Kizuna

Capítulo I – Memories

Itálico: Pensamentos dos personagens.

- É um prazer conhecê-la, Matsumori-san.--Nowaki respondeu sério. Ainda não conseguia acreditar que a médica à sua frente fosse a mesma mulher que aparecia com Hiro-san nas fotos que achara de manhã. Estava se sentindo estranho. Ao mesmo tempo em que sentia uma pontada de ciúmes da intimidade que ela demonstrava ter com Hiro-san nas fotos, estava abismado com a beleza da médica.

Matsumori Shizuka possuía a pele absolutamente pálida, o que fazia o verde escuro de seus olhos sobressair em
seu rosto jovem de traços suaves. Os traços de seu rosto possuíam um quê de europeu. Ela devia ter alguma ascendência européia. Os cabelos lisos e vermelhos desciam soltos por suas costas até abaixo de sua cintura. A franja caia sobre seus olhos como se fosse uma cortina vermelha protegendo duas esmeraldas. As roupas negras só acentuavam a palidez da pele. Shizuka usava uma camiseta de manga comprida e gola alta, calças jeans e botas de cano alto. A única peça que não era negra era o jaleco típico dos médicos.

Shizuka soltou a mão.

- Pode me chamar de Shizuka.

Nowaki sorriu fracamente.

- Como quiser Shizuka-senpai.

- Agora que já foram apresentados, irei deixá-los a sós. --disse o diretor--Tenho trabalho a fazer. --se afastou. Nowaki o acompanhou com o olhar.

- Ouvi dizer que você é o melhor residente daqui. --Shizuka comentou.

Kusama voltou o olhar para ela.

- Não diria que sou o melhor... --sorriu encabulado.

Nesse momento uma enfermeira apareceu, chamando a atenção de Shizuka.

- Matsumori-san... O menino Hoshizaki...

Shizuka assentiu com um leve aceno de cabeça. A enfermeira voltou para o interior da sala de UTI.

A médica suspirou.

- Bem... Hora de trabalhar!--sorriu dando um tapa de leve no abdômen de Nowaki e entrou na UTI. O residente a
acompanhou.

Nowaki a acompanhou durante toda a noite e, pelo menos no aspecto profissional, não encontrou nada que pudesse
criticar em Shizuka. Ela demonstrava ser uma médica responsável e competente. Parecia ter muito jeito com crianças. Atendia os pacientes sempre sorrindo, fazia brincadeiras, conseguia relaxar e divertir as crianças doentes. Observando-a assim, Shizuka parecia ser uma boa pessoa, mas Nowaki ainda queria descobrir qual era a
relação dela com Hiro-san.

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Enquanto caminhava pelo campus, Hiroki procurava um número de telefone em seu celular. Não lhe agradava muito
ter que ligar para essa pessoa assim do nada, mas se Shizuka havia realmente retornado ao Japão, essa pessoa com certeza saberia. Achou o número e clicou para discar. Por alguns segundos ouviu aquele característico som de chamada até que uma voz masculina atendeu:

- Alô?

- Akihiko?

- Hiroki?--Akihiko parecia espantado. --O que aconteceu? É tão raro você me ligar...

- Preciso saber de uma coisa. --o tom de voz do professor era bem sério.

- É verdade.

- O quê...?—Hiroki ficou confuso.

- Shizuka voltou para o Japão.

- COMO VOCÊ SABIA QUE EU IRIA PERGUNTAR SOBRE ELA?!

Do outro lado da linha, o escritor afastou um pouco o fone do ouvido.

- Eu te conheço, Hiroki.

Kamijou bufou irritado.

- Ela te ligou?—perguntou o escritor.

- Me mandou uma mensagem.

- Hn. Ela me ligou ontem avisando. Ela sabia que você provavelmente não acreditaria que ela havia retornado então
me pediu para que, caso você ligasse pra mim, eu confirmasse o retorno dela.

- O QUÊ?!--Hiroki estava vermelho de raiva. "Que garota insolente!" Alguns alunos que cruzavam com Kamijou, desviavam o caminho assustados com a cara de psicopata do professor de literatura.

- Eu te conheço. Ela te conhece. Você é tão previsível, Hiroki... --Kamijou pôde notar um leve tom de sarcasmo
na voz do escritor.

- Sayonara, Akihiko. --desligou.

Hiroki suspirou tentando se acalmar. Então ela realmente voltara. Depois de oito anos, Shizuka voltara. Fechou os
olhos. Deus! Como sentira falta daquela garota!

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Do outro lado da linha, Akihiko encarava o telefone. Um sorriso brincava em seu rosto. Misaki passou pelo escritor e
estranhou.

- Algum problema, Usagi-san?

Ainda sorrindo, Akihiko olhou para Misaki.

- Misaki, você conheceu uma amiga do Takahiro chamada Matsumori Shizuka?

Misaki pareceu pensar um pouco. Como se um estalo tivesse sido dado em sua mente, sorriu.

- Ah sim! Shizuka-san! A última vez que a vi foi quando ela foi se despedir do Nii-san. Parece que ela ia pra Europa estudar ou algo do tipo.

- Exatamente. Ela passou os últimos oito anos na Alemanha, estudando e trabalhando.

- Hum...

- Ela voltou.

- É?--Misaki pareceu espantado e feliz com a notícia.

- Você gosta da Shizuka? --Akihiko perguntou quando notou a expressão no rosto do universitário.

- Sim, ela é uma pessoa muito legal.

- Sim, ela é. --Akihiko olhou para o céu que aparecia através da janela. Riu. Misaki estava começando a ficar confuso
e assustado com o comportamento de Akihiko.

"Shizuka e Hiroki se encontrando..." Riu ainda mais. A simples idéia de ver os dois se reencontrando o divertia demais!

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Quando chegou em casa, Hiroki encontrou um bolo de fotos deixado sobre a mesa de centro da sala. Pegou o bolo
e sentou no sofá. Foi passando as fotos uma por uma.

Suspirou. Lembrava da viagem à Itália. Os dias que passara com Shizuka em Milão, Veneza, Roma. Aquela viagem
fora uma excelente despedida. Três anos depois Shizuka foi para a Alemanha. Estudar. Médica Pediatra. Suspirou novamente. Talvez fosse sua sina se envolver com médicos pediatras. Continuou olhando as fotos até que se lembrou de um detalhe. Ele havia deixado aquelas fotos dentro de um livro. O último livro que havia ganhado de Shizuka. Então, como aquelas fotos foram parar na mesa da sala?

- Oh, não! --Kamijou largou o corpo no sofá.

Nowaki! Só poderia ter sido ele! "Ele deve ter achado essas fotos e as colocou aqui"

- Só espero que aquele pirralho não tenha pensado nenhuma besteira!

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O dia começava a amanhecer. Em uma sala no hospital, Nowaki guardava suas coisas e se preparava para voltar para
casa. Estava distraído, por isso se assustou quando ouviu uma voz às suas costas.

- Parabéns.

O residente se virou. Apoiada no batente da porta estava Shizuka. A médica entrou e também começou a arrumar as
coisas para ir embora.

- Hm?

- Você demonstrou ser muito bom, Kusama. É talentoso e tem jeito com crianças. Pode se tornar um excelente pediatra.--a médica sorriu.

Nowaki sorriu de volta.

- Obrigado, senpai.

Uma melodia começou a ser ouvida. Shizuka tateou os bolsos do jaleco procurando alguma coisa. Olhou ao redor e
achou o que procurava em cima de uma mesa, atrás de Nowaki.

- Kusama, você poderia pegar meu celular, por favor? Eu deixei nessa mesa, atrás de você.

- Claro.

Nowaki se virou e pegou o aparelho. Quando o estendeu pôde ver o nome de quem ligava. O visor do celular mostrava: Hiroki.

Shizuka pegou o celular e atendeu.

- Hiroki-chan?!

A menção do nome de Hiro-san com o sufixo assustou Nowaki.

- Ai! Que mau humor, Hiroki-chan!

Nowaki não podia acreditar quem Shizuka e Hiro-san eram tão íntimos a ponto dela poder chamar o professor de Hiroki-chan. Confuso e, bem no fundo admitia, enciumado, Nowaki deixou a sala.

- Até a noite, senpai. --disse sem emoção.

- Até. --Shizuka respondeu.

A médica suspirou.

- Para de gritar, Hiroki! Eu já entendi! Eu paro de te chamar de Hiroki-chan! Aiê! Homem estressado!

Shizuka sorriu. Passaram-se oito anos, mas Hiroki continuava o mesmo. Tão fácil de provocar!

- Posso ir à sua casa hoje à noite? Lá pelas oito? Tudo bem? "Esqueci de avisar o Nowaki que ele não precisa vir hoje à noite! Ah, eu ligo pra ele depois! O hospital deve ter o telefone dele."

- Então até a noite? Até. Beijos. Também te amo!

Shizuka desligou o celular, pegou suas coisas e saiu do hospital.

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Hiroki desligou o telefone. Olhou para a fita negra em sua mão. Na fita estava bordada a palavra Fratelli em prata. Kamijou ainda se lembrava do dia que ganhara a fita de Shizuka. Foi no dia que ela viajou para a Alemanha. Shizuka havia lhe dado a fita enquanto se despediam no aeroporto.

- Uma fita? --perguntou Hiroki.

- Uhum. Assim você não me esquece.

Shizuka deu um beijo no rosto de Hiroki e embarcou.

Kamijou amarrou a fita no pulso.

O professor havia acabado de amarrar a fita em seu pulso quando ouviu um barulho vindo da porta. Nowaki havia
voltado.

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A campainha tocou. Usami Akihiko atendeu. Sorriu quando viu quem estava a sua porta.

- Há quanto tempo, Akihiko.

- Há quanto tempo, Shizuka.