E continua. Deuses, continua.

- Pelo seu próprio bem, Zack, eu espero que minhas luvas estejam mesmo no seu quarto. – rosnou Sephiroth, saindo do elevador e andando o mais rápido que podia, fazendo o resto da comitiva (Genesis e Angeal seriam extremamente necessários caso Sephiroth resolvesse obliterar alguma coisa desse plano existencial. Já os Turks,... Bom, Reno era curioso) correr atrás dele.

- Qual o problema de Sephiroth e as luvas? Credo, não podem ser apenas parte da fantasia. – perguntou Reno, no tom mais baixo que pode, para Genesis.

- Nada que te interesse, Turk. Limite-se aos seus assuntos que SOLDIERS cuidam dos próprios. – disse o comandante Rhapsodos, num tom ameaçador.

Graças a Deusa e a providência, Rude conseguiu entender o que estava implícito na ameaça de Genesis. Não que houvesse a necessidade de uma ameaça do tipo, já que era praticamente uma regra não escrita de ShinRa, mas era provável que a curiosidade de Reno tivesse levado a melhor por alguns instantes.

"Se o assunto diz respeito a Sephiroth, você não quer saber de nada. A não ser que seja o seu que está na reta, então tudo o que você quer é sair do caminho. ".

Simples assim.

- Entendido. Com sua licença. – E Rude arrastou Reno na direção contrária.

Genesis suspirou mentalmente, sem demonstrar o alívio que sentia ao ver os dois Turks se afastando. A situação já estava terrivelmente ruim do jeito que estava, condirá se Turks, de todas as pessoas, ficassem sabendo que...

Merda, era melhor nem pensar.

...

Angeal estava lutando contra a idéia de ele mesmo estrangular Zack. O garoto era completamente louco? De todas as pessoas... Logo Sephiroth? Mil vezes fazer isso com o próprio velho Shinra do que com o General. 'G' maiúsculo e tudo o mais.

Ele devia ter previsto algo do tipo, droga. Pegar alguma coisa que pertencia ao General já era muito ruim. Privá-lo completamente de algo, era absurdamente horrível. Mas, nesse momento, ele apenas podia rezar. Rezar para que as luvas estivessem absolutamente intactas e que ele as pudesse colocar de imediato.

Porque o que poucos sabiam era que Sephiroth não suportava contato. Mesmo ele e Genesis, que haviam sido criados com o General, não tinham grandes liberdades a esse respeito. Bastava um toque no ombro, ou mesmo um esbarrão para deixar Sephiroth... Desconfortável. A mera hipótese de ficar sem suas luvas, para ele, devia ser algo extremamente perturbador.

Segurou o cabo da Buster Sword em suas costas com um pouco mais de força, aparentando estar apenas estabilizando-a durante uma caminhada rápida.

Estava sinceramente esperando que não precisasse usá-la.

...

Zack não estava entendendo porra nenhuma.

...

- Abra.

Sephiroth parou a frente da porta, mas rapidamente abriu espaço para que Zack pudesse abri-la. O tom de voz não dava margem para nenhum tipo de demora.

O que Zack fez? Derrubou a maldita chave.

O que teria sido a melhor coisa a ser feita? Ajuntar a maldita chave e abrir a maldita porta.

O que Zack fez? Chutou a chave por debaixo da porta.

Sephiroth rugiu, frustrado. Um dia iria prestar atenção nas vozes em sua cabeça e destruir tudo.

...

Lá dentro, encolhido sobre a cama de Zack, Cloud resmungou alguma coisa sobre "os monstros malvados" e "Sephiroth, me salve..." e continuou a dormir. Com as pernas encolhidas, mãos entre os joelhos e tudo o mais. Ah, sim, e com um sorriso no rosto. Provavelmente havia um cavalo branco no sonho, também.

...

Com um safanão, Sephiroth jogou Zack para o lado e posicionou-se na frente da porta.

- Tem alguém aqui dentro? – chiou para Zack que por sua vez, resolveu responder da maneira mais sintética que era capaz.

- Tem o Spike[1], digo Cloud. Cadete Cloud Strife.

- CADETE CLOUD STRIFE, ATENÇÃO! ABRA ESTA PORTA DE IMEDIATO, É UMA ORDEM!

Até mesmo o próprio presidente Shinra parou o que estava fazendo e correu para abrir a porta, qualquer porta que fosse. Hojo, que tinha lá suas neuroses próprias, limitou-se a abrir uma gaveta e continuar o que estava fazendo. Cloud, no entanto, continuou dormindo.

E o silêncio que se seguiu só pode ser caracterizado como medonho. Até o momento em que o General Sephiroth perdeu qualquer resquício de paciência e derrubou a porta com um chute.

E deparou-se com um individuozinho pelado, confuso, em processo de aparente combustão, e com dois olhos azuis imensos, que pareciam estar tentando bater algum tipo de recorde, dada a velocidade com que se expandiam. Mas tudo isso era apenas o que o foco comum de sua visão era capaz de perceber. A visão periférica logo relatou roupas espalhadas pelo chão, um pôster dele pregado exatamente sobre a cama do pelado supracitado e... suas luvas.

- Boa tarde. Cadete Cloud Strife, eu suponho.

- ...Eh?

- Se não se importa, vim até aqui buscar uma coisa que me pertence, com sua licença...

- Unga?

E Sephiroth aproximou a mão de uma área não normalmente exibida ao público de Cloud, mas que se encontrava coberta pelas luvas. Aparentemente o cadete queria que continuasse assim, pois... ganiu, na falta de melhor onomatopéia, e aconchegou melhor as luvas a sua área de lazer.

Sephiroth pigarreou e estendeu as calças de Cloud para o mesmo, que após alguns poucos segundos, estava devidamente coberto. As luvas, por sua vez, estavam sendo estendidas de maneira receosa ao proprietário das mesmas.

Surpreendentemente, ele tomou-as em sua mão, deixando as pontas dos dedos tocarem por um instante mais do que o necessário a mão de Cloud.

- O de verdade é, em geral, mais interessante. Apenas para constar, cadete.

-...Onh?

Sephiroth sorriu e deu meia volta, fechando a cara instantaneamente ao se deparar com Zack, Angeal e Genesis, que aparentemente haviam achado tudo extremamente perturbador e fascinante.

- Zack? – Sephiroth havia usado de um tom de voz estranhamente musical.

- S-Sim?

- Limpe isso.

E com um dos mais estarrecedores sorrisos já dados por um pseudo-humano-semi-deus, Sephiroth enfiou a luva suja na cara de Zack.

Omake 01

- Eu disse. – Comentou Tseng, laconicamente, enquanto um maço de dinheiro bastante volumoso deslizava sobre a mesa até suas mãos – Se me permitem o clichê, um prazer fazer negócios com os senhores.

- Diabo, Lazard! Eu achei que você conhecia seus soldados! – bradou Reeve Tuesti.

- E como raios eu ia saber que o maluco ia mesmo construir aquela droga!? Quando você faz entrevistas com futuros candidatos a SOLDIER, você não pede se eles tem a tendência oculta de "construir máquinas de dar palmadas desde que os planos sejam simples e sejam deixados a vista de qualquer um"!!!

Omake 02

Cloud estava permanentemente condenado a permanecer vermelho como uma lagosta até o final da vida. Uma lagosta feliz e extremamente excitada, mas ainda assim uma lagosta.

- Cloud... O que é isso na luva? – perguntou Zack, arqueando uma das sobrancelhas de maneira pouco característica.

Ok, talvez não tão feliz.

Omake 03 – Master Series.

De volta a seu quarto, Sephiroth rapidamente guardou a bagunça que havia feito na busca por suas luvas. Depois, verificou se havia trancado a porta e cerrou as cortinas. E retirou uma boxer azul clara do bolso do casaco, habilmente resgatada do meio de calças padrão para cadetes.

"Posso não ter um pôster em tamanho natural de ninguém sobre a cama, mas isso não vai me impedir de me divertir um pouquinho." – pensou, enquanto tirava uma das luvas com os dentes.

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[1] Spike = Espinhudo. Espinhoso. Relaciona-se com o cabelo. Espetado. Isso. Sonic the Hedgehog. Algo assim.

Ok, um mini rant aqui.

Esse foi o tema mais sofrido da minha história. Cogitei Kuroshitsuji, Bleach, Digimon e Reborn! para finalmente chegar em FFVII. E eu nunca joguei o dito jogo. Li um monturro de coisa e assisti Advent Children. E só. A cronologia nessa fic tá um monte de estrume virado do avesso. E Kunzel é um personagem de verdade? Ou é produto do fandom? Um dia eu paro com os Omakes. Um dia eu faço um Omake com a Aerith, só pra zoar valendo.

Era isso. Obrigado por lerem.