Capítulo dois.
Terça-feira, 23h30min. Podia-se ouvir de seus aposentos os ventos fortes naquela noite. Severus Snape pegou os pergaminhos daqueles infelizes alunos para corrigir, que provavelmente só havia saído besteiras e/ou cópias. Estava confortado em sua escrivaninha de madeira rústica e poltrona de coro. O ambiente era esverdeado, que depois do preto, era sua cor favorita, além de ser a cor representante de sua casa. Atrás dessa mesa, que se localizava na sala antecedente de seu quarto, havia uma enorme e gloriosa estante abarrotada de livros. A sua frente, um armário onde guardava ingredientes, poções e conservas de criaturas esquizofrênicas mortas. Era confortável e agradável para ele.
Apesar de ser irritante ler aqueles pergaminhos e ver tanta besteira, era agradável dar nota baixa. Principalmente àqueles que não gostava. Pensou em Sulis, pois ela havia tirado, no período de um mês, 35 pontos sozinha da casa. Porém, após esse pensamento e um leve sorriso em seu rosto por dar nota baixa a alguém em especial, resolveu seguir a ordem da pilha à sua frente.
Corrigiu vários trabalhos. Leu o nome de Sulis. Resolveu separá-lo e lê-lo por último. Enfim, o pergaminho da senhorita Scathach. Estranho, só agora ele reparara que estava escrito, no cabeçalho do pergaminho, somente o primeiro nome, sem mais, como manda o figurino: nome completo, data, casa. Percebeu também que não havia ali 40 centímetro. Só por essas coisas, observou Snape, poderia arrancar-lhe uns pontos. Resolveu ler:
"Confidente pergaminho, deixe-me lhe contar uma história de arrepiar sobre uma coisa que me aconteceu. Uma noite vagando pelos matos atrás do Javali, eu tinha bebido um drink, nada mais. Eu estava divagando, aproveitando a brilhante luz da lua, olhando as estrelas. Não percebi a presença tão perto de mim observando cada movimento meu. Com medo eu cai de joelhos enquanto alguém correu de trás das árvores e levou-me para um lugar profano. E foi lá que eu cai em desgraça. Então eles me invocaram para juntar-me a eles. À dança dos mortos.
Para dentro do círculo de fogo, eu os segui para o centro, eu fui levada como se o tempo tivesse parado. Eu ainda estava entorpecida pelo medo, mas ainda queria ir, e as chamas do fogo não me feriram enquanto eu andava sobre o carvão, senti que estava em transe. E meu espírito foi levado de mim. Se alguém ao menos tivesse a chance de testemunhar o que aconteceu comigo! E eu dancei, pulei e eu cantei com eles. Todos tinham a morte em seus olhos, figuras sem vida, todos eles eram mortos-vivos que vieram das trevas. Enquanto eu dançava com os mortos, meu espírito livre estava rindo e uivando para mim sob meu corpo morto-vivo. Apenas dançava o círculo dos mortos até que chegou a hora de nos reunirmos. Meu espírito voltou para mim e eu não sabia se estava viva ou morta. Enquanto os outros juntavam-se a mim, por sorte um barulho começou e tirou a atenção de todos. Quando eles desviaram o olhar foi o momento em que fugi, corri como nunca, mais rápido que o vento, mas eu não olhei para trás, que era uma coisa que eu não me atreveria, era olhar apenas para frente. Algo me diz, quando durmo, em meus sonhos, que isso acontecerá novamente, eu devo estar preparada para ir dançar com os mortos. Sobre este dia eu acho que nunca saberei por que ocorreu e me deixaram partir, mas eu nunca mais dançarei até que eu dance com os mortos.
28/09/1989" 6
Curiosidade e confusão. Foi o que Snape sentiu ao ler tais declarações.
"Magia negra" – afirmou em seus atordoados pensamentos.
Se aquilo fosse verídico, as dimensões de tais problemas eram catastróficas. Ou não. Enfim, resolveu pedir conselho a Dumbledore e deixá-lo ciente. Rumou à Torre do Diretor. Ao chegar às gárgulas, proferiu a senha - dedos de bolhas açucaradas- "uma senha mais idiota que a outra". Passou pela escada espiral, e deparou-se com o diretor que já o esperava:
-Chá?
-Não, obrigado.
-Sente-se, meu jovem. O que o trás aqui tão tarde, senão para tomar chá?
Snape sentia suas entranhas queimarem ao ouvir as baboseiras daquele velho e não poder dar uma boa resposta. Contentou-se em crispar os lábios e responder com um tom mais seco que o habitual:
-Leia este pergaminho, é de uma aluna da minha casa, a senhorita Scathach.
Dumbledore pegou o pergaminho que Snape estendeu em sua direção. Sentou-se na cadeira em frente ao diretor, após um sinal do mesmo. Observou-o lendo.
- Meu jovem, isso parece um dívida de sangue, não?
- Foi o que pensei na hora em que li. Acho que saberá resolver isso, vou voltar aos meus aposentos. Boa noite. – Levantou-se.
-Espere Severus. Sente-se novamente. Acho que você é o mais indicado a resolver isso. Seus conhecimentos em artes das trevas e magia negra superam os meus, além de que a senhorita Scathach é aluna de sua casa. Será que posso confiar esse problema a você?
Lançou um olhar assassino ao velho que estava sentado à sua frente todo sorridente.
-Verei o que posso fazer. Boa noite
-Noite.
6- Dance of Death – Iron Maiden, levemente modificado para a história.
