momentos que ela pensa que eu vou me apaixonar por ela ou qualquer outra merda. Obviamente, já que ainda não ocorreu, seria claro para todo mundo que isso nunca iria acontecer, mas para ela, na sua cabecinha sem cérebro, é simplesmente um convite para tentar mais. Eu sabia que deveria ter ligado para outra garota essa noite. Qualquer outra seria uma escolha mais inteligente. Porém, eu estava me sentindo um pouco preguiçoso e Jessica era sempre tão fácil. Com as outras garotas, eu teria um pouco mais de trabalho para leva-las para a cama. Certamente, tudo que eu precisaria seria um pouco de conversa doce e elas estariam nuas em uma hora, no entanto, Jessica não ficou aqui nem por cinco minutos antes de tirar a roupa.

Ela me encarou contente, seus olhos azuis escuros amaciaram em relaxamento, o cabelo marrom cinzento com permanente caindo em frente a sua face desordenadamente. Eu não sentia nada, absolutamente nada, por ela, não a amava, ou até mesmo gostava. Simplesmente não me importava. Tudo bem, na verdade eu sentia algo, eu sentia uma vontade desesperadora de chutá-la para fora da minha cama e não ter mais que olhar para a cara dela.

— Você deveria ir, eu posso ser chamado a qualquer instante — disse soltando um grunhido exasperado.

Escorreguei para fora de seus braços e fui em direção ao banheiro jogar fora a camisinha. Nojento. Não é o ponto alto da minha noite, isso com certeza. Eu nem sabia se tinha um ponto alto para essa noite, ou dia, para falar a verdade. Minha viagem de pesca matinal com Charlie fora arruinada quando ele convidou Bella para ir junto. E o jantar na casa de Esme e Carlisle foi um desastre épico. Uma grande surpresa. Nem a fodida da Jessica não fora muito gratificante. Ela guinchava como um rato, e essa merda não é muito atrativa.

— Mas, tipo, você nunca é chamado e eu trouxe algumas roupas para dormir dessa vez. Eu sei que você não gosta quando eu visto as suas coisas — ela declarou, procurando uma desculpa para ficar, naquela voz extremamente alta e nasalada. — Eu poderia fazer algo para você comer enquanto toma banho, tipo macarrão ou qualquer outra coisa. E de manhã, eu poderia fazer panquecas para você.

Eu me encolhi visivelmente ao ouvi-la, era quase tão ruim quanto unhas em um quadro negro. A única coisa boa que aquela boca servia era para boquetes, e eles eram bastante medíocres. Mas também não era só sua voz que me fazia encolher, raramente ele conseguia formar uma frase sem dizer a palavra "tipo", e suas panquecas, é, elas tinham gosto de bunda.

— Não, eu já jantei e posso fazer meu próprio café da manhã. Eu só quero tomar um banho e ir dormir, Jessica. Sozinho — enfatizei a última palavra, fechando a porta do banheiro e trancando-a.

Se eu ligasse um pouquinho para ela, provavelmente iria me incomodar que eu podia ouvi-la choramingando enquanto caminhava pelo quarto pegando suas roupas. Mas não. Tanto faz, eu não era uma má pessoa, não machucava seus sentimentos de propósito. Não era como se eu tivesse mentindo para ela e dito que a amava ou qualquer outra coisa. Ela sabia desde o início que tudo que eu queria dela era transar. Ela só se recusava a acreditar e isso não era minha culpa.

Para abafar o barulho, liguei o chuveiro e deixei a água quente correr enquanto encarava o espelho. Eu parecia tão cansado como me sentia. As profundas manchas roxas sob meus olhos e a expressão depressiva em minha face dizia tudo. Esses últimos dias vinham sendo uma merda e exaustantes.

Ao ouvir a porta da frente fechar, abri a do banheiro para que, se meu pager tocasse sobre minha cômoda, eu poderia ouvi-lo. Duvidava que iria, viver em uma cidade tão pequena tinha suas vantagens. Entretanto, melhor prevenir do que remediar.

Entrando no chuveiro, fiquei em baixo do jato pesado. O calor era incrível no meu corpo, tranquilizante e entorpecente. Era isso que eu estava procurando quando liguei para Jessica, um pouco de paz. Tudo que eu queria eram alguns momentos nos quais eu poderia pensar em outra coisa além do trabalho ou Bella Swan.

Ugh... E durou dois minutos. Esfreguei o rosto com ambas as mãos, sentindo a água quente escapar pelos meus dedos. Bella sempre encontrava uma maneira de penetrar em minha pele e adentrar o meu cérebro. Só de pensar nela eu já podia sentir minha raiva surgir. Ela havia chegado há dois dias e já havia me irritado como o inferno. Aquela garota conseguia me deixar fodidamente nervoso, desde o momento que nos conhecemos tem sido assim. Não é que eu não tenha tentado gostar dela, Alice e eu fizemos o nosso melhor, porém, isso apenas se provou ser um esforço desperdiçado, embora eu ache que o desgosto da Alice pela Bella tenha vindo em sua maioria pelo fato de eu mesmo não gostar dela, é uma coisa de lealdade de gêmeos. Na verdade, ela poderia ter se dado bem com Bella se eu não estivesse por perto para interferir quando nós nos conhecemos... Pensando bem, talvez não, não com Jacob por perto de qualquer maneira. Com aquele puto por perto, nenhum de nós tinha chance alguma de nos tornar amigos. Com os olhos fechados, levantei minha cabeça e corri meus dedos por meu cabelo, lembrando-me daquele dia, dez anos atrás.

Franzi o cenho enquanto acordava e notei que estava mais nublado do que nunca. Supus que poderia ser pior, poderia estar chovendo. Com minha cabeça encostada na janela, podia sentir o ar gelado. Parecia frio demais para setembro, mas, novamente, lá em casa deveria estar tão, ou mais, frio do que aqui. Afundei no assento de trás do carro dos meus tios com um suspiro, lembrando-me que minha casa não era mais em Chicago, de hoje em diante, seria em Forks, Washington. Meu corpo desengonçado de pré-adolescente balançou no tecido de vinil com outra curva e eu grunhi incomodado, repetindo em minha cabeça o porquê de ter concordado com isso pela bilionésima vez.

Minha tia amava Forks e ela e meu tio ficaram em Chicago por quatro anos, apesar de odiarem lá. Carlisle constantemente reclamava dos horários horríveis que ele tinha que trabalhar no hospital da cidade e Esme estivera solitária, sentindo falta de sua família e amigos, especialmente sua melhor amiga, Renée, quem ela não via desde sua mudança para Chicago.

Originalmente, os dois tinham saído de Seattle para tomar conta das coisas dos meus pais quando morreram. Alice e eu tínhamos oito anos na época e, quando perceberam o quanto nós éramos contra a mudança, eles se acomodaram em Chicago para evitar que sofrêssemos mais do que já tínhamos. Foi um grande sacrifício para eles, o qual eu falhei várias vezes em apreciar como deveria ter feito. Por esse motivo que, quando a cidade dos ventos se tornara demais para eles, Alice e eu relutantemente aceitamos nos mudar para a cidade natal de Esme, a cidade natal de nossos pais. Carlisle claramente não precisava de grande incentivo para concordar. Ele gostava da ideia de trabalhar em um hospital de cidade pequena e se isso fazia Esme feliz, fazia Carlisle feliz.

Não importava quantas vezes eu repetia os motivos em minha cabeça, não mudava minha opinião sobre o lugar. Viver em Forks seria tão divertido quanto observar a tinta secar. Enquanto nos movíamos pela cidade, olhava aturdido para as pequenas lojas, perguntando-me quem, em seu estado perfeito da cabeça, iria querer crescer aqui. Era estranho pensar que meus pais conseguiram escapar daqui com a sanidade deles intacta. Por que eles ou minha tia poderiam sentir falta daqui, por que qualquer um poderia sentir falta daqui, estava além do meu conhecimento. Pelo jeito que todos eles falavam de Forks, deveria ser a melhor cidade do mundo. Se era tão bom assim, então por que parecia tão chato?

Durante a viagem pela rua principal, meu espanto se transformou em choque. Não havia nada maior que três andares, não havia nem um cinema, muito menos uma casa de shows. Não havia nem uma pizzaria do estilo das de Chicago. Como eu poderia sobreviver sem uma deep-dish pie*? Era tudo tão sem graça, comum, monótono... Pelo menos até que eu avistei o posto de bombeiros.

[N/T: deep-dish pizza, ou pie, é um tipo de pizza típico de Chicago, com a massa mais grossa.]

O prédio antiquado de tijolos vermelhos e dois andares prendeu minha atenção com suas monstruosas portas que abriam para cima e que eram feitas principalmente de vidro. Permitindo-me dar uma espiada na estação e enxergar o caminhão lá dentro. Aquilo era algo que eu nunca havia visto na cidade dos ventos.

Imediatamente, eu fora atraído para o lugar. Poderia ser parcialmente porque a carreira do meu pai começara aqui, mas o prédio também tinha sua participação, esse sentimento radiante de lar. Eu sabia que minha irmã também sentira, porque ela agarrara minha mão e apertara da forma que ela costumava fazer quando éramos pequenos.

No segundo que a estação sumiu de nossa vista, o sentimento de pertencer ao lugar foi embora e eu apertei os lábios em desapontamento. O fato de ter levado apenas seis minutos para atravessar toda a cidade somente tornou as coisas piores. Em Chicago, você poderia passar por, talvez, uns cinco quarteirões nesse tempo. Cruzei meus braços sobre o peito, lastimando a injustiça de tudo isso enquanto via a vasta floresta verde pela janela. A viagem através da mata para a casa pareceu levar séculos, no entanto, isso pode ter sido porque eu não esticava minhas pernas desde às oito horas e isso era três horas e mais e trezentos quilômetros atrás.

Ali está a saída, querido — Esme indicou entusiasmada a rua ao lado da rodovia, escondida atrás de algumas árvores e arbustos grandes e cheios.

Caramba, como você conseguiu ver isso? — Carlisle exclamou, o barulho do pisca-pisca ecoando no carro.

Muitos, muitos anos dirigindo por este lugar — respondeu com um sorriso radiante, virando para Alice e eu no banco traseiro. Seu cabelo bronze, da mesma cor que o meu e o que o da minha mãe costumava ser, balançando com o movimento. — Vocês vão amar esta casa. Sua mãe e eu costumávamos fantasiar sobre comprá-la quando éramos pequenas.

Pela minha visão periférica, vi Alice tentar sorrir. Eu a segui, porém, nossos sorrisos falsos não agradaram Esme. Suas sobrancelhas franziram em algo parecido com desapontamento em seu rosto em forma de coração e seus olhos amendoados brilharam suavemente com as lágrimas aprisionadas.

Isso não é o fim do mundo, crianças. Vocês vão gostar, eu prometo. As pessoas que vocês conhecerem aqui, a cidade, elas crescem dentro de vocês.

Eu tentei segurar minha língua, mas sendo um garoto de doze anos, não pude evitar.

Bem, fungos nojentos podem crescer em mim também, não significa que eu gosto deles — murmurei enquanto o carro balançava através da longa estrada de cascalho.

Esme suspirou em desistência e virou-se ao mesmo tempo que Alice me lançava um olhar gélido. Senti uma pequena pontada de culpa, porém, foi extinta tão logo chegamos à clareira e eu prendi meus olhos na casa mais hedionda que eu já havia visto. Branca, de três andares, lembrou-me de uma casa de fazenda que eu tinha visto em fotos nas aulas de história. Tinha alguns pilares grandes na fachada, varandas nos lados com grades e uma tonelada de janelas com persianas verdes.

Tudo bem, não era exatamente uma casa hedionda, entretanto, era um completo lixo. A tinta branca estava lascada e descascada, as persianas estavam quebradas e a maioria caída pela metade, as varandas em ruínas, todas as janelas estavam destruídas e tapadas, também haviam pichado a porta da frente, alguma coisa parecida com um lobo... Que merda era aquela?

Esme não parecia surpresa. Na verdade, ela nem parecia se importar. Ela estava praticamente vibrando em seu assento e se recusou a esperar o carro parar completamente antes de sair correndo na direção da varanda da direita. Pensei que minha tia tinha, finalmente, perdido a cabeça até uma figura entrar no meu campo de visão. Esme, rindo entusiasmadamente, colidiu com uma mulher magricela com cabelo ondulado castanho escuro. Carlisle riu enquanto virava a chave na ignição e a tirava. Foi aí que notei que nosso carro não era o único estacionado na frente da garagem de dois lugares separada da casa e que a mulher de cabelo castanho não estava sozinha, ela tinha crianças com ela.

Elas aparentavam ter a nossa idade, mas não eram parentes. Uma delas era uma garota pálida com cabelo castanho escuro como o da mulher mais velha, e o outro era um garoto bronzeado com cabelos compridos e pretos amarrados em um rabo de cavalo. Eles empurravam um ao outro, brincando, no entanto, suas expressões me disseram que não era totalmente uma brincadeira, eles estavam discutindo.

Parece que ela trouxe Bella e Jacob — Carlisle notou, mais para si mesmo. Moveu-se para nos encarar enquanto corria uma mão por seu cabelo loiro e seus olhos azuis fixaram-se nos nossos seriamente, um olhar que ele aperfeiçoara através dos anos. Ele o utilizava, o não-role-seus-olhos-quando-eu-disser-o-que-tenho-para-dizer olhar, como eu e Alice caracterizamos tão bem, quando estava prestes a nos dar um conselho que sabia que nós não gostaríamos. —Renée vai ajudar Esme a concertar a casa nos finais de semana e ela, provavelmente, trará Bella e Jacob com ela. Vocês também começarão a escola na segunda com Bella, Jacob vai à escola da reserva, mas Esme é muito próxima de Renée e seu marido, que são amigos dos Blacks. De qualquer maneira, meu ponto é que vocês verão esses garotos muitas vezes e seria ótimo se vocês pudessem tentar ser amigos deles. Então saiam da sua zona de conforto, por favor. É uma ótima oportunidade para vocês fazerem amigos que não sejam vocês mesmos.

Eu consegui não rolar os olhos, mas, sinceramente, ele estava pedindo o impossível. Sem pressão, nem nada, Carlisle sabia que nós não fazíamos amizade facilmente. A maioria das outras crianças não se sentia confortável conosco porque se sentiam fora das nossas piadas internas ou conversas secretas e, não importava o quanto tentássemos, não podíamos evitar nos afastar de um grupinho. O fato de nossos pais terem morrido não ajudou, pois só nos fez ficar mais próximos do que antes. Éramos melhores amigos. Tudo bem, nós podíamos nos desentender em raras ocasiões, mas eu me sentia confortável com a minha irmã... Bem, exceto quando ela queria brincar com maquiagem ou falar sobre roupas.

De repente, lembrei como ela costumava fazer essas coisas cada vez mais ultimamente e, então, percebi que era um pouco patético que meu melhor amigo fosse minha irmã. Talvez Carlisle estivesse certo, talvez esse garoto, Jacob, gostasse de jogar futebol ou quisesse escalar árvores comigo. Poderia ser bom um tempo longe de Alice. Ela deu de ombros timidamente e eu sabia que ela se sentia da mesma forma.

Acenei para deixar Carlisle saber que eu tentaria e Alice fez o mesmo, porém, trocamos um olhar preocupado enquanto saíamos do carro e nos dirigíamos para a varanda lateral. Fiz meu melhor para sorrir durante as introduções, embora, por dentro, estivesse me sentindo mais nervoso a cada segundo, especialmente quando Esme anunciou que eu estaria em uma turma avançada esse ano. Ótimo, pensei, tudo o que eu precisava. Agora eu não seria somente o garoto novo, seria um nerd também.

Podia sentir meu pescoço ficando mais quente apesar do ar gelado, esfreguei-o nervosamente. Pelo menos, a única que notou meu mal-estar foi Alice, ou fora o que eu pensei.

O caminhão de mudanças já deve estar chegando. Devíamos tirar as coisas do carro — Carlisle interrompeu uma Esme enaltecida, encarando a mim e Alice com aquele mesmo olhar de antes. — O que acham de ir explorar, crianças?

Oh, essa é uma ótima ideia — Renée concordou com um sorriso que alcançava seus calorosos olhos chocolate. Ela colocou uma mão sobre o ombro de Bella e seus olhos iguais aos da mãe rolaram com o gesto maternal embaraçoso. Fiquei feliz de não ser o único envergonhado. — Você e Jacob podem mostrar o lugar para eles. Só não vão muito longe. Depois levarei vocês quatro para o Jimmy Cones para comer sorvete. E então iremos até os bombeiros levar estes cupcakes que fiz para seu pai e o resto do corpo de bombeiros.

Eu decidi, naquela hora e lugar, que eu definitivamente gostava de Renée. Sorvete e uma viagem ao posto de bombeiros? Inferno, é isso aí!

Meu entusiasmo foi logo esquecido quando os adultos nos deixaram. Nós quatro ficamos lá por um momento ou dois sem jeito, até que engoli a bola na minha garganta e estiquei minha mão na direção de Jacob, tentando parecer mais adulto.

Olá, eu sou Edward.

Minha mão ficou estendida entre nós por um momento até que Bella empurrou Jacob em minha direção e, contrariado, ele apertou minha mão.

Jacob — apresentou-se com escárnio.

Caramba, ele tinha um aperto firme, e era alto, uns trinta centímetros a mais que eu. Quantos anos tinha esse garoto? Lembrava-me de alguma coisa que Renée disse sobre sermos todos da mesma idade, mas então por que ele parecia ter mais de 14 anos? Com o que eles alimentam as crianças da reserva? Alice pigarreou e eu percebi que ainda estava balançando a sua mão como um idiota. Parei e puxei minha mão de volta.

E, hm, essa é minha irmã gêmea, Alice.

Olhei para Alice e tentei meu melhor para sinalizar que eu precisava de ajuda, mas eu mais parecia com um retardado.

É... — Jacob disse, alongando a palavra, claramente apontando que ele pensava que eu era tão louco como parecia.

Qual é, Jake, larga disso — Bella grunhiu, saindo da varanda. — Seu pai não está aqui e nós temos que mostrar o lugar para eles.

Eu não concordei com nada disso, Bells, foi você quem concordou. Eu não vou fazer amizade com alguém amaldiçoado — Jacob replicou, olhando para mim e Alice como se fossemos piores que sujeira, seus olhos castanhos profundos enevoados de desgosto.

Você tinha me dito que não acreditava nessa porcaria, Jake! Você está simplesmente sendo mau.

E daí? Eu pensei que seria apenas nós dois hoje! Por que precisamos andar com esses perdedores? Quer dizer, olhe para eles, ele é um imbecil e ela provavelmente ainda brinca com bonecas.

Meu interior ficou quente e meus punhos enrolaram com raiva. Esse cara estava pisando em ovos. Eu podia sentir meu sangue praticamente fervendo, meu temperamento surgindo.

Alice, sempre a cabeça fria, aproximou-se e pôs uma mão em meu ombro, no entanto a tensão não deixou meu corpo e eu senti as pontas das minhas orelhas ficarem vermelhas.

Hey, esse bracelete é muito legal, onde você comprou? — Alice se meteu, apontando para um bracelete daqueles de amizade que Bella tinha em seu pulso, tentando acalmar os ânimos. Não funcionou.

Qual é a porra do seu problema? — gritei com Jacob, dando um passo a frente até que estivesse a três centímetros dele. Ele não parecia mais tão grande, não quando eu estava verdadeiramente furioso. Apostava que podia derrubá-lo.

— Você é o meu problema — enfatizou. — E eu sugiro que você se afaste antes que meu punho se torne o seu problema.

Jesus! Já chega! — Bella berrou, metendo-se entre nós para nos afastar, falando primeiro comigo e depois Jacob — Você precisa controlar seus nervos, e você precisa entender que não vai mais ser apenas nós dois. Eu prometi para minha mãe que eu os ajudaria a se acomodar.

Bem, então se divirta, Bells. Eu estou indo. Você que lide com os gêmeos amaldiçoados e venha andar comigo pelo córrego depois — Jacob declarou com raiva, saindo tempestuosamente para a mata.

Mas que porra foi tudo isso? — perguntei, exigindo uma resposta de Bella.

Relaxa, ele já foi. Talvez da próxima vez você pudesse tentar não fazer toda essa cena de se transformar no Hulk quando conhecer alguém. Ninguém gosta quando alguém vai de apreensivo a enfurecido em dois segundos. Pelo menos você não ficou verde.

Eu não estava apreensivo — menti defensivamente e, tanto Alice quanto Bella, rolaram os olhos.

Tanto faz, Jake é meu melhor amigo, mas ele tem um sério problema de atitude. Não é comum para que até eu consiga impressioná-lo, então não fique desapontado, campeão.

Do que você-, eu não estou desapontado e eu não estava tentando impressionar ninguém — menti novamente, tentando conter minha raiva que continuava a crescer em meu estômago.

Bella era seriamente irritante. Eu pensei que fosse apenas o garoto, mas eu ainda estava furioso e ele já tinha ido embora há tempos. Era como se ela pudesse me ler tão bem quanto Alice e eu odiava isso, porque, diferente de Alice, ela ficava apontando meus defeitos e deixando meu ego em migalhas.

Meu pager tocou, os tons destintos ecoando pela casa e no banheiro, trazendo-me de volta das memórias. Escutei por um momento enquanto lavava meu corpo e cabelo e, quando tive certeza que o toque não era para mim, ignorei o chamado. Normalmente, iria me irritar ser puxado de meus pensamentos por um chamado, no entanto, sentia-me um tanto agradecido por estar livre da memória. Não era como se eu não soubesse o que aconteceu depois daquilo de qualquer maneira. O resto dia foi gasto com Bella lendo-me como se eu fosse um livro e fazendo comentários que me irritavam e atingiam minha masculinidade, enquanto eu tentava conter a vontade de socá-la. Foi basicamente como qualquer outro dia em sua presença, exceto que agora ela realmente gostava de me levar até a beirada da minha sanidade, por isso que eu não estava ansioso pelo trabalho amanhã. Desliguei a água e grunhi audivelmente enquanto agarrava a toalha. Pela primeira vez em quatro anos, eu não queria ir ao trabalho, porque, quando eu aparecesse para o meu turno de 48 horas na manhã seguinte, Bella estaria batendo o cartão logo depois de mim. E eu não tinha a menor ideia de como eu iria sobreviver com a sua companhia durante dois longos dias sem matá-la.

N/T: E aí? O que acharam desse nosso Edward boca suja e esquentadinho? Tudo de bom, não é? E o Jake? Já odeiam ele? Acalmem os ânimos aí, esse é só o segundo capítulo e tem muita água pra rolar ainda.

Comentem, digam o que estão achando, deixem reviews bem bonitinhas que pode ser que a Pbroken esteja lendo. Beijos e até o próximo, que sairá apenas ano que vem, haha. Tinha que fazer piadinha de ano novo não é?!

Feliz Natal e Ano Novo a todos os leitores maravilhosos que comentam.