Pax Spirituale

Disclaimer: Saint Seiya não pertence, mas sim à Masami Kurumada, Toei e Cia.

Capítulo 2

O Conselho Real se reunia naquele fim de manhã. Os generais se agrupavam em torno do salão, enquanto o Faraó estava em seu trono observando os membros do Conselho se reunirem, aguardando o veredicto dos Deuses. A guerra contra os bárbaros havia tido uma trégua e agora era hora de saber se deveriam avançar ou se os Deuses condenariam um ataque. A irmã do faraó sentava-se em um trono à frente do irmão, do outro lado do círculo. Recostada em várias almofadas de cores vibrantes, ela apenas observava quieta.

Dagobar, sacerdote e guerreiro do Faraó, acabava de adentrar o recinto decorado com peças de tapeçaria e ourivesaria, além de estátuas dos Deuses egípcios. O rapaz alto, moreno, de traços fortes, longos cabelos negros, presos em meio rabo de cavalo baixo, olhos castanho-escuros e grandes músculos bem trabalhados e definidos, entrou vestindo um peitoral de ouro e pedras azuis, e uma espécie de túnica que envolvia apenas o quadril e se estendia até os joelhos, deixando o tórax musculoso à mostra. Nos punhos, braceletes de ouro, e nas mãos carregava um recipiente fundo, que continha água. O olhar da princesa repousou sobre o sacerdote. O amor que ambos compartilhavam era de conhecimento do faraó, que permitira o envolvimento amoroso de ambos, assumindo o papel do pai, que morrera há anos. Dagobar colocou-se no centro do círculo e se voltou ao Faraó.

Agitou suavemente o recipiente, mexendo a água contida neste. Ficou observando o movimento das águas atentamente.

- Qual o veredicto dos Deuses?

- Vitória!

Um sorriso um tanto maquiavélico desenhou-se nos lábios do soberano. Levantou-se e ordenou que seus generais se preparassem para a batalha, e reunissem suas tropas. Em seguida, retirou-se para seus aposentos. Dagobar se retirou junto com os generais, pois ele também, apesar de ser um sacerdote, era acima de tudo, um guerreiro. Era, na verdade, o general de maior confiança do Faraó, e o mais próximo deste. A irmã do Faraó ainda permaneceu no salão, após todos se retirarem. Levantou-se e dirigiu-se até o recipiente que Dagobar havia deixado sobre uma mesa, propositalmente para que ela mesma o observasse. E assim o fez, prestando atenção no interior do recipiente.

Uma figura havia se desenhado sobre a água, algo semelhante a um peitoral feito em lápis-lazúli, e com uma flor dourada sobre o centro. Vitória...

Ela seguiu para os aposentos faraônicos, atrás de seu irmão. Chegando ao quarto, percebeu que ele estava em uma saleta ao lado, e deitou-se sobre a cama, preguiçosamente. A túnica azul escura sobressaltando-se sobre os tecidos alaranjados.

- O que faz aqui?

- Caro irmão... não viste o veredicto dos Deuses com teus próprios olhos?

- O que quer dizer?

- Quando Dagobar agitou a água, uma figura se desenhou sobre ela... um peitoral de lápis-lazúli, com uma flor dourada ao centro...- dizia como se não quisesse nada, enquanto, agora já de pé, observava e acariciava uma estatueta de um gato, feita em madeira e que repousava sobre um móvel ao lado da cama. - Avance com toda a tua força hoje, Irmão. E terás a vitória que almeja... E ainda mais que isso... Encontrarás algo que sempre procurastes e ganharás em troca, um Reino... – virou-se para o irmão, fitando-o nos olhos. - Agora, devo ir-me... O Grande Faraó deve se preparar para a batalha desta tarde...

A jovem saiu, deixando o irmão absorto em pensamentos...

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Dagobar era um belo homem. Forte, viril, um ótimo amante. Já tivera muitas mulheres naquelas terras. Amara muitas mulheres antes da princesa. Somente depois de conhecê-la, que realmente conheceu o verdadeiro amor. Aquele amor que o faria ser capaz de perder a vontade de viver, caso perdesse a amada. A jovem princesa já sabia do passado do rapaz, mas não se importava com isso. Sabia que ele a amava mais que todas as outras. E não temia o ciúme desenfreado das antigas amantes de seu amado. Agora, no fim daquela tarde quente, a garota observava de longe o campo de batalha, abrigada em uma tenda montada para o Faraó repousar ou reunir seus generais. O sol implacável do Egito torturava os combatentes, e ela mesma estava fatigada com o calor. Mas não seria capaz de deixar seu amado à deriva dos caprichos da morte.

- Obhye! Vá para dentro do Castelo!!! É muito perigoso ficar aqui!!! Ande!!!

- Mas, Irmão!

- Vá!! – o Faraó fincou a espada na mesa à frente da garota, a fim de persuadi-la.

- Obhye!!! Pegue minha espada!!! Vá depressa... - Dagobar entregou a espada de dupla lâmina para a amada.

- Dagobar!!! - ela se atirou em seus braços antes que ele pudesse se embrenhar no meio dos combatentes. O abraçou, enlaçando seu pescoço com os braços e beijando-o sofregamente. O rapaz correspondeu o beijo na mesma intensidade, e tomando fôlego pediu para ela ir.

No entanto, nenhum dos dois contava com um ataque inesperado pelas costas da garota. Dagobar rodopiou para a direita, desviando do golpe furioso de uma mulher de cabelos escuros.

Outro ataque, e dessa vez, a princesa corta a garganta da mulher. Porém, outras mulheres os atacavam, furiosamente. As antigas amantes de Dagobar se infiltraram no campo de batalha, aproveitando-se da situação, pretendiam vingar-se dele e principalmente, tirar a vida daquela que agora detinha o coração do guerreiro.

Golpes de espada eram dirigidos à princesa, que se defendia como podia. Dagobar a ajudava, ao seu lado. A garota conseguiu aparar vários golpes e cortara a garganta das mulheres que a atacavam. Até que percebeu uma garota atrás de Dagobar, e colocou-se à frente dela, aparando os golpes da jovem. Dessa vez, a garota que a atacava era um pouco mais forte que si, e com dificuldade se defendia. A furiosa ex-amante do sacerdote-guerreiro a atacava sem piedade, porém em um pequeno deslize, Obhye segura seu pulso com uma mão e força o peso do seu corpo contra o da garota, fazendo inclinar-se de costas para uma mesa. A princesa segura o pulso e o pescoço com uma das mãos, sem poder manejar a espada. Pega com a mão direita uma adaga jogada ao lado e a usa para ferir mortalmente sua oponente.

Porém, uma outra jovem que estava atrás de si pegara uma adaga e a fincara logo abaixo de seu ombro, perfurando o pulmão. Obhye sente o sangue escorrer sobre suas costas, e seu corpo fraquejar. Antes de cair, vê o rosto cheio de ira e ciúme de sua assassina, a visão turva. E morre antes de ver o rosto de seu amado, nos braços de Dagobar, que correra até ela e amparara seu corpo sem vida, apertando-o contra o próprio corpo.

- NÃÃÃÃOOOO OBHYEEEE!!! – o rapaz deixa lágrimas escorrerem por seu rosto coberto de sangue, pó e suor. Segura o corpo de sua amada com o braço direito, e com a mão esquerda desfere um golpe certeiro com a espada de dupla lâmina, cortando a cabeça da antiga amante. Cheio de fúria o rapaz caminha para o Palácio, se dirigindo ao quarto de Obhye, depositando o corpo sobre a cama. Acaricia delicadamente o rosto da jovem, e o beija tomado de amargura. Levanta-se e caminha com passos largos e duros de volta para o campo de batalha.

Embrenha-se na luta, implacável. Sua fúria arrebata mais e mais vítimas, traçando um caminho de sangue e morte por onde passa. Trava batalhas ferozes enquanto ainda pode caminhar e combater. A espada é banhada em sangue, enquanto ele tenta aplacar sua dor. Sem mais vontade de viver, entrega sua vida à espada de um guerreiro tão forte quanto ele, ou ainda maior que si.

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Úrsula acorda assustada. Não era a primeira vez que sonhava aquilo. Ao contrário, já havia sonhado isso várias outras vezes, mas ultimamente esses sonhos se tornavam mais constantes. E cada vez mais reais. Provavelmente havia algum significado nisso, mas desvendar qual seria...demoraria um pouco...levantou-se da cama desarrumada. Chovia e o céu já estava escuro. Perguntava-se que horas seriam. Deitara-se para descansar um pouco, e adormecera. Quando deitara, ainda era dia e Cerdwen, Morgan e Vallerya haviam acabado de sair. Crystal, Saphire e Citrine ficaram cuidando de Ametist.

Úrsula passara a noite anterior em claro, velando o sono da jovem. Caminhou descalça até a janela, soltando um pesado suspiro. Esfriara do dia anterior para aquela tarde. A camisola estava toda amarrotada, e os cabelos negros bagunçados. Decidiu banhar-se. Pediu a uma das garotas mais novas que esquentasse a água para ela.

Quando a água estava quente e Crystal trouxe a água, Úrsula agradeceu e encheu a tina, despindo-se em seguida. Mirou-se no espelho, e percebeu que no mesmo lugar em que a princesa egípcia de seus sonhos havia levado o golpe que a matou, havia em sua pele, uma marca escura. Passou as pontas dos dedos sobre a mancha e analisou-a. Era exatamente do tamanho de um ferimento causado por uma adaga egípcia.

Pôs um dos delicados e alvos pés na tina, para então afundar-se na água quente. Apesar de já haver tecnologia mais avançada, as bruxas não abriam mão de levar uma vida alheia ao avanço tecnológico e viviam da maneira mais natural que podiam. Seu esconderijo, um grande casarão antigo, quase semelhante a um castelo, ficava próximo a Stonehenge, cercado por uma mata densa, e cercas de espinheiros muito altos. Aquele lugar vivia envolto em névoa constantemente e era muito raro que qualquer mortal conseguisse se aproximar daquela casa.

A jovem de cabelos e olhos negros banhou-se calmamente. Vestiu suas roupas negras e típicas de camponesas e desceu ao encontro das outras garotas.

- Úrsula? Que bom que acordou...

- Onde estão Vallerya, Cerdwen e Morgan, Citrine?

- Elas ainda não voltaram...Saphire falou com elas ainda há pouco... vão passar a noite na casa de um lorde... parece que a carroça delas atolou no meio do caminho...

- Entendi... – respondeu pensativa. – E Ametist? Como ela está?

- Piorou... a febre continua alta... parece que anda tendo alucinações... chamou pela mãe várias vezes durante a tarde.

- Ela ainda é muito ligada a mãe... mesmo depois de séculos depois da morte dela...

- Sim... Úrsula... eu não sei mais o que fazer para abaixar a febre dela...

- Onde estão Crystal e Saphire?

- Crystal foi fazer um chá para Ametist, Saphire está com ela no quarto... eu fiquei de limpar a casa, já que a chuva carregou um monte de sujeira para dentro.

- Eu vou ver como Ametist está...

- Está bem.

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- Boa noite, Senhoritas...

- Boa noite, Milorde... – as três fizeram uma breve reverência e se sentaram novamente.

- Senhor, agradecemos muito pela hospedagem...

- Não há porque agradecer. É o mínimo que podia fazer por vocês, não? – ele lhes sorria gentilmente. – Espero que estejam bem acomodadas.

- Oh, sim... muitíssimo bem acomodadas. A casa do senhor é muito bonita.

- Obrigado. Por favor, Marie, pode servir o jantar.

A senhora mandou que os serviçais viessem trazer os pratos a serem servidos. Aos poucos, alguns homens vestidos com calças brancas, camisas brancas e um colete dourado entraram, cada qual carregando uma bandeja. Eles colocaram as bandejas sobre a mesa e serviam a Camus e suas convidadas.

- Bem... tenham um bom apetite.

- Se me permitem perguntar, onde as senhoritas vivem?

- Próximo a Andover... na realidade, vivemos em uma espécie de fazenda...

- Oh, sim... entendo...

O jantar seguiu calmo e Camus, Cerdwen e Morgan conversaram animadamente. Vallerya mantinha-se calada, comera pouco, e poucas vezes olhara para Camus, exceto quando ele havia chegado a Sala de Jantar. Trocara olhares praticamente indiferentes com as outras. Não queria ser deseducada, porém não se abria tão facilmente com estranhos como Cerdwen. Morgan mantinha-se mais reservada que a amiga, porém ainda assim conversara mais com Camus do que Vallerya.

Após o jantar, as garotas foram convidadas por Camus para se juntarem a ele na biblioteca, onde ele costumava tomar conhaque antes de subir aos seus aposentos e deitar-se. Vallerya recusou o convite polidamente e dirigiu-se ao aposento que foi reservado a ela. Cerdwen e Morgan o acompanharam até a biblioteca, e permaneceram conversando com ele durante um tempo, saboreando um famoso conhaque francês. Após um bom tempo conversando, as garotas decidiram subir e irem deitar. No dia seguinte teriam de levantar cedo.

- Boa Noite, senhoritas.

Camus ainda ficou um tempo acordado. As três garotas o impressionaram muito, porém a que mais lhe chamou a atenção fora a jovem de olhos rubros. Porque se mantinha tão distante e fria? Caminhava calmamente pelos corredores de sua mansão, quando avistou uma porta aberta mais adiante, e uma silhueta na varanda, observando a noite.

- Com licença... Oh... senhorita Vallerya... – a jovem se virou a ele, fitando-o intensamente com os orbes rubros. - A senhorita gosta de observar a noite?

Camus se aproximou, colocando-se ao lado dela, enquanto observava o céu noturno ainda avermelhado pelas nuvens e pela chuva. A jovem no entanto, se mostrava tão indiferente quanto durante o jantar.

- Gostar...?

- Sim... gostar... vejo que a senhorita deixou seus aposentos para vir aqui. E como está sozinha , penso que deve gostar de observar a noite... estou enganado?

- Não diria que está enganado, mas também não digo que esteja certo. Eu apenas observava o céu da noite. Não por gostar...

Camus sorriu levemente. A garota era como uma geleira. Mais fria que ele próprio. Isso o encantava. Não sabia ao certo o porque, mas apenas o encantava. Distraído com seus pensamentos, não percebeu que a jovem se afastava e voltava ao seu aposento.

- Boa Noite, Monsieur... – disse sem esboçar a mínima emoção, enquanto andava tranquilamente, fazendo seu robe de seda negra transparente balançar ao sabor de seus passos, sobre a camisola acetinada de cor tinta como o vinho, que delineava seu corpo magro e curvilíneo, emprestados ambos da irmã falecida de seu anfitrião. Os longos e sedosos cabelos negros balançavam levemente.

- Boa Noite, senhorita... – murmurou, com a cabeça levemente abaixada e mirando-a se afastar pelo canto dos olhos.

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Oi gente! Eu sei q esse cap não ficou la mto grande... mas enfim... queria postar logo... aos poucos algumas idéias tão aparecendo e pouco a pouco to desenvolvendo o enredo... espero q vcs tenham gostado msm assim...ah! e qnto a esse cap... deu p/ perceber algumas das minhas intenções neh? Eu não vou comentar mto aki senão perde a graça... mas qnto a primeira cena... do "flashback-sonho"... essa cena foi um sonho q eu tive x Dae achei q seria otimo colocar na fic... e não... a ursula não eh uma self-inserction... ela eh um presente p/ a Bru(Natii ou Nati-chan50, como era o nick dela antes...), mas gostei tnt do sonho q resolvi colocar como sonho da Ursula... enfins... vou indo... pq ta frio e eu preciso arrumar umas coisas p/ depois ir dormir xD

Bjs...

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